7938 – Arqueologia – Em Busca da Atlântida


A expedição prometia ser uma das mais espetaculares de 2004. Um pequeno submersível com duas pessoas irá mergulhar nas águas do Atlântico em busca de um dos maiores enigmas da arqueologia: Atlântida.
Esse mistério teve início quando o filósofo grego Platão (427-347 a.C.) fez as primeiras referências ao mundo perdido de Atlântida em seus textos. Ele a descreveu como uma civilização rica, avançada e igualitária. Segundo o sábio, ficava além do que se chamava Os Pilares de Hércules, hoje conhecido como o estreito de Gibraltar, canal de 13 quilômetros entre a Europa e a África. Platão conta ainda que a ilha tinha sido tragada pelo mar 9 mil anos antes.
Nesses 2 mil anos que se passaram desde a Grécia de Platão, Atlântida transformou-se num mito e virou lenda.
“Curiosamente, ninguém levou a sério a indicação mais evidente: a ilha de Atlântida está justamente na entrada do estreito”, diz Jacques Collina-Girard, historiador e arqueólogo da Universidade do Mediterrâneo, na França.
Em 2001, Collina-Girard reconstruiu um mapa da zona costeira ocidental da Europa há 19 mil anos. Acredita-se que o nível do mar era 130 metros mais baixo que o atual. O mapa revelou um arquipélago, cuja ilha maior, Spartel, localiza-se bem a oeste do estreito.
Pelos estudos, a ilha teria sido submersa há 11 mil anos. Ou seja, na mesma época citada por Platão. “Mera coincidência?”, questiona Girard. Agora, o submersível irá mapear a ilha, coletar sedimentos e buscar cavernas que possam ter sido habitadas. Se o francês estiver certo, será o fim de uma lenda.

6907 – A Lenda da Atlântida


Tal lenda tenta dar uma explicação para a existência do arquipélago. Muito antiga e de origem desconhecida, foi narrada por Platão, sendo já mencionada por este como uma história que lhe contaram.
Na antiguidade teria havido um imenso continente (a Atlântida) no meio do Oceano Atlântico, em frente às Portas de Hércules. Essas portas, segundo mitos antigos, fechavam o mar Mediterrâneo onde atualmente se localiza o Estreito de Gibraltar.
A Atlântida seria um lugar magnífico, com extraordinárias paisagens, um clima suave, grandes florestas de frondosas e gigantescas árvores, extensas planícies férteis, chegando a dar duas ou mais colheitas por ano, e animais mansos, saudáveis e fortes.
Os habitantes desta terra paradisíaca chamavam-se atlantes e eram senhores de uma invejável civilização, considerada perfeita e rica. Tinha palácios e templos cobertos a ouro e outros metais preciosos como a prata e o estanho, e abundava o marfim. Produzia todo o tipo de madeiras tidas como preciosas, tinha minas de todos os metais.
Dispunha de jardins, ginásios, estádios, boas estradas e pontes, e outras infraestruturas importantes para o bem estar dos seus cidadãos. A joalharia usada pelos atlantes seria feita com um material exótico e mais valioso que o ouro, apenas do conhecimento dos povos atlantes, que se chamava oricalco. A economia florescente proporcionava as artes, permitindo a existência de artistas, músicos e grandes sábios.
O império dos atlantes era formado por uma federação de 10 reinos que se encontravam debaixo da protecção de Poséidon. Os seus povos eram tidos como exemplares no seu comportamento, e não se deixavam corromper pelo vício ou pelo luxo mas viviam num pleno e magnifico bem estar que o seu país perfeito lhe permitia.
No entanto, não deixavam de praticar e de se ensaiar nas artes da guerra, visto que vários povos, movidos pela inveja e pela abundância dos atlantes, tentavam invadir a sua terra. Os combates de defesa foram tão bem sucedidos que surgiu o orgulho e a ambição de alargar os domínios do reino.
Assim o poderoso exército atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas em seu redor, uma grande parte da Europa Atlântica e parte do Norte de África. E só não teriam conquistado mais territórios porque os gregos de Atenas teriam resistido. Os seus corações até ali puros foram endurecendo com as suas armas. Nasceu o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses.
Poséidon convocou então um concílio dos deuses para travar os atlantes. Nele foi decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência das decisões divinas começaram grandes movimentos tectônicos, acompanhados de enormes tremores de terra. As terras da Atlântida tremeram violentamente, o céu escureceu como se fosse noite, apareceu o fogo que queimou florestas e campos de cultivo. O mar galgou a terra com ondas gigantes e engoliu aldeias e cidades.
Em pouco tempo Atlântida tinha desaparecido para sempre na imensidão do mar. No entanto, como fora possuidora de grandes montanhas, estas não teriam afundado completamente. Os altos cumes teriam ficado acima da superfície das águas e originado as nove ilhas dos Açores.
Alguns dos habitantes da Atlântida teriam, segundo a lenda, sobrevivido à catástrofe e fugido para vários locais do mundo, onde deixaram descendentes.