13.625 – O que é o Projeto Avatar?


projeto avatar
Magnata russo deseja implantar cérebros humanos em robôs
Dmitry Itskov, magnata russo da área de tecnologia, apresentou recentemente um projeto que mais se parece com um daqueles livros de ficção científica: batizado de “Avatar”, a ideia é desenvolver robôs capazes de hospedar cérebros humanos e manter sua consciência ativa para sempre.
Lançado há um ano, o projeto emprega 30 pesquisadores, que Itskov financia com o dinheiro do próprio bolso. Depois da recente apresentação realizada em Moscou, o magnata espera atrair cientistas de todo o mundo que desejem colaborar com as pesquisas.
De acordo com Itskov, “este projeto estará indicando o caminho para a imortalidade”, e ele acredita que “esta é uma nova estratégia para o futuro, para a humanidade”.

Projetos semelhantes
A DARPA, agência norte-americana que trabalha com projetos de pesquisa avançada de defesa, já havia surpreendido ao apresentar um sistema, também batizado de “Avatar”, que utilizará robôs bípedes e semiautônomos para substituir soldados nos campos de batalha. Entretanto, os planos de Itskov, que precedem as pesquisas norte-americanas, parecem ir mais além.
O projeto é ambicioso e está dividido em fases:
Primeira fase: deve ocorrer dentro de poucos anos e prevê o desenvolvimento de robôs capazes de ser operados pela mente humana. Essa tecnologia já se encontra em desenvolvimento, e um estudo realizado em pacientes humanos do hospital John Hopkins já está utilizando implantes cerebrais para controlar membros artificiais, por exemplo.
Segunda Fase: deve ocorrer dentro de 10 anos e prevê o transplante da mente humana para uma mente robótica. Após essa etapa, seria realizada uma espécie de “upload” de informações, que transferiria o conteúdo do cérebro humano a um cérebro robótico novinho em folha.
Última fase: deve ocorrer dentro de 30 anos e prevê o desenvolvimento de corpos holográficos, que seriam capazes de hospedar a consciência humana.
Até o momento, não existe nenhuma tecnologia que permita a criação de consciências humanas holográficas, nem podemos afirmar que algum dia será possível criá-las. Mas, como o próprio Itskov afirmou, “se você empregar toda a sua energia em algo, poderá fazer com que se torne realidade”.

13.624 – Projeções – A Transferência Mental


projetoavatar
Em teoria por enquanto:

Acredita-se que uma pessoa possa transformar a sua personalidade, memória e emoção em dados de computador. Sendo assim, essa pessoa poderia viver eternamente caso algo acontecesse ao seu corpo orgânico dentro de um sistema de computação. Uma pessoa pode carregar sua consciência para um computador ou a mente de um bebê recém-nascido. O bebê, então, iria crescer com a individualidade da pessoa anterior e não poderia desenvolver sua própria personalidade.
Futuristas como Moravec e Kurzweil propuseram que, graças ao crescimento exponencial do poder da computação, um dia será possível fazer o upload da consciência humana para um sistema informático e viver indefinidamente em um ambiente virtual. Isso poderia ser conseguido através de avanços da cibernética, quando o hardware seria inicialmente instalado no cérebro para ajudar a memória a digitalizar ou acelerar os processos de pensamento. Componentes seriam adicionados gradualmente até que as funções do cérebro da pessoa fossem inteiramente dispositivos artificiais, evitando transições radicais que poderiam levar a problemas de identidade.
Após esse ponto, o corpo humano poderia ser tratado como um “acessório opcional” e a mente poderia ser transferida para qualquer computador suficientemente potente. Pessoas nesse estado seriam, então, essencialmente imortais, a menos que a máquina (ou o segundo corpo) que as mantém seja destruida. A pessoa poderia criar varias cópias de arquivo e guardá-las em vários locais (ou jogá-las na Internet), garantindo assim vida eterna absoluta.

Uso Militar
Essa tecnologia poderia ser usada como uma forma de armazenar dados das mentes de soldados. Esses dados ficariam em um local seguro e, caso esses soldados fossem mortos em guerra, com sua essência eles poderiam ser revividos, assim evitando o sofrimento da morte para a familia.
Outro uso é que a inteligência artificial poderia ser usada para o combate direto. Com a captação de dados, seria possivel replicar o sistema criando seres artificiais baseados na personalidade da pessoa que foi sublimada. Ex.: pilotos de caça criados artificialmente (homúnculos ou inteligências de computador) poderiam entrar em combate, a mente desenvolvida poderia tomar decisões sozinha e assim poderia ser criado o livre-arbitrio artificial, criando uma espécie de guerra robótica em que seres humanos não precisariam mais arriscar suas vidas para o combate e, sim, homúnculos ou inteligências artificiais, capazes de tomar as suas próprias decisões e, quem sabe, possuir sentimentos e essências baseados no ser humano.

Onde entra a ética?
É evidente que essa questão gera muita polêmica. Como ainda não existe uma legislação especifica para esse caso, uma pessoa sublimada não teria nenhum impedimento para praticar muitos crimes, como assassinato por exemplo (já que homicidio é qualificado como um humano matando outro e, de certo ponto de vista, o individuo deixa de ser humano).
Outro ponto a ser comentado é a questão de o homem se tornar uma especie de deus, já que, com uma análise detalhada de dados, podemos até criar um homúnculo (ou uma consciência artificial) baseando-se em tais dados; o que poderia levar a máquina (ou o homúnculo) dotada de livre-arbítrio a cometer crimes e ficar impune. Apesar de existirem as três leis da robótica, o ser citado acima, por possuir livre-arbitrio, poderia se negar a seguir tais leis, o que cientificamente seria absurdo de se aceitar. Isso sem contar a questão da imortalidade já citada acima.
Com isso surgiriam questões do tipo: é etico ser imortal? Seria injusto não aplicar as mesmas leis humanas a robôs? Seria injusto exclui-los do mesmo código de ética, mesmo sabendo que eles devem ser uma espécie de escravos do ser humano e não poderiam seguir o seu livre-arbitrio tão livremente assim?

12.621 – A Ciência da Imortalidade


-DNA
Há quem faça operações plásticas, quem tome antioxidantes e quem diminua a ingestão de calorias com o fito de rejuvenescer ou viver mais anos. Mas há quem vá ainda mais longe.
Considerando o envelhecimento como uma doença com tratamento e não como um processo natural, Aubrey de Grey sugere que as pessoas, atingindo uma determinada idade, sejam submetidas à inativação completa da telomerase. Como muitos cancros possuem telomerase activa, a sua inactivação permitiria prevenir os cancros.
No entanto, essa inativação iria impedir que as células estaminais se dividissem. Para evitar essa perda irreversível, o cientista propõe a administração regular de células estaminais como forma de tratamento. A solução, na sua opinião, iria promover um equilíbrio entre a telomerase e as células estaminais.
Já o cientista Ray Kurzweil acredita que a imortalidade será uma realidade daqui a 20 anos, graças ao conhecimento dos genes e à tecnologia informática, que permitirá ao ser humano reprogramar o seu organismo. O norte-americano crê mesmo que a nanotecnologia nos permitirá viver para sempre.
A verdade é que vários estudos sugerem que o potencial máximo de vida humana será de 120 anos, mesmo que consigamos combater as doenças, os acidentes, os homicídios e todas as causas de morte. O corpo humano parece condenado ao fim.
Há quem vá ainda mais longe e esteja disposto a gastar fortunas para se fazer congelar depois da morte, na esperança de que possa ser ressuscitado um dia. Outros pensam que os moribundos poderiam ser conservados num estado de hipotermia, colocando o seu metabolismo au ralenti, de modo a aumentar as hipóteses de sobrevivência no futuro. Perguntar-se-á: se a hibernação pode adiar a morte, a congelação poderá vencê-la?
Mesmo que fosse possível reprogramar o nosso corpo, será eticamente aceitável? Quantos poderiam beneficiar destes tratamentos, potencialmente muito dispendiosos? Que programas de saúde teriam de ser suspensos de modo a serem canalizados fundos para estas investigações e tratamentos? Poderá a ciência prolongar indefinidamente a vida humana, substituindo as peças avariadas por peças artificiais construídas em laboratório? Afinal, para onde caminha a investigação científica? Ficam as questões.
Impressão de órgãos 3D
Ao longo dos anos, a impressão 3D tem evoluído em diversos aspectos e atualmente é usada em inúmeras aplicações interessantes. Imprimir pizza e chocolate pode ser realmente incrível, mas a criação de órgãos vivos em impressoras 3D é algo completamente diferente. Como funciona? Essa aplicação específica da tecnologia de impressão 3D é chamada de bioimpressão e utiliza o tipo mais caro e avançado de máquina desse tipo já criada – isso porque a bioimpressão imprime, literalmente, células vivas. O método tem alguns pontos em comum com a impressão 3D comum, exceto pelo fato de que a estrutura do órgão desejado é impresso utilizando proteínas e, em seguida, os espaços são preenchidos com células-tronco que vão crescer e ocupar as lacunas. Para conseguir essa espécie de “tinta biológica” que alimenta a impressora 3D, cientistas colhem células humanas a partir de biópsias ou de células-tronco e, em seguida, permitem que elas se multipliquem numa placa de Petri (os conhecidos “pratinhos de vidro dos laboratórios”). Os médicos esperam que, quando colocadas no corpo, essas células impressas interajam com os tecidos já existentes.

Impacto na expectativa de vida do ser humano
Fígados e rins artificiais simples já foram criados usando a bioimpressão, mas os cientistas ainda têm um longo caminho a percorrer antes que eles fiquem bons o suficiente para substituir os órgãos originais. Porém, o progresso nessa área tem se mostrado assustadoramente rápido. Mas como isso poderia levar à vida eterna? Se você faz parte do grupo de pessoas que acredita que a mortalidade humana está relacionada simplesmente a deterioração dos órgãos ao longo do tempo, então a resposta é igualmente simples: substitua seus órgãos conforme eles se aproximam do colapso e você viverá para sempre. Seu cérebro pode ficar senil, mas seu corpo continuará firme e saudável. É claro que o discurso é muito mais fácil do que a prática. Para que isso se torne realidade é preciso reaplicar cada componente do corpo, incluindo ossos, pele, gordura e artérias. Mas logicamente falando, isso pode funcionar.

Sangue novo

Nos livros e filmes sempre ouvimos falar do “elixir da vida”. Mas e se essa fórmula mágica fosse nada mais do que o sangue da juventude? Calma. Não estamos falando de vampiros que precisam tomar sangue de jovens para manter sua vida eterna. De acordo com resultados de pesquisas realizadas no início do ano passado, o sangue jovem pode parar – ou até mesmo reverter – o processo de envelhecimento. Como funciona? A “mágica” acontece por meio de uma técnica antiga: a transfusão de sangue. O procedimento pode parecer algo extremamente simples, mas o resultado pode ser milagroso. Em 2005, cientistas demonstraram que o sangue de ratos jovens ajudava a regenerar tecidos musculares de ratos mais velhos em testes em laboratório. Mas em 2014, descobriram que ratos tratados com uma proteína isolada do sangue jovem demonstraram cognição e resistência melhoradas, além de uma significativa melhora no funcionamento de seus órgãos após transfusões de sangue. Essa foi a primeira demonstração de um fator de rejuvenescimento produzida naturalmente. O efeito surpreendente acontece graças a uma proteína conhecida por GDF11, que regula a atividade de células estaminais. Ratos jovens possuem essa célula em abundância, mas a sua presença vai diminuindo gradualmente com a idade, mas ninguém sabe ao certo por que isso acontece. Impacto na expectativa de vida do ser humano A pesquisa nessa área ainda está engatinhando, mas os resultados até agora são notáveis o suficiente para que os cientistas fiquem esperançosos, mas cautelosos. Muitos concordam que a GDF11 tem grande potencial terapêutico, mas é preciso ter cuidado até que se descubra mais sobre o mecanismo dessa proteína. Ainda assim, a equipe de Harvard responsável pela pesquisa antecipa que os testes clínicos de terapia em humanos utilizando a GDF11 podem começar dentro de um período de 3 a 5 anos, enquanto rumores apontam que a companhia já começou a preparar pequenos testes de transfusão de plasma em pacientes com Alzheimer. O GDF11 pode não ser a resposta oficial para a juventude eterna, mas um estudo mais aprofundado pode desbloquear novas descobertas sobre mecanismos de envelhecimento humano e como eles podem ser interrompidos ou até mesmo revertidos. Afinal, o que é a imortalidade se não a interrupção da deterioração orgânica?

Terapia genética
Uma pergunta interessante em relação à vida dos seres vivos é: por que os ratos têm uma vida útil de dois anos, canários vivem cerca de 15 anos, enquanto os morcegos podem viver até 50 anos? Qual é a grande diferença entre eles? De acordo com a bioquímica Cynthia Kenyon, o fator de diferenciação está escondido nos genes desses animais – e isso sugere que o envelhecimento é determinado (ou pelo menos influenciado) por um ou mais genes. Acompanhando essa linha de pensamento podemos acreditar que os cientistas devem encontrar os genes do envelhecimento e “desligá-los”. Esse tipo de modificação genética é chamado de “terapia genética”. Como funciona? A terapia genética pode ser descrita como algo que abrange qualquer estratégia de introdução de material genético com o intuito de modificar o curso de uma doença. Essa ainda é uma área ainda incipiente da medicina, praticada especialmente nos laboratórios de pesquisa fundamental, e sua aplicação ainda é estritamente experimental. Por meio de experimentações realizadas em lombrigas, a bioquímica Cynthia Kenyon descobriu que sua vida útil mais do que duplicou quando um determinado gene foi danificado: o gene DAF-2. Esse gene é responsável por controlar a integridade dos receptores de DAF-2 nas células, que, por sua vez, são responsáveis pela recepção de uma proteína chamada Fator de Crescimento semelhante à insulina tipo 1 (ou simplesmente IGF-1). O IGF-1 é um hormônio que influencia o crescimento na infância e o envelhecimento e o ato de danificar esse receptor significa interferir no processo de envelhecimento. Há uma sutil ressalva que precisa ser feita aqui: as lombrigas mutantes não viveram o dobro do tempo. Em vez disso, elas envelheceram mais vagarosamente. Ou seja, o envelhecimento do verme em 10 dias não foi o mesmo que o de uma lombriga normal; em vez disso, ela teve um envelhecimento correspondente ao de 5 dias de uma lombriga normal. Impacto na expectativa de vida do ser humano Algo realmente interessante sobre todo esse conceito é que não há evidências que sugiram que os seres humanos não estão isentos. Pesquisas realizadas com um grupo de judeus Ashkenazi mostraram que um número significante de pessoas que viveu até os 100 anos de idade ou mais possuíam mutações no gene DAF-2 que tornaram o hormônio IGF-1 menos “potente”. Ainda estamos longe de atingir a imortalidade com a ajuda da terapia genética, mas se os cientistas conseguirem descobrir os principais genes envolvidos no processo de envelhecimento e manipulá-los da maneira correta, é perfeitamente possível que os seres humanos superem o fenômeno do envelhecimento.

Reparação dos telômeros
Um elemento importante no envelhecimento celular é algo chamado “encurtamento de telômeros”. O teômero é uma espécie de contador da divisão celular que protege o organismo contra divisões fora de controle, como acontece no câncer. A presença dos telômeros impede que a extremidade de um cromossomo entre em fusão com outro. Quando uma célula se divide, seu DNA é replicado perfeitamente de ponta a ponta. Devido a isso, as cadeias de DNA (cromossomos) são encurtadas cada vez que a célula sofre uma divisão. Isso significa que eles vão sendo encurtados ao longo da vida até perderem sua funcionalidade e o resultado desse processo é o envelhecimento, pois células com telômeros encurtados acabam morrendo ou ficando mais vulneráveis a instabilidades genéticas. Basicamente, a preservação dos telômeros reduz o ritmo do envelhecimento Como funciona? A boa notícia é que as células jovens têm uma enzima chamada telomerase, que tem como função adicionar sequências específicas e repetitivas de DNA à extremidade dos cromossomos, onde se encontra o telômero. Porém, a telomerase é finita, o que significa que quando uma célula se divide várias vezes, já não há telomerase capaz de retardar o fim do telômero que se encurta cada vez mais. No entanto, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford criaram um novo procedimento capaz de prolongar artificialmente os telômeros. “O processo envolve a utilização do ácido ribonucleico (ARN) modificado, que carrega instruções dos genes para máquinas de fabricação de proteínas da célula. O ARN específico utilizado pelos pesquisadores continha TERT, proteína que está envolvida na telomerase. Essa pesquisa recém-descoberta não só poderia ajudar a expandir o tempo de vida, mas também ajudar em uma variedade de doenças que afetam milhares de pessoas”. Impacto na expectativa de vida do ser humano Até agora, essa é apenas uma solução de curto prazo que causa um rápido aumento no crescimento dos telômeros durante 48 horas. Em seguida, a telomerase se esgota e os telômeros começam a se encurtar novamente. Se isso puder ser aplicado por tempo indefinido, há chances de que o processo de envelhecimento seja interrompido. A adulteração do encurtamento dos telômeros envolve alguns riscos. Isso porque se a divisão celular acontecer muito mais rápido do que a morte celular, é possível obter muito mais células do que o pretendido, o que poderia causar câncer.

Remédio antienvelhecimento

Imagine como seria ótimo (ou não) tomar apenas algumas pílulas por dia e se tornar imortal? As indústrias farmacêutica e de saúde já estão procurando maneiras de tornar esse sonho realidade. Uma das empresas envolvidas nisso é a Calico, criada pelo Google com o objetivo de criar tecnologias para tratar questões do envelhecimento e prolongar a vida dos seres humanos. Como funciona? Um fármaco chamado Sirolimus, também conhecido como rapamicina, originalmente é utilizado pela medicina como imunossupressor (para fins como transplantes de órgão), mas pesquisas recentes apontaram que seu uso pode ajudar a estender a expectativa de vida em vermes, camundongos e leveduras. O problema é que o Sirolimus tem muitos efeitos colaterais negativos, portanto nunca foi considerada uma solução ideal. No entanto, ele impulsionou a quantidade de pesquisas relacionadas a medicamentos antienvelhecimento e acabou levando a descoberta da substância Everolimus. Pesquisadores relataram que o Everolimus reverteu parcialmente a deterioração da imunidade que ocorre com o avanço da idade. O envelhecimento do sistema imunológico é uma das principais causas de doenças e mortes. É por isso que pessoas mais velhas são mais suscetíveis a infecções e possuem uma resposta fraca a vacinas. Impacto na expectativa de vida do ser humano Ainda é muito cedo para dizer se essas drogas podem ser refinadas e transformadas em algo capaz de proporcionar juventude eterna. Muitos estudos relacionado ao assunto demonstraram apenas um pequeno aumento no tempo de vida, até cerca de 14%. O interessante sobre esses fármacos é que os pesquisadores estão começando a dominar esse campo. Se os medicamentos descobertos até hoje já mostraram que podem causar impactos sobre a vida, imagine o que os compostos ainda não descobertos poderão fazer? Mais investimento financeiro nessa área poderia resultar em descobertas de novas drogas.

Transferência mental
Essa ideia ficou no final da lista, pois até o momento ela é pouco mais do que uma simples hipótese. Transferência mental diz respeito a noção de upload da sua consciência e memórias para um computador. Em outras palavras, significa que uma pessoa pode transformar sua personalidade, memória e essência em dados de computador. Como funciona? Atualmente, há dois métodos propostos para transformar esse conceito em algo real. O primeiro é o método de “cópia e transferência”, que envolve a digitalização e o mapeamento perfeito de todo o seu cérebro, até o último elétron, e, em seguida, a replicação desses dados em um dispositivo computacional. Essa é a forma mais “popular” de transferência mental. O segundo método é conhecido como “substituição gradual” que, como o próprio nome já diz, visa substituir gradualmente cada neurônio do seu cérebro por algo não biológico. A introdução gradual de sistemas não biológicos em nossos corpos e cérebros é apenas mais um exemplo da contínua rotatividade das peças que compõem o ser humano. Isso não deve afetar a nossa identidade mais do que a substituição natural de nossas células biológicas faz atualmente. De acordo com esse método, no futuro nossos pensamentos estarão, literalmente, na nuvem. Impacto na expectativa de vida do ser humano Para que isso seja possível, o computador precisa ser potente o suficiente para simular um cérebro humano real com a mesma velocidade de processamento de informações. Essa não é uma ideia tão absurda, considerando que o cérebro humano é apenas uma série de impulsos elétricos, mas chegar a uma “réplica computadorizada” é a parte mais difícil. Porém, se isso acontecer, alcançar a vida eterna será mais fácil. Dados são imateriais, por isso mesmo a unidade física que mantém “sua mente” gravada se deteriora. Com esses dados gravados seria possível passar essas informações de unidade para unidade conforme ela fosse se deteriorando. E se os dados da sua mente se tornarem imortais, então sua consciência também se tornaria. Atualmente, existem cerca de 10 mil laboratórios de neurociências em todo o mundo trabalhando em pesquisas relacionadas ao mapeamento cerebral e às conexões entre mente e máquina. É evidente que esse assunto gera muita polêmica e envolve uma série de questões filosóficas e éticas muito difíceis de resolver. Nós ainda seríamos considerados humanos após passar por procedimentos desse tipo? No caso da clonagem, qual deles seria o verdadeiro você? Se os cientistas vão conseguir descobrir o segredo da vida eterna, nós não sabemos. Mas fato é que a cada ano estamos fazendo avanços impressionantes que juntos podem resultar em algo incrível (e talvez assustador).

transferencia mental

8418 – Acredite se Quiser – Em 20 anos, a tecnologia nos permitirá viver para sempre, diz engenheiro do Google


gugol

O diretor de engenharia do Google, Ray Kurzweil, afirmou que o avanço da tecnologia nos próximos 20 anos nos permitirá viver para sempre.O diretor acredita que em breve será possível “reprogramar” células para se recuperarem de doenças e até mesmo gerar tecido humano em impressoras 3D.
“A expectativa de vida mil anos atrás era de 20 anos. Nos dobramos esse número em 200 anos. Esse processo vai entrar em alta velocidade nos próximos dez ou 20 anos, provavelmente em menos de 15 anos estaremos no ponto de inflexão em que iremos adicionar mais tempo de vida por causa do progresso científico”, disse o diretor. “Iremos observar um tremendo avanço na medicina.”
Kurzweil citou a ideia de usar impressoras 3D com células-tronco para criar tecido humano. Segundo ele, vendo a biologia como um software e reprogramando as células para tratar doenças, os humanos já fizeram grandes avanços na medicina.
“Já existem terapias fantásticas para curar problemas de coração, câncer e todo tipo de doença neurológica baseada na ideia da reprogramação de software”, disse o diretor. “Essas tecnologias serão mil vezes mais potentes que eram dez anos atrás e um milhão de vezes mais em 20 anos.”
Tais declarações de Kurzweil foram feitas durante a conferência Global Future 2045 World Congress, em Nova York, no último domingo (16), segundo a CNBC.
O chefe de engenharia do Google não é o único a esperar que a tecnologia, de alguma forma, traga a imortalidade para os seres humanos.
Na semana passada, o multimilionário russo Dmitry Itskov apresentou a chamada Iniciativa 2045, que prevê a produção em massa de avatares de baixo custo e aparência humana nos quais seria possível carregar o conteúdo de um cérebro humano, incluindo todos os detalhes específicos de consciência e de personalidade.

4552 – Ciência do Impossível – A Imortalidade


Turritopsis nutricula, para essa água-viva o fantasma da morte não existe. Nos últimos anos, a criatura gelatinosa, que mede apenas uns poucos centímetros, virou uma praga em vários oceanos. Em geral, as águas-vivas passam por um rápido envelhecimento após alcançar a maturidade sexual e se reproduzir, mas não a T. Experimentos em laboratório mostraram que todos os indivíduos do bicho, após um tempo de vida adulta, espontaneamente revertem à forma que tinham quando jovens (que é um pólipo, ou seja, um tubo fixo com tentáculos, parecido com uma anêmona). Deixe-me frisar isso, caso você ainda esteja meio confuso. Nenhuma, pelo que se sabe, morre de morte morrida. Zero.
Não pense que a água-viva é uma exceção completa. Em condições ideais, as bactérias também são potencialmente imortais – continuam a fazer sua divisão sem parar, sem qualquer sinal de envelhecimento. Esses dados malucos sugerem que não há nada de intrinsecamente inevitável na mortalidade. Qualquer um está sujeito à “morte matada”, ligada a acidentes e predadores, mas é possível conceber modos de barrar os processos lentos que levam ao envelhecimento e à morte natural.
No caso do “esgotamento” de células indispensáveis, as famosas células-tronco, capazes de assumir a função de qualquer tecido do organismo, poderiam servir como peças de reposição. Vírus modificados fariam um passeio pelo DNA, consertando o material genético quando houvesse falhas. E bactérias especializadas ficariam encarregadas de navegar pelo organismo e digerir restos proteicos tóxicos.
Os pesquisadores já sabem que um de seus principais truques para rejuvenescer envolve o fenômeno conhecido como transdiferenciação, ou seja, a arte de fazer uma célula adulta, já especializada em determinada função, voltar a adquirir a versatilidade que tinha quando ainda era uma célula-tronco. É claro que, se não quisermos todos virar um bando de Benjamins Buttons, vai ser preciso intervir com muito cuidado num mecanismo tão fundamental da vida multicelular.

2977 – Acredite se quiser – Você pode ser imortal


Da Super para o ☻Mega

Nascer, reproduzir, morrer – eis o ciclo da vida. Mas isso é só por enquanto. A ciência está trabalhando para que ninguém mais morra de velho. E é possível que dê tempo de você entrar nessa
Morte morrida é coisa que a Turritopsis dohrnii não conhece. A vida dessa espécie de água-viva só acaba se ela for ferida gravemente. Do contrário, a Turritopsis vai vivendo, sem prazo de validade. Suas células se mantêm em um ciclo de renovação indefinidamente, como se voltassem à infância. Podem aprender qualquer função de que o corpo precise. É uma verdadeira (e útil) mágica evolutiva. Parecida com a do Sebates aleutianus, um peixe do Pacífico conhecido como rockfish, e de duas espécies de tartaruga, a Emydoidea blandingii e a Chrysemys picta (ambas da América do Norte). Esse segundo grupo tem o que a ciência chama de “envelhecimento desprezível”. Suas células ficam sempre jovens, por motivos que a ciência ainda quer descobrir.

A imortalidade existe na natureza. Não tem nada de utopia. Pena que nós não desfrutemos dessa boquinha. Ao longo do tempo, nosso corpo se deteriora. Perdemos os melanócitos que dão cor aos cabelos, o colágeno da pele, a cartilagem dos ossos – ficamos grisalhos, enrugados, com dores nas juntas. Velhos. Numa sucessão de baixas, células e órgãos vão deixando de cumprir funções cruciais para o corpo. Até que tudo isso culmina numa pane geral. E nós morremos.
Para impedir que o corpo definhe desse jeito, o homem já tentou de tudo: de mumificação, no Egito antigo, a injeções feitas a partir de testículos de animais, na França do século 19. Só que agora estamos mais próximos do que nunca do sonho da imortalidade. Por causa dessas espécies highlanders, cientistas do mundo todo acreditam que nós também podemos ser imortais. E já têm propostas para isso, divididas em duas linhas: remédios – feitos para aprimorar nossa defesa contra a morte – e inovações tecnológicas que nos tornarão quase robôs. Sabe aquela expressão “de certo na vida, só a morte”? Parece que ela vai perder o sentido em breve. “Em 50 anos não vai mais existir definição para expectativa de vida. Teremos um controle tão completo do envelhecimento que as pessoas viverão indefinidamente”, diz Aubrey de Grey, geneticista da Universidade de Cambridge.

Não é uma tarefa fácil. Essa pesquisa está diretamente relacionada ao estudo do envelhecimento, que a ciência ainda não conseguiu destrinchar completamente. Pelo que se sabe, o corpo funciona como um carro. Depois de muito rodados, ambos acumulam defeitos. A diferença é que, quando quebra, nosso corpo dá um jeito de se consertar. Se você sofre um corte, o sangue estanca em minutos, não é? O problema é que essa manutenção segue bem enquanto somos jovens, mas vai perdendo a eficácia. Com o tempo, células param de se reproduzir, o corpo vai sofrendo ataques do ambiente… e a nossa máquina não dá conta de reparar tudo. Ficamos velhos, fracos, vulneráveis.

Para que possamos viver para sempre, esse sistema de reparos não pode parar. E já apareceu proposta de todo tipo pra isso. Se antes essas ideias eram tidas como fringe science – algo como “ciência marginal”, que tem mais de especulação do que de fato -, agora elas começam a ser vistas com seriedade. Tanto que acabaram de levar um Nobel.

Uma pista: o câncer

Aconteceu recentemente, em outubro de 2009. Três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um, por terem começado a decifrar por que nossas células envelhecem. A chave está numa palavra: telômeros.”O processo de envelhecimento é complexo e depende de vários fatores. Os telômeros são um deles”, declarou a Fundação Nobel, ao anunciar o prêmio.

Pra quem não se lembra das aulas de biologia, aqui vai a cola: telômeros são os fragmentos da ponta dos nossos cromossomos, como tampinhas que os protegem. Quando uma célula se divide, essa tampinha tende a ficar menor – e a célula, a se deteriorar. O processo, repetido a cada divisão celular, faz com que ela envelheça. Ou melhor: que você envelheça.

Mas em células cancerosas isso não acontece: elas se dividem sem sofrer danos. Por quê? Graças a uma enzima que estimula a construção do telômero, a telomerase. Segundo os vencedores do Nobel, a telomerase trabalha mais nas células cancerosas do que em outras, e as protege. Basicamente, é essa enzima que torna o câncer tão poderoso.

Apesar de premiada só agora pelo Nobel, a descoberta é dos anos 80. E fez os cientistas pensar que a telomerase poderia prolongar nossa vida deixando células saudáveis tão resistentes quanto as cancerígenas. A pesquisadora Maria Blasco, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha, testou a hipótese com ratinhos. No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram até 50% mais do que os outros. Mas apresentaram mais tumores – acabavam morrendo de câncer. Em 2008, a equipe de Blasco conseguiu controlar a difusão das células cancerígenas, o que abriu espaço para a possibilidade de estudos com humanos. “Se pensarmos num aumento semelhante de expectativa de vida para pessoas, isso significaria morrer entre os 115 e os 120 anos”, diz a pesquisadora.

Ótimo. Mas calma lá: por que só até 120 anos, e não por toda a eternidade? É que, como o pessoal do Nobel disse, o envelhecimento é complexo. A telomerase ajudaria a aniquilar uma causa desse processo. Mas precisaríamos de armas diferentes para combater outras ameaças.

Então a telomerase ajudará as células a não se deteriorar. Mas e se elas já tiverem sido maltratadas?

Aí partimos para outras ideias. Começando pelo básico: renovar o combustível. O geneticista britânico Aubrey de Grey, da Universidade de Cambridge, propõe que façamos isso com células-tronco. Injetadas periodicamente em nosso corpo, elas poderiam assumir o papel das células mortas e daquelas danificadas pelo processo natural de divisão celular. Como as células-tronco têm a capacidade de formar novos tecidos e órgãos, elas funcionariam como um remedinho, tomado de tempos em tempos no consultório do médico, para evitar e aniquilar doenças. “Faríamos um transplante periódico, e as células-tronco seriam iguais às originais de nosso corpo, só que novas em folha”, afirma De Grey. Resultado: teríamos órgãos jovens para sempre.

Não é algo tão distante da realidade. Células-tronco já são usadas na pesquisa de tratamento para doenças como diabetes e esclerose múltipla. O próprio Brasil tem bons resultados. No Centro de Terapia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o pâncreas dos voluntários ao tratamento para diabetes voltou a fabricar insulina. E os pacientes deixaram de depender de injeções diárias.

Mas teríamos também de consertar os arranhões que levamos durante a vida. Como os causados pela comida. Não só fritura e carne vermelha, mas comida em geral. É que passar fome – acredite – faz todos nós viver mais.

Está provado desde os anos 30, quando a Universidade Cornell demonstrou que ratos submetidos a uma dieta 30% menor chegam a viver 40% mais. É um processo conhecido como restrição calórica, explicado por uma questão evolutiva. Sempre que o homem passou por momentos de escassez de alimentos na história, os mais adaptados às condições difíceis sobreviveram. A principal teoria é de que, quando passamos fome, nossas células entram num estado de alerta para otimizar os recursos que têm, como proteínas. “É como se o corpo tentasse se proteger do risco”, diz Randy Strong, farmacólogo da Universidade do Texas. Mas, não, ninguém vai ter de viver a pão e água por 300 anos. O que a ciência quer fazer é simular essa esperteza que o corpo adquire quando a fome aperta.

Dentro de 5 anos, já vai dar pra comprar “fome em pílulas” nas farmácias. É o que promete o laboratório Sirtris Pharmaceutical, se tudo correr bem com os testes de um novo remédio que a empresa vem desenvolvendo, baseado no resveratrol. O resveratrol é uma substância encontrada em alguns tipos de uvas (como a pinot noir) que imita a situação de restrição calórica no nosso corpo, de acordo com estudos do médico australiano David Sinclair, pesquisador da Harvard Medical School e cofundador da Sirtris. Na uva, a substância existe em concentrações muito baixas. O trabalho dos pesquisadores é colocar a maior quantidade possível em pequenas pílulas, que serão vendidas com uma grife da indústria farmacêutica: o nome da britânica GlaxoSmithKline, que pagou US$ 720 milhões em 2008 para comprar o Sirtris e virar dona da pesquisa.
As pílulas são a primeira droga contra o envelhecimento testada em humanos. Idosos diabéticos estão recebendo o medicamento, e a expectativa é de que a doença seja curada. Se tudo der certo, as pílulas poderão nos dar cerca de 10 anos extras de vida. O mesmo bônus de vida que cientistas prometem com a rapamicina. Usada contra alguns tipos de câncer e para suprimir o sistema imunológico de quem passa por um transplante, a droga agora é vista como um novo simulador de “fome”. Em ratos, conseguiu prolongar a vida em 30%. Promete ser um concorrente do resveratrol no futuro mercado de restrição calórica.

Mas comida é só um dos fatores que geram danos ao nosso corpo: até respirar faz mal. É que o oxigênio é um dos mais potentes radicais livres, como são chamadas as moléculas que circulam pelo nosso corpo com elétrons instáveis, prontos para roubar elétrons de outras moléculas. Quando os radicais livres conseguem fazer o roubo, as células atacadas ficam danificadas. Envelhecem. É como se tivessem sido tomadas por ferrugem. Até temos um antídoto contra isso: nós produzimos antioxidantes que nos defendem. O problema é que, com o tempo, essa produção cai e ficamos vulneráveis. Até porque sofremos um bombardeio de radicais livres, como o que vem dos alimentos e do ar.

Se conseguirmos fortalecer as ligações químicas e evitar a ação dos radicais livres, dá para evitar que as células envelheçam. É a tese do cientista russo Mikhail Shchepinov, fundador da Retrotope, companhia que pesquisa o assunto. O que ele sugere é que nos alimentemos com comida ou bebida “enriquecida”, ou seja, com moléculas resistentes aos radicais livres que já estiverem no nosso corpo. Água, por exemplo, é um alvo fácil para os radicais – eles quebram a ligação entre os átomos de hidrogênio e o de oxigênio. A molécula de água absorvida pelas células acaba danificada. Por isso, Shchepinov toma, todos os dias, um golinho de uma água diferente – a fórmula dela não é H20, e sim D20. Ao contrário do hidrogênio (H), o deutério (D) tem uma ligação forte com o oxigênio – e mais resistente aos roubos. Segundo o pesquisador, cada gole combate o envelhecimento. Falta saber o quanto podemos tomar sem provocar efeitos tóxicos no corpo.

São só os primeiros passos rumo à imortalidade. Pra vencer a morte, muitos cientistas acreditam que nos transformaremos em máquinas mesmo. Do tipo que troca porcas e parafusos sempre que dá pau.

De uma forma, já vivemos essa realidade. Basta pensar no marca-passo. Mas o que se espera para o futuro é mais sofisticado: produção em massa de órgãos. A Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, nos EUA, está criando bexigas artificiais. Quer dizer, naturais, mas cultivadas fora do corpo. São feitas a partir de células da bexiga que será substituída. E ficam prontas em dois meses.

Para consertos menores, outra solução: um exército de robôs-médicos dentro de nosso corpo para arrumar qualquer defeito. Já existem experimentos na Rice University, nos EUA. Pesquisadores criaram estrututuras microscópicas, pequenas cápsulas, capazes de levar remédio pela corrente sanguínea até células cancerígenas. E sem afetar as sadias.

Esses nanorrobôs podem ter o tamanho de células humanas, ou ser ainda menores. Eles se espalhariam pela corrente sanguínea, limpando nossas artérias muito antes de elas chegarem perto de entupir. Vão também ser capazes de destruir vírus, bactérias, células cancerígenas antes que nosso corpo sofra qualquer dano. Funcionariam como novas pecinhas, responsáveis pela faxina no organismo. “Em duas décadas, os nanorrobôs vão fazer as mesmas funções que as nossas células ou tecidos, mas com uma precisão infinitamente maior”, escreveu o futurologista americano Ray Kurzweil, no livro Transcend, lançado em 2009. (Kurzweil não é qualquer um: previu, nos anos 80, o que seria a internet hoje.)

Se isso parece futurista demais, veja o que está sendo preparado para o cérebro. O neurocientista Anders Sandberg, da Universidade de Oxford, quer fazer um download dos nossos pensamentos. O cérebro seria transformado em um software, com todas as habilidades da versão original.”O programa faria a função de alguma área danificada ou poderia ampliar nossa capacidade de aprendizado e memória.” Para isso, será preciso conhecer exatamente o funcionamento de nossa cabeça. E Sandberg pretende fatiar um cérebro em micropedaços para descobrir a função de cada um.

Com esse arsenal já em produção, estamos no caminho para a imortalidade do corpo e da mente. Será o fim de uma das maiores buscas do homem. E a primeira era de um novo mundo – no qual a morte deixará de cumprir seu papel.

Aí, vencer a morte terá sido só a primeira etapa. A imortalidade trará mudanças profundas na forma pela qual nos relacionamos com a família, com o trabalho e até com nós mesmos. (Veja o quadro da página 49.) Hoje a longevidade da população já é um dos maiores problemas do planeta em termos de espaço, empregos e previdência – a população de centenários deve chegar a 2,2 milhões em 2050 (eram 145 mil em 1999). E isso se a imortalidade não chegar antes. Portanto, prepare-se para uma vida completamente diferente. Mas não se preocupe por enquanto ­ você terá séculos para se acostumar com ela.

A luta contra a morte
Durante 1 000 anos de estudo, a ciência entendeu, aos poucos, como adiar o fim da vida

1000
Nada de limpeza ou dieta: o pessoal compartilhava as casas com animais e comia a valer, numa dieta de pães, queijos e cerveja.

1675
O cientista holandês Antony van Leeuwenhoek descobre uma das maiores causas de mortes da época: as bactérias. Mas só no século 19 é que se descobriu a relação delas com nossas doenças.

1785
Morre a primeira pessoa registrada como a mais velha do mundo: o norueguês Eilif Philipsen, com 102 anos.

1796
Testes com o que seria considerada a primeira vacina. O médico inglês Edward Jenner percebe que uma pessoa contaminada pela varíola bovina – forma mais branda da doença – não pegaria a humana. Na época, 40% dos infectados pela doença não sobreviviam.

1850-1885
Louis Pasteur desenvolve a pasteurização, que elimina micróbios dos alimentos.

1854
Descoberta de que uma epidemia de cólera em Londres foi causada por água contaminada. É o primeiro passo para o desenvolvimento dos sistemas de saneamento, um grandes motivo para o aumento da expectativa de vida no século 20.

1895
Criação do raio X, que permitiria diagnósticos mais precisos de doenças como tuberculose.

1900
O homem só prolongou sua vida média em 7 anos desde o ano 1000, por ainda ser um novato em questões de higiene e saneamento. (Só no fim do século 19, por exemplo, prova-se que médicos deveriam lavar as mãos com cloro antes de fazer um parto.)

1928
Aos 113 anos, morre a americana Delina Filkins, que manteve o recorde de mulher mais velha do mundo até 1955. Ela viveu toda a vida dentro de um raio de 16 quilômetros da fazenda em que nasceu.

1929
Alexander Fleming descobre a penicilina, 1º antibiótico do mundo. Começaria a ser ministrada em pessoas 10 anos depois.

1953
Os cientistas James Watson (americano) e Francis Crick (inglês) publicam um artigo sobre a estrutura em espiral do DNA, que ajuda a entender a herança genética.

1997
Aos 122 anos, morre a francesa Jeanne Louise Calment, a pessoa que mais viveu no mundo até hoje. Louise andou de bicicleta até os 100 anos e morou sozinha até os 110. Dizia que azeite na comida, vinho e chocolate a ajudaram a viver mais.

2003
Conclusão do mapeamento genético humano, o que poderá permitir a identificação de genes causadores de doenças.

2008
Recorde na quantidade de pessoas com mais de 110 anos no mundo: 92 supercentenários. Em 1990, eram 28 pessoas. Em 1980, 11.

2010
Expectativa de vida: 68 anos. A japonesa Kama Chinen é atualmente a pessoa mais velha do mundo, com 114 anos.

2015-2020
O mundo terá mais idosos (acima de 65 anos) do que crianças pela primeira vez.

2040
Estimativa de 1,3 bilhão de pessoas com mais de 65 anos – eram 506 milhões em 2008.
Os remédios
As pílulas, injeções e medicamentos que impedirão o envelhecimento das células do seu corpo

Injeções de telomerase
Impedem que as células definhem
Sem telomerase, nossas células correm riscos a cada divisão celular. Durante o processo, os cromossomos presentes nelas podem ser mutilados. Danificadas, as células envelhecem. Doses periódicas de telomerase garantiriam que os cromossomos ficassem inteiros.
Previsão de uso: 2025

Células-tronco
Renovam nosso estoque de células
São células que podem recuperar tecidos danificados e fazer o trabalho de outras que tenham morrido ou sofrido danos (como os gerados na divisão celular). Injeções de células-tronco poderão virar tratamento de rotina em consultórios.
Previsão: 2025

Fome em pílulas
Simulam a falta de alimentos no corpo
A restrição calórica faz com que o corpo entre em alerta, descartando proteínas danificadas e protegendo as células de radicais livres. Remédios que induzem esse estado de alerta já estão em testes com humanos.
Previsão: 2015

Água pesada
Protege as células dos radicais livres
Radicais livres são moléculas que roubam elétrons de outras, danificando-as. Para evitar o “furto”, átomos têm de estar fortemente ligados entre si. Na água, a ligação entre oxigênio e hidrogênio é vulnerável. Se trocamos hidrogênio por deutério, a molécula fica mais resistente. Uma fórmula da água com deutério já está em testes.
Previsão: 2020

Fontes David Sinclair, Ray Kurzweil, Retrotope.
A tecnologia
As peças e os robôs que vão se incorporar a seu corpo para que ele dure mais

Órgãos artificiais
Peças sobressalentes
Se algum órgão der defeito, bastará criar um novo. Assim: células do paciente são retiradas e cultivadas em laboratório. Com a ajuda de moldes, cria-se o órgão artificial. Bexigas já estão sendo produzidas assim nos EUA.
Previsão: 2015

Nanor Robôs
Faxineiros dentro do corpo
Um exército de robôs-médicos, do tamanho de células, arrumaria os defeitos do nosso organismo. Limparia artérias e destruiria vírus, bactérias e tumores, antes que nosso corpo sofresse qualquer dano.
Previsão: 2030
Você imortal
Ninguém vai virar um Matusalém. Nosso corpo continuará jovem e teremos muito trabalho pela frente

1. CORPO

A imortalidade dará a você o corpinho que quiser. Nada de plástica – é que conseguiremos repor tudo o que estiver gasto no corpo. É a perda de células que faz você ter careca e cabelos brancos, por exemplo. Se as repusermos no futuro com injeções de células-tronco, sua cabeleira manterá o viço. Vai dar até para reverter sinais da idade. Nanorrobôs na corrente sanguínea eliminarão toxinas e dejetos que estejam poluindo o corpo. “As pessoas que receberem essas terapias vão se parecer exatamente com os jovens adultos de hoje”, diz Aubrey de Grey, geneticista da Universidade de Cambridge.

2. TRABALHO

Aposentar-se por idade no Brasil significa descansar só nos últimos 10% da vida, em média. Se chegarmos aos 300 anos de idade, a labuta irá até os 270. Isso se o governo quiser pagar aposentadoria. Afinal, você continuará jovem e produtivo o suficiente para pegar no batente. Para não morrer de tédio – de tanto trabalhar na mesma coisa -, o jeito vai ser exercer profissões diferentes. “Será possível ter mais de uma carreira ou aprender vários idiomas. O homem terá uma sabedoria jamais vista”, diz Anders Sandberg, neurocientista da Universidade de Oxford.

3. FAMÍLIA

No mundo dos imortais, só se morrerá por acidentes muito graves e que não possam ser consertados a tempo. Por isso, sua família vai crescer: você vai conviver até com seu tataravô. As famílias vão ficar enormes, até porque as pessoas terão mais casamentos. Hoje os casais brasileiros vivem 11 anos juntos, em média. Um novo casamento acontece cerca de 3 anos depois da separação. Nesse ritmo, chegaríamos aos 500 anos com uns 32 casamentos nas costas.
Manual para viver mais

Não existe lugar com porcentagem maior de centenários do que o arquipélago de Okinawa, no Japão: são 58 em cada 100 mil habitantes. (Em países desenvolvidos, o número fica entre 10 e 20.) Uma das chaves da longevidade é a alimentação com pouco açúcar, gordura e sal – um prato típico leva tofu, peixe e vegetais. Okinawanos têm 80% menos câncer de mama e próstata do que americanos, por exemplo. Veja como você também pode chegar lá.

Alimentação correta
“Uma dieta rica em frutas e legumes antioxidantes (como mamão e cenoura), azeite de oliva, aves e peixes dá 50% mais chance de viver mais”, diz o neurocientista americano Gary Small, diretor do Centro de Pesquisa em Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, nos EUA. Uma pesquisa feita em Atenas pela Escola de Saúde Pública de Harvard comprova a tese. Gregos que faziam uma dieta semelhante à que Small recomenda viveram 25% mais do que outros.

Estresse
Radiação, calor e frio podem estimular reações de proteção benéficas para o corpo, como a ativação do sistema imunológico. O mais difícil é acertar a dose. “Um pouco do ruim pode fazer bem, mas muito do ruim vai fazer mal”, diz a bióloga Joan Smith-Sonneborn, da Universidade de Wyoming.

Exercícios para o cérebro
Leitura, palavras cruzadas ou jogos de tabuleiro podem diminuir em 30% o risco de mal de Alzheimer, segundo o cientista Gary Small. Mas a questão é polêmica – muitos cientistas alegam que ainda é preciso fazer mais estudos para comprovar a tese.

Sociabilidade
Uma companhia estimula atitudes positivas em relação à vida, como parar de fumar. E vale todo tipo de companhia: parentes, amigos, namorados. O casamento é a relação que dá mais resultado. Uma pessoa idosa e casada que tenha problemas cardíacos vive 4 anos a mais, em média, do que um velhinho saudável e solteiro, segundo um estudo da Universidade de Chicago.

2591-A Imortalidade Tecnológica


Imortalidade tecnológica visa a perspectiva de tempo de vida muito mais longa do que a possível atualmente graças aos avanços científicos em diversas áreas: nanotecnologia, procedimentos de emergência, genética, engenharia biológica, a medicina regenerativa, microbiologia entre outros. A expectativa de vida nos tempos atuais nas sociedades industriais avançadas já é nitidamente maior que no passado, por causa da melhor nutrição, disponibilidade de cuidados de saúde, qualidade de vida e avanços científicos nas áreas bio-médicas. A imortalidade tecnológico prevê avançar pelas mesmas razões, a longo prazo. Um aspecto importante do pensamento científico atual sobre a imortalidade é que alguma combinação de clonagem humana, criogenia ou a nanotecnologia irá desempenhar um papel fundamental no prolongamento da vida de forma indefinida. Robert Freitas, um teórico em nanorobótica, sugere que minúsculos nanorobôs médicos poderiam ser criados para passar pela corrente sangüínea humana, encontrar coisas perigosas, como as células cancerosas e bactérias, e destruí-las. Freitas antecipa que as terapias genética e a nanotecnologia acabarão por tornar o corpo humano eficazmente auto-sustentável e capaz de viver indefinidamente, com exceção de lesões graves. Essa teoria prevê que seremos capazes de criar continuamente peças biológicas ou sintéticas para substituir as partes danificadas ou mortas do nosso corpo.
Aubrey de Grey – Projeto SENS
A partir de 2005, o seu trabalho centrado em cima de um plano detalhado chamado Strategies for Engineered Negligible Senescence (SENS), que visa a prevenir o declínio físico e cognitivo relacionados com a idade. Em março de 2009, Aubrey de Grey co-fundou a Fundação SENS, uma organização sem fins lucrativos sediada na Califórnia, Estados Unidos, onde atualmente atua como diretor de Ciência. A Fundação “trabalha para desenvolver, promover e garantir o acesso generalizado a soluções da medicina regenerativa para as deficiências e as doenças do envelhecimento, ” focando sobre as Estratégias para Reparar Envelhecimento Insignificante (SENS). De Grey é também co-fundador (com David Gobel) e ex-cientista-chefe da Fundação Matusalém, uma organização sem fins lucrativos sediada em Springfield, Virginia, Estados Unidos. A principal atividade da Fundação Matusalém é o Matusalém Mouse Prize, um prêmio destinado a acelerar a investigação sobre intervenções eficazes para a extensão da vida através da atribuição de prémios monetários para os investigadores que aumentar a longevidade de ratos para idades sem precedentes. A esse respeito, De Grey afirmou em Março de 2005 “se quisermos tornar real terapias regenerativas que irão beneficiar não só as gerações futuras, mas aqueles de nós que estão vivos hoje, devemos incentivar os cientistas a trabalhar sobre o problema do envelhecimento”. O prêmio chegou a 4,2 milhões de dólares em fevereiro de 2007
Criogenia, a prática de preservar os organismos no gelo (espécimes inteiros ou apenas seus cérebros) para um possível renascimento futuro , armazenando-las em temperaturas criogênicas, onde o metabolismo e a decadência são quase que completamente parados, é a resposta para aqueles que acreditam que a extensão da vida por meio da tecnologia como a nanotecnologia ou nanorobôs não irsm desenvolver suficientemente a tempo ,antes que a pessoa morra. Idealmente, a criogênia permitiria as pessoas clinicamente mortas serem trazidas de volta, no futuro, depois de curas para as doenças que as mataram terem sido descobertas e o envelhecimento é reversível. Procedimentos modernos da criogênia usam um processo chamado de vitrificação, que cria um estado semelhante ao vidro invés de um congelamento bruto,tendo em vista que o corpo é trazido a baixas temperaturas. Este processo reduz o risco de cristais de gelo na estrutura da célula, que seriam especialmente prejudiciais para as estruturas das células do cérebro.
Mind Upload
Uma idéia que tem se desenvolvido envolve a trasnferência da personalidade de um indivíduo e suas memórias para a interface do computador. Uma pessoa pode transferir sua consciência para um computador ou para a mente de um bebê recém-nascido. O bebê, então, iria crescer com a individualidade da pessoa anterior, e não desenvolveria sua própria personalidade. Futuristas como Moravec e Kurzweil propuseram que, graças ao crescimento exponencial do poder da computação, um dia será possível fazer o upload da consciência humana para um sistema informático, e viver indefinidamente em um ambiente virtual. Isto poderia ser conseguido através de avanços da cibernética, onde o hardware seria inicialmente instalado no cérebro para ajudar a memória a “digitalizar ou acelerar os processos de pensamento”. Componentes seriam adicionados gradualmente até que as funções do cérebro da pessoa fossem inteiramente dispositivos artificiais, evitando transições radicais que poderiam levar a problemas de identidade. Após este ponto, o corpo humano poderia ser tratado como um acessório opcional e que a mente poderia ser transferida para qualquer computador suficientemente potente. Pessoas neste estado seriam, então, essencialmente imortais, a menos que a máquina que as mantém seja destruida.
Cyborgues
Transformar um humano em um cyborg pode incluir implantes cerebrais ou extração de uma mente humana e colocá-lo em um sistema robótico.Existem melhorias no corpo:substituindo órgãos biológicos por robôs podendo aumentar a expectativa de vida, as modificações genéticas ou a adição de nano-robôs, que dependendo da definição, qualificam um indivíduo como um cyborg. Tais modificações fariam um ser invunerável ao envelhecimento e doenças e, teoricamente, só poderia ser morto se fosse destruído.
Muito antes da ciência moderna ja se fez tal especulação, as pessoas que desejam escapar da morte viraram-se para o mundo sobrenatural. Exemplos incluem os taoístas chinês e os alquimistas medievais em sua busca pela Pedra Filosofal, ou místicos religiosos mais modernos, que acreditavam na possibilidade de alcançar a imortalidade física através da transformação espiritual.
Há indivíduos que afirmam ser fisicamente imortais, e incluem Conde de Saint Germain, na França do século XVIII, ele alegou ter séculos de idade.As pessoas que aderem a ensinamentos de Mestres Ascensos que estão convencidos da sua imortalidade física.Um santo indiano conhecido como Vallalar alegou ter alcançado a imortalidade, antes de desaparecer para sempre em um quarto fechado em 1874.