13.251 – Português – Linguagem Coloquial


capoliglota
Compreende a linguagem informal, ou seja, é a linguagem cotidiana que utilizamos em situações informais, por exemplo, na conversa com os amigos, familiares, vizinhos, dentre outros.
Quando utilizamos a linguagem coloquial decerto que não estamos preocupados com as normas gramaticais, e por isso, falamos de maneira rápida, espontânea, descontraída, popular e regional com o intuito de interagir com as pessoas.
Dessa forma, na linguagem coloquial é comum usar gírias, estrangeirismos, abreviar e criar palavras, cometer erros de concordância, os quais não englobam as preocupações com a norma culta.
Para tanto, quando escrevemos um texto é muito importante que utilizemos a linguagem formal (culta), ou seja, gramaticalmente correta.
Isso é um problema que ocorre muitas vezes com os estudantes que tentam produzir um texto, e por estarem tão familiarizados com a linguagem falada, não conseguem se distanciar da maneira de falar.
Outro fator importante para apontar é que a linguagem utilizada pode identificar seu meio social, suas condições econômicas, dentre outros fatores.

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13.174 – O que são Metáforas?


figurativo
Leia esses versos de Chico Buarque:
“Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira”.

Observe que o eu lírico mantém uma relação de similaridade entre os termos “boca” e “cadeado”, de modo que as características do “cadeado” (fechado) sejam atribuídas à “boca”. O mesmo ocorre entre os termos “corpo” e “fogueira” (ambos são quentes).

Existe aqui uma transferência da significação própria de uma palavra, no caso aqui “cadeado” e “fogueira”, para outra significação quem lhe convém graças a uma comparação existente no espírito do autor, ou seja, acontece de maneira implícita. A isso chamamos metáfora.

Veja outros exemplos de metáfora:

“O samba é o pai do prazer
O samba é filho da dor”.

(Caetano Veloso)

Nesses versos, o poeta faz referência a duas informações inerentes ao samba. Como “pai do prazer”, refere-se ao espírito festivo e contagiante que envolve a dança; como “filho da dor”, remete-nos a refletir sobre a origem do ritmo, dando ênfase ao sofrimento da raça negra desde o primeiro contato com o homem branco.

Os versos a seguir, de Cecília Meireles, apresentam um tipo diferente de metáfora:

“Pelos vales de teus olhos
de claras águas antigas
meus sonhos passando vão”.

Neste caso, “águas” e “vales” mantém uma relação de similaridade, fazendo-nos entender que os olhos de quem o eu lírico se refere estão marejados de lágrimas. Nesse caso, a metáfora aconteceu por substituição, ou seja, o vocábulo “águas” foi empregado no lugar de “vales”, evitando a repetição e adicionando mais um sentido a ela.
Em suma, metáfora é a figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra num sentido que não lhe é comum ou próprio, numa relação de semelhança entre dois termos.

13.172 – Linguística – O Português Arcaico


Se originou através da mistura entre os dialetos árabes e do latim, trazido à península ibérica durante a invasão muçulmana, dando, primeiro, origem ao galego-português, língua que mais tarde seria oficial em Portugal. Esta fase foi chamada de trovadoresca, e terminou em meados do século XIII.
Em uma fase seguinte, com os primeiros documentos escritos em língua portuguesa, temos o português arcaico. Iniciou-se o processo de diferenciação entre o português e o galego-português, e a separação entre o galego e o português, iniciada com a independência de Portugal no ano de 1185. Mais tarde esta separação se consolidaria ainda mais, principalmente com a expulsão dos mouros (1249) e com a derrota dos castelhanos (1385).
É importante saber que não há, no processo de evolução da língua, uma delimitação clara entre um período e outro. A divisão em períodos existe mais para fins didáticos, mas textos encontrados desta época contém elementos tanto do galego-português quanto do português propriamente dito e normatizado, pois os escritos são produzidos pelo povo, e a separação das duas línguas (galego e português) foi um processo que envolveu fatores sociais, políticos, históricos e linguísticos. Aos poucos a língua foi se transformando, a prosa literária foi se consolidando, e as normas foram surgindo.
Outro fator influente na evolução da língua foi a expansão do império português através das navegações que proporcionaram o contato com outras línguas, espalhando-se assim pela Ásia, África e América. Este processo aconteceu entre os séculos XIV e XVI, período em que a língua portuguesa foi sofrendo influências destas localidades, de onde trouxeram muitas palavras e expressões, incorporando-as à língua portuguesa.
Outra influência considerável foi a das línguas europeias, na mesma época, devido ao prestígio artístico-literário que estes países tinham. Muito da cultura dos países europeus foi trazido para Portugal, e a língua não poderia deixar de sofrer estas influências.
Com o Renascimento a língua recebeu elementos eruditos, influências do italiano e do grego, tornando-se ainda mais complexa.
O final deste período de evolução da língua foi marcado pela publicação do Cancioneiro Geral em 1516, por Garcia Resende.

13.101 – Linguística – De onde veio a Língua Portuguesa?


lingua-portuguesa
Curiosamente, o português surgiu da mesma língua que originou a maioria dos idiomas europeus e asiáticos. Com as inúmeras migrações entre os continentes, a língua inicial existente acabou subdividida em cinco ramos: o helênico, de onde veio o idioma grego; o românico, que originou o português, o italiano, o francês e uma série de outras línguas denominadas latinas; o germânico, de onde surgiram o inglês e o alemão; e finalmente o céltico, que deu origem aos idiomas irlandês e gaélico. O ramo eslavo, que é o quinto, deu origem a outras diversas línguas atualmente faladas na Europa Oriental.
O latim era a língua oficial do antigo Império Romano e possuía duas formas: o latim clássico, que era empregado pelas pessoas cultas e pela classe dominante (poetas, filósofos, senadores, etc.), e o latim vulgar, que era a língua utilizada pelas pessoas do povo. O português originou-se do latim vulgar, que foi introduzido na península Ibérica pelos conquistadores romanos. Damos o nome de neolatinas às línguas modernas que provêm do latim vulgar. No caso da Península Ibérica, podemos citar o catalão, o castelhano e o galego-português, do qual resultou a língua portuguesa.
O domínio cultural e político dos romanos na península Ibérica impôs sua língua, que, entretanto, mesclou-se com os substratos linguísticos lá existentes, dando origem a vários dialetos, genericamente chamados romanços (do latim romanice, que significa “falar à maneira dos romanos”). Esses dialetos foram, com o tempo, modificando-se, até constituírem novas línguas. Quando os germânicos, e posteriormente os árabes, invadiram a Península, a língua sofreu algumas modificações, porém o idioma falado pelos invasores nunca conseguiu se estabelecer totalmente.
Somente no século XI, quando os cristãos expulsaram os árabes da península, o galego-português passou a ser falado e escrito na Lusitânia, onde também surgiram dialetos originados pelo contato do árabe com o latim. O galego-português, derivado do romanço, era um falar geograficamente limitado a toda a faixa ocidental da Península, correspondendo aos atuais territórios da Galiza e de Portugal. Em meados do século XIV, evidenciaram-se os falares do sul, notadamente da região de Lisboa. Assim, as diferenças entre o galego e o português começaram a se acentuar. A consolidação de autonomia política, seguida da dilatação do império luso consagrou o português como língua oficial da nação. Enquanto isso, o galego se estabeleceu como uma língua variante do espanhol, que ainda é falada na Galícia, situada na região norte da Espanha.
As grandes navegações, a partir do século XV d.C. ampliaram os domínios de Portugal e levaram a Língua Portuguesa às novas terras da África (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe), ilhas próximas da costa africana (Açores, Madeira), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), Oceania (Timor) e América (Brasil).

A Evolução da Língua Portuguesa

Destacam-se alguns períodos:

1) Fase Proto-histórica

Compreende o período anterior ao século XII, com textos escritos em latim bárbaro (modalidade usada apenas em documentos, por esta razão também denominada de latim tabeliônico).

2) Fase do Português Arcaico

Do século XII ao século XVI, compreendendo dois períodos distintos:

a) do século XII ao XIV, com textos em galego-português;

b) do século XIV ao XVI, com a separação entre o galego e o português.

3) Fase do Português Moderno

Inicia-se a partir do século XVI, quando a língua se uniformiza, adquirindo as características do português atual. A literatura renascentista portuguesa, notadamente produzida por Camões, desempenhou papel fundamental nesse processo de uniformização. Em 1536, o padre Fernão de Oliveira publicou a primeira gramática de Língua Portuguesa, a “Grammatica de Lingoagem Portuguesa”. Seu estilo baseava-se no conceito clássico de gramática, entendida como “arte de falar e escrever corretamente”.

13.012 – Linguística – Quais os países que falam o Português?


portugues-no-mundo
A língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo e a terceira do mundo ocidental, superada pelo inglês e pelo castelhano. Atualmente, aproximadamente 250 milhões de pessoas no mundo falam português e o Brasil responde por cerca de 80% desse total.
Diante disso, a língua portuguesa é instituída como oficial em Portugal, Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Princípe e Guiné Equatorial. Diante da grandiosidade da língua, em países do MERCOSUL é obrigatório o ensino do português como disciplina escolar.
Existem ainda lugares que utilizam a língua de forma não oficial, assim o idioma é falado por uma restrita parcela da população, são eles: Macau e Goa (um estado da Índia).
A dispersão da língua em distintos continentes deve-se principalmente à política de expansão de Portugal, especialmente nos séculos XV e XVI, quando ocorreu a exploração de uma grande quantidade de colônias. Sendo assim, a língua da metrópole foi introduzida e logo se juntou com as culturas locais, formando uma diversidade de dialetos. Essa nova forma de falar o português fora da pátria mãe era denominada de criolo.
O português é oriundo do latim vulgar (essa variação era apenas falada), língua que os romanos inseriram em uma região ao norte da Península Ibérica, chamada de Lusitânia. A partir da invasão dos romanos na região, praticamente todos os povos começaram a usar o latim, salvo o povo basco. Nesse processo teve início a constituição do espanhol, português e o galego.
Em sua essência é uma língua românica, ou seja, ibérico-românico, que deu origem também ao castelhano, catalão, italiano, francês, romeno e outros.
O português se diferencia por meio da variedade de dialetos e subdialetos e no âmbito internacional, pois a língua é classificada em português brasileiro e europeu.

11.075 – O que Hipócrates tem a ver com Hipocrisia?


Nada a ver. Parece mas não é

Hipocrisia vem do Grego HYPOKHRINESTHAI, “representar um papel, fingir”, formado por HYPÓS, “abaixo”, mais KRINEIN, “separar, escolher, peneirar”.
A evolução do sentido foi de “separar gradualmente” para “responder”, para “responder dentro de uma peça de teatro”, para “representar, fingir um papel”.

E o nome de Hipócrates vem de HIPPOS, “cavalo” mais o verbo KRATEO, “eu domino”. É um nome muito antigo, que refletia a época em que uma pessoa que controlava um cavalo se destacava no seu meio.
Veja que ambos os prefixos eram totalmente diferentes (inclusive na pronúncia), mas acabaram sendo iguais em nosso idioma, por conta das simplificações de grafia.
“Hipócrates” era um nome próprio grego formado por HIPPOS, “cavalo” mais o verbo KRATÉO, “eu domino, eu tenho poder sobre, eu controlo”.
Foi um nome criado numa época em que domar cavalos e cuidar deles tinha um significado especial para uma nação.
Observe que o início de “Hipócrates” e “Hipócrita” hoje é igual; alterações ortográficas do nosso idioma levaram a uma convergência de forma. Mas, em sua origem, um era HIPPO- e outro HYPÓ- (este “Y” soava como o “U” francês); eram palavras bem distintas em significado e som.
Processo semelhante sofreram KRATÉO e KRÍNEIN, cujas resultantes atuais nas palavras em questão se diferenciam muito pouco.

11.050 – Evolução – Como Darwin explica a evolução das línguas?


Para o filósofo americano Daniel Cloud, a seleção artificial está por trás da evolução das línguas, do significado das palavras e do vocabulário.
A linguagem humana é como nossos cachorros e gatos. Da mesma maneira que domesticamos os animais e selecionamos suas características para que se tornassem bichos de estimação, escolhemos as palavras para que as línguas sejam exatamente o que queremos. Para o filósofo americano Daniel Cloud, os conceitos do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1892) governam a origem e desenvolvimento da nossa linguagem, uma mera ferramenta que nos ajuda a ter sucesso no ambiente.
Em seu segundo livro, The Domestication of Language (A Domesticação da Linguagem, em tradução livre), lançado em dezembro nos Estados Unidos, Cloud conta como os termos que usamos sobrevivem ou desaparecem de acordo com as rígidas leis da seleção artificial. A evolução não perdoa substantivos ou adjetivos mal adaptados.
Cloud, que é professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, retira a discussão sobre as palavras do terreno da linguística e promove seu retorno aos domínios da filosofia, ocupando-se de questões como sua origem, objetivos e o processo por trás do significado dos termos que usamos no cotidiano. Reunindo cerca de três décadas de seu trabalho de pesquisa sobre a linguagem, discute as últimas descobertas sobre o tema e explica os passos que o levaram a concluir que a biologia é a força por trás da evolução de nossas línguas. Para isso, constrói seus argumentos com o apoio de filósofos antigos e contemporâneos, como o grego Sócrates (século V a. C), o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951) ou o americano Daniel Dennett, um dos primeiros contemporâneos a relacionar os conceitos de Darwin e nossa linguagem.

Buscando as bases científicas que revelam como os primeiros hominídeos aprenderam a criar os sons articulados que hoje conhecemos como palavras e de que forma elas se transformaram ao longo dos anos, Cloud demonstra que somos o “design inteligente” por trás de palavras e expressões. Temos o controle sobre seu destino e convivemos com elas em uma relação de simbiose, como a que temos com as bactérias que vivem em nosso intestino. Enquanto fornecemos o ambiente ideal para que a linguagem sobreviva, ela nos ajuda a viver melhor, ter sucesso reprodutivo e passar os genes adiante.

Ele afirmou em entrevista:
“É uma adaptação incrível que apenas se desenvolveu nos homens e na Terra, até agora – apesar de não sabermos exatamente o que golfinhos, baleias ou elefantes fazem para nos certificar de que possuem algo igualmente maravilhoso, apenas diferente. Há muitas coisas maravilhosas na natureza que começaram simples e evoluíram. Nosso mundo é o tipo de lugar que cria coisas como nós e, provavelmente, outras coisas inteligentes. Somos maravilhosos, assim como toda a natureza que nos rodeia. O que nos faz especiais não é nossa linguagem, é a grande responsabilidade que temos com nosso mundo.”

9692 – Por que se chama de “Negra” a partida de desempate?


É uma das expressões mais politicamente incorretas da língua portuguesa.
Sua origem remonta á época da escravatura. Era comum entre os senhores de escravos, quando se reuniam para disputar algum jogo, adotar como premiação a posse de uma escrava. Por isso diziam estar disputando uma “negra”. eram promovidas algumas competições para punir as mulheres mais atraentes, com a intenção de usa-las sexualmente.. A expressão se disseminou pelo paíes, não apenas no futebol, mas com outros esportes, ainda na priemira metade do século 20.

9567 – Por que o termo Lua de Mel?


Há diversas versões sobre como se originou a lua de mel. Uma delas é de que na Roma Antiga, o povo espalhava gotas de mel na soleira da casa dos recém-casados. Outra afirma que entre os povos germânicos, era costume casar na lua nova, e os noivos levavam uma mistura de água e mel, denominada hidromel, para beber ao luar.
A que reponta mais a antiguidade é de dois mil anos antes de cristo, na Babilônia, o pai da noiva oferecia ao genro hidromel, para ser consumida nos 30 dias imediatos ao casamento, quando os noivos comemoravam, só entre eles, a união matrimonial. Na época, a contagem dos dias era feita pelo calendário lunar, razão pela qual esse período de comemoração ficou conhecido como “lua de mel”.
Existia a tradição de que os casais recém-casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar após as bodas para nascer um filho varão. Daí surgiu a tradição atual da lua de mel.
Uma das primeiras referências a uma lua de mel está em Deuteronômio 24:5: “Se um homem tiver se casado recentemente, não será enviado à guerra, nem assumirá nenhum compromisso público. Durante um ano estará livre para ficar em casa e fazer feliz à mulher com quem se casou.”
Originalmente “lua de mel” simplesmente descreveu o período logo após o casamento quando as coisas estão na sua fase mais encantadora. Presume-se que ela dure em torno de um mês. O primeiro prazo para isto em Inglês foi honeymoon, que foi registrado já em 1546.
Na cultura Ocidental, o costume de um casal recém-casado sair de férias juntos originou-se no início do século 19 na Grã-Bretanha, um conceito emprestado da elite indiana, no subcontinente indiano. Casais da alta classe teriam um “tour de noiva”, por vezes acompanhados por amigos ou familiares, para visitar parentes que não puderam comparecer ao casamento. A prática logo se espalhou para o continente europeu e era conhecido como voyage à la façon anglaise (viagem em estilo Inglês) na França a partir da década de 1820.

8860 – Linguística – Como nasce uma língua?


Em primeiro lugar, é preciso compreender o que é um idioma. “É o conjunto organizado de signos linguísticos, com características fonéticas e vocabulares próprias. Além disso, ele deve ter um número razoável de falantes que o utilizem em textos de larga circulação. Do contrário, é só um dialeto”, explica Jarbas Vargas Nascimento, professor de latim da PUC de São Paulo. Geralmente, uma nova língua nasce de outra já existente, num processo que pode durar séculos. O português e o francês, por exemplo, surgiram do latim. Mas também é possível que não haja uma só raiz. É o caso das chamadas línguas germânicas, como o alemão e o dinamarquês. “Elas podem ter se originado de forma independente, pois essas tribos nem sequer se conheciam”, afirma um especialista em dialetologia e professor convidado da Universidade de São Paulo.
“No caso das línguas neolatinas sabe-se que todas têm uma origem comum porque na época do Império Romano todos falavam o latim vulgar e quase ninguém estudava normas gramaticais”. Com o fim do domínio dos césares, os vários povos passaram a falar dialetos diferentes, que se transformaram em idiomas próprios.
Hoje o inglês é dominante, mas os especialistas acham difícil ocorrer um processo semelhante de fragmentação porque não só o idioma é bem estruturado como milhões de pessoas conhecem as regras gramaticais. “Ainda assim, o inglês falado na Índia é cada vez mais diferente do usado em outras partes do mundo e pode ser que no futuro ele seja considerado outra língua”.

Chinês
Origem – Pré-história, a partir de dialetos como o cantonês, o de Xangai e o de Pequim.
Curiosidade – Só em 1949, com o governo comunista, surgiu uma língua oficial, derivada da fala de Pequim. A escrita, ideográfica (refere-se a significados e não a fonemas), unificou culturalmente o país.
* Tradução: “Eu posso ler japonês.”
Grego
Origem – Nasceu de vários dialetos da península Balcânica no século 8 a.C.
Curiosidade – Foi a primeira língua internacional e com ele nasceram a filosofia e a cultura do Ocidente. Outros idiomas o utilizam em nomes científicos e em palavras como “fósforo” e “estética”.
* Tradução: “Terrível Cronida, o que estás me falando?” (extraído da Ilíada)
Japonês
Origem – Por volta do século 3, ao leste e ao sul do arquipélago japonês.
Curiosidade – Tem 3 sistemas de escrita: o hiragana, o katakana e o kanji (os ideogramas chineses). Por isso, um japonês que não fala uma palavra em chinês pode ler muita coisa nesta língua.
* Tradução: “Eu posso ler chinês.”
Árabe
Origem – Península Arábica, primeiros registros escritos datam do século 5.
Curiosidade – Desenvolveu um alfabeto próprio, que depois foi adotado pelo persa (Irã) e o pashtu (Afeganistão). A língua responsável pelo desenvolvimento da civilização islâmica é falada em 22 países.
* Tradução: “Falo todas as línguas do mundo.”
Latim
Origem – Por volta do século 7 a.C. na região do Lácio, onde Roma foi fundada.
Curiosidade – Expandiu-se junto com o Império Romano e acabou dando origem a cerca de 10 línguas. Ainda hoje é o idioma oficial no Vaticano. Palavras latinas estão em todas as línguas modernas.
* Tradução: “A voz do povo é a voz de Deus.”

8650 – Linguística – Hipócrates e Hipocrisia, Nada a Ver…


A palavra hipócrita veio do grego e designava, a princípio, apenas um ator, um comediante, um histrião, sem as conotações intensamente negativas – de falsidade, dissimulação, fingimento – que hoje estão grudadas nela. Ou melhor: o fingimento estava lá, mas era exercido em nome de uma causa nobre, a de entreter o público.
Todos os filólogos concordam sobre a origem do vocábulo hipocrisia: o grego tardio hypokrisía, com ou sem a intermediação do latim hypocrisis. O dicionário Saraiva define assim o substantivo latino: “elocução, declamação; arte, habilidade para imitar a fala, gestos e modos de uma pessoa”.
Há alguma controvérsia sobre os sentidos primitivos que deram origem à acepção moderna de hipócrita. O Houaiss registra a acepção grega de “intérprete de um sonho, de uma visão; adivinho, profeta” como anterior à de ator – o que pode sugerir uma raiz de charlatanismo para o dissimulado de hoje.
No entanto, o etimologista catalão Joan Corominas liga a hipocrisia diretamente ao trabalho de interpretação de uma peça, sem a interferência de profetas ou adivinhos, ao derivar o termo grego de hypokrínomai, “diálogo”.
Seja como for, é certo que ao desembarcar em português no século XIV a palavra hipócrita já trazia consigo, pronta, a acepção que hoje vemos atribuída com frequência a políticos e outros fingidores. O passo decisivo para a consolidação desse sentido foi, segundo o Saraiva, o uso do vocábulo latino por São Jerônimo (cerca de 347-420), padre e erudito, para designar um tipo bem específico de “ator”: o falso bom cristão, o devoto fingido.
Em tempo: o grego Hipócrates, conhecido como “pai da medicina”, não tem nada a ver com isso.

8589 – Linguística – O Português na América


A língua portuguesa chegou à América por meio de Portugal, durante o período se colonização portuguesa, mas especificamente no Brasil, a partir de 1500. A língua teve, no entanto diversas influências, e a primeira delas foi dos dialetos indígenas locais, pois seria impossível fazer com que os nativos mudassem a língua que já utilizavam sem que levassem com eles as raízes da mesma. Sendo assim, muitas palavras do léxico indígena foram incorporadas ao português falado na América. Exemplos destas palavras são: abacaxi, mandioca, caju, tatu, piranha, etc.
Outra influência bastante marcante foi a dos dialetos africanos, falados pelas pessoas que foram capturadas e trazidos para a colônia, para trabalharem como escravas. Hoje em dia, na África também há localidades em que o Português é a língua oficial, devido à colonização por parte de Portugal nestes locais. São exemplos de palavras vindas do vocabulário africano: samba, moleque, caçula, etc.
Desta forma, o português falado na América foi se diferenciando cada vez mais do português falado na Europa. Sem falar nas outras línguas vindas também da Europa e de outros continentes através do fluxo migratório que ocorreu após a independência, e que trouxe ao Brasil cerca de quatro milhões de pessoas falantes de dezenas de línguas diferentes. É este fato que explica as diferenças regionais do português falado no Brasil. Dependendo da região, a língua sofreu diferentes influências, e por isso há variações que são chamadas de dialetais.
O Português falado na América possui uma norma única, para qualquer região, porém a fala possui diversas variedades dialetais. Podemos encontrar variações na pronúncia, na entonação da frase, e no léxico, o que é reflexo das diferenças culturais como música, culinária, costumes, etc.
Agrupando as variedades brasileiras de acordo com suas características, podemos separá-las em duas grandes áreas ou grupos de dialetos: Norte e Sul. Mas dentro destas duas grandes áreas, podemos ainda nomear duas variedades no norte, que seriam a nordestina e a amazônica, e quatro no sul, que seriam a baiana, a fluminense, a mineira e a sulina.
Contudo, esta divisão não é uma regra, até porque o que determina a fala é a convivência entre as comunidades, por isso não é possível fazer uma fronteira entre uma área e outra. Outro fato interessante de se notar, é que o falar português pode se diferenciar ainda, entre cidades, ou áreas menores em um estado.

8559 – O que o ouvido não escuta o cérebro não sente


Por que uma criança tem mais facilidade para aprender idiomas do que um adulto?

O aprendizado depende do estímulo sonoro. As fibras nervosas que levam os sons do ouvido ao cérebro são formadas de neurônios. Eles entram em ligação entre si por nas sinapses, verdadeiras pontes químicas por onde as mensagens neurológicas passam. “Nas crianças, as ligações estão em processo de constituição e as fibras são maleáveis e estão disponíveis”, diz uma fonoaudióloga do hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Por isso, se forem estimuladas pela repetição de sons, formam estradas sonoras até o cérebro. Depois dos 10 anos, a capacidade de estabelecer novas ligações diminui e o aprendizado torna-se mais difícil.
A criança nasce também com o aparelho fonador pronto para falar qualquer idioma. Mas, pelos mesmos motivos que dificultam o aprendizado, depois dos 10 anos ela começa a perder a capacidade de pronunciar alguns sons para os quais não tenha sido treinada. Isso não quer dizer que não se possa aprender alemão com 40 anos. Quer dizer apenas que vai demorar mais tempo. E que o sotaque provavelmente vai ser forte. Para falar perfeitamente, talvez seja necessário passar por um fonoaudiólogo.

O estímulo sonoro chega ao cérebro por meio de fibras nervosas.
Dentro do ouvido, o som é transformado em impulso elétrico, levado até o cérebro por fibras nervosas, que passam pelo tronco cerebral.
Na criança, os neurônios que formam as fibras nervosas ainda estão se ligando e são receptivos a novas informações sonoras. No adulto, a capacidade de estabelecer ligações diminui e também a receptividade.

7565 – Qual é a maior palavra do dicionário?


pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. Tente falar isso depressa.
São 46 letras, usadas para designar algo relacionado a uma doença pulmonar aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas. A palavra é o adjetivo do substantivo pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose, que tem duas letras a menos, com 44 caracteres.
Entenda a etimologia da palavra:
pneumo=pulmão, (oquei, beleza)
ultra=além, (humrum)
microscópico=muito pequeno,
sílico= do silício, elemento químico presente no magma vulcânico,
vulcano= relacionado a vulcão,
coniose=doença causada por inalação de partículas de poeira.
Ambos os vocábulos estão registrados no dicionário Houaiss, segundo informou o setor de lexicologia e lexicografia da Academia Brasileira de Letras.

7366 – Por que na Ásia o nome de vários países termina em “istão”?


Porque nas línguas mais faladas nessa região do mundo, como o hindi, o persa e o quirguiz, “istão” quer dizer “lugar de morada” de um determinado povo ou etnia. De acordo com esse princípio, Cazaquistão, por exemplo, significa “território dos cazaques”; Quirguistão, “território dos quirguizes”; Afeganistão, “território dos afegãos” e assim por diante. “A forma ‘stão’ deriva de uma antiga raiz lingüística indo-européia, provavelmente ‘sthã’. Esse sufixo carregava a idéia de ‘parar’ ou ‘permanecer’ e deu origem, por exemplo, aos verbos stare, em latim, e stand, em inglês.
A única exceção a essa regra é o caso do Paquistão, batizado cerca de 20 anos antes de o território do país ser constituído, em 1947. “Rahmat Ali, o idealizador da independência paquistanesa, juntou ao termo ‘istão’ o vocábulo ‘paki’, surgido a partir de uma combinação das iniciais das áreas reivindicadas pela futura nação. O ‘p’ representava a província do Punjab, enquanto o ‘k’ equivalia à região da Cachemira, no noroeste da Índia.

7214 – Qual a diferença entre as escritas coreana, japonesa e chinesa?


As três têm uma origem comum: a milenar escrita chinesa. Criado há 4 mil anos, esse tipo pioneiro de escrita oriental não usa letras de um alfabeto, mas os chamados ideogramas, símbolos ou sinais que representam um conceito ou uma idéia – podem ser coisas concretas ou abstratas, como sentimentos. Escrever com eles é como encaixar as peças de um quebra-cabeças. Por exemplo, para escrever “amanhecer”, os chineses usam o ideograma que representa “sol” mais o ideograma que indica “árvore”. A escrita chinesa baseia-se até hoje nesse sistema. A japonesa, que recebeu muita influência da China, também nasce dessa raiz milenar, mas com algumas adaptações. Na moderna escrita japonesa, o kanji, os ideogramas chineses são ligados uns aos outros por conectivos, também criados a partir dos ideogramas chineses. Em um paralelo com a nossa língua, é como se os ideogramas fossem os substantivos (“salão” e “dança”, por exemplo) e os conectivos fossem as preposições (o “de” que liga “salão de dança”). Faltou falar do coreano. A Coréia absorveu os costumes chineses até 1443, quando o rei Sejong determinou a criação de um alfabeto que representasse o som da língua coreana. Isso porque, naquela época, os coreanos falavam uma língua, o coreano, e escreviam em outra, o chinês. Três anos depois, surgiu o hunminjeongeum (algo como “os sons corretos para a instrução do povo”), o único alfabeto de sons do Extremo Oriente. Nesse sentido, o coreano se parece mais com o português que com o japonês ou o chinês: ele é o resultado de uma montagem de sons e não de significados.

6296 – Linguística – Português, o primo do sanscrito


Foi descoberto de que muitas das línguas da Europa e da Ásia – do português, no oeste, a boa parte dos idiomas da Índia e do Paquistão, no leste – descendem de um só falar pré-histórico. Esse bisavô lingüístico é o proto-indo-europeu, e por isso todas as línguas descendentes dele são chamadas de indo-européias.
A árvore genealógica do indo-europeu tem sido refinada desde o século 18 por gerações de lingüistas e conta uma história curiosa. A partir de um centro original que talvez ficasse na Ucrânia e na Turquia há pelo menos 6 mil anos, o proto-indo-europeu e seus idiomas-filhos foram se ramificando. A história registra as últimas fases disso, como a transformação do latim popular no português, no francês e no italiano. Mas os lingüistas aprenderam a perceber semelhanças claras entre idiomas muito mais distantes entre si. O truque é usar como guia o funcionamento da boca e das pregas vocais humanas, que impõe certos limites às mudanças dos sons. Os lingüistas descobriram, por exemplo, que nas línguas germânicas (o grupo do inglês e do alemão), o som de p do proto-indo-europeu muitas vezes vira f. Ora, as duas consoantes são produzidas exatamente no mesmo local (ou ponto de articulação): a diferença é que o f inclui uma espécie de sopro. (Tente pronunciar o p deixando soltar o ar entre os lábios e você verá que o que sai é um f.) É por isso que o latim pisces e o inglês fish são, na prática, descendentes da mesma palavra original.
Essas regras ajudaram a reconstruir outras línguas em todas as partes do mundo – das florestas africanas aos desertos do Oriente Médio. Mesmo nas épocas em que não havia escrita, as palavras deixaram um registro da nossa história.
Uma idéia que está ganhando força entre antropólogos e arqueólogos associa troncos lingüísticos espalhados, tal como o indo-europeu, a algum tipo de vantagem competitiva – de preferência relacionada com os principais motores da civilização humana, a agricultura e a criação de animais. Os primeiros povos a criar tais técnicas automaticamente ganharam vantagens tecnológicas e demográficas, e por isso teriam conseguido espalhar mais sua língua entre povos dominados. É uma beleza de idéia, mas os cientistas ainda batem cabeça justamente para saber o que houve no famigerado caso do indo-europeu, de longe o mais bem estudado.

6214 – Mega Cabeças – Os Poliglotas


Aos 20 anos, ele mergulhou nos livros e se mudou para a casa de uma família russa em Porto Alegre. Em poucos meses, dispensou os tradutores. E não era seu primeiro idioma estrangeiro. Logo cedo, a proximidade com o Uruguai o deixou afiado no espanhol. Depois, aprendeu francês, latim e inglês. O caminho da faculdade era claro: Letras. “Quanto mais idiomas você sabe, mais fácil aprender outros. Os 10 primeiros são os mais difíceis”, diz. Sim, 10. Aos 80 anos, Freire já estudou 135 línguas – de japonês a esperanto. É mais do que o padre italiano Giuseppe Mezzofanti, que ficou notório no século 18 por ouvir confissões na língua nativa dos estrangeiros. Especula-se que ele falava entre 61 e 72 idiomas e lia em 114.
Os dois integram um seleto time de pessoas que conseguem aprender dezenas de idiomas. Não são só poliglotas. Quem é fluente em mais de 6 línguas tem um título maior: hiperpoliglota. O termo foi definido em 2003 pelo linguista britânico Richard Hudson. Ao estudar comunidades poliglotas, ele descobriu que o número máximo de idiomas falados em comum por todos os moradores é 6. Ainda não se sabe o motivo exato de serem 6 línguas. O que se sabe é que os hiperpoliglotas são diferentes de bilíngues ou meros falantes de 3 ou 4 línguas. E que os limites do cérebro deles podem ajudar a ciência a buscar os limites do nosso cérebro.
Mezzofanti entrou na escola aos 4 anos, onde aprendeu 3 idiomas. Aprender línguas na infância faz toda a diferença. Após a puberdade, os hormônios dificultam a reprodução de um sotaque mais autêntico. Se você aprende francês após os 14 anos, por mais que estude, provavelmente vai soar como um “brasileiro fluente em francês” – mas não como um francês. Vários estudos comprovaram essa tese. Um deles selecionou 46 adultos chineses e coreanos que moraram nos Estados Unidos em diferentes fases da vida. Os que chegaram ao país até os 7 anos tiveram resultados semelhantes aos de nativos. Quem chegou aos EUA com mais de 15 anos teve desempenho pior.
Isso ocorre porque, com o tempo, o cérebro parece endurecer. Conforme crescemos, ele forma estruturas neurais confiáveis para orientar as ações que tomamos. É uma base de conhecimento que guia as experiências e responde às situações do dia a dia. À medida que mais estruturas neurais se formam, o cérebro perde flexibilidade. E ela é importante para aprender coisas complexas, como falar uma língua. Pesquisadores acreditam que os hiperpoliglotas conseguem prolongar essa plasticidade.
Falar pode parecer um ato simples, mas exige várias tarefas do cérebro: percepção auditiva, controle motor, memória semântica, sequenciamento de palavras. Para assimilar um novo idioma, o cérebro precisa entender as estruturas do som e das palavras. E, até chegar a isso, o aprendizado percorre um longo caminho pelos hemisférios esquerdo e direito do cérebro.

Não só de idiomas se faz uma mente brilhante.

Carlos Freire aprendeu mais de 100 idiomas, mas é ruim com números, assim como outro poliglota,o sábio francês Champolion. Já o aposentado João Vicente escreve as primeiras 5 mil casas decimais do Pi em uma hora. E isso não tem a ver com memória fotográfica, algo que nunca foi comprovado, aliás. Em 1979, o pesquisador americano John Merritt publicou em revistas e jornais uma imagem com 10 mil pontos, que deveria ser vista com o olho esquerdo tampado. Depois, ele publicou uma segunda imagem com outros 10 mil pontos, para ser analisada com o olho direito fechado. Quem conseguisse memorizar os 20 mil pontos conseguiria ver um objeto. De 1 milhão de respostas, só 30 estavam corretas. Depois, Merritt refez o teste, mas ninguém acertou.

6068 – Quais as línguas mais difíceis de aprender?


Aprender uma nova língua não é fácil, mas por que algumas são mais difíceis que outras? Dois motivos. Primeiro, a distância entre elas na árvore genealógica dos idiomas. Quanto mais próxima, mais fácil de aprender. Outros critérios contam, como alfabeto e pronúncia. Mas o segundo motivo é motivação, segundo linguistas e professores. Ela faz a diferença. Ou seja, você pode até ficar fluente em !Xóõ (pronuncia-se estalando a língua no céu da boca), mas vai precisar de mais tempo. E muita paciência.

FAMÍLIA LATINA – Línguas que se originaram da mistura do latim com dialetos populares da Europa e se modificaram ao longo do tempo.

OUTRAS FAMÍLIAS

ALFABETO LATINO – Pode ganhar caracteres para representar sons que não existem nas línguas latinas. Mas a base continua a mesma.

OUTROS ALFABETOs

LÍNGUA TONAL – Tem palavras que mudam completamente o significado, dependendo da entonação que se usa para pronunciar.

NÚMERO DE NATIVOS – Pessoas que têm esse idioma como língua materna.

Fácil

Idiomas com mesma origem têm mais semelhanças. As línguas latinas são como primas que cresceram juntas, mas se afastaram. Francês é mais difícil que espanhol e italiano porque teve influência germânica (exemplo: chic vem do alemão schick). E o inglês é a amiga que se enturmou: somos mais suscetíveis a aprender a língua que está em todo lugar.

Espanhol

Número de nativos – 390 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Italiano

Número de nativos – 80 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Francês

Número de nativos – 220 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Romeno

Aprender a língua do Conde Drácula não é assim tão difícil. Existem aproximadamente 500 palavras semelhantes ou até iguais entre romeno e português. Um exemplo é “superior”, que se escreve e pronuncia da mesma forma.

Número de nativos – 24 milhões

Família latina

Alfabeto latino

Inglês

Número de nativos – 400 milhões

Outras famílias – Germânica

Alfabeto latino

Médio

Aqui entram idiomas de famílias diferentes, mas quase sempre com o mesmo alfabeto: o latino, o mais usado no mundo. Mesmo línguas de outras famílias ficam mais próximas quando usam o mesmo alfabeto de base. Neste caldeirão de letras latinas, está a maioria dos idiomas da Europa.

Alemão

Número de nativos – 100 milhões

Outras famílias – Germânica

Alfabeto latino

Islandês

Número de nativos – 320 mil

Outras famílias – Germânica

Alfabeto latino

Polonês

Número de nativos – 42,7 milhões

Outras famílias – Eslava

Alfabeto latino

Finlandês

É uma das raras línguas ocidentais que não deriva do tronco indo-europeu, mas do urálico (junto com o húngaro e o estoniano). A diferença aparece principalmente na pronúncia, cheia de vogais. Às vezes lembra o japonês.

Número de nativos – 7 milhões

Outras famílias – Fino-permiana

Alfabeto latino

Turco

Número de nativos – 73 milhões

Outras famílias – Turcomana

Alfabeto latino

Grego

Inspirou o latim, origem da língua portuguesa. É, digamos assim, um tio-avô. Então, mesmo com um alfabeto diferente, a expressão “tô falando grego” deveria brincar com outra língua, pois o grego está longe de ser o idioma mais difícil do mundo.

Número de nativos – 13 milhões

Outras famílias – Helênica

Outros alfabetos – Grego

Difícil

O aprendizado de uma língua passa pela escrita. Aqui nos deparamos com letras, ideogramas e sinais que nos são estranhos. E muitas dessas línguas são tonais, o que dificulta. A palavra vietnamita khao, por exemplo, pode significar “ele”, “ela” ou “branco”, dependendo do tempo levado para falar as vogais.

Vietnamita

Número de nativos – 73 milhões

Outras famílias – Mon-khmer

Alfabeto Latino

Língua tonal

Russo

Número de nativos – 164 milhões

Outras famílias – Eslava

Outros alfabetos – Cirílico

Tailandês

Número de nativos – 60 milhões

Outras famílias – Kradai

Outros alfabetos – khmer

Língua tonal

Mandarim

Número de nativos – 885 milhões

Outras famílias – Sino-tibetana

Outros alfabetos – Logograma

Língua tonal

Japonês

Assim como no mandarim, aprendizes de japonês precisam memorizar milhares de ideogramas. São dois sistemas silabários e cinco de escrita. Haja coração (e memória) para encarar essa língua.

Número de nativos – 127 milhões

Outras famílias – Japônica

Outros alfabetos – Logograma

Língua tonal

Coreano

Número de nativos – 71 milhões

Outras famílias – Língua isolada

Outros alfabetos – Hangul

Língua tonal

Árabe

O árabe é tão difícil de aprender a ler que o lado direito do cérebro (responsável por dar uma leitura geral das letras) fica sobrecarregado e simplesmente desliga, deixando o lado esquerdo se virar sozinho.

Número de nativos – 206 milhões

Outras famílias – Semítica

Outros alfabetos – Árabe

Quase impossível

O sistema vocal complexo de alguns idiomas exóticos torna a tarefa de aprendê-los quase impossível. O que vai fazer diferença, daqui para a frente, é a determinação e a força no gogó. Há registros de africanos que desenvolveram caroços na laringe por causa do !Xóõ.

Tuyuca

Só consoantes simples, poucas vogais nasais e um amplo vocabulário. Calma que piora: para os indígenas da Amazônia que dominam a língua, a única forma de afirmar algo é terminando a frase com um verbo (Yoda tuyuca fala?).

Número de nativos – menos de mil

Outras famílias – Tukano oriental

!Xóõ

Em Botsuana, na África, as pessoas conversam usando cliques (estalos feitos com a língua no céu da boca). O alfabeto é construído com cinco cliques básicos e 17 adicionais.

Número de nativos – 2,5 mil

Outras famílias – Khoisan

5872 – Como surgiram os principais sinais de pontuação?


Foi um alívio. Até o século IV os textos eram escritos sem pontuação. “Tinham que ser interpretados”, conta um lingüista da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Não era fácil. No Oráculo de Delfos (século VII a.C.), um dos lugares da Antigüidade em que se faziam profecias consideradas divinas, ainda está escrito (em grego): “Ides voltarás não morrerás na guerra.” Quem lê entende que irá para a guerra e voltará a salvo. Era o contrário. Na verdade, queria dizer, se as vírgulas existissem: “ides, voltarás não (o “não” vem depois do verbo), morrerás na guerra.” Ou seja, vais morrer.
Os primeiros sinais de pontuação surgiram no início do Império Bizantino (330 a 1453). Mas sua função era diferente das atuais. O que hoje é o ponto final servia para separar uma palavra da outra. Os espaço brancos entre palavras só apareceram no século VII, na Europa. Foi quando o ponto passou a finalizar a frase. O ponto de interrogação é uma invenção italiana, do século XIV. O de exclamação surgiu no século XIV. Os gráficos italianos também inventaram a vírgula e o ponto e vírgula no século XV (este último era usado pelos antigos gregos, muito antes disso, como sinal de interrogação). Os dois pontos surgiram no século XVI. O mais tardio foi a aspa, que surgiu no século XVII. Tudo foi ficando mais claro com o aumento da importância da escrita.