10.395 – Cinema – Planeta dos Macacos: O Confronto


planeta o confronto

Lançamento 24 de julho de 2014 (2h11min)
Dirigido por Matt Reeves
Com Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman mais
Gênero Ficção científica , Ação
Nacionalidade EUA

O filme custou 170 milhões de dólares

Quinze anos após a conquista da liberdade, César (Andy Serkis) e os demais macacos vivem em paz na floresta próxima a San Francisco. Lá eles desenvolveram uma comunidade própria, baseada no apoio mútuo, para que possam se manter. Enquanto isso, os humanos enfrentam uma das maiores epidemias de todos os tempos, causada por um vírus criado em laboratório, chamado vírus símio. Diante disto, um grupo de sobreviventes liderado por Dreyfus (Gary Oldman) deseja atacar os macacos para usá-los como cobaias na busca por uma vacina. Só que Malcolm (Jason Clarke), que conhece bem como os macacos vivem por ter conquistado a confiança de César, deseja impedir que o confronto aconteça.

Para quem espera uma produção darwinista (afinal, estamos falando da evolução dos primatas), os roteiristas (são três: Rick Jaffa, Amanda Silver e Mark Bomback) de Planeta dos Macacos: O Confronto, dão uma rasteira no tempo e entregam um filme freudiano.
Isso porque, se em A Origem, a discussão central girava em torno das capacidades cognitivas dos primatas, neste novo, O Confronto, o foco é redirecionado para a cultura, a organização social – e não só dos símios, como dos seres humanos também. E, assim, se aprofunda mais uma camada no confronto homem vs. natureza. Uma inteligente aposta do novo filme da franquia, que Matt Reeves (Deixe-me Entrar) passa a comandar.
Dez anos depois da batalha na Golden Gate Bridge, em São Francisco, o futuro da raça humana está ameaçado. Uma doença, chamada gripe símia (que, no entanto, foi desenvolvida por humanos em laboratório) dizimou grande parte da população mundial. Sem energia elétrica, um grupo de sobreviventes liderados por Malcolm (Jason Clarke) precisará entrar na floresta dos chimpanzés para negociar com César (Andy Serkis, mais uma vez digitalizado pela técnica de motion capture) e sua trupe para tentar reativar uma usina localizada no território dos primatas.
Esse encontro é o que move a primeira metade do filme. Um prólogo redondo, fechado – embora açucarado demais, em defesa da família e da propriedade. O bom roteiro mostra uma sociedade humana mais arrasada do que nunca, ao passo que a organização social dos símios também atingiu uma complexidade sem precedentes. Não há (pelo menos em princípio) um grupo dominante.
O que há é humanos que também se comportam como animais e primatas que, às vezes, agem de acordo com as mais desenvolvidas regras de convivência dos homens. Nem sequer é possível ter certeza a respeito de quem começou o tal confronto que o título anuncia. Seria, então o triunfo do indivíduo, independente da espécie? Também não é simples assim.
É no confronto, no entanto, que reside o maior problema do filme. Se antes havia um certo excesso de sentimentalismo, o que sobra nessa segunda metade é cenas de ação – diga-se, muito bem filmadas. E muita reviravolta. Com cerca de 2h10min de duração, Planeta do Macacos: O Confronto seria um filme mais impactante se tivesse meia hora a menos.
A impressão que dá, tamanha a disparidade entre as duas partes do filme, é que, para agradar àqueles mais ávidos pela pirotecnia de Hollywood (não à toa o novo Transformers já é o maior sucesso comercial do ano), foi imposto ao diretor que caprichasse na duração das (mais uma vez, bem feitas) cenas de ação.
Descontados os excessos, a transição para um novo elenco, no entanto, é muito, muito bem resolvida pelos autores. Eles não omitem o passado de César (o que dá a liga entre os dois filmes), ao mesmo tempo em que conseguem deixar o que ficou para trás, atrás (afinal, lá se vai uma década).
Embora Jason Clark não tenha o carisma de James Franco, segura muito bem o desafio de líder dos humanos (papel também desempenhado, antagonicamente, por Gary Oldman, sem brilho, como nos últimos filmes em que atuou, como Robocop e Conexão Perigosa). Já Andy Serkis… quando mesmo vão indica-lo ao Oscar?
O que sobra de Planeta dos Macacos: O Confronto é um filme longo demais, porém complexo, no bom sentido, do tipo que consegue combinar entretenimento e reflexão.

Inicialmente seria Rupert Wyatt, o diretor de Planeta dos Macacos – A Origem, quem dirigiria esta sequência. Entretanto, ele preferiu deixar o projeto após a 20th Century Fox insistir que o filme fosse lançado no verão americano de 2014. Wyatt acreditava que não haveria tempo suficiente para que fizesse o filme da forma que gostaria.

Sucesso nos EUA
O fim de semana trouxe um único grande lançamento aos cinemas americanos: Planeta dos Macacos: O Confronto. Sem surpresas, o filme ocupou o primeiro lugar do ranking, com números excelentes. A produção arrecadou US$72,6 milhões (33% a mais do que o primeiro filme), superando com facilidade outro filme de ação, Transformers: A Era da Extinção (em segundo lugar), com US$16,3 milhões.
O restante do top 5 teve pelo menos 32% de queda em relação à semana anterior. A comédia Tammy (em terceiro lugar) arrecadou US$12,6 milhões, à frente de Anjos da Lei 2 (em quarto lugar, com US$6,5 milhões) e Como Treinar o Seu Dragão 2 (em quinto lugar, com US$6,1 milhões). Em geral, o ano continua registrando uma queda de 26% em relação às bilheterias em 2013.
Em circuito restrito, três filmes tiveram ótimos resultados: a comédia dramática Mesmo Se Nada Der Certo conquistou US$2,8 milhões em menos de mil salas, o documentário político America registrou uma queda de apenas 13%, e o drama Boyhood, aclamado pela crítica, estreou com a segunda melhor média de arrecadação por sala no ano inteiro, atrás apenas de O Grande Hotel Budapeste.