13.925 – Geografia e Sócio Economia – Um Pouquinho de Brasil


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Não chame Nordeste de Norte!

O Brasil ocupa a posição centro-oriental do continente sul – americano, possuindo limites com

quase todos os países da América do Sul exceto Chile e Equador. Os países que se fazem limite com o
Brasil, de acordo com suas respectivas direções são:
• Norte: Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela.
• Noroeste: Colômbia
• Oeste: Peru e Bolívia
• Sudoeste: Paraguai e Argentina
• Sul: Uruguai
• Nordeste, leste e sudeste: Oceano Atlântico
DIVISÃO POLÍTICA DO BRASIL
A superfície do Brasil está politicamente dividida, ou seja, dividida em Estados.
As linhas que separam estas unidades políticas são chamadas fronteiras.
A República Federativa do Brasil compreende um total de 27 unidades político-administrativas, que
correspondem a 26 Estados e 01 Distrito Federal, onde se localiza Brasília, a capital do Brasil.

Não Chame Nordeste de Norte!!!
A região Norte é formada por: Rondônia, Pará, Acre e Tocantins criado em 1988; Roraima e Amapá.
Já o nordeste é formado por: Maranhão, Piauí, Ceará,Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco,Alagoas, Sergipe e Bahia.

O território brasileiro possui uma estrutura geológica antiga e, assim sendo, foi bastante
desgastada pela erosão.
• Não houve formação de cadeias montanhosas ou dobramentos modernos, em decorrência do
Brasil encontrar-se no centro de uma placa tectônica.
A área de planalto ocupa 75% do país e as planícies os 25% restantes, segundo o professor Aziz Ab’
Saber, no final da década de 50.
Existem duas grandes áreas de planalto no Brasil:
O planalto das Guianas, situado no norte da Planície Amazônica e o Planalto Brasileiro, ao sul da
Planície Amazônica.
O Planalto das Guianas, na fronteira do Brasil com as Guianas e a Venezuela abrange terras dos
estados de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará; encontramos reservas consideráveis de manganês na
região da Serra do Navio (Amapá).
Neste planalto está o pico culminante do Brasil: o Pico da Neblina com 3014,1m.
O Planalto Brasileiro divide-se em três partes:
A – Planalto Central: compreendendo principalmente as terras de Mato Grosso e Goiás.
B – Planalto Atlântico: próximo ao Oceano Atlântico, abrangendo as terras brasileiras desde o Rio Grande do Sul até o Nordeste.

C – Planalto Meridional: abrangendo as terras mais interioranas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul, devido à decomposição do basalto (rocha vulcânica) deu origem à terra-roxa, solo de maior fertilidade natural do país.
As mais importantes planícies do Brasil são:

a- Planície Amazônica: situada entre o Planalto das Guianas e o Brasileiro. É a maior área de terras
baixas do Brasil. Cortada pelo rio Amazonas e seus afluentes, formando a maior bacia hidrográfica do país e do mundo.

b- Planície do Pantanal: ocupa a parte oeste do Mato Grosso do Sul, prolongando-se pelo Mato-
Grosso, Paraguai e Bolívia. Cortada pelo rio Paraguai e seus afluentes que transbordam na época das cheias inundando as áreas mais baixas.

c- Planícies Litorâneas: formam uma faixa ao longo do litoral brasileiro. São geralmente arenosas
formando praias e dunas, ou argilosas, dando origem a regiões pantanosas cobertas por uma vegetação chamada mangue.
A posição astronômica do Brasil permite que o território seja bem iluminado e aquecido no decorrer do ano, pois situa-se em sua maior parte na Zona Tropical. O clima no território brasileiro classifica-se em: , compreendida entre o Tópico de Câncer e o de Capricórnio.

A – Clima equatorial: encontrado em quase toda a região Norte e no norte de Mato Grosso. É um clima
muito quente e chuvoso.

B – Clima Tropical: engloba quase toda a região Centro-Oeste, o Nordeste, parte do Sudeste e na
porção leste de Roraima, caracteriza-se por invernos secos e verões chuvosos. As temperaturas são médias e a distribuição das chuvas é variável no decorrer do ano.

C – Clima Tropical semi-árido: domina o sertão do Nordeste. É um clima quente e seco, cujas chuvas não ocorrem regularmente, provocando longos períodos da seca.
D – Tropical de altitude: abrange as áreas de maior altitude da Região Sudeste e do Mato Grosso do Sul no qual a altitude influi na diminuição das médias de temperatura. Chove durante o ano todo.

E – Clima Subtropical Úmido: predomina nas regiões Sul e Sudeste do estado de São Paulo, o encontro entre a massa Tropical e a massa Polar provoca chuvas frontais. Após a passagem das chuvas, a massa Polar permanece estacionária ocasionando “ondas de frio” de intensidade e duração variáveis.

ASPECTOS HUMANOS DO BRASIL
Segundo dados do IBGE de 2000, o Brasil possuia cerca de 170 milhões de habitantes aproximadamente, atualmente passa de 200. É um país extremamente populoso, mas como é extenso, sua densidade demográfica é baixa – cerca de 20 hab/Km2. Países como o Japão apresentam mais de 320 habitantes por quilômetro quadrado, e mesmo países enormes, como Estados Unidos, possuem quase o dobro da densidade demográfica brasileira.
Apesar de possuir uma imensa extensão, população numerosa e vastos recursos naturais, grandes problemas sociais e econômicos afligem a sociedade brasileira. Dentre eles podemos citar:
Na década de 80, entre 100 pessoas que trabalhavam em São Paulo, 50 possuíam rendimento mensal de até 2 salários mínimos. Nos dias atuais, não houve mudanças neste quadro. No nordeste a situação é bem mais grave: 52 entre 100 trabalhadores recebem, miseravelmente, no máximo, um salário mínimo; estima-se que a região tenha 45,1% da população pobre dos 42 milhões dos miseráveis do Brasil.
A expectativa de vida da população com rendimento de até um salário mínimo é de 54,8 anos, enquanto que para os que vivem com uma remuneração superior a cinco salários mínimos, a expectativa de vida sobe para 69,6 anos.
Desigualdade de esperança de vida entre as classes sociais de baixa e de alta renda.
Uma população de baixa renda dificilmente estará livre de doenças como tuberculose,esquistossomose, desidratação, decorrentes da falta de higiene, saneamento básico ou do estado de subnutrição.
Elevada ocorrência de doenças

Nas famílias de baixa renda, verifica-se baixo padrão alimentar, fato que, por sua vez, influi nas condições de saúde. O indivíduo é mais facilmente vitimado por doenças e sua esperança de vida é
menor do que nas famílias de maior renda e de melhores condições de alimentação. A população de baixa renda, que constitui a maioria no Brasil, não consome carnes, frutas e vegetais, não satisfazendo adequadamente suas necessidades nutricionais básicas. Esta população alimenta-se principalmente de
produtos mais baratos, como a farinha de mandioca e o feijão, que não possuem as substâncias de que o organismo necessita.

Habitação:
A Habitação deve ter no mínimo uma sala, uma cozinha, um banheiro e um dormitório. No caso da existência de filhos, a habitação, obviamente, necessita de mais dormitórios. No Brasil, 25 em cada 100 domicílios possuem menos de 4 cômodos. Segundo a Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte, em 1995 o déficit habitacional no Brasil era em torno de 5,6 milhões de unidades, sendo 1,6 milhão no meio rural e 4 milhões no meio urbano. De acordo com a Fundação, 85% do déficit habitacional concentra-se nas famílias com até 5 salários mínimos de renda.
Países subdesenvolvidos não oferecem às populações rurais as mesmas oportunidades oferecidas à população urbana. A falta de emprego e de educação provoca êxodo rural, ocasionando nas grandes cidades o acúmulo de migrantes, os quais passam a morar em inúmeras favelas.
Concentração populacional nas áreas urbanas. O estado de São Paulo tem mais habitantes que o maior País do continente americano – o Canadá – mas o Brasil apresenta alguns estados com baixíssima quantidade de habitantes.

Salário Mínimo e Desemprego no Brasil entre 2003-2015 1

13.559 – Nordeste sertanejo: a região semi-árida mais povoada do mundo


semi arido Brasil
Fragmentos de Leitura – diversos autores

SEM QUE SE TENHA conhecimento de significativo número de regiões áridas e semi-áridas do mundo é extremamente difícil entender os atributos climáticos, fitogeográficos e antrópicos do Nordeste seco. Parte dessa questão foi resolvida pela contribuição ocasional do grande mestre francês Jean Dresch, um dos participantes da excursão realizada aos sertões semi-áridos por ocasião do Congresso Internacional de Geografia, ocorrido no Rio de Janeiro em agosto de 1956.
Dresch, grande conhecedor do Sahara – após percorrer trechos dos chamados altos dos sertões de Pernambuco e da Paraíba -, segredou aos seus colegas brasileiros uma observação comparativa que consideramos essencial. Afirmou que, nos poucos dias em que tivera contato com os espaços geográficos do Nordeste seco, pudera cotejar os atributos da região das caatingas com os fatos que estudara exaustivamente no deserto do Sahara. E, que meditando nessa direção, podia afiançar que o Nordeste interior não tinha “nada de deserto” na sua conjuntura fisiográfica e ecológica. Relatava inicialmente – aos seus guias de excursão – que, ao contrário do que acontecia nos mega-espaços saharianos, nos sertões nordestinos existia gente por todos os cantos e locais imagináveis. Nesse sentido, baseado nas diferentes regiões áridas que conhecia, podia afiançar que o Nordeste seco era a região semi-árida mais povoada do mundo. Por essa mesma razão era o espaço que, em função de sua inegável rusticidade, apresentava os maiores problemas e dramas para o homem-habitante e suas famílias.

Para reforçar sua assertiva de que os sertões secos em nada poderiam ser comparáveis aos grandes espaços áridos, Dresch lembrou que, no Sahara, apenas nos oásis – muito distantes uns dos outros – existiam comunidades residentes sedentárias: viventes em espaços exíguos, por entre ruelas e moradias de tipo casbah. Dependiam de atividades artesanais e comerciais, pela troca e venda em feiras labirínticas, além da produção reduzida de alimentos nos pomares do pequeno oásis, enquanto caravanas transportadoras de mercadorias produzidas em terras distantes percorriam rotas imensas, levando produtos essenciais para os contidos habitantes ilhados por entre enormes campos de dunas e espaços rochosos ou pedregosos, balizados por raros restos de montanhas.
Nos sertões do Nordeste há povoamento ao longo de rios que nascem em maciços cristalinos ou bordos de escarpas sedimentares, mas sempre chegam ao mar, a despeito de terem seu fluxo d’água cortado por cinco a sete meses (rios intermitentes sazonários, extensivamente exorréicos). Existem sertanejos vivendo em diferentes posições nas vertentes e altos das colinas, gente habitando os sopés de maciços, serras úmidas e cimeiras de chapadas e setores de planaltos cristalinos.
Em contrapartida, porém, o Nordeste seco é a região geográfica de estrutura agrária mais rígida e anti-social das Américas, do que resulta que a capacidade de suporte populacional dessa região tem de ser avaliada por critérios mais amplos e aprofundados, envolvendo tanto atributos endógenos e controles exógenos, quanto eventuais fatores extrógenos que interferem no destino dos homens e comunidades regionais.
Em estudo realizado sobre o Impacto da seca no sertão de Sergipe (Brasil), relativo às conseqüências da forte estiagem do período de 1981-1984, os geógrafos José Augusto Andrade e Raymond Pébayle produziram um excelente trabalho documentário altamente significativo. Na seqüência, serão reproduzidos fragmentos de leitura desse estudo, entre outros, por nós coletados.

Aziz Ab’Sáber
Fragmentos
“Em outubro de 1984, cinco meses apenas após o fim do período seco, as pastagens estavam verdes, os milharais se multiplicavam e os poços quase cheios. (…) À exceção das terras do município de Canindé de São Francisco, o espaço semi-árido do estado de Sergipe não é tão rústico quanto aquele do oeste de Pernambuco ou do Sertão de Canudos no estado da Bahia. A isoieta de 700 mm o distingue grosseiramente do Agreste, onde ocorrem terras menos quentes e mais úmidas. (…) Em 1980, as devastações da caatinga e as expulsões dos posseiros foi bastante forte. O ritmo das aquisições de terras pelos não-residentes de origem não identificada, nesse ano, atingiu 38% das terras colocadas à venda em alguns municípios do sertão sergipano: Carira, Monte Alegre e Poço Redondo. (…) As pesquisas de 1984, para entender ainda os impactos da fome para os mais despossuídos, nos revelaram qual foi a trajetória das estratégias de sobrevivência. Uma seqüência de comportamentos dramáticos parece se repetir um pouco por toda parte, pela busca desesperada de alimentos e água, que se compra a preço de ouro. Em seguida se fazem as primeiras vendas de gado, sobretudo do não-leiteiro, sem qualquer discriminação. Enfim, vende-se a terra e parte-se. Nesse último caso, ninguém ignora a terrível sentença emanada dos anos secos no sertão: ‘quem vende a terra na seca, não a compra mais’.”

[José Augusto Andrade & Raymond Pébayle
.L’impact de la sécheresse dans le Sertão de Sergipe (Brésil).
Extraído do livro de Bernard Bret (coord.)
Les hommes face aux sécheresses, 1989]

“No campo do Passarinho, além de Perizes de Cima (norte do Maranhão), um pesquisador, olhando para uma árvore, perguntou a um caboclo que por ali passava: ‘a madeira dessa pequena árvore é dura?’ E a resposta veio nos seguintes termos: ‘o cerne desse lenho é resistente’. Falou bonito o caboclo maranhense.”

[Transcrição do organizador]

“No alto ressequido e plaino de uma serra dos Gerais, no centro da Bahia, um motorista meninote dirigia um jeep, transportando o engenheiro de minas para a distante cidade mais próxima. De repente, viu uma tora de madeira atravessada no leito da estrada de terra batida. O passageiro não viu nada, até que o prevenido chofer entrou pelo entremeio dos arbustos secos, numa carreira desenfreada. De longe, veio um tiro de espingarda, dirigido para matar o jovem motorista. Assim, os dois passageiros se safaram da maldita emboscada. E o menino falou: ‘viu, sou mais esperto do que esse cangaceiro’. Só então o engenheiro geólogo compreendeu que ainda existiam resíduos solitários de cangaço entre a região de sua mina e a distante cidade do sertão. Que medo. Que lição!”

[Anônimo]
“E a velhinha simpática saiu da barraca coberta de plástico preto, no meio do calor radiante, mostrou aos forasteiros visitantes um prato raso com alguns minúsculos peixinhos mergulhados em água com sal e disse, circundada por crianças alvoroçadas: ‘estão vendo esses peixinhos, que chamamos de peixes da pedra? Eles foram pegos na laminha derradeira de uma lagoínha, d’onde a água já se foi. Não importa: o certo é que com eles vou fazer o banquete das crianças amanhã’. Eram tantas as crianças em volta, que se o forasteiro soubesse chorar, choraria.”

[Anônimo]
“Um jovem pesquisador, cruzando os sertões do Médio e Baixo Jaguaribe (Ceará), botou reparo nas cercas de taquara trançada, dispostas em posição transversal ao eixo do leito seco dos rios. O jovem universitário se perguntava sobre as razões que levaram os sertanejos a construir aquelas rústicas cercas que sincopavam setores dos rios sem água. Ao interrogar um ribeirinho astuto sobre a razão de ser das cercas transversais, obteve resposta imediata: ‘somos nós que pressionamos os fazendeiros pecuaristas para construir tais cercas no momento em que as águas perdem correnteza, a fim de que o gado não venha a comer as plantações que fazemos todo ano, na vazante do leito do rio. Um político que reforçou nossas pretensões foi eleito prefeito de Russas’. E assim ficou esclarecido, para sempre, a razão de ser das cercas transversais aos rios secos dos sertões. E o pesquisador, encantado com a beleza exemplar das culturas de vazante no leito do rio, perguntou ao ribeirinho que parecia o dono das plantações: ‘são seus esses lindos leirões produtivos, aí no leito do rio?’ A resposta veio direta e longa: ‘sim, são meus. Mas não sei por quanto tempo continuarei produzindo assim. Porque, se soltarem muita água do açude para beneficiar os fazendeiros da beira alta, eu vou perder todo o trabalho. A única terra que pobre tem para cultivar é o leito do rio que secou. Mas, nós, não temos força para garantir a produção de alimentos no único espaço que restou para o povo: o leito seco dos rios, onde existe muita água entranhada embaixo das areias’. Frente àquele magnífico exemplo de verdadeira horticultura do vale do Jaguaribe, o pesquisador entendeu logo que a idéia de progresso estava sempre voltada para poucos. Não para o povo. Atenção tecnocratas inconseqüentes! (…) O pesquisador perguntou à senhora envelhecida, rodeada de filhos emudecidos: ‘como é a vida da gente aqui no vilarejo?’ E a resposta veio rápida, com simplicidade: ‘a situação não pode ser boa. Sou viúva. Os filhos mais homens já se foram em busca de trabalho. Fiquei só com os cinco menores’. E, olhando para as estreitas cercas e cercados, de taquaras fincadas, completou: ‘nossa salvação são as cabras do quintal, que dão leite para as crianças. Quando se mata um bode, guardamos a carne no varal de cima do fogão, para que ela dure muito tempo. Por tudo isso não me acanho de pedir um ajutório a vocês!”

[Transcrição do organizador]

“Um dia, alguns pesquisadores em plena atividade de campo pediram pouso em uma fazenda comunitária, perdida em um remoto sertão do interior baiano. E a resposta veio rápida e sincera, por parte da dona da casa: ‘eu vou lhes dar abrigo, porque também tenho filho no mundo’.”

[A.N.Ab’Sáber]

“No final do século passado e início deste, os nossos antepassados viram na açudagem a única salvação possível e muito fizeram nesse sentido. O açude público Epitácio Pessoa, ex-Boqueirão, é exemplo desse fato. (…) Na década de 50 lutávamos pelo desenvolvimento do Nordeste pedindo estradas, o que conseguimos com o Plano Rodoviário Nacional. Não faltam estradas no Cariri paraibano, bem como em todo o Nordeste. (…) Na década de 60 dissemos que só conseguiríamos nos desenvolver se tivéssemos energia elétrica. Vieram as hidrelétricas e com elas as torres metálicas, os linhões e os cabos conduzindo a energia elétrica que hoje atinge todos os recantos do Nordeste e, naturalmente, o Cariri paraibano. (…) A prioridade dos anos 90 tem sido a água doce. Só conseguiremos o desenvolvimento sustentado se resolvermos o problema de suprimento de água doce da região. (…) Não podemos perder mais essa corrida, a da água doce, pois produzir, importar e reutilizar a água doce que necessitamos é mais do que uma questão de sobrevivência, é mesmo existencial.”

[Escritos de João Ferreira Filho
João Pessoa, PB, 12 de setembro de 1996]

“O sertão de Canudos é um índice sumariando a fisiografia dos sertões do Norte. Resume-os, enfeixa os seus aspectos predominantes numa escala reduzida. É-lhes de algum modo uma zona central comum. (…) As secas de 1710-1711, 1723-1727, 1736-1737, 1744-1745, 1777-1778, do século XVIII, se justapõem às de 1808-1809, 1824-1825, 1835-1837, 1844-1845, 1870, do atual. (…) Observa-se, então, uma cadência raro perturbada na marcha do flagelo, intercortada de intervalos pouco díspares entre 9 e 12 anos, e sucedendo-se de maneira a permitir previsões seguras sobre sua erupção.”

[Euclydes da Cunha: Os sertões, 1902]

“Descansamos uma tarde em casa do poeta popular Cordeiro Manso. Pernoitamos depois junto a um açude lamacento, onde patos nadavam. (…) Outras estações fugiram da memória. José Leonardo e Antônio Vale despediram-se – e com eles o sertão desapareceu. Xiquexiques e mandacarus foram substituídos por uma vegetação densa e muito verde; nos caminhos escuros os chocalhos calaram-se; surgiram regatos, cresceram, transformando-se em rios e atrasaram a marcha. (…) Tinham-se sumido os grandes espaços alvacentos, de areia e cascalho, despovoados, o mato franzino, bancos de macambira, cercas de pedra, chiqueiros e currais, dias luminosos riscados pelo vôo das arribações. Veredas subiam, desciam, torciam-se, e à beira delas arrumavam-se casas, jardins, hortas. Os transeuntes não se vestiam de couro. Em qualquer ponto, achava-me em um buraco entre morros. Água abundante e ruidosa, capinzais imensos, manhãs nevoentas. (…) Constrangi-me no ambiente novo, perdi hábitos e ganhei hábitos.”

[Graciliano Ramos: Infância]

“Consideramos a caatinga como denominação geral da vegetação das áreas semi-áridas do Nordeste, com exclusão das poucas intromissões do cerrado. Segundo este conceito, a caatinga subdivide-se em agreste e sertão e este em carrasco, carimataú, cariri, seridó, e outros tipos vegetacionais ainda menos precisos e incertos. (…) No estudo de uma área a percepção inicial é a de uniformidade generalizada, mas à medida em que o estudioso se aprofunda em suas observações, vai percebendo diferenciações sempre muito precisas em áreas sempre mais reduzidas.”

[Vasconcelos Sobrinho:
As regiões naturais do Nordeste, o meio e a civilização. Recife, Condepe, 1970]

“Uma seca pode-se fazer calamitosa no Ceará, no oeste do Rio Grande do Norte e nos sertões ocidentais da Paraíba sem que nas demais áreas do Nordeste ocidental seus efeitos alcancem o mesmo grau. (…) Os relatos acerca da famosa estiagem de 1877 que passou à crônica histórica como ‘seca do Ceará’ documentam claramente esse processo de crescente angústia que começa, num ano, com a escassez das precipitações no tempo próprio e se resolve em calamidade declarada quando, no verão-outono imediato, perdem-se de todas as esperanças; porque, nesse caso, só em dezembro do terceiro ano haverá outras possibilidades de ‘inverno’.”

[Gilberto Ozório de Andrade e Rachel Caldas Lins:
Os climas do Nordeste, 1971]

“As primeiras chuvas, chamadas do caju, são esperadas em dezembro. Elas transformam o sertão; se faltam, ainda há esperanças de chuva em fevereiro ou março; são as chuvas de Santa Luzia, do equinócio. Se faltam estas, não há mais esperanças e, pouco a pouco, esgotam-se os recursos; o gado ainda devora as últimas ‘ramas’, mas secos os rios e as cacimbas, é forçoso emigrar. Os retirantes se aglomeram nas cidades do litoral. As perdas de vida são, às vezes, avultadas; as perdas de gado são sempre consideráveis.”

[C. M. Delgado de Carvalho]

“Lançada sobre o quadro geográfico dos campos pobres e das caatingas do São Francisco, a expansão da gadaria só poderia se fazer na escala de imensas distâncias. (…) Se é verdade que o São Francisco no fundo de sua calha hidrográfica iria se tornar um ‘condensador de gentes’, numa avenida interior de povoamento, é nítido que esse adensamento longitudinal de população seria devido à atração que a água exerce sobre o homem e sobre o gado no tablado geográfico dos campos gerais e das caatingas secas.”

[Lucas Lopes: O vale do São Francisco.
Ministério da Viação de Obras Públicas, Serviço de Documentação]

“Na estação seca, isto é, de maio a janeiro, os ventos regulares se elevam e em sua marcha, de 100 a 120 km por hora, encadeiam e arrastam todos os vapores aquosos e deixam o Ceará na mais límpida e serena calmaria.”

[M.A. de Macedo: Observações sobre as secas no Ceará.
Rio de Janeiro, Typ. Nacional, 1878]

“Esta lida salutar da natureza principia, no Ceará, com as chuvas de outubro, chamadas ‘chuvas do caju’, as quais os aborígenes designam pelo nome de pyraoba; isto é, chuvas brandas, precursora da abundância pelo enverdecimento, vestidura, florescência e frutificação dos vegetais. (…) A estação das chuvas, anunciadas pelas ‘chuvas do caju’, principia em janeiro e termina em maio. Nesse tempo os ventos regulares, que giram constantemente d’este a oeste paralelos ao Equador e em suas vizinhanças, parecem abaixar-se e diminuir a rapidez de sua marcha ordinária. Então aparecem os ventos irregulares e variáveis, que importam vapores aquosos do oceano e os incorporam aos que se desprendem dos ventos constantes ou ‘geraes’, como vulgarmente os chamam. (…) A ‘indústria da seca’ existe e continua sendo um formidável fomento dos crescentes interesses conservadores da região: sua condição básica de existência é dada pela criação de mecanismos que asseguram a destinação de um fluxo contínuo de capital, sob a forma dinheiro, para alimentar a execução de programas dados como capazes de solucionarem os problemas da seca, mas que se sabe de antemão não serem eficientes. (…) Os flagelados entram nos esquemas estratégicos das políticas anti-seca, mais como elementos que legitimam a assistência de um estado de calamidade pública, do que como beneficiários efetivos das medidas concebidas e postas em prática em seu nome.”

[Otamar de Carvalho: A economia política do Nordeste:
secas, irrigação e desenvolvimento. Brasília, Campus, 1988]

“Existe uma estreita relação entre a limitação de águas e o baixo desempenho da produção agrícola. Atualmente a irrigação constitui a grande expectativa de desenvolvimento regional, não só pelo aumento da produção e produtividade agrícola, mas, sobretudo, pela garantia de emprego estável para a mão-de-obra rural. Apesar de a irrigação ser necessária e urgente, não se deve esquecer que, fora das margens dos dois rios perenes (São Francisco e Parnaíba) só se pode irrigar menos de 1% dos 118 milhões de hectares do Polígono das Secas. É preciso, portanto, ao lado da irrigação, desenvolver uma tecnologia apropriada ao aproveitamento das áreas secas marginais. A utilização de plantas e animais resistentes à seca, nas terras não irrigadas, é uma exigência para o desenvolvimento harmônico da região.”

[Benedito Vasconcelos Mendes: Plantas e animais para o Nordeste.
Rio de Janeiro, Globo Rural, 1987]

“Na década de 70, no século passado, as oito províncias nordestinas – ocupando 1.221.572 km2 apenas cerca de 14,5% dos 8.455.777 km2 do território brasileiro – abrigavam 4.638.500 habitantes, dos 9.930.478 que constituíam a população do país, ou seja, 46,7%. Em 1980, porém, após a grande expansão demográfica do Brasil, que contava com 121.150.549 habitantes, aquelas províncias, já agora estados federados, estavam povoadas por 35.419.156 pessoas, representando 29,23% do total.”

[Pinto de Aguiar: Nordeste: o drama das secas]

13.199 – Geografia do Brasil – Arroio Chuí


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É um pequeno curso de água localizado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, sendo conhecido por ser o ponto extremo sul do Brasil.
O arroio nasce num pequeno pântano no município de Santa Vitória do Palmar e, inicialmente, corre de norte para sul. Atravessando o município do Chuí, o arroio muda sua direção para leste, passando a marcar, então, a fronteira do Brasil com o Uruguai até desaguar no oceano Atlântico junto à Praia da Barra do Chuí, balneário de Santa Vitória do Palmar, tendo na margem uruguaia a povoação de Barra del Chuy.
O arroio Chuí é, frequentemente, citado como o ponto mais meridional do Brasil, entretanto, a afirmação não está totalmente certa. Geograficamente, o verdadeiro extremo sul do país é apenas um ponto em seu trajeto. A localização exata desse ponto sem nome é uma pequena curva do arroio, aproximadamente 2,7 quilômetros antes de sua foz, a 33° 45′ 03″ de latitude sul e 53° 23′ 48″ de longitude oeste. Por sua vez, a foz do arroio é, ao mesmo tempo, os extremos sul e oeste do litoral brasileiro (não do território nacional) e também os extremos norte e leste do litoral uruguaio.
Até 1978, as cheias e a ação das marés frequentemente alteravam o curso final do arroio, causando problemas diplomáticos entre o Brasil e o Uruguai – pois se tornava difícil delimitar exatamente a fronteira. Naquele ano, de comum acordo entre os dois países, foram feitas obras de dragagem e canalização que tiveram sucesso em estabilizar o curso inferior do arroio.

13.144 – Geografia – Qual a maior avenida do Brasil?


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A avenida Sapopemba.

uma avenida da Zona Leste da cidade de São Paulo, Brasil.Inicia no acesso à avenida Salim Farah Maluf, no distrito da Água Rasa e termina no Largo de Santa Luzia, próximo ao centro do município de Ribeirão Pires, à leste da Grande São Paulo. A partir da limítrofe entre Mauá e o município de São Paulo, esta via passa ser denominada como “Ramal Sapopemba”, trecho sob jurisdição do DER (Departamento de Estradas de Rodagem); Com 45 quilômetros de extensão é considerada a maior avenida do Brasil e a terceira maior do mundo. Possui 1.786 postes e nela operam quarenta linhas de ônibus diferentes. Numeração: Lado par até o número 75.008 Lado ímpar até o número 75.007.
Sua origem remonta ao início do século XIX, quando era chamada de Estrada de Sapopemba, e ligava a zona rural ao centro da cidade de São Paulo. Em 3 de junho de 1954 o prefeito Jânio Quadros sancionou a Lei 4.484 que alterava o nome de “estrada” para “Avenida Sapopemba”, após algumas tentativas fracassadas de alterar o nome anos antes.
Já a menor, criada em 1.911 é a Avenida Luiz Xavier localizada em Curitiba-PR é a menor avenida do Brasil, pois só tem uma quadra. A partir da década de 70 virou calçadão de pedestres.
Muita gente considera que a Avenida Brasil no Rio de Janeiro seja a maior, por ter 58 km de extensão, mas uma parte dela é uma alça de acesso da BR-101, não sendo considerada uma parte do trecho urbano do Rio. Ela corta 27 bairros da cidade (São Cristóvão, Caju, Benfica, Manguinhos, Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Cordovil, Vigário Geral, Parada de Lucas, Jardim América, Irajá, Acari, Coelho Neto, Barros Filho, Guadalupe, Deodoro, Ricardo de Albuquerque, Realengo, Padre Miguel, Bangu, Vila Kennedy, Santíssimo, Campo Grande, Paciência e Santa Cruz) e pode ser considerada a mais importante via expressa do município.

13.090 – Mega Sampa Ecologia – A Serra do Mar


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Velha estrada de Santos abandonada

É um maciço rochoso que percorre quase toda a extensão do litoral sul e sudeste brasileiro. Segundo a geologia, a origem da Serra do Mar está relacionada ao evento geológico ocorrido a cerca de 130 milhões de anos atrás e que foi o responsável por separar o super continente da Gondwana formando a América do Sul e a África, e dando origem ao Oceano Atlântico.
Ao se separar do continente africano a placa tectônica sul-americana se chocou com a placa de nazca (do Oceano Pacífico) dando origem a cadeia andina e soerguendo a placa sul-americana na parte oriental, a costa brasileira. Esse soerguimento, ocorrido a cerca de 80 milhões de anos, foi o responsável por expor rochas muito antigas (cerca de 600 milhões de anos) dando início à formação do sistema Serra do Mar – Mantiqueira.
Os intemperismos físicos, químicos e biológicos e a continuação dos eventos geológicos (como o soerguimento do litoral brasileiro que ocorre até hoje) se encarregariam de continuar esculpindo a Serra do Mar.
Com uma extensão de cerca de 1.000 km, a Serra do Mar passa pelo litoral de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e rio de Janeiro recebendo um nome variado em cada local: Serra do Mar, Juréia – Itatins ou Serra da Paranapiacaba em São Paulo, Serra do Itajaí ou Serra do Tabuleiro em Santa Catarina, Serra da Prata, Marumbi, Graciosa ou Ibitiraquire no Paraná e Serra da Bocaina ou dos Órgãos no Rio de Janeiro.
Devido à sua grande extensão e variação de altitudes (de 1200 a 2200 m acima do nível do mar), a Serra do Mar apresenta uma grande variedade de vegetações que vão desde a Floresta Ombrófila Densa até aos Manguezais. Infelizmente, a rápida ocupação do litoral brasileiro e o desenvolvimento das regiões sul e sudeste quase acabaram com essa riqueza de biodiversidade: só no Estado de São Paulo cerca de 90% da vegetação que cobria a Serra do Mar foi devastada.
Uma curiosidade sobre a Serra do Mar: ela continua crescendo. Estudos apontam que o movimento de soerguimento da costa brasileira atingiu uma elevação de 25 metros durante os últimos 300 mil anos.

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9718 – Geografia do Brasil – Fernando de Noronha


Baía dos Porcos
Baía dos Porcos

É um arquipélago pertencente ao estado brasileiro de Pernambuco, formado por 21 ilhas, ocupando uma área de 26 km², situado no Oceano Atlântico, a nordeste da capital pernambucana, Recife. Constitui um Distrito estadual de Pernambuco desde 1988, quando deixou de ser um território federal, cuja sigla era FN, e a capital era Vila dos Remédios. É gerida por um administrador-geral designado pelo governo do estado. A ilha principal tem 17,017 km² e fica a 543 km da capital pernambucana.

Após uma campanha liderada pelo ambientalista gaúcho José Truda Palazzo Jr., em 14 de outubro de 1988 a maior parte do arquipélago foi declarada Parque Nacional, com cerca de 11,270 ha,6 para a proteção das espécies endêmicas lá existentes e da área de concentração dos golfinhos rotadores (Stenella longirostris), que se reúnem diariamente na Baía dos Golfinhos – o lugar de observação mais regular da espécie em todo o planeta. O centro comercial em Noronha é Vila dos Remédios, mas não é considerada capital por ser a ilha um distrito estadual. A administração do parque nacional está atualmente a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O arquipélago foi invadido algumas vezes, nomeadamente em 1534 por ingleses, de 1556 até 1612 por franceses, em 1628 e 1635 pelos holandeses, voltando ao controle português em 1700, para ser novamente conquistada pelos franceses em 1736 e definitivamente ocupada pelos portugueses em 1737.
Nas divisões territoriais do Brasil datadas de 31 de dezembro de 1926 e 21 de dezembro de 1937, Fernando de Noronha aparece como distrito de Recife.
O Território Federal de Fernando de Noronha foi criado em 9 de fevereiro de 1942, pelo decreto-lei federal, de nº 4102, desmembrado do estado de Pernambuco. A entidade administrativa durou 46 anos, sendo extinta em 5 de outubro de 1988 e reincorporada ao seu estado de origem. A capital do território era Vila dos Remédios.

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Do Inferno ao Paraíso
Antes de se tornar o paraíso turístico e ecológico dos dias atuais, o arquipélago foi local de detenção de condenados enviados a cumprir pena no presídio ali existente, que funcionou de 1737 a 1942, sendo que de 1938 em diante apenas para presos políticos do Estado Novo.
Reportagem da revista O Cruzeiro, de 2 de agosto de 1930, descreve o presídio como fantasma infernal para esses proscritos da sociedade, que viviam completamente alheios ao que se passava no resto mundo, apesar de o Governo proporcionar aos presos uma vida saudável de trabalho e de conforto.
O clima da ilha é o Tropical, do tipo As’, quente o ano todo, com chuvas concentradas entre fevereiro e julho. O clima da ilha possui uma amplitude térmica muito pequena, característica da região da linha do Equador. Nela foi registrada a menor amplitude térmica do mundo entre os anos 1912 – 1966, com mínima absoluta de 18.6°C e máxima de 30.2°C.

O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha é uma unidade de conservação de proteção integral administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Criado em 1988, ocupa a maior parte do arquipélago e possui uma variedade de fauna e flora únicas. Ótimo local para turismo, porém, devido à fiscalização do ICMBio, algumas das ilhas têm a visitação controlada.
O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha é uma unidade de conservação de proteção integral administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Criado em 1988, ocupa a maior parte do arquipélago e possui uma variedade de fauna e flora únicas. Ótimo local para turismo, porém, devido à fiscalização do ICMBio, algumas das ilhas têm a visitação controlada.
Outra espécie invasiva é o lagarto localmente conhecido como teiú, originalmente introduzido para tentar controlar uma infestação de ratos. A ideia não funcionou, uma vez que os ratos são noturnos e o teju diurno. Atualmente o lagarto passou a ser considerado praga em vez dos ratos.

No arquipélago existe apenas uma única agência bancária do Banco Santander e um Banco Postal (BB) na agência dos Correios na Vila dos Remédios.
Fernando de Noronha é um local de mergulho recreativo de nível internacional. Com águas quentes ao seu redor, mergulhos a profundidade de 30 a 40 metros podem ser feitos agradavelmente sem necessidade de usar roupa de neoprene.
Próximo à ilha existe a possibilidade de se fazer um mergulho avançado e visitar a Corveta Ipiranga, que repousa a 62 metros de profundidade, depois de ser afundada naquele ponto intencionalmente, após um acidente de navegação.
A ilha conta com três operadoras de mergulho, oferecendo diferentes níveis de qualidade de serviço.
Além disso, o arquipélago conta com interessantes pontos de mergulho livre, como a piscina natural do Atalaia, o naufrágio do Porto de Santo Antônio, a laje do Boldró, dentre outros.
O arquipélago possui diversificada vida marinha, sendo comum observar diversas espécies de peixes recifais, tartarugas e eventualmente tubarões e golfinhos.

9053 – Geografia do Brasil – Por que Teresina é a única capital sem praia no Nordeste?


Só pra reforçar o tema que vimos há alguns capítulos atrás;

A explicação remonta à economia do Brasil Colônia. Enquanto os outros estados nordestinos foram ocupados ao longo do litoral para produzir e exportar açúcar, o Piauí surgiu da expansão da fronteira do gado, encabeçada pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, em 1662. A importância do gado é tamanha que o bumba meu boi nasceu no estado, embora a fama tenha ficado com o vizinho Maranhão.

Essa atividade era voltada não para a exportação, mas para o suprimento de carne-seca, couro e tração animal para o litoral açucareiro. Por isso, o estado cresceu de dentro para fora, ao contrário dos outros da região. Para piorar, a Coroa portuguesa proibiu em 1701 a criação de gado a menos de 10 léguas (60 quilômetros) da costa para não invadir as plantações de cana. Só em 1880 o Piauí ganharia praia, depois de trocar com o Ceará dois municípios por uma faixa de 66 quilômetros de litoral (o Ceará, por sua vez, tem 573 quilômetros).
Teresina a essa altura já era capital do estado havia 28 anos, substituindo a cidade de Oeiras. A localização entre os rios Poti e Parnaíba foi escolhida para escoar a produção do estado, por isso a cidade é conhecida na região como “Mesopotâmia do Nordeste”.

9051 – Geografia do Brasil – O Rio Parnaíba


Delta

Conhecido como “Velho Monge”, é um rio brasileiro que banha os estados do Maranhão e do Piauí. O seu nome é oriundo da língua tupi e significa “mar ruim”, através da junção dos termos paranã (“mar”) e aíb (“ruim”).
Nicolau Resende descobriu o Rio Parnaíba por volta de 1640, quando sofreu um naufrágio nas proximidades de sua foz. Antes do seu nome atual, possuiu vários outros :Fam Quel Coous (Miler , 1519); Rio Grande (Luis Teixeira, 1574); Rio Grande dos Tapuios (Gabriel Soares Moreno, 1587); Paravaçu (Padre Antônio Vieira, 1650); Paraguas (Guillaume de L’isie, 1700); Param-Iba, (Dauville). O nome Parnaíba se deve ao bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, nome dado em recordação da terra onde nasceu, a vila de Santana de Parnaíba, nas margens do Rio Tietê em São Paulo.
Com a formação do território da província do Piauí, em 1718, o Rio Parnaíba serviu como uma divisão geográfica com o vizinho estado do Maranhão.
Toda a economia, toda a história deste estado de alguma maneira se liga ao Parnaíba tem um importante papel sócio-econômico. Isto se verifica, principalmente, pela potencialidade de seus recursos naturais que propiciam aptidão para o desenvolvimento de inúmeras atividades: pesqueiras e agropastoris, de navegabilidade, de energia elétrica, de abastecimento urbano, de lazer, dentre outras.
A possibilidade de navegação deste rio facilitou o povoamento e as comunicações até pouco tempo atrás. Hoje, a navegação é feita, principalmente na época de cheias, por pequenas embarcações.
O Rio Parnaíba foi o berço da capital do estado do Piauí, a cidade de Teresina. Esta foi projetada e construída em suas margens em função da importância estratégica de sua navegabilidade, visando a alavancar o crescimento do estado e deter a influência que o Maranhão começava a exercer sobre o interior piauiense. Embora seja a divisa natural dos dois estados, é um fato reconhecido que sua relevância histórica, econômica e cultural é bem maior para o Piauí que para o Maranhão, a ponto de ser exaltado no próprio Hino do estado do Piauí.

No Baixo Parnaíba, é onde se observa maior desmatamento de suas margens e maior assoreamento. É, também, a região onde encontra-se maior número de fábricas, como fábricas de celulose, açúcar e álcool. É onde se encontram os maiores núcleos urbanos, que lançam grande quantidade de esgotos sem tratamento no rio. A ocupação de suas margens, a derrubada da mata ciliar e a construção de Usina Hidrelétrica de Boa Esperança levaram a seu assoreamento – e consequente perda de sua navegabilidade –, à redução de seu volume de água e ao desaparecimento de espécies animais antes comuns na região.

Usina
Na altura do município piauiense de Guadalupe, no Médio Parnaíba, existe a Barragem de Boa Esperança, que faz parte da Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, construída pelo presidente Castelo Branco. A usina é parte integrante do sistema Companhia Hidrelétrica do São Francisco. É a mais importante do Nordeste Ocidental brasileiro e represa cinco bilhões de metros cúbicos de água do Rio Parnaíba. O açude vem prestando alguns benefícios à população, permitindo a criação de peixes e regulando o regime de cheias do rio (evitando as grandes enchentes que deixam desabrigados, em sua maioria, a população ribeirinha residentes nas margens mais baixas da capital Teresina), apesar de contribuir para o assoreamento que prejudica principalmente a região do Baixo Parnaíba.
A usina forma um grande lago artificial,na altura de Nova Iorque. Na cidade de Guadalupe, às margens do lago, há hotéis e balneários.

Dunas do Parnaíba

O rio nasce nos contrafortes da Chapada das Mangabeiras, sul do Maranhão, que, atualmente, é preservada pelo Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. O rio nasce numa altitude da ordem de setecentos metros, da confluência principalmente de três cursos d’água: o Água Quente, na divisa do Piauí com o Maranhão, o Curriola e o Lontra, no Piauí. Percorre cerca de 1 450 km até sua desembocadura no Oceano Atlântico. Compreende três cursos:
Alto Parnaíba – das nascentes até a Barragem de Boa Esperança;
Médio Parnaíba – da barragem até a foz do Rio Poti em Teresina;
Baixo Parnaíba – desta foz até o Oceano Atlântico.
O Rio Parnaíba situa-se em uma área de transição entre o Nordeste árido, com vegetação pobre e a Amazônia, coberta de florestas, denominada Meio Norte do Brasil. O Rio Parnaíba banha vinte municípios do Piauí e 22 do Maranhão. O regime do Parnaíba é pluvial, como quase todos os rios e bacias brasileiras.
Tem declividade acentuada, de suas nascente até o município de Santa Filomena, sofrendo a partir daí uma redução gradativa, chegando, nos últimos quilômetros do seu percurso, a uma declividade de menos de 25 cm/km. No leito do Parnaíba corre, a cada ano, 20 bilhões de metros cúbicos de água, enquanto a precipitação pluviométrica média, ao longo das regiões que o rio percorre, está em torno de 1.500 mm/ano.
O Vale do Parnaíba possui mais de três mil quilômetros de rios perenes, centenas de lagoas, e ainda, a metade da água de subsolo do Nordeste,o avaliadas em dez bilhões de metros cúbicos ao ano. No Maranhão, os afluentes mais importante são o Rio Parnaíbinha, que apesar do nome tem maior volume de água e que o proprio Rio Parnaíba, o Rio Medonho e Rio Balsas.Os afluentes no estado do Piauí são Gurgueia, Uruçuí-Preto, Canindé, Poti e Longá.
Antes de penetrar no Oceano Atlântico, o Parnaíba forma um amplo e recortado delta – o único delta em mar aberto das Américas e um dos três maiores do mundo em extensão e beleza natural (os outros são o do rio Nilo, no Egito, e o do rio Mekong, no Sudeste asiático). O Delta do Parnaíba é um importante ponto turístico, atraindo gente de todo o mundo interessado no turismo ecológico. A capital do delta é a cidade que leva o nome do rio Parnaíba.
O Rio Parnaíba, desemboca em forma de delta de cinco bocas: Tutória, Caju, Carrapato, Canários, Igaraçu. Ele é navegável em quase todo o percurso de 1 485 km.
O Delta do Rio Parnaíba começa onde o rio se divide e onde se situa o ponto mais alto, que fica na ponta noroeste da Ilha Tucuns da Mariquita, onde a corrente do rio se bifurca para formar os dois braços do Igaraçu e do Santa Rosa. Desta bifurcação, que se subdivide em inúmeros braços e igarapés, saem os principais canais do rio, que vão, entremeados a inúmeras ilhas, terminar no oceano por meio de cinco grandes bocas, que são, de oeste para leste: Tutoia, Melanciera (também chamada de Carrapato), Ilha do Caju, Ilha das Canárias e Igaraçu. A extensão do Santa Rosa é de noventa quilômetros, a do Canárias é de 28 quilômetros e a do Igaraçu, de 32 quilômetros. O Santa Rosa fica no Maranhão; o Canárias separa os dois estados (Piauí e Maranhão) e o Igaraçu situa-se no Piauí, separando a Ilha Grande de Santa Isabel do continente.

Rio a tarde

9014 – Região Nordeste – Fortaleza, a capital do Ceará


Panoramica_Fortaleza

Com insignificante porcentagem de estrangeiros, a população nordestina assim se reparte quanto a cor: brancos 50%, mestiços ou pardos 40% e negros 9%.

A cidade de Fortaleza localiza-se na planície costeira em fácil contato com o porto de águas do Atlântico, entre aponta do Mucuripe e a Foz do Rio Ceará. Nasceu em 1611, à sombra do forte de Nossa Senhora do Amparo, que Martim Soares Moreno e seus homens ali ergueram, vindos do Rio Grande do Norte. Somente se tornou vila em 1726, sob o nome de Fortaleza de Nossa SRA da Assunção do Ceará Grande. Passou a categoria de cidade em 1823. SEu rápido crescimento data das últimas décadas.

A cidade desenvolveu-se às margens do riacho Pajeú, no nordeste do país, a 2 285 quilômetros de Brasília. Sua toponímia é uma alusão ao Forte Schoonenborch, construído pelos holandeses durante sua segunda permanência no local entre 1649 e 1654. O lema da cidade (presente em seu brasão) é a palavra em latim “Fortitudine”, que em português significa: “força, valor, coragem”.
Está localizada no litoral Atlântico, com 34 km de praias, a uma altitude média de 21 metros e é centro de um município de 313,8 km² de área e 2 500 194 habitantes, sendo a capital de maior densidade demográfica do país, com 7 815,7 hab/km². É a cidade mais populosa do Ceará, a quinta do Brasil.
É a cidade nordestina com a maior área de influência regional e possui a terceira maior rede urbana do Brasil em população, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Seu aeroporto é o Aeroporto Internacional Pinto Martins. A BR-116, a mais importante do país, começa em Fortaleza. Batizada de Loira desposada do Sol, pelos versos do poeta Paula Ney, a cidade é a terra natal dos escritores José de Alencar e Rachel de Queiroz, do humorista Chico Anysio e do ex-presidente Castello Branco. O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) é atualmente o principal espaço cultural de Fortaleza, com museus, teatros, cinemas, bibliotecas e planetário.
É a capital brasileira mais próxima da Europa, estando a 5 608 km de Lisboa, em Portugal. É também uma das 12 sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014.

Fortaleza na Pré-História
Antes da deriva continental, a área onde Fortaleza surgiu era contígua à da cidade de Lagos, na Nigéria. O atual litoral das duas cidades surgiu há 150 000 000 de anos, no Jurássico Superior. A evolução geológica provocou o surgimento de grandes dunas no litoral do Brasil. Estudos indicam que os primeiros seres humanos a habitarem esse território podem ter chegado por lá há cerca de 2 000 anos atrás. Até o ano 1000, aproximadamente, a região era habitada pelos índios tapuias. Nessa época, os mesmos foram expulsos para o interior do continente pelos índios tupis procedentes da Amazônia.
Antes da colonização portuguesa do Ceará, houve duas passagens de europeus pelo atual litoral de Fortaleza: os navegadores espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe desembarcaram nas costas cearenses antes da viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500. Pinzón chegou a um cabo que se acredita ser o Mucuripe e Lepe desembarcou na barra do Rio Ceará, em Fortaleza. Tais descobertas não puderam ser oficializadas devido ao Tratado de Tordesilhas.
O meio ambiente de Fortaleza tem características semelhantes às que ocorrem em todo o litoral do Brasil. O clima é quente, com temperatura anual média de 26,5 °C. A vegetação predominante é de mangue e restinga sendo o Parque Ecológico do Cocó a maior área verde da cidade. Seu relevo tem altitude média de 21 metros e o maior rio é o Cocó.
História e Demografia
Uma das principais causas do crescimento demográfico de Fortaleza ao longo de sua história foi o período de secas no interior e a consequente fuga para a cidade, o êxodo rural, assim como a busca por melhores condições de emprego e renda. A população de Fortaleza no ano de criação da vila em 1726 é estimada em 200 habitantes no núcleo urbano. O primeiro censo populacional realizado na cidade ocorreu em 1777 (ano de grande seca no Ceará), a mando do Capitão-General José César de Menezes, contabilizando 2.874 pessoas. Em 1808 a população foi estimada em 1.200 pessoas pelo viajantes inglês Henry Koster. Em 1813 o governador Manuel Inácio de Sampaio mandou realizar o primeiro censo em todo o Ceará, que contabilizou em Fortaleza população de 12.810 habitantes. A última contagem da população antes do censo nacional de 1872 foi realizada em 1865, durante a Guerra do Paraguai, que resultou em uma população de 19.264 pessoas. Neste ano embarcaram no porto da cidade para a guerra 1.236 pessoas entre soldados e oficiais.
O primeiro ponto discrepante do crescimento populacional de Fortaleza se deu entre 1865 e 1872, quando teve início a construção da Estrada de Ferro de Baturité. Por demandar uma grande quantidade de mão de obra, a população da cidade crescia com a economia. Em 1877 outra seca fez uma grande quantidade de flagelados migrarem para Fortaleza e entorno. Migrações repetiram-se ainda nas secas de 1888, 1900, 1915, 1932 e 1942. Nestas três últimas datas foram instalados campos de concentração no interior para evitar a chegada de retirantes à capital, contudo bairros de alta densidade demográfica, como o Pirambu e outras regiões da periferia, têm seus processos de formação diretamente ligados com as migrações de camponeses seduzidos pelas promessas da modernidade da maior urbe do Ceará.

O maior toboágua do mundo em Fortaleza
O maior toboágua do mundo em Fortaleza

De acordo com um estudo genético de 2011, pardos e brancos de Fortaleza, que constituem a maior parte da população, apresentaram ancestralidade predominante europeia (>70%), com importantes contribuições africana e indígena.
Atualmente, motivados pelo turismo de lazer, grupos de portugueses, italianos, espanhóis e de vários outros países da Europa têm escolhido Fortaleza para morar. No censo de 2000, no Ceará existiam 2.562.27 De acordo com a Polícia Federal existem 8.59128 estrangeiros morando em Fortaleza atualmente, ou seja, houve um crescimento considerável durante a década de 2000.
Fortaleza é um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil, tendo alcançado a marca de destino mais procurado do país pela ABAV nos anos de 2004/2005.
Na orla marítima de Fortaleza se localizam os principais meios de hospedagem da cidade e também muitos restaurantes e atrações turísticas, com destaque para as barracas de praia e parques aquáticos, clubes, boates e casas de shows. Segundo o IBGE, a cidade abrigava em 2005 4.367 unidades locais de empresas de alojamento e alimentação.
As belas praias são muito importantes para o turismo da cidade destacam-se as praias:Praia do Futuro,Praia de Iracema,Barra do Ceará,Praia do Naútico,Praia do Mucuripe,Praia do Meireles entre outras.Além das famosas barracas de praia que servem o melhor caranguejo e o melhor camarão do Brasil.
Ainda há diversos prédios históricos,praças,pontes e parques como:Farol Velho do Mucuripe,Jardim Japonês,Parque do Cocó,Palácio da Abolição,Praça Portugal,Praça do Ferreira,Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção,Passeio Público entre outros.

Muitos Shoppings:

Possui vários shoppings, dentre os quais os maiores são Iguatemi, North Shopping e Aldeota. Del Paseo, Benfica e Via Sul são importantes áreas de comércio e entretenimento.

Maraponga Mart Moda
North Shopping
North Shopping Montese
Reserva Open Mall
Salinas Casa Shopping
Shopping Aldeota
Shopping Avenida
Shopping Benfica
Shopping Center Um
Shopping Del Paseo
Shopping Fortaleza Sul
Shopping Iguatemi
Shopping Pátio Dom Luís
Via Sul Shopping
Shoppings em construção:
North Shopping Jóquei
Shopping Pagangaba
Shopping Rio Mar

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A primeira planta de Fortaleza, datada do ano de 1726, é atribuída ao capitão-mor Manuel Francês. No desenho é notável a forca, o pelourinho, o forte e a igreja. O português Antônio José da Silva Paulet fez o primeiro desenho do que seria a atual configuração das ruas do Centro em 1818. Foi ele também o arquiteto da reforma da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, iniciada em 1812 e concluída em 1821.
Em 1859 o arquiteto pernambucano Adolfo Herbster fez a primeira planta detalhada e precisa de Fortaleza. Na planta de 1875 ele esboça a continuação de ruas e avenidas para a expansão da cidade. Os bulevares que circundam o Centro formam a principal característica desta planta: atuais avenidas Duque de Caxias, Dom Manuel e Imperador. Herbster consolidou o plano de Paulet de organizar o traçado das ruas em xadrez, que continua sendo a principal característica das expansões que se seguiram.

Socio-Economia
Fortaleza alcançou uma virtual universalização do acesso à água encanada, energia elétrica e coleta de lixo. Em 2010, esses serviços estavam disponíveis, respectivamente, para 98,70%, 99,75% e 98,59% dos moradores, frente a 70,66%, 96,19% e 84,54% em 1991.
Embora tenha caído ao longo dos anos 2000, a desigualdade de renda continua marcante em Fortaleza, com um Índice de Gini de 0,61. Em 2010, os 20% mais pobres da cidade detinham apenas 2,83% da renda total. Ampliando-se o espectro para os 80% menos ricos, possuíam apenas 33,4% do total. Por sua vez, 3,36% dos habitantes permaneciam na pobreza extrema e 12,14% na pobreza, significativo progresso em relação a 1991, quando esses índices eram de 15,25% e 38,97%.
Fortaleza tradicionalmente não era uma das capitais mais violentas do país, mas a criminalidade, aferida através do número de homicídios, tem crescido vertiginosamente na cidade, conforme o Mapa da Violência 2013 realizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela). Em 2001, 609 pessoas haviam sido assassinadas em Fortaleza, com uma taxa por 100.000 habitantes de 27,9 homicídios. Em 2011, o número de assassinados subiu 119,5%, para 1.337, fazendo o índice de homicídios elevar-se para 54,0 por 100 mil habitantes, um acréscimo de 93,6% em uma década. Com a rápida expansão da violência na capital, muito superior à média das capitais nordestinas (+54,3%) e das brasileiras (-21,7%), Fortaleza saltou do 19º lugar no ranking das taxas de homicídios das capitais brasileiras, em 1999, para o 8º lugar em 2011.

Bairro Aldeota
Bairro Aldeota

Educação, Ciência e Tecnologia
Em 2010, os níveis de educação da população fortalezense ainda eram medianos, não obstante o grande avanço no seu IDH-Educação, que passou de 0,367 para 0,695 entre 1991 e 2010. Conforme os dados de desenvolvimento humano de 2010, os níveis de escolarização da população de Fortaleza se dividiam como segue: 16,5% tinham ensino fundamental completo; 32,2%, ensino médio completo; 13,7%, ensino superior completo; porém 8,6% permaneciam analfabetos e 29,0% em outras situações. O fortalezense médio tinha 10,04 de anos esperados de estudo, um pouco mais que a média cearense (9,82).
Em Fortaleza existem várias instituições de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, como a FUNCAP, FUNCEME, ROEN – o maior radiotelescópio do Brasil e a Embrapa – Agroindústria Tropical, dentre outras. O campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará, é um dos lugares que mais concentra instalações de pesquisa e desenvolvimento tecnológico em Fortaleza, incluindo a Embrapa, Nutec, Padetec, e vários laboratórios e cursos das áreas de tecnologia, como o Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho no Nordeste e a sede da rede GigaFOR. No bairro Cidade dos Funcionários também existe outro polo de desenvolvimento tecnológico voltado para a tecnologia da informação, abrigando o Insoft e o Instituto Atlântico e a sede da FUNCAP. A sede da divisão regional do Instituto Nacional da Propriedade Industrial para o Norte e o Nordeste fica na capital cearense. A formação de mestres e doutores conta com 95 cursos, sendo 23 de doutorado, todos aprovados pela CAPES.
Fortaleza é um importante centro educacional tanto no ensino médio como no superior, não só do estado do Ceará, mas também da porção Norte e Nordeste do País. A cidade é sede ainda de duas importantes escolas de ensino médio federais: IFCE (Antigo CEFET-CE), Colégio Militar de Fortaleza, instituições bem avaliadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio. Outra importante instituição de ensino público é o Liceu do Ceará, colégio mais antigo do estado, que é uma das bases para o ensino médio profissionalizante do Governo do Estado. O número de matriculados no ensino fundamental em 2006 foi 419.493 e no ensino médio foi 143.743.52 Outras escolas também se destacam no cenário nacional como grandes “doadoras” de alunos para as mais difíceis universidades do país, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica e o Instituto Militar de Engenharia. São elas: Colégio Batista Santos Dumont, Farias Brito, 7 de setembro, Ari de Sá Cavalcante, Colégio Christus, Colégio Santa Cecilia, dentre outros.

8914 – Geografia – Recife, a capital de Pernambuco


Praia da Boa Viagem
Praia da Boa Viagem

Situa-se na confluência dos rios Capibaribe e Beberibe, defendida do mar por uma linha de recifes que se alonga por 4 km. Acenta-se na planície costeira em parte, com os manguezais. Tendo surgido no século 16 como simples porto de pescadores, viveu modestamente por cerca de 1 século, ofuscada pelo brilho de Olinda durante a ocupação dos holandeses, porém, se transformou na capital dos invasores (1630-54) e foi construída sob novas bases, recebendo o nome de Cidade Maurícia, passando a ocupar o 1° posto. Vila em 1709, cidade em 1823, acabou por impor-se como centro da verdadeira aristocracia rural, representada pelos senhores do engenho.
Com uma área de aproximadamente 217km2, está localizado às margens do oceano Atlântico, e possui uma população de 1 599 514 pessoas. É sede da Região Metropolitana do Recife, a maior aglomeração urbana do Norte-Nordeste e quinta maior do Brasil, com 3,7 milhões de habitantes, além de terceira metrópole mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, e quarta maior rede urbana do Brasil em população.
Metrópole mais rica do Norte-Nordeste em PIB PPC, o Recife desempenha um forte papel centralizador em seu estado e região, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e privadas, como o Comando Militar do Nordeste, a SUDENE, a Eletrobras Chesf, o TRF da 5ª Região, o Cindacta III, o II COMAR, a SRNE Infraero, a TV Globo Nordeste, a Queiroz Galvão, entre outras, além de possuir o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem consulado dos Estados Unidos. O Grande Recife é classificado pelo IBGE como uma metrópole nacional, e inclui, além da capital pernambucana, mais 13 cidades, concentrando 65 por cento do produto interno bruto estadual. Sua área de influência abrange outras capitais, como João Pessoa, Maceió, Natal e Aracaju.
A cidade do Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo. Apenas cinco cidades brasileiras entraram na lista, tendo o Recife recebido a quarta posição, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e à frente de Curitiba.
A cidade destaca-se por possuir o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital; o segundo maior polo médico do Brasil; o melhor aeroporto do Brasil, o Aeroporto Internacional do Recife; os dois maiores shopping centers do Brasil fora do estado de São Paulo, o RioMar Shopping e o Shopping Recife; a melhor universidade do Norte-Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco; o maior PIB per capita e o maior rendimento per capita entre as capitais da Região Nordeste; o nono maior número de arranha-céus das Américas, superada apenas por Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro, Toronto, Buenos Aires, Cidade do México, Chicago e Caracas; uma forte indústria de construção civil; e sua região metropolitana, o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que abriga o melhor porto do Brasil, o maior estaleiro do Hemisfério Sul, entre outros empreendimentos.
O nome “Recife” provém da palavra “arrecife”, grande barreira rochosa de arenito (recifes) que se estende por toda a sua costa, formando piscinas naturais. O termo “arrecife” vem de “al-raçif”, que em árabe significa “calçada”, ou seja, a calçada do mar.
Geralmente, o nome do município dentro de frases é antecedido de artigo masculino, como acontece com os municípios do Rio de Janeiro, do Crato, do Cabo de Santo Agostinho e outros. A esse respeito, muitos intelectuais recifenses e pernambucanos já se pronunciaram, entre eles Gilberto Freyre, em seu livro “O Recife, sim! Recife, não!”, em 1960.
O Recife possui algumas áreas de Mata Atlântica no seu território. Entre elas estão:
Parque Dois Irmãos: O maior parque do município.84 Além de parque, é horto, jardim botânico e zoológico e reserva ambiental. Como um parque, Dois Irmãos oferece uma variedade de diversões e lazer para adultos e crianças incentivando o interesse em conservação do ambiente. Um exemplo são desenhos de um elefante, um camelo, um hipopótamo, uma capivara e um macaco, para que as pessoas possam comparar sua altura com a de um desses animais. No fim do parque, entre o fim do zoológico e o começo da reserva ambiental, há um parque para crianças que recria o cenário de uma pequena vila. De seus 384,42 hectares, o Parque Dois Irmãos apresenta 350,10 hectares de reserva ambiental. O parque e a reserva são separados por arames, e os animais mantidos na reserva não podem ser mantidos em cativeiro pelo zoológico. De terça a sexta-feira, a partir das 5h30min da manhã, os guias do parque oferecem trilhas ambientais pela mata atlântica, abertas ao público.
Segundo dados do Censo Brasileiro de 2010 do IBGE, o Recife possui 1.537.704 habitantes em uma área de 217,494 km², o que resulta em uma densidade demográfica de 7.180,23 hab./km².
A Região Metropolitana do Recife foi criada no dia 8 de junho de 1973. Atualmente é constituída por 14 municípios: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Igarassu, Abreu e Lima, Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho, São Lourenço da Mata, Araçoiaba, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Moreno e Itapissuma.
A metrópole pernambucana apresenta-se como a mais populosa da Região Nordeste e a quinta maior do Brasil, além de ser a terceira mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro.

Recife porto digital

A cidade é considerada um dos mais importantes polos de tecnologias da informação do país. O Porto Digital, que abriga cerca de cem empresas, entre elas multinacionais como Accenture, Microsoft, Motorola, Borland, Informe Air, Oracle, Sun e Nokia, é reconhecido pela A. T. Kearny como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas, gerando três mil empregos e participando com 3,5% no PIB do Estado de Pernambuco.
O Recife conta com importantes universidades públicas e privadas, sendo a UFPE a única universidade do Norte-Nordeste entre as dez melhores do Brasil segundo o Ranking Universitário Folha, na 10º posição.
O Recife também conta com uma Universidade Católica, a Universidade Católica de Pernambuco, que é o maior complexo de Ensino Jesuíta do Brasil, sendo também a única universidade da Ordem dos Jesuítas no Norte-Nordeste do país. A UNICAP é reconhecida nacionalmente por seu pioneirismo no ensino do Jornalismo, da Fonoaudiologia e da Psicologia no Nordeste. O curso de Direito da UNICAP é o mais conceituado e reconhecido curso jurídico de uma instituição particular no Norte-Nordeste, atrás apenas do curso da também recifense Faculdade de Direito da UFPE. Tanto o curso de Direito da UFPE quanto o da UNICAP possuem o “Selo OAB Recomenda”, que certificou 89 cursos jurídicos no Brasil. A UNICAP também é responsável por diversas pesquisas em Ciências Ambientais e Arqueológicas no Estado de Pernambuco, possuindo em seu campus no bairro da Soledade um Museu dedicado à Arqueologia.

Bairro_do_Pina_-_Recife

Os maiores times do Recife possuem estádios próprios. O maior estádio construído é o Estádio do Arruda, pertencente ao Santa Cruz. Destaque ainda para a Ilha do Retiro, pertencente ao Sport, e para o Estádio dos Aflitos, que pertence ao Náutico. Um novo e moderno estádio está sendo construído em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, para a Copa do Mundo de 2014. A Arena Pernambuco terá em seu entorno a Cidade da Copa, primeira cidade inteligente da América Latina, e seu mandante será o Clube Náutico Capibaribe.

Ilha_do_Retiro_-_Parque_Aquático_Adolfo_Teixeira

8909 – De ☻lho no Mapa – Município de Quixeramobim


Por do Sol em Quixeramobim
Por do Sol em Quixeramobim

É um município brasileiro do estado do Ceará, localizado na Mesorregião dos Sertões Cearenses.
Segundo a tradição, os primitivos habitantes da região eram os índios quixarás. Os primeiros civilizados que penetraram às terras do atual Município vieram do Jaguaribe, seguindo o rio Banabuiú. Eram membros das famílias Correia Vieira e Rodrigues Machado, que ali se estabeleceram com fazendas de criar. A povoação parece ter nascido precisamente dessas fazendas. No ano de 1704, foram concedidas por Carta Régia muitas léguas de terras a vários portugueses e, entre eles, ao portuense Antônio Dias Ferreira. Além das que Ihe foram concedidas, adquiriu este boas terras às margens do rio que o gentio chamava de Ibu, fundando ali a Fazenda de Santo Antônio do Boqueirão. Tratou logo de erigir, nas proximidades da sua casa de morada, uma pequena capela, sob a invocação de Santo Antônio de Pádua, mais tarde Santo Antônio de Quixeramobim.
Com a construção da capela, Antônio Dias Ferreira muito concorreu para o desenvolvimento da região, “atraindo-lhe os moradores”. Vinte e cinco anos mais tarde, a capelinha arruinada era substituída pela Igreja, que seria a futura Matriz da cidade, edificada pelo portuense, “homem solteiro de avultada fortuna, que possuía 20 léguas de terras”. O volume 16º da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, edição de 1959, fundamenta que quixeramobim tinha a denominação de Nova Vila de Campo Maior.
O município é banhado pelo rio Quixeramobim (daí o nome), o maior afluente esquerdo do rio Banabuiú. Sua divisão política é distribuída por nove distritos, além de sua sede. Marco obelisco com cerca de 10 metros de altura, em granito e aço que foi anteriormente instalado pelo IBGE que referencia o presumido ponto de equidistância geodésica do Estado; fica na Praça Dias Ferreira. Quixeramobim portanto, é conhecida como a cidade “Coração do Ceará”.
Praticamente todo o território do município está na bacia hidrográfica do rio Banabuiú, que corta a parte sul do seu território. Contudo, o principal curso d’água é o rio Quixeramobim que é um afluente do Banabuiú. É no rio Quixeramobim que estão as principais barragens do município, o açude Quixeramobim e o açude Fogareiro.
A vegetação presente em praticamente todo município é a caatinga arbustiva densa ou aberta, caracterizada pela presença de cactos e vegetação rasteira com árvores baixas e cheias de espinho. Apenas em uma pequena área no extremo sudoeste, próximo à fronteira com Pedra Branca ocorre a floresta caducifólia espinhosa, ou caatiga arbórea.
O Município caracteriza-se por ter a maior produção leiteira do estado do Ceará. Nos últimos 10 anos, vem experimentando um grande progresso econômico com a chegada de indústrias que oferecem milhares de empregos. Isso transformou Quixeramobim no maior centro urbano do sertão central. Em 2007, a cidade ultrapassou a marca dos 68 mil habitantes e agora em 2010 já chega a mais de 73 mil habitantes.

8275 – Geografia do Brasil – O Vale do Jequitinhonha


Vale Mapa

casinhas do Sertão de Jequitinhonha

Está situado no norte do estado de Minas Gerais. É uma região amplamente conhecida devido aos seus baixos indicadores sociais e também ao norte é conhecida por ter características do sertão nordestino. Por outro lado, é detentora de exuberante beleza natural e de riqueza cultural, com traços sobreviventes da cultura indígena e da cultura negra.
A região, que inicialmente pertenceu à Bahia (até o final do século XVIII), foi incorporada ao estado de Minas Gerais, após a descoberta de diamantes no tijuco (região de Diamantina).

VALE-canoa

Ocupa uma área de mais de 85 mil km² onde vivem 1 milhão de pessoas, aproximadamente, distribuídos em cerca de 80 municípios sendo considerada uma das regiões mais pobres do Brasil.
A maior parte do solo é árido sendo castigado regularmente por secas e enchentes. 75% de sua população vive na área rural praticando uma rudimentar agricultura e pecuária.
A região no passado era formada por florestas e habitada por tribos indígenas. O que mais contribuiu para a degradação da região foi a atividade predatória da mineração e extração do diamante.
No Vale do Jequitinhonha produz-se um excelente e criativo artesanato em Cerâmica, Tecelagem, Cestaria, Esculturas em Madeira, Trabalhos em Couro, Bordados, Pintura, Desenho, Música.
Os principais pólos da atividade cerâmica são as cidades: Itinga, Araçuaí, Santana do Araçuaí, Turmalina, Caraí, Itaobim, Taiobeiras, Padre Paraíso, Joaíma e Minas Novas.
Os mais famosos ceramistas são: Isabel Mendes da Cunha; João Pereira de Andrade, seu genro casado com sua filha Glória Maria, também ceramista; Ulisses Pereira Chaves; Noemisa Batista da Silva; Raimunda da Silva (Dona Mundinha); João Alves e Dona Pedra.
Os trabalhos com barro no Vale iniciaram-se com a confecção de peças utilitárias que eram feitas pelas mulheres chamadas de paneleiras. A tradição manteve-se através das gerações- bisavós, avós, mães e filhas. Faziam moringas, vasilhas, panelas, potes etc, tudo com uma marcante influência indígena. Produziam também figuras para adornar Presépios e brinquedos utilizados pelas crianças.
Com o passar do tempo passaram a produzir peças decorativas “de enfeite” como dizem. Figuras humanas, animais, cenas do cotidiano, tipos, usos e costumes da região.
No processo usam rudimentares fornos a lenha, a técnica dos roletes (cobrinhas), ao invés do torno de oleiro, placas e toscas ferramentas. Os pigmentos usados na decoração (pintura) são naturais extraídos de barro encontrados nas muitas jazidas de argila da região.
A grande melhoria na vida dos artesãos ocorreu com a criação, na década de 70, da CODEVALE-Comissão de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha. A entidade recolhia a produção dos artistas e revendia os produtos, principalmente em Belo Horizonte. Esta atuação oficial incentivou bastante o artesanato trazendo uma significativa melhora no nível de vida dos moradores.

8268 – História do Brasil – Como surgiram os estados brasileiros?


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Trinta e quatro anos após o Descobrimento, o litoral brasileiro estava sendo saqueado a torto e a direito por piratas em busca de pedras preciosas e madeiras raras. Para manter o controle do território, a coroa portuguesa decidiu criar as capitanias hereditárias, 15 faixas de terra que se estendiam da costa até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Para tomar conta desses primeiros “estados” do país, foram nomeados capitães-donatários.
Em 1709, os portugueses resolveram reorganizar a colônia em função dos benefícios específicos que cada região poderia trazer para a coroa. Nasceram, então, as sete províncias, imensas extensões de terra com fronteiras mais bem definidas. Além dos aspectos econômicos, a criação das províncias visava obter um controle ainda maior sobre o território, constantemente ameaçado pela ação de piratas e do “olho grande” espanhol.
Após a Independência, em 1822, o Brasil foi repartido em diversas novas províncias, “rascunhos” do que viriam a ser os futuros estados. O mapa atual do Nordeste, por exemplo, já está quase todo lá. No Sul, contávamos ainda com a província da Cisplatina, que pertenceu ao Brasil até 1829, quando um movimento separatista obrigou o país a reconhecer a independência da região, que deu origem ao Uruguai.
Rolaram grandes mudanças no mapa após a Proclamação da República, em 1889, como a própria adoção da palavra estado para nomear as porções do território. Em 1942, o Brasil entrou na Segunda Guerra e, como estratégia de defesa e administração das fronteiras, o governo desmembrou algumas áreas, criando novos territórios, como Amapá e Guaporé, no norte, e Iguaçu, no sul. Mais tarde, alguns desses territórios viraram estados, outros foram reintegrados à sua região de origem.
A partir de 1960, ano da inauguração de Brasília, rolaram as últimas mexidas que deixaram o Brasil com a cara que tem hoje, com seus 26 estados mais o Distrito Federal. Além da “promoção” de alguns territórios, como Acre e Rondônia, a estados, Fernando de Noronha voltou a fazer parte de Pernambuco, e nasceram Mato Grosso do Sul (desmembrado do Mato Grosso) e Tocantins (fatiado de Goiás). Porém, se depender das propostas que, nos últimos anos, chegaram ao Congresso, o vira-e-mexe do mapa brasileiro pode estar longe de acabar.
Nos últimos anos, chegaram várias propostas ao Congresso para a criação de novos estados e territórios no país, sendo que muitas ainda estão em curso.

8148 – Geografia – Os Lençóis Maranhenses


Por do Sol
Por do Sol

A pouco mais de 300 km de S. Luís do Maranhão, na faixa litorânea que se estende a partir da divisa com o Piauí, abre-se o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um deserto de 155 mil hectares tipicamente brasileiro, onde as areias e os ventos alísios formam cenários que se desmancham a cada minuto. . Molhado, coberto por mangues e restingas, lagoas e dunas, recebe cerca de 1600 mililitros de chuva por ano. São quase 90 km de praias e 30 km pelo interior do estado, onde cresce uma vegetação de palmeiras , capim-de-areia e alecrim da praia, que abrigam aves migratórias, como o maçarico-rasteirinho, vindo do Ártico. Entre janeiro e julho chove muito. Os rios enchem e invadem as dunas. A população migra para o litoral para viver da pesca. Na seca os rios baixam e formam-se os lagos de água doce entre as dunas.
É de Barreirinhas, principal cidade turística da região, que saem os barcos na direção ao povoado de Atins, onde fica a foz do rio Preguiças, um curso d’água sinuoso que irriga a região.
O parque nacional dos Lençóis Maranhenses é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza localizada na região nordeste do estado do Maranhão. O território do parque, com uma área de 156 584 ha, está distribuído pelos municípios de Barreirinhas, Primeira Cruz e Santo Amaro do Maranhão. O parque foi criado com a finalidade precípua de
… proteger a flora, a fauna e as belezas naturais, existentes no local.
Presidência da República

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Inserido no bioma costeiro marinho, o parque é um exponente dos ecossistemas de mangue, restinga e dunas, associando ventos fortes e chuvas regulares. Sua grande beleza cênica, aliada aos passeios pelos campos de dunas e à possibilidade de banhar-se nas lagoas, atraem turistas de todo o mundo, que visitam o parque durante o ano inteiro.
O parque nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em terras devolutas pertencentes à União através do Decreto Nº 86.060, emitido em 2 de junho de 1981 pela Presidência da República. A área do parque, conforme o decreto de criação, era de 155 000 ha.2 O filme Casa de Areia foi gravado dentro do parque.
O parque localiza-se na Microrregião dos Lençóis Maranhenses, ao norte do Brasil, no litoral nordeste do estado do Maranhão. Com um perímetro de 270 km e 156 584 ha de área, o parque está inserido no bioma costeiro marinho, com ecossistemas de mangue, restinga e dunas. Lençóis Maranhenses abriga em seu interior aproximadamente 90 000 ha de dunas livres e lagoas interdunares de água doce, além de grandes áreas de restinga e de costa oceânica. A faixa de dunas avança, a partir da costa, de 5 a 25 km em direção ao interior. Na região encontra-se a nascente do rio Preguiças, que corta o parque até a sua foz no oceano Atlântico.
O clima é sub-úmido seco, com temperatura média anual de 26 °C. Apesar da aparência desértica da área do parque, o clima da região tem duas estações bem definidas: uma chuvosa, que vai de janeiro a julho, e outra seca, de agosto a dezembro. As chuvas contribuem para o controle da umidade da região e formação de lagos. Entre dezembro e janeiro, e às vezes até o final de fevereiro, no período de transição entre as estações chuvosa e seca, os lençóis maranhenses ocasionalmente secam, fazendo com que as lagoas azuladas ou esverdeadas desaparecem.
Acesso e visitação
A sede do parque está a cerca de 260 km da capital do estado, São Luís, às margens do rio Preguiças. O acesso ao parque se dá tanto por via terrestre, através da BR 135, por via Marítima, entrando no canal do rio Preguiças em Atins, por via Fluvial, a partir de Barreirinhas, através do rio Preguiças, e por via aérea, pelo aeroporto de Barreirinhas.
O acesso ao parque por via terrestre a partir de São Luís se dá pelas rodovias BR-135 e MA-402, a Translitorânea, em 272 km de estradas asfaltadas até Barreirinhas. Ônibus intermunicipais partem diariamente do Terminal Rodoviário de São Luís com destino a Barreirinhas. A partir de Barreirinhas adentra-se a área do parque através do rio Preguiças, usando tanto a linha regular com barcos, em uma viagem de cerca de quatro horas de duração até a foz do rio, como lanchas particulares, que fazem o trajeto em aproximadamente uma hora e meia. Barreirinhas possui uma pista de pouso para aeronaves de pequeno porte, recebendo voos fretados saindo de São Luís, que tem em torno de 50 minutos de duração.

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