13.705 – Mega Almanaque – Uruguai, a Celeste Olímpica


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Medalhas nos anos 20 justificam apelido

Ballesteros; Gestido, Mascheroni, Nasazzi e Scarone; Andrade e Fernandez; Dorado, Cea, Castro e Iriarte (Anselmo). Técnico: Alberto Suppici. Esta é a primeira grande equipe de futebol da história. Trata-se da seleção uruguaia, que foi bicampeã olímpica e campeã mundial. Por uma década, não houve um adversário que pudesse fazer frente à “Celeste Olímpica”, apelido que o esquadrão recebeu por causa das duas medalhas de ouro conquistadas na Olimpíada de Paris-1924 e Amsterdã-1928.
O técnico Alberto Suppici adotava uma postura bastante ofensiva, muito diferente dos sistemas da atualidade. Era o sistema 2-3-5. Mascheroni e Nasazzi eram os zagueiros, que praticamente não ultrapassavam a linha de meio-campo.
Gestido, Fernandez e Andrade eram o “motor” do time. Responsáveis pela marcação, atuavam no espaço entre as duas intermediárias, ajudando a proteção da dupla de zaga. Além disso, levavam a bola para o quinteto de ataque, formado por Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte.
Este time aliava muita técnica, conjunto e também uma raça, que se tornou a principal característica do futebol uruguaio. Ao mesmo tempo que tinha a classe de Andrade, o primeiro grande jogador negro da história do futebol, reunia a garra inesgotável de Fernandez, o “Brabo” no meio-campo. No ataque, o destaque ficava por conta de Cea, que ao lado de Scarone e Nasazzi, esteve em todas as conquistas da Celeste.
Na primeira conquista do ouro olímpico, em 1924, foram cinco vitórias em campos ingleses. Estreia inesquecível com 7 a 0 sobre a Iugoslávia. Depois somou 3 a 0 nos Estados Unidos; 5 a 1 nos anfitriões franceses; 2 a 1 na Holanda na semifinal e um 3 a 0 tranquilo na final sobre a Suíça.
Quatro anos depois, com a mesma base, outro ouro em Amsterdã. Os anfitriões foram superados por 2 a 0. Goleada por 4 a 1 na Alemanha e 3 a 2 diante da Itália. Na decisão, dois jogos com a rival Argentina: 1 a 1 e 2 a 1. Para completar a hegemonia, o título da Copa do Mundo de 1930, em casa.

12.827 – Esporte – Dopping na Rio 2016


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Simone Biles, com seu 1,45 m de altura, foi uma das maiores sensações da Olimpíada do Rio de Janeiro, e deixou a competição com 5 medalhas. O que Biles, as irmãs Williams do tênis, um cavaleiro inglês do ciclismo e o time de natação da Alemanha têm em comum?
Todos eles fazem parte do grupo de 25 atletas que teve laudos médicos confidenciais vazados nessa semana por hackers chamados de Fancy Bears. Os “Anonymous do doping” invadiram o site da WADA (Agência Mundial Antidoping) e distribuíram documentos chamados de TUE – Exceções de Uso Terapêutico.
Um TUE é emitido quando um atleta está usando uma substância proibida pelas regras do seu esporte – mas por motivos médicos. Um profissional da WADA analisa os laudos que provam que aquele atleta precisa do remédio proibido e aí aprova ou nega essa autorização especial.
Só que a acusação dos Fancy Bears é que os TUEs estão sendo usados para justificar o doping de alguns atletas e esconder que eles estariam melhorando sua performance de um jeito injusto – não seria coincidência, então, que 17 dos 25 atletas citados tenham acabado de ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio.
Na maioria dos casos, os atletas estavam usando algum tipo de esteroide. O nome parece alarmante, certo? Mas e se a gente estiver falando de uma bombinha de asma? As bombinhas, afinal, contêm esteroides para aliviar os sintomas da asma.
O ciclista Sir Bradley Wiggins, que ganhou sua oitava medalha olímpica no Rio (e virou cavaleiro inglês em 2013) não ligou a mínima de ver seu nome no mais recente vazamento dos Fancy Bears. Isso porque, segundo disse ao jornal The Telegraph, o mundo inteiro sabe que ele tem asma. Não estava usando estimulantes para se destacar – estava tomando remédio para não ter que escolher entre competir e respirar.
Dos 5 atletas alemães na lista, 3 eram nadadores – e todos estavam tomando remédios indicados para a asma. Um time de natação de elite cheio de asmáticos medicados é um tanto bizarro.
O problema é o seguinte: se, por um lado, esses são remédios totalmente justificáveis para um quadro alérgico, por outro eles aumentam a capacidade do pulmão e oferecem vantagens injustas, especialmente na natação. Se for esse o caso, porém, não deu muito certo: os alemães da lista saíram do Rio sem medalha.
Outro tipo de remédio comum nos documentos vazados eram antiinflamatórios como a prednisona. A maioria dos extensos documentos vazados das irmãs Serena e Venus Williams falavam justamente dessa droga, que é conhecida de qualquer um que tem infecções respiratórias frequentes. Só que nem todo remédio ali é “light” assim: Serena tinha uma autorização de uma semana para tomar Oxicodona, um analgésico opioide parente da heroína.
Todo mundo já precisou de um corticoide na vida para se recuperar de alguma doença – e os TUEs realmente só “perdoam” os atletas por prazos curtos, de 5 a 15 dias. Só que a história fica ainda mais polêmica entre os atletas norteamericanos.
5 dos 11 esportistas americanos denunciados pelo Fancy Bears não estava tomando antiinflamatórios e sim anfetaminas, indicadas para quadros de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Entre eles estava a própria Simone Biles, que se manifestou sobre seu TDAH pelo Twitter e disse tomar Ritalina desde que era criança.
Todo mundo já precisou de um corticoide na vida para se recuperar de alguma doença – e os TUEs realmente só “perdoam” os atletas por prazos curtos, de 5 a 15 dias. Só que a história fica ainda mais polêmica entre os atletas norteamericanos.
A história fica ainda mais complicada, porque os hackers que fazem acusações, os Fancy Bears, se declaram um grupo internacional, mas foram ligados à Rússia pela própria WADA. O Kremlin negou a conexão, dizendo que todo mundo “põe a culpa na Rússia por tudo”. Mas, caso a ligação seja comprovada, o grupo de ataque teria motivos nada nobres para denunciar outros atletas, já que o país foi punido pela WADA por um amplo esquema de doping apoiado pelo governo nas Olimpíadas de Inverno de 2014. E eles prometem: vem mais por aí.

12.745 – Rio 2016 – Phelps quebra recorde olímpico de 2 mil anos


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Com 26 medalhas no total, o nadador americano Michael Phelps é o atleta olímpico com mais conquistas dos últimos tempos. E 11de agosto, ele arrebatou mais uma vitória – dessa vez histórica – para a coleção: com a sua 13ª medalha individual de ouro, nos 200 m medley, se tornou o maior medalhista em provas individuais – um recorde que ficou insuperado por 2.168 anos.
Antes de Phelps, só um cara tinha alcançado essa proeza: o grego Leônidas de Rodes. Nascido em 188 a.C., ele competiu em quatro olimpíadas – entre 164 e 152 a.C -, e era considerado, assim como o nosso “Tubarão de Baltimore”, o maior campeão olímpico individual da época. Faz sentido: aos 36 anos, o atleta acumulou 12 coroas de louros – o equivalente à medalha de ouro naqueles tempos.
O negócio de Leônidas não era nadar, e sim correr. Só que, assim como o campeão de natação, o grego era perito em várias modalidades dentro de seu esporte – ele foi tetracampeão na corrida de 200 m e em duas outras categorias que hoje não existem mais, o diaulo e o hoplitódromo.
Diaulo é uma corrida de ida e volta, de aproximadamente 400 m, semelhante à nossa prova atual dessa distância. Já o hoplitódromo era uma competição mais pesada: os 400 m eram percorridos pelos atletas enquanto eles vestiam uma armadura militar e carregavam um escudo, somando um peso extra de 25 kg. Além de tudo, na época do ano em que as olimpíadas aconteciam, a temperatura podia chegar a 40°C. Quem praticava esse esporte, então, precisava não só ser ágil e forte, mas também ter uma resistência assustadora – por isso, a prova era conhecida como “corrida de soldados”.
Não admira que um atleta que vencesse essas três competições em uma mesma olimpíada fosse tido como um grande herói: esses caras ganhavam o título de triastes – e Leônidas era um desses. Para você entender como ele era acima da média, saiba que só existiram sete triastes na época, e esse grego específico foi o único a alcançar essa honra mais de uma vez.
De fato, o atleta conseguiu o título quatro vezes no total. Na quarta conquista, Leônidas tinha 36 anos, e já estava “velho” para os padrões dos atletas – assim como Phelps, que alcançou suas últimas quatro medalhas esse ano, aos 31. Até hoje, só outros dois atletas além deles conseguiram arrebatar quatro medalhas de ouro individuais consecutivas: os americanos Al Oerter, no arremesso de disco, e Carl Lewis, no salto a distância.
Claro, se a gente for contar direitinho, Phelps tem muito mais medalhas olímpicas do que Leônidas: no total, o americano tem 26 – 13 ouros individuais, nove ouros em revezamentos, dois bronzes e duas pratas. Mas, como na Grécia Antiga não existia nada além do primeiro lugar, e como também não havia provas de revezamento na corrida, a gente dá uma colher de chá pro Leônidas – afinal, o cara foi o único tetra medalhista individual campeão em mais de 2 mil anos de Olimpíadas.

12.743 – Rio 2016 – A Prova dos 100 metros rasos


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Em questão de segundos (exatos 9.81s) Usain Bolt fez história ao conquistar o inédito tricampeonato olímpico na prova dos 100 metros rasos do atletismo nos Jogos do Rio-2016. A prata ficou com o americano Justi Gatlin (principal oponente do jamaicano), com o tempo de 9.89s. O bronze foi para o canadense Andre De Grasse, com 9.91s.
O americano Justin Gatlin comentou a conquista da medalha de prata:

— É difícil, tenho companheiros de equipe que não chegaram à final. Mas temos que ficar gratos pelo que temos, por conseguir uma medalha — falou.

Já na zona mista, ele falou sobre as vaias que recebeu do público.

— Não me concentrei nas vaias. Vi mais bandeiras dos estados unidos do que jamais vi em corridas — comentou: — Você escuta tudo. Mas quando eles estao aqui, estão excitados. Tem muitos fãs do Bolt, da Jamaica… Mas eles não me conhecem. Eu tenho resposta dos meus colegas.

O terceiro colocado, baixinho veloz
O baixinho André De Grasse do Canadá ficou em terceiro com a marca de 10.04 seg, uma façanha levando -se em consideração os concorrentes e as longas passadas de Bolt.

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Andre De Grasse, of Canada, holds a flag after he wins the gold medal in the men’s 100m final during the athletics competition at the 2015 Pan Am Games in Toronto on Wednesday, July 22, 2015. THE CANADIAN PRESS/Mark Blinch

 

12.741 – Atletismo – Como a ginasta Simone Biles desafia as leis da física


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Ainda estamos na metade da Olimpíada do Rio 2016 e a americana Simone Biles já conquistou o mundo. Para quem gosta de ginástica artística, seu ouro não foi uma surpresa. Com 19 anos de idade, ela foi a primeira da história a vencer três campeonatos mundiais consecutivos em sua modalidade (2013, 2014 e 2015), e é a ginasta americana mais condecorada da história em competições internacionais, com 14 medalhas ao todo, 10 delas de ouro.
Biles é a mais recente de uma série de lendas desse esporte, mas há 40 anos, Nadia Comăneci, da Romênia, já fazia o que parecia impossível do ponto de vista da física. Ela tinha apenas 14 anos quando pousou em Montreal, Canadá, para a Olimpíada de 1976, era parte da equipe de ginástica artística do pequeno país do leste europeu, e não fazia a menor ideia de que estava prestes a entrar para a história. Ao terminar uma indescritível prova nas barras assimétricas, deu uma olhada no painel em que os juízes exibem as notas e viu um “1.00”. Não era um defeito. Como, até então, não se pensava que fosse possível atingir a perfeição absoluta na ginástica artística, não era possível exibir os quatro dígitos de “10.00” na tela. “9.98”? Talvez. Não dez.
Mas não foi suficiente realizar a façanha uma vez. Comăneci conquistou outras seis notas dez ao longo evento, com um grau de confiança e precisão que jamais foi superado.
Nos anos seguintes, o “10.00”, claro, não virou rotina. Mas foi alcançado por número razoável de atletas até sua extinção, em 2006, quando entrou em vigor outro – e muito criticado – sistema de pontuação.
Comăneci e Biles parecem desafiar as leis da física todos os dias. É difícil observar o movimento de seus corpos e não se lembrar da associação das Olimpíadas da antiguidade com os deuses. Não há nada inexplicável ali, porém: é tudo ciência.
O mortal é um salto em que os dois pés passam por cima da cabeça e voltam à posição original. Ele possui variações. Uma delas, o carpado, entrou para imaginário brasileiro por ser característica da ginasta Daiane do Santos. Nele, a acrobacia é feita com o corpo dobrado em um ângulo menor que 90° e as pernas esticadas. Outra, ainda mais difícil, é a estendida, em que o corpo simplesmente não é dobrado.
Esse detalhe é importante: quando uma atleta encolhe o corpo na hora do salto, ele fica muito mais fácil.
N a física, há uma unidade de medida chamada inércia rotacional. Ela mede a resistência de um corpo às alterações na sua rotação. Parece difícil de entender, mas na verdade é bem simples. Quando um corpo está girando, ele gira em torno de um eixo. Quanto mais distante do eixo estiver a massa desse corpo, mais ele vai resistir ao giro.
Um objeto como um machado, por exemplo, possuí muita massa em apenas uma ponta, afinal, o cabo é muito mais leve que a lâmina. Já a massa de um livro é distribuída de maneira mais ou menos uniforme. O ser humano possuí uma característica notável: ele pode se encolher ou se esticar, alterando a posição de suas pernas e braços sem tirar o tronco do lugar. Se você abraçar seus joelhos e se tornar uma “bolinha”, você ocupará menos espaço, mas continuará pesando os mesmos 70 ou 80 quilos.
Ou seja: quem salta com o corpo encolhido mantém a própria massa próxima ao eixo de rotação. Isso diminui a inércia, ou seja, a vontade que seu corpo tem de ficar ali paradinho em vez de dar a pirueta. Quem salta com o corpo esticado, por outro lado, joga toda a massa para as pontas, bem longe do eixo, o que aumenta a força que atua contra o giro.
E é aí que reside a grande dificuldade do salto. Considere que ele é duplo, ou seja, são dois giros, e que no final ainda há o meio giro, que demandaria mais alguns parágrafos de explicação, e é provável que você saia dessa matéria mais animado para fazer uma graduação em física que para tentar a carreira olímpica.

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12.732 – Elefante Branco – Locais que foram abandonados após os jogos olímpicos


Um legado deixado por grandes montantes de investimentos
Uma das maiores preocupações com os jogos olímpicos do Rio de Janeiro é o legado que deixarão. Estima-se que pelo menos US$ 4,6 bilhões tenham sido gastos na realização do evento e não há garantia que muitas das estruturas construídas sejam utilizadas novamente.
Um levantamento realizado pelo Bored Panda mostra imagens de alguns lugares que foram abandonados após a realização das Olimpíadas.

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12.730 – História – Sexo, sangue, bebedeira e doping: a vida louca das Olimpíadas da Antiguidade


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O esporte não era a única atração das Olimpíadas da Antiguidade. Ele fazia parte de um festival religioso que, além de rituais, incluía muita arte, com exibições de pintores, escritores e escultures. Mas não só. Prostitutas, engolidores de fogo, videntes e outras atrações mantinham o público entretido.
A vida louca dos Jogos era uma mistura de sexo, violência, sacrifícios animais e zero higiene. Um “Woodstock da Antiguidade”, na definição de Tony Perrottet, autor de The Naked Olympics: The True Story of the Ancient Games.
As Olimpíadas da Antiguidade duraram de 776 a.C. a 394, uma impressionante longevidade para um evento realizado a cada quatro anos (os Jogos modernos têm só 120 anos e a humanidade já furou o calendário três vezes, durante as guerras mundiais). O que era um megafestival pagão acabou justamente por isso mesmo, proibido em um mundo que se cristianizava. Nesses mais de mil anos de história, Olímpia se revestia de tradição e santidade – mas de um jeito diferente do que imaginamos.
Para começar, a imagem de nobres esportistas, cavalheiros asseados e competidores honrados lutando para superar os próprios limites foi difundida só no século 19 e não é lá muito verdadeira. Até mesmo a trégua olímpica, a fim de repelir e evitar conflitos bélicos, é relativa. Os gregos não queriam a paz universal, apenas uma paz pontual e temporária, que não atrapalhasse a logística dos Jogos nem a migração de atletas e espectadores. Ou seja, quer pilhar uma vilazinha, saquear uma cidade ou massacrar uma tribo? Tudo bem, mas desde que seja longe de Olímpia – o que não era tão difícil, porque a cidade ficava no meio do nada para os padrões da época. E chegar lá era um perrengue só.
Pausa para uma suposição anacrônica. Se você tivesse garantido um ingresso para assistir à cerimônia de abertura e desembarcasse em Atenas, teria que ir andando os 340 km que separam as cidades. Ao chegar lá, teria que se virar e dormir em qualquer buraco. Claro, isso se você não fosse rico, caso contrário poderia armar uma tenda para os seus servos trabalharem razoavelmente protegidos do calor de rachar. No auge do verão, os dois rios de Olímpia secavam, ninguém conseguia tomar banho direito, quase não havia água potável e, por isso mesmo, muita gente acaba colapsando de calor (ainda mais porque no estádio não havia assentos).
Mesmo assim, um público de estimadas 40 mil pessoas comparecia ao evento e ficava em êxtase em um local sagrado, para ver de perto atletas que se tornariam famosos por gerações. Lá está Platão vendo uma luta! Olhe, Sófocles torcendo em um jogo de bola! Os grandes pensadores e autores eram celebridades garantidas nessas arquibancadas sem camarote. Tudo sem precisar pagar para entrar, já que os organizadores eram aristocratas que participavam pelo orgulho de fazer parte do maior acontecimento da Grécia antiga, e não, necessariamente, para fazer dinheiro. Não que eles precisassem lidar com uma organização monumental. Basicamente, bastava pastorear ovelhas e vacas e tirá-las das pistas e dos templos. A estrutura estava toda montada, não era preciso construir novas vilas olímpicas, estádios e outras espécies de elefantes brancos.
Um balde de água fria na corrupção? Nem tanto assim. No século 4 a.C., o lutador Eupolus foi flagrado subornando adversários. Episódios do tipo eram mais ou menos frequentes. Isso sem contar a incrível façanha de Nero. Quando Roma conquistou a Grécia, o imperador decidiu competir na corrida de bigas e venceu – mesmo caindo do veículo!
A cada cerimônia de abertura, os jogos ganhavam o banho de honra divina que servia de repelente à corrupção e revigorante de tradição, relegando os casos sujos a segundo plano. Tudo graças à imagem impactante dos atletas preenchendo o templo para, em frente à monumental estátua que Fídias concebeu em honra a Zeus (e que se tornaria uma das Sete Maravilhas da Antiguidade), fazer juras sobre pedaços sangrentos de carne de javali em prol do espírito esportivo e das regras do jogo. Isso era necessário. Os juízes se preocupavam com atletas que usavam substâncias que aprimoravam a performance, como cogumelos secos, misturas de ervas exóticas, testículos e coração de animais e coquetéis à base de ópio. Mais popular que o doping, só as pragas que se jogavam sobre oponentes. A magia negra tinha muito espaço no espírito olímpico.
Mais popular que ambos, só a insanidade do lado de fora dos estádios. Os gregos já tinham o conceito de bar de esportes e, apesar de não serem lá muito beberrões, eles tiravam o atraso nessa época. Além disso, tinha o sexo. Prostitutas de vários cantos do Mediterrâneo chegavam à cidade para levantar em cinco dias mais dinheiro do que no resto do ano. As Olimpíadas eram uma farra concentrada de bebedeira pesada, pouco sono e orgias alcoolizadas promovidas por estudantes. Sob esse ponto de vista, elas chegaram ao Brasil bem antes dos Jogos do Rio. Afinal, já estavam presentes nas competições universitárias nacionais, cuja tradição é muito mais forte em destruir neurônios do que em construir atletas de ponta.
Da mesma forma que em muitos momentos do século passado, as Olimpíadas daqueles tempos também viraram um caldeirão político – tão descontrolado quanto os torcedores bêbados caindo pelas tabelas. Em 364 a.C., o “COI” tradicional, de raiz, a turma que sempre realizava os Jogos, partiu para a agressividade com o novo “COI”, que organizara a edição de então. No meio de uma competição de luta, eles invadiram o santuário, com direito a arqueiros no alto dos templos. Para o público, foi espetáculo em dobro. Todo mundo parou de ver os lutadores para acompanhar a briga campal dos aristocratas, torcendo e vaiando como se fosse um esporte para valer. Em um tempo em que o pancrácio – luta em que ossos quebrados era comum e que só bania em caso de apertar os olhos – era um esporte olímpico, assistir a uma batalha na arquibancada podia ser bem interessante.
As Olimpíadas voltaram a ser uma realidade quadrienal em 1896. Em 1932, em Los Angeles, ganharam a cara de drama moderno que lhe dariam um absurdo espaço na TV e na internet nas décadas seguintes. Segundo o autor especializado em história do esporte David Goldblatt no seu recente livro, The Games: A Global History of The Olympics, o espírito de Hollywood deu aos Jogos boa parte da cara que eles têm hoje: o pódio de três lugares, a pira olímpica e os hinos nacionais.
Quatro anos depois, nas Olimpíadas que seriam de Hitler, mas foram de Jesse Owens, os nazistas criaram outra tradição, a viagem da tocha olímpica. Mesmo que aos trancos e barrancos, com condutores que escorregam, caem ou são atropelados ao longo do percurso, ela parte de onde tudo começou, Olímpia, e termina na cidade-sede.

12.724 – Rio 2016 – Conheça as inovações tecnológicas que veremos nesta Olimpíada


Talento, técnica e esforço são fundamentais para um atleta olímpico, mas a tecnologia pode fazer a diferença de milésimos de segundo na subida ao pódio.
Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, será possível conferir também o que há de mais inovador em equipamentos esportivos, desde que se adequados às regras da competição.
Confira aqui exemplos de acessórios que poderão fazer a diferença na busca pelo ouro.

Touca para esfriar a cabeça
O americano e campeão olímpico Ashton Eaton vai chamar a atenção no Rio 2016 com sua touca criada para “esfriar a cabeça”. A peça tem várias camadas interiores com água fria e cobre a cabeça e a testa, resfriando também a garganta.
Eaton vai participar do Decatlo, uma competição composta por 10 provas – 100 metros rasos; salto em distância, arremesso de peso, salto em altura,400 metros rasos (1º dia); 110 metros com barreiras, lançamento de disco, salto com vara, lançamento de dardo, 1500 metros (2º dia).

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Tênis com pregos
Os tênis de atletas como Allyson Felix e Shelly-Ann Fraser terão “pregos” estrategicamente posicionados ao longo da sola do pé para impulsionar o corpo do atleta. Os “pregos” desenhados pela Nike são coloridos e poderão ser vistos pelo público.

Maiô de carbono
Criados em 2012, os maiôs PowerSkin Carbon-Pro, com fibra de carbono, foram atualizados para os Jogos Olímpicos do Rio. Agora, veremos os maiôs PowerSkin Carbon-Ultra. O tecido ajuda a conectar certos grupos musculares dos atletas e isola outras partes do corpo.

Faixas estimulam músculos
Aquelas faixas usadas frequentemente para tratamentos musculares foram adaptadas com pequenas protuberâncias pontiagudas e serão fixadas em determinadas partes do corpo dos atletas para ajudar na eficiência do músculo. A forma da faixa muda de acordo com a modalidade esportiva.

Da neve direto para as praias do Rio
A mesma tecnologia dos óculos de esqui e neve será usada pelos jogadores de voleibol ou ciclistas no Rio. A Oakley projetou uma lente que evita o brilho excessivo, ajusta as cores e filtra os raios para o melhor conforto dos olhos. Dessa forma, o maior contraste faz com que alguns objetos pareçam mais nítidos.

Toucas personalizadas
A Speedo criou toucas personalizadas para os atletas a partir de moldes de impressoras 3D. Dessa forma, os nadadores terão uma touca de silicone que se encaixar perfeitamente na cabeça. Quanto mais perfeito o encaixe da touca, menor a probabilidade de entrar água.

12.722 – Nazismo – Vila olímpica construída por Hitler existe até hoje em Berlim


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A vila olímpica nazista, que hospedou 4 mil atletas, foi uma das mais luxuosas. Durante a Segunda Guerra, ela serviu de quartel para os soldados alemães, foi invadida pelos soviéticos e, 75 anos depois da olimpíada, parece cenário de filme de terror.
Quem daria uma Olimpíada nas mãos de Hitler? Provavelmente, ninguém – se não fosse por um erro: em 1931, pouco antes de o nazismo ganhar força na Alemanha, o Comitê Olímpico Internacional decidiu que Berlim seria a anfitriã dos jogos de 1936. Quando o nazismo começou a se revelar um pouco mais, em 1933, já era tarde para voltar atrás na decisão: mesmo com ameaças de boicote e com protestos de vários países – como o Reino Unido, a França e a Suécia -, o evento aconteceu. No estádio, durante os jogos, a bandeira com o símbolo olímpico era colocada junto da suástica.
Adolf Hitler viu a olimpíada de 1936 como uma oportunidade de mostrar ao mundo os ideais nazistas. Tudo precisava ser grandioso: os estádios, os atletas e, claro, a vila olímpica. Construída em Wustermark, na região metropolitana de Berlim, o alojamento foi projetado com luxo para os jogos, mas acabou sendo usado como uma vila militar durante a Segunda Guerra Mundial, invadido pela União Soviética e, hoje, continua de pé – só que abandonado.

12.686 – Mega Sampa – São Paulo recebe desfile da tocha olímpica neste domingo


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A tocha olímpica desfila neste domingo (24) pelas ruas da cidade de São Paulo. Serão 56km de trajeto percorridos por 260 condutores, entre às 7h45 e 19h. O desfile começa no Museu do Ipiranga e termina no Sambódromo do Anhembi.
No sábado (23), Guarulhos e o ABC Paulista receberam a tocha. Foram 39,7 km de trajeto com a tocha passando por 193 condutores. O desfile começou em Guarulhos e terminou em São Bernardo do Campo. Na quinta-feira (21), a tocha passou por Osasco, na Grande São Paulo.
– Museu do Ipiranga, às 7h45
– Rua Bom Pastor
– Av. Dom Pedro I
– Av. Arno
– Av. Presidente Costa Pereira
– Rua Sarapuí
– Rua Canuto Saraiva
– Rua Visconde de Inhomerim
– Av. Paes de Barros
– Rua da Mooca
– Rua João Antônio de Oliveira
– Rua Almirante Brasil
– Avenida Alcântara Machado
– Avenida Venceslau Brás
– Praça da Sé, às 9h10
– Rua Boa vista
– Largo São Bento
– Rua Líbero Badaró
– Viaduto do Chá
– Praça Ramos de Azevedo
– Rua Conselheiro Crispiniano
– Av. São João
– Av. Ipiranga
– Rua da Consolação, às 9h46
– Av. Paulista, às 10h06
– Av. Bernardino de Campos
– Rua Vergueiro
– Rua Dona Júlia
– Av. Prof. Noé Azevedo
– Av. Domingos de Moraes
– Rua Sena Madureira
– Rua Paulo Francis
– Av. Ibirapuera
– Av. República do Libano
– Rua Manoel da Nobrega
– Av. Pedro Alvares Cabral, às 12h11
– Parque do Ibirapuera
– Viaduto General Marcondes Salgado
– Rua Colombi
– Av. Brasil
– Av. Rebouças
– Praça Charles Muller, às 14h47
– Rua da Cantareira
– Av. Senador Queiroz
– Av. Ipiranga
– Av. Rio Branco
– Praça Princesa Isabel
– Praça Julio Prestes
– Rua Mauá
– Praça da Luz, às 15h42
– Rua Ribeiro de Lima
– Av. Almirante Pereira Guimarães
– Rua Pasto de Almeida
– Rua Olavo Freire
– Praça Charles Miler, às 16h26
– Praça Ana Maria Popovic
– Praça Ricardo Ramos
– Av. Pacaembu
– Ponte da Casa Verde
– Praça Heróis da FEB, às 18h22
– Sambódromo do Anhembi, às 19h

12.680 – Olimpíada – Os Jogos Paraolímpicos


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As primeiras disputas entre pessoas com deficiência de que se tem notícias datam de 1888. Elas aconteceram em Berlim, na Alemanha, onde clubes estimulavam a participação de surdos nos esportes. Mais tarde, lá pelos anos 1920, nos Estados Unidos, tiveram início atividades como natação e atletismo para atletas com deficiência visual. Mas foi somente depois da Segunda Guerra Mundial (1939‒1945) que as competições ganharam força.
O embrião foi formado a partir de 1944, na Inglaterra. Como os métodos tradicionais de reabilitação não poderiam atender às necessidades de um grande número de soldados com deficiência, o governo britânico pediu ao neurologista e neurocirurgião Ludwig Guttmann que criasse um centro especializado em lesões na coluna, no Hospital Stoke Mandeville. Além de usar a fisioterapia no tratamento, o médico recorreu ao esporte para motivar seus pacientes, começando por arremessos de bola para exercitar os membros superiores. A iniciativa gerou aumento de resistência física e de autoestima. E foi ali que a reabilitação por meio do esporte evoluiu de recreacional para competitiva.

1948: lançados os Jogos de Stoke Mandeville. Enquanto acontecia a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 29 de julho de 1948, Guttmann comandava a primeira competição de pessoas com deficiência. Dezesseis militares inscritos, entre homens e mulheres com algum tipo de lesão, participaram de um torneio de tiro com arco.

1952: a Holanda entra em cena. Militares holandeses foram convidados a participar dos Jogos de Stoke Mandeville, abrindo espaço para a primeira competição internacional para pessoas com deficiência. À medida que o esporte adaptado crescia, surgiam inovações para melhorar a vida dos atletas. A Guerra Fria e a corrida espacial alavancam o desenvolvimento do plástico e seus compostos: espumas de plástico e fibras de vidro começaram a ganhar espaço em hospitais, centros de terapia e na confecção de próteses.

1958: o Brasil dá os primeiros passos no esporte adaptado. Após sofrerem lesão medular em razão de acidentes, dois brasileiros procuraram serviços de reabilitação nos Estados Unidos que incluíam a prática esportiva. Na volta, Sérgio Serafim Del Grande, de São Paulo, e Robson Sampaio de Almeida, do Rio de Janeiro, fundaram associações onde inicialmente era praticado o basquete em cadeira de rodas. São eles os precursores do esporte adaptado ‒ ou seja, a prática de uma atividade esportiva adaptada para pessoas com deficiência ‒ por aqui.

1960: enfim, Jogos Paralímpicos. Oficialmente com esse nome, eles aconteceram em Roma, na Itália, com 400 inscritos de 23 países, imediatamente após os Jogos Olímpicos.

1964: surge a Organização Internacional Esportiva para Deficientes (ISOD, na sigla em inglês). A entidade passou a oferecer oportunidades para todo tipo de atleta com deficiência ‒ com problemas de visão, amputados, com paralisia cerebral e paraplégicos.

1972: Brasil estreia em Jogos Paralímpicos. Aconteceu em Heidelberg, na Alemanha, com um grupo de 20 atletas homens, que terminou sem medalhas. Outras 41 delegações marcaram presença no evento. Nos anos 1970, teve início também a era da popularização do plástico – material leve e flexível – no desenvolvimento de próteses mais confortáveis e próprias para a prática esportiva.

1976: a primeira medalha brasileira, nos Jogos de Toronto, no Canadá. A dupla Luiz Carlos Costa e Robson Sampaio Almeida estreou no pódio, com uma medalha de bronze, em uma prova de lawn bowls (espécie de bocha sobre grama). A partir dessa edição, cegos e amputados também entraram nas disputas.

1980: a vez de atletas com paralisia cerebral. Eles começaram nos jogos da cidade de Arhnem, na Holanda. Participaram 125 portadores de paralisia cerebral, 341 com deficiência visual, 452 amputados e 1.055 cadeirantes.

1984: 22 medalhas para o Brasil. Na edição que teve duas cidades sediando os jogos ‒ Nova York, nos Estados Unidos, e Stoke Mandeville, na Inglaterra ‒, o Brasil garantiu mais de duas dezenas de medalhas e terminou na 24a colocação no quadro geral de medalhas, com 7 ouros, 17 pratas e 4 bronzes.

1988: os Jogos Paralímpicos passam a acontecer na mesma cidade que os Olímpicos. Depois de várias edições com sedes diferentes, Seul, na Coreia, recebeu os dois eventos. E assim foi daí por diante.

1989: fundado o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês). A entidade, sem fins lucrativos, nasceu em Dusseldorf, na Alemanha, com o objetivo de atuar como órgão dirigente do movimento paralímpico global.

1992: Barcelona, um primor de organização. Grande parte da cidade-sede foi adaptada para receber confortavelmente 3 mil atletas, independentemente do tipo de deficiência. Três atletas brasileiros tiveram performances memoráveis: Luiz Cláudio Pereira, no arremesso de peso, Suely Guimarães, no lançamento de disco, e a velocista Ádria Santos, que ganhou seu primeiro ouro ao vencer a prova dos 100 metros.

1995: fundado o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A entidade foi criada tendo como principal função consolidar o movimento paralímpico no Brasil, difundindo o esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência.

1996: a prótese Flex-Foot Cheetah é usada pela primeira vez na Paralimpíada de Atlanta, nos Estados Unidos. De fibra de carbono ‒ material flexível e de alta absorção de energia ‒ e inspirado na pata do guepardo, o modelo passa a ser a sensação nas pistas de atletismo.

2000: quebrados 300 recordes mundiais e paralímpicos. O palco dessas conquistas foi Sydney, na Austrália. Nessa edição, o Brasil conseguiu sua melhor colocação em Jogos Paralímpicos até então, com 6 medalhas de ouro, 10 de prata e 6 de bronze, ficando em 24o lugar no ranking final. Começava a trajetória de conquistas de uma nação paralímpica.

2008: brasileiro leva 9 medalhas na natação em Pequim. Daniel Dias conquistou 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 1 de bronze.Outro grande destaque foi a velocista Terezinha Guilhermina, que garantiu o ouro nos 200 metros e a prata nos 100 metros rasos. No futebol de 5, o Brasil sagrou-se bicampeão paralímpico. Com 47 medalhas no total, pulamos para a 9a colocação no ranking mundial.

2012: novas conquistas em Londres. Cumprindo a meta estabelecida pelo CPB, sob a gestão do presidente Andrew Parsons, o Brasil saltou do 9o lugar no quadro geral de medalhas em Pequim para o 7o, com 21 ouros. Essa edição ‒ que recebeu 4.200 atletas de 166 países ‒ foi marcada pela épica vitória do velocista Alan Fonteles sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200 metros da classe T44. Nas competições e no dia a dia dos atletas, as próteses passaram a se mostrar ainda mais eficientes e personalizadas ‒ graças à utilização do plástico em sua composição, garantindo leveza, design e beleza. As próteses são um exemplo de como o plástico pode contribuir para soluções que permitem maior acessibilidade e qualidade de vida.

2016: a hora do Rio. Os Jogos Paralímpicos são o maior evento de esporte de alto rendimento para atletas com deficiência. Apesar disso, são enfatizadas mais as conquistas do que as deficiências dos participantes. A cerimônia de abertura no Rio está marcada para 7 de setembro e a cidade quer entrar para a história recebendo 4.350 atletas paralímpicos, de cerca de 170 países, que vão disputar 22 modalidades.



 

 

12.383 – Esporte – O calcanhar-de-aquiles dos super-homens


Se você pudesse usar todos os seus cerca do 650 músculos ao mesmo tempo, ergueria sem sacrifício 25 toneladas.
Já o halterofilista russo Andrei Chernerkyn, medalha de ouro em Atlanta. sofreu para levantar 457,5 quilos.
Isso quer dizer que ainda há muito chão pela frente? Não. A diferença de mais de cinqüenta vezes não está no potencial da musculatura, mas sim na sua capacidade de fabricar e armazenar combustível para movê-los. A situação ê particularmente decisiva nas corridas.
Acompanhe. Todo movimento depende de uma molécula chamada adenosina-trifosfato (ATP). A sua quebra libera energia para as contrações musculares. Aqui começa o primeiro limite do corpo: o estoque de ATP é pequeno, mesmo para quem treina muito.
Os atletas que disputaram a final dos 100 metros rasos em Sídnei liquidaram o seu em cerca de 8 segundos, quase 2 antes do final da prova. A partir dai, começaram a desacelerar. Tanque vazio. Nem adianta forçar.
Quanto mais se exige do músculo além do que ele pode, mais fibras ele usa para o mesmo esforço.
Isso aumenta a chance de lesão. Medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta nos 100 metros rasos, o brasileiro André Domingues teve uma lesão na coxa no campeonato mundial de 1994, ao lado do recordista mundial. o jamaicano naturalizado canadense Donovan Bailey. “Fiz uma arrancada tão forte que cheguei a estar vários metros à frente dele”, “Mas levei seis meses para voltar às pistas.”
Falta de fôlego
Provas longas exigem muito oxigênio. É na presença dele que a glicose é queimada para produzir energia. O treinamento consegue aumentar um pouquinho a capacidade de aproveitamento do oxigênio pelos músculos, mas não indefinidamente. Segundo limite. determinado pela medida fisiológica chamada V02 max: o volume máximo de oxigênio consumido pelo organismo a cada minuto.
Ele é proporcional ao peso do coqx) e depende da capacidade de bombeamento do coração e de um bom sistema de irrigação sanguínea. “Uma revisão da literatura médica dos últimos vinte anos mostra que os valores de V02 máximo se estabilizaram”, explicou o médico Turibio Leite, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O limite, tudo indica, já foi atingido.” Se há esforço extra, o corpo o bloqueia com dor. Se o atleta teimar, o músculo pode se romper. Não há como vencer o embate. André Domingues que o diga.

Coração
Nos superatletas. a musculatura do ventrículo esquerdo pode aumentar em até 75%. Com isso. ele chega a bombear 45 litros de sangue por minuto, mais que o dobro do que a população em geral, que trabalha com cerca de 20 litros. Mas. como a dilatação das artérias só vai até certo ponto, o (fluxo sanguíneo não poderia aumentar mais sem que isso elevasse perigosamente a pressão arterial.
Energia
Para fabricar energia, o organismo precisa quebrar moléculas de glicose no musculo No começo do esforço, isso é feilo com a ajuda do oxigénio. Quando a capacidade máxima de aproveitamenio desse gás é alcançada, o corpo dá um jeito de continuar fazendo o serviço sem ele, mas isso tem conseqüências ruins.
Com oxigénio A quebra é eficiente. Consegue transformar a glicose em energia sem deixar nenhum lixo.
Sem oxigénio A energia obtida e pouca. As moléculas de glicose não são detonadas por inteiro e o processo deixa resíduos: o lactato, que provoca dor. e protons de hidrogénio, que causam danos às células
Ossos
A resistência máxima dos ossos já foi alcançada no salto triplo, no segundo dos três pulos Nele. o impacto chega a vinte vezes o peso corporal do atleta. Nas corridas, o impacto sobre a estrutura óssea é muito menor de duas a três vezes o peso do corpo. Ainda assim, é limitante. Setenta por cento dos corredores sofrem lesões devido à repetição constante dos movimentos.

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11.369 – Mega Memória – Soviéticos anunciam boicote aos Jogos Olímpicos de 1984, nos EUA em 08-05-1984


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Alegando que seus atletas não estariam protegidos de protestos e possíveis ataques, a União Soviética anunciou no dia 8 de maio de 1984 que não competiria nos Jogos Olímpicos, em Los Angeles, que seriam realizados no mesmo ano. Mesmo com esta declaração, ficava claro que a recusa em participar foi uma resposta à decisão dos EUA de boicotar os Jogos de 1980 que aconteceram em Moscou.
Apenas alguns meses antes dos Jogos de 1984 começarem, em Los Angeles, o governo soviético divulgou um comunicado que afirmava: “É sabido que, desde os primeiros dias de preparação da atual Olímpiada, o poder norte-americano tem definido o uso dos Jogos para seus fins políticos. Sentimentos chauvinistas e histeria antissoviética estão sendo instigados neste país”. Autoridades russas alegaram que os protestos contra os atletas soviéticos estavam propensos a acontecer em Los Angeles e que eles tinham dúvidas se os oficiais americanos iriam controlar irrupções. Os assessores do presidente Ronald Reagan responderam a essas acusações declarando que o boicote soviético foi uma evidente decisão política para a qual não havia real justificativa.
Nos dias que seguiram o comunicado soviético, outras 13 nações comunistas emitiram comunicados similares e se recusaram a participar da competição. Os soviéticos, que tinham ficado incomodados com a recusa dos EUA de participar dos Jogos de 1980, em Moscou, por causa da intervenção no Afeganistão, em 1979, estavam dando o troco ao boicotarem as Olimpíadas de 1984 na América. O impacto nos Jogos foi imenso. Sem concorrência da União Soviética, Alemanha Oriental e outras nações comunistas, os EUA arrebataram um recorde olímpico de 83 medalhas de ouro.

11.184 – Acidente Aéreo Mata Três atletas olímpicos franceses


O acidente, que envolveu integrantes de um reality show, provocou comoção na França.
A mais premiada deles é a nadadora Camille Muffat, 25, ganhadora da medalha de ouro nos 400 metros livre nas Olimpíadas de Londres-2012. Nos mesmos jogos, ganhou a prata nos 200 metros livre.
O outro atleta olímpico morto é o boxeador Alexis Vastine, 28, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 na categoria superligeiros. Quatro anos depois, foi eliminado nas quartas-de-final da mesma competição em Londres.
Também está entre os mortos a iatista Florence Arthaud, 57. Conhecida como “a pequena noiva do Atlântico”, por ter sido a primeira mulher a bater, em 1990, o recorde da travessia do Atlântico Norte à vela em 9 dias, 21 horas e 42 minutos.
Os três participavam da segunda temporada do programa “Dropped”, do canal francês TF1.
O objetivo é que eles encontrassem o mais rápido possível uma tomada, considerada pela produção do programa como símbolo da civilização. Além deles, morreram os dois pilotos argentinos e cinco membros da produção.
Segundo as autoridades argentinas, os helicópteros estavam voando em céu limpo quando subitamente chocaram no ar, a uma altura de cem metros do chão, por volta das 20h locais (mesmo horário em Brasília). Em seguida, os aparelhos pegaram fogo.
Os outros competidores do reality show estavam em solo, a centenas de metros do caminho dos helicópteros. A filmagem foi suspensa e os demais participantes voltarão nesta terça para a França.
A Aeronáutica argentina enviou técnicos à região de Villa Casteli (a 1.331 km de Buenos Aires) para investigar o acidente. Os corpos ainda não foram retirados porque os militares ainda precisam fazer a perícia no local do acidente.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) se disse comovido com a notícia e decretou três dias de luto na sede do organismo, em Lausanne, na Suíça. Durante este período, as bandeiras olímpicas serão hasteadas a meio mastro.
Esta é a segunda vez que mortes ocorrem em reality shows do canal. Em 2013, um competidor do programa de resistência “Koh-Lanta” morreu em uma das provas após reclamar de dores no coração. Diante da morte, o médico responsável pelos cuidados dos participantes se suicidou.

10.914 – Esporte – Usain Bolt X Jesse Owens


Em 1936, Jesse Owens surpreendeu o mundo e obteve quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim. Naquele tempo, foi visto um fenômeno difícil de ser igualado. Oitenta e dois anos depois, porém, um outro velocista provocou um tipo de espanto parecido: Usain Bolt bateu seus concorrentes com uma facilidade assombrosa. As conquistas unem Owens e Bolt, mas todo o resto – do perfil físico aos recursos de treinamento – separa os dois.

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Usain “Lightning” Bolt

• Ouro nos 100 metros rasos, 200 metros rasos, revezamento 4×100 metros e recordista mundial nas três provas na Olimpíada de Pequim-2008
• Trelawny, Jamaica, 21 de agosto de 1986

• 1,96 metro de altura e 86 quilos

Com apenas 22 anos de idade, Usain Bolt tornou-se medalhista de ouro e recordista mundial nas provas dos 100 e 200 metros rasos e 4×100 metros em Pequim-2008. Na prova dos 100 metros, Bolt deixou o mundo de boca aberta ao quebrar o recorde “sem esforço” – no fim, até desacelerou. Quatro dias depois, Bolt voltou pista para quebrar o recorde dos 200 metros, que já durava 12 anos. Desta vez, porém, o jamaicano teve de fazer seu melhor.
Aos 15 anos, o jamaicano faturou um ouro e duas pratas no Mundial de Atletismo Júnior, em Kingstown, na Jamaica. Em 2003, foi a vez do Canadá ver a performance do jovem, que faturou um ouro no mundial de Sherbrooke, nos 200 metros. Ainda como júnior, Bolt venceu os 200 metros em 2004 (nas Bermudas) e 2005 (nas Bahamas). Já como profissional, ficou em segundo lugar no mundial de Osaka, nas provas dos 200 metros e revezamento 4×100, antes de conquistar os ouros na Olimp ada de Pequim. Sua marca nos 100 metros: 9,69 segundos.
Apesar de preferir as festas, o atleta treina horas a fio todos os dias na Jamaica. Tem ao seu lado muitos profissionais especializados, como nutricionista, fisiologista, massagista, treinador de 100 metros e 200 metros e psicólogo. Além do trabalho na pista, também faz musculação para preparar melhor o corpo para as provas de alta velocidade.
Com um porte físico parecido com o de um jogador de basquete – 1,96 metro e 86 quilos-, Bolt é um visto como um marco nas provas mais velozes do atletismo. Antes, imaginava-se que um atleta tão alto não conseguiria uma aceleração rápida o suficiente para vencer os 100 metros. Carl Lewis, por exemplo, tinha 1,80 metro e 80 quilos quando dominou as provas de velocidade nas décadas de 1980 e 1990.

Jesse
Jesse

James Cleveland “Jesse” Owens
• Ouro nos 100 metros rasos, 200 metros rasos, salto em distância e revezamento 4×100 metros na Olimpíada de Berlim-1936
• Alabama, EUA, 12/set/1913-31/mar/1980
• 1,77 metro de altura e 75 quilos
O atleta venceu os 100 e 200 metros rasos, revezamento 4×100 metros rasos e salto em distância, na Olimpíada de Berlim, em 1936. Quando Owens ganhou a prova dos 200 metros, o líder nazista Adolf Hitler, que pretendia usar os Jogos para demonstrar sua teoria de superiordade da raça ariana, se retirou do estádio para não cumprimentá -lo. Jesse Owens foi aclamado por milhares de torcedores de diversos países naquele dia.
Jesse Owens começou sua carreira na equipe de uma escola de Cleveland. Foi campeão nacional de um torneio interescolar nos Estados Unidos e igualou o recorde americano das 100 jardas, com 9,4 segundos. Ao entrar na universidade de Ohio, passou a sofrer com a discriminação racial. Podia participar apenas dos eventos do “campus dos negros”. Competindo apenas com atletas de sua etnia, baixou outros recordes, forçando o comitê olímpico a levá-lo para os Jogos de Berlim. Sua melhor marca nos 100 metros: 10,20 segundos.
Owens cresceu em Oakville, no Alabama, com seus pais Henry e Emma Owens, e mais nove irmãos. As dificuldades financeiras fizeram com que a família do atleta fosse para Cleveland, em Ohio. O atleta teve que trabalhar desde criança para ajudar sua família – isso até o dia em que obteve ajuda financeira da escola em troca de medalhas conquistadas em torneios de atletismo.
Com 1,77 metro de altura e 75 quilos, Jesse Owens tinha 19 centímetros e 11 quilos a menos que Bolt quando disputou os Jogos de Berlim e conquistou quatro medalhas de ouro. Era rápido por ser muito leve, mas o “baixinho” dificilmente estaria numa final olímpica com os gigantes do atletismo atual.

10.212 – Poluição Ambiental – Atletas olímpicos, não caiam nas águas do Rio, alerta NYT


Poluição na Baía da Guanabara
Poluição na Baía da Guanabara

Os velejadores que competirão nas Olimpíadas de 2016 e os órgãos brasileiros envolvidos na preparação do evento têm pela frente um desafio comum: enfrentar a poluição da Baía de Guanabara, afirma matéria publicada pelo jornal The New York Times.
Especialistas ouvidos pela reportagem compararam a qualidade das águas da região à de uma latrina, tamanha a quantidade de lixo e sujeira encontrados, como ilustra uma sequência de fotos impressionantes que acompanham a reportagem. Quase autoexplicativo, o título sugere: “Velejadores, não caiam nas águas do Rio”.
A matéria ressalta o contraste entre a imagem que o país busca passar e os graves problemas que enfrenta na realidade. “A Baía de Guanabara, aninhada entre o Pão de Açúcar e outros picos, oferece o tipo de imagem que as autoridades do Rio de Janeiro querem comemorar como anfitriões dos Jogos. Mas tornou-se um ponto focal de reclamações por suas águas poluídas, que se transformaram em símbolo de frustrações nos preparativos para os Jogos Olímpicos”, diz um trecho.
“Bem-vindo ao depósito de lixo que é o Rio”, disse ao jornal a equipe de vela da Alemanha. Atletas brasileiros não parecem discordar. “Ela [a Baia] pode ficar realmente nojenta, com carcaças de cães em alguns lugares e água marrom de contaminação por esgotos”, contou o carioca Thomas Low-Beer, 24, que treina na baía.
Segundo a reportagem, o velejador Lars Grael, lenda da vela brasileira, teria sugerido que os eventos espostivos mudassem para outro lugar. Na época da candidatura para as olimpíadas, há cinco anos, a promessa brasileira era de que a Bahia de Guanabara seria 100% despoluída até 2016.
Agora, já se fala do objetivo de tratar pelo menos 80%, mas menos de 40% é atualmente tratado, pondera o jornal. Em entrevista ao jornal, Carlos Portinho, principal autoridade ambiental do Rio de Janeiro, disse que as críticas da Baía de Guanabara são exageradas.
Ele afirma que testes recentes mostraram que a contaminação fecal na área que receberá a regata estava dentro dos padrões considerados “satisfatórios” no Brasil.

9874 – Esporte – Os Jogos Olímpicos de Inverno


jogos de inverno

Trata-se de evento multiesportivo realizado a cada quatro anos, reunindo modalidades de desportos de inverno disputadas no gelo e na neve, sendo um dos eventos máximos do Movimento Olímpico, ao lado dos Jogos Olímpicos de Verão.
A primeira competição de caráter mundial a reunir desportos de inverno foi a Semana Internacional de Desportos de Inverno, realizada em 1924 na cidade francesa de Chamonix. Apenas dois anos depois o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu dar o estatuto de Jogos Olímpicos àquela competição, que passaria a acontecer regularmente.
No princípio, os Jogos de Verão e de Inverno eram atribuídos a um mesmo país para serem realizados no mesmo ano. Foi assim até a quarta edição, na Alemanha, em 1936 (ano em que Berlim sediou os Jogos de Verão e Garmisch-Partenkirchen sediou os Jogos de Inverno). Depois de duas edições canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial (Sapporo 1940 e Cortina d’Ampezzo 1944), os Jogos passaram a ser realizados por países diferentes, mas continuaram a acontecer no mesmo ano. Em 1986 o COI decidiu intercalar os Jogos de Verão e de Inverno, realizados sempre nos anos pares. Assim, os Jogos de Albertville 1992 foram sucedidos pelos Jogos de Lillehammer 1994.
Os Jogos de Inverno sofreram mudanças significativas desde a sua criação. A ascensão da televisão como um meio global de comunicação melhorou o perfil dos Jogos. Foi também criado um fluxo de renda, através da venda de direitos de transmissão e publicidade, que tornou-se lucrativa para o COI. Isto permitiu que interesses externos, tais como empresas de televisão e patrocinadores influenciassem os Jogos. O COI teve de responder a críticas diversas e escândalos internos, bem como a utilização de substâncias dopantes por atletas. Houve um boicote político das Olimpíadas de Inverno. Nações também têm usado os Jogos de Inverno para mostrar a pretensa superioridade de seus sistemas políticos.
Os Estados Unidos sediaram os Jogos quatro vezes, mais do que qualquer outro país. Em seguida vem a França, com três edições. No total, dez países já receberam os Jogos de Inverno. A última edição ocorreu em Sóchi (Rússia), em fevereiro de 2014, que também foi a primeira cidade subtropical a receber os Jogos Olímpicos de Inverno. A próxima edição está marcada para o condado de Pyeongchang, na Coreia do Sul.
O primeiro evento multi-esportivo internacional para desportos de inverno foram os Jogos Nórdicos realizados na Suécia em 1901. Originalmente organizado pelo general Viktor Gustaf Balck, os Jogos Nórdicos foram realizados novamente em 1903 e 1905 e, em seguida, quadrienalmente, e posteriormente, até 1926. Balck foi membro fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI) e amigo próximo do fundador dos Jogos Olímpicos, Pierre de Coubertin. Ele esforçou-se para que os esportes de inverno, especificamente patinação artística, fossem incluídos no programa olímpico. Balck não teve sucesso, até que os Jogos Olímpicos de Verão de 1908, em Londres, Reino Unido, contaram com quatro provas da patinação artística, em que Ulrich Salchow (dez vezes campeão mundial) e Madge Syers conquistaram os títulos individuais.

Três anos mais tarde, o italiano Eugenio Brunetta d’Usseaux propôs que o COI organizasse uma semana com desportos de inverno, como parte dos Jogos Olímpicos de Verão de 1912, em Estocolmo, Suécia. Os organizadores se opuseram a esta ideia, porque eles desejavam proteger a integridade dos Jogos Nórdicos, e estavam preocupados com a falta de instalações para desportos de inverno.
A primeira Olimpíada após a guerra, os Jogos de 1920, em Antuérpia, na Bélgica, exibiram a patinação artística e o hóquei no gelo.
A cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 foi determinada na 123ª Sessão do COI em 6 de julho de 2011.
Segundo o COI, a cidade anfitriã é responsável pelo, “estabelecimento de funções e serviços para todos os aspectos dos Jogos, tais como planejamentode esportes, espaços, finanças, tecnologia, alojamento e alimentação, mídia, e serviços, bem como operações durante os Jogos.
Em 1967 o COI começou a adotar protocolos de testes de drogas. Eles começaram a testar aleatoriamente os atletas na Olimpíada de Inverno de 1968. O primeiro atleta dos Jogos de Inverno a testar positivo para uma substância proibida foi Alois Schloder, um jogador de hóquei da Alemanha Ocidental que tinha efedrina em seu organismo. Ele foi desclassificado do resto do torneio, mas sua equipe ainda foi autorizada a competir.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2006 em Turim tornaram-se notáveis por um escândalo envolvendo a emergente tendência de doping sanguíneo, que se trata do uso de transfusões de sangue ou de hormônios sintéticos, tais como eritropoietina (EPO) para melhorar o fluxo de oxigênio, a fim de reduzir a fadiga.
Os Jogos Olímpicos de Inverno foram uma frente ideológica da Guerra Fria desde que a União Soviética participou pela primeira vez dos Jogos de Inverno em 1956. Não demorou muito para que os combatentes da Guerra Fria descobrissem nos Jogos uma poderosa ferramenta de divulgação. Políticos soviéticos e americanos usaram os Jogos Olímpicos e outros eventos esportivos internacionais, como uma oportunidade para provar a suposta superioridade de seus respectivos sistemas políticos.
A Guerra Fria criou tensões entre os países aliados com uma ou outra das superpotências. Um dos temas mais espinhosos para o COI foi o reconhecimento das duas Alemanhas. Em 1948, a Alemanha não estava autorizada a participar dos Jogos. Em 1950, o COI reconheceu o Comitê Olímpico da Alemanha Ocidental.Os Jogos de Inverno tiveram apenas um boicote de uma equipe nacional. A República da China, também conhecida como Taiwan, decidiu boicotar as Olimpíadas de Inverno de 1980 em Lake Placid. A razão para o boicote foi que o COI concordou com o pedido da China em competir nos Jogos Olímpicos pela primeira vez desde 1952. Eles foram autorizados a concorrer como “República Popular da China” e usar a bandeira e o hino chinês. Até 1980, a ilha de Taiwan competiu sob o nome de “República da China” e vinha utilizando a bandeira e o hino chinês.
Capítulo 1, do artigo 6 da edição de 2007 da Carta Olímpica define esportes de inverno como “esportes que são praticados na neve ou no gelo.” Ao longo dos anos, o número de esportes e eventos realizados nos Jogos Olímpicos de Inverno aumentou. Houve também esportes de demonstração, que são disputados durante os Jogos, mas para os quais não são concedidas medalhas. Desde 1992, uma série de novos esportes foram adicionados ao programa olímpico. Estes incluem patinação de velocidade em pista curta, snowboard, esqui estilo livre e moguls. A adição desses eventos ampliou o apelo dos Jogos Olímpicos de Inverno para além da Europa e América do Norte. Enquanto potências europeias, como a Noruega, Alemanha e a Rússia continuam a dominar os tradicionais esportes olímpicos de inverno, países como Coreia do Sul, Austrália e Canadá se tornaram potências emergentes nos novos esportes e os Estados Unidos se equilibram entre as duas vertentes.Os resultados são mais paridade no quadro de medalhas, mais interesse nos Jogos Olímpicos de Inverno, e maior audiência da televisão mundial.
Os esportes de demonstração têm historicamente proporcionado aos países-sede uma oportunidade em atrair publicidade a novos e populares esportes locais por se tratar de uma competição sem a concessão de medalhas. Os esportes de demonstração foram interrompidos desde 1992. A patrulha militar, um precursor do biatlo, foi um esporte medalhista em 1924 e mais tarde virou esporte de demonstração em 1928, 1936 e 1948, e em 1960 tornou-se um esporte oficial, como biatlo.

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9230 – Nave espacial com tocha olímpica parte rumo à Estação Espacial Internacional


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A nave Soyuz TMA-11M, com três tripulantes e a tocha olímpica dos Jogos de Inverno de Sochi 2014 a bordo, foi lançada com sucesso da base de Baikonur, no Cazaquistão, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), informou o Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia.
O lançamento, realizado com a ajuda de um foguete Soyuz-FG, aconteceu às 2h14 de Brasília e foi transmitido ao vivo pela televisão russa.
O casco da nave que está a caminho da ISS com o cosmonauta russo Mikhail Tyurin, o astronauta americano Rick Mastracchio e o japonês Koichi Wakata está decorado com o símbolo dos Jogos de Sochi, que acontecem em fevereiro de 2014.
A Soyuz TMA-11M vai se acoplar ao módulo Rassvet da ISS, cuja atual tripulação é integrada pelos russos Fyodor Yurchikhin, Oleg Kotov e Sergei Riazanski, pelos americanos Karen Nyberg e Michael Hopkins, e pelo italiano Luca Parmitano.
Tyurin, Mastracchio e Wakata, que completarão uma missão de 190 dias na ISS, levam até a estação espacial uma tocha olímpica idêntica às utilizadas no revezamento que levará o fogo olímpico a Sochi, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014.
Em um revezamento simbólico, a tocha sairá ao espaço exterior no próximo sábado durante a caminhada de Kotov e Riazanski no casco da ISS.
Durante o período que vai passar no espaço, a tocha olímpica não será acesa por razões de segurança.
A tocha voltará à Terra a bordo da nave Soyuz TMA-9M que trará de volta a Yurchikhin, Karen e Parmitano.

8321 – Qual o recorde olímpico mais antigo ainda vigente?


É o salto em distância masculino cravado em 8,9 m durante a olimpíada do México, em 1968, pelo norte-americano Bob Beamon. O atleta estraçalhou a marca anterior (8,27 m), elevando-a em 63 cm – geralmente, as quebras de recordes diferem em poucos centímetros. O “voo” de Beamon foi tão expressivo que nem pôde ser medido pelos equipamentos ópticos da época. Foi preciso usar uma fita métrica comum! Até agora, ele só foi superado fora dos Jogos Olímpicos: em 1991, o norte-americano Mike Powell saltou 8,95 m. Entre os brasileiros, o recorde olímpico que mais durou foi o do velocista Joaquim Cruz nos 800 m dos Jogos de Los Angeles (1984). Ele fez a prova em 1 minuto e 43 segundos cravados, mas 12 anos depois o norueguês Vebjorn Rodal cumpriu o mesmo percurso dois centésimos mais rápido.

8320 – Como surgiu o juramento olímpico?


Foi nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, na Bélgica, em 1920. Na ocasião, o belga Victor Boin (atleta de polo aquático e esgrima) leu o seguinte texto: “Em nome de todos os competidores, prometo participar destes Jogos Olímpicos respeitando e cumprindo com as normas que o regem, no verdadeiro espírito esportivo, pela glória do esporte em honra às nossas equipes”. O juramento foi criado pelo barão Pierre de Coubertin, educador francês que fundou o Movimento Olímpico. Ele foi o responsável pela reforma do sistema educacional da França e do renascimento da Olimpíada no século 19. Coubertin enxergava nos ideais do esporte uma forma de incen- tivar melhores resultados nas escolas e, por isso, queria resgatar a experiência das Olimpíadas gregas na Idade Moderna. Para pronunciar o juramento olímpico, o atleta deve ser membro da delegação do país anfitrião e, segurando uma das pontas da bandeira olímpica, recitar o texto. A única modificação no texto foi a seguinte menção antidoping, incluída em Sydney, 2000: “…me comprometendo com um esporte sem doping e sem drogas”.