11.035 – Nutrição – Gordura, vilã ou injustiçada?


gordura materia

Nossa compreensão das gorduras tem melhorado, e agora já sabemos que não podemos dizer que elas são somente boas ou ruins, sem nenhum meio-termo.
Por exemplo, carne vermelha, bolos e biscoitos, ricas fontes de ácidos graxos saturados, são associados com um aumento do número de doenças cardiovasculares. Por outro lado, nozes, óleo de peixe e produtos lácteos, que são ricos em gorduras saturadas, são produtos associados com menor risco de doenças cardíacas.
Existem quatro tipos principais de gorduras em nossos alimentos: polinsaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans. Cada tipo tem diferentes propriedades químicas e físicas. Óleos vegetais, como de girassol, soja e oliva, geralmente contêm os dois primeiros, mas relativamente pequenas quantidades de gordura saturada. Já o azeite-de-dendê, que tem um ponto de fusão mais elevado e é agora utilizado em muitos produtos, é altamente saturado.
Hoje em dia, o mantra simplista de que devemos comer menos gordura, sal e açúcar já se transformou em um conselho dietético mais detalhado: frutas, legumes e produtos lácteos com baixo teor de gordura, incluindo cereais integrais, aves, peixes e nozes geralmente fazem bem para a saúde, enquanto carne vermelha, doces e bebidas que contêm açúcar (como refrigerantes) são o que devemos evitar.
Gordura é energia
A maior parte da energia em nossa dieta vem de carboidratos. No entanto, a gordura é responsável por entre um quarto e dois quintos do consumo de energia de um adulto, e metade de um recém-nascido. Em bebês, uma alta ingestão de gordura promove depósitos de gordura que os isolam contra a perda de calor.
A adição de gordura aos alimentos pode dobrar seu conteúdo energético. Já a remoção de gordura de produtos como carne e leite pode reduzir esse conteúdo substancialmente. Gordura fornece 9 kcal/g (quilocalorias por grama) em energia em comparação com 3.75 kcal/g, 4 kcal/g e 7 kcal/g de carboidratos, proteínas e álcool.
Reduzir o consumo enérgico em vez de aumentar a atividade física é o meio mais eficaz de reduzir a gordura corporal. A redução do consumo pode ser conseguida ao preferir versões com menos teor de gordura de alimentos, ao cortar a gordura da carne e ao utilizar óleos de cozinha com moderação. Não há muita diferença no conteúdo de gordura da carne grelhada ou frita. Restrição da ingestão de energia requer também limitar a ingestão de carboidratos e álcool.
O excesso ou acúmulo de gordura corporal é mais prejudicial se for na cavidade abdominal ou no fígado, algo causalmente associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A medida da cintura (mais de 80 centímetros para mulheres e 94 centímetros para homens) indica obesidade central e é útil para predizer o risco de diabetes tipo 2.
As mulheres têm maiores reservas de gordura subcutânea do que os homens, de modo que os homens armazenam sua gordura visceral em torno do vaso sanguíneo mesentérico no abdômen. Quando a energia armazenada nas células de gordura é liberada, o processo de mobilização de gordura faz com que ácidos graxos entrem na corrente sanguínea. A gordura visceral é mais rapidamente mobilizada do que a gordura subcutânea e pode acumular-se no fígado. A gordura também se acumula no fígado se a ingestão de álcool ou de açúcar for elevada.
A obesidade resulta do acúmulo excessivo de gordura alimentar no corpo. Muita pouca gordura que se acumula no corpo é resultado do consumo de carboidratos (incluindo açúcar) ou álcool, porque os carboidratos são usados como combustível, em detrimento de gordura. Mas se você tem excesso de combustível/energia no corpo, daí sim ocorre depósito na forma de gordura, porque temos uma capacidade limitada de armazenar carboidratos.
A gordura do corpo desempenha um papel importante na fertilidade feminina. Entre 20 a 30% do peso corporal de uma mulher madura saudável é gordura – o dobro da proporção vista nos homens. Se o nível cair abaixo de cerca de 18%, a ovulação para. No entanto, níveis muito elevados – geralmente cerca de 50% de seu peso – também resultam em infertilidade.
Um hormônio chamado leptina é secretado pelo tecido adiposo (gordura) no sangue, em proporção com a quantidade de gordura armazena. O cérebro detecta o sinal da leptina no sangue e isso promove a ovulação, quando o nível é alto o suficiente.
Precisamos de certos ácidos graxos poliinsaturados, apropriadamente chamado de ácidos gordos essenciais (ácidos linoléico e linolênico), em nossa dieta para uma pele saudável. Eles também contribuem para a manutenção da saúde cardiovascular, bem como da saúde do cérebro e da função visual. Obtemos esses ácidos principalmente a partir de óleos vegetais, nozes e peixes oleosos.
Cerca de 30 gramas de gordura são necessárias – todos os dias – para promover a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que também conseguimos a partir de alimentos gordurosos. Os óleos vegetais são uma importante fonte de vitamina E e óleo de peixe é a melhor fonte alimentar de vitamina D. Provitaminas são substâncias que podem ser convertidas dentro do corpo em vitaminas. Adicionar um pouco de óleo em vegetais verdes e cenouras ainda melhora a absorção de caroteno (pró-vitamina A).
O nível de colesterol no sangue de uma população, em média, é um dos principais determinantes do risco de doença cardíaca coronária. Testes mostram que a substituição de ácidos gordos saturados por ácidos gordos poli-insaturados reduz o colesterol no sangue e por sua consequência a incidência da doença, mas não a mortalidade.
Nem toda gordura saturada aumenta o colesterol no sangue. O que causa esse efeito são os ácidos láurico, mirístico e palmítico (o último é encontrado no azeite-de-dendê), porque aumentam a lipoproteína de baixa densidade (LDL, popularmente conhecida como colesterol ruim). Em geral, para reduzir o colesterol, é interessante substituir ácidos graxos saturados com óleos ricos em gorduras monoinsaturadas (azeite, canola) ou ácidos graxos poliinsaturados (soja, óleo de girassol), ao invés de reduzir os carboidratos. Por exemplo, substituir a manteiga por azeite como principal fonte de gordura pode reduzir o LDL em cerca de 10%.

10.974 – Biologia – O Tecido Adiposo


adiposo

É formado por células do tecido conjuntivo que acumulam lipídios (gorduras) em seu interior, no citoplasma. Essas células, chamadas de Adipócitos, em sua maioria, são de forma esférica e maiores que as demais. A gordura armazenada nessas células servirá como fonte de energia para o organismo. Também constitui um excelente isolante térmico e isolante mecânico, pois absorve os impactos, impedindo que estes cheguem aos órgãos e os danifiquem.
Quando o organismo animal consome menos energia do que ingere, o excesso é guardado no tecido adiposo. É por isso que animais sedentários (pouca atividade física – movimentação), são mais “gordos” que os que têm uma vida com maior movimento físico. O excesso de peso nos humanos não é bom, pois o aumento do volume e massa corpórea faz alguns órgãos trabalharem demais (como coração, pulmões, rins, etc), diminuindo o seu tempo de vida. Em ursos polares, o tecido adiposo é muito importante, pois assim conseguem resistir ao frio extremo, e os longos períodos de hibernação.
A classificação desses tecidos é feita tendo como critérios a pigmentação da gordura armazenada e a forma de organização:
Tecido adiposo branco (ou unilocular)
Suas células apresentam forma de esfera, tendo em seu interior uma grande quantidade de lipídios, em uma “gota”, tanto que o núcleo achatado e o citoplasma são deslocados do centro. A quantidade de substâncias fundamentais é menor que em outros tecidos.

Esse tecido é bastante irrigado por vasos sanguíneos. Em torno das células está uma vasta rede de fibras reticulares, que dão sustentação à massa gordurosa.
O nome vem da coloração, que está entre o branco e amarelo escuro, dependendo da alimentação do indivíduo. É tecido que forma o Panículo Adiposo, que fica sob a pele, absorvendo impactos e funcionando como isolante térmico.
Células do tecido conjuntivo podem se diferenciar para formar esse tecido.

Tecido adiposo pardo (ou multilocular)
As células desse tecido são menores que as do unilocular, pois ao invés de uma grande “gota” de gordura, é constituída por diversas gotículas (vacúolos), que se espalham por todo o citoplasma. São ricas em mitocôndrias, organelas que produzem energia e calor. Os animais hibernantes têm bastante desse tipo de tecido, pois o calor produzido irá manter a temperatura do corpo em períodos longos de frio. Nesses animais, durante a hibernação, o sangue que fica na rede de vasos sanguíneos dentro desses tecidos se aquece, sendo “bombeado” para outras partes do corpo na hora do despertar para o verão, fazendo o organismo voltar a funcionar completamente.
Nos seres humanos, esse tecido é mais importante nos recém-nascidos, para protegê-los do frio. É um tecido que só é formado enquanto o bebê está no ventre, não sendo mais produzido na vida pós-natal.

10.271 – Cientistas descobrem como transformar gordura ruim em gordura boa


Todas aquelas pessoas que precisam queimar gordura corporal já podem comemorar! Os cientistas do Centro de Ciências da Saúde da Escola de Medicina da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, conseguiram descobrir como é que se faz para transformar gordura ruim em gordura boa, melhorando o metabolismo e potencializando a queima de calorias indesejadas. Esse é um grande avanço no setor endocrinológico da medicina.
A responsável por isso é uma proteína chamada GRB10. Ela funciona como um interruptor para o caminho mTORC1, que é quem controla essa conversão de gorduras. Com o frio, a GRB10 é estimulada e o corpo passa a queimar mais energia. Consequentemente, o tecido adiposo que causa obesidade e diabetes tipo 2 pode ser eliminado do corpo.
As gorduras (também conhecidas como tecidos adiposos) são importantes reguladoras do metabolismo. No nosso corpo, existem dois tipos delas: a branca e a marrom. A mais prejudicial delas é a branca. Ela é que faz engordar, traz doenças metabólicas sérias, entre outras complicações para a nossa vida.
Quando comemos, tudo é armazenado em nosso corpo na forma de gordura branca. Esse tecido adiposo precisa ser eliminado para que possamos manter o peso ideal e ficarmos livres de problemas de saúde. Descobrir como transformar essa gordura na do tipo marrom é de grande valia para que possamos queimar as energias e nos livrarmos dos nutrientes extras.
Essa liberação de gordura ruim tem elevado poder para o tratamento da obesidade e doenças relacionadas. O Dr. Feng Liu, autor do estudo, afirma que o caminho mTORC1 também está ligado ao envelhecimento, doenças cardiovasculares e câncer. Portanto, tudo isso também é útil para a pesquisa de outros campos.

9477 – Gordura saudável para homens


Substituir os carboidratos e a gordura animal provenientes de carnes vermelhas e alimentos processados por gordura de origem vegetal, encontrada principalmente no azeite de oliva, nozes e abacate, pode ser benéfico para os homens diagnosticados com câncer de próstata. A opção pela gordura considerada saudável reduz a chance de propagação da doença, segundo uma pesquisa publicada no periódico “JAMA”.

7794 – Medicina- O Velho Problema da Gordura


A aterosclerose –o acúmulo de gorduras e colesterol nas paredes das artérias que podem levar a acidente vascular cerebral e doença cardíaca – é geralmente considerada um problema dos tempos modernos, um resultado de dietas gordurosas e estilos de vida sedentários. Mas um novo exame de múmias de culturas antigas sugere que a doença apareceu muito antes da chegada da junk food e dos televisores de tela plana.
Pesquisadores realizaram tomografias computadorizadas em 137 múmias, incluindo egípcias e peruanas.
Os exames foram avaliados por sete especialistas em imagens que identificaram a aterosclerose pela presença de calcificação nas paredes das artérias ou ao longo do percurso esperado de uma artéria que deixou de ser visível.
Pesquisas anteriores já haviam encontrado evidências de aterosclerose em múmias egípcias, mas a mumificação no Egito era praticada entre a elite, cuja dieta e estilo de vida, provavelmente, diferem substancialmente da do resto da população.
De fato, este estudo, publicado on-line na revista “Lancet” no domingo (10), encontrou aterosclerose em 29 das 76 múmias egípcias examinadas.
Mas os pesquisadores também descobriram a doença em 13 das 51 múmias peruanas datadas entre o ano 200 e 1500, duas das cinco múmias dos ancestrais de índios norte-americanos que viveram entre 1500 a.C. e 500 d.C. no sudoeste dos EUA, e três das cinco múmias das Ilhas Aleutas, no Alasca, que viveram nos séculos 19 e início de 20.
Ao todo, 38% dos egípcios e 29% das outras múmias continham evidência definitiva ou provável de aterosclerose, concluíram os cientistas.
O autor, Gregory S. Thomas, cardiologista e diretor médico no Long Beach Memorial Medical Center, em Long Beach, Califórnia, disse que, entre as múmias de pessoas com 40 anos ou mais, 50% tinham aterosclerose.
Dieta e clima variaram entre esses quatro grupos. Os egípcios podem ter comido uma dieta rica em gordura saturada. Os peruanos cultivavam milho, batata e feijão, e eles tinham animais domésticos. Os índios americanos plantavam milho e caçava coelhos, cervos e ovelhas, enquanto o habitantes das Ilhas Aleutas subsistiram com uma dieta de peixe, marisco, focas, lontras marinhas e baleias.

7641 – Medicina – Obesidade causa danos ao cérebro


Todo mundo conhece os riscos trazidos pela obesidade – diabetes, doenças cardiovasculares, menor expectativa de vida. Mas uma nova descoberta está surpreendendo a comunidade científica: a gordura também causa danos ao cérebro. Pesquisadores da Universidade de Nova York estudaram o cérebro de 63 pessoas – 44 delas tinham sobrepeso ou obesidade e as demais eram magras. A experiência constatou que, nos indivíduos obesos ou acima do peso, o cérebro apresentava duas alterações importantes: tinha níveis mais altos de fibrinogênio, uma proteína que causa inflamação, e menor córtex orbitofrontal – região cerebral que coordena a tomada de decisões. Os cientistas ainda não sabem explicar exatamente como esse processo se desenrola. Mas apostam no seguinte: obesidade gera fibrinogênio, que gera inflamação, que gera danos ao córtex. E tudo isso gera consequências permanentes – e terríveis. “Essa inflamação, ao afetar a integridade do córtex orbitofrontal, pode reduzir o controle da pessoa sobre seus hábitos alimentares”, afirma o estudo, coordenado pelo psiquiatra Antonio Convit. Ou seja: indivíduos acima do peso poderiam se tornar neurologicamente incapazes de comer menos. Escravos do próprio apetite.
E com dificuldade para se lembrar das coisas. Uma pesquisa recém-publicada nos EUA constatou que a obesidade afeta a capacidade de memorização. A diferença é que, nesse caso, a sequela não é permanente (perder peso reverte o efeito).

6932 – Qual a diferença entre diet e light?


O diet é mais radical, mas isso não significa menos calórico. Na prática, você não deve confiar nos rótulos. Alimento diet é aquele que sofre uma alteração total em um ingrediente, seja retirando-se todo o açúcar de um determinado suco ou acrescentando fibras a algum produto que originalmente não as possuía. São alimentos modificados para fins especiais, como dieta para gestantes, portadores de alergias ou atletas. Já produtos light são os que sofrem redução parcial em um componente calórico, como sorvetes com menos gordura. O problema é que a legislação brasileira permite que produtos diet imprimam em seu rótulo a palavra light, gerando confusão. “É o caso de refrigerantes que substituíram todo o açúcar por adoçante, mas, por uma questão mercadológica, preferem usar o termo light”. O contrário não é permitido: light não pode ser diet. “O que o consumidor deve fazer é olhar bem o que diz o rótulo, principalmente as tabelas que informam qual ingrediente foi reduzido ou alterado. Isso é o que importa”.

6757 – Nutrição – A Importância da Carne


Do primeiro mamute abatido à invenção da picanha maturada, a humanidade tem-se obstinado em aperfeiçoar os modos de cozinhar as carnes de animais domesticados e selvagens. Como a ciência pode ajudar nisso? Carnes são estruturas orgânicas complexas, e conhecer seus segredos é meio caminho andado para o sucesso de um bom bife – malpassado, ao ponto ou bem-passado. Ao gosto do freguês.
O bife é um pedaço de músculo de boi. Aliás, quase toda a carne que comemos é parte de algum músculo de um animal – com exceção dos miúdos, como fígado e rins. Embora haja diferenças entre os diversos tipos de músculo dos vários animais, pode-se dizer que, em média, três quartos da composição de um naco de carne é nada mais que água. O resto – a parte que interessa – é proteína (20%) e gordura (5%). As moléculas de proteína se organizam em células que se arranjam para formar as estruturas do músculo. Há duas principais estruturas: a do tecido muscular, as fibras responsáveis pelo movimento, e a dos tecidos conjuntivos, que dão forma e suporte às fibras e fazem sua ligação com os ossos. O tecido conjuntivo envolve um grupo de fibras musculares, formando uma placa. Um músculo é formado por várias dessas placas, entremeadas pela gordura, que amortece o impacto do movimento.
Também pode haver gordura no exterior do músculo – a picanha é um exemplo clássico. “A quantidade de gordura é maior ou menor dependendo do tipo de músculo, da idade do animal, do confinamento e da castração”.
Como regra geral, podemos dizer que a maciez depende da idade de abate do animal, do tipo de músculo e do quanto o músculo é exercitado. Isso porque é o tecido conjuntivo que determina o grau de rigidez de um pedaço de carne crua. Quanto mais o músculo se move, maior a proporção desse tecido; quanto mais velho o animal, mais rígido ele se torna. A carne de porco, por exemplo, tende a ser mais macia que a de boi porque o porco é abatido mais jovem. E o lagarto é mais duro que o contrafilé porque o primeiro fica na perna, indispensável para a locomoção do boi, enquanto o outro está no lombo, muito menos exigido nos movimentos. Aí entra também a forma como o animal é criado: um boi “alpinista”, que pasta num morro, tem músculos mais “malhados” que os de uma rês confinada. Mas os tecidos conjuntivos não são necessariamente os vilões nessa história.
Cozido longamente, ele se transforma em uma gelatina que torna a carne macia e suculenta, além de enriquecer o molho. “É ridículo falar em carnes de primeira e de segunda”, diz Marcos Guardabassi, açougueiro e dono de grife de carnes especiais Bassi. “Um pedaço de músculo, no sentido açougueiro da palavra, pode ser mais macio e saboroso que um filé mignon, quando bem-feito”. A carne que os brasileiros chamam “de primeira” é a que fica mais macia e suculenta quando pouco cozida, mas não é obrigatoriamente a mais saborosa.

De onde vem o sabor da carne?
A maior parte do sabor da carne se desenvolve quando ela é cozida – por isso, pratos de carne crua são sempre condimentados com temperos fortes, como mostarda e alcaparras.
Estima-se que as reações que ocorrem quando cozinhamos um único pedaço de carne possam resultar em até 600 combinações diferentes de aminoácidos e açúcares. Isso contribui muito para que as carnes de diferentes animais tenham gostos distintos. Outro fator influente é a gordura, que tem um sabor particular em cada animal.
Até hoje, há cozinheiros que acreditam ser possível “selar” um bife, ou seja, criar, a partir do aquecimento rápido, uma crosta impermeável que impeça o escape dos sucos da carne. O sal, portanto, só poderia ser adicionado depois de algum cozimento, pois ele precipita a saída dos líquidos, ressecando o bife. Hoje já se sabe que a crosta não é tão impermeável assim – o chiado de um bife na frigideira nada mais é que a vaporização de seus líquidos, assim como a “fumacinha” que sai da carne. Um bife fino pode ser previamente salgado, pois cozinha rapidamente e a ação do sal não causa grandes estragos. Já em pedaços maiores, que necessitam de maior tempo de cozimento, a perda de líquidos causada pela ação contínua do sal pode resultar em um filé esturricado. Vale dizer que o sal grosso puxa bem menos água que o sal fino e, por isso mesmo, é o favorito dos churrasqueiros – aliás, é o único tempero admitido pelos puristas do assado, que dizem que ervas e especiarias interferem demais no sabor de uma boa carne.

O que gelatina tem a ver com carne?
A gelatina doce e colorida que faz a alegria das crianças vem do boi (há gelatinas feitas de alga marinha, mas isso é outra história). Ela é obtida a partir do colágeno, um dos tecidos conjuntivos dos animais, cuja maior concentração está nas cartilagens e nos ligamentos das juntas ósseas. A gelatina, então, é feita do joelho e das patas de boi. Essas partes são fervidas para que o colágeno se desnature e misture com a água, resultando em um composto que também se chama mocotó. A mistura é desidratada, purificada e transformada em pó ao qual é acrescentado açúcar e sabores diversos, como morango, abacaxi ou uva. O colágeno só se dissolve em altas temperaturas, por isso todas as receitas pedem que se aqueça a água antes de despejar o pó. Outra característica físico-química da gelatina é o fato de ser líquida no calor e, ao ser refrigerada, tornar-se sólida (ou melhor, gelatinosa).

Por que há carnes vermelhas e brancas?
Há quem se arrepie com um pedaço de carne malpassada, que diz ter nojo de bife sangrento. O adjetivo “sangrento”, no caso, é impróprio, pois o líquido vermelho que escorre do bife não é sangue. O sangue encontra-se principalmente nas veias e artérias do animal e é quase todo drenado no abatedouro. O que tinge de vermelho o suco da carne não é a hemoglobina do sangue, mas outro pigmento chamado mioglobina. De qualquer modo, a coloração das duas substâncias é resultante da combinação dos mesmos elementos: ferro e oxigênio. Para se movimentar, as células musculares geram energia a partir do oxigênio e do açúcar. Além do constante abastecimento feito pela corrente sangüínea, há uma reserva de “combustível” dentro do próprio tecido muscular – a tal mioglobina – um deles, o oxigênio. Quanto mais mioglobina houver num pedaço de carne, mais vermelho ele será. Animais grandes têm metabolismo mais lento e, portanto, mais necessidade de armazenar oxigênio para uso imediato.
Por isso, a carne mais escura que existe é a da baleia, que, além de ser o maior dos animais, precisa armazenar oxigênio para se movimentar entre mergulhos e idas à superfície para respirar. Além disso, músculos de locomoção costumam ser mais ricos em mioglobina. Assim, as coxas de uma galinha têm carne mais escura que a do peito, músculo usado para suportar as asas, que, nos galináceos, cumprem precariamente a função de voar.
Carnes de músculos usados para locomoção costumam ser mais vermelhas que as de músculos de sustentação.

O que é picanha maturada?
É nada além de uma carne que já começou a se decompor. Mas, calma, não jogue no lixo aquele bifão comprado a preço de ouro num açougue metido a besta. “A maturação é decomposição sem putrefação”, afirma Marcos Guardabassi. Quando um animal é abatido, a circulação sangüínea pára e os músculos ficam contraídos numa condição chamada rigor mortis. Com o tempo, enzimas das próprias células começam a decompor as fibras de proteínas e o músculo volta a relaxar. Se a carne é refrigerada logo após o abate, ela fica dura. Por isso, toda carne passa por um período de descanso, chamado de maturação, antes de ser esfriada para transporte. “Para um boi, o período mínimo é de 24 horas”, afirma Guardabassi. A diferença da picanha maturada para uma picanha normal é que seu período de maturação é bem maior – de oito a 12 dias. Durante todo esse período, a carne fica embalada a vácuo para evitar infestações por bactérias ou parasitas.

Como amaciar uma carne dura?
Assim como as enzimas da própria carne desmontam a estrutura das proteínas, outras substâncias também são capazes de fazê-lo. “A papaína (extraída do mamão), a bromelina (do abacaxi) e a ficina (do figo) são enzimas que agem na carne de maneira similar às suas enzimas naturais”, explica Albino Luchiari, da USP. Boa parte dos amaciantes de carnes são feitos dessas substâncias. Assim, quando a carne é cozida, o processo de desnaturação é acelerado e ela pode cozinhar por menos tempo, o que acaba preservando seu suco. Ácidos também funcionam dessa forma. Por isso, o vinagre e o limão “cozinham” as carnes. Muitas receitas pedem que a carne seja deixada em uma marinada – geralmente com vinagre, que contém ácido acético – por um bom tempo antes de cozinhar. No entanto, a maciez agregada por esses agentes químicos é pouca, uma vez que eles atuam só na superfície da carne.
Desse modo, a função principal das marinadas acaba sendo temperar a carne. Um bife também pode ficar mais mastigável por processos mecânicos, como a ação do bom e velho martelo de cozinha. “Esse processo destrói as fibras, mas, se podemos deixar a carne macia naturalmente, não é recomendado o uso do martelo,” diz Luchiari. É que o processo tem um efeito colateral. As pancadas do martelo rompem as paredes das células e aceleram a drenagem dos sucos contidos nelas.

6490 – Medicina – A Obesidade e a Impotência


Estudos clínicos apresentados recentemente no 23º Congresso Europeu de Urologia, em Milão (Itália), comprovam a existência de uma relação estreita entre o tamanho da barriga do homem e a disfunção erétil, conhecida como impotência sexual. Segundo os estudos, o excesso de gordura acumulada no abdômen não afeta apenas a aparência física, mas também a saúde sexual do homem. Isso porque o acúmulo de gordura abdominal é um dos sinais da síndrome metabólica e pode estar associado à redução das taxas de testosterona. Este desequilíbrio hormonal é um dos fatores de risco para o surgimento das dificuldades de ereção.
A barriga começa a se tornar um risco para a saúde do homem quando a medida da cintura ultrapassa os 94 cm, o que aumenta de duas a três vezes as chances de impotência sexual. “A partir daí, os níveis de testosterona no organismo podem cair, enquanto aumenta o risco de obstrução das artérias pela gordura”, explica o urologista Helder Machado, chefe do Serviço de Urologia de Niterói. Esse entupimento arterial dificulta a irrigação peniana, impedindo que o homem alcance a ereção satisfatória.
Estima-se que atualmente entre 20% e 25% da população adulta mundial apresente algum dos sinais da síndrome metabólica como obesidade, diabetes, pressão alta e colesterol elevado (dislipidemia). Todos esses fatores elevam o risco para que o homem apresente disfunção erétil (DE).
Estudo recente também mostra que a redução dos níveis de testosterona no organismo do homem potencializa todos os sintomas da síndrome metabólica, prendendo-o em um círculo vicioso, no qual o excesso de gordura abdominal provoca a queda hormonal. Com a diminuição da testosterona, a síndrome metabólica se agrava e a chance de aparecer a DE aumenta.
O urologista também alerta para a importância do homem cuidar melhor da saúde, reduzindo as chances do aparecimento de problemas como a disfunção erétil. A obesidade e a dislipidemia são os principais fatores associados à disfunção erétil, seguidas por diabetes, hipertensão e tabagismo.
“É importante que todo homem, principalmente os que estão acima do peso e apresentem sinais de disfunção erétil, façam um exame de sangue para checar a dosagem de testosterona no organismo”, completa o médico. Nos casos em que a diminuição hormonal for identificada e estiver aliada aos sinais característicos do DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino), o médico pode indicar a reposição hormonal para alívio dos sintomas. O Nebido® (undecilato de testosterona, da Bayer Schering Pharma), por exemplo, é uma terapia de reposição hormonal injetável indicado para o tratamento dos sintomas do DAEM. O medicamento é administrado em aplicações trimestrais (via injeção intramuscular) e possui efeito prolongado no organismo, pois libera gradualmente o hormônio, mantendo os níveis de testosterona normais por mais tempo.”

6461 – Nutrição – A Gordura Vegetal


As gorduras trans são um tipo especial de gordura, que, em vez de serem formadas por ácidos graxos saturados ou insaturados na configuração cis, contém ácidos graxos insaturados na configuração trans. Em outros termos, são um tipo específico de gordura formada por um processo de hidrogenação, quer seja natural (ocorrido no rúmen de animais artiodátilos) ou artificial. Seu nome é bastante mencionado devido à sua nocividade à saúde humana.
O ângulo das duplas ligações na posição trans é menor que em seu isômero cis e sua cadeia de carboidratos é mais linear, resultando em uma molécula mais rígida, com propriedades físicas diferentes, inclusive no que se refere à sua estabilidade termodinâmica.
Os ácidos graxos trans não são sintetizados no organismo humano, sendo que são resultantes de um processo chamado de hidrogenação. O objetivo desse processo é adicionar átomos de hidrogênio nos locais das duplas ligações, eliminando-as. Mas a hidrogenação é geralmente parcial, ou seja, há a conservação de algumas duplas ligações da molécula original e estas podem formar isômeros, mudando da configuração cis para trans.
Existem dois tipos de hidrogenação:
A biohidrogenação, que ocorre quando os ácidos graxos ingeridos por ruminantes são parcialmente hidrogenados por sistemas enzimáticos da flora microbiana intestinal destes animais;
A hidrogenação industrial. Nesse processo são misturados hidrogênio gasoso, óleos vegetais polinsaturados, um catalisador que geralmente é o Ni, sob pressão e temperatura apropriadas. Esse processo vai resultar em ácidos graxos com ponto de fusão mais alto, devido à orientação linear nas moléculas trans e ao aumento no índice de saturação, e maior estabilidade ao processo de oxidação lipídica.

As gorduras trans estão presentes em pequenas quantidades em alimentos de origem animal (no leite e gordura de ruminantes como vaca e carneiro), por influência de uma bactéria presente no rumén desses animais. Quantidades maiores desta gordura estão presentes em alimentos industrializados (processados), como biscoitos, bolos confeitados e salgadinhos.
As gorduras trans formadas durante o processo de hidrogenação industrial que transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida à temperatura ambiente são utilizadas para melhorar a consistência dos alimentos e também aumentar a vida de prateleira de alguns produtos.
Em muitas áreas a gordura trans dos óleos vegetais parcialmente hidrogenados substituiu a gordura sólida e óleos líquidos naturais. Os alimentos que mais provavelmente contêm gordura trans são frituras, molhos de salada, margarinas, entre outros alimentos processados.
Não há informação disponível que mostre benefícios a saúde a partir do consumo de gordura trans. Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras trans pode causar 1) Aumento do colesterol total e ainda do colesterol ruim (LDL) e 2) redução dos níveis de colesterol bom (HDL)
A Gordura trans age como a gordura saturada ao elevar o nível da lipoproteína (concentração endoplasmática) de baixa densidade no sangue (LDL ou “colesterol ruim”). Isso faz com que os níveis de absorção da proteína de alta densidade HDL e o colesterol sejam pasteurizados, sendo que esta é responsável pela remoção de LDL do sangue. Isso aumenta as chances do aparecimento de um ateroma, isto é, a placa de gordura no interior de veias e artérias, que pode causar infarto ou derrame cerebral.
Está associada também à obesidade, visto que é utilizada em larga escala em quase todos os alimentos. Sabe-se pouco sobre como a gordura trans é incorporada no tecido cerebral do feto e membranas celulares.

Com um maior controle sobre a alimentação humana, as autoridades em saúde determinaram que em rótulos venha determinada a quantidade de gordura trans contida por porção. Essa quantia muitas vezes nem é notada pelo consumidor, e a principal causa é a falta de interesse e de informação. O Valor Calórico Diário, antes considerado 2,5 mil calorias, decaiu em valor devido à grande quantidade de gorduras trans utilizadas, diminuindo para 2 mil calorias.
Daqui pode-se perceber que gordura trans não é o mesmo que gordura hidrogenada, porém esta contém a maior quantidade de gordura trans. A recomendação é que se consuma o mínimo possível, não existindo quantidade mínima recomendada por dia, qualquer quantidade por menor que seja, é prejudicial. Veja na tabela abaixo a quantidade de
gordura trans presente em alguns alimentos:

Produto Quantidade Gordura trans
Biscoito água e sal 2 unidades (30g) 1,0 g
Biscoito recheado 2 unidades (30g) 1,5 g
Biscoito tipo waffer 4 unidades (30g) 5,0 g
Sorvete de creme, com recheio de doce
de leite coberto com chocolate ao leite. 1 casquinha (81g) 1,4 g

Leis com a finalidade de banir gorduras trans em alimentos foram passadas em diversos lugares do mundo. A Dinamarca foi o primeiro país a banir óleos parcialmente hidrogenados em 2003. A Suíça aprovou leis contra gorduras trans em 2008, e diversas cidades dos EUA passaram legislação semelhante. Estima-se que a diminuição no consumo de gorduras trans de 6g para 1g por dia ao longo de 20 anos diminua o número de mortes por cardiopatia isquêmica em 50%.
No Brasil, o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) estabeleceram em 2008 metas para reduzir o percentual de gorduras trans nos alimentos a um limite de 2% do total de gorduras até o final de 2010.
A gordura hidrogenada é obtida através da hidrogenação industrial de óleos vegetais (que são líquidos à temperatura ambiente), formando uma gordura de consistência mais firme. Por suas características, ela melhora a palatabilidade e textura, e aumenta a vida de prateleira dos produtos, por isso é muito utilizada na indústria. A gordura hidrogenada também é usada por redes de fast-food e restaurantes para frituras.
Produtos como margarinas, sorvetes cremosos, biscoitos, bolos, tortas, pães, salgadinhos, pipoca de microondas, bombons, e tudo mais que contenha gordura hidrogenada, são fontes de gordura trans.
No Brasil, a partir do segundo semestre de 2006, as empresas foram obrigadas a declarar a quantidade de gordura trans no rótulo, de acordo com a resolução da Anvisa (RDC 360/2003). Poucos produtos já foram reformulados a fim de eliminar essa gordura de sua composição.
Apesar da resolução que obriga os fabricantes de alimentos industrializados a declarar a quantidade de gordura trans em seus produtos, as indústrias usam uma brecha técnica para continuar a vender produtos com gordura trans e ao mesmo tempo utilizar selos e “splashes” em suas embalagens declarando-os com “0% de gordura trans”. É comum você ver estampada a alegação “Não contém…”, “Livre de…”, “Zero % de…”, “Isento de…” ou similar. Isso porque descobriu-se que a gordura trans e inimiga da boa saúde. Isso permite que o próprio fabricante arbitrariamente escolha qual o tamanho de 1 porção de seu produto que fique abaixo de 0,2g.
Um fabricante de biscoitos, por exemplo, pode imprimir em sua tabela nutricional que os valores de 1 porção equivalem a 1/2 biscoito, e assim induzir o consumidor a acreditar que esse produto não contém nenhuma gordura trans.Uma maneira segura de comprovar a adição de gordura trans é a leitura da lista de ingredientes do alimento. Se contiver gordura vegetal hidrogenada, ou gordura vegetal, certamente contém gordura trans.
A Anvisa não exige mais (2008) que os fabricantes grafem gordura vegetal hidrogenada por extenso nas embalagens, permitindo que ela seja indicada apenas como gordura vegetal.

6369 – Para onde vai o peso que se perde?


A massa física desaparece, mas se transforma em energia térmica para o corpo.
Quando comemos demais e fazemos pouco exercício, tipo o gordinho que estrelou clipes e capas do Fatboy Slim, nosso corpo armazena calorias extras em forma de gordura. “Esse é um mecanismo de defesa do organismo para quando existe fome.
Quando perdemos peso, a gordura é queimada e se transforma em calor e energia para nossas células. O calor se dissipa no ambiente e a massa simplesmente desaparece. Esse processo é essencial para que possamos nos movimentar e manter a temperatura corporal.
Ou seja, o peso que perdemos vira energia e depois desaparece.

6132 – O Peso da Obesidade na Saúde


A ciência ainda não sabe explicar totalmente por que as pessoas engordam a ponto de ficarem obesas. E também não encontrou a fórmula ideal de perder peso com saúde. Em uma simplificação grosseira, engorda quem come mais do que gasta de calorias. Mas essa não é uma conta exata e qualquer um sabe que apenas dieta e exercícios não resolvem todos os problemas. Existem milhares de dietas por aí, mas o número de gordos no mundo só aumenta. “Não é só o excesso de comida que deixa alguém obeso. São considerados diversos fatores, como a genética, que influencia o metabolismo. Dormir pouco engorda, até ar-condicionado engorda – com menores variações de temperatura, o corpo acaba gastando menos energia”, afirma um endocrinologista chefe do grupo de obesidade e síndrome metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Antes de continuar, um parêntese: há uma diferença entre “gordo” e “obeso”. A medicina classifica como obesa pessoas com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30. Gordos são o que os médicos chamam de “acima do peso”, com IMC a partir de 25. Ou seja, alguém que não passou da linha que classifica a obesidade, mas que ao se olhar no espelho normalmente não se sente satisfeito com o próprio corpo. Segundo o Ministério da Saúde, em 2006, quase 43% dos brasileiros estavam acima do peso. Em 2009, esse número aumentou para quase 47%.

A relação direta entre o acúmulo de gordura no corpo e o desenvolvimento de doenças como diabetes e hipertensão não foi completamente esclarecida. Mas sabemos que o excesso de gordura interfere nas reações químicas responsáveis por manter nosso corpo em funcionamento. Ele aumenta a resistência à insulina (o que leva ao aumento de açúcar), além do aumento do nível de triglicerídeos e colesterol em circulação.

Muitos médicos defendem que, por ser uma doença crônica, a obesidade deve ser tratada com medicamentos pela vida toda, já que, uma vez obesa, a pessoa sempre terá predisposição para engordar. Mas nem todos os obesos, mesmo aqueles em nível mais alto, com IMC acima de 35, desenvolvem outras doenças. “Existem os obesos metabolicamente normais, que, por algum motivo, não desenvolvem hipertensão ou colesterol alto. Mas isso acontece em 1 a cada 4 casos.
O que não quer dizer que não precisem emagrecer. Eles não estão livres de outros problemas de saúde, como nas articulações .
Não é só o corpo que sofre com o excesso de gordura e as variações de peso. Psiquiatras identificaram doenças e distúrbios psicológicos ligados à obesidade. Um dos mais comuns é o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP). De acordo com Adriano Segal, diretor de psiquiatria e transtornos alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), 75% dos pacientes com TCAP têm excesso de peso. Uma das causas possíveis é ter feito dietas restritivas repetidas por anos. Deixar de comer proteína ou carboidrato, por exemplo, pode provocar de desnutrição a transtornos psiquiátricos.

Outros problemas vão de quadros depressivos e ociosos a bulimia nervosa, passando por hiperatividade e bipolaridade. Para variar, as origens de cada alteração não estão completamente esclarecidas.
Ainda hoje, são raros os espaços públicos adaptados para os gordos. Da escola ao mercado de trabalho, quem está acima do peso é visto como diferente. Uma pesquisa recente mostrou que mais de 70% dos empresários brasileiros têm restrições para contratar obesos.
Nos Estados Unidos, onde mais de 70% da população está acima do peso, grupos tentam promover a aceitação do gordo. Entre o final dos anos 60 e o começo dos 70, surgiram instituições como a Associação Nacional para Acelerar a Aceitação dos Gordos nos EUA e a Associação pela Diversidade de Tamanho e Saúde. Nas universidades, especialmente em grupos ligados à sociologia e aos estudos de gênero, surgiram os pesquisadores especializados em “fat studies” (estudos da gordura) – que não pesquisam apenas os aspectos fisiológicos da gordura, mas a situação dos gordos na sociedade.
Obesos apresentam de 4 a 5 vezes mais risco de desenvolver artrose do que pessoas de peso considerado normal. Os danos nos joelhos são tão grandes que, mesmo no caso de quem passa por cirurgia de redução de estômago, eles permanecem os mesmos, de acordo com um estudo do Departamento de Cirurgia Ortopédica do Hospital Roper, nos Estados Unidos. E não são apenas os velhos que sofrem com isso. Um estudo da Universidade de Viena revelou que crianças e adolescentes com excesso de peso tiveram problemas na cartilagem do joelho.

5593 – Nutrição & Saúde – Conheça os alimentos vilões


Quase tudo faz mal…

Alguns alimentos não só engordam como matam aos poucos:
Não estão proibidos, mas uma medida razoável é incluir um deles no cardápio uma vez por semana.
Recomenda-se olhar o rótulo do produto para checar seus ingredientes. E fique atento: o primeiro item da lista de ingredientes, geralmente, é o que está presente em maior quantidade na comida. Portanto, se açúcar ou gordura estiverem no topo da lista na embalagem, talvez seja melhor procurar uma opção mais saudável.
Alimentos industrializados em geral fazem mal, ricos em gordura saturada, conservantes e etc.
Na lista, a pizza pré cozida e a lasanha.
Lanchinho com salame e mortadela – Tais alimentos à base de carne, conhecidos como embutidos, foram inventados para facilitar as preparações e aumentar o prazo de validade do alimento. O problema é que eles possuem maior teor de gordura saturada em relação à carne natural.
Esse tipo de gordura, encontrado principalmente em produtos de origem animal, traz riscos à saúde quando ingerido em excesso, pois estimula o aumento dos níveis de colesterol e o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os embutidos também contêm excesso de sódio – o que pode provocar pressão alta – e corantes – que podem causar alergias e problemas no estômago. Por fim, ainda há ali muitos conservantes, como o nitrito e o nitrato. No nosso organismo, eles são convertidos em substâncias potencialmente cancerígenas.
Caldos industrializados – Faça seu próprio tempero e esqueça os industrializados. Eles possuem altos teores de sódio e glutamato monossódico. O sódio, se consumido além dos limites diários recomendados, pode levar ao desenvolvimento da hipertensão ou piorar o problema se ele já existe. O problema do glutamato é ainda pior: estudos têm mostrado que o nosso organismo o utiliza como um transmissor de impulsos nervosos no cérebro e seu consumo tem sido associado com dificuldades de aprendizado, Mal de Alzheimer, Parkinson e câncer.
Aquele biscoitinho recheado:
Carregadas com açúcares, essas pequenas guloseimas possuem densidade energética assustadora”, diz um nutricionista pesquisador do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Além do excesso de açúcar, os biscoitos recheados ainda contêm muita gordura saturada, o que favorece o aumento do LDL (o “colesterol ruim”) e a diminuição do HDL, considerado o “colesterol bom”. O desequilíbrio nas taxas de colesterol é fator de risco para o surgimento de doenças cardiovasculares graves. E, para completar, os aditivos usados para dar cor a essas bolachas também são prejudiciais à saúde e estão associados à hiperatividade e déficit de atenção.
Salgadinhos:
Outra delícia perigosa que adoramos consumir em momentos de ócio. Os salgadinhos também são fontes de glutamato monossódico, aquele sal sódico que cria um sabor mais encorpado ao produto.
Aumenta a pressão arterial.
Refrigerante:
Além de possuir muitas substâncias artificiais em sua composição, o refrigerante contém valor nutricional quase nulo.
Além de ser rica em açúcar, a bebida tem a capacidade de enganar os sistemas orgânicos relacionados ao controle das calorias ingeridas, apresentando íntima relação com o ganho excessivo de peso e a obesidade.
E, a menos que você seja diabético, não adianta tentar os diet – eles são ainda piores! “Refrigerantes contêm muitas substâncias químicas, mas pelo menos são feitos com açúcar, que é algo que o corpo reconhece e pode digerir. Já os refrigerantes diet, além de todas essas substâncias, ainda contêm aspartame como adoçante. Sua metabolização gera metanol, substância tóxica para os neurônios que, em excesso, provoca degeneração neural e está relacionada a doenças como mal de Alzheimer.
Batatinha frita e outras frituras:
Mesmo que você use óleo vegetal de boa qualidade para fritar suas batatas ou bife, comer alimentos fritos faz mal. A fritura faz com que ocorram alterações químicas no óleo utilizado, deixando de ser uma fonte de gordura insaturada (no caso dos óleos vegetais), fundamental para nossa saúde, e dando lugar à gordura saturada, que em excesso pode causar diversas doenças. Esse processo pode também promover a formação da gordura trans, que está diretamente relacionada ao aumento de doenças cardiovasculares e à piora do quadro de saúde de uma maneira geral. Além disso, o calor extremo estraga a estrutura química da molécula de gordura, produzindo uma substância potencialmente cancerígena chamada acroleína.
Churrasco:
Tome cuidado quando decidir fazer um churrasco também. Nesse caso, o problema está no processo de preparação, e não com o alimento.
A fumaça do carvão libera alcatrão e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, substâncias com alto potencial cancerígeno.
Margarina:
De novo, o colesterol. A maior parte das margarinas é feita com óleos vegetais líquidos hidrogenados – que são gordura trans. Essas gorduras não são reconhecidas pelo organismo, que não o metaboliza. Isso provoca acumulação de gordura na região abdominal e promove o aumento dos níveis de colesterol ruim e do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Açúcar:
Quando consumido em excesso, é armazenado em nosso corpo sob a forma de triglicérides, aumentando o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Além disso, por ser calórico, pode levar à obesidade e, com ela, aumentar o risco de diabetes, hipertensão e dislipidemias.
Segundo os nutricionistas, tanto a sacarose (açúcar de mesa) quanto os açúcares de uso industrial estão relacionados à má qualidade da saúde. Então, já viu: nada de adoçar demais o cafezinho.
Sobrou pouca coisa pra comer.

5043 – Descoberto hormônio que imita efeito de exercícios


Ficar em forma pode passar a ser uma moleza…
Um novo estudo abre perspectiva de que os exercícios físicos possam ser trocados por uma pílula.
Em experimentos com camundongos, cientistas do Instituto do Câncer Dana-Farber, em Boston, descobriram que um tipo de um hormônio, produzido após a atividade física, era capaz de transformar o tecido adiposo.
Em sua presença, células de gordura branca –responsável por armazenar energia– se convertem na chamada gordura marrom, que queima calorias para aquecer o corpo.
A nova molécula, batizada de irisina, também existe em humanos. Num teste, os cientistas injetaram pequenas doses da substância em roedores sedentários, obesos e com sintomas de pré-diabetes.
Após dez dias, os animais tiveram os níveis de glicose e insulina normalizados no sangue e até perderam peso. O experimento foi descrito na revista “Nature”.
Mesmo exibindo cautela em relação ao potencial terapêutico do novo hormônio, os pesquisadores se mostram otimistas com a perspectiva de usá-lo em humanos em um futuro próximo.
A molécula da irisina dos camundongos é quase idêntica à versão humana, o que significa que os mesmos benefícios observados nos roedores podem se mostrar em pessoas. “Esperamos ver efeitos colaterais muito pequenos”.
Ele e seus colegas do Dana-Farber, um centro de pesquisa associado à Universidade Harvard, estão agora tentando criar uma maneira de administrar a irisina a humanos. No estudo com roedores, foi usado um vírus para distribuir o hormônio no organismo, algo difícil de fazer com segurança.
Para criar uma droga que possa ser usada em humanos, Boström e seus colegas estão tentando “colar” a irisina em moléculas de anticorpos, as proteínas de defesa do sistema imunológico, para só depois injetá-las no sangue.
Para pesquisadores, mesmo que não seja adequado substituir exercícios por uma droga que tente emular seus efeitos, é possível encontrar uma brecha para aplicação.
“Há muitos pacientes por aí que precisam de exercício mas, por diferentes razões, não podem fazer”, diz Boström, o autor da pesquisa.
“Um medicamento pode vir a ser uma opção para pessoas extremamente obesas, que têm dificuldade em se movimentar para fazer exercícios, ou para pessoas com alguns tipos de deficiência física”.
GORDURA MARROM INTRIGA CIENTISTAS
Apesar de já estarem estudando a possibilidade de aplicação do conhecimento sobre a chamada gordura marrom, cientistas ainda tentam entender por que esse tipo de tecido é estimulado pelo exercício no corpo humano.
A gordura marrom, que queima energia em vez de armazenar, existe primariamente em bebês, que precisam de proteção contra o frio. Como essa classe de célula adiposa libera energia ao ser estimulada, gera calor e aquece a criança.
Do ponto de vista da teoria da evolução, porém, não faz sentido que um organismo que já esteja gerando calor por meio de atividade física também estimule a queima de mais energia por um mecanismo metabólico secundário.
A hipótese que cientistas levantaram para explicar isso é que, nos bebês que sentem frio, o fator que estimula a a conversão de gordura branca em marrom é o tremor.
Como os músculos que se movimentam para vibrar a pele são essencialmente os mesmos que mexemos para fazer exercício, também produzimos gordura marrom como efeito colateral da atividade física.