11.049 – As Verdades inconvenientes sobre Astrologia


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A ciência prova: não há relação entre o passeio dos astros e a sua vida.
Quando Susan Miller, a astróloga mais popular do mundo, contraiu uma infecção intestinal no final de abril, milhões de seguidores ao redor do planeta ficaram sem futuro. Susan atrasou as previsões para maio e gerou comoção internacional. “Melhoras, Susan Miller!”, desejavam os leitores americanos nas redes sociais. Veículos brasileiros cobriram a doença da astróloga como se fosse uma celebridade local, enquanto ela tuitava boletins de hora em hora sobre seu estado de saúde: “Preciso dormir. Estou trabalhando na previsão para Aquário, amanhã terminarei Peixes. Estou muito cansada para continuar, me sinto muito fraca. Eu não vou desistir”.
Mesmo se você não acredita em horóscopo já deve ter ouvido falar em Susan Miller. Ela não é qualquer uma: seus horóscopos gratuitos atraem 6,5 milhões de visitas ao mês, aparecem em dezenas de publicações e permitiram que ela escrevesse nove livros sobre o assunto. Se você curte astrologia, provavelmente é fã – suas leituras são famosas por serem precisas, a ponto de indicarem datas propícias para comprar eletrônicos ou cortar o cabelo. Ela é tão eficiente que, já em janeiro deste ano, havia alertado para o mês catastrófico que abril seria, com um eclipse lunar monstruoso em 15/4. Não deu outra: numa profecia autorrealizável, Susan Miller quase morreu com o que ela mesma previu.
A astrologia é imensamente popular. No Ocidente, estima-se que uma em cada quatro pessoas acreditem no poder dos astros. De acordo com uma pesquisa da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, em 2012 metade dos americanos afirmou que astrologia tinha base científica, o número mais alto desde 1983. Isso pode explicar o sucesso de figuras como Susan Miller nos últimos anos, e o aumento na procura por mapas astrais e consultas a astrólogos. A crença de que o movimento dos corpos celestes não apenas influencia as nossas vidas, como pode prever nosso futuro, vai bem, obrigada.
O sucesso da astrologia não é de ontem. Nem de anteontem. Ele tem raízes profundas nas origens do conhecimento humano.
Roma, meia-noite de 17 para 18 de setembro do ano 96 d.C. O imperador Domiciano se virava na cama coberto de suor, ansioso demais para dormir. De acordo com uma previsão astrológica feita quando ele ainda era garoto, a hora do seu fim estava próxima: às cinco da manhã ele estaria morto, vítima de uma facada fatal. Domiciano levantou e tentou manter a calma. Lembrou-se da vez em que tentou provar que astrologia era bobagem, quando chamou à sua corte o astrólogo Ascletário e ordenou: “Adivinhe a causa de sua própria morte”. Ascletário consultou os planetas e concluiu que acabaria comido por cachorros. Para contradizer a previsão e mostrar que estava no controle, Domiciano o matou ali mesmo e mandou seu corpo para a pira funerária. O que o imperador não esperava é que cachorros acabariam atraídos pelo cheiro de carne queimada e devorariam os restos mortais de Ascletário – como ele previra. Daí a insônia de Domiciano.

Quando o sol raiou, perguntou o horário. Seis horas. Respirou aliviado: tinha sobrevivido à profecia! Animado, recebeu um amigo que trazia uma mensagem. Enquando lia o recado, Domiciano foi esfaqueado pelo amigo e morreu. Eram cinco da manhã. Um conspirador havia mentido sobre as horas.

Claro que nem todas as previsões astrológicas da história são tão precisas quanto essa. O causo da morte de Domiciano pode ter sido embelezado ao longo dos séculos para ficar mais redondinho. Mas o que dá para apreender daí é a importância que os astros tinham na vida das pessoas nos milênios passados. A astrologia que usamos hoje em dia teve origem na Mesopotâmia, atual Iraque, e depois foi adaptada pela Grécia Antiga e utilizada por toda a Europa. Setecentos anos antes de Cristo, os babilônios já haviam analisado os movimentos dos corpos celestes para determinar quais constelações faziam parte do zodíaco (o arco que o Sol faz no céu ao longo de um ano), quais pontos brilhantes eram as estrelas fixas e os planetas móveis, quais planetas surgiam a cada mudança de estação do ano, e por aí vai. Dessa forma, já haviam também preparado o terreno para o que usaríamos até hoje.

Astrologia vem do grego: “astro” = estrelas e “logos” = palavra. Ou seja, é a mensagem que as estrelas passam para nós. Durante muito tempo, astrologia e astronomia (a “lei das estrelas”) eram conceitos intercambiáveis – quem estudava um também manjava do outro. Johannes Kepler, descobridor das leis que regem a mecânica dos planetas, um feito astronômico, ganhava a vida fazendo mapa astral no século 16. Desde o final do século 17, no entanto, os dois ramos do conhecimento caminham separados. Hoje, a astronomia é a ciência que estuda o Universo com base em regras matemáticas – e não aceita a ideia de que os planetas possam ter qualquer relação com nossa vida.
Em um mundo incerto e amedrontador como o dos primórdios da civilização, qualquer forma de descobrir o que estava por vir podia significar a diferença entre a vida e a morte. A astrologia ajudava as pessoas a tomarem decisões, como quando partir para uma viagem, semear a colheita ou entrar em guerra. Isso era feito a partir do reconhecimento de padrões. Marte surgiu no horizonte no dia em que uma grande enchente aconteceu? Um sinal. A Lua estava minguante quando a batalha foi vencida? Um padrão. Ao longo de centenas de anos de observação, as coisas do céu foram ganhando sentido terreno. Para os babilônios e outros povos que procuraram respostas no alto, era como se os planetas estivessem enviando sinais. Daí o nome: signos.

Curiosamente, analisar as estrelas não era a única ciência usada para prever o futuro. O historiador Peter Maxwell Stuart, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, descreve em seu livro Astrology (sem edição brasileira) que os babilônios também acreditavam que recém-nascidos trouxessem recados sobre o futuro. Se uma mulher desse à luz um anão, a casa da família seria destruída; se parisse uma criança cega, aumentavam as chances de alterações climáticas. Especialistas analisavam as entranhas de animais sacrificados para tentar relacioná-las ao futuro: se o fígado do animal tivesse protuberâncias, era um presságio de anarquia no reinado. Ou seja, escapamos por pouco de ficar revirando miúdos de galinha para fazer previsões.

O interessante é entender como os babilônios traçaram as regras gerais para a sua – e a nossa – astrologia. Primeiro, pegaram um conhecimento histórico antiquíssimo, provavelmente ainda da Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C.), que era a divisão do céu em grupos de estrelas – as constelações. Vale lembrar que as constelações não fazem sentido físico – as estrelas podem estar próximas vistas aqui da Terra, mas situarem-se a milhares de anos-luz umas das outras. O que os antigos fizeram foi ligar os pontos desses conjuntos imaginários em formatos que se parecem levemente com alguma coisa aqui da Terra – um leão, uma cobra, uma balança etc. É como enxergar figuras em nuvens.

Em seguida, os babilônios analisaram o caminho do Sol no céu, e observaram que ao longo de um ano ele passava por aproximadamente 12 constelações (eram 13, na verdade, mas arredondaram para a conta ficar mais fácil). Assim, dividiram o céu em 12 faixas de 30 graus, para fechar os 360 graus de um círculo. Cada uma dessas faixas é o que chamamos de signo. Como era de se esperar, o Sol não passa exatamente um mês em cada constelação: fica 45 dias em Virgem, por exemplo, e só sete dias em Escorpião – deram uma arredondada aqui também.

Ou seja, a astrologia analisa a passagem do Sol, da Lua e dos planetas em frente a constelações aleatórias, formadas por estrelas aleatórias, divididas aleatoriamente em 12 faixas de aleatórios 30 dias de duração cada, a partir de um ponto de vista aleatório no espaço: o nosso minúsculo planetinha Terra. (Entenda mais no quadro da página 34). Na prática, é como se formigas tentassem prever se vão ser esmagadas a partir do padrão das ranhuras na sola dos nossos sapatos, a única coisa que elas conseguem enxergar.Levando em conta essa aleatoriedade toda, dá para entender por que a ciência moderna tem tantas críticas em relacão à astrologia – o que não quer dizer que ela não sirva para nada. Mas vamos por partes.
Desde os anos 50, cientistas tentam provar a eficiência das leituras astrológicas – e os resultados não foram muito animadores. O mais famoso dos estudos, publicado na revista Nature ainda nos anos 80, pedia que pessoas tentassem reconhecer seu mapa astral a partir de três opções disponíveis. A performance foi abaixo da esperada: só um terço das pessoas acertou qual era o seu – exatamente o mesmo resultado que um sorteio daria. Fatores como propensão a suicídio, inteligência, taxa de divórcio, extroversão e sucesso também foram analisados em dezenas de estudos, mas a conclusão é sempre a mesma: não há correlação nenhuma entre a propensão a uma coisa e os dados astrológicos.

Pensando nisso, o holandês Rob Nannninga resolveu dar uma chance aos próprios astrólogos de desenvolver um teste à prova de falhas. O desafio era acertar a profissão de sete voluntários, baseado em seus dados astrais (data, local e hora de nascimento) e um questionário – que os próprios astrólogos puderam desenvolver. Para ficar mais fácil, as sete profissões também foram disponibilizadas de maneira que o trabalho era apenas atribuir a carreira certa a cada voluntário. Cinquenta astrólogos ajudaram a desenvolver o questionário, que acabou ficando com 25 perguntas pessoais e 24 perguntas de personalidade. A pedido dos astrólogos, datas importantes dos voluntários (casamento, divórcio, nascimento dos filhos etc.) também ficaram à disposição. Com todas essas informações em mãos, os 50 especialistas – alguns dos mais experientes da Holanda – tiveram dez semanas para chegar às suas correlações. Os resultados foram frustrantes. Nenhum astrólogo conseguiu relacionar mais de três pessoas a suas profissões, e metade não acertou nem umazinha. Mais do que isso: apenas dois astrólogos concordaram entre si – o resto escolheu combinações completamente diferentes umas das outras, indicando que nem os próprios especialistas concordavam na interpretação dos astros. De novo, o resultado final não foi diferente do que se as relações tivessem sido sorteadas no bingo.

Hoje, se você perguntar a qualquer cientista, ele vai ser enfático em descreditar a astrologia sem nem se preocupar em ser delicado. “É claro que ela não funciona. Ela é um retrocesso à Idade Média. Você gostaria de se tratar com a medicina ou a odontologia de 500 anos atrás? É óbvio que não”, diz Michael Shermer, fundador da Skeptics Society (Sociedade dos Céticos) e “inimigo” do obscurantismo.

Para a ciência, o problema está na própria premissa da atividade: a de que haveria influência dos planetas sobre os seres humanos. De fato, todos os corpos no Universo exercem algum tipo de gravidade sobre outros. O problema é que os planetas estão imensamente distantes de nós, longe demais para que possa haver alguma influência. Do ponto de vista das forças gravitacionais, a passagem do Sol pela constelacão de Aquário na hora do nascimento, por exemplo, é absolutamente irrelevante. Ou, como disse o biólogo e escritor Richard Dawkins em um artigo: “Um planeta está tão distante de nós que sua atração gravitacional sobre um recém-nascido seria anulada perto da atração gravitacional causada pelo tapa do médico”.
Outro problema básico para testar os mapas astrais está nos fundos falsos que a astrologia oferece. Ela é flexível demais para ser testada em laboratório. Se alguém nascido em Escorpião não se identificar com a descrição do seu signo, por exemplo, astrológos dirão que é por causa do ascendente. E, se não for o ascendente, será a Lua. Se não, o planeta na sétima casa, ou o retorno de Saturno, ou a fase da vida, ou qualquer coisa que o valha. Com tantas possibilidades de interpretação, é quase impossível provar que a astrologia está errada – pelo menos uma das opções vai estar certa. O mesmo problema surge nas formulações que ela oferece. Peguemos Susan Miller para Gêmeos no mês de junho: “luas novas abrem portas, e oportunidades surgirão para você” ou “a lua nova na primeira casa é um sinal de que você deveria estar pensando nas suas próprias necessidades” ou “você vai ter de trabalhar duro para entender uma nova tarefa que vai ser atribuída a você”. Com previsões tão abertas, fica difícil não se identificar com elas. O astrônomo Stephen Hawking, no livro O Universo na Casca de Noz, descreveu o problema: “Astrólogos sabiamente fazem previsões tão vagas que podem ser aplicadas para qualquer acontecimento”. Ou seja, não servem nem para serem provadas falsas.
Então por que tanta gente continua acreditando na astrologia se ela não tem nenhuma base científica? Primeiro, é importante traçar o perfil das pessoas que buscam a astrologia. Ao contrário do que cientistas podem fazer parecer, não se trata de pessoas desinformadas que vivem na Era das Trevas. Segundo o psicólogo australiano Harvey Irwin, seguidores de astrologia são tão inteligentes, críticos e ajustados quanto o resto da população. Se há alguma diferença entre os dois grupos, ela fica na criatividade – maior entre quem acredita na influência dos astros do que nos outros. “A literatura indica que a crença na paranormalidade tem relação com personalidades criativas”, escreve Irwin.

A pergunta a ser feita então é outra: como é possível que tanta gente saia satisfeita das leituras de seus mapas astrais, se a ciência já provou que eles não têm nenhuma relação com a verdade? Não é muita coincidência que capricornianos se considerem centrados e racionais justamente como o signo deles diz que eles devem ser? Boa parte disso tem a ver com o próprio cérebro humano.

Quem explica é o cético Michael Shermer. Para ele, a astrologia acerta nas previsões por causa de dois mecanismos psicológicos que todos nós temos: o viés de confirmação e o viés de retrospectiva. O primeiro descreve a nossa tendência a preferir informações que combinem com aquilo que já sabemos ou acreditamos. Isso explica, por exemplo, a grande identificação que sentimos quando lemos as características dos nossos signos. Como canceriana, lembro sempre da minha descrição como pessoa “sensível e artística”, mas ignoro que também deveria ser “possessiva e chorona”. Ou seja, reforço apenas as qualidades que quero que sejam verdadeiras. Já o viés de retrospectiva explica por que nos lembramos com mais facilidade dos acertos do que dos erros. Se Susan Miller disser que você fará uma viagem nas próximas semanas e isso de fato acontecer, você vai se lembrar de que ela acertou. E provavelmente vai esquecer que ela também havia previsto um aumento de salário, uma mudança de casa e uma briga com familiares. “Pessoas encaixam suas vidas nas previsões astrológicas, e não o contrário. Elas fazem as leituras vagas confirmarem os acontecimentos depois que eles ocorreram”, diz Shermer. O mesmo acontece em qualquer outro aspecto da vida. Você provavelmente se lembra muito mais dos palpites certeiros que deu no bolão da Copa do que da maioria dos erros que passaram batidos.

Graças a esses dois mecanismos cerebrais, pessoas têm a impressão que a astrologia acerta na mosca. De acordo com o que elas conseguem se lembrar, as descrições astrológicas estavam realmente certas. Isso leva a situações curiosas, como mostrou nos anos 60 o francês Michel Gauquelin. Para provar que o ser humano adora ler descrições de sua personalidade, enviou a 500 pessoas a interpretação de um mapa astral que supostamente as descrevia. O texto tinha frases como “você é caloroso”, “organizado” e “totalmente dedicado aos outros”. Resultado: 94% dos participantes disseram se identificar com elas. O que eles não sabiam é que todas haviam recebido o mesmo texto, baseado no mapa astral de um serial killer com 27 mortes no currículo.

Mas o principal motivo pelo qual a astrologia satisfaz seus seguidores é outro. Quem consulta um astrólogo geralmente está com alguma inquietação e gostaria de saber o que os planetas têm a dizer sobre isso. As incertezas costumam ser de cunho existencial: grandes decisões, tristezas, desilusões amorosas. Nessa hora, alguns céticos concluem que é melhor consultar os astros e tomar uma decisão do que não acreditar e continuar incapaz de decidir.

O astrólogo então reserva uma hora do seu tempo para entender o que está acontecendo, faz perguntas pessoais, entende o perfil psicológico do cliente. Só depois ele passa a ajudar a pessoa a lidar com os seus problemas. Todos os astrólogos consultados para esta reportagem conversaram longamente comigo e se preocuparam em saber quem eu era para tentar me ajudar. Posso confirmar que apresentaram habilidades interpessoais acima da média. Para eles, os muitos fundos falsos da astrologia – a leitura do signo, do ascendente, da Lua, os planeta espalhados pelas casas – são úteis. Servem como ferramentas para traçar o perfil psicológico das pessoas porque abarcam as mil facetas do ser humano. Todo mundo é um pouco sensível, um pouco racional, um pouco impulsivo, um pouco teimoso – e, para a astrologia, isso pode se manifestar no signo, no ascendente, na Lua. As milhares de possibilidades de interpretação ajudam o astrólogo a ajudar quem o procura. Assim, as leituras de mapas astrais são muito mais parecidas com sessões de terapia do que com consultas médicas. De fato, há diversos psicólogos que se utilizam dos preceitos astrológicos para desenvolver as suas sessões, como um ticket de entrada para a mente do paciente.

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11.003 – Astronomia – Planeta anima cientistas em busca de vida extraterrestre


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Três novos planetas situados fora do Sistema Solar foram descobertos por cientistas americanos, a partir de dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa. Um deles está na chamada “zona habitável” de sua estrela, isto é, a uma distância que permitiria a existência de água líquida em suas superfícies. Essa condição é indispensável para a potencial existência de vida, de acordo com os astrônomos.​
Liderado por pesquisadores das universidades do Arizona, da Califórnia e do Havaí, o novo estudo foi financiado pela Nasa e pela Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês). O artigo foi submetido à revista Astrophysical Journal, mas ainda não tem data para ser publicado.
Na primeira semana de janeiro, outro grupo dos Estados Unidos anunciou a descoberta de oito planetas na zona habitável de suas estrelas, com distâncias da Terra variando entre 475 e 1100 anos-luz. Além deles, os dados do Kepler já levaram à descoberta de mais de mil planetas.
A nova descoberta, no entanto, é considerada a mais promissora até agora na busca de planetas semelhantes à Terra. Os três novos objetos estão na órbita da estrela EPIC 201367065, que fica a cerca de 150 anos-luz da Terra. De acordo com os autores do estudo, essa distância, considerada pequena em escala astronômica, permitirá pela primeira vez o estudo de um planeta da zona habitável com os instrumentos e tecnologias atuais.
As dimensões dos novos planetas são 110%, 70% e 50% maiores que as da Terra. O menor deles, que tem a órbita mais distante de sua estrela, recebe níveis de radiação luminosa semelhante à que nosso planeta recebe do Sol, de acordo com Erik Petigura, um estudante de pós-graduação da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele descobriu os planetas no dia 6 de janeiro, quando realizava uma análise computacional dos dados do Kepler. Segundo Petigura, há uma possibilidade real do planeta mais externo ser rochoso, como a Terra, o que significa que ele poderia ter a temperatura certa para a formação de oceanos de água líquida.

A estrela EPIC 201367065, segundo os autores, é uma anã-vermelha que tem aproximadamente a metade do tamanho e da massa do Sol e, portanto, emite menos calor e luz. A maior parte dos planetas descobertos pela missão Kepler, até agora, são envolvidos por uma espessa atmosfera rica em hidrogênio, que são provavelmente incompatíveis com a vida.

Exoplanetas, isto é, os planetas fora do Sistema Solar, são descobertos às centenas atualmente, embora os astrônomos fiquem na dúvida sobre a possibilidade de algum deles realmente ter condições semelhantes às da Terra. Segundo Andrew Howard, da Universidade do Havaí, a nova descoberta ajudará a resolver essa questão. O próximo passo será estudar as atmosferas do novo planeta com o telescópio Hubble e outros observatórios, para descobrir quais elementos existem em sua atmosfera.

Kepler-438b e Kepler-442b
Candidatos a explonetas mais parecidos com a Terra já descobertos, eles orbitam estrelas anãs vermelhas, menores e mais frias do que o Sol. Enquanto a órbita do primeiro é de 35 dias, o Kepler-442b completa uma órbita em sua estrela a cada 112 dias.
Com diâmetro apenas 12% maior do que o do planeta azul, o Kepler-4386 tem 70% de chance de ser rochoso, afirmam os pesquisadores, enquanto o outro, cerca de 30% maior do que a Terra, tem 60%.