10.595 – Ecobiologia – Sem santuário de baleias no Atlântico Sul


baleia azul

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) rejeitou nesta recentemente o projeto de criar um santuário para baleias no Atlântico Sul — uma proposta defendida por países latino-americano. No encontro, o comitê também aumentou as exigências para a caça por motivos científicos, que o Japão pretende retomar no Oceano Antártico.
A proposta de países favoráveis ao santuário — Argentina, Brasil, Uruguai e África do Sul — obteve dois terços dos votos dos membros da Comissão reunidos em Portoroz (Eslovênia), e não os 75% necessários para sua aprovação. No total, 40 países votaram a favor, 18 contra e dois se abstiveram.
A representante brasileira disse estar decepcionada com o resultado, mas ao mesmo tempo animada para continuar com o trabalho em favor da criação de um santuário no Atlântico Sul porque houve aumento do apoio a esse projeto. Os outros dois santuários para baleias ficam no oceano Austral e no Índico.
Os partidários dos santuários para os grandes cetáceos estimam que eles garantirão uma proteção reforçada se um dia a moratória imposta à caça comercial de baleias se flexibilizar. “Os santuários são refúgios seguros para as baleias em um meio ambiente cada vez mais ameaçado”, disse Rebecca Regnery, da ONG Human Society International.
A CBI também aprovou nesta quinta-feira um texto que endurece os critérios para a caça à baleia por motivos científicos, ante as intenções do Japão de retomar a prática no Oceano Antártico. A resolução, não vinculante, proposta pela Nova Zelândia e debatida durante a 65ª sessão da CIB, recebeu 35 votos a favor, 20 contrários e cinco abstenções.
Os países que caçam o animal (Japão, Islândia, Noruega, Rússia) foram contrários ao texto, assim como países africanos e caribenhos. Os membros da União Europeia, Estados Unidos, Austrália, vários países da América Latina, Gabão e Austrália votaram a favor.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) reconheceu em março que a caça científica de baleias por parte do Japão escondia na verdade uma atividade comercial. O texto votado nesta quinta-feira retoma os principais argumentos da decisão da CIJ sobre a avaliação dos programas científicos de caça dos cetáceos.
O Japão reafirmou na reunião da CBI em Portoroz que não pretende caçar baleias na temporada 2014-2015 no Oceano Antártico, mas que não renuncia à caça em suas águas. Neste sentido, as autoridades japonesas devem apresentar até o fim do ano um novo programa científico para 2015-2016 na Antártica. “É uma decisão importante que, se for respeitada, deveria acabar com a caça ilegal em nome da ciência”, disse Aimée Leslie, da organização ecologista WWF.
De acordo com a CIB, o Japão capturou 417 baleias por motivos científicos em 2013. No total, 1 600 baleias foram caçadas no mundo no mesmo ano.

10.349 – Esporte – Como surgiu o caratê?


-Chuck_Norris-_01

O mais provável é que a luta tenha sido criada na China, com o nome de to-de, e tenha um ancestral comum com o wushu (ou kung fu). Mas foi no Japão do século 15, mais especificamente na ilha de Okinawa, que a arte marcial foi sistematizada. O nome completo, caratê-do, significa “caminho das mãos vazias”. Outros dizem que o caratê é o “zen em movimento”, por causa da influência do zen-budismo em sua concepção. Mais do que derrotar o oponente, o caratê valoriza a busca pelo equilíbrio corporal e espiritual – daí a grande importância do kata, rotina de golpes coreografados que rola à parte das disputas corpo a corpo. No fim do século 19, o estilo se espalhou de Okinawa para o resto do Japão e, dali, com a imigração, alcançou o mundo.
Vários atores de ação se destacam como caratecas. Jean-Claude van Damme luta desde os 11 anos e foi campeão mundial. O imbatível Chuck Norris foi campeão nacional por sete vezes nos EUA.
Em escolas tradicionais, o aluno não vai para a aula sem recitar o kun: uma listinha de cinco preceitos – todos envolvendo autocontrole – criada por Tode Sakugawa no século 18.
Pat Morita, que interpretou o velhinho Miyagi em Karate Kid, nunca praticou caratê. O ator era um comediante que não manjava nada de artes marciais.
Os estilos mais conhecidos de caratê são: Shotokan, Shorin-ryu, Gojuryu, Uechi-ryu e Shito-ryu.
ANKÖ ITOSU
(1831 – 1915) Modernizou a luta, unificando diferentes estilos – ambição de seu mestre Sokon Matsumura (1809-1899). Itosu codificou os golpes e movimentos, redigiu os dez princípios da luta e deu aulas a mestres lendários como Kentsu Yabu (1866-1937), Kenwa Mabuni (1887- 1952) e vários outros, que fundaram escolas existentes até hoje.

9703 – A Mitologia Japonesa


mitologia japonesa

O Mito da Criação
Conta que os deuses haveriam convocado dois seres divinos à existência, um chamado IZANAGI (macho) e outro IZANAMI (fêmea), e haveriam lhes ordenado para que criassem seus primeiros lares. Deram a eles de presente uma lança decorada com jóias, a lança do céu, ou AMENONUHOKO. Assim, estas duas divindades seriam a ponte entre terra e céu. Izanagi e Izanami haveriam agitado o mar com a lança do céu e formado assim uma primeira ilha, a ONOGORO-SHIMA. Haveriam eles descido do céu por uma ponte e morado na ilha, onde tiveram filhos. Estes filhos eram porém imperfeitos, e não eram considerados deuses, eles colocaram os filhos em um barco, o qual foi arrastado pela correnteza. Tendo sido repreendidos pelos deuses por causa do seu erro, Izanagi e Izanami casaram-se novamente e deste casamento nasceram OHOYASHIMA, ou seja, as oito principais ilhas do Japão.

Segundo o mito, Izanagi e Izanami haveriam gerado ilhas e filhos de sua união, até que Izanami veio a morrer quando deu à luz KAGUTSUCHI, a encarnação do fogo. Este foi, porém, morto pelo pai encolerizado e a partir desta morte surgiram muitas outras divindades.

O Mito do Sol, da Luz e do Vento
Conta a história dos “kamis” que foram gerados a partir do banho de IZANAGI no rio. Entre eles, Amaterasu (sol), Tsukuyomi (lua) e Susanoo (mar).

A partir destas primeiras divindades mitológicas, é contada a história da criação do mundo, do Japão e dos demais elementos da natureza.

Os principais deuses conhecidos da mitologia japonesa são:

Shinigami – o deus da Morte;
Kagutsuchi, o deus do fogo;
Amaterasu, a deusa do sol;
Tsuki-yomi, o deus da lua;
Susanowo, o deus da tempestade.
Outro elemento interessante da mitologia japonesa são as histórias que envolvem as raposas (kitsunes). Para o folclore japonês, as raposas são descritas como seres inteligentes e até com capacidades mágicas. Muitos são os mitos japoneses, chineses, coreanos e até indianos envolvendo estes animais.

9653 – Mega Documentário – A Enseada


Um documentário que faturou um Oscar e gerou polêmica no Japão

a enseada cartaz

Enredo:
Um grupo de ativistas enfrenta perigos como a máfia japonesa, policiais e pescadores para chegar a uma pequena baía em Taiji, no sul do Japão, e assim conseguir registrar o extermínio sangrento de golfinhos, usados para vários fins, entre eles comida para as crianças nas escolas, sem que observem o nível de toxinas presentes nas carnes. As cenas são reais e chocantes.

Os japoneses não gostaram nem um pouco do Oscar concedido ao documentário “A enseada”, que mostra a matança de golfinhos no sul do Japão. Para as autoridades locais, a caça faz parte de uma longa tradição cultural.
Para os ecologistas, o Oscar de melhor documentário foi uma vitória. Para muitos japoneses, mais uma derrota de suas tradições e hábitos culinários.
O prêmio foi para o filme “A enseada” que mostra a caça anual de golfinhos na cidade de Taiji, no sudeste do Japão. As fêmeas jovens eram capturadas e levadas para parques aquáticos de todo o mundo. Os que sobraram foram mortos, e a carne vendida em mercados da região. Depois do filme, passaram a ser soltos.
Processo contra produtores
Os moradores ficaram revoltados com o documentário e ainda mais, agora, com o Oscar. Eles ameaçam processar os produtores. Reclamam que não deram autorização para aparecer no filme, que acusam de ser parcial. Usar golfinho na alimentação está em decadência no Japão, poucas pessoas comem.
Mas no momento em que os japoneses enfrentam criticas por causa da caça de baleias e da pesca de atum, que ameaçam algumas espécies de extinção, os moradores de Taiji receberam apoio.

a enseada

9628 – Sem chance pros ratos…Tashirojima, a aldeia onde há mais gatos que pessoas


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Os gatos habitam a ilha há séculos e são tantos que ninguém nunca se atreveu a contá-los.
A ilha possui 100 habitantes permanentes.
Tal ilha no Japão é também conhecida como a ilha dos gatos, e é uma atração turística para os admiradores desse felino.
Não há cães na ilha, cuja entrada é proibida.
Originalmente, os gatos foram introduzidos com o intuito de controlar a população dos ratos, uma praga que atacava as fazendas de bicho-da-seda, mas a atividade foi suspensa, aí sobraram os gatos.
Encontra-se no Oceano Pacífico ao largo da península de Oshika , a oeste de Ajishima. É uma ilha habitada, embora a população é muito pequena (cerca de 100 pessoas, abaixo dos cerca de 1000 pessoas na década de 1950 ). Tornou-se conhecido como “Cat Island”, devido à grande população gato de rua que vive, como resultado da crença local que alimenta os gatos vão trazer riqueza e boa sorte. A população gato é agora maior do que a população humana na ilha.
Desde de 83% da população é classificada como idosos, aldeias da ilha ter sido designado como uma ” aldeia de terminal “o que significa que, com 50% ou mais da população sendo mais de 65 anos de idade, a sobrevivência das aldeias está ameaçada.
Há um pequeno santuário gato, conhecido como Neko-Jinja (猫神社 ?), no meio da ilha, aproximadamente situado entre as duas aldeias. No passado, os habitantes da ilha criavam bichos de seda, e os gatos foram mantidos, a fim de manter a população dos ratos baixa (porque os ratos são um predador natural dos bichos). Pesca fixa era popular na ilha após o Período e pescadores de outras áreas vinham ficar na ilha durante a noite. Os gatos iam para as pousadas onde os pescadores estavam hospedados e implorar por migalhas. Com o tempo, os pescadores desenvolveram um carinho para os gatos e foram observando os gatos de perto, interpretando suas ações como previsões dos padrões climáticos e gosto por peixe. Um dia, quando os pescadores estavam coletando pedras para usar com as redes fixas, uma rocha perdida caiu e matou um dos gatos. Os pescadores, sentindo pena da perda do gato, enterrou-o e consagrou-o neste local na ilha.

gatos da ilha

7721 – Acidente Nuclear em Tokaimura


A manhã começou banal no dia 30 de setembro na usina de processamento de Tokaimura, a 150 quilômetros de Tóquio, no Japão. Em suas instalações, o urânio bruto, usado como combustível nuclear, é purificado antes de seguir para os 51 reatores atômicos que geram 35% da eletricidade do país.
Três funcionários fizeram sua tarefa: deram um banho de ácido nítrico no urânio para dissolver suas impurezas. Cometeram só um erro. Puseram no tanque de ácido 16 quilos de mineral radioativo, sete vezes mais do que o permitido. Com isso, os nêutrons do urânio, partículas atômicas que brotam da substância em raios invisíveis, iniciaram uma reação em cadeia nunca vista na usina.
Em minutos, os três homens absorveram pela pele nêutrons suficientes para deixá-los entre a vida e a morte.
No total, 49 japoneses foram afetados – 39 funcionários, 3 bombeiros e 7 moradores das redondezas. Todos correm risco de desenvolver câncer nas próximas décadas ou de terem seus filhos afetados. Os vizinhos foram contaminados pelo ar, que absorveu radioatividade na hora do bombardeio de nêutrons. A ausência de vento evitou que o veneno se espalhasse, mas, por precaução, 320 000 cidadãos, num raio de 10 quilômetros em torno da usina, tiveram que deixar suas casas por 24 horas.
A gravidade da possível tragédia resultante de um mero descuido de manuseio com combustível nuclear abala a opinião pública. Há 437 centrais atômicas em operação em 32 países, produzindo 17% da eletricidade do planeta. Para esses países, trata-se de conviver com o risco sob controle.

Césio 137 – Em Goiânia, 249 cidadãos foram contaminados com átomos de césio 137, radioativo, contido em aparelhos de raios X. Uma das máquinas foi parar num ferro-velho e lá ficou exposta à curiosidade dos moradores. Houve quatro mortes.

A radioatividade causa muitos problemas nas células humanas.
Ao atingir os seres humanos, os nêutrons quebram as moléculas de água, tornando-as eletricamente carregadas. Essa carga é nociva a várias partes do organismo porque desfaz as ligações químicas.

Células inteiras do intestino podem ser destruídas. Param de funcionar e perdem muita água. O efeito imediato é uma diarreia incontrolável. Muitas vezes mortal.

O DNA de óvulos e espermatozoides também é atacado. O resultado é que os danos são transmitidos aos descendentes das vítimas.

3249 – Japão – Risco Nuclear Persiste


Derretimento em mais 2 reatores nucleares no Japão

A operadora da usina nuclear que está no centro da crise de radiação no Japão após o terremoto e tsunami que atingiram o país confirmou nesta terça-feira que houve derretimento de barras de combustível em três de seus reatores.
A Tokyo Electric Power disse que o derretimento das barras de combustível nos três reatores aconteceram no início da crise na usina de Fukushima Daiichi, após o desastre de 11 de março.
O governo e especialistas já haviam informado anteriormente que as barras de combustível em três dos seis reatores nucleares provavelmente teriam derretido no início da crise, mas a operadora, também conhecida como Tepco, só confirmou o derretimento no reator 1.
Autoridades da Tepco disseram que uma revisão dos dados registrados na usina desde o começo de maio concluiu que a mesma coisa aconteceu nos reatores 2 e 3.
Alguns analistas acreditam que o atraso em confirmar os derretimentos em Fukushima indica que a operadora temia gerar pânico ao divulgar a gravidade do acidente mais cedo.
“Agora as pessoas estão acostumadas à situação. Nada está resolvido, mas os negócios foram retomados normalmente em lugares como Tóquio”, disse Koichi Nakano, professor de ciências políticas da Universidade de Sofia, em Tóquio.
Nakano disse que, ao confirmar os derretimentos só agora, a Tepco pode estar esperando que um impacto menor. A palavra “derretimento” tem uma conotação tão forte que quando a situação estava mais incerta, mais pessoas provavelmente teriam fugido de Tóquio, afirmou.

2791 – Japão vai injetar nitrogênio para evitar explosão no reator


No cenário de destruição os japoneses lutam contra a radiação

Reportagem da Folha de São Paulo
A Tokyo Electric Power Co. (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima Daiichi, vai lançar nitrogênio no reator 1 para reduzir o risco potencial de uma explosão de hidrogênio –como registrado no início da crise nuclear.
O nitrogênio, um gás inerte, tem capacidade de resfriar rapidamente. Ele deve ser lançado na câmara de contenção do reator 1, em um processo que pode levar dias, segundo Hidehiko Nishiyama, porta-voz da agência de segurança nuclear do Japão.
Hidehiko negou, contudo, que haja um risco imediato de explosão no prédio, que já foi danificado por explosões anteriores.
A estratégia mostra que a crise nuclear está longe de ser contida, apesar da boa notícia de terça-feira de que a Tepco finalmente conseguiu conter o vazamento de água do mar radioativa da usina.
Às 5h38 desta quarta-feira (17h38 de terça-feira em Brasília), a Tepco confirmou que o vazamento oriundo de uma rachadura no reator 2 parou. Ele foi contido após a Tepco lançar 6.000 litros de agentes químicos, incluindo silicato de sódio, conhecido como “cristal solúvel”.
Os funcionários da Tepco haviam descoberto na semana passada a rachadura de 20 centímetros na parede de um fosso técnico localizada perto da beira-mar e ligado ao reator 2.
Um volume importante de água contaminada vazava dia e noite desse fosso, mas os técnicos não tinham conseguido tampar a rachadura, apesar de várias tentativas utilizando cimento e depois mediante uma mistura de polímeros, papel de jornal e pó de serra.
Nesta terça-feira, decidiu-se fazer perfurações mais acima para seguir os fluxos de água e injetar o silicato de sódio no solo.
A agência ressaltou que é possível que a água radioativa possa aparecer em outras partes da usina.
Conter a radiação era uma das prioridades no interior da usina nuclear, onde os avanços eram dificultados pelas cerca de 60 mil toneladas de água altamente radioativa que inundaram várias áreas e dificultam a passagem dos operários.
Como medida de emergência, os funcionários da Tepco começaram nesta segunda-feira a despejar no mar 11.500 toneladas de água com um nível de radioatividade relativamente baixo (100 vezes superior ao limite).

2664-Tragédia no Japão – Detectada Radiação na Água


Fonte:Folha de S.Paulo

O ministério da Saúde informou que amostras de água da localidade de Iitatemura apresentam 965 becquerel por quilo, bem acima do limite de 300 becquerel por quilo.
Uma pessoa, ao beber um litro de água com o nível de 300 becquerel por quilo, absorve uma quantidade de radiação equivalente à décima quarta parte do que se recebe durante uma viagem de avião entre Tóquio e Nova York, destacou o ministério.
“Não há efeitos imediatos para a saúde se o consumo da água for temporário”, declarou o funcionário do ministério Shogo Misawa. “Mas, por precaução, recomendamos que a população evite tomá-la.”
A província de Fukushima fornecerá água potável para os 4.000 habitantes da localidade.
Na quinta-feira, foi detectado um nível de 308 becquerel por quilo na água de Kawamata, outro povoado de Fukushima, mas esta taxa caiu a 155 na sexta-feira e a 123 no sábado, informou o ministério.
Alimentos também foram contaminados. Autoridades em Taiwan encontraram neste domingo radiação em uma carga de vagens importada do sul do Japão. A contaminação foi muito pequena e estava dentro dos limites de segurança alimentar estabelecidos pela lei taiwanesa.
A radiação foi encontrada em 14 kg de vagens trazidas de Kagoshima, disse Tsai Shu-chen, funcionária da Administração de Comida e Drogas do país.
Apesar de não oferecer risco à saúde, esta é a primeira notícia de comida importada do Japão com radiação, desde a crise nuclear na usina de Fukushima Daiichi –danificada por um terremoto e tsunami há nove dias.
Tsai disse que as vagens podem ter sido contaminadas quando foram transportadas, de avião, ao Aeroporto Narita, em Tóquio, para uma escala antes da viagem a Taiwan.
20/03/2011 – 22h23
Japão detecta radiação na água; mortos no país podem ser mais de 15 mil
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O governo japonês anunciou nesta segunda-feira (noite de domingo no Brasil) que detectou um nível de iodo radioativo três vezes superior ao limite legal na água corrente de um povoado situado a 40 quilômetros da central nuclear de Fukushima Daiichi, destacando porém que não há risco para a saúde. A informação foi divulgada um dia depois de a polícia afirmar que o número de mortos apenas na região mais afetada pelo tremor seguido de tsunami do último dia 11 pode passar de 15 mil.
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O ministério da Saúde informou que amostras de água da localidade de Iitatemura apresentam 965 becquerel por quilo, bem acima do limite de 300 becquerel por quilo.
Uma pessoa, ao beber um litro de água com o nível de 300 becquerel por quilo, absorve uma quantidade de radiação equivalente à décima quarta parte do que se recebe durante uma viagem de avião entre Tóquio e Nova York, destacou o ministério.

“Não há efeitos imediatos para a saúde se o consumo da água for temporário”, declarou o funcionário do ministério Shogo Misawa. “Mas, por precaução, recomendamos que a população evite tomá-la.”
A província de Fukushima fornecerá água potável para os 4.000 habitantes da localidade.
Na quinta-feira, foi detectado um nível de 308 becquerel por quilo na água de Kawamata, outro povoado de Fukushima, mas esta taxa caiu a 155 na sexta-feira e a 123 no sábado, informou o ministério.
Alimentos também foram contaminados. Autoridades em Taiwan encontraram neste domingo radiação em uma carga de vagens importada do sul do Japão. A contaminação foi muito pequena e estava dentro dos limites de segurança alimentar estabelecidos pela lei taiwanesa.
A radiação foi encontrada em 14 kg de vagens trazidas de Kagoshima, disse Tsai Shu-chen, funcionária da Administração de Comida e Drogas do país.
Apesar de não oferecer risco à saúde, esta é a primeira notícia de comida importada do Japão com radiação, desde a crise nuclear na usina de Fukushima Daiichi –danificada por um terremoto e tsunami há nove dias.
Tsai disse que as vagens podem ter sido contaminadas quando foram transportadas, de avião, ao Aeroporto Narita, em Tóquio, para uma escala antes da viagem a Taiwan.
Kagoshima, na ponta sudoeste da ilha de Kyushu, está há mais de 1.100 km do epicentro do tremor, localizado na costa leste da ilha de Honshu.

Tsai disse que não há motivo para pânico, já que os testes mostraram que a vagem contem apenas 11 Becquerels (Bq) de iodo e 1 Bq de césio-137 por quilo –ambos bem abaixo dos níveis máximos permitidos.

Ela disse que, por precaução, toda a carga será destruída.

A notícia foi divulgada um dia depois do governo japonês admitir a contaminação por radiação em espinafre procedentes da província de Ibaraki e em quatro amostras de leite na província de Fukushima.
Neste domingo, contudo, o secretário de Gabinete japonês, Yukio Edano, assegurou que o leite e espinafre não chegaram ao mercado. Ele afirmou ainda que continuarão analisando dados e realizando testes para determinar se se deve regular a distribuição de produtos procedentes das zonas próximas à central, algo que poderia se concretizar nesta segunda-feira.
Em todo caso, reiterou que esses achados não representam uma ameaça imediata para os consumidores e lembrou que a detecção de iodo radioativo abaixo dos limites na água de torneira em Tóquio e regiões do norte da capital também não supõem um risco para a saúde.
“Eu estou preocupada, realmente preocupada”, disse Mayumi Mizutani, moradora de Tóquio, 58. Ela comparava água mineral para o neto de dois anos. “Nós estamos com medo porque é possível que nosso neto tenha câncer”, disse.

VÍTIMAS

Um novo balanço da Polícia Nacional do Japão elevou neste domingo para 8.450 o número de mortes no terremoto e posterior tsunami que atingiram o país no último dia 11. Outras 12.931 pessoas ainda estão desaparecidas.
No entanto, apenas na província de Miyagi –a mais atingida pelo desastre–, o número de mortos pode ultrapassar os 15 mil, segundo um chefe de polícia local informou.
Cerca de 360 mil pessoas em toda a costa nordeste do país tiveram de abandonar suas casas, e 26 mil foram resgatadas.
Neste domingo, equipes de resgate japonesas encontraram uma avó e seu neto debaixo dos escombros de uma casa onde estavam presos há nove dias, após o terremoto de magnitude 9 –seguido de tsunami.
Sumi Abe, 80, e Jin Abe, 16, tiveram a sorte de estar na cozinha quando a casa desmoronou em 11 de março. Eles sobreviveram comendo tudo o que tinham na geladeira, sobretudo iogurtes.
Agora, os esforços se centram em procurar um lar para os sobreviventes que perderam suas casas. Cerca de 355 mil pessoas continuam em abrigos improvisados em 15 províncias, incluindo Tóquio.
Este número inclui, segundo a agência de notícias Kyodo, 20 mil moradores de áreas próximas à usina nuclear de Fukushima Daiichi, retirados diante do vazamento de radiação. Eles foram levados para sete outras prefeituras, entre elas Niigata, Yamagata e Tochigi.

“Os corpos levados pelo tsunami serão recuperados aos milhares todos os dias a partir de agora”, disse o chefe de polícia de Miyagi, Naoto Takeuchi.

Na cidade de Otsuchi, em Iwate, o prefeito Koki Kato foi encontrado morto neste sábado. Ele estava desaparecido desde o tsunami, quando realizava uma reunião de emergência.

USINA

O estado da usina de Fukushima continua sendo muito preocupante.

O governo anunciou que a central deixará de funcionar. Se a operadora privada Tokyo Electric Power (Tepco) ratificar essa decisão, Fukushima se tornaria a maior ruína nuclear do mundo, à frente de Tchernobil, que tinha quatro reatores quando ocorreu o acidente, em 1986.

Mas não se pode deixar o local abandonado, já que a ausência de eletricidade provocaria um aquecimento do combustível utilizado, sua fusão e uma contaminação ambiental. Para tentar restabelecer o fornecimento elétrico, os socorristas tiveram de interromper suas operações de refrigeração com jatos de água, que tinham se intensificado desde sábado. “A pressão no interior do recinto de confinamento do reator 3 aumenta”, declarou um responsável da agência de segurança nacional.
Ao anoitecer, ainda não tinha sido restabelecida a corrente elétrica para colocar em funcionamento as máquinas que bombeiam água no sistema de refrigeração do reator número 2, que é prioritário por estar menos danificado que os 1, 3 e 4.
Os técnicos conseguiram conectar um cabo de alta tensão a um distribuidor. A operação “levará mais tempo”. “Não sabemos quando poderemos restabelecer os sistemas”, declarou Naohiro Omura, da operadora Tepco.
No raio de 20 km da zona de exclusão em torno da central, voltaram a ser detectados neste domingo níveis anormais de radioatividade no leite e nos espinafres, segundo a agência Kyodo.

2655-Tragédia no Japão – Alimentos contaminados por radiação


Radiação, efeitos devastadores no organismo

Fonte: Folha de São Paulo
Foram encontrados níveis de radiação acima do recomendado em leite e espinafre nas províncias de Fukushima e Ibaraki.
Segundo o secretário de Gabinete do Japão, Yukio Edano, a radiação estava acima do padrão estabelecido pelo governo, mas não impunha risco imediato à saúde humana. Ele não detalhou de quanto foi a radiação encontrada.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que a contaminação é de iodo radioativo e que o governo japonês interrompeu a venda destes produtos.
A agência da ONU disse ainda que há sim risco à saúde humana, caso os alimentos sejam consumidos. “Apesar do iodo radioativo ter uma vida curta de cerca de oito dias e se dissipar naturalmente em uma questão de semanas, há um risco de curto-prazo para a saúde humana se o iodo radioativo na comida for absorvido pelo corpo humano”.
Nesta semana, a União Europeia (UE) recomendou aos países do bloco que façam um maior controle de radioatividade nos alimentos importados do Japão.
Os controles são voluntários, mas, no caso haja constatação de níveis de contaminação radioativa acima do teto autorizado, os países do bloco estão obrigados a informar a Bruxelas. A UE importou 9.000 toneladas de frutas e verduras em 2010, além de alguns tipos de pescado.
Especialistas temem as consequências da contaminação do solo e águas com o material radioativo lançado ao ar pela usina nuclear. O material pode efetivamente contaminar os alimentos, entrando na cadeia alimentar da população, o que causaria um risco ao longo de semanas e mesmo meses aos japoneses.
O leite de vaca é especialmente vulnerável, segundo especialistas, caso os animais entrem em contato com o pasto contaminado. O produto é muito consumido pelo homem, não só em sua forma natural, mas como ingrediente de vários alimentos processados.
Neste sábado (19-03-2011), as autoridades continuam lançando água para reduzir a temperatura dos reatores de Fukushima Daiichi e conter um vazamento massivo de material radioativo. Os bombeiros devem lançar 1,260 toneladas de água no reator. A operação, segundo a agência de notícias Kyodo, deve durar sete horas.
Edano disse que as condições no reator 3 ficaram relativamente estáveis depois que bombeiros lançaram 60 toneladas de água em uma piscina fervente que abriga combustível nuclear usado. A operação foi realizada pouco depois da 0h (12h de sexta-feira em Brasília), do lado de fora do prédio que abriga o reator.
O objetivo primário é impedir qualquer vazamento massivo de materiais radioativos da piscina que abriga o combustível usado para o ar. O aumento da temperatura da água desta piscina, normalmente de 40ºC, faz com que a água se dissipe e exponha as varetas de combustível nuclear usado. Sem o líquido, que as isola do exterior, elas ficam então suscetíveis às altas temperaturas e podem derreter. No pior dos cenários, podem liberar material altamente radioativo.
Já a operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co., conseguiu conectar os cabos de energia aos prédios dos reatores 1 e 2. A ideia é fazer uma checagem dos equipamentos e ligar os cabos na manhã de domingo (noite de sábado em Brasília).
A restauração da energia elétrica pe crucial para que o sistema de resfriamento, danificado pelo terremoto, volte a ser ligado –o que facilitará a manutenção da temperatura nos reatores.

Japão – População


As 3 décadas entre 1888 e 1918 testemunharam tanto um grande crescimento da população do Japão (de 39,5 milhões para 55 milhões) com um êxodo rural significativo. A população em cidades com mais de 100 mil hab. Dobrou nesse período e a população em povoados urbanos com 10 mil a 100 quase triplicou , no entanto as vilas ainda predominavam.
Japão – Crescimento no exterior
O ano de 1868 marcou o início do interesse do Japão por seus vizinhos e pelo ocidente. Em 1876, havia assegurado seus direitos sobre várias ilhas. Em 1918, possuía terras que incluíam um império continental. O crescimento das importações e das exportações aparece em ienes. Tal moeda foi emitida pela primeira vez em 1871 em paridade com o dólar, mas caiu gradativamente até 1894, quando a taxa de câmbio se estabizou em 2 ienes por dólar, permanecendo assim com pequenas variações, até 1931. Os EUA já eram os principais parceiros comerciais do Japão em 1918-22, com importações e exportações praticamente equilibradas. A China era mais importante como cliente do que como fornecedora, a Índia, exatamente o contrário. A estrutura do comércio externo japonês mudou drasticamente nos períodos de 1878 a 1822 e de 1918 e 1922. No primeiro período, os bens manufaturados representavam metade de todas as importações, mas apenas 7,2% das exportações. Em 40 anos, a proporção se inverteu : no 2º período, os bens manufaturados mais de 40% das vendas e apenas 15% das compras. Nas novas colônias, os japoneses foram bem sucedidos ao introduzir suas políticas para aprimorar a agricultura e a indústria.