13.374 – Literatura e Socialismo – Quem foi Helen Keller?


Helen-Keller
(Tuscumbia, 27 de maio de 1880 — otawa, 1 de junho de 1968) Escritora e conferencista. Foi a primeira pessoa surda e cega a conquistar um bacharelado.
A história sobre como sua professora, Anne Sullivan, conseguiu romper o isolamento imposto pela quase total falta de comunicação, permitindo à menina florescer enquanto aprendia a se comunicar, tornou-se amplamente conhecida através do roteiro da peça The Miracle Worker que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan (1962), dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller). Seu aniversário em 27 de junho é comemorado como o Helen Keller Day no estado da Pennsylvania e foi autorizado em nível federal por meio da proclamação presidencial de Jimmy Carter em 1980, no centenário de seu nascimento.
Tornou-se uma célebre e prolífica escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas com deficiência. Keller viajou muito e expressava de forma contundente suas convicções. Membro do Socialist Party of America e do Industrial Workers of the World, participou das campanhas pelo voto feminino, direitos trabalhistas, socialismo e outras causas de esquerda. Ela foi introduzida no Alabama Women’s Hall of Fame em 1971.
Nascida na cidade de Tuscumbia, Alabama, em 27 de junho de 1880, Helen ficou cega e surda aos 19 meses de idade, devido a uma doença diagnosticada então como “febre cerebral” (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina ou meningite). Já nessa época ela conseguia comunicar-se com a filha da cozinheira da família, através de sinais. Aos 7 anos, Keller já tinha mais de 60 sinais com os quais se comunicava com sua família.
estreou na literatura publicando sua autobiografia A História da Minha Vida. Depois iniciou a carreira no jornalismo, escrevendo artigos no Ladies Home Journal. A partir de então não parou de escrever.
Graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, instituição que a agraciou com o prêmio Destaque a Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura.
Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras.
Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.
Era filiada ao Partido Socialista da América (SPA), onde desenvolveu uma intensa luta pelo sufrágio universal, ou seja, pelo direito a voto às mulheres, negros, pobres etc. Em 1912 se filiou à Industrial Workers of the World (IWW ou “os Wobblies”), passando a defender um sindicalismo revolucionário.

Optimismo – um ensaio
A Canção do Muro de Pedra
O Mundo em que Vivo
Lutando Contra as Trevas
A Minha Vida de Mulher
Paz no Crepúsculo
Dedicação de Uma Vida
A Porta Aberta
A História da minha vida

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13.351 – Cinema – MINHAS TARDES COM MARGUERITTE


minhas Tardes
Imagine o encontro de duas forças. De um lado, mais de 100 quilos de pura ignorância e do outro menos de 50, carregados de ternura. Entre eles, uma diferença de décadas de idade e em comum, o encanto pelos livros. Esta é a história de um cinquentão pobre com as palavras e uma idosa inversamente rica com elas.
Quando criança, Germain (Gérard Depardieu) foi chamado de burro na escola por todos e em casa, com sua mãe solteira, não era diferente. A dificuldade de ler se perpetuou numa espécie de bloqueio intelectual. Já adulto, sua vida se resumia a viver de bicos, ainda ser alvo de brincadeira dos amigos e, principalmente, conviver com o eterno desamor da mãe. Contudo, quando Margueritte (Gisèle Casadesus) faz com que as páginas de um livro se abram novamente para ele, este reencontro com o universo das letras amplia seu horizonte e o único limite – agora – será somente a sua vontade.
Baseado no livro “La Tête en Friche”, de Marie-Sabine Roger, o filme foi dirigido por Jean Becker (Conversas com Meu Jardineiro), responsável também pelo roteiro, que conduz bem o espectador e de maneira cativante apresenta um drama com elementos de comédia. E é esse contraponto que ameniza a tristeza dos fatos, sem deixar de lado a emoção.
O resultado é uma produção delicada, que não apela para a pieguice, envolvendo você do começo ao fim, porque a amizade fomentada pelo prazer de viver (dela) e aprender (dele) é inesquecível. Assim, a qualquer hora do dia, eis um filme bom de assistir: Minhas Tardes com Margueritte.

12.754 – Leitura de livros aumenta longevidade


livro carl sagan
Esgotado nas livrarias

Claro que a ideia de vida eterna também é um exagero, mas uma pesquisa recente afirma que a leitura de livros pode resultar em um tempo a mais de vida.
Ler livros reduziu, aparentemente, em 20% os riscos de mortalidade das pessoas que, por 12 anos, foram acompanhadas. A pesquisa, publicada na revista “Social Science & Medicine”, utilizou dados do Health and Retirement Study, realizado pela Universidade de Michigan. Os 3.635 entrevistados eram adultos acima de 50 anos.
Além de verificar se e quanto as pessoas liam, o estudo, chamado “A Chapter a Day” (Um Capítulo por Dia, em tradução livre), precisou “descontar” o efeito de alguns fatores que influenciam a longevidade, entre eles: câncer, doenças de pulmão, infarto, diabetes e hipertensão. Estado civil e situação e trabalho, histórico de depressão, idade, sexo, raça e condição econômica também foram considerados.
Mesmo assim, os pesquisadores da Universidade Yale constataram uma bela vantagem na sobrevivência daqueles que liam em média 30 minutos por dia, quando comparados a não leitores.

12.493 – Mega Personalidades – Quem foi Garcia Lorca?


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Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 18 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.
Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde fez amizade com artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseia-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).
Concluído o curso, foi para os Estados Unidos e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens do Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940.
Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava suas ideias socialistas e, com fortes tendências homossexuais.
Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.

O assassinato e o corpo
O biógrafo de García Lorca, Stainton, afirma que seus assassinos fizeram comentários sobre sua orientação sexual, o que sugere que ele desempenhou um papel em sua morte. Ian Gibson sugere que o assassinato de García Lorca foi parte de uma campanha de assassinatos em massa que visava a eliminar apoiantes da Frente Popular Marxista. No entanto, Gibson propõe que a rivalidade entre a anticomunista Confederação Espanhola de Direito Autônomo (CEDA) e a Falange foi um fator importante na morte de Lorca. O ex-vice parlamentar da CEDA, Ramon Ruiz Alonso García, prendeu Garcia Lorca na casa de Rosales e foi o responsável pela denúncia original que levou ao mandado de captura emitido.
Tem sido argumentado que García Lorca era apolítico e tinha muitos amigos em ambos os campos republicanos e nacionalistas. Gibson contesta isso em seu livro de 1978 sobre a morte do poeta. Ele cita, por exemplo, o manifesto publicado de Mundo Obrero, que Lorca assinara mais tarde, e alega que Lorca foi um apoiante activo da Frente Popular. Lorca leu um manifesto num banquete em honra do companheiro poeta Rafael Alberti em 9 de fevereiro de 1936.
Muitos anticomunistas eram simpáticos a Lorca. Nos dias antes de sua prisão ele encontrou abrigo na casa do artista e líder membro da Falange, Luis Rosales. O poeta comunista vasco Gabriel Celaya escreveu nas suas memórias que uma vez se encontrou com García Lorca, na companhia do falangista José Maria Aizpurua. Celaya escreveu ainda que Lorca jantava todas as sexta-feiras com o fundador e líder falangista José Antonio Primo de Rivera.
Em 11 de março de 1937 foi publicado um artigo na imprensa falangista denunciando o assassinato de García Lorca: ” O melhor poeta de imperial Espanha foi assassinado”.
O processo relativo ao assassinato, compilado a pedido de Franco e referido por Gibson e outros, ainda virá a tona. O primeiro relato publicado de uma tentativa de localizar o túmulo de Lorca pode ser encontrado no livro do viajante britânico e hispânico Gerald Brenan em “A face da Espanha”. Apesar das tentativas iniciais, como Brenan em 1949, o local permaneceu desconhecido durante a era franquista.

Poesia
Livro de Poemas – 1921
Ode a Salvador Dalí – 1926.
Canciones (1921-24) – 1927.
Romancero gitano (1924-27) – 1928.
Poema del cante jondo (1921-22) – 1931.
Ode a Walt Whitman – 1933.
Canto a Ignacio Sánchez Mejías – 1935.
Seis poemas galegos – 1935.
Primeiras canções (1922) – 1936.
Poeta em Nueva York (1929-30) – 1940.
Divã do Tamarit – 1940.
Sonetos del Amor Oscuro – 1936

12.459 – Mega Conto – O Náufrago


Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo. E este único sobrevivente foi parar numa ilha deserta e fora de qualquer rota de navegação. E ele agradeceu novamente. Com muita dificuldade e os restos dos destroços, ele conseguiu montar um pequeno abrigo para que pudesse se proteger do sol, da chuva e de animais.
O tempo foi passando e a cada alimento que conseguia, ele agradecia. Um dia, voltando depois de caçar e pescar viu que seu abrigo estava em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça. Desesperado, ele se revoltou e gritava chorando: “O pior aconteceu! Perdi tudo. Deus por que fez isso comigo?” Chorou tanto que adormeceu profundamente, cansado.
No dia seguinte, bem cedo, foi despertado por um navio que se aproximava. “Viemos resgatá-lo”, disseram. “Como souberam que eu estava aqui?”, perguntou. “Nós vimos o seu sinal de fumaça”, responderam eles.

10.821 – Mega Cult – Uma Mega Biblioteca


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Bibliotecas definitivamente não são apenas edifícios construídos para abrigar livros. Em termos práticos, elas podem até ter essa finalidade, mas a verdade é que são algo muito mais especial do que isso. Há algo de mágico no ar das bibliotecas. É como se as incontáveis obras literárias que repousam serenas em suas prateleiras concedessem sacralidade ao lugar. Penso nos livros como materializações empoeiradas das ideias de seres humanos que deixaram este mundo há muito tempo. Ou, em alguns casos, de autores que ainda vivem – todos se encontram na biblioteca. É ali, naquele templo democrático do saber, que o conhecimento da humanidade se condensa dentro de miolos e lombadas, tornando-se eterno e maravilhosamente acessível.
Muitas bibliotecas não são belas apenas no aspecto simbólico: várias delas são construções majestosas que contribuem ainda mais para o ar sagrado que domina o ambiente. É o caso do Clementinum, que fica em Praga, na República Tcheca. Ele foi eleito pelo site Bored Panda como a biblioteca mais bonita do mundo. Construído em 1722, o edifício é uma pérola da arquitetura barroca. O Clementinum abriga cerca de 20 mil livros e foi por muito tempo considerado como o terceiro maior colégio jesuíta do mundo. O teto é repleto de afrescos do pintor Jan Hiebl.

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10.423 – Literatura – Sérgio Buarque de Holanda


Sérgio Buarque de Holanda
Sérgio Buarque de Holanda

(São Paulo, 11 de julho de 1902 — São Paulo, 24 de abril de 1982) foi um dos mais importantes historiadores brasileiros. Foi também crítico literário e jornalista.
De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Heloísa Maria (Miúcha) e Chico Buarque. Ainda em 1936, publicou o ensaio “Raízes do Brasil”, que foi seu primeiro trabalho de grande fôlego e que, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde obteve o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1925. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal (atual UERJ). Em 1939, extinta a Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar na burocracia federal. Em 1941, passou uma longa temporada como visiting scholar em diversas universidades dos Estados Unidos.
Reuniu, no volume intitulado “Cobra de Vidro”, em 1944, uma série de artigos e ensaios que anteriormente publicara nos meios de imprensa. Publicou, em 1945 e 1957, respectivamente, “Monções” e “Caminhos e Fronteiras”, que consistem em coletâneas de textos sobre a expansão oeste da colonização da América Portuguesa entre os séculos XVII e XVIII.
Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, que ocuparia até 1956, sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen.
Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de “História da Civilização Brasileira”, agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever “Visão do Paraíso”, livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o “Prêmio Edgar Cavalheiro”, do Instituto Nacional do Livro, por “Caminhos e Fronteiras”.
A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da “História Geral da Civilização Brasileira”, para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da Universidade de São Paulo pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente.
No contexto da “História Geral da Civilização Brasileira”, publicou, em 1972, “Do Império à República”, texto que, a princípio, fora concebido como um simples artigo para a coletânea, mas que, com o decurso da pesquisa, acabou por ser ampliado num volume independente. Trata-se de um trabalho de história política que aborda a crise do império brasileiro no final do século XIX, explicando-a como resultante da corrosão do mecanismo fundamental de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.
Permaneceu intelectualmente ativo até 1982, tendo ainda, neste último decênio, publicado diversos textos. De 1975 é o volume “Vale do Paraíba – Velhas Fazendas” e de 1979, a coletânea “Tentativas de Mitologia”. Nestes últimos anos, trabalhou também na reelaboração do texto de “Do Império à República” – que não chegou a concluir.
Recebeu em 1980 tanto o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, quanto o Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro.
Também em 1980, participou da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores, recebendo a terceira carteira de filiação do partido, após Mário Pedrosa e Antonio Candido.
Por conta de sua participação no PT e na condição de intelectual destacado é que o centro de documentação e memória da Fundação Perseu Abramo (fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1996), recebe seu nome: Centro Sérgio Buarque de Holanda: Documentação e Memória Política.
Alguns de seus livros
Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, 1936.
Cobra de Vidro. São Paulo, 1944.
Monções. Rio de Janeiro, 1945.
Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII. São Paulo, 1948.
Caminhos e Fronteiras. Rio de Janeiro, 1957.
Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo, 1959.
Do Império à República. São Paulo, 1972. (História Geral da Civilização Brasileira, Tomo II, vol. 5).
Tentativas de Mitologia. São Paulo, 1979.
Sergio Buarque de Hollanda: História (org. Maria Odila Dias). São Paulo, 1985.
O Extremo Oeste [obra póstuma]. São Paulo, 1986.

Sérgio e Chico
Sérgio e Chico

8845 – Religião & Filosofia – Escritores da Literatura Espiritualista


O espiritualismo se trata basicamente de filosofias e religiões que têm em comum a crença na existência da alma como fator essencial que move e sustenta o real, e também sua emancipação, liberdade e prioridade sobre a dimensão material. Segundo essa concepção, o homem traz em si uma alma eterna, chama da existência, a qual dá sentido a sua jornada pelo mundo da matéria e pelo Universo. Este elemento se distingue claramente da esfera material e do corpo físico. Além disso, as doutrinas espiritualistas admitem a presença da Divindade como fonte criadora e força que rege o Cosmos e toda a criação. E crêem em valores de natureza moral e espiritual. A literatura que traduz esse pensamento remonta a tempos ancestrais. A Bíblia é um dos livros mais antigos da humanidade e é o mais vendido de todos os tempos. O Antigo Testamento é rico em narrativas e metáforas, e há várias referências à interação com os mortos. A Odisseia, de Homero, retrata também a fé na alma que sobrevive à morte do corpo e no universo homérico as almas dos que se foram habitam o Hades. Uma das principais vertentes deste gênero literário é a literatura espírita, a qual dissemina os conceitos presentes na doutrina espírita, estabelecida por Allan Kardec. Várias obras desta natureza são ditadas por autores da espiritualidade através da psicografia.

O maior best seller de todos os tempos
O maior best seller de todos os tempos

Autores e Obras da literatura espiritualista
Bíblia Sagrada. Escrita por pelo menos 40 autores.
Homero: Ilíada; Odisseia.
Allan Kardec: O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; A Gênese; Obras Póstumas; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno; Revista Espírita; O Que é o Espiritismo?; O Principiante Espírita.
Augusto Cury: O Futuro da Humanidade; O Mestre Inesquecível; O Mestre do Amor; O Mestre da Vida; O Mestre da Sensibilidade; O Mestre dos Mestres; Os Segredos do Pai-Nosso; Maria, a Maior Educadora da História.
Francisco Cândido Xavier: Parnaso de Além-Túmulo; Cartas de uma Morta; Crônicas de Além-Túmulo; Há Dois Mil Anos; Lira Imortal; 50 Anos Depois; Paulo e Estevão; Renúncia; Nosso Lar; Libertação; Os Filhos do Grande Rei; História de Maricota.
Divaldo Pereira Franco: A Busca da Perfeição; A Lenda do Esconderijo Seguro; A Mensagem do Amor Imortal; Conflitos Existenciais; Constelação Familiar; Do Abismo às Estrelas; Em Algum Lugar do Futuro; Garimpo de Amor; Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda.
Padre Fábio de Melo: É Sagrado Viver; Orfandades – O Destino das Ausências; Tempo de Esperas – O Itinerário de um Florescer Humano; Cartas entre Amigos: Sobre Ganhar e Perder (com Gabriel Chalita).
Padre Marcelo Rossi: Kairós – O Tempo de Deus; Ágape; Agapinho.
Padre Reginaldo Manzotti: Feridas da Alma; Tempo Quaresmal; Superando Desafios; Um Mês em Oração; 10 Respostas que Vão Mudar a Sua Vida.
Dalai Lama: Amor, Verdade, Felicidade: Reflexões para Transformar a Mente; Bondade, Amor e Compaixão; Caminho para a Liberdade; Contos Populares do Tibet; O Livro da Sabedoria; Meditações; Princípios de Vida.
Frank Peretti: Este Mundo Tenebroso; Profeta; O Pacto; Fim do Jogo; The Visitation; Monster; Illusion.
David Wilkerson: A Cruz e o Punhal; Como Receber Mais de Jesus; A Última Advertência; God`s Plan to Protect His People in the Coming Depression; David Wilkerson Exhorts the Church.
Fernando Vieira Filho: Cure suas Mágoas e Seja Feliz!

8697 – Literatura Fictícia – Escritores do Gênero Sobrenatural


Embora o sobrenatural seja, originalmente, uma vertente da literatura de horror, pois enfoca os pretensos poderes transcendentais do Homem, atualmente ganhou um status especial e arrisco até a dizer que se tornou um gênero à parte, por conta da onda que invadiu especialmente o mercado editorial direcionado ao jovem leitor. A princípio ele estava presente no universo fantástico, o qual experimentou um ‘boom’ repentino; depois esta esfera destacou-se da fantasia e ganhou uma autonomia singular. Geralmente adota uma linguagem mais leve, dinâmica e viva, no que se distingue do terror e do horror, por ter como objetivo atingir outro público. O estilo sobrenatural apresenta como temas anjos rebeldes, demônios, jovens que descobrem ter poderes excepcionais, imortais, vampiros, lobisomens, entre outros seres sobre-humanos. Não há fronteiras rígidas entre estes gêneros; é possível encontrar as mesmas obras figurando em listas de livros fantásticos, sobrenaturais e de horror.
Autores e Obras do gênero Sobrenatural
Allison Nöel: Os Imortais; Riley; Saving Zoë; Sonhos.
Eduardo Spohr: A Batalha do Apocalipse; Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida; Filhos do Éden: Anjos da Morte.
André Vianco: Saga ‘Os Sete’: Os Sete; Sétimo; O Senhor da Chuva; O Turno da Noite; Saga O Vampiro-Rei: Bento; A Bruxa Tereza; Cantarzo; Série As Crônicas do Fim do Mundo: A Noite Maldita; A Casa; O Caso Laura.
Stephenie Meyer: Crepúsculo; Lua Nova, Eclipse; Amanhecer; Formaturas Infernais; A Hospedeira; A Breve Segunda Vida de Bree Tanner.
Lauren Kate: Série Fallen: Fallen; Tormenta; Paixão; Fallen in Love (spin-off); Rapture.
P C Cast e Kristin Cast: Série Morada da Noite: Marcada; Traída; Escolhida; Indomada; Caçada; Tentada; Queimada; Despertada; Destinada; Escondida; Revelada; Resgatada; O Juramento do Dragão; O Voto de Lenóbia; A Maldição de Neferet; A Queda de Kalona.
Leandro Schulai: O Vale dos Anjos; Revista Fantástica – Edição 1 e Revista Fantástica – Edição 2 ( participações).
C. C. Hunter: Série Acampamento Shadow Falls: Nascida à Meia-Noite; Desperta ao Amanhecer; Levada ao Entardecer; Whispers at Moonrise; Chosen at Nightfall.
Maggie Stiefvater: Série Os Lobos de Mercy Falls: Calafrio; Espera; Sempre.
Richelle Mead: Série A Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras; Aura Negra; Tocada pelas Sombras; Promessa de Sangue; Laços do Espírito; Last Sacrifice; Série Bloodlines: Laços de Sangue; O Lírio Dourado; A Canção do Súcubo (Série Georgina Kincaid).
Gena Showalter: Série Interligados: Aden Stone e a Batalha contra as Sombras; Aden Stone contra o Reino das Bruxas; Aden Stone, o Rei dos Vampiros; Série Senhores do Mundo Subterrâneo: A Noite mais Sombria; O Beijo mais Sombrio; O Prazer Mais Sombrio; Série Atlantis: Heart of the Dragon; Jewel of Atlantis; The Nymph King.

8123 – Nobel de Literatura – Bertrand Arthur William Russell


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(Ravenscroft, País de Gales, 18 de Maio de 1872 — Penrhyndeudraeth, País de Gales, 2 de Fevereiro de 1970) foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos que viveram no século XX. Político liberal, activista e um popularizador da filosofia, Russell foi respeitado por inúmeras pessoas como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade. A sua postura em vários temas foi controversa.
Russell nasceu em 1872, no auge do poderio económico e político do Reino Unido, e morreu em 1970, vítima de uma gripe, quando o império se tinha desmoronado e o seu poder drenado em duas guerras vitoriosas mas debilitantes. Até à sua morte, a sua voz deteve sempre autoridade moral, uma vez que ele foi um crítico influente das armas nucleares e da guerra estadunidense no Vietnã. Era inquieto.3
Recebeu o Nobel de Literatura de 1950, “em reconhecimento dos seus variados e significativos escritos, nos quais ele lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento”.
Bertrand Russell pertenceu a uma família aristocrática inglesa. O seu avô paterno, Lord John Russell tinha sido primeiro-ministro nos anos 1840 e era ele próprio o segundo filho do sexto duque de Bedford, de uma família whig (partido liberal, que no século XIX foi muito influente e alternava no poder com os conservadores- “tories”). Os seus pais eram extremamente radicais para o seu tempo. O seu pai, o visconde de Amberley, que faleceu quando Bertrand tinha 4 anos, era um ateísta que se resignou com o romance de sua mulher com o tutor de suas crianças. A sua mãe, viscondessa Amberley (que faleceu quando Bertrand tinha 2 anos de idade) pertencia a uma família aristocrática, era irmã de Rosalinda, condessa de Carlisle. O padrinho de Bertrand foi o filósofo utilitarista John Stuart Mill.
Apesar dessa origem algo excêntrica, a infância de Russell leva um rumo relativamente convencional. Após a morte de seus pais, Russell e o seu irmão mais velho Frank (o futuro segundo conde) foram educados pelos avós, bem no espírito vitoriano – o conde Lord John Russell e a condessa Russell, sua segunda mulher, Lady Frances Elliott. Com a perspectiva do casamento, Russell despede-se definitivamente das expectativas dos seus avós.
Russell conheceu, inicialmente, a Quaker americana Alys Pearsall Smith quando tinha 17 anos de idade. Apaixonou-se pela sua personalidade puritana e inteligente, ligada a vários activistas educacionais e religiosos, tendo casado com ela em Dezembro de 1894.
O casamento acabou com a separação em 1911. Russell nunca tinha sido fiel; teve vários casos com, entre outras, Lady Ottoline Morrell (meia-irmã do sexto duque de Portland) e a actriz Lady Constance Malleson.
Russell estudou filosofia na Universidade de Cambridge, tendo iniciado os estudos em 1890.Tornou-se membro (fellow) do Trinity College em 1908. Pacifista, e recusando alistar-se durante a Primeira Guerra Mundial, perdeu a cátedra do Trinity College e esteve preso durante seis meses. Nesse período, escreveu a Introdução à Filosofia da Matemática. Em 1920, Russell viajou até à Rússia, tendo posteriormente sido professor de filosofia em Pequim por um ano.
Na primavera de 1939, Russell foi viver nos Estados Unidos, em Santa Barbara, para ensinar na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Foi nomeado professor no City College de Nova Iorque pouco tempo depois, mas depois de controvérsia pública, a sua nomeação foi anulada por tribunal: as suas opiniões secularistas, como as encontradas em seu livro “Marriage and Morals”, tornaram-no “moralmente impróprio” para o ensino no college. Seu livro “Why I Am Not a Christian” que foi uma pronunciação realizada nos anos 20 na seção sul da National Secular Society de Londres e o ensaio “Aquilo em que Creio” foram outros textos que causaram a confusão. (Existe uma pequena história da crise gerada pelo impedimento de Russell de lecionar no City College na introdução da edição brasileira da coletânea ensaios de Russell chamada: “Por que não sou cristão: e outros ensaios sobre religião e assuntos correlatos”). Regressou à Grã-Bretanha em 1944, tendo voltado a integrar a faculdade do Trinity College.
Em 1952, Russell divorciou-se de Patricia e casou-se, pela quarta vez, com Edith (Finch). Eles conheciam-se desde 1925. Ela tinha ensinado inglês no Bryn Mawr College, perto de Filadélfia, nos Estados Unidos.
Em 1962, já com noventa anos, mediou o conflito dos mísseis de Cuba para evitar que se desencadeasse um ataque militar. Organizou com Albert Einstein o movimento Pugwash que luta contra a proliferação de armas nucleares.
Bertrand Russell escreveu a sua autobiografia em três volumes nos finais dos anos 60 e faleceu em 1970 no País de Gales. As suas cinzas foram dispersas sobre as montanhas galesas.
Foi sucedido nos seus títulos pelo seu filho do segundo casamento com Dora Russell Black, e, posteriormente, pelo seu filho mais novo (do seu casamento com Peter). Seu filho mais novo, Conrad (nome dado em homenagem ao seu amigo, Joseph Conrad), quinto duque Russell, é um membro da Câmara dos Lordes e um respeitado académico britânico.
Ideias filosóficas
Durante sua longa vida, Russell elaborou algumas das mais influentes teses filosóficas do século XX, e, com elas, ajudou a fomentar uma das suas tradições filosóficas, a assim chamada Filosofia Analítica. Dentre essas teses, destacam-se a tese logicista, ou da lógica simbólica, de fundamentação da Matemática. Segundo Russell, todas as verdades matemáticas – e não apenas as da aritmética, como pensava Gottlob Frege- poderiam ser deduzidas a partir de umas poucas verdades lógicas, e todos os conceitos matemáticos reduzidos a uns poucos conceitos lógicos primitivos.
Um dos elementos impulsionadores desse projeto foi a descoberta, em 1901, de um paradoxo no sistema lógico de Frege: o chamado paradoxo de Russell. A solução de Russell – para esse e outros paradoxos – foi a teoria dos tipos (inicialmente, a teoria simples dos tipos; posteriormente, a teoria ramificada dos tipos), um dos pilares do seu logicismo. Trata-se, segundo Russell, de se imporem certas restrições à suposição de que qualquer propriedade que pode ser predicada de uma entidade de um tipo lógico possa ser predicada com significado de qualquer entidade de outro ou do mesmo tipo lógico. O tipo de uma propriedade deve ser de uma ordem superior ao tipo de qualquer entidade da qual a propriedade possa com significado ser predicada.
Causas Políticas
Russell passou os anos 1950 e 1960 envolvido em várias causas políticas, principalmente relacionadas com o desarmamento nuclear ea oposição à Guerra do Vietnã (ver também em inglês: Russell Vietnam War Crimes Tribunal). O Manifesto Russell-Einstein de 1955 foi um documento pedindo o desarmamento nuclear, foi assinado por 11 dos físicos nucleares mais proeminentes e intelectuais da época. Ele escreveu muitas cartas aos líderes mundiais durante este período. Ele estava em contato com Lionel Rogosin enquanto o último estava filmando seu filme anti-guerra Good Times, Wonderful Times, em 1960. Ele se tornou um herói para muitos dos membros da juventude da New Left. No início de 1963, em particular, Russell tornou-se cada vez mais crítico quanto a desaprovação do que ele sentia serem políticas quase genocidas do governo dos EUA no Vietnã do Sul. Em 1963 ele se tornou o destinatário inaugural do Jerusalem Prize, um prêmio para os escritores preocupados com a liberdade do indivíduo na sociedade. Em outubro de 1965, ele rasgou o cartão do Partido Trabalhista Inglês Labour Party, porque ele suspeitava que o partido iria enviar soldados para apoiar os EUA na Guerra do Vietnã. Ao longo de sua vida Russell escreveu diversos livros e ensaios criticando e propondo novas soluções para a sociedade em diferentes momentos desde a virada do século XIX até boa parte do século XX.
Russell propôs, em sua autobiografia, um “código de conduta” liberal baseado em dez princípios, à maneira do decálogo cristão. “Não para substituir o antigo”, diz Russell, “mas para complementá-lo”. Os dez princípios são:
Não tenhas certeza absoluta de nada.
Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória que dependente da autoridade é irreal e ilusória.
Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
Encontra mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

8053 – Literaura Clássica – A Divina Comédia


la divina comedia
É um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e da mundial, escrita por Dante Alighieri, e que é dividida em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O poema chama-se “Comédia” não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens. Não há registro da data exata em que foi escrita, mas as opiniões mais reconhecidas asseguram que o Inferno pode ter sido composto entre 1304 e 1307-1308, o Purgatório de 1307-1308 a 1313-1314 e por último o Paraíso de 1313-1314 a 1321 (esta última data fecha com a morte de Dante ). É uma viagem onde se sucedem diversos acontecimentos. O poema é, talvez, o maior do Ocidente e tem sua força na riqueza de suas alegorias, que tornam o texto um relato atemporal.
Dante escreveu a “Comédia” no seu dialeto local, ao criar um poema de estrutura épica e com propósitos filosóficos, Dante demonstrava que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o toscano como dialecto padrão para o italiano. Os mais variados pintores de todos os tempos criaram ilustrações sobre ela, se destacando Botticelli, Gustave Doré e Dalí. Dante a escreveu no dialeto toscano, matriz do italiano atual.
A Divina Comédia é hoje a fonte original mais acessível para a cosmovisão medieval, que dividia o Universo em círculos concêntricos. A obra moderna mais acessível a respeito dessa cosmovisão é The Discarded Image por C. S. Lewis. Foi ilustrada por Gustave Doré.
É dividida em três partes, Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma de suas partes está dividida em cantos, compostos de tercetos. A composição do poema é baseada no simbolismo do número 3, que simboliza a Santíssima Trindade, assim como também o equilíbrio e a estabilidade em algumas culturas, e que também tem relação com o triângulo. Possui três personagens principais: Dante, que personifica o homem; Beatriz, que personifica a fé; e Virgílio, que personifica a razão. Cada estrofe tem três versos e cada uma de suas três partes contém 33 cantos.
Os três livros que compõem a Divina Comédia são divididos em 33 cantos (sendo que o Inferno possui um canto a mais que serve de introdução ao poema), com aproximadamente 40 a 50 tercetos. No total, são 100 cantos e 14.233 versos. Os lugares de cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (por sua vez, o número 3 elevado à terceira potência). Os três livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa “estrelas”.
Sinopse
A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da terra santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do mar Morto onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela mecânica celeste e os cenários comentados por Dante num poema que envolve todos os personagens bíblicos do antigo ao novo testamento são costumeiramente encontrados nas entranhas do inferno sendo que os personagens principais da Divina Comédia são o próprio autor, Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, e seu guia e mentor nessa empreitada é Virgílio o próprio autor da Eneida.
Inferno
Dante e Virgílio chegam ao vestíbulo do Inferno (que tem nove círculos). Entre o vestíbulo e o 1 °Círculo, está o rio Aqueronte, no qual se encontra Caronte, o barqueiro que faz a travessia das almas. Porém Dante é muito pesado para fazer a travessia no barco de Caronte, pelo fato de ser vivo. Porém, Virgílio adverte o mitológico barqueiro de que a travessia do rio através de seu barco é mister devido a uma ordem celeste. É através deste barco que Virgílio e Dante atravessam o rio.
O limbo é o local onde as almas que não puderam escolher a Cristo, mas escolheram a virtude, vivem a vida que imaginaram ter após a morte. Não têm a esperança de ir ao céu pois não tiveram fé em Cristo. Aqui também ficam os não batizados e aqueles que nasceram antes de Cristo, como Virgílio. Na mitologia clássica, o Limbo não fica no inferno, mas suspenso entre o céu e o mundo dos mortos. Na poesia de Dante não se tem uma noção precisa de como se chega lá, pois o poeta desmaia no ante-inferno e quando acorda já está no Limbo, o primeiro círculo infernal.
No Limbo, Dante encontra Homero (século IX a.C. ou século VIII a.C.) a quem tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada, que narra a queda de Troia, e Odisseia, que narra o retorno de Ulisses da guerra de Troia e suas viagens; Ovídio (43 a.C. a 17 d.C.) poeta romano autor de várias obras, entre as quais obras de mitologia como: Metamorfoses; e Horácio (65 a.C. a 8 d.C.) poeta romano lírico e satírico, autor de várias obras primas da língua latina, entre as quais Ars Poetica.
No segundo círculo começa o Inferno propriamente dito. Nesse círculo ficam os luxuriosos que sofrem com uma tempestade de vento. Lá ele encontra Francesca de Rimini e seu amante, que é o seu cunhado.
No terceiro círculo os gulosos são flagelados por uma chuva putrefacta e são vigiados pelo mitológico cão de três cabeças, Cérbero. No quarto círculo desfilam os avarentos empurrando pesos enormes. No quinto círculo ficam os iracundos, imersos em lama ardente do Pântano do Estige. Os insolentes soberbos também.
Para atravessar o pântano eles apanham boleia do demônio Etagias, este os deixa na porta da cidade de Dite. Essa cidade tem muralhas de fogo e está na parte mais funda do Inferno, onde as culpas são muito mais fortes e as punições também. Os demônios não querem que Dante nem Virgílio entrem, pois Dante não está morto. Então aparecem as três Fúrias, e com elas aparece a Medusa, que petrifica quem a olhe. Um enviado celeste chega e abre as portas de Dite.
No sexto círculo, Dante e Virgílio recomeçam a viagem por dentro de Dite. Lá eles vêem nos túmulos de fogo os hereges. Os hereges eram queimados em fogueiras quando estavam vivos. Em rios de fogo estão os assassinos, os violentos com o próximo e ficam sendo atingidos por flechas dos centauros. Os violentos contra si mesmos são transformados em árvores. Os esbanjadores são perseguidos e devorados por cadelas ferozes e famintas.
No sétimo círculo ficam os violentos com Deus e contra a natureza. Estão deitados e levam chuva de fogo e os outros além da chuva de fogo ficam caminhando. Os usurários (agiotas) estão sentados e sofrem a chuva de fogo.
Saindo da cidade encontram um precipício que não conseguem cruzar, existe um monstro alado, que voa vagarosamente e os leva até o o fundo do precipício e lá eles encontram o oitavo círculo. O oitavo círculo é dividido por dez fossos que são ligados por pontes. Aqui as torturas só pioram e os pecados também. Nas saídas dos fossos há três gigantes acorrentados.
No último círculo infernal (nono) não há fogo, e sim frio. Lá ficam os traidores. Os três maiores são Judas, Brutus e Cassius. Lúcifer está lá e devora os três. Então eles finalmente chegam ao centro da Terra e começam a subir para a saída. Nesse túnel eles vislumbram quatro estrelas, o Cruzeiro do Sul (isso mostra que o paraíso fica ao sul do Equador). Para chegar ao Paraíso é necessário antes passar pelo Purgatório.
Purgatório
Segundo Dante, o Purgatório é um espaço intermediário entre o Paraíso e o Inferno, que se encontra na porção austral, do planeta onde existe uma única ilha, Dante encontra nesta ilha uma montanha composta por círculos ascendentes, reservado àqueles que se arrependeram em vida de seus pecados e estão em processo de expiação dos mesmos. No Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais “intensamente” foram para o Inferno.

No início da subida da montanha estão esperando arrependidos tardios, que têm que aguardar a permissão para passarem pela Porta de São Pedro antes de iniciarem sua ansiada subida. Cada um dos sete círculos correspondem a um dos Sete pecados capitais, na seguinte ordem: Orgulho, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza junto ao Pródigo, Gula e Luxúria. Os Avarentos e Pródigos estão juntos no mesmo círculo, pois são os dois extremos, onde o avarento supervaloriza o dinheiro e o Pródigo o desperdiça.
No fim do Purgatório, Dante se despede de Virgílio, pois este não pode ter acesso ao Paraíso. Lá encontra Beatriz, sua amada quando estava na Terra. Esta o leva até o rio Lete. Quando Dante bebe a água do Lete, esta apaga a sua memória, seus pecados, é como se Dante tivesse renascido. Existe uma lenda que diz que o Paraíso fica entre o rio Tigre e o Eufrates. Quando Dante vê o rio, ele julga ser o Tigre, no atual Iraque. Finalmente, Dante chega ao Paraíso.

PARAISO DE DANTE ESTRUCTURA

Paraíso
Existem sete céus móveis, cada céu corresponde a um planeta, sendo o primeiro o da Lua. Em cada um dos céus Dante é abençoado e depois vai ao encontro de Deus.
O oitavo céu, ou o primeiro céu fixo, é onde as estrelas têm a configuração que vemos no “nosso” céu. Depois vão para o segundo céu fixo, ou nono céu, que é o céu Cristalino ou seja, não tem estrelas, é quase só luz, mas é material. O décimo céu é só luz, é o terceiro céu fixo, e é imaterial. No centro desse céu há uma rosa branca, que é Deus rodeado por almas, espíritos bons (eleitos, bem aventurados, santos, anjos). É uma rosa poética. No centro da rosa existe um triângulo, a Santíssima Trindade. São Bernardo acompanha Dante a partir do terceiro céu. Dante então vê Deus, pois São Bernardo intercede junto à Virgem Maria e esta concede sua visita.

7859 – Literatura – Os Poderosos Mortos


Estes são alguns dos autores mais importantes do mundo, segundo Bloom
William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês
“Não é uma ilusão que os leitores (e o público de teatro) encontrem mais vitalidade tanto nas palavras de Shakespeare quanto nos personagens que as pronunciam do que em qualquer outro autor, talvez do que em todos os outros autores juntos. (…) Ele se tornou o primeiro autor universal, tomando o lugar da Bíblia na consciência secular.”
John Milton (1608-1674), poeta inglês, autor de Paraíso Perdido
“Nenhum poeta, ou escritor de qualquer espécie, do Ocidente nos é tão valioso quanto Milton nesta época sombria, em que nossas academias literárias, que agora de transforma em templos de ressentimento social, fogem da poesia.”
Samuel Johnson (1709-1784), crítico inglês, autor de Vidas dos Poetas Ingleses
“Johnson é perturbador e inconvencional, um moralista completamente idiossincrático. É para a Inglaterra o mesmo que Emerson para os Estados Unidos, Goethe para a Alemanha e Montaigne para a França: o sábio nacional.”
Percy Bysshe Shelley (1792-1822), poeta inglês, autor de Adonais
“O gênio de Shelley era lírico, em uma dimensão insuperável. Ele transforma quase qualquer gênero – sátira, romance, literatura dramática, epístola, elegia, inferno dantesco – em poesia lírica.”
Sigmund Freud (1856-1939), psicanalista austríaca, autor de O Mal-Estar na Civilização
“A especulação freudiana talvez tenha sido a mais influente em nosso século, no mínimo porque agora achamos difícil lembrar que a psicanálise, afinal, é tão-só uma especulação, mais do que uma ciência, uma filosofia ou até mesmo uma religião. Freud está mais próximo de Proust do que de Einstein, e até mesmo mais próximo de Kafka do que do cientismo de Darwin.”

Os medíocres vivos
Três exemplos atuais – e um do passado – do que Bloom considera péssima literatura
J.K. Rowling (1965), escritora inglesa, autora da série Harry Potter
“A escrita era pavorosa; o livro [Harry Potter e a Pedra Filosofal], terrível. Ao lê-lo, fui notando que toda vez que um personagem saía para uma caminhada a autora escrevia que esse personagem ·esticou as pernas·. (…) A mente de Rowling é tão governada por clichês e metáforas mortas que ela não tem estilo na escrita.”
Stephen King (1947), romancista americano, autor de O Iluminado
“No passado, descrevi King como um escritor de terrores baratos, mas talvez até isso seja muito brando. Ele não tem nada em comum com Edgar Allan Poe. O que ele de fato é, frase por frase, parágrafo por parágrafo, livro por livro, é um escritor imensamente inadequado.”
Danielle Steel (1947), romancista americana, autora de Álbum de Família
“A qualidade da prosa é difícil de acreditar. É tão ruim que praticamente se transforma num outro meio, como se a tela da TV tivesse sofrido uma transmutação, descarregando páginas, agora, em vez de imagens e som. ·Danielle Steel·, quem sabe, não é uma pessoa, mas alguma espécie de processador de palavras, ainda não refinado o bastante para nos dar sentenças com sentido gramatical.”
T.S. Eliot (1888-1965), poeta americano naturalizado britânico, autor de A Terra Devastada
“Deixo de lado as peças teatrais em verso escritas por Eliot, quase impossíveis de serem encenadas ou tidas, bem como sua crítica, apesar de esta ser importante, do ponto de vista histórico. Quanto ao que atualmente seria denominado crítica cultural, ignoro, fazendo uma careta. Resta apenas o anti-semitismo, bastante cativante, para quem é anti-semita; mas, para quem não é, não.”
Conheça dez livros essenciais da biblioteca bloomiana
Hamlet, William Shakespeare (1564-1616)
“Hamlet é parte vingança de da Shakespeare contra a tragédia de vingança, e não pertence a nenhum gênero. De todos os poemas, é o mais ilimitado. Como uma meditação sobre a fragilidade humana em confronto com a morte, só encontra competidores nas escrituras.”
Dom Quixote, Miguel de Cervantes (1547-1616)
“Nenhum leitor parece ler o mesmo Dom Quixote que outro, e os críticos mais notáveis não concordam com relação à maioria dos aspectos fundamentais do livro. (…) Provavelmente só Hamlet provoca tantas e tão variadas interpretações quanto Dom Quixote.”
O Castelo, Franz Kafka (1883-1924)
“O exemplo consumado do novo negativo ou da nova Cabala de Kafka é O Castelo, um romance autobiográfico inacabado e inacabável que relata a história de K., o agrimensor. (…) O Castelo é o relato de como Kafka não pode retornar pela escrita ao abismo, de como K. não pode realizar seu trabalho de agrimensor.”
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis (1839-1908)
“A genialidade de Machado de Assis é manter o leitor preso à narrativa, dirigir-se a ele freqüente e diretamente, ao mesmo tempo em que evita o mero ·realismo· (que jamais é realista). Memórias Póstumas de Brás Cubas, escritas do túmulo, tornam o esquecimento singularmente divertido.”
O Aleph, Jorge Luis Borges (1899-1986)
“·O imortal· [conto da coletânea O Aleph] é a mais fantástica de todas as realizações de Borges, uma condensação em 14 páginas de quase todas as suas obsessões criadoras. Faz parte de um punhado de sublimes exemplos de literatura fantástica em nosso século.”
Ulisses, James Joyce (1882-1941)
“A grande obra de Joyce, que vai além até mesmo da maravilha que é Ulisses, é Finnegans Wake porém, meio século de leitura dessa obra é bastante para me convencer de que a mesma jamais será inteiramente acessível, nem mesmo ao leitor sofisticado, ao passo que Ulisses é um prazer, difícil mas acessível ao leitor comum, inteligente e de boa vontade.”
Fim de Partida, Samuel Beckett (1906-1989)
“Não me lembro de nenhuma obra de literatura do século 20 composta até 1957 que chegue perto da realização original que é Fim de Partida, e tampouco houve nada desde então que desafie essa originalidade.”
O Cavaleiro Inexistente, Italo Calvino (1923-1985)
“História de gênio, cuja centena de páginas me alegra mesmo nos dias mais sombrios. (…) As Cidades Invisíveis é a obra-prima de Calvino, mas O Cavaleiro Inexistente é, ao meu ver, o trabalho mais divertido e admirável do autor.”
O Prelúdio, William Wordsworth (1770-1850)
“Worisworth é mais moderno que Freud, mais pós-moderno que Samuel Beckett ou Thomas Pynchon, porque Wordsworth achou, só, o novo caminho – ai de nós, o nosso caminho – para pôr abaixo verdades sagradas.”
O Leilão do Lote 49, Thomas Pynchon (1937)
“Minha primeira leitura de O Leilão do Lote 49 foi sobretudo exasperante; na segunda leitura, o livro subitamente me capturou, e tem me segurado desde então. Eu, portanto, aconselho os leitores que não conhecem o livro a começar por lê-lo duas vezes de cabo a rabo.”

7421 – Quais os livros mais lidos no mundo?


Os 10 livros mais lidos no mundo se baseando no número de livros impressos nas gráficas versus número de livros vendidos. Como dizem na imagem, alguns livros podem ter lançado mais cópias do que os abaixo, mas não venderam – então assume-se que não são tão lidos.

Bíblia / Citações do Presidente Mao Tsé-Tung (O Pequeno Livro Vermelho) / Harry Potter / O Senhor dos Anéis / O Alquimista / O Código Da Vinci / Crepúsculo / O Vento Levou… / Pense e Enriqueça / O Diário de Anne Frank
Fonte: Guiness

Top10Books_JaredFanning

6900 – Chinês Ganhou o Nobel de Literatura


Em chinês, Mo Yan, pseudônimo adotado pelo novo Prêmio Nobel de Literatura, significa “não fale”.
Mas o anúncio, na quinta-feira (11-10), de que a principal distinção literária mundial foi dada ao autor –cujo nome verdadeiro é Guan Moye–, causou barulho dentro e fora da China.
Num país sufocado pela censura, Mo Yan, 57, é apontado por ativistas como um autor alinhado ao regime, ou pelo menos indiferente aos abusos cometidos contra a liberdade de expressão.
“Dar este prêmio a um escritor que conscientemente se dissociou das lutas políticas da China de hoje? Acho que é quase intolerável”, disse ao jornal português “Público” o artista plástico e ativista Ai Weiwei.
A organização Chinese Human Rights Defenders aproveitou a ocasião para pedir de novo vez a libertação de Liu Xiaobo, chinês Nobel da Paz em 2010, que continua preso.
Se naquele ano o regime criticou a premiação de Liu Xiaobo, desta vez órgãos oficiais saudaram Mo Yan.
Na sua tradicionalmente sucinta e hermética nota, a Academia Sueca disse que premiava Mo Yan porque o autor, “com realismo alucinatório, funde contos populares, a história e o contemporâneo”.
Autor de romances, novelas e contos ambientados na China rural, com elementos históricos e de realismo mágico, teve ontem sua obra comparada à de Faulkner e de García Marquez, de quem o chinês se diz admirador.
Seu livro mais conhecido no Ocidente deve isso ao cinema: “Sorgo Vermelho” (1987) foi levado às telas por Zhang Yimou, o mesmo de “Lanternas Vermelhas”.
No seu último romance, “Wa”, aborda um tema sensível ao regime, a política de controle de natalidade que força mulheres a abortar.
Segundo chinês a receber a distinção literária –Gao Xingjian foi premiado em 2000–, Mo Yan receberá o equivalente a R$ 2,4 milhões. No seu agradecimento, via veículos oficiais, disse que estava feliz, mas mais concentrado em escrever novos livros.
Como já ocorrera com o último Nobel, o sueco Tomas Tranströmer, Mo Yan nunca foi publicado no Brasil. Professores do Departamento de Letras Orientais da USP disseram desconhecer sua obra.
É mais traduzido em francês (18 livros) do que em inglês (dez). Em Portugal, saiu um único romance do escritor, “Peito Grande, Ancas Largas” (editora Ulisseia, 2007).
“É um dos autores mais consistentes da literatura contemporânea. Nesse livro, criou um painel muito rico do que foi a China no século 20”, disse ontem o editor português da obra, Vasco Silva.

6255 – Escritoras Polêmicas – Adelaide Carraro


Adelaide: Rosto angelical e literatura picante

Adelaide Carraro (30 de julho de 1936 – São Paulo, 7 de janeiro de 1992) foi uma escritora brasileira.
Ficou órfã aos sete anos e foi viver em um orfanato na cidade de Vinhedo em São Paulo.
Seu primeiro texto que chegou ao conhecimento público foi a crônica Mãe, que lhe rendeu um prêmio aos treze anos de idade.
Adelaide Carraro deixou uma obra bastante extensa, com mais de quarenta edições, tendo mais de dois milhões de exemplares vendidos, entre eles O estudante, O estudante II, O estudante III, Meu professor, meu herói e Eu e o governador. Este último é o seu texto mais polêmico, referente à descrição de um suposto romance com Jânio Quadros em seu período como governador de São Paulo.
Escreveu também outras obras como “Podridão” e “O Mundo Cão de Sílvio Santos.
Era uma escritora que escrevia livros fortes, com temas polêmicos e em plena época da ditadura militar, quando havia muita censura.

“Falência das Elites” é a segunda e uma das mais importantes obras de Adelaide Carraro. Ela exibe de maneira perturbadora o retrato de uma sociedade cheia de preconceitos, em decomposição e intolerante, que despreza todos aqueles que não ingressaram em seu meio egocêntrico aristocrático do dinheiro.
Sincera, clara e simples, a autora ofende a vaidade da chamada Elite. Para Adelaide Carraro, a elite apresenta duas caras: uma é feliz e amável e finge-se filantrópica , a outra é sombria, oculta e repulsiva . Depois de “Eu e o Governador”, o livro irá reproduzir, com um sanatório de pano de fundo, a vida travada, cheia de frustrações, fraudes e vícios.

“Se todo assunto é para o romancista – que devemos dizer de um sanatório, em cujos habitantes (…) procedem um mundo condenável (…), principalmente, por uma consciência erogenética do sexo, de onde ressai o exílio afetivo que o homem e a mulher do nosso tempo deploram, porém não podem superar?” (trecho do prefácio de Burlamáqui Köpke)

4011 – Clássicos da Literatura – O Conde de Monte Cristo


É um romance da literatura francesa escrito por Alexandre Dumas concluída em 1844. É considerado, juntamente com Os Três Mosqueteiros, uma das mais populares obras de Dumas, e é frequentemente incluída nas listas de livros mais vendidos de todos os tempos. O nome do romance surgiu quando Dumas a caminho da Ilha Monte-Cristo, com o sobrinho de Napoleão, disse que usaria a ilha como cenário de um romance.
O livro conta a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Lá, conhece um clérigo de quem fica amigo. Quando o clérigo morre, ele escapa da prisão e toma posse de uma misteriosa fortuna. O marinheiro, agora em condições financeiras, pode vingar-se daqueles que o levaram à vida de prisioneiro.
Edmond Dantés, um audacioso mas ingênuo marinheiro, é preso sob falsa acusação, em 1815, por ter ido à Ilha de Elba, onde teria recebido uma carta de Napoleão em seu exílio. Na verdade, era vítima de um complô entre três pessoas interessadas: o juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napoleão, que, mesmo atestando sua inocência, quis silenciá-lo; o seu amigo, Danglars, que desejava o posto de capitão do navio, já que Dantés recebeu o posto por mérito, e Fernand Mondego, melhor amigo, primo e futuro marido de sua então noiva, a catalã Mercedes (que, porém, nunca o esqueceu).
Após muito tempo, na prisão do Castelo d’If, Edmond consegue fugir, angariando uma grande fortuna. Fá-lo com a ajuda de um amigo, vizinho de cela, o abade Faria, um preso político que lhe indicou o local do tesouro do Cardeal Spada, além de tê-lo educado por vários anos sobre diversas artes e ciências(química, esgrima, línguas e história em geral). Mesmo não acreditando muito, Edmond investe na aventura e confirma a história de seu velho amigo de prisão, tornando-se milionário. Até lá, sobrevive trabalhando com piratas, incluindo Jacob, marinheiro do navio “The Young Amélia”. Junta ao seu séquito, o corso Bertuccio e a princesa grega, Haydeé, cujo pai, o sultão Ali Paxá, foi destronado.
Anos depois, Edmond cria uma grande teia para se vingar dos seus inimigos, assumindo vários nomes: Lord Wilmore na Inglaterra; Simbad, na Itália, e também o misterioso abade Busoni. Salva a família de seu ex-patrão, Morrel, da miséria. Salva Albert de Morcef, filho de Mondego, de um sequestro em Roma, para se aproximar da sociedade parisiense. No papel de Conde de Monte-Cristo (o tradicional “nobre de toga” da época, ou burguês que compra título de nobreza), é imediatamente reconhecido por Mercedes, criando divisões entre seus inimigos. Faz com que Danglars desmanche o noivado de sua filha Eugènie com Albert (do qual não se gostavam) para casar com Príncipe Cavalcanti. Mondego, oficial do exército francês, é julgado por má conduta e Haydeé o acusa como testemunha. Desonrado, arruinado e abandonado pela família, suicida-se. Cavalcanti é preso por falsa identidade (seu nome seria Benedetto) e uma série de crimes, e revela no tribunal que é o filho de Villefort, o que enlouquece o juiz, além da suposta morte da filha, Valentine. Danglars, com suas várias ações que faliram, foge para Roma, é capturado e passa um tempo sob cativeiro de Luigi Vampa, sendo depois perdoado por Monte-Cristo. A história não acaba sem Edmond juntar Valentine e Maximilien, filho do monsieur Morrel, na Ilha Monte-Cristo, onde terá seu romance com a grega Haydeé.
Edmond Dantès e seus disfaces
Edmond Dantés : Um marinheiro com boas perspectivas, o noivo de Mercedes. Após a sua transformação em O Conde de Monte Cristo, ele revela seu verdadeiro nome aos seus inimigos como cada vingança é concluída,
Inglês Diretor Secretário da Thomson e da empresa bancário francês
Senhor Wilmore: persona em que Dantès realiza atos de generosidade Inglês.
Sinbad the Sailor: O personagem que Dantes assume quando ele salva a família Morrel.
Abade Busoni: A personalidade da autoridade religiosa.
Monsieur Zaccone: Dantes, sob o disfarce de ambos Abade Busoni e Wilmore Senhor, diz um investigador este é o verdadeiro nome do Conde de Monte Cristo.
Teatro
Alexandre Dumas tirou três dramas de seu romance:
Monte-Cristo (em dois atos) no Théâtre-Historique, dias 2 e 3 de fevereiro de 1848.
Monte Cristo, adaptação de Jacques Weber no Grande Halle de la Villette 24 de abril de 1987.
O Conde de Morcerf (Le Comte de Morcerf) no Ambigu-Comique dia 1 de abril de 1851.
Villefort no Ambigu-Comique dia 8 de maio de 1851.
Cinema
1918 : O Conde de Monte Cristo dirigido por Henri Pouctal
1929 : Monte Cristo dirigido por Henri Fescourt com Jean Angelo, Lil Dagover, Gaston Modot, Marie Glory, Pierre Batcheff, Jean Toulout.
1934 : O Conde de Monte Cristo dirigido por Rowland V. Lee com Robert Donat no papel de Edmond Dantès.
1943 : O Conde de Monte-Cristo, dirigido por Robert Vernay, com Pierre Richard-Willm, Michèle Alfa, Aimé Clariond, Marcel Herrand, Lise Delamare, Henri Bosc
1948 : O Segredo de Monte Cristo dirigido por Albert Valentin
1954 : O Conde de Monte Cristo, dirigido por Robert Vernay, com Jean Marais, Lia Amanda, Roger Pigaut, Jacques Castelot, Paolo Stoppa, Jean-Pierre Mocky
1961 : O Conde de Monte Cristo, dirigido por Claude Autant-Lara, com Louis Jourdan, Yvonne Furneaux, Pierre Mondy, Bernard Dhéran, Claudine Coster, Yves Rénier, Mary Marquet
1968 : Sob o sinal de Monte Cristo, dirigido por André Hunebelle, com Paul Barge, Claude Jade, Anny Duperey, Pierre Brasseur, Michel Auclair, Raymond Pellegrin
1975 : O Conde de Monte Cristo, dirigido por David Greene, com Richard Chamberlain, Tony Curtis, Trevor Howard
2002 : O Conde de Monte Cristo, dirigido por Kevin Reynolds, com Jim Caviezel, Guy Pearce, Dagmara Dominczyk, Richard Harris

2577-Literatura – Aldous Huxley


Romancista e ensaísta inglês (1894-1963). Sua obra se caracteriza pela combinação de sátira e seriedade, de aparente brutalidade e humanidade. Deixou a Inglaterra para viver nos EUA em 1937, em parte buscando novo rumo espiritual. Aprofundou seu interesse pelo misticismo com as portas da percepção (1954) e o Céu e o Inferno (1956).
Um escritor inglês e um dos mais proeminentes membros da família Huxley. Passou parte de sua vida nos Estados Unidos, vivendo em Los Angeles de 1937 até sua morte, em 1963. Mais conhecido por seus romances, como Brave New World, e diversos ensaios, Huxley também editou a revista Oxford Poetry, e publicou contos, poesias, literatura de viagem e roteiros de filmes.
Foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalizador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvoltura de suas potencialidades.
Sua família incluía os mais distintos membros da classe dominante inglesa; uma vasta elite intelectual. Seu avô era Thomas Henry Huxley, um grande biólogo defensor da teoria evolucionista de Charles Darwin, tendo desenvolvido o conceito agnóstico. Sua mãe era irmã da romancista Humphrey Ward; a sobrinha de Matthew Arnold, o poeta; e a neta de Thomas Arnold, um famoso educador e diretor da Rugby School que acabou se tornando um personagem no romance “Tom Brown’s Schooldays”.
Estudou na aristocrática escola de Eton, que foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de cursar medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas não suficiente para servir o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, engajou-se com a literatura pela primeira vez, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell, também se tornou um amigo íntimo de D. H. Lawrence.
Em 1921, lançou “Crome Yellow”, o primeiro de uma série de romances e novelas que combinam diálogos emocionantes, e um aparente ceticismo, com profundas considerações morais.
Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.
A obra-prima de Huxley, “Brave New World” (Admirável Mundo Novo), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.
No ano de 1937 Aldous Huxley mudou-se para Los Angeles, e em 1938, no auge da sua carreira, chegou a Hollywood, como um de seus mais bem remunerados roteiristas. Nessa fase, escreveu romances como “Também o cisne morre” (1939), “O Tempo pode parar” (1944), “O macaco e a essência” (1948).
O cinema para Huxley foi uma aventura tão fascinante quanto suas descobertas e experiências com a mescalina, narradas em “As portas da percepção” (The Doors of Perception), de 1954, livro que influenciou em muito a cultura hippie que florescia, dando nome por exemplo à banda The Doors, pois tais relatos com a droga indígena se assemelham em muito com o LSD que estava em ascensão. Dois anos depois, viúvo, casou-se novamente e publicou “Entre o céu e o inferno”.
Huxley viajou ainda pela América Central e em 1958 visitou o Brasil, tendo conhecido os índios do Xingu e as favelas do Rio de Janeiro.
Em 1959, foi agraciado pela Academia Americana de Artes e Letras com um prêmio por seus romances. Tal premiação era concedida a cada cinco anos e havia sido entregue anteriormente a Ernest Hemingway, Thomas Mann e Theodore Dreiser.
Huxley permaneceu quase cego por toda a sua vida. Sua esposa, Maria Huxley, faleceu em 1955. Um ano mais tarde, Huxley casou-se com Laura Archera. Ele morreu em 22 de Novembro de 1963 na sua pequena casa de Los Angeles.
Huxley produziu um total de 47 livros ao longo de sua vida. O crítico britânico Anthony Burgess uma vez afirmou que Huxley fora o pioneiro do “romance cerebral”. No entanto, outras correntes de críticos classificaram Huxley como um ensaísta, ao invés de romancista, pois suas obras eram conduzidas mais apoiadas sobre suas ideias do que o desenrolar de personagens ou contextos de histórias
Em seu leito de morte, impossibilitado de falar, Huxley escreveu um pedido à sua mulher para “LSD, 100 µg, intramuscular” (100 microgramas de LDS, aplicação intramuscular). Em “This Timeless Moment”, ela foi obrigada a injetar uma dose às 11:45 da manhã e outra algumas horas depois. Ele morreu às 17:21 do dia 22 de novembro de 1963, aos 69 anos. As cinzas de Huxley foram enterrados no jazigo da família no cemitério de Watts, casa de Watts Mortuary Chapel em Compton, uma vila perto de Guildford, Surrey, England.
A cobertura da mídia a respeito de sua morte foi ofuscada pelo assassinato de John F. Kennedy, no mesmo dia, assim como a morte do autor irlandês C. S. Lewis. Essa coincidência foi inspiração para Peter Kreeft e seu livro Between Heaven and Hell: A Dialog Somewhere Beyond Death with John F. Kennedy, C. S. Lewis, & Aldous Huxley.
O filho único de Huxley, Matthew Huxley, é também um autor, e também um educador, antropologista, e proeminente epidemologista. Aldous Huxley sobrevive também na figura de seus dois netos.

1856-Mega Escritoras de Destaque


Cecília Meireles – Nasceu em 1901, no RJ e faleceu em 1955. Professora, recebeu prêmio da Academia Brasileira de Letras por seu livro A Viagem (1939)
Clarice Lispector – Nascida em 1925, Ucrânia e falecida em 1977. Veio ainda pequena para o Brasil, viveu no Recife e RJ. Casou-se com um diplomata e viveu em diversos países. Cultivou o romance psicológico. Escreveu entre outras obras: Perto do Coração Selvagem (1944) e Laços de família (1960).
Literatura e Humanismo
Chamamos de literatura a forma de se expressar por escrito todo o processo histórico social do momento, com efeitos especiais. Os escritores buscam com emoção, transmitir no texto sua visão da realidade. A forma de escrever não possui regra fixas, o autor manipula as palavras de modo a explorar a intelectualidade dos leitores, que podem dar diferentes interpretações, dependendo de sua formação cultural. Os gêneros são variados: lírico, dramático, épico, narrativo, como por exemplo, romance, novela, conto e etc.
De 1418 a 1527, cultivaram-se a historiografia, a prosa doutrinária, o teatro, a poesia e as novelas de cavalaria. O humanismo foi um movimento ideológico de transição que modificou o pensamento medieval, preparando-o para a vinda do renascimento.
O barroco se iniciou em Portugal em 1580, quando Camões morreu e o país perdeu sua autonomia, passando a estar sob o domínio espanhol. O período teve 2 vertentes literárias: Renascimento e Idade Média. O barroco foi a síntese da tentativa de unir o homem renascentista com a tradição religiosa medieval. O homem barroco trazia a dualidade resultante da fusão destes contrastes.
O arcadismo surgiu em 1756, com a Fundação Arcádia Lusitana, foi um período de oposição ao barroco, deixando de lado a excentricidade verbal para voltar-se a valorização do clássico racional.