13.270 – Biologia – O Faro do Cão


cão faro
Muitos são treinados para auxiliar em operações de busca e resgate e de apreensão de drogas. Mas, além de desempenhar muito bem essas atividades, os cachorros também são — ou já foram — empregados para farejar muitas outras coisas, sendo que algumas delas são bem estranhas.
Os cães podem ser treinados para detectar um elemento chave na fabricação de DVDs. Tanto que os animais estão sendo utilizados por policiais no combate à pirataria em locais como o sudeste asiático. Os dois cachorros da imagem, por exemplo, ajudaram as autoridades a apreender um carregamento avaliado em US$ 3 milhões (cerca de R$ 6,7 milhões), levando criminosos malaios a oferecer US$ 30 mil (ou R$ 66 mil) como recompensa pela captura da dupla.
Apesar de não ser o material mais agradável do mundo, o cocô de baleia é utilizado por pesquisadores para monitorar as condições de saúde desses animais. O problema é que, ao contrário do que você possa imaginar, as fezes das baleias não ficam boiando por aí, indo parar no fundo do mar apenas meia hora depois de serem liberadas.
Para ajudar na coleta, alguns cães estão sendo treinados para detectar o cheiro do cocô, e alguns conseguem rastrear o odor a distâncias superiores a 1,5 quilômetro, indicando a localização dos dejetos aos cientistas.
É muito comum que grandes produtores lancem mão da inseminação artificial quando o assunto é aumentar o rebanho. Mas algumas vezes o sêmen utilizado é proveniente de touros famosos, e o custo desse material pode ser exorbitante. Assim, para evitar o desperdício, alguns fazendeiros começaram a utilizar cães especialmente treinados para farejar quando as vacas estão no cio, e alguns deles são melhores do que os touros em detectar o momento certo.
Não é nenhuma novidade que os cães são capazes de detectar uma série de cheiros liberados pelo organismo humano, e alguns estão sendo treinados para ajudar no diagnóstico de doenças como o câncer e o diabetes. No primeiro caso, segundo os pesquisadores, as células cancerígenas apesentam um odor específico, e pacientes com alguns tipos de câncer — como o de mama, pulmão e bexiga — podem liberar esse cheiro através do hálito. Sendo assim, os cachorros estão sendo adestrados para farejar a doença.
Já no caso do diabetes, os animais podem ser treinados para alertar os doentes quando a glicose atinge níveis perigosos, e alguns cães podem inclusive prever a ocorrência de ataques e até mesmo buscar o kit de insulina para os donos.
É evidente que o melhor amigo do homem é capaz de identificar o cheiro de inimigos, mas você sabia que os cães participaram ativamente durante a Guerra do Vietnã, ajudando os soldados norte-americanos a encontrar soldados vietcongues, armas, túneis e até armadilhas? Aliás, não é de hoje que os animais são empregados para atuar ao lado de militares, e existem registros de cachorros atuando em combates desde a antiguidade.

13.198 – Biologia – A Inteligência Animal


inteligencia-animal
Na floresta Kibale, em Uganda, uma família de chimpanzés se alimenta no alto de uma figueira. Ao terminar a refeição, mãe e dois filhos pulam para outra árvore. Mas falta coragem à filhote caçula, que fica onde está. Paralisada, ela começa a gritar. Para ajudá-la, a mãe se aproxima da cria e balança a figueira para os lados, até aproximá-la da árvore vizinha. Ela então agarra um ramo e com o corpo forma uma ponte natural por onde a macaquinha atravessa sã e salva.
A cena foi presenciada em 1987 pelo psicólogo Marc Hauser, da Universidade Harvard, que ficou maravilhado. Teria sido intencional? Será que a mãe visualizou a imagem de seu corpo formando a ponte? Ou será que só estava tentando ensinar a filhote a saltar, e ela espertamente aproveitou a chance?
Para quase todos nós, o encantamento com bichinhos fofos que parecem agir de caso pensado torna fácil trocar as interrogações acima por pontos finais. Pesquisadores como Hauser, no entanto, têm se dedicado a encontrar respostas científicas para decifrar a inteligência animal. Eles querem entender o que realmente se passa na mente dos bichos. E como esses processos acontecem. Uma baleia pode ter cultura? Macacos são capazes de traçar estratégias de caça ou construir ferramentas? Insetos têm memória?
Consenso existe apenas para o ponto de partida. De acordo com César Ades, um dos maiores especialistas em comportamento animal do Brasil, cientistas acreditam que a capacidade de pensar pode ter surgido independentemente em vários animais, e não somente nos mais próximos dos humanos na cadeia evolutiva. Até aí, tudo bem. Mas quais tipos de comportamentos podem ser apontados como frutos dessa habilidade? “A melhor definição para inteligência é a habilidade de resolver problemas”, afirma o pesquisador Culum Brown, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Em seu livro Wild Minds (“Mentes Selvagens”, sem tradução para o português), Marc Hauser propõe que vários aspectos da nossa cognição são encontrados nos outros animais. É o que ele chama de “kit de ferramentas”, um conjunto de habilidades como reconhecer a função de um objeto, ter noção de quantidade e de direção. A partir daí, os animais evoluíram de acordo com suas necessidades. “Cada espécie é ‘esperta’ à sua maneira, porque evoluiu respondendo a pressões diferentes. Não podemos compará-las”, diz o pesquisador Eduardo Ottoni, da USP. A maioria é, de modo geral, equipada com mecanismos de aprendizado que podem ocorrer por dedução ou tentativa e erro e se espalhar por imitação ou pelo ensinamento entre indivíduos. Mas para alguns animais foi mais vantajoso manter-se baseado apenas no instinto. Outros tiveram de aprimorar o kit diante de dificuldades, modificar seu comportamento e transmiti-lo para as próximas gerações. Foi o que aconteceu com os humanos. Mas, se olharmos de perto, macacos, cachorros e corvos têm em seus kits ferramentas muito parecidas com as dos humanos. As nossas até podem ser mais sofisticadas, mais complexas. Mas as deles funcionam perfeitamente para o que eles precisam.

Memória
Quando o estúdio Pixar colocou no filme Procurando Nemo uma peixinha que esquecia tudo em poucos segundos, estava brincando com uma idéia que por muito tempo existiu na comunidade científica: peixes teriam memória de apenas três segundos. Estudos recentes mostram que isso é balela. Esses animais são capazes de lembrar e ainda guardam as informações a longo prazo. Foi o que comprovou o pesquisador Culum Brown. Ele prendeu um grupo de peixes arco-íris australianos num tanque e os treinou para encontrar uma saída. Após cinco tentativas, todos conseguiam achá-la. Onze meses depois, o pesquisador refez o teste. Dessa vez, os peixes localizaram a saída na primeira tentativa.
Graças à memória, peixes também reconhecem outros indivíduos. Ao presenciar uma luta, o animal não apenas retém informações, como cria um ranking de lutadores. No futuro, ele evitará brigas com os fortões. Cardumes também são capazes de aprender e memorizar a se desvencilhar de redes ou então viajar em formações que os protegem de predadores.
Traços de memória também foram detectados numa das últimas espécies em que se esperaria encontrar essas características: as aranhas. Antes vistas como um daqueles animais para quem manter-se atrelado ao instinto teria sido mais útil, elas têm surpreendido os cientistas. Um estudo a apontar nesse sentido foi feito por César Ades, que analisou a reação da aranha-dos-jardins (Argiope argentata). De um modo geral, quando um inseto cai na teia, a aranha libera um veneno paralisante e envolve a presa com fios de seda para levá-la ao centro da teia, onde vai devorá-lo. Se nesse tempo outro animal for capturado, a aranha deixa a primeira presa amarrada e corre até a nova para repetir o procedimento. César descobriu que, para reencontrar a primeira presa, a aranha depende da memória. Para chegar a essa conclusão, ele retirou uma mosca amarrada na periferia. E percebeu que a aranha, sem contar com a ajuda de um marcador, como o feromônio utilizado pelas formigas, retornava exatamente ao local onde a presa estava originalmente.

Comunicação
Quem tem cachorro costuma ter uma frase na ponta da língua para se gabar da destreza do seu animal: “É tão inteligente que só falta falar”. É verdade que os cães continuam nos devendo um bate-papo, mas comunicar o que querem e entender o que as pessoas estão lhes dizendo já parecem fazer parte de suas habilidades.
Recentemente dois animais ficaram famosos: o border collie alemão Rico, de 10 anos, que consegue entender cerca de 200 palavras, e Sofia, uma legítima vira-lata “puro-sangue” brasileira de 3 anos, que demonstra o que deseja por meio de um painel com diversos símbolos.
Pesquisadores descobriram que Rico não só decorou os nomes de seus brinquedos como também é capaz de pegar, em meio a objetos familiares, um outro que não conhecia, após ouvir seu nome. A conclusão é que ele conseguiu associar a palavra nova ao objeto diferente. Os cientistas agora querem desenvolver uma mini-sintaxe com o cachorro e testar se ele entende frases mais complexas, como “pegue a bola e coloque na casinha”.
Essa também é a meta do grupo de pesquisadores brasileiros que está trabalhando com Sofia. A cadelinha manuseia um painel de símbolos. Para receber carinho, comer, passear, brincar, beber água, fazer xixi ou ir para a casinha ela aperta a tecla correspondente, que emite um som com a ação. É uma capacidade que seres humanos geralmente adquirem por volta dos 3 anos de idade.
Em outras ocasiões, Sofia foi capaz de combinar símbolos para se comunicar, como quando o zootecnista Alexandre Rossi, seu dono e treinador, escondeu um osso dentro da casinha. Inicialmente, a cadela apertou a tecla brinquedo. Ao perceber que o osso havia sido escondido, Sofia apertou a tecla da casinha e logo em seguida a de brinquedo.
Sofia domina um vocabulário razoavelmente menor que o de Rico. Mas seus treinadores acreditam que ela esteja um passo à frente. Os pesquisadores conseguiram juntar um verbo e um objeto em suas ações. Ela entende, por exemplo, as diferenças entre “apontar casa” e “buscar a bola”. Agora eles testam se ela sabe distinguir marcações de espaço nessas ações, como “em cima”, “embaixo”, “direita” e “esquerda”.

Cultura
Imo é uma macaquinha especial. Sozinha, ela criou comportamentos que mudaram o estilo de vida de uma espécie japonesa (Macaca fuscata) da ilha de Koshima. No começo da década de 50, pesquisadores perceberam que ela, por alguma razão, passou a lavar a batata-doce antes de levá-la à boca. Até então, os animais simplesmente enfiavam o alimento na boca com terra e tudo. Gradualmente o comportamento se espalhou na comunidade. Após algum tempo, vários dos filhotes já repetiam a técnica, visível hoje entre quase toda a população da ilha de Koshima.
Imo, que em japonês quer dizer batata-doce, não parou por aí. Alguns anos depois ela arrumou um jeito de peneirar o trigo que era espalhado na areia pelos pesquisadores que observavam o grupo. Inicialmente os macacos pegavam os grãos um a um, e demoravam um tempão. Mas um dia Imo teve a brilhante idéia de pegar um punhado de trigo e areia e levar até a água. A vantagem da técnica foi clara: a água facilmente separava os grãos da areia, e ela pôde comer tranqüilamente. Assim como as batatas, a lavagem do trigo não demorou para se espalhar pelo grupo.
Lavar batatas não é como escrever livros ou cantar ópera. Mas o que Imo fez – desenvolver um novo comportamento e depois repassá-lo aos seus semelhantes – é algo que pesquisadores nem cogitavam ser possível duas décadas atrás. Ela transmitiu cultura.
Outro exemplo bacana é um caso curioso observado entre baleias-jubartes da costa australiana, espécie em que os machos emitem um som musical provavelmente para atrair as fêmeas. Uma verdadeira revolução cultural teve lugar por lá quando, em 1987, um grupo de cantores do Pacífico Sul abandonou totalmente sua melodia para adotar a de colegas do oceano Índico. A mudança ocorreu após um perído de convivência entre os dois bandos. Aparentemente, alguns “menestréis” que viviam na região do Pacífico se deram conta de que os colegas do Índico faziam mais sucesso com as meninas. E tudo isso graças ao canto deles. A solução foi mudar a música para não ficar no atraso com a baleiada.

Planejar estratégias
Chimpanzés que habitam a floresta Taï, na Costa do Marfim, usam um sistema de caça que se assemelha à tática de um time de futebol quando querem capturar sua refeição favorita, o macaco-colobo-vermelho. Como a presa é menor, mais rápida e pode se refugiar em locais inacessíveis aos chimpanzés, os primatas desenvolveram um modo de agir em equipe para conseguir encurralá-lo.
Para isso, dividem-se em pelo menos quatro funções: o condutor, que persegue a vítima, direcionando seu caminho; o bloqueador, que sobe nas árvores para fechar as opções de fuga; o perseguidor, que seleciona o alvo e tenta a captura em movimentos rápidos; e o responsável pela emboscada, cuja missão é prever o trajeto do colobo e bloquear suas rotas. Esse último é uma espécie de centroavante do time, que se antecipa ao adversário para finalizar a jogada.
O “centroavante” é sempre um animal com mais experiência – o domínio da arte da caça leva cerca de 20 anos. Quanto mais velho, mais o chimpanzé é capaz de fazer antecipações e de menos movimentos ele precisa para atingir seu objetivo. Futebolisticamente falando, ele é uma espécie de Romário. Toca pouco na bola, mas quando o faz, quase sempre está bem colocado e marca o gol.
Também as guerras entre esses animais possuem táticas avançadas. Chimpanzés são capazes de variar estratégias de acordo com o adversário e o time à disposição para a partida. Quanto menor o exército, mais defensiva será a tática. Mas, se o bando for numeroso, a opção é fazer um ataque frontal e impactante. Também há operações em que fêmeas, jovens e idosos ficam na retaguarda, batucando e gritando, para criar a impressão de que a tropa de machos é mais numerosa. E, se as forças são iguais, geralmente um lado faz o movimento e aguarda a resposta do rival. Nesse caso, grupos de chimpanzés invadem o território inimigo para espalhar o terror e assustar rivais que perambulam desacompanhados. Em algumas ocasiões esse tipo de comando foi visto aprisionando e torturando fêmeas isoladas.

Uso de ferramentas
Pesquisadores que observam grandes primatas em florestas da África já flagraram esses animais usando todo tipo de ferramenta. Para coletar frutos em árvores espinhosas, calçam ramos lisos sob os pés, como se fossem sandálias. Outros aproveitam folhas largas como almofadas para sentar no chão úmido sem molhar o traseiro. Enfiar galhos em cupinzeiros para pegar os insetos também é freqüente. Em um nível mais avançado, alguns animais usam pedras como bigorna e martelo para abrir nozes ou coquinhos – uma pedra maior relativamente plana serve de base, onde é posicionado o fruto, que é golpeado com uma pedra menor.
A surpresa veio quando cientistas observaram que não eram apenas os grandes primatas que dominavam esse tipo de técnica. Pequenos macacos-pregos também eram capazes de usar rochas para quebrar cascas e transmitir esse conhecimento para o grupo. A descoberta gerou uma dúvida. Ao observar a habilidade em chimpanzés, imagina que ela tenha surgido em algum momento da evolução dos macacos que deram origem aos hominídeos. Mas o macaco-prego subverte essa idéia. Como poderia um animalzinho separado da nossa linhagem na evolução há mais de 40 milhões de anos aprender a usar ferramentas? Para o pesquisador da USP Eduardo Ottoni, que descobriu a proeza dos macacos-pregos no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, não deveríamos considerar o fato com estranheza, mas sim pensar em quais pressões no processo seletivo promoveram tal desempenho. Mais uma vez, é a espécie se adequando às necessidades que o meio impõe.
Se os pregos surpreenderam os cientistas, que dizer então de corvos da Nova Caledônia, na Oceania, que se mostraram capazes de manipular pequenos ramos para pegar insetos em buracos estreitos? O desempenho desses animais na natureza já era considerado incrível por conta da utilização de ferramentas naturais para se alimentar. Mas o que fez a fama deles foi um teste de laboratório na Universidade de Oxford em 2002. Enquanto estudava alguns corvos, o pesquisador Alex Kacelnik flagrou a fêmea Betty criando uma ferramenta. Com o intuito de comer um pedaço de alimento colocado no fundo de um tubo de ensaio, ela transformou em gancho um arame que estava por perto. O feito ganhou destaque porque levantou a suspeita de que talvez Betty compreendesse a conseqüência do ato. “Convivemos nesse planeta com animais pensantes”, diz Marc Hauser. “Cada espécie, com sua mente única, favorecida pela natureza e moldada pela evolução, é capaz de enfrentar os mais fundamentais desafios que o mundo apresenta. Apesar de a mente humana deixar uma marca característica no planeta, nós certamente não estamos sozinhos nesse processo”, afirma ele. A natureza pode ser mais sábia do que parece.

12.801 – Inteligência Animal – Elefantes


elefante
Não é por menos que os elefantes estão no topo da lista dos mais inteligentes animais não primatas. Eles vivem em sociedades com uma complexa hierarquia social e mostram altruísmo para com outros animais. As fêmeas grávidas até aprendem a comer um certo tipo de folha que induz o parto.
Eles também podem usar ferramentas, se adaptando rapidamente a novas situações – elefantes foram observados jogando grandes pedras em cercas elétricas para cortar a eletricidade.
Mas o que realmente diferencia os elefantes são seus complexos rituais de morte – tirando esses animais, apenas os seres humanos e os Neandertais são conhecidos por homenagear os mortos. Muitas vezes, os elefantes delicadamente investigam os ossos do recém-falecido enquanto permanecem em silêncio. Às vezes, elefantes completamente alheios ao falecido vão visitar seu túmulo.

12.800 – Inteligência Animal – Golfinhos


golfinhos
Eles estão entre os animais mais inteligentes do reino animal, em parte porque eles têm uma vida muito sociável. Existem evidências de que eles tenham uma sofisticada linguagem própria, embora os seres humanos ainda não tenham conseguido desvendá-la.
Os golfinhos usam ferramentas em seu ambiente natural e podem aprender um impressionante conjunto de comandos com treinadores. Testes recentes mostram que os golfinhos têm autorreconhecimento – um feito reservado para os animais de grande inteligência.
Em 2005, cientistas observaram grupos de golfinhos no oceano Pacífico usando uma ferramenta. Eles arrancavam pedaços de esponja do mar e as envolviam em torno do seu “nariz de garrafa” para evitar escoriações.

12.799 – Inteligência Animal – Corvo


corvo
Em muitos ramos da mitologia, o corvo é um trapaceiro astuto. Já no mundo real, os corvos estão provando ser uma espécie bastante inteligente. Esses animais foram observados envolvidos em façanhas como o uso de ferramentas, a habilidade de esconder e armazenar alimentos de estação para estação, e memória episódica – como a capacidade de usar a experiência pessoal para prever condições futuras.
Uma das espécies, o corvo-da-nova-caledónia, foi visto usando uma ferramenta de folha dura parecida com uma faca para fazer com que nozes caíssem em ruas movimentadas, para que os carros as esmagassem. É ou não é uma ideia engenhosa?
Uma pesquisa recente sugere que os corvos têm a capacidade de reconhecer humanos pelas características faciais, e que eles podem se lembrar de rostos por anos. Portanto, tenha cuidado com o que você vai fazer quando cruzar com um corvo!

12.798 -Inteligência Animal – Polvo


polvo
Enquanto os porcos são os mais inteligentes entre as espécies domesticadas, os polvos são os mais espertos entre os invertebrados. Experimentos em labirintos e de resolução de problemas mostraram que os polvos têm memória de curto e longo prazo. Além disso, eles podem abrir frascos, apertar pequenas estruturas e pegar um lanche dentro de um recipiente. Eles também podem ser treinados para distinguir diferentes formas.
Numa espécie de atividade, parecida com um jogo (uma das características de espécies com inteligência superior) polvos foram observados lançando garrafas ou brinquedos repetidamente em uma corrente circular em seus aquários, para depois apanhar os objetos.
O polvo é o único invertebrado que pode usar ferramentas. Pelo menos quatro espécimes foram observados recuperando cascas descartadas de coco, as manipulando e depois usando-as como abrigo.

12.797 -Inteligência Animal – O porco não é “Burro”


porco
Não subestime os porquinhos nos chiqueiros: eles provavelmente são os animais domesticados mais inteligentes do planeta. Apesar de sua inteligência poder ser comparada com a de um cão ou gato, as habilidades de resolução de problemas dos porcos até superam as dos felinos e caninos.
Um estudo mostrou que porcos podem entender o funcionamento de um espelho, pois eles usaram o reflexo para encontrar alimentos escondidos. Os pesquisadores ainda não sabem dizer se os porcos percebem que os olhos refletidos nos espelhos são deles mesmos, o que poderia os classificar no nível de inteligência dos macacos, golfinhos e outras espécies que passaram pelo famoso teste de autorreconhecimento no espelho – um marcador de autoconsciência e inteligência avançada.
Também, em um experimento de 1990, porcos foram treinados para mover um cursor em uma tela de vídeo com os seus focinhos, e a distinguir as imagens que conheciam das que estavam vendo pela primeira vez. Eles aprenderam a tarefa mais rápido do que chipanzés.

10.417 – Biologia – Cães sentem ciúme do dono


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Uma pesquisa confirmou o que muitas pessoas que têm cachorros já sabem: os cães sentem ciúme de seus donos. Em um estudo publicado nesta recentemente no periódico Plos One, os peludos se mostraram mais ciumentos quando seus proprietários eram afetivos com algo que parecia ser outro cão do que quando faziam isso com objetos aleatórios.
No experimento, os autores aplicaram em 36 cães um teste que mede o ciúme em bebês de seis meses de idade. Eles analisaram como os animais reagiam quando seus donos os ignoravam para interagir com três objetos: um bicho de pelúcia igual a um cachorro — que latia e abanava o rabo —, uma abóbora de Halloween e um livro. Os cachorros demonstraram significativamente mais ciúme quando o dono dava atenção ao bicho de pelúcia do que quando se concentrava nas demais peças.
Enquanto a maioria dos estudiosos se refere ao ciúme como uma emoção de complexa cognição, os autores da pesquisa sugerem que pode haver uma manifestação mais elementar do sentimento, que envolve a proteção de suas relações afetivas. Para eles, essa manifestação básica do ciúme afetou os cachorros.
Inteligência do cão
Além de entender nossos gestos e olhares, cães também podem ser treinados para aprender palavras e seus significados. Certa vez, uma pesquisadora da Alemanha descobriu que seu cachorro aprendeu os significados de dezenas de novas palavras por meio de um processo de dedução lógica igual ao que crianças usam para descobrir nomes de objetos desconhecidos. Em outro experimento, um professor de psicologia conseguiu fazer com que sua cadela aprendesse o nome de 1 000 objetos.
Os cachorros podem não falar, mas nem por isso são incapazes de se comunicar com os humanos. Assim como o choro de um recém-nascido pode ter vários significados, os cães usam diferentes tipos de latidos e rosnados para se expressar e ser compreendido pelos humanos — pesquisas mostram que os latidos representam apenas 3% das vocalizações dos lobos, provando que o hábito de latir é mesmo um recurso decorrente da domesticação. Outros estudos indicam ainda que a maioria dos donos parece entender os significados dos diversos latidos de seus cachorros.
Ao contrário do que acontece em outros grupos de animais, os líderes das matilhas não são um casal reprodutor dominante, mas sim os cães que têm mais amigos. Quanto maior a “rede de contatos” de um cachorro, maiores são as chances de que os outros o considerem um líder e o siga aonde ele for.
Empatia do cão
Existem fortes indícios de que o sentimento de empatia, ou seja, de se sentir mal ao ver alguém sofrendo e ficar feliz quando alguém sorri, está presente nos cães. Em 50% dos casos de briga entre dois cachorros, um terceiro elemento que não estava envolvido na luta se aproxima do perdedor. A aproximação aconteceu mesmo nos casos em que esse terceiro elemento não tinha visto o embate. Isso significa que os cães reagem ao comportamento do companheiro de espécie que indica a derrota.
A inteligência dos cachorros também tem seu lado negativo. Um estudo realizado na Universidade de Viena, na Áustria, mostrou que os cães sabem quando estão ou não sendo observados pelo dono e se comportam de formas diferentes de acordo com isso. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que os animais desobedecem mais ordens quando os donos não estão no mesmo ambiente que eles ou estão distraídos por alguma outra atividade, como ler ou ver TV.

10.108 – Experiência prova incrível inteligência dos corvos


“O corvo sedento” é uma fábula clássica de Esopo na qual o corvo tenta beber de uma jarra, profunda demais para seu bico largo. Depois de pensar um tempo, o corvo decide encher a jarra de pedras, para que o nível da água subisse ao seu alcance. A história passa um recado: situações críticas estimulam a criatividade.
Ao longo dos anos, a ciência provou que Esopo estava certo ao escolher o corvo para sua fábula. A prova experimentada pelo pássaro, na antiga fábula, foi repetida por um grupo de cientistas da Universidade de Auckland, com corvos da Nova Caledônia, considerados os mais inteligentes de sua espécie, únicos não primatas capazes de fabricar ferramentas. Segundo os resultados, publicados pela revista PloS ONE, os animais responderam exatamente como no conto. Ou seja, com capacidade para detectar e analisar relações de causa e consequência, como fazem crianças entre 5 e 7 anos de idade.
A experiência ofereceu vários desafios ao animal, que pouco a pouco foi descartando as soluções não eficientes, em que as pedras foram substituídas por objetos flutuantes, ou onde o copo de água foi trocado por um tubo de areia.
Mais tarde, na medida em que o grau de dificuldade aumentou, os animais falharam em alguns testes, o que, segundo Sarah Jelbert, responsável pelo estudo, foi bastante surpreendente, pois representa um esclarecimento da força e limite de compreensão dos corvos. Vale destacar que os animais falharam, sobretudo em tarefas que violavam as regras de causas naturais, no entanto, as aves passaram no restante das provas, o que comprova sua compreensão causal intuitiva.

8086 – Por que os cães latem?


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Bebês aprendem a se comunicar por imitação. Ao prestar atenção nos pais, copiam a fala, alimentação e diversas reações. Brian Hare, antropólogo evolucionista americano e especialista em cognição animal, acredita que isso não seja exclusividade dos humanos. Segundo ele, os cachorros aprenderam a conviver com os homens da mesma maneira: imitando e reagindo às ações do dono. Foi assim, por exemplo, que eles aprenderam a latir mais e mais — entre os lobos, ancestrais do cão, o latido representa apenas 3% de toda sua vocalização.
Em seu novo livro The Genius of Dogs (O Gênio dos Cães, ainda sem edição em português), Hare reúne essa e outras descobertas sobre a inteligência do animal. Entre elas, estão as habilidades comunicativas do cão — milhares de anos de interação com os humanos levaram ao desenvolvimento de três grandes grupos de latidos: os de alerta, os para chamar a atenção e os para brincar. A sagacidade do melhor amigo do homem não para por aí. Pesquisas recentes relatam que os animais são ainda capazes de desenvolver novas nuances no latido — com altura, duração e frequências diferentes —, para se expressar de maneira mais eficaz.
A comunicação, no entanto, é apenas um dos modos pelos quais a inteligência canina se expressa. Há ainda cães que se destacam pelo ótimo raciocínio espacial e aqueles que são bons de memória, por exemplo.
Linguagem canina
No que toca à comunicação, segundo Hare, a inteligência do animal está focada em estabelecer a comunicação com seu dono – assim como fazem os bebês humanos. Isso significa que o cão pode variar o latido, o olhar e até sua movimentação se perceber que está sendo compreendido — ou não. A ciência conseguiu identificar até o momento três grandes grupos de latidos. “As pessoas são particularmente boas em identificar um tipo de latido: aquele que o cachorro usa para estranhos”.
A diferença entre os três tipos de latido está na altura, duração e frequência com que cada um é feito. Em um estudo publicado no periódico Journal of Comparative Psychology, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram com o uso de espectrogramas (representação visual da frequência de um som) que os latidos podem ser mais complexos do que se imaginava. De acordo com Rossi, zootecnista e um dos principais especialistas em cognição de cachorros do Brasil, o latido que o cachorro usa contra estranhos é mais grave e segue, normalmente, em uma sequência curta. “Nesses latidos é como se houvesse uma mordida ao final”. Quando o cão quer brincar, o latido costuma ser mais espaçado e mais agudo. Já o terceiro grupo, quando o cachorro quer chamar a atenção, se caracteriza por latidos nem tão graves, nem tão agudos, mas com mais espaço entre eles, do que os dois outros.
Em alguns casos, no entanto, o cachorro consegue criar outras variações de latidos. Como fazer um som mais agudo, mais lento ou até choramingar. Segundo Rossi, para desenvolver plenamente sua habilidade de se comunicar, no entanto, o cão precisa de estímulo. Então, apenas preste atenção no que o animal está querendo dizer. “Dizer que o cachorro tem diferentes tipos de latir não quer dizer que ele é inteligente”. A inteligência estaria, na verdade, na capacidade do cão em aprender novas maneiras de latir para conseguir atenção. Em outras palavras, na sua flexibilidade — o contrário do condicionamento.
Essa flexibilidade pode ser vista, por exemplo, em atividades cotidianas. Como tem a percepção de saber se a pessoa está ou não prestando atenção nele, o cachorro pode extrapolar coisas que ele aprende que funciona. Pode ser o caso de quando o animal lambe o pote de comida apenas por estar com fome, e o dono acaba dando comida para ele. Se toda vez que mexer no seu pote, ele ganhar comida, o cachorro entende que o sinal funcional “Ele começa a nos treinar”, diz Rossi.
No caso de animais que vivem em apartamento e são proibidos de latir, a comunicação por gestos pode ser mais rica do que as sutilezas no latido. Nesses casos, é comum que o cachorro tente outras maneiras de ganhar atenção, como olhando repetidamente para o objeto que quer e para o dono, ou indo e vindo na direção do que lhe é de interesse ou ainda tocando com a pata. Além de tentar se expressar, o cão pode ainda entender o que está sendo dito.
Em suas pesquisas, Brian Hare já havia notado que os cães também conseguem entender os humanos. Além de identificar palavras (em alguns casos decorar centenas delas) e de inferir situações, eles sabem ainda fazer leitura corporal. Isso significa que ele sabe quando está sendo observado, consegue ter empatia e pode copiar ações do dono, aprendendo a resolver um problema espacial, por exemplo. Quando se aponta para alguma direção, seja com o pé, com a mão ou mesmo com a cabeça, o animal tem ainda inteligência suficiente para projetar o olhar em direção ao que está sendo apontado — e não manter o olhar no dedo da pessoa.
Inteligência — Fundado em março de 2013 por Hare, o Dognition é um projeto que pretende sistematizar o estudo sobre as habilidades dos cachorros. Nele, o cachorro passa por uma bateria de testes que identificam em quais situações sua cognição é mais apurada, e em quais ele não é muito esperto. Os testes são de raciocínio, memória, empatia, astúcia e comunicação. Ao fim da avaliação (que pode ser feita pela internet com o pagamento de uma taxa), o dono recebe um relatório com as habilidades do cão.
O projeto se propõe a levantar, pela primeira vez, um grande banco de dados comparativos entre raças, gêneros e peso. “Ainda não se tem dados suficiente sobre todas as raças para uma comparação entre elas, como qual a mais inteligente”, diz Hare. Nas avaliações, os cachorros passam por atividades simples. Um exemplo é o teste de memória. Nele, um pedaço de petisco é escondido atrás de um objeto, tudo à vista do animal. Passados mais de 10 segundos, o cão é solto e precisa se lembrar de onde o alimento está. Antes do teste, condições como reconhecimento pelo faro são eliminadas. Há cães que conseguem se lembrar… e outros que nem se lembram mais que havia um petisco.

8080 – Zoologia – Zoológico de Gênios?


Um cavalo conseguia resolver problemas aritméticos. Em 1904 ele estava em todos os jornais da Alemanha. Ele havia sido treinado pelo dono para dar respostas batendo o casco no chão. O caso era tão espetacular que foi parar na Academia Prussiana de Ciências. Lá os cientistas descobriram que o talento do cavalo não tinha nada a ver com números. Ele conseguia perceber a expressão de alívio no rosto do dono quando chegava o número certo de batidas do casco e simplesmente parava de bater.
Até recentemente, seriam usadas palavras como instinto e coincidência para explicar tais atitudes. Mas muitos estudos atuais vem indicando que os bichos são muito menos estúpidos do que o homem imagina. Ratos planejam suas ações e outros animais trapaceiam para se dar bem.
Mas é claro que nem o mais habilidoso dos gorilas resolverá uma equação matemática.

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Trapaça na Savana
As hienas mentem para se dar bem. Quando caçam em bando, uma delas sempre fica alerta à presença de concorrentes mais fortes como os leões. Se aparecer algum, ela dá um latido e o grupo foge. Mas as vezes a vigia engana as companheiras. Mesmo sem ver nenhum leão, ela soa o alarme, aí o bando se dispersa e a amiga-da-onça fica sozinha com a comida e rindo à toa.