13.771 – Instrumentos Musicais – Compre um Stradivarius e faça um estrago no bolso


stradivarius
Stradivarius é o nome dado por antonomásia, aos instrumentos de corda, principalmente violinos, construídos por membros da família Stradivari, sendo os mais reputados aqueles construídos pelo luthier Antonio Stradivari (1644–1737) entre os séculos XVII e XVIII. Durante os últimos três séculos luthiers e cientistas estudaram os instrumentos do construtor italiano sem chegar a nenhuma conclusão concreta sobre a razão de os violinos soarem tão bem. Hoje em dia a palavra “Estradivário” é também associada à excelência de qualidade, chamando-se o “Estradivário” de qualquer área ao melhor do que nela há. Estima-se que Stradivari construiu 1116 violinos após 1666, dos quais cerca de 500 estão ainda em circulação.
Dependendo do ano de construção, da condição e de outros fatores como, por exemplo, a quem pertenceu, os violinos Stradivari atingem diferentes valores, todos eles astronômicos.
Os violinos da década de 1680 e do chamado período do “Padrão Longo”, entre 1690 e 1699, são os menos ruins com valores compreendidos entre centenas de milhares e alguns milhões de euros. O famoso “Molitor”, construído em 1697, foi vendido por 3,6 milhões de dólares em 2010 à violinista Anne Akiko Meyers num dos leilões online da Tarisio, um recorde na altura.
Já os violinos construídos entre 1700 e meados da década de 1720, o chamado “Período de Ouro”, podem valer dezenas de milhões de euros. Uma das mais famosas vendas de um violino deste período foi a do “Lady Blunt” (apelidado após 30 anos sob a posse de Anne Blunt, neta do poeta inglês Lord Byron), efectuada em Junho de 2011 num leilão promovido pela Fundação de Música Japonesa. O instrumento foi vendido a um licitante anónimo por 15,9 milhões de dólares, e a receita reverteu a favor das vítimas do tsunami do Japão.
As madeiras primárias utilizadas na construção de violinos, violoncelos e violas são o abeto para o tampo superior; e o bordo para o tampo inferior, as partes laterais e o braço. A estrutura é reforçada interiormente com salgueiro, e para as cravelhas e o ponto é utilizado ébano. Era com estes materiais que Antonio Stradivari construía os seus instrumentos.
Especula-se sobre o tratamento que o luthier dava à madeira que utilizava; contudo, provas científicas mostram que elementos químicos como fluoreto, bórax, crômio e sais de ferro estão presentes na composição da mesma. O verniz aplicado nos instrumentos resultava de uma mistura de borracha solúvel em óleo, com boa qualidade de secagem, e substâncias corantes. Para a construção dos violinos o mestre italiano usava uma forma a partir da qual construía o violino exteriormente. 1685 foi um ano revolucionário na manufacturação dos violinos, pois Estradivário aumentou as medidas padrão para um valor semelhante àquelas utilizadas pelo seu ensinante Nicola Amati, influenciando assim a produção de som. A meticulosidade do design utilizado na cravelhas, ponto, rebordo e cavalete também distingue o construtor.

13.573 – Instrumentos Musicais – O que é um diapasão?


diapasão
Trata-se de um instrumento metálico em forma de forquilha, que serve para afinar instrumentos e vozes através da vibração de um som musical de determinada altura. Foi inventado por John Shore (1662–1752) em 1711, trompetista de Georg Friedrich Haendel. A forquilha é afinada em uma determinada frequência (atualmente o mais comum é o Lá de 440 Hz). Ao ser golpeado contra uma superfície, as duas extremidades da forquilha do diapasão vibram produzindo a nota que será utilizada para afinar o instrumento musical. Em geral, é necessário encostar a outra extremidade do diapasão na caixa de ressonância do instrumento para amplificar seu som e permitir que seja ouvido à distância. O mesmo efeito pode ser conseguido se a extremidade do diapasão for encostada na caixa craniana próximo à orelha. Com as mesmas finalidades, existe também o diapasão de sopro, normalmente utilizado para afinar guitarras e outros instrumentos de cordas. Esses diapasões são como pequenas gaitas, que têm uma palheta afinada para a altura de cada corda do instrumento a afinar. Essas pequenas gaitas, são conhecidos por Lamiré (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), forma aglutinada das notas “Lá”, “Mi” e “Ré”. Daí a expressão “dar um lamiré”.
O diapasão permite determinar a característica de um som relacionada com a frequência de vibração das ondas sonoras. Os sons agudos têm frequências mais altas do que os sons graves. Quando um violinista afina seu instrumento, ajusta cada corda de maneira que vibrem um certo número de vezes por segundo. Na realidade, a maioria dos sons que ouvimos é uma mistura de várias frequências. Os sons produzidos por um instrumento musical, um apito ou uma sirene têm várias frequências ao mesmo tempo. A frequência mais baixa, chamada fundamental, é considerada a frequência da nota musical. A fundamental é produzida pela vibração do objeto de acordo com o comprimento, massa ou outras características físicas. As frequências mais altas, chamadas harmônicas, são produzidas por vibrações secundárias desse corpo. As frequências harmônicas são múltiplos inteiros da frequência fundamental.

12.301 – Artista constrói máquina musical que funciona a base de 2 mil bolinhas de gude


Este é o ☻Mega Arquivo
Isso mesmo, bolinhas de gude. Como Molin explicou em entrevista à Wired, “existe toda uma subcultura em torno das bolinhas de gude”, o que o deixou interessado em engrenagens e equipamentos. A partir dos novos conhecimentos, o artista teve a ideia de criar uma máquina musical que utilizaria as bolinhas.
Ele separou dois meses para realizar o projeto – no fim precisou de outros doze para completá-lo. “É estranho como isso acontece. Quanto mais perto de finalizar você está, tudo fica mais devagar automaticamente, com exceção à avalanche de novos problemas que não estavam previstos”, escreveu Molin no site oficial da Wintergatan.
Com a conclusão do projeto, o artista gravou um vídeo em que demonstra o funcionamento da máquina. A produção foi postada nesta quarta-feira (2 de março) e já possui mais de meio milhão de visualizações no Youtube.
A máquina consegue ativar os sons de um baixo, vibrafone e bumbo, tudo com a ajuda de duas mil bolinhas de gude. As peças vão passando por túneis dentro do instrumento por meio dos quais produzem os sons. Molin fez o design das dimensões do aparelho em um software 3D e depois foi modelando as peças até chegar na forma final.

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8330 – Instrumentos Musicais – Onde e quando surgiu o violão?


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Uma casca de tartaruga fechada com couro de boi, tendo como cordas as tripas de um carneiro esticadas: assim era o antepassado mais remoto do violão, na Grécia de 2000 a.C. Foi este rústico instrumento chamado chelys que, com o passar do tempo, transformou-se na lira – que, por sua vez, ganhou o nome de guitarra romana durante o Império dos Césares. “Esta versão do instrumento praticamente desapareceu com a decadência de Roma”, afirmou um musicólogo do Departamento de História da USP. “Mas ele ressurgiu, bem mais parecido com o violão atual, na Arábia do século VIII, quando foi acrescentada a caixa de ressonância em forma de pêra”. Este era o alaúde que, com as invasões árabes na Península Ibérica, acabou adotado pelos europeus sob o nome de guitarra mourisca. Foram, então, os povos ibéricos que reduziram seu tamanho, alteraram a caixa de ressonância para o seu formato atual, parecido com o número oito, e o rebatizaram de vihuela – a popular viola. Nesta época, entre os séculos X e XII, ela se distinguia do violão de hoje por ter vários furinhos entalhados na caixa de ressonância, em vez de um único buraco – a roseta – , como o instrumento ficou mundialmente conhecido.

7243 – Instrumentos Musicais – O Saxofone


Partes-de-Saxofone

Também conhecido popularmente como sax, é um instrumento de sopro patenteado em 1846 pelo belga Adolphe Sax, um respeitado fabricante de instrumentos, que viveu na França no século XIX. Os saxofones são instrumentos transpositores, ou seja, a nota escrita não é a mesma nota que ouvimos (som real ou nota de efeito). A maior parte dos saxofones são em B (como o sax tenor e o soprano) ou em E (como o sax alto e o barítono).
Ao contrário da de muitos dos modos de instrumentos tradicionais, que para chegar ao seus formatos atuais foram evoluídos de instrumentos mais antigos, dos quais muitas vezes não se conhece o inventor, o saxofone foi um instrumento deliberadamente inventado. Seu inventor foi o belga Antonie Joseph Sax, mais conhecido pela alcunha de Adolphe Sax. Filho de um fabricante de instrumentos musicais, Adolphe Sax aos 25 anos foi morar em Paris, onde começou a trabalhar no projeto de novos instrumentos. Ao adaptar uma boquilha semelhante à do clarinete a um oficleide, Sax teve a ideia de criar o saxofone. A data exata da criação do instrumento foi em 28 de junho de 1840.
Ao longo do tempo, diversas modificações foram feitas, como a chave de registro automática, introduzida no início do século XX em substituição às duas chaves de registro que deveriam ser alternadas manualmente pelo instrumentista. Entretanto, as características gerais do instrumento permanecem as mesmas dos originais criados por Adolphe Sax.
É um instrumento fabricado em metal, geralmente latão, com chaves, numa mecânica semelhante à do clarinete e à da flauta. É composto basicamente por um tubo cônico, com cerca de 26 orifícios que têm as aberturas controladas por cerca de 23 chaves vedadas com sapatilhas feitas de couro e uma boquilha que pode ser de metal ou de resina, na qual se acopla uma palheta de bambu ou de material sintético.

A família do saxofone é extensa. Todos os membros compartilham a mesma digitação e a escrita é sempre em clave de sol, variando a transposição de acordo com o registro do instrumento. Dentre os sete instrumentos originalmente produzidos, há:
Saxofone sopranino – É o membro mais agudo da família dos saxofones. É afinado em E♭ ou, raramente, em F. Seu corpo é reto.
Saxofone soprano – É o integrante mais agudo do quarteto de saxofones clássico. Afinado em B♭. Há também sopranos afinados em C, mas são muito raros. O tradicional é o de corpo reto, mas há também sopranos curvos.
Saxofone alto – Um dos tipos mais comuns de saxofone. De registro médio-agudo, tem a tessitura próxima à da viola. É afinado em E♭.
Saxofone tenor – Também é um instrumento muito comum. Tem registro médio-grave. Afinado em B♭. Há também os afinados em C.
Saxofone barítono – É o integrante mais grave do quarteto de saxofones clássico. Afinado em E♭. É comum encontrar barítonos com uma nota a mais para o grave (A grave, que soa C), recurso raramente encontrado em saxofones mais agudos.
Saxofone baixo – Muito utilizado em bandas sinfônicas e em grandes conjuntos de saxofones. É afinado em B♭. Também pode contar com recurso do A grave (que soa G).
Saxofone contrabaixo – É o membro mais grave da família original do saxofone. É afinado em E♭.
O projeto de Adolphe Sax previa um instrumento ainda mais grave que o saxofone contrabaixo, entretanto, esse instrumento não chegou a ser produzido.

A boquilha é a peça que se encaixa na extremidade mais fina do saxofone e na qual é fixada a palheta. Seu funcionamento é semelhante ao de um apito, que gera as vibrações que irão percorrer o corpo do instrumento. As boquilhas podem ser fabricadas em diversos materiais: massa plástica, metais, acrílico, madeira, vidro e até mesmo osso, contudo as de massa plástica e de metais são as mais utilizadas.
O formato das boquilhas também pode variar, tanto externamente quanto internamente. Alterações nos formatos implicam alterações significativas do som produzido, e devido a este fato, a escolha da boquilha é uma decisão muito pessoal para cada saxofonista. Não existe um padrão entre as fábricas e cada fabricante produz, geralmente, boquilhas com várias aberturas.
A palheta está para o saxofone assim como a corda está para os instrumentos de corda. Ela é a responsável pela emissão do som pelo instrumento. Ao soprarmos a boquilha, é gerada uma coluna de ar que faz vibrar a palheta, produzindo o som.
As palhetas são fabricadas com madeira, geralmente cana ou bambu, porém palhetas sintéticas, como a Fibracell, feita de um material de fibra e a Légere e Bari, confeccionada em acrílico. Existem numerações para determinar o nível de dureza e de resistência à envergadura de uma palheta, mas esta numeração não é padronizada, varia de fabricante para fabricante. Quanto mais dura é a palheta, maior é o esforço para a emissão da nota, contudo menor é o esforço para manter o controle da afinação.

Os mais conhecidos fabricantes de saxofones no mundo são Buffet Crampon, Julius Keilwerth, Leblanc (Vito), Jupiter (Habro), Selmer, Conn, Cannonball, King, Buescher, Martin, Yamaha, e Yanagisawa. Já dentre os fabricantes de boquilhas estão Selmer, Claude Lackey, Rico, Dukoff, Yanagisawa, Meyer, ARB, Otto Link, Meyer, Beechler, Bari e Vandoren. Os principais fabricantes de palhetas são Vandoren, Rico, Fibracell, Platicôver e Gonzales.
Um dos fabricantes de saxofones mais respeitados pelos saxofonistas é a companhia francesa Selmer Company, que conquistou a preferência de grandes saxofonistas como John Coltrane – que celebrizou o tenor modelo Mark VI – e Coleman Hawkins. Também há modelos famosos, como os da Conn: New Wonder, Lady Face, NAked LAdy; da King: Super20 e King Zephyr; da Buescher: Big B e Top Hat and Cane.
Dos fabricantes orientais, o destaques são Yanagisawa e Yamaha. Atualmente, diversos fabricantes chineses, como Eagle e Dolphin fabricam saxofones de qualidade inferior aos demais e que tem um tempo de vida muito curto, além disso, sua qualidade sonora pode variar muito de um exemplar para outro e também ao longo do tempo.

6995 – Instrumentos Musicais – O Piano


O piano (apócope derivado do italiano pianoforte) é um instrumento musical de cordas, pelo sistema de classificação de Hornbostel-Sachs.
O som é produzido por peças feitas em madeira e cobertas por um material (geralmente feltro) macio e designados martelos, e sendo ativados através de um teclado, tocam nas cordas esticadas e presas numa estrutura rígida de madeira ou metal. As cordas vibram e produzem o som. Como instrumento de cordas percutidas por mecanismo ativado por um teclado, o piano é semelhante ao clavicórdio e ao cravo. Os três instrumentos diferem no entanto no mecanismo de produção de som. Num cravo as cordas são beliscadas. Num clavicórdio as cordas são batidas por martelos que permanecem em contacto com a corda. No piano o martelo afasta-se da corda imediatamente após tocá-la deixando-a vibrar livremente.
Teve a sua primeira referência publicada em 1711, no “Giornale dei Litterati d’Italia” por motivo da sua apresentação em Florença pelo seu inventor Bartolomeo Cristofori. A partir desse momento sucede-se uma série de aperfeiçoamentos até chegar ao piano atual. A essência da nova invenção, residia na possibilidade de dar diferentes intensidade aos sons e por isso recebeu o nome de “piano-forte” (que vai do pianíssimo ao fortíssimo) e mais tarde, reduzido apenas para piano. Tais possibilidades de matrizes sonoras acabaram por orientar a preferência dos compositores face ao clavicêmbalo.
Os pianos modernos, embora não se diferenciem dos mais antigos no que se refere aos tons, trazem novos formatos estéticos e de materiais que compõem o instrumento. Um piano comum tem, geralmente, oito lás, oito sis bemóis, oito sis, oito dós, sete dós sustenidos, sete rés, sete mis bemóis, sete mis, sete fás, sete fás sustenidos, sete sóis e sete sóis sustenidos, formando um total de 88 notas musicais. Se for um de 97 notas musicais, do tipo Bösendorfer 290, ele terá nove dós, oito dós sustenidos, oito rés, oito mis bemóis, oito mis, oito fás, oito fás sustenidos, oito sóis, oito sóis sustenidos, oito lás, oito sis bemóis e oito sis.
O piano é amplamente utilizado na música ocidental, no jazz, para a performance solo e para acompanhamento. É também muito popular como um auxílio para compor. Embora não seja portátil e tenha um alto preço, o piano é um instrumento versátil, uma das características que o tornou um dos instrumentos musicais mais conhecidos pelo mundo.
O piano de cauda tem a armação e as cordas colocadas horizontalmente. Necessita por isso de um grande espaço pois é bastante volumoso. É adequado para salas de concerto com tetos altos e boa acústica. Existem diversos modelos e tamanhos, entre 1,8 e 3 m de comprimento e 620 kg. Pianos excecionais : todos os fabricantes fazem piano pianos excecionais (artcase), alguns são apenas decorações ou mudanças dramáticas nos atuais (pés trabalhados, pintura, capa) são outras alterações radicais como o Pegasus] por Schimmel ou o M. Liminal projetado por NYT Line e composto por Fazioli.
O piano de armário tem a armação e as cordas colocadas verticalmente. A armação pode ser feita em metal ou madeira. Os martelos não beneficiam da força da gravidade.
Pode considerar-se um outro tipo de piano: o piano automático ou pianola. Trata-se de um piano com um dispositivo mecânico que permite premir as teclas numa seqüência marcada num rolo.
Alguns compositores contemporâneos, como John Cage, Toni Frade e Hermeto Pascoal, inovaram no som do piano ao colocarem objetos no interior da caixa de ressonância ou ao modificarem o mecanismo. A um piano assim alterado chama-se piano preparado.
A Família Real portuguesa incentivou o uso do pianoforte no Brasil.

Teclado
Praticamente todos os pianos modernos têm 88 teclas (sete oitavas mais uma terça menor, desde o lá0 (27,5 Hz) ao dó8 (4.186 Hz)). Muitos pianos mais antigos têm 85 teclas (exatamente sete oitavas, desde o lá0 (27,5 Hz) ao lá7 (3.520 Hz)). Também existem pianos com oito oitavas, da marca austríaca Bösendorfer. As teclas das notas naturais (dó, ré, mi, fá, sol, lá e si) são brancas, e as teclas dos acidentes (dó ♯, ré ♯, fá ♯, sol ♯ e lá ♯ na ordem dos sustenidos e as correspondentes ré ♭, mi ♭, sol ♭, lá ♭ e si ♭ na ordem dos bemóis) são da cor preta. Todas são feitas em madeira, sendo as pretas revestidas geralmente por ébano e as brancas de marfim, já em desuso e proíbido no mundo, ou de material plástico.
Os pianos têm geralmente dois ou três pedais, sendo sempre o da direita o que permite que as cordas vibrem livremente, dando uma sensação de prolongamento do som. Permite executar uma técnica designada legato, como se o som das notas sucessivas fosse um contínuo. Compositores como Frédéric Chopin usaram nas suas peças este pedal com bastante frequência.
O pedal esquerdo é o chamado una corda. Despoleta nos pianos de cauda um mecanismo que desvia muito ligeiramente a posição dos martelos. Isto faz com que uma nota que habitualmente é executada quando o martelo atinge em simultâneo três cordas soe mais suavemente pois o martelo atinge somente duas. O nome una corda parece assim errado, mas nos primeiros pianos, mesmo do inventor Cristofori, o desvio permitia que apenas uma corda fosse percutida. Nos pianos verticais o pedal esquerdo consegue obter um efeito semelhante ao deslocar os martelos para uma posição de descanso mais próxima das cordas.
O pedal central, chamado de sostenuto possibilita fazer vibrar livremente apenas a(s) nota(s) cujas teclas estão acionadas no momento do acionamento dos pedais. As notas atacadas posteriormente não soarão livremente, interrompendo-se assim que o pianista soltar as teclas. Isso possibilita sustentar algumas notas enquanto as mãos do pianista se encontram livres para tocar outras notas, o que é muito útil ao realizar, por exemplo, passagens em baixo contínuo. O pedal sostenuto foi o último a ser incrementado ao piano. Atualmente, quase todos os pianos de cauda possuem esse tipo de pedal, enquanto entre pianos verticais ainda há muitos que não o apresentam. Muitas peças do século XX requerem o uso desse pedal. Um exemplo é “Catalogue d’Oiseaux”, de Olivier Messiaen.
Em muitos pianos verticais, nos quais o pedal central de sostenuto foi abolido, há no lugar do pedal central um mecanismo de surdina, que serve apenas para abafar o som do instrumento.

Afinação
Não é possível num instrumento com teclado ou com trastos obter quintas, terças e oitavas todas «justas» no sentido físico do termo, ou seja, perfeitamente consonantes. Em outras palavras, se forem afinadas todas as quintas sem batimento, haverá batimentos para a oitava. E as terças não serão justas. Para chegar a oitavas perfeitas o afinador tem que encurtar uma ou mais quintas. O temperamento de uma escala é exatamente o ajuste dos intervalos entre as notas, afastando-os do seu valor natural «harmônico», para fazer com que os intervalos caibam numa oitava.
No sistema de temperamento igual, que (geralmente) é o adotado atualmente no ocidente, os intervalos de quinta, terça e quarta não são perfeitamente consonantes. Mas o seu batimento é bem suportável e o ouvido contemporâneo já se habituou a ele. Só as oitavas são perfeitas. As quartas aumentadas (ou quintas diminutas) ainda que não sejam consonantes, também tem seu valor harmônico exato.
Hoje em dia, depois de afinarem bem cada quinta, os afinadores encurtam-na ligeiramente temperando-a até que se ouça uma flutuação distinta de volume que tem um som «ondulante» – o que se chama um batimento. Na oitava central do piano, as quartas e quintas devem soar com aproximadamente um batimento (uma ondulação) por cada dois segundos, enquanto as terceiras maiores e as terceiras menores devem criar aproximadamente três batimentos por segundo.
Resumo do mestre Newton Freitas (com acréscimos): Um afinador de pianos é em parte cientista, em parte artista e em parte psicólogo. Um cientista, pois deve conhecer os fundamentos físicos da harmonia e da dinâmica de propagação das ondas. Um artista, pois deve ter o toque seguro de um excelente músico ao utilizar seus instrumentos. Um psicólogo, pois deve conhecer e deve saber definir as necessidades de seus clientes.
Mas essas são características desejáveis, pois a característica indispensável ao afinador é ter um bom ouvido: é ter a capacidade de discernir as variações mínimas dos sons produzidos em toda a extensão do teclado, desde as notas graves (a partir de 30 ciclos por segundo) até o ponto culminante das notas agudas (mais de 4.000 ciclos). Até os 25 anos de idade, a pessoa pode aprender as infinitas sutilezas dos sons.
Destinada a “colocar o piano no tom”, a afinação é um processo com o objetivo de colocar todos os elementos do piano num ponto de equilíbrio (em primeiro lugar, o tom correto; depois, a voz agradável, responsável pela sonoridade própria, variável de acordo com o lugar); é um processo extremamente complexo, pois um piano, um instrumento nada prático, tem mais de duzentas cordas e cada uma delas deve estar afinada num determinado tom.
Cada tom, por sua vez, deve relacionar-se com os tons das outras cordas, de forma a produzir, em toda a extensão do teclado, uma série de tons com intervalos regulares, desde a extremidade grave até a extremidade aguda.
Quando um afinador ajusta as notas de um piano, ele altera, com muita precisão, a tensão de cada corda girando a cravelha à qual ela se prende em uma de suas extremidades, até alcançar o tom desejado, mais agudo ou mais grave. A mão esquerda pressiona as teclas enquanto a mão direita gira as chaves de afinação.
Com um bom ouvido e mão certeira, um bom afinador não leva mais de uma hora ou hora e meia para deixar o piano afinado. Um bom afinador não é chamado de volta pelo cliente pouco depois, observa Luc, restaurador e comerciante de pianos usados em Paris (Luc só vende pianos a comprador recomendado por cliente. Tem por norma convidar o comprador para experimentar, tocar e examinar os instrumentos; depois, deixa-o decidir por si mesmo).
Os pianos com cravelhames (suporte das cravelhas) totalmente de metal mantêm a afinação por muito mais tempo (as cravelhas, inseridas nos cravelhames, retesam as cordas).

Um piano novo precisa de um período de maturação durante o qual ele não apenas se aclimata ao ambiente, como se adapta ao estilo e à freqüência de uso. As correntes de ar não fazem bem algum, mas a exposição direta ao calor é a morte, ensina Luc.
Um piano bem tocado, com freqüência, quase sempre atinge um equilíbrio perfeito e sua sonoridade ótima em poucos anos. Se for bem cuidado, continuará a responder adequadamente durante muitas décadas, até mesmo por várias gerações. Mas os pianos, de um modo geral, começam a deteriorar lentamente depois de um período inicial de amadurecimento. Há pianos vivos, para serem tocados, e há pianos para museus.
Em razão desse processo de vida, um concertista quer sempre tocar num instrumento no apogeu de sua transitória existência, devidamente sazonado e amaciado, além de mecanicamente perfeito. Essas condições só se mantêm durante uns poucos anos, na melhor das hipóteses. Na maioria das salas de concerto, os pianos são alugados. O piano alugado pode sempre ser substituído por outro em melhores condições.
O piano deve sempre ser tocado. É melhor ser mal tocado a não ser tocado. O piano assemelha-se bastante a um organismo vivo com necessidade de estímulos para o todo funcionar harmonicamente.
Quando é tocado, todas as suas partes estão sujeitas a vibrações e, ao longo do tempo, o efeito dessas vibrações no conjunto das partes é mais ou menos uniforme: as cravelhas apóiam-se de certa forma no bloco de cravelhas; os martelos respondem às teclas de maneira regular; o tampo harmônico se flexiona e vibra dentro dos limites esperados.

Uma das melhores marcas de piano do mundo atualmente é a italiana “Fazioli”. São instrumentos extraordinários, praticamente feitos à mão, com produção limitada, comenta Luc, o qual acrescenta: são os pianos mais caros do mundo; um “Fazioli” de cauda para concertos custa mais de US$ 100 mil. A produção foi iniciada em 1980 sob a condução de Paolo Fazioli, preocupado em dar sonoridade própria aos seus pianos.
Essa sonoridade própria, explica Paolo Fazioli, é viabilizada quando se busca dar equilíbrio a muitos sons, geralmente não ouvidos, de extrema suavidade e de elevada sutileza. A importância desses sons para a sonoridade do piano lembra a capacidade de grandes conhecedores de vinho de apreciar todas as sutilezas de uma grande safra: ninguém precisa saber dessas sutilezas para apreciar um vinho excelente, mas o fabricante do vinho precisa reconhecê-las a fim de aperfeiçoar sua arte.

Ouça agora o piano nota 10 de Shakatak:

6879 – Esquentando os Pratos – Instrumentos Musicais – A Bateria


Trata-se de um conjunto de tambores (de diversos tamanhos e timbres) e de pratos colocados de forma conveniente com a intenção de serem percurtidos por um único músico, denominado baterista, geralmente, com o auxílio de um par de baquetas, vassourinhas ou bilros, embora no caso de alguns executantes, possam também ser usadas as próprias mãos.
O conjunto de instrumentos é geralmente usado nos estilos musicais jazz, hip-hop, rock e pop entre outros, tendo sido componente essencial da música contemporânea desde a década de 20 até ao surgimento da percussão eletrônica, quando se deu o aparecimento das primeiras baterias eletrônicas.
No começo dos anos 1900, bandas e orquestras tinham de dois a três percussionistas cada. Um tocava o bumbo, outro tocava a caixa e o outro tocava os blocos de madeira e fazia os efeitos sonoros. O desenvolvimento do pedal possibilitou que uma mesma pessoa executasse todas estas funções.
O primeiro pedal prático foi inventado em 1910. William F. Ludwig, que criou o primeiro modelo de madeira e logo depois, com o aumento da procura, passou a desenvolver junto com seu cunhado, Robert Danly, o modelo do pedal em aço que foi vendido para milhares de bateristas e serviu de base para criação dos modelos mais avançados que temos hoje.
Outra invenção aparentemente simples que possibilitou o surgimento da bateria foi a estante para caixa, que antes os bateristas usavam cadeiras para apóia-las ou penduravam nos ombros com uso de correias.
Uma vez que pedais e suportes para caixas práticos se tornaram disponíveis, um único baterista poderia executar o trabalho antes feito por três. A peça mais nova que fez parte do kit básico da bateria foi o hi-hat que apareceu na década de 40. É uma peça que utiliza dois pratos de choque, acionados com o pé. No jazz, ela tinha a função de marcar o contratempo nas pulsações ritmicas, motivo pelo qual, em alguns lugares, esta peça também é denominada de contratempo . E assim foi nascendo a bateria – ou trap set, como foi chamada inicialmente.
Nos anos 80, alguns fabricantes, tais como Simmons, Yamaha, Roland entre outros, criaram baterias eletrônicas que, além de sons pré-gravados, podiam também funcionar como samplers, gravando sons que depois são executados sempre que o instrumento é percutido.
Hoje, em evolução constante, a bateria recebe cada vez mais atenção de fábricas e engenheiros, que pesquisam junto aos bateristas para desenvolver o melhor modelo de cascos, baquetas, ferragens e pratos. As inúmeras fábricas crescem a cada dia no mundo e no Brasil. Entre as marcas que fizeram história no Brasil incluem-se a Pingüim e a Gope (anos 60 e 70) e a Odery que hoje é considerada uma das melhores baterias no mundo, tendo seu início como uma Handmade (feita a mão). Com o surgimento de novas tecnologias e a importação de ferragens e acessórios, novas fábricas na década de 1980 começam a fabricar somente os cascos em cedro, marfim e bapeva utilizando-se de ferragens americanas como a Luthier, RMV e Fischer. Incluem-se várias firmas de acessórios como a Ziltannam e a Octagon (pratos), C.Ibanez e a Liverpool (baquetas), RMV, a Remo e Luen (peles sintéticas), Rock Bag (cases e bags).

Seu peso varia de 40 a 70 kg. Não existe um padrão exato sobre como deve ser montado o conjunto dos elementos de uma bateria,[4] sendo que, o estilo musical é por muitos indicado como uma das maiores influências perante o baterista no que respeita à disposição dos elementos, sendo que, a preferência pessoal do músico ou as suas condições financeiras ou logísticas;
Um surdo (designado também por tímbalo de chão ou timbalão de chão em Portugal).

Pratos
Um chimbal (par de pratos de choque em Portugal, ou hi-hat, em inglês), acionados por meio de um pedal;
Um prato de condução (também conhecido pela designação em inglês ride ou swish), apoiado num suporte geralmente em forma de tripé;
Um ou mais pratos de ataque (os três tipos mais usados, com a designação em inglês: crash, splash e china), apoiados em suportes idênticos aos do prato de condução, colocados ao lado dos outros elementos.
A adição de tom-tons, vários pratos, pandeirolas, gongos, blocos de madeira, canecas, almofadas (pads) eletrônicas devidamente ligadas a samplers, ou qualquer outro acessório de percussão (ou não) podem também fazer parte de algumas baterias, de forma a serem produzidos diversos sons que se encontrem mais de acordo com o gosto pessoal dos músicos.
Alguns bateristas, tais como Neil Peart ou Terry Bozzio, elaboraram conjuntos de bateria fora do normal, utilizando-se de diversos elementos, tais como rototós, bidões, gongos ou tom-tons afinados em correspondência com notas musicais, possibilitando ao baterista, para além da execução rítmica, contribuir melodicamente para a música. A década de 80 foi prolífica no surgimento destes conjuntos fora do normal, apreciados pelos amantes da bateria, um pouco por todo o mundo.

Materiais de construção
De uma forma geral, os tambores das baterias são construídas em madeiras seleccionadas, podendo também encontrar-se elementos construídos à base de plásticos, metais e/ou outras ligas.
Diversos fabricantes têm efectuado diversas experiências de forma a obter os melhores sons a partir da madeira, tendo concluído que o mogno, a bétula e o plátano produzem as madeiras mais aceitas para a construção destes instrumentos. Já em relação às tarolas (caixas), as ligas metálicas baseadas em aço, latão ou cobre são as preferências dos modelos de entrada de gama, embora os modelos fabricados em madeira de bétula e plátano tenham melhor aceitação nos modelos de topo de gama.
No Brasil, apesar de um certo atraso em relação aos produtos americanos e europeus, desde a década de 60 há indícios da fabricação de baterias pré-montáveis. Originalmente usava-se o Cedro como material para a produção de cascos e casualmente o Pau-marfim. Hoje a indústria brasileira já inova neste conceito utilizando madeiras certificadas como a Bapeva que é uma madeira com o dobro de densidade do Maple americano (o mais utilizado para a produção de cascos de bateria), ou seja, mais dura e mais resistente.

Bateria eletrônica
Uma bateria eletrônica é geralmente formada por um conjunto de pads montados sobre um rack numa disposição similar à de uma bateria acústica. Os pads são discos com uma superfície de borracha ou tecido que simulam os tambores de uma bateria. Cada pad possui um ou mais sensores que geram sinais elétricos quando percutidos. O sinal elétrico é transmitido através de cabos até um módulo eletrônico, que produz o som associado ao pad em questão.
Diz-se que a primeira bateria eletrônica foi criada por Graeme Edge, baterista da banda The Moody Blues, com a colaboração do professor Brian Groves da Universidade de Sussex. O dispositivo foi usado na música ‘Procession’, do álbum ‘Every Good Boy Deserves Favor’ de 1971.
A primeira bateria eletrônica comercial foi a Syndrum Pollard, criada pela Pollard Industries em 1976. Ela era formada por um módulo eletrônico e um ou mais tambores. Ela rapidamente chamou a atenção de muitos bateristas famosos como Carmine Appice e Terry Bozzio. Mas o Syndrum foi um fracasso financeiro e levou a empresa à ruína em poucos anos.

Postura do músico
O baterista toca no instrumento sentado sobre um banco, de forma a manter a caixa entre as pernas que deverão ficar por isso ligeiramente abertas. No caso de bateristas destros, o pé esquerdo assentará sobre o pedal do chimbal e o direito sobre o do bumbo, sendo que, muitos bateristas canhotos adaptam uma postura simétrica a esta.
Alguns bateristas usam um segundo bumbo, ou um pedal duplo, percutido através do pé que geralmente acciona o chimbal, sendo necessário o uso de algumas técnicas adicionais, de forma a conseguir manter a coordenação entre os diferentes ritmos musicais que a música eventualmente possa exigir.

Ouça a bateria nota 1000 de Garys Gang: