14.021 – História – A Guerra Mais Sangrenta da América do Sul


Combate naval do riachuelo
Tudo começou no Uruguai, com uma rebelião dos colorados (liberais) em abril de 1863, encabeçada pelo general Venâncio Flores, pela derrubada do governo dos blancos (conservadores) eleito em 1860. O conflito desencadeou a sequência dos acontecimentos que levaram à Guerra do Paraguai.
A Argentina e o Brasil apoiaram a rebelião colorada – era a primeira vez que os dois países estavam do mesmo lado num conflito uruguaio. O presidente argentino, Bartolomeu Mitre, um liberal eleito em outubro de 1862, tomou essa posição porque os colorados tinham lhe dado apoio na guerra civil de seu país em 1861 e porque os blancos constituíam um foco possível de oposição federalista residual nas províncias litorâneas à república argentina, recém-unificada. Para o Império do Brasil, a questão principal era proteger os interesses dos brasileiros que viviam e tinham propriedades no Uruguai, ameaçados pela rigidez das autoridades daquele Estado sobre o comércio da fronteira e as taxas aduaneiras. Foi nesse contexto que o governo blanco se voltou para o Paraguai como único aliado possível.
Mas o Paraguai temia e desconfiava de seus vizinhos muito maiores, muito mais povoados e potencialmente predatórios: as Províncias Unidas do Rio da Prata e o Brasil. Ambos tinham relutado em aceitar a independência paraguaia e demoraram a reconhecê-la: o Brasil em 1844, as Províncias Unidas em 1852. Ambos tinham reivindicações territoriais contra o Paraguai: o Brasil, no extremo nordeste do país, na divisa com Mato Grosso, região valiosa pela erva-mate nativa; a Argentina, no leste do Rio Paraná (Misiones), mas também a oeste do Rio Paraguai (o Chaco). E havia ainda atritos com ambos quanto à livre navegação no sistema fluvial Paraguai-Paraná.
O presidente do Paraguai, Francisco Solano López, a quem o governo uruguaio procurara para obter apoio em julho de 1863, tinha chegado ao poder em outubro de 1862, após a morte de seu pai, o ditador Carlos Antonio, que governara o país desde 1844. De início, ele hesitou em fazer uma aliança formal com os blancos, seus aliados naturais, contra os colorados no Uruguai, agora que estes tinham o apoio do Brasil e da Argentina. Mas, no segundo semestre de 1863, Solano López viu a oportunidade de mostrar sua presença na região e de desempenhar um papel compatível com o novo poder econômico e militar do Paraguai. No começo de 1864, ele começou a mobilização para uma possível guerra.
Quando o Brasil lançou um ultimato ao governo uruguaio em agosto do mesmo ano, ameaçando retaliar os supostos abusos sofridos por súditos brasileiros, Solano López reagiu com um ultimato alertando o Brasil contra a intervenção militar. Ignorando o alerta, soldados brasileiros invadiram o Uruguai em 16 de outubro. Em 12 de novembro, após a captura de um vapor mercante brasileiro que saía de Asunción para Corumbá, levando o presidente de Mato Grosso a bordo, o Brasil rompeu relações diplomáticas com o Paraguai. Em 13 de dezembro, Solano López tomou a grave decisão de declarar guerra ao Brasil e invadiu Mato Grosso. Quando a Argentina negou autorização ao Exército paraguaio para atravessar Misiones – território disputado e quase despovoado – a fim de invadir o Rio Grande do Sul, Solano López também declarou-lhe guerra, em 18 de março de 1865, e no mês seguinte invadiu a província argentina de Corrientes.
A decisão de Solano López de declarar guerra primeiro ao Brasil e depois à Argentina, e de invadir os dois territórios, mostrou-se um grave erro de cálculo, que traria consequências trágicas para o povo do Paraguai. O mínimo que se pode dizer é que Solano López fez uma tremenda aposta – e perdeu. Ele superestimou o poderio econômico e militar do Paraguai. Subestimou o poderio militar potencial, se não efetivo, do Brasil, e sua disposição de lutar. E errou ao pensar que a Argentina ficaria neutra numa guerra entre o Paraguai e o Brasil em disputa pelo Uruguai.
Os objetivos originais da guerra, tal como foram expostos no Tratado da Tríplice Aliança assinado pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai em 1o de maio de 1865, eram: a derrubada da ditadura de Solano López; livre navegação dos rios Paraguai e Paraná; anexação do território reivindicado pelo Brasil no nordeste do Paraguai e pela Argentina no leste e no oeste do Paraguai — esta última cláusula se manteve secreta até ser revelada pela Inglaterra em 1866. Com o desenrolar do conflito, tornou-se, em particular para o Brasil, uma guerra pela civilização e pela democracia contra a barbárie e a tirania: isso apesar do estranho fato de que o Brasil, após a libertação dos escravos nos Estados Unidos durante a Guerra Civil, agora era o único Estado independente de todas as Américas com a economia e a sociedade em bases escravistas, além de ser a única monarquia remanescente.
A Guerra do Paraguai não era inevitável. E nem era necessária. Mas só poderia ter sido evitada se o Brasil tivesse se mostrado menos categórico na defesa dos interesses de seus súditos no Uruguai, principalmente, se não tivesse feito uma intervenção militar em favor deles, se a Argentina tivesse se mantido neutra no conflito subsequente entre o Paraguai e o Brasil, e, sobretudo, se o Paraguai tivesse se conduzido com mais prudência, reconhecendo as realidades políticas da região e tentando defender seus interesses por meio da diplomacia, e não pelas armas. A guerra, que se estendeu por mais de cinco anos, foi a mais sangrenta da história da América Latina, e, na verdade, afora a Guerra da Crimeia (1854-1856), foi a mais sangrenta de todo o mundo entre o fim das Guerras Napoleônicas, em 1815, e a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Custou de 150.000 a 200.000 vidas (na maioria, paraguaios e brasileiros), no campo de batalha e por privações e doenças decorrentes da guerra.
Diante da enorme disparidade entre os dois lados, em termos de tamanho, riqueza e população, a Guerra do Paraguai deveria se afigurar desde o início uma luta desigual. Mas, militarmente, havia um maior equilíbrio. De fato, no início da guerra, e pelo menos durante o primeiro ano, o Paraguai provavelmente teve superioridade militar em termos numéricos. E provavelmente seu Exército era mais equipado e treinado do que os exércitos vizinhos. Além disso, como as forças paraguaias tinham sido expulsas do território argentino, a Argentina reduziu tanto sua contribuição para o esforço de guerra dos aliados que, no final da guerra, havia apenas cerca de 4.000 soldados argentinos em solo paraguaio. O Uruguai, por sua vez, teve presença apenas simbólica no teatro de operações durante todo o conflito. O Brasil, por outro lado, aumentou seu Exército regular – que tinha entre 17.000 e 20.000 – para 60.000 a 70.000 homens no primeiro ano das hostilidades, com recrutamento obrigatório, transferências da Guarda Nacional, alistamento de escravos de propriedade do Estado e alguns de propriedade particular (libertados em troca dos serviços na guerra) e a formação dos corpos de Voluntários da Pátria. Calcula-se que o Brasil mobilizou durante a guerra cerca de 140.000 homens. E, ao contrário do Paraguai, que dispunha apenas de seus próprios estaleiros e arsenais, o Brasil tinha acesso a armas, munições e navios de guerra, tanto fabricados e montados no país quanto comprados no exterior, principalmente na Europa, além de empréstimos obtidos na City de Londres para ajudar nesses pagamentos. Por fim, o Brasil tinha a Marinha mais forte e poderosa da região.
A guerra pode ser dividida em três fases. A primeira começou com as ofensivas paraguaias a Mato Grosso em dezembro de 1864 e a Corrientes em abril de 1865. Em maio de 1865, o Exército paraguaio finalmente atravessou Misiones e invadiu o Rio Grande do Sul. De início a invasão teve sucesso, mas depois foi contida pelas forças aliadas. No dia 14 de setembro, o comandante paraguaio, coronel Estigarribia, se rendeu aos aliados em Uruguaiana. O Exército paraguaio então se retirou, atravessando o Rio Paraná, e se preparou para defender a fronteira sul do país. Enquanto isso, em 11 de junho, na Batalha do Riachuelo, no Rio Paraná, a única grande batalha naval da guerra, a Marinha brasileira tinha destruído a Marinha paraguaia e criado um bloqueio cerrado ao Paraguai, que se manteve até o fim da guerra.
A segunda e principal fase do conflito começou quando os aliados finalmente invadiram o Paraguai, em abril de 1866, e instalaram seu quartel-general no Tuiuti, na confluência dos rios Paraná e Paraguai. Em 24 de maio, repeliram uma investida paraguaia e venceram a primeira grande batalha em terra. Mas os exércitos aliados demoraram mais de três meses até começarem a subir o Rio Paraguai. Em 12 de setembro, Solano López propôs concessões, inclusive territoriais, para terminar a guerra, desde que lhe fosse poupada a vida e o Paraguai não fosse totalmente desmembrado ou ocupado em caráter permanente, mas sua proposta foi rejeitada. Dez dias depois, em Curupaiti, ao sul de Humaitá, no Rio Paraguai, os aliados sofreram sua pior derrota. Não retomaram o avanço até julho de 1867, quando se iniciou uma movimentação para cercar a grande fortaleza fluvial de Humaitá, que bloqueou o acesso ao Rio Paraguai e à capital, Asunción. Mesmo assim, passou-se mais de um ano antes que os aliados ocupassem Humaitá (5 de agosto de 1868), e mais cinco meses para a derrota decisiva e praticamente a destruição do Exército paraguaio na Batalha de Lomas Valentinas, em 27 de dezembro. As tropas aliadas (na maioria brasileiras), sob o comando do marechal Luís Alves de Lima e Silva, o marquês de Caxias, comandante-chefe brasileiro desde outubro de 1866 e comandante-chefe das forças aliadas desde janeiro de 1868, finalmente entraram em Asunción em 1o de janeiro de 1869 e terminaram a guerra. Pelo menos, assim pensavam os aliados.
Mas houve uma terceira fase: Solano López formou um novo exército na Cordilheira a leste de Asunción e começou uma campanha de guerrilha. Foi derrotado e seus soldados massacrados na última grande batalha em Campo Grande ou Acosta Nu, no nordeste de Asunción, em agosto de 1869. Mesmo assim, López conseguiu escapar com vida. Com sua companheira irlandesa Eliza Alicia Lynch, ele foi perseguido no norte por tropas brasileiras por mais seis meses, até finalmente ser acuado e morto em Cerro Corá, no extremo nordeste do Paraguai, em 1o de março de 1870. Em 27 de julho, foi assinado um tratado de paz preliminar.
Por que demorou tanto até os Aliados vencerem a guerra, apesar de sua esmagadora superioridade naval e, pelo menos depois de Tuiuti, também terrestre? Passaram-se quase quatro anos antes que os aliados chegassem à capital paraguaia. E mesmo então, a guerra se arrastou por mais de um ano. Uma explicação se encontra no lado dos aliados, ou melhor, no lado brasileiro, já que o Brasil ficou praticamente sozinho na guerra após o primeiro ano. Os governos brasileiros enfrentavam enormes problemas logísticos, primeiro para organizar, depois para transportar as tropas por milhares de quilômetros por via terrestre, marítima e fluvial, e, finalmente, para abastecê-las. E vencer as excelentes defesas terrestres e fluviais do Paraguai não foi tarefa fácil. Mas também é verdade que os comandantes brasileiros demonstraram um alto grau de incompetência estratégica e tática. Por outro lado, as tropas paraguaias e, na verdade, o próprio povo paraguaio, mantiveram-se leais a Solano López, combatendo com uma tenacidade extraordinária e, no final, quando estava em jogo a sobrevivência nacional, com grande heroísmo.
Para o Paraguai, a guerra foi quase uma calamidade total. O país sobreviveu como Estado independente, mas sob a ocupação e tutela brasileira no período posterior ao fim da guerra. Somente em julho de 1876, finalmente se retiraram 2.000 soldados e seis navios de guerra brasileiros. A consequência extrema da completa derrota, que seria o desmembramento integral do país, foi evitada, mas o território paraguaio foi reduzido em 40%, e o que restou do Exército foi desarmado. Embora o número de baixas tenha sido muito exagerado – chegou-se a se falar em 50% da população do Paraguai antes do conflito –, e as estimativas recentes e mais modestas estejam na ordem de 15% a 20% da população, o que corresponde a cerca de 50.000 a 80.000 mortes no campo de batalha e por doenças (sarampo, varíola, febre amarela e cólera), os percentuais são enormes pelos critérios de qualquer guerra moderna. A economia do Paraguai ficou arruinada, a infraestrutura e a base manufatureira foram destruídas e o início de um desenvolvimento externo sofreu o retrocesso de uma geração. Por fim, os vencedores impuseram ao país uma indenização enorme, embora nunca tenham cobrado e depois tenham cancelado.
A Argentina sofreu baixas estimadas – possivelmente com exagero – em 18.000 mortes em campo de batalha, mais 5.000 em distúrbios internos desencadeados pela guerra e 12.000 em epidemias de cólera. O território anexado ficou aquém de suas pretensões. De qualquer forma, eliminou-se da política da região platina a perspectiva de um Paraguai cada vez mais forte e potencialmente expansionista. E, num balanço geral, a guerra contribuiu positivamente para a consolidação nacional do país: Buenos Aires foi aceita como capital inconteste de uma república argentina unida, e a identidade nacional se fortaleceu consideravelmente.
O Brasil, que depois do primeiro ano da guerra combateu praticamente sozinho, sofreu baixas de pelo menos 50.000 mortos em combate e muitos outros por doenças, embora num total inferior aos 100.000 às vezes citados. O custo financeiro da guerra sacrificou tremendamente as finanças públicas do país. E a guerra teve profundo impacto na sociedade e na vida política. A Guerra do Paraguai foi um divisor de águas na história do Império, ao mesmo tempo seu apogeu e o início de sua decadência.
Mas o Brasil tinha alcançado todos os seus objetivos. Pelo tratado assinado com o Paraguai em janeiro de 1872, o país obteve todo o território reivindicado entre o Rio Apa e o Rio Branco. Assegurou-se a livre navegação dos rios Paraguai e Paraná, importante para Mato Grosso e o oeste paulista. E o próprio Paraguai, ainda mais que o Uruguai, agora estava sob seu firme controle e sua influência. Assim se consolidava, por ora, a indiscutível hegemonia do Império brasileiro na região.
Leslie Bethell é professor emerito de História da América Latina na Universidade de Londres e editor da coleção Cambridge History of Latin America (12 volumes, Cambridge University Press, 1984-2008)

Jogo de interesses?
Existe um mito de que o Brasil e a Argentina, na Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança, foram instrumentos do capitalismo britânico, “Estados satélites”, “neocolônias”, instigados e manipulados por uma Grã-Bretanha “imperialista”, o “indispensável quarto Aliado”, para entrarem em guerra contra o Paraguai. Este seria um sólido mito nascido nos anos 1970 e 1980, nos textos de historiadores latino-americanos tanto da esquerda marxista quando da direita nacionalista. O alegado objetivo da Inglaterra era minar e destruir o modelo de desenvolvimento econômico conduzido pelo Estado, que representava uma ameaça ao avanço de seu modelo capitalista liberal na região. Mais especificamente, seu objetivo era abrir a única economia da América Latina que continuava fechada aos produtos manufaturados e aos capitais ingleses, e assegurar à Inglaterra novas fontes de matérias-primas, em especial o algodão, já que o abastecimento dos Estados Unidos tinha sido afetado pela guerra civil.
Há pouca ou nenhuma prova concreta consistente que possa sustentar essa tese. O governo britânico não tinha praticamente nenhum interesse no Paraguai e nenhuma vontade de piorar as disputas existentes no Rio da Prata, e muito menos de promover a guerra, que iria apenas ameaçar vidas e propriedades inglesas e o comércio britânico. E, mesmo que quisesse, a Inglaterra não exercia o grau de controle sobre o Brasil ou sobre a Argentina que seria necessário para manobrá-los e levá-los à guerra contra o Paraguai. As autoridades britânicas, em sua maioria, estavam a favor dos aliados, mas a Inglaterra se manteve oficialmente neutra durante a guerra e utilizou de modo sistemático sua influência a favor da paz. É verdade que fabricantes britânicos vendiam armas e munições aos beligerantes – isto é, na prática, ao Brasil e à Argentina, visto que o Paraguai logo caiu sob bloqueio brasileiro. Mas eram negócios, oportunidades de os empresários na Inglaterra, na França e na Bélgica lucrarem com uma guerra. Também é verdade que o empréstimo de sete milhões de libras dos Rothschild ao governo brasileiro em setembro de 1865 foi utilizado para comprar navios de guerra, e neste sentido a Inglaterra deu uma contribuição importante para a vitória dos aliados sobre o Paraguai. Mas não houve qualquer outro empréstimo ao Brasil durante toda a guerra, e os empréstimos ingleses representaram apenas 15% do total de despesas do Brasil com a Guerra do Paraguai. A principal responsabilidade pela guerra coube ao Brasil, à Argentina, em menor grau ao Uruguai e, sobretudo – infelizmente –, ao próprio Paraguai.

13.747 – História – Vietnã teve ajuda soviética na Guerra?


Helicoptero abatido
A ajuda técnico-militar da União Soviética desempenhou um papel importante na vitória do povo do Vietnã. A União Soviética enviou 2 mil tanques, 1,7 mil blindados, 7 mil peças de artilharia e morteiros, mais de 700 aviões militares, 158 sistemas de mísseis antiaéreos e cerca de 8 mil mísseis para eles aos defensores do Vietnã.
No período de 1965-1974, mais de 11 mil soldados, oficiais e generais das Forças Armadas soviéticas participaram da guerra do Vietnã. Mais de 2 mil deles receberam condecorações soviéticas, mais de três mil receberam condecorações vietnamitas.
A tomada da cidade, hoje chamada Ho Chi Minh, pelas forças comunistas do Vietnã do Norte lançou as bases para a reunificação vietnamita e foi a maior derrota militar da história dos EUA – que se envolveram no conflito em 1961, temendo o avanço do comunismo.
Para americanos e vietnamitas, foi uma guerra custosa, sangrenta e divisiva.
O conflito marcou a história do Vietnã no século passado, deixou o país em ruínas, causou milhões de mortes e ainda desperta debates.
Rivalidade da Guerra Fria: O antigo Vietnã do Sul dependia da ajuda econômica e militar dos EUA, enquanto o Vietnã do Norte recebia apoio da União Soviética e da China.
Número de soldados: Mais de 2,5 milhões de americanos serviram na guerra; em 1968 havia 536 mil deles combatendo. Em 1973, quando os EUA aceitaram um cessar-fogo, as forças do Vietnã do Sul eram de cerca de 700 mil, enquanto as do Vietnã do Norte somavam cerca de 1 milhão de combatentes.
Número de mortos: Mais de 58 mil americanos e ao menos 1,1 milhão de vietnamitas morreram no conflito (algumas estimativas falam em 3 milhões de mortos). Outros países também sofreram baixas: foram mortos, por exemplo, mais de 4 mil soldados sul-coreanos.
Guerra internacional: Algumas nações enviaram tropas para ajudar os EUA; participaram do conflito milhares de soldados da Coreia do Sul, Tailândia, Austrália, Filipinas e Nova Zelândia.
A China também enviou um número substancial de soldados ao Vietnã do Norte: chegaram a 170 mil, para reparar os danos causados pelos bombardeios americanos e para ajudar na defesa aérea.
Guerra aérea: A Força Aérea dos EUA lançou 6,7 milhões de toneladas de bombas sobre o Vietnã; as forças aliadas do Vietnã do Sul, Austrália e Nova Zelândia lançaram outras 1,4 milhão de toneladas.
Esse montante corresponde a mais do dobro do volume de bombas lançado por Reino Unido e EUA – 3,4 milhões de toneladas – em operações na Europa e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.
O tanque: Durante 20 anos, acreditou-se que um tanque do Vietnã do Norte – o de número 843 – tivesse sido o primeiro a avançar contra as portas do Palácio Presidencial de Saigon, em 30 de abril de 1975. Só em meados de 1990 que o Vietnã concluiu que foi obra de outro tanque, o número 390.
Arma icônica: Nenhuma outra arma está tão associada à Guerra do Vietnã quanto o fuzil AK-47. Foi a principal arma do Exército do Vietnã do Norte e das guerrilhas do Sul e se converteu na arma revolucionária preferida em todo o mundo.
As tropas americanas usaram sobretudo o fuzil M14 e, posteriormente, o M16. Os fuzis de assalto americanos eram de difícil manejo nas úmidas selvas do Vietnã.
Legado controverso: O Vietnã pediu, sem sucesso, compensação às vítimas do “agente laranja” – substância química jogada pelas tropas americanas no solo para destruir plantações agrícolas e desfolhar florestas usadas como esconderijo pelos inimigos, que acabou causando danos, malformação de crianças e contaminação, com efeitos que duram até hoje.
Divisão: Mais de 1 milhão dos chamados “boat people” (imigrantes que viajavam em barco) fugiram do Vietnã do Sul entre 1975 e 1989. A maioria se estabeleceu nos EUA.
Normalização: EUA e Vietnã normalizaram suas relações em 1995 e anunciaram um acordo amplo em 2013. O comércio bilateral movimentou quase US$ 35 bilhões em 2014.

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13.367 – História – O que é Paz Armada?


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No geral, a expressão “Paz Armada” faz referência ao momento que antecede a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que as principais potências europeias viviam uma corrida armamentista sem, supostamente, a intenção de dar início a um conflito. Portanto, um período de “paz”, mas em que todos estavam “armados até os dentes”. Desde meados do século XIX, o nacionalismo exacerbado e o imperialismo foram os principais fatores que motivaram essa corrida e posteriormente que levarão à Primeira Guerra.

13.238 – História da Aviação – Impulsionada pela Guerra


teco teco
Pode não ser ou parecer bonito, mas o melhor incentivo para o desenvolvimento de inovação em tecnologia é o conflito armado. A guerra incentiva os militares a buscar equipamentos melhores que os do inimigo. E eles têm a verba para isso. Nesse sentido, a aviação militar foi a grande parteira da aviação civil.
Quando você entra hoje em um avião de passageiros produzido pela maior empresa da área, a americana Boeing, fundada em 1916 no meio da guerra, mas antes de os americanos entrarem nela, você está literalmente seguindo nos passos de uma velha tradição de aviões de guerra produzidos pela companhia americana baseada em Seattle.
O bombardeiro Boeing B-17 “Flying Fortress” (Fortaleza Voadora) transformou a Alemanha em ruínas; o Boeing B-29 “Superfortress” (Super Fortaleza) incendiou o Japão e lançou sobre o país asiático duas bombas atômicas; o Boeing B-52 “Stratofortress” (Fortaleza Estratosférica) foi projetado para levar a União Soviética de volta à Idade da Pedra com armas nucleares, mas, como não houve a 3a Guerra Mundial, passou boa parte do tempo lançando bombas em lugares como o Vietnã, o Iraque e o Afeganistão.
Isso tudo ajudou a produzir, por exemplo, o bimotor Boeing 737, o avião a jato mais vendido na história da aviação comercial, e um clássico da ponte aérea Rio-São Paulo.

História Antiga
A ficha de que a aviação tinha vocação militar caiu em 1909, quando Louis Blériot fez a travessia do Canal da Mancha e chegou à Grã-Bretanha. O feito horrorizou os militares britânicos: eles possuíam a maior marinha de guerra do mundo e de repente poderiam ser vulneráveis a um ataque pelo ar.
Também em 1909 os franceses criaram o Service Aéronautique, a primeira força aérea do planeta. Em 1910 os alemães criam a sua. Mas o primeiro uso em combate da nova arma foi obra dos italianos. Em 1911 eles fizeram os primeiros voos de reconhecimento e de bombardeio na guerra com o Império Otomano travada na Líbia.
Paralelamente, o que viria a ser chamado de aviação civil engatinhava. E parou de vez com o início da 1a Guerra Mundial, em 1914. Motores mais poderosos foram criados, aviões com mais motores também. Terminada a guerra, estavam prontos para levar passageiros no lugar de bombas.
No período entre as duas guerras mundiais a tecnologia também evoluiu e foi quando os aviões de lona e madeira, em geral biplanos, foram substituídos por monoplanos de metal bem mais velozes e com maior alcance. Rotas de transporte aéreo civil passaram a ser comuns. Nas décadas de 1920 e 1930 foi criada a base da aviação civil moderna. Não só muitos modelos de aviões foram produzidos por empresas como Sikorsky, Tupolev ou Boeing; foram lançadas linhas aéreas como KLM, Air France e Pan Am. Além da brasileira Condor, estabelecida no país pela alemã Lufthansa.
Novos desenvolvimentos tecnológicos decolaram na 2a Guerra; três exemplos bastam para mostrar sua contundência. São fundamentais para a aviação comercial hoje: radar, propulsão a jato e computador. Todos são frutos de pesquisas com fins militares e, sem eles, a indústria moderna da aviação civil não teria sido possível.

10.702 – Civilizações (?) Antigas – Encontrado método cruel de artilharia em manuscrito medieval da década de 1530


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Barbárie no tempo da barbárie
Estudiosos do manuscrito “Feuer Buech”, um tratado sobre artilharia e máquinas da década de 1530, encontraram nas ilustrações do texto um método cruel para utilizar mascotes como verdadeiras armas de fogo. O texto alemão, que acompanha as imagens, aconselha aos chefes militares o uso de animais pequenos, como gatos e pombos para “incendiar um castelo ou uma cidade que, de outro modo, não poderia ser sitiada”.
As ilustrações, que mostram as mascotes lançadas em direção a um castelo através de mecanismos que se assemelham a cinturões de foguetes, não deixam de assustar os especialistas. O autor do tratado é um mestre artilheiro chamado Franz Helm, de Colônia, que havia lutado em algumas batalhas contra os turcos, no sul da Europa, na época em que surgiu a pólvora, mudando para sempre a concepção das armas de guerra.
As ideias do mestre artilheiro não se esgotam com o uso de gatos. Através das ilustrações feitas por vários pintores, é possível observar imagens de armas estranhas e horríveis, desde bombas de estilhaços a mísseis explosivos. Um dos fragmentos do tratado oferece uma receita exata para utilizar equipamentos incendiários com base em animais: “Costure um bolso que tenha a forma de uma flecha de fogo. Se você deseja atacar uma cidade ou um castelo, deve pegar um gato no local. Amarre bem o bolso nas costas do gato e depois solte o animal, que será jogado em direção ao castelo ou à cidade e lá se esconderá assustado em um palheiro, incendiando-o”.
Vale destacar que, até o momento, não existem evidências de que algumas vez tenha sido implementado um mecanismo similar na história das guerras mundiais.

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10.580 – História ou Paranoia? – Mega Cenário: 2014 > 1914


Em tempos atuais, o comércio internacional quintuplicou, áreas de livre comércio pipocaram, o número de passageiros aéreos internacionais dobrou e a internet se expandiu de 0,1% para 36% da população mundial. A globalização cresceu de tal forma que o mundo se tornou interdependente demais para que uma guerra entre potências pareça plausível.
A última vez em que tudo parecia tão em ordem globo afora foi justamente há cem anos. No começo de 1914, o mundo vivia um auge inédito de paz e progresso. Desde o fim das Guerras Napoleônicas, em 1815, a Europa não via uma guerra de escala continental. Informações atravessavam fronteiras em tempo real pelo telefone e pelo telégrafo. O Expresso do Oriente ligava Paris a Istambul – e de lá até cantos exóticos como Bagdá e Medina, trazendo para as penteadeiras ocidentais perfumes com essências das Arábias. Os cosmopolitas londrinos, parisienses e berlinenses discutiam em mesas que serviam café brasileiro e chá indiano, frequentavam óperas com histórias vindas da Pérsia e se maravilhavam com invenções como o automóvel, o avião e o cinema.
Só que havia algo de podre no reino da paz. Esse avanço não era natural, mas extremamente político. Por trás da duradoura tranquilidade havia um xadrez estratégico chamado “equilíbrio de poder”. Toda vez que uma potência do continente dava sinal de querer brincar de Napoleão, a Grã-Bretanha, nação mais poderosa da época, apoiava as potências rivais.
Tudo funcionou bem até que, no centro da Europa, uma salada de pequenos Estados rurais decidiu se unificar. Liderados pela Prússia, eles viraram o Império Alemão. Rapidamente, formaram a maior rede ferroviária da Europa, a maior indústria siderúrgica do mundo e a maior fome por recursos naturais e mercados. Se os tempos fossem outros, a Grã-Bretanha faria de tudo para barrar a expansão alemã, que ameaçava silenciosamente tanto a França quanto a Rússia. Mas eis que veio o conto da carochinha. Quando potências conseguem assegurar seus interesses pelo livre-comércio, elas não precisam fazê-lo pela guerra. E o Império Alemão e a Grã- Bretanha eram os maiores parceiros comerciais entre si na Europa. Uma guerra só poderia atrapalhar… Pois bem. Bastou o assassinato do arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando por um estudante anarquista para começar a então maior guerra da história, que matou 9 milhões de pessoas, ergueu barreiras comerciais, e gerou o embrião da Segunda Guerra, ainda mais apocalíptica. E o mais incrível é que só na década de 1990 a globalização pré-1914 seria retomada de fato.
A revista britânica The Economist recentemente identificou a charada do centenário de Primeira Guerra. Se 1914 e 2014 fossem duas partidas de xadrez, as peças dos dois tabuleiros estariam em posições assustadoramente semelhantes, com a diferença de um estar na Europa e outro estar no Oceano Pacífico. A Grã-Bretanha de então seriam os EUA de hoje – o manda-chuva econômico e militar cada vez mais enfraquecido. A nova França seria o Japão – o aliado em decadência política e econômica que não consegue mais apitar sozinho em seu quintal. E quem faz o papel do Império Alemão é, claro, a China – a potência que há poucos anos se tornou o número dois do mundo em quase tudo o que importa em geopolítica: orçamento militar e uma indústria sedenta por recursos naturais e mercados.
Tal como no início de 1914, acreditamos que o comércio internacional se tornou tão dinâmico que uma guerra mais atrapalharia do que contribuiria para os interesses das potências. Para que a China faria alguma guerra se os EUA e o Japão são seus maiores parceiros comerciais? Mas, enquanto os agentes econômicos do mundo focam nessa pergunta, a China aumentou de 1% para 10% sua fatia no orçamento militar do planeta. Ainda é um quarto do orçamento americano, mas já é mais que o triplo do japonês e não para de crescer. Agora, começou a mostrar os dentes ao Japão na disputa por algumas ilhotas que servem de pouco mais que estacionamento de gaivotas. E continua a passar a mão na cabeça da Coreia do Norte, a ditadura atômica que vive de fazer ameaças insanas.
Nada disso significa a iminência de uma Terceira Guerra Mundial, claro. Não porque as economias de EUA, China e Japão sejam interdependentes – esse mito foi assassinado junto com Francisco Ferdinando em 1914. Não. A razão está em Hiroshima. Ironicamente, nosso seguro contra um conflito global é o risco de uma hecatombe maior – o holocausto atômico. E seria completamente idiota atravessar essa linha vermelha, certo? Certo. Há cem anos, porém, a ideia de uma guerra total parecia tão estúpida quanto.

10.510 – Conflitos – ONU alerta para risco de ‘massacre’ em cidade iraquiana


conflito-iraque
As Nações Unidas fizeram um chamado à ação para evitar um possível massacre em Amerli, no norte do Iraque. O representante especial em Bagdá, Nickolay Mladenov, disse estar “seriamente alarmado” pelos relatos sobre as condições dos moradores da cidade. Os 20.000 habitantes de Amerli estão há dois meses sitiada pelos terroristas do Estado Islâmico, está sem eletricidade e sem água potável, e os estoques de alimentos e medicamentos estão acabando. Os moradores são, em sua maioria, turcomanos xiitas, considerados apóstatas pelo EI, formado por radicais sunitas.
O primeiro-ministro iraquiano designado, Haidar al Abadi, também pediu ajuda, solicitando “apoio militar e logístico de todo tipo”. Os moradores dizem que tiveram de organizar a própria resistência aos terroristas, e que nenhuma ajuda externa chegou à cidade desde o início do cerco, informou a rede britânica BBC.
No dia 8 deste mês, os Estados Unidos iniciaram uma série de ataques aéreos contra os jihadistas no norte do Iraque, e o governo americano está estudando opções para aumentar a pressão contra o EI, incluindo o treinamento de grupos rebeldes considerados “moderados” na Síria, informou o britânico The Guardian.
A preocupação da administração Obama com a situação no Iraque aumentou depois da divulgação pelos terroristas de um vídeo em que o jornalista James Foley é decapitado. A gravação continha ainda a ameaça de que outro jornalista americano corria o risco de ser morto, “dependendo da próxima decisão” do presidente.
Ontem, a Casa Branca condenou nos mais fortes termos a execução de Foley, descrevendo sua decapitação como um ato de terrorismo e advertindo que a resposta militar americana não seria restrita por fronteiras internacionais.
O vice-conselheiro de segurança nacional Bem Rhodes disse que a morte de Foley “representa um ataque terrorista contra o país”. “Quando vemos alguém morto de forma tão horrível, isso representa um ataque terrorista contra nosso país e contra um cidadão americano”.
O posicionamento americano foi endossado pelo Conselho de Segurança da ONU, que classificou o assassinato de “hediondo e covarde”, em comunicado aprovado por unanimidade.
Ataques deixaram mortos em várias partes do país. Em Bagdá, um carro bomba entrou no quartel-general da inteligência, matando pelo menos nove pessoas, segundo fontes médicas e da polícia. Perto de Tikrit, um homem bomba dirigindo um jipe militar cheio de explosivos atacou um grupo de soldados e militantes xiitas durante a noite, matando nove deles.
Em Kirkuk, no Curdistão, mais de vinte pessoas morreram nas explosões simultâneas de três carros bomba contra alvos das forças de segurança. Em Erbil, uma bomba explodiu, em um ataque que perturbou a estabilidade relativa que a capital da região autônoma curda estava vivendo.

9079 – Mega de ☻lho no Nobel – Nobel da Paz de 2013


Armas químicas mataram milhares de inocentes. Não ousamos a colocar as fotos, são realmente chocantes…

Foi concedido à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira em Oslo, na Noruega. O Comitê do Prêmio justificou a escolha mencionando os “extensos esforços” da organização na luta pelo fim das armas químicas.
Criada em 1997 com o objetivo de ser o “cão de guarda” responsável para fazer a valer a Convenção sobre Armas Químicas de 1993 – que baniu a fabricação e estocagem desse tipo de armamento -, a Opaq recebeu destaque nas últimas semanas depois que o uso de gases tóxicos contra a população síria quase provocou uma intervenção dos Estados Unidos na guerra civil que assola o país do Oriente Médio. O prêmio também ocorre justamente vinte anos depois da assinatura da convenção.
Recentemente, funcionários da organização analisaram amostras recolhidas por funcionários das Nações Unidas que investigaram o uso de armas químicas em um subúrbio de Damasco – uma ação que resultou na morte de mais de mil pessoas em 21 de agosto. Após as análises, técnicos apontaram o uso de gás sarin no ataque.
Nos últimos dez dias, duas equipes de inspetores da Opaq passaram a supervisionar a destruição do arsenal químico da Síria, depois que o ditador Bashar Assad concordou em entregar suas armas por causa das ameaças dos EUA e a assinatura de um tratado proposto pela Rússia. Estimativas de serviços de inteligência apontam que a Síria possui cerca de mil toneladas de armas químicas.
Ao justificar a escolha, o comitê do prêmio, na Noruega, afirmou em comunicado que “os recentes acontecimentos na Síria, onde as armas químicas foram novamente colocadas em uso, enfatizam a necessidade de aumentar os esforços para acabar com essas armas”.
Segundo números da organização, após a Guerra Fria a Rússia mantinha 40.000 toneladas de armas desse tipo, e os EUA, 30.000 toneladas. Com a ajuda da organização, a Rússia destruiu até o momento 75% desse arsenal, e os EUA, 90%. De acordo com a organização, 81,7% das armas químicas declaradas pelos estados-membros da convenção foram destruídas desde que a Opaq começou a funcionar, em 1997. A Opaq também já realizou mais de 5.000 inspeções em 86 países. Em seu comunicado, o comitê do Nobel mencionou que a Rússia e os EUA ainda não completaram a destruição de seus arsenais.

A convenção que deu origem à Opaq foi ratificada nos últimos anos por 189 países (190, se incluída a recente adesão da Síria, que ainda não foi totalmente formalizada). Apenas seis estados, entre eles Israel, Egito, Coreia do Norte e Angola não assinaram ou ratificaram o tratado.

Baseada em Haia, na Holanda, a organização emprega cerca de 500 pessoas, e é chefiada pelo turco Ahmet Uzumcu. O orçamento anual é de 74 milhões de euros (219 milhões de dólares), custeado pelos estados-membros, em um esquema similar de financiamento ao que existe na Organização das Nações Unidas (ONU) – apesar das duas organizações cooperarem mutuamente, a Opaq é totalmente independente.

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O primeiro diretor da Opaq foi o brasileiro José Maurício Bustani, que atualmente serve como embaixador do Brasil na França. Em abril de 2002, ele acabou deixando o cargo após pressão dos EUA, que à época, em um episódio controverso, pediram sua destituição ao acusá-lo de exceder as funções da organização. À época, a Opaq negociava com o regime do ditador iraquiano Saddam Hussein para a inspeção do seu suposto arsenal químico, e os EUA já se movimentavam para invadir o país.
Após o anúncio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, parabenizaram a Opaq pelo prêmio. Ban disse que os recentes episódios na Síria mostram que as armas químicas continuam um “perigo real e imediato”.
Esta foi a segunda vez seguida que o Comitê do Nobel optou por laurear uma instituição. No ano passado, a União Europeia levou a honraria por “colaborar com o estabelecimento da democracia e dos direitos humanos no continente”. Apesar da escolha ser imprevisível, muitos apostavam que o prêmio deste ano iria para a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, de 16 anos. Defensora do direito das meninas de seu país à educação, Malala sobreviveu a um atentado do Talibã no ano passado e venceu o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos, concedido pelo Parlamento Europeu, nesta semana.
Segundo o canal de televisão norueguês NRK, que noticiou a vitória da Opaq minutos antes do anúncio oficial, o Comitê decidiu não premiar Malala por causa de sua juventude, suas poucas conquistas e pelo temor de que a honraria a transformasse em um alvo ainda maior de terroristas.
A entrega do Prêmio Nobel será realizada, segundo a tradição, em 10 de dezembro, em Oslo.

8976 – Civilizações Antigas – A Cidade de Esparta


esparta-historia

Foi uma localidade da Grécia Antiga, situada às margens do rio Eurotas, no sudeste da região do Peloponeso. Foi uma das mais notórias cidades-estado da Grécia Antiga; conquistou a vizinha Messenia cerca do ano 700 a.C. e, duzentos anos mais tarde, coligou-se a seus outros vizinhos, formando a Liga do Peloponeso. Na Guerra do Peloponeso, no século V a.C., Esparta derrotou Atenas e passou virtualmente a governar toda a Grécia, mas em 371 a.C. os outros estados revoltaram-se e Esparta foi derrubada, apesar de manter-se poderosa ainda durante mais duzentos anos.
Esparta encontra-se numa região de terras apropriadas para o cultivo da vinha e da oliveira. Na Antiguidade era uma cidade de caráter militarista e oligárquico, nunca tendo desenvolvido uma área urbana importante. O governo de Esparta tinha como um de seus principais objetivos fazer de seus cidadãos modelos de soldados, bem treinados fisicamente, corajosos e obedientes às leis e às autoridades.
Em Esparta, os homens eram na sua maioria soldados e foram responsáveis pelo avanço das técnicas militares, melhorando e desenvolvendo um treino, organização e disciplina nunca vistos até então.
Relativamente ao poder, Atenas era a principal rival de Esparta e foi ela que liderou as cidades-estado gregas na luta contra os invasores persas, em 480 a.C..
A Constituição de Esparta, segundo a tradição, foi escrita por um legislador chamado Licurgo, que teria vivido no século IX a.C.
Segundo os espartanos, o primeiro habitante da região se chamava Grover1 . Seu neto, Eurotas deu origem ao rio Eurotas ao dragar os pântanos da Lacônia.
Eurotas foi sucedido por Lacedemon, casado com Esparta. Lacedemon mudou o nome da região para o seu e fundou a cidade de Esparta – de modo que na época clássica os espartanos também eram chamados de lacedemônios.

Esparta surgiu em meados do século IX a.C.. Durante a época micénica existiram a sul do local onde nasceria Esparta dois centros urbanos, Amiclas e Terapne. Nesta última cidade, encontraram-se santuários dedicados ao rei Menelau e à sua esposa Helena, personagens da Ilíada de Homero.
À semelhança de outras partes da Grécia, a Lacónia conheceu um decréscimo populacional com o fim da era micénica. No século X a.C., os Dórios penetraram na região. No século seguinte, quatro aldeias da Lacónia uniram-se para fundar Esparta; no século seguinte a cidade de Amiclas foi incluída em Esparta.
Perante o problema gerado pelo aumento populacional e pela escassez de terra, Esparta optou pela via militar para solucionar a questão, ao contrário de outras pólis gregas que recorreram à fundação de colónias (Esparta fundou apenas uma colónia, Tarento, actual Taranto, no sul da Itália). Assim, Esparta decidiu conquistar os territórios vizinhos, tendo conquistado toda planície da Lacónia no final do século VIII a.C. Na luta pelo domínio no Peloponeso, Esparta teve como rival Argos, cidade do nordeste do Peloponeso.
Em 570 a.C., uma tentativa de conquista da Arcádia revelou-se um fracasso, tendo Esparta optado por alterar a sua política no sentido da diplomacia. Assim, Esparta ofereceu a outras localidades do Peloponeso a possibilidade de integrar uma liga por si liderada, a chamada Liga do Peloponeso. A maioria dos estados do Peloponeso integraria esta liga, com excepção de Argos.
Durante as Guerras Persas, Esparta liderou as forças que defenderam a Grécia em terra, enquanto que Atenas defendia pelo mar. Com o final da guerra, as relações com Atenas deterioraram-se, culminando na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), que os Espartanos venceram.
Em 1834, o governo do então reino da Grécia fundou a moderna cidade de Esparta, que ocupa parte da antiga Esparta e que é capital do departamento da Lacônia.

Cultura
De acordo com Plutarco (50-120 d.C.), quando nascia uma criança espartana, pendurava-se na porta da casa um ramo de oliveira (se fosse um menino) ou uma fita de lã (se nascesse uma menina). Havia rituais privados de purificação e reconhecimento da criança pelo pai, além de uma festa de nascimento conhecida como genetlia, na qual o recém-nascido recebia um nome e presentes de parentes e amigos. (Cf. Maria Beatriz B. Florenzano. Nascer, viver e morrer na Grécia antiga)
Desde o nascimento até a morte, o espartano pertencia ao Estado. Os recém-nascidos eram examinados por um conselho de anciãos que ordenava eliminar os que fossem portadores de deficiência física ou mental ou não fossem suficientemente robustos (uma forma de eugenia). As crianças Espartanas eram espancadas pelos pais para se tornarem mais fortes, e, se não fossem, morreriam.
A partir dos sete anos de idade, os pais (cidadãos) não mais comandavam a educação dos filhos. As crianças eram entregues à orientação do Estado, que tinha professores especializados para esse fim. Os jovens viviam em pequenos grupos, levando vidas muito austeras, realizavam exercícios de treino com armas e aprendiam a táctica de formação.
A educação espartana, supervisionada por um magistrado especial, o paidónomo, compreendia três ciclos, distribuídos por três anos:
Dos sete aos dez anos;
Dos doze aos quinze anos;
Dos dezesseis aos vinte anos (a efebia).
Vejamos alguns dos métodos da educação espartana, tendo como base o relato dos historiadores gregos Xenofonte (A constituição dos lacedemônios) e Plutarco (A vida de Licurgo).
Em lugar de proteger os pés com calçados, as crianças eram obrigadas a andar descalças, a fim de aumentar a resistência dos pés. Usavam um só tipo de roupa o ano inteiro, para que aprendessem a suportar as oscilações do frio e do calor.
Depois de concluído o período de formação educativa, os cidadãos de Esparta, entre os vinte e os sessenta anos, estavam obrigados a participar na guerra. Continuavam a viver em grupos e deviam tomar uma refeição diária nos chamados syssitia.
Para o historiador italiano Franco Cambi, a educação desenvolvida em Esparta e Atenas constitui dois modelos educativos diferentes. Em Esparta, a perspectiva militar orientava a formação de cidadãos-guerreiros, defensores do Estado. Já em Atenas, predominava um tipo de formação mais livre e aberta, que, de modo mais amplo, valorizava o indivíduo e suas capacidades. (Cf. Franco Cambi. História da pedagogia.)
Os homens (esparciatas) eram mandados ao exército aos sete anos de idade, onde recebiam educação e aprendiam as artes da guerra e desporto. Aos doze anos, eram abandonados em penhascos sozinhos, nus e sem comida. Aos 18 anos, voltavam a Esparta, e até os 30 anos de idade eram considerados cidadãos de segunda classe, sem direito a voto, por exemplo. Podiam ser agredidos por qualquer esparciata acima de 30 anos, ficavam nus e recebiam pouca comida.
Os jovens poderiam atacar a qualquer momento servos (hilotas), a fim de lutar e se preparar para a guerra, mas, se fossem mortos por ele, o servo receberia dois dias de folga (por conseguir matar alguém que não era bom o bastante para o exército espartano). Existia uma temporada de caça aos hilotas, para treinarem os jovens para a guerra.
O homem que conseguisse viver até os trinta anos tornava-se um oficial, voltando ao quartel com todos os direitos de cidadão espartano, além de direito ao voto, direito a ter relações sexuais com mulheres e direito a casar. Os homens engravidavam suas mulheres, casavam-se com elas e voltavam ao quartel depois de deixá-las grávidas em suas casas. Aos sessenta anos, poderiam ir para a casa de suas esposas para viver com elas.
A mulher espartana podia ter qualquer homem que quisesse, mesmo sendo casada, já que seus maridos ficavam até os 60 anos de idade servindo ao exército nos quartéis. Podia também requisitar o seu marido ao general do quartel, mas o mesmo não poderia ser feito pelos homens.
Ter muitos filhos era sinal de vitalidade e força em Esparta. Assim, quanto mais filhos a mulher tivesse mais atraente ela seria, podendo engravidar de qualquer esparciata, mas o filho desta seria considerado filho do seu marido.
A religião ocupou em Esparta um lugar mais importante do que em outras cidades. O grande número de templos e santuários é disso revelador: quarenta e três templos dedicados a divindades, vinte e dois templos de heróis, uma quinzena de estátuas de deuses e quatro altares. A esta lista é necessário juntar os numerosos monumentos funerários, dado que em Esparta os mortos eram enterrados no interior das muralhas, sendo que alguns destes monumentos funcionaram como locais de culto.
A prática do infanticídio era apenas o início da educação espartana, a agoge, focada no militarismo, na disciplina e na obediência completa. Depois de passar os primeiros 7 anos de vida com a família, os meninos eram enviados para centros de treinamento para serem educados e transformados em guerreiros. Até os 11 anos, o jovem espartano passava pelo primeiro ciclo, a meninice, em que recebia o treinamento militar básico.

Ruínas de Esparta
Ruínas de Esparta

O menino estava ali para aprender a manejar lanças, espadas e escudos, além de praticar esportes como corrida e natação. A alfabetização não era, de acordo com Plutarco, o mais importante. O foco era a obediência – não ler e escrever. “Eles aprendiam as letras quanto fosse necessário: todo o restante do treinamento era direcionado para resposta rápida aos comandos, resistência, força e vitória nas batalhas”, escreveu Plutarco na sua obra sobre a vida de Licurgo, o principal legislador espartano.

No dia a dia, a educação era supervisionada por um magistrado responsável, mas a disciplina (e as punições) era imposta pelos colegas mais velhos. Sessões de açoites eram comuns, assim como humilhações públicas. Quem já passou por uma escola sabe bem que esse modelo tem o potencial de incentivar a crueldade dos mais velhos contra os mais novos. Mas o uso da crueldade do grupo não era algo inesperado. “A ideia básica era deixar os meninos duros, resistentes, no melhor de sua forma física. Acima de tudo, eles tinham que ser autossuficientes e capazes de suportar a dor”, afirma Cartledge.

8376 – Guerra – Os Abrigos Anti-Nucleares


Construídos nos Estados Unidos e na Europa após o fim da Segunda Guerra Mundial, esses refúgios tinham uma estrutura simples, mas de proteção extremamente eficaz no caso de uma hecatombe atômica. Para começar, todos ficavam mais de uma centena de metros abaixo da superfície – e o fato de estarem sob a terra já impedia de serem atingidos pelo menos ofensivo dos três componentes da radioatividade: as partículas alfa. O abrigo em si era feito de imensas paredes de concreto, material capaz de barrar a penetração das partículas beta, o segundo elemento radioativo. Mas a peça-chave era mesmo o revestimento de chumbo. “Com sua alta densidade, esse metal barra as partículas gama, as mais perigosas entre as que formam a radiação”, diz um professor de planejamento nuclear da pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A construção contava também com filtros de purificação de ar iguais aos de um submarino (sem entrada de ar externo) e um estoque de alimentos para, no mínimo, dois meses.

Paredões em camadas garantiam proteção contra a radioatividade
Para chegar ao abrigo, entre 120 e 150 metros abaixo da superfície, era preciso descer por um longo túnel

Estar envolvida pela terra já bastava para proteger a construção da radiação alfa
Paredes de concreto com 3 metros de espessura impediam a penetração da radiação beta
Entre o concreto e o tijolo, placas de chumbo (ou tungstênio) barravam a radiação gama, a mais perigosa de todas
Como em uma casa, o revestimento interno das paredes e as divisões entre os cômodos eram de tijolo

8271 – Em que lugar do mundo nunca houve guerra?


Só o Polo Norte e a Antártida. E isso porque não têm população e não pertencem a nenhuma nação. Todos os lugares do mundo com traços de ocupação já sofreram algum tipo de conflito armado. “A guerra é inerente ao comportamento dos grupos humanos”, explica George Hoffeditz, curador do Museu da Guerra, no estado da Virgínia, nos EUA. Segundo o historiador, essas lutas tiveram importância significativa para nosso desenvolvimento. Até mesmo a Suíça, célebre por sua neutralidade em combates como as Grandes Guerras, tem um passado manchado de sangue – especialmente na Idade Média. Outros países oficialmente neutros, como Suécia, Áustria e Costa Rica, também já pegaram em armas séculos atrás. Nem o Brasil, que hoje tem fama de bom mediador na política externa, escapa: basta lembrar o nosso conflito com o Paraguai (1874-1870).

7674 – De ☻lho no Mapa – Guiné Bissau


Guinemapa

É um país da costa ocidental de África que se estende desde o cabo Roxo até à ponta Cagete. Faz fronteira a norte com o Senegal, a este e sudeste com a Guiné-Conacri (ex-francesa) e a sul e oeste com o oceano Atlântico. Além do território continental, integra ainda cerca de oitenta ilhas que constituem o Arquipélago dos Bijagós, separado do Continente pelos canais do rio Geba, de Pedro Álvares, de Bolama e de Canhabaque.
Foi uma colônia de Portugal desde o século XV até proclamar unilateralmente a sua independência, em 24 de Setembro de 1973, reconhecida internacionalmente – mas não pelo colonizador. Tal reconhecimento por parte de Portugal só veio em 10 de Setembro de 1974. A Guiné-Bissau foi a primeira colônia portuguesa no continente africano a ter a independência reconhecida por Portugal.
Atualmente faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), das Nações Unidas, dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e da União Africana.
O primeiro navegador e explorador europeu a chegar à costa da atual Guiné-Bissau foi o português Nuno Tristão, em 1446. A colonização só tem início em 1558, com a fundação da vila de Cacheu. A princípio somente as margens dos rios e o litoral foram exploradas. A colonização do interior só se dá a partir do século XIX. No século XVII, foi instituída a Capitania-Geral da Guiné Portuguesa. Mais tarde, durante o Estado Novo de Salazar, a colonia passaria a ter o estatuto de província ultramarina, com o nome de Guiné Portuguesa.
A vila de Bissau foi fundada em 1697, como fortificação militar e entreposto de tráfico de escravos. Posteriormente elevada a cidade, tornar-se-ia a capital colonial, estatuto que manteve após a independência da Guiné-Bissau.
A transição da Guiné-Bissau para a democracia continua, no entanto, dificultada pela debilidade da sua economia, devastada pela guerra civil e pela instabilidade política.
A partir de 2009, quando do assassinato do presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, o Brasil tem-se comprometido com a pacificação do país. O Brasil preside a Configuração Específica da Guiné Bissau da Comissão de Consolidação da Paz (CCP)das Nações Unidas, criada por iniciativa brasileira. Há ainda o Centro de formação para as forças de segurança da Guiné-Bissau, patrocinado pelo Brasil, para limitar o papel das forças armadas às questões militares. A cooperação técnica brasileira em ciclos eleitorais, uma das mais avançadas do mundo, tem sido prestada por meio de cooperação triangular, a exemplo do Memorando de Entendimento Brasil-Estados Unidos-Guiné Bissau para apoio a atividades parlamentares.
Com uma área de 36 126 km², o país é maior que a Bélgica, Taiwan, Haiti ou mesmo os estados brasileiros de Alagoas e Sergipe.

Guiné3

O país estende-se por uma área de baixa altitude. O seu ponto mais elevado está 300 metros acima do nível do mar. O interior é formado por savanas e o litoral por uma planície pantanosa. O período chuvoso alterna com um período de seca, com ventos quentes vindos do deserto do Sahara. O arquipélago dos Bijagós situa-se a pouca distância da costa.
A população da Guiné-Bissau é constituída por uma variedade de etnias, com línguas, estruturas sociais e costumes distintos. A maioria da população vive da agricultura e professa muitas vezes religiões tradicionais locais. Cerca de 45% dos habitantes praticam o Islão e há uma minoria de cristãos. As línguas mais faladas são o fula e o mandinga, entre as populações concentradas no Norte e no Nordeste. Outros grupos étnicos importantes são os balantas e os papéis, na costa meridional, e os manjacos e os mancanhas, nas regiões costeiras do Centro e do Norte. O Crioulo Guineense, derivado do português, é a língua veicular interétnica.
A Guiné-Bissau, fortemente dependente da agricultura e da pesca, é objecto de um programa do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o ajuste estrutural. A castanha de caju, de que é hoje o sexto produtor mundial, aumentou consideravelmente de preço em anos recentes. O país exporta peixe e mariscos, amendoim, semente de palma e madeira. As licenças de pesca são uma importante fonte de receitas. O arroz é o cereal mais produzido e um ingrediente típico e indispensável na alimentação.
A economia guineense acusou nos últimos 3 anos alguns avanços e, segundo o FMI, vai crescer este ano 2,3%, devido ao aumento da produção e da exportação de castanha de caju e às receitas das licenças de pesca. O país está optimista, pois já existem investimentos de grandes empresas multinacionais em diferentes áreas, com destaque para o turismo.
O número de telemóveis registados cresceu de 20 000 para 40 000 entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008, representando uma taxa de penetração de cerca de 3 por cento da população. Actualmente, operam no país 3 grandes empresas de telemóveis: a MTN (que substituiu a Areeba), a Orange e a Guine Tel.

Guiné Bissau

Cultura
A Guiné-Bissau possui um patrimônio cultural bastante rico e diversificado. As diferenças étnicas e linguísticas produziram grande variedade a nível da dança, da expressão artística, das profissões, da tradição musical, das manifestações culturais.
A dança é, contudo, uma verdadeira expressão artística dos diversos grupos étnicos.
Os povos animistas caracterizam-se pelas belas e coloridas coreografias, fantásticas manifestações culturais que podem ser observadas correntemente por ocasião das colheitas, dos casamentos, dos funerais, das cerimônias de iniciação.
O estilo musical mais importante é o gumbé. O Carnaval guineense, completamente original, com características próprias, tem evoluído bastante, constituindo uma das maiores manifestações culturais do País.

7609 – O Homem que matou Bin Laden


Foi o ex-oficial Matt Bissonnette, 36 anos. Depois de participar de combates no Iraque e no Afeganistão e ser condecorado seis vezes, ele foi recrutado para uma das missões militares mais ousadas de todos os tempos: a captura de Osama bin Laden, em 2011. A operação deu certo, ou quase (Bin Laden foi morto). Mas, irritado com o governo americano, Bissonnette deixou as Forças Armadas – e escreveu um livro contando em detalhes como tudo aconteceu.
A história começa na Carolina do Norte. Ao longo de duas semanas, um grupo de 24 seals foi preparado para invadir a mansão onde Bin Laden supostamente estaria escondido, no Paquistão. A missão foi treinada e ensaiada à exaustão – os americanos chegaram até a construir uma reprodução em tamanho real da casa. Mas, na hora da verdade, tudo aconteceu de um jeito totalmente diferente do planejado.
No meio da noite, dois helicópteros Black Hawk UH-60 se aproximam da mansão. Está completamente escuro, e os soldados usam óculos de visão noturna. Plano: invadir o terceiro andar da casa, onde Bin Laden supostamente estava dormindo. Parte dos militares desceria por uma corda, e a outra daria cobertura por terra. Como havia uma academia militar por perto, o tráfego aéreo era comum na região e o barulho dos helicópteros não despertaria suspeitas.
Só que o primeiro Black Hawk sofreu uma pane e começou a cair – e por pouco a missão não terminou antes de começar.
Era hora de aplicar o plano B: invadir a mansão por baixo. Isso significava entrar pela casa de hóspedes, passar por um corredor que levava à casa principal e subir as escadas até chegar ao terceiro andar. Os agentes conheciam a casa de Bin Laden nos mínimos detalhes (sabiam até se cada porta abria para dentro ou para fora), mas agora o risco seria muito maior.
Ao entrar, eles encontraram os irmãos Abrar e Ahmed al-Kuwaiti, funcionários de Bin Laden, que estavam na casa de hóspedes. Ahmed abriu fogo contra os seals, que reagiram – e o mataram. Abrar foi fuzilado junto com a esposa. Três mortos, e a operação mal tinha começado.
Os americanos chegaram à casa principal, cujo primeiro andar estava vazio. No segundo, eles acharam o filho mais velho de Bin Laden, Khalid – que foi morto com um tiro no rosto antes que pudesse esboçar qualquer reação. Os seals começaram a subir a escada rumo ao terceiro andar. Eles não tinham pressa. Ao contrário do que acontece nos filmes, não corriam nem abriam portas bruscamente lançando granadas. Caminhavam devagar e em silêncio. Bin Laden, a essa altura, já sabia da presença inimiga – e provavelmente estava pronto para se defender.
Os americanos estavam em maior número, equipados com óculos de visão noturna e armamento pesado. Mas, se Bin Laden ou algum segurança começasse a atirar, certamente a equipe sofreria muitas baixas. Havia ainda outro risco: para tentar proteger Bin Laden, a mulher e os filhos – que viviam com ele no mesmo quarto -poderiam detonar coletes-bomba e explodir a casa inteira, matando todo mundo.
A tensão e o silêncio eram absolutos. Ao subir os últimos degraus da escada, os seals viram uma cabeça espiar por trás de uma porta. Não dava para reconhecer direito o rosto da pessoa. Será que Bin Laden arriscaria se expor dessa forma? Naquela hora, o primeiro atirador da fila não parou pra pensar. Disparou cinco tiros de fuzil, dos quais pelo menos um pegou na cabeça daquele homem. A equipe avançou para o quarto e encontrou o sujeito caído no chão, ao pé da cama. Ele vestia uma camiseta sem mangas, calças largas marrons e túnica marrom. Não estava armado e não tentou reagir. Estava muito ferido. “Ele já estava à beira da morte, se contorcendo. Eu e o outro invasor apontamos nossos rifles para o peito dele e fizemos vários disparos, até ele parar de se mexer”, relata Bissonnette. Duas mulheres e três crianças assistiam à cena e choravam histericamente. Era o fim de Osama bin Laden.
Mas, por alguns minutos, os agentes ainda não estavam certos disso. Os ferimentos de bala tinham afundado o crânio e deformado o rosto do cadáver, que estava completamente ensanguentado – e irreconhecível. A altura, 1,95 m, conferia com a de Bin Laden. Mas o semblante era de um homem mais jovem do que se imaginava. E ele não tinha a barba grisalha pela qual o terrorista era conhecido – a barba era preta.
Para ter certeza, Bissonnette limpou o sangue da face, sacou sua câmera digital e, como em um episódio de CSI, fotografou o cadáver de diferentes ângulos. Do rosto, fotografou principalmente o perfil. O nariz comprido e delgado, marca inconfundível de Bin Laden, tinha permanecido intacto. E era a evidência mais clara de que, sim, tinham matado o homem certo. Mesmo assim, a equipe só comunicou oficialmente a Casa Branca depois de conferir várias vezes os retratos e de obter a confirmação de uma das crianças e uma das mulheres. Os seals coletaram saliva do morto para fazer testes de DNA e tentaram até extrair uma amostra de medula óssea – fincaram diversas vezes uma seringa na coxa de Bin Laden para retirar a amostra de dentro do fêmur, mas as agulhas quebraram. Desistiram.
Do começo da operação até a morte de Bin Laden, haviam se passado 15 minutos. Quanto mais tempo eles demorassem, maiores as chances de chegarem reforços da Al-Qaeda ou mesmo a polícia e o exército paquistaneses, que não sabiam da operação.
Os atiradores deram uma vasculhada rápida no escritório, localizado no segundo andar, onde recolheram pen drives, cartões de memória e computadores. No quarto, encontraram um vidro de tintura preta – o que explicava a cor da barba. O guarda-roupa era impecavelmente organizado. Todas as roupas estavam dobradas e empilhadas e dispostas com espaços regulares entre si. Numa prateleira sobre a porta, finalmente acharam o que esperavam ver nas mãos de Bin Laden: um fuzil AK-47 e uma pistola – ambos descarregados.
Bin Laden sabia que estavam vindo para capturá-lo ou matá-lo, mas escolheu não lutar.
Mas, se Bin Laden não tentou reagir, por que foi executado com vários tiros no peito? Antes da missão, um advogado – que Bissonnette não sabe dizer se era da Casa Branca ou do Pentágono – se dirigiu aos seals e foi claro: o objetivo da missão não era o assassinato. “Se ele não representar ameaça, os senhores deverão apenas detê-lo.” Só que essa orientação dificilmente seria cumprida. Segundo Bissonnette, os seals estavam irritados com as regras impostas pelo governo Obama – que implantou medidas para tentar coibir a violência militar no Iraque e no Afeganistão. “Quando trazíamos prisioneiros, tínhamos mais duas ou três horas de trabalho com a papelada. A primeira pergunta que faziam aos combatentes presos era: `Você sofreu abuso?¿. Uma resposta afirmativa acarretava uma investigação e mais papéis.” A tropa de elite não tinha mais paciência para direitos humanos – principalmente os de Bin Laden.
Matt Bissonnette, 36 anos, se aposentou logo após a Operação Lança de Netuno (nome oficial da missão que matou Bin Laden). E escreveu o livro Não Há Dia Fácil, no qual conta os detalhes da operação, sob o pseudônimo de Mark Owen. Dias antes da publicação do livro, teve sua identidade revelada pela rede de TV americana Fox News. A informação foi confirmada pelo Departamento de Defesa norte-americano, e o Pentágono ameaçou processar Bissonnette. O livro virou o mais vendido dos EUA. Radicais islâmicos ameaçaram matar Bissonnette, que hoje vive escondido.

7219 – Como os Estados Unidos perderam a Guerra do Vietnã?


A “virada” que culminou com a derrota americana na Guerra do Vietnã (1954-1975) começou com uma série de ataques dos inimigos comunistas em 1968. É o episódio conhecido como “Ofensiva do Tet”. O nome é uma referência à data de início das batalhas, o feriado de ano-novo lunar, chamado pelos vietnamitas de Tet Nguyen Dan. A partir da madrugada de 31 de janeiro de 1968, o governo comunista do Vietnã do Norte e seus aliados, os guerrilheiros da Frente de Libertação Nacional, mais conhecidos como vietcongues, iniciaram ataques simultâneos contra várias cidades do Vietnã do Sul – um país capitalista defendido pelo exército sul-vietnamita e por nações como Austrália, Nova Zelândia, Coréia do Sul e, principalmente, Estados Unidos. A idéia da invasão militar comunista era lutar para “libertar” o povo do Sul da “opressão capitalista”. Eles achavam que a invasão provocaria uma rebelião popular contra o governo do Vietnã do Sul, coisa que nunca aconteceu. No começo, o ataque-surpresa deu certo, mas os americanos e sul-vietnamitas reagiram rapidamente. Como o poderio militar do lado capitalista era muuuito maior, os comunistas foram expulsos em poucos dias de quase todas as cidades que invadiram. Mas, apesar da vitória militar americana, as imagens da invasão frustrada provocaram um bruta estrago nos Estados Unidos. “A Ofensiva do Tet chocou a opinião pública americana. A cobertura dos combates feita pela TV deixou em muita gente a impressão de que os Estados Unidos e seus aliados estavam em situação desesperadora”, diz o historiador americano Ronald Spector, da Universidade George Washington. Dentro dos Estados Unidos, aumentaram os protestos contra a guerra. Com o filme queimado, o governo americano ainda segurou seus soldados no Vietnã por quatro anos, mas acabou retirando as tropas em 1972. Diante do abandono americano, o exército e os guerrilheiros do Norte ganharam terreno. Acabaram tomando a capital Saigon em 1975, vencendo a guerra e unificando o Vietnã sob o regime comunista.
No dia 29 de janeiro de 1968, o exército comunista ordenou que os guerrilheiros atacassem a base militar americana de Khe Sanh, perto da fronteira com o Vietnã do Norte. Era uma manobra para desviar a atenção dos ataques que viriam a seguir. 50 mil soldados americanos e sul-vietnamitas foram deslocados para conter o ataque comunista.
Na madrugada de 31 de janeiro começou uma série de ataques simultâneos a dezenas de cidades sul-vietnamitas. Uma das primeiras cidades a serem tomadas foi Hue: a antiga capital imperial foi dominada por guerrilheiros que entraram em ação após serem mobilizados pelo exército comunista.
O maior ataque da ofensiva comunista aconteceu em Saigon, a capital do Vietnã do Sul. Guerrilheiros vietcongues chegaram a invadir a Embaixada dos Estados Unidos, mas foram expulsos rapidamente. Mesmo assim, o incidente escandalizou a opinião pública americana.

O fuzil usado era o M16A1 Armalite — uma arma automática certeira, mas que emperrava com o excesso de lama. Já o lançador de foguetes M-72 pesava 2 quilos, tinha alcance de 300 metros e era descartável. Após disparar um foguete, a arma era abandonada

Mortos – 1 536 (americanos e aliados) 2 788 (sul-vietnamitas)

Feridos – 7 764 (americanos e aliados) 8 299 (sul-vietnamitas)

Guerrilheros Comunistas

A arma principal era o fuzil automático Tipo 56-1, uma cópia chinesa do AK-47. Era confiável, mas menos preciso que o M16 americano. Para detonar alvos maiores, os comunistas usavam o lançador de granadas RPG-7, com alcance de 500 metros

Mortos – 45 mil (norte-vietnamitas e vietcongues)

Feridos – 60 mil (norte-vietnamitas e vietcongues)

Civis

Mortos – 14 mil

Feridos – 24 mil

6329 – Arma de Guerra – A Catapulta


Catapulta, arma medieval

Em 1304, o rei Eduardo 1º da Inglaterra cercou o castelo de Stirling, na Escócia. Lá resistiam os últimos guerreiros que, anos antes, haviam apoiado a rebelião antiinglesa promovida pelo escocês William Wallace. Sem conseguir demolir as sólidas muralhas, Eduardo 1º apelou. Ergueu um engenho conhecido como trebuchet – uma máquina de atirar pedras, parente gigante da catapulta. Por 10 semanas, um batalhão de 50 operários cortou 20 grandes carvalhos para construir o monstro, ali mesmo, no local do cerco. O colosso intimidou de tal modo os defensores que, antes mesmo de ser concluído, fez com eles tentassem se render. Mas Eduardo queria testar o brinquedão. Com pedras de 150 quilos, o rei inglês devastou as muralhas e tomou o castelo, em um cerco. Só aí aceitou a rendição.
No terreno militar, o impacto dessa novidade literalmente não deixou pedra sobre pedra. Até então, os exércitos eram formados apenas pela infantaria (tropas que avançam a pé) e a cavalaria (tropas que avançavam a cavalo e, hoje, em veículos blindados). A partir das catapultas, eles passaram a contar também com uma terceira arma: a artilharia, especializada no lançamento de projéteis a grande distância. Simplesmente não havia mais cidade – não importava o tamanho do muro – que pudesse resistir a um ataque persistente. E, quanto maior, melhor: engenhos gigantescos como os trebuchets da página anterior fizeram com que o pânico tomasse conta dos defensores como nenhuma outra arma. Afinal, tomar uma pedrada enorme ou ser varado por uma superflecha desmoronava qualquer um.
Os gregos curtiram a brincadeira. Por volta de 330 a.C., ou seja, apenas 70 anos após a invenção da catapulta, o arsenal de Atenas já incluía uma variedade de requintados modelos impulsionados por sistemas de torção que ampliavam o alcance do projétil. Armas como o oxibele nasceram a partir do mesmo mecanismo. Capitalizado pelos romanos, o surto inventivo grego foi copiado e melhorado. Mudanças nos materiais, no design e no próprio uso tornaram a artilharia mais do que uma arma selvagem. O passo definitivo para transformar o uso das catapultas em uma ciência foi o desenvolvimento da balística – a arte por meio da qual os artilheiros conseguiam, graças a cálculos matemáticos, direcionar com razoável precisão os projéteis que saíam de suas máquinas.
Catapultas e similares continuaram a ser utilizados até o início da Idade Média. Isso até os europeus tomarem contato com a segunda linha evolutiva das armas de cerco, desenvolvida no Oriente, mais precisamente dentro da tradição chinesa. Utilizando o mesmo princípio da alavanca, os chineses, desde 400 a.C. (a mesma época do desenvolvimento da catapulta na Grécia), faziam uso de uma espécie de gangorra gigante com uma funda na ponta para atirar pedras. O invento, chamado de hseun fang (“furacão”), utilizava a força de cerca de 10 homens, que puxavam um dos braços da alavanca com cordas.
Com o tempo, os chineses se ligaram que não era necessário ter pessoas puxando um dos lados da gangorra. Bastava colocar um contrapeso para que o efeito fosse o mesmo. Ao longo dos séculos, o poderoso engenho atravessou a Ásia. No ano de 1169, o estudioso islâmico al-Tarsusi descreveu em um manual militar uma máquina que usava o mecanismo do contrapeso, chamada entre os árabes de manjaniq.
A evolução das armas de fogo aposentou as catapultas. Isso não impediu sua última glória. Durante a 1a Guerra Mundial (1914-1918), em meio à batalha de trincheiras, os homens que arriscavam suas vidas atirando granadas rumo às posições inimigas reinventaram a roda. Utilizando molas e madeira, construíram pequenas catapultas, capazes de lançar as granadas sem que fosse preciso se expor ao fogo inimigo. Uma demonstração de que a simplicidade e eficiência das armas de cerco ainda podiam causar o que sempre causaram: terror nos inimigos.

O alimento preferido de catapultas e trebuchets eram as pedras. Mas a criatividade medieval incluía animais mortos – o mais aerodinâmico era o porco – e cadáveres putrefatos.

Outras Armas
FUNDA (Paleolítico)
Suspeita-se que esta arma tenha mais de 11 mil anos. O que ela faz é aumentar o tamanho do braço humano, fazendo com que as pedras voem mais longe.
ONAGRO (100 a.C.)
Funciona do mesmo modo que uma catapulta de torção, exceto por um detalhe. Em vez de possuir uma “colher” no final do braço, o onagro tinha uma funda na ponta da arma.
HSEUN FANG (400 a.C.)
Funcionando como uma alavanca, esta arma arremessa pedras por meio de um superbraço de madeira, puxado com cordas por cerca de 10 homens.
ARCO (Paleolítico)
Evidências arqueológicas sugerem que o arco já era utilizado 11 mil anos atrás. A estrutura de madeira é flexionada por uma corda que, ao ser solta, transfere a energia.
GASTRAFETE (400 a.C.)
Usando a barriga como ponto de apoio, o arqueiro fica com as mãos livres para puxar mais a corda, aumentando a tensão do arco e fazendo a flecha ganhar força.
OXIBELE (375 a.C.)
Esta arma lança flechas tamanho-família utilizando uma espécie de roda dentada (igual à dos brinquedos movidos à corda) para puxar o arco.
CATAPULTA DE ARCO (400 a.C.)
O princípio do arco ganhou aqui uma nova utilidade: impulsionar um braço de madeira, uma espécie de colher gigantesca que atirava pedras.
BALISTA (100 a.C.)
Filha do oxibele, a balista romana é ainda maior. Para simular a tensão do arco, os romanos fizeram um sistema de torção duplo, com dois feixes de cordas.
CATAPULTA de TORÇÃO (350 a.C.)
Um sistema de torção move o braço desta catapulta. O braço da arma fica enrolado em um feixe de cordas bem torcidas – e cheias de energia.

5662 – História dos EUA – A Guerra Civil e o Crescimento da Economia


Fogo contra fogo

Foi o conflito mais sangrento da História americana, onde morreram mais cidadãos americanos do que em qualquer outra guerra. Seus custos foram tão grandes quanto suas consequências. Foi estabelecida a hegemonia dos estados do norte e do capitalismo. O crescimento econômico do século 19 neste país foi o mais rápido da História mundial até então. Entre 1825 e 1910 a produção cresceu a uma taxa média anual de 1,6% per capita, enquanto a população por crescimento natural e imigração dobrou a cada 27 anos. A mecanização agrícola acelerada pelos colonos em marcha para o oeste, o uso de fertilizaçãoe a introdução de espécies vegetais tornaram o EUA o maior produtor agrícola mundial. A ferrovia, porém, foi o elemento mais significativo para o crescimento, baixando os custos, abrindo áreas de produção e mercados e unificando um país vasto e desigual.
Em 1880, a malha ferroviária era a maior que o sistema europeu. O país beneficiou-se dos recursos naturais, população alfabetizada, revolução organizacional, estabilidade política, investimento estrangeiro e ética empresarial. Entre 1877 e 1892,o PIB triplicou, fazendo dos EUA a maior potência industrial do mundo. A Guerra Civil começou quando os Estados Confederados da América abriram fogo contra tropas dos EUA no Front Sumter (Charleton, Carolina do Sul), em 12 de abril de 1861 e terminou quando os principais exércitos confederados se renderam em abril de 1865. Perto de 3 milhões de americanos serviram nas forças entre a união e da federação; 2/3 deles com menos de 23 anos. Cerca de 200 mil dos soldados da união eram negros, a maioria escravos emancipados. Mais de 21% dos soldados da Guerra Civil morreram. Uma proporção muito mais alta do que qualquer exército da 1ª Guerra Mundial. As mortes causadas por doença foram o dobro das mortes em batalha.
O crescimento da agricultura e da indústria americana resultou de inovações tecnológicas, especialmente das máquinas colheitadeiras e processos Bessemer e da fornalha tipo Siemens-Martin de produção de aço, bem como do crescimento da população e colonização de novas terras.

5057 – História da Humanidade


Por Carlos Rossi

Enfatiza as conquistas geográficas e guerras. Mas as grandes invenções e descobertas científicas escreveram as páginas da verdadeira História, sem respeitar fronteiras nem limites porque apenas procurou o bem do homem. O fogo constitui a 1ª fonte própria de energia do homem ao lado de sua força muscular e lhe aqueceu a caverna primitiva.
Como já vimos, a história do ser humano é curta quando comparada à idade da Terra que conta uns 5 bilhões de anos. Um longo tempo transcorreu até a vida surgir sobre o nosso planeta, que resultou do resfriamento de uma massa incandescente. O período de evolução das formas vitais, no início, se desenvolveram muito devagar, encurtando cada vez mais, com o aperfeiçoamento de espécies e o aparecimento dos vertebrados, os 1°s mamíferos que substituíram os gigantescos sáurios.

4950 – A Frieza da Guerra – Quem foram os Camicazes?


Foto da 2° Guerra Mundial

Guerra Mundial, o inferno é aqui…

Um contingente de mais de 20 mil jovens adolescentes e até meninos se engajaram na desesperada estratégia japonesa para não perder a disputa para os aliados. Eram os camikazes. A 2ª Guerra Mundial mexeu com os brios do Japão, que até então jamais havia sido invadido. Pelo contrário, o Japão subjugou todo o sudoeste asiático, derrotando a 1ª China no final so século 19 na Guerra Sino-Japonesa. Incorporou depois parte da Coréia em 1910 e por fim dominou a Mandchúria em 1931, consolidando o seu império.
O domínio japonês no Pacífico só estremeceu com a entrada dos EUA na 2ª Guerra Mundial, em resposta a um ataque da Marinha japonesa ao Porto de Pearl Harbor, conforme vimos em capítulos anteriores. Tal porto situa-se na Ilha de Oahu no Havaí e que aconteceu em 7 de dezembro de 1941. A partir daí colecionaram derrotas frente ao fogo americano. Numa pequena ilha que faz parte da Federação dos Estados da Micronésia, no oeste da Oceania, em uma única batalha em julho de 1944, morreram 12 mil americanos contra mais de 130 mil japoneses, ou 10 japoneses para cada americano.
Em 1944, um almirante japonês comunicou aos seus pilotos que os americanos haviam desembarcado na Filipinas e uma batalha estava próxima e os métodos tradicionais não seriam suficientes para derrota-los. Só havia uma esperança: aviões de caça tipo zero armados com uma única bomba de 250 quilos, se chocariam contra navios inimigos. Faltava apenas voluntários. Em qualquer sociedade ocidental seria impensável pedir a um soldado que cometesse suicídio altruísta. Com tal método 57 navios inimigos foram afundados.
Uma coisa é certa: não foram movidos por religião. O Xintoísmo e o Budismo, as principais religiões do Japão, condenam o suicídio.

4900 – Guerra – Houve algum dia de paz no século XX?


Não. Em qualquer um dos 35 935 dias entre 1º de janeiro de 1901 e 10 de julho de 1999, pelo menos um ser humano foi morto em conflito. E continuou assim até o final do século.
Nestes 99 anos, houve cerca de 500 conflitos. “Pelo menos 200 milhões morreram em combates”. Para a Academia de Sandhurst, uma guerra é definida como qualquer conflito envolvendo grupos organizados, desde movimentos terroristas, como os promovidos pelo Exército Republicano Irlandês, até as guerras mundiais.
Só na Segunda Guerra, houve 70 milhões de baixas. O país mais afetado pelos massacres foi, disparado, a Rússia, onde pereceram 50 milhões. Os anos 90 ficam bem atrás dos anos 10 e dos 40 no quesito perdas humanas em conflitos militares. Mesmo assim, é uma década mais sangrenta que as de 60, 70 e 80, graças às dezenas de brigas étnicas na África, na Ásia e até na Europa.

4079 – Guerra – A FEB


A cobra fumou

Conhecida pela sigla FEB, foi a força militar brasileira de 25.334 homens que lutou ao lado dos Aliados na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Constituída inicialmente por uma divisão de infantaria, acabou por abranger todas as forças militares brasileiras que participaram do conflito. Adotou como lema “A cobra está fumando”, em alusão ao que se dizia à época que era “mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”.
Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve-se neutro, numa continuação da política do presidente Getúlio Vargas de não se definir por nenhuma das grandes potências, somente tentando se aproveitar das vantagens oferecidas por elas. Tal “pragmatismo” foi interrompido no início de 1942, quando os Estados Unidos convenceram o governo brasileiro a ceder a ilha de Fernando de Noronha e a costa nordestina brasileira para o recebimento de suas bases militares. Os EUA tinham planos para invadir o nordeste, caso o governo Vargas insistisse em manter o Brasil neutro.
A partir de janeiro do mesmo ano começa uma série de torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos ítalo-alemães na costa litorânea brasileira, numa ofensiva idealizada pelo próprio Adolf Hitler, que visava isolar o Reino Unido, impedindo-o de receber os suprimentos (equipamentos, armas e matéria-prima) exportados do continente americano, como consta nos diários de Joseph Goebbels. Estes suprimentos eram vitais para o esforço de guerra aliado. Os alemães iriam abastecer a partir de 1942, pelo Atlântico norte, principalmente a então União Soviética.
Tinha também por objetivo a ofensiva submarina do eixo em águas brasileiras intimidar o governo brasileiro a se manter na neutralidade, ao mesmo tempo que seus agentes no país e simpatizantes fascistas brasileiros, pejorativamente denominados pela população pela alcunha de Quinta coluna, espalhavam boatos que os afundamentos de navios mercantes seriam obra dos anglo-americanos interessados em que o país entrasse no conflito do lado aliado.
Porém só quase dois anos depois, em 2 de julho de 1944, teve início o transporte do primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais, com destino a Nápoles. As primeiras semanas foram ocupadas se aclimatando ao local, assim como recebendo o mínimo equipamento e treinamento necessário, sob a supervisão do comando americano, ao qual a FEB estava subordinada, já que a preparação no Brasil demonstrou ser deficiente.
Durante o rigoroso inverno entre 1944 e 1945, nos Apeninos a FEB enfrentou temperaturas de até vinte graus negativos, não contando a sensação térmica. Muita neve, umidade e contínuos ataques de caráter exploratório por parte do inimigo, que através de pequenas escaramuças procurava tanto minar a resistência física, quanto a psicológica das tropas brasileiras, não acostumadas às baixas temperaturas. Condições climáticas e reações físicas se somavam aos mais de três meses de campanha ininterrupta, sem pausa para recuperação.
O Brasil perdeu nesta campanha mortos diretamente em combate, cerca de quatrocentos e cinquenta praças e treze oficiais, além de oito oficiais-pilotos da Força Aérea Brasileira. A divisão brasileira ainda teve cerca de duas mil mortes devido a ferimentos de combate e mais de doze mil baixas em campanha por mutilação ou outras diversas causas que os incapacitaram para a continuidade no combate. Tendo assim, somadas as substituições, turnos e rodízios, dos cerca de vinte e cinco mil homens enviados, mais de vinte e dois mil participado das ações. O que, incluso mortos e incapacitados, deu uma média de 1,7 homens usados para cada posto de combate, um grau de aproveitamento apreciável se comparado à outras divisões que estiveram o mesmo tempo em campanha em condições semelhantes.
Ao final da campanha, a FEB havia aprisionado mais de vinte mil soldados inimigos, quatorze mil, setecentos e setenta e nove só em Fornovo di Taro, oitenta canhões, mil e quinhentas viaturas e quatro mil cavalos. Segundo o historiador norte-americano Frank McCann, o Brasil foi convidado a integrar a força de ocupação da Áustria.
Em 6 de junho de 1945, o Ministério da Guerra do Brasil ordenou que as unidades da FEB ainda na Itália se subordinassem ao comandante da primeira região militar (1ª RM), sediada na cidade do Rio de Janeiro, o que, em última análise, significava a dissolução do contingente. Mesmo com sua desmobilização relâmpago, o regresso da FEB após o final da guerra contra o fascismo precipitou a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo no Brasil.
Em 1960, as cinzas dos brasileiros mortos na campanha da Itália foram transladadas de Pistoia para o Brasil, e hoje jazem no monumento aos mortos que foi erguido no Aterro do Flamengo, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, em homenagem e lembrança aos sacrifícios dos mesmos.