11.153 – Óptica – As Lentes de Contato


Aula de Óptica do século 15
Aula de Óptica do século 15

A ideia da lente é muito mais antiga que o produto. Em 1508, Leonardo da Vinci imaginou que uma lente corretiva aplicada diretamente na superfície do olho resolveria problemas de visão. Nascia seu conceito, que foi aperfeiçoado ao longo do tempo. Em 1632, René Descartes teve a mesma idéia. Mas só em 1887 o fabricante de peças óticas F.E. Muller e, um ano depois, o médico suíço Adolf Eugen Fick conseguiram transformar as lentes em realidade, produzindo modelos feitos de vidro. Elas, porém, não tiveram lá muita utilidade, pois machucavam o olho.
Em 1929, o oftalmologista William Feinbloom, de Nova York, fabricou uma lente mista de plástico e vidro. Era enorme e dura. No fim dos anos 40, começaram a aparecer no mercado lentes menores feitas de plástico rígido, como as do ótico americano Kevin Tuohy, em 1948.
Foi só em 1971 que a Bausch & Lomb lançou no mercado americano o primeiro modelo de lente gelatinosa, mais maleável e confortável. Já a primeira lente descartável surgiu em 1995. Apesar de todas as novidades, o bom e velho par de óculos segue soberano na preferência dos míopes e portadores de astigmatismo. Nos Estados Unidos, apenas 10% das pessoas que precisam de correção visual usam lentes de contato. No Brasil, apenas 1%.
Em 1823 o astrônomo e físico inglês Sir. John Herschel expõs a idéia de que seria possível fabricar um tipo de lente de contato cujo lado de fora, ou superfície anterior, teria o mesmo poder de refração dos olhos, enquanto o lado de dentro, ou superfície posterior, seria moldado de modo a corresponder às irregularidades da córnea, a membrana que recobre a parte colorida dos olhos, chamada íris.
Um certo August Müller, fabricante de olhos artificiais, confeccionou na Alemanha, em 1887, as primeiras lentes que realmente foram usadas. Sua finalidade, basicamente, era suprir uma deficiência resultante de uma operação: tratava-se de umedecer a córnea de um paciente que tivera as pálpebras retiradas numa cirurgia. Um ano depois, o pesquisador suíço Adolphe Eugéne Fick criou lentes cujo objetivo era a correção visual e não mais a proteção dos olhos. Por esse motivo ele é considerado o inventor da lente de contato. Suas lentes eram confeccionadas em vidro soprado, desbastado e polido, e ocupavam toda a superfície dos olhos, incluindo a córnea e a esclerótica (parte branca). Foram chamadas, por isso, lentes escleróticas.
As lentes do sr. Fick precisaram esperar o século XX para se popularizarem. O advento do plástico, na década de 30, proporcionou o grande salto. Naquela época, o plástico polimetilmetacrilato (PMMA) estava sendo desenvolvido para a fabricação de peças de avião. Por suas condições de leveza e fácil manuseio, logo foi utilizado para a confecção de lentes rígidas, também chamadas acrílicas. Em 1947, o americano Kevin Touhy lançou as primeiras lentes corneanas, ou seja, cujo diâmetro apenas cobre a superfície da córnea, de aproximadamente 11,5 milímetros.
Sua grande vantagem foi a melhoria da oxigenação dos olhos, além de diminuir a pressão sobre a esclerótica. Com o tempo, verificou-se que um menor diâmetro evitaria ainda que as lentes se mexessem, aumentando a tolerância dos olhos. Assim surgiram, em 1950, as microlentes. Daí até hoje, as lentes ógidas têm diminuído de tamanho; seu diâmetro atual, é da ordem de 9 milímetros. Também se tornaram mais finas, com a espessura variando em torno de 1 milímetro.
Mas o segundo grande avanço no setor ainda estava por vir. Em 1954, o químico checo Otto Wichterle começou a pesquisar um novo material para aumentar a oxigenação da córnea. O material deveria ser hidrófilo (absorver facilmente a água), flexível, resistente à tensão, bem tolerado pelo organismo e não-tóxico. Esse novo material plástico foi chamado de hydron. Em 1960, as primeiras lentes de hydron foram testadas na Universidade de Praga; em 1964, passaram a ser adotadas pelos oftalmologistas: eram as hoje populares lentes gelatinosas, ou soit.
Nelas, dependendo do material e da espessura, a absorção de água pode chegar a 85 por cento. Quanto maior esse índice, mais facilmente o oxigênio chega à córnea, proporcionando mais conforto. Ao contrário das lentes rígidas, as hidrofílicas têm um diâmetro maior que o da córnea, o que aumenta sua boa estabilidade: elas dificilmente caem do olho.
A nova criação, de todo modo, não aboliu o uso de lentes de plástico rígido, até porque ela não serve em casos de astigmatismo. As lentes gelatinosas são tão flexíveis que se amoldam às imperfeições, sem corrigi-las. No fundo, a escolha entre os dois tipos depende da disposição do paciente em suportar o período de adaptação, maior nas primeiras, além da Lente acrílica: sempre menor adequação clínica ao seu caso. A mais recente versão das lentes soit é a de uso prolongado, cuja espessura, entre 0,1 e 0,025 milímetro, é metade das normais. Isso aumenta consideravelmente a transmissão de oxigênio. Essas lentes devem ser retiradas pelo menos uma vez por semana, utilizandose os mesmos métodos de higiene das lentes de uso diário. No campo das lentes rígidas, enquanto isso, apareceram as de silicone, que deixam passar bastante oxigênio para a córnea.
As lentes bifocais chegaram a aparecer no mercado já na década de 50, mas não fizeram muito sucesso. Pois, tendo toda a mesma medida, não se adaptam necessariamente à curvatura com os olhos de qualquer um. E uma questão de sorte. Uma pena principalmente para a legião de pacientes que se poderiam beneficiar com a novidade. No Brasil, onde as lentes de contato são conhecidas desde 1948 e onde apenas 20 por cento dos habitantes não apresentam alguma deficiência visual, três em quatro pessoas com mais de 45 anos precisam daquele tipo de correção. Sucesso tiveram, isto sim, as lentes de contato coloridas, que transformam olhos castanhos e pretos em verdes, azuis ou ainda violeta, a cor mais procurada pelas mulheres brasileiras. A atriz Giulia Gam, olhos castanhos, para fazer o papel de Jocasta jovem na novela Mandala, recorreu a lentes coloridas a fim de ficar com os mesmos olhos azuis de Vera Fischer, a Jocasta adulta. Mas não foi para enfeitar os belos olhos de quem quer que fosse que tais lentes surgiram. Sua criação teve como objetivo melhorar a visão dos albinos, que têm grande sensibilidade à luz.

Lentes

8351 – Oftalmologia – A Lente de Contato que Cura a Cegueira


As células-tronco são a grande esperança da medicina – sua capacidade de regenerar qualquer tecido do corpo promete curas incríveis. E elas acabam de operar seu primeiro milagre: fazer os cegos voltar a ver. Cientistas australianos desenvolveram uma lente de contato especial, que é revestida de células-tronco e consegue recuperar a visão de pessoas com problemas na córnea (a camada mais externa do olho). Alguns dias depois que a lente é colocada, as células-tronco começam a migrar para o olho, onde substituem as células da córnea e fazem a pessoa recuperar a visão. O procedimento foi testado em 3 pacientes cegos, que estavam na fila para receber transplantes de córnea. E os resultados foram incríveis. Dois dos pacientes se tornaram capazes de ler, e o terceiro pôde até voltar a dirigir. Como as células-tronco são retiradas do olho do próprio paciente, não há risco de rejeição – 18 meses após o tratamento, nenhum dos 3 cegos teve qualquer complicação. “Nós ainda estamos em fase de testes, mas o procedimento é bem simples e logo poderá ser usado em qualquer hospital”, afirma o criador da técnica, o oftalmologista Nick di Girolamo, da Universidade de New South Wales.

Num procedimento cirúrgico, é retirado um pedaço de 1 mm do limbo corneal ou da conjuntiva, regiões ricas em células-tronco. O paciente vai embora para casa no mesmo dia.
As células-tronco são colocadas na lente de contato, que é mergulhada numa solução rica em nutrientes e fica 10 dias numa incubadora, para que as células se multipliquem.
O paciente coloca a lente (cujo tamanho e textura são idênticos aos de uma lente comum). As células-tronco começam a se fundir com a córnea, substituindo as células danificadas.
Após duas semanas, todas as células-tronco já passaram para o olho e o paciente pode tirar a lente. A visão continua a melhorar (a recuperação total leva 3 meses).