9367 – Como alguns países enfrentam invernos rigorosos?


No Canadá e na Suécia, dois dos países mais frios do mundo, a neve raramente interrompe as atividades dos cidadãos. Seja em pequenas cidades, seja em metrópoles, há investimento pesado na limpeza de vias públicas, soluções arquitetônicas e hábitos populares que ajudam a manter pessoas e veículos circulando apesar do clima desfavorável. Nesses países, as construções têm isolamento térmico, todo mundo acompanha a previsão do tempo e, em creches e escolas, a criançada sai diariamente para brincar no pátio, mesmo com temperaturas abaixo de -10 oC.
Todo ano, milhões de dólares são gastos pelo poder público para remover a neve de ruas e estradas. Além de bancar os veículos usados na operação, há gastos com o sal despejado para acelerar o derretimento e com o armazenamento de neve retirada. A limpeza das calçadas é responsabilidade do dono de cada terreno.
Telhados que se estendem pela lateral da construção captam luz solar por mais tempo, mantendo a casa mais aquecida. A inclinação ajuda a neve a escorrer, evitando o acúmulo, que pode sobrecarregar a cobertura. Além disso, as casas possuem isolamento térmico em portas, janelas e paredes.
O sal usado na remoção da neve gruda no vidro dos carros, formando uma camada esbranquiçada. Para limpar, só abastecendo o esguicho do para-brisa com um fluido especial. Outro item essencial são os pneus de inverno, com ranhuras mais fundas para não deslizar na neve e borracha que não racha no frio.
Em algumas grandes cidades, dá para percorrer toda a região central por baixo da terra. Galerias subterrâneas interligadas, cheias de lojas e lanchonetes, como num shopping center, podem ser acessadas pelas estações de metrô. Escadas rolantes ligam as galerias a estabelecimentos comerciais no solo.
Às vezes, a neve derrete e congela novamente, formando uma perigosa camada de gelo – essa é uma das raras situações que interrompem a rotina das pessoas. Para prevenir acidentes, algumas cidades têm canais de rádio e TV dedicados a informar sobre os estabelecimentos fechados por condições climáticas adversas.
Os motoristas são obrigados a ter ferramentas para o caso de o carro ficar soterrado na neve. Além de uma espátula para raspar gelo da lataria, uma escova ajuda a tirar a neve acumulada nas ranhuras dos pneus. Além disso, um kit de sobrevivência, com lanterna, cobertor, pilhas e velas, também é obrigatório.
Cobrir as extremidades do corpo com gorro, botas e luvas ajuda a não perder calor. A roupa é vestida em camadas: uma camiseta de tecido sintético transfere a umidade do corpo para uma blusa de lã, que deixa o ar circular e mantém estável a temperatura. Por cima, um jaquetão impermeável isola o corpo da neve e do frio

• Montreal, uma das maiores cidades do Canadá, gasta cerca de R$ 240 milhões por ano limpando a neve das ruas.

7260 – Já nevou no deserto do Saara?


O fenômeno só rolou uma única vez, mas foi uma nevasca bem no coração do deserto. Tudo ocorreu em 18 de fevereiro de 1979, no sul da Argélia. Existem poucos relatos científicos sobre o fato, mas é provável que a nevasca tenha acontecido durante a noite, quando a temperatura no deserto pode cair abaixo de 0ºC. A tempestade de neve durou apenas meia hora e não deixou vestígios, pois a neve derreteu em poucas horas. Os cientistas arriscam que a principal explicação para a nevasca no Saara é a baixíssima umidade do local. Isso ocorre porque as montanhas do Atlas, ao norte do Saara, “emparedam” o deserto, impedindo a entrada de ar úmido. Passam apenas algumas massas de ar seco, que em condições raras podem fazer chover – ou, em condições ainda mais raras, fazer nevar. “Com baixa umidade, a água que cai das nuvens tende a passar direto do vapor para o estado sólido porque a temperatura da superfície das gotículas diminui, formando cristais de neve.
É a mesma coisa que acontece quando saímos de uma piscina num dia com ar seco: sentimos frio porque a superfície das gotículas de água esfria”, afirma o pesquisador Andrew Heymsfield, da Corporação Universitária para a Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos. Só que não adiantaria nada ter ar seco e uma temperatura superquente – nesse caso, os cristais de gelo derreteriam. Por isso que a tempestade deve ter rolado à noite – o fato é que, para rolar uma nevasca, a temperatura não precisa estar abaixo de zero. “Existem muitos registros de neve a até 12 ºC, e o Saara pode perfeitamente ter atingido essa temperatura durante a noite”, diz Andrew. Se a neve é um fenômeno raro em desertos quentes, não é tão difícil de acontecer nos desertos frios. Um exemplo é o deserto de Atacama, no Chile, que tem uma camada de neve que nunca chega a derreter em suas partes mais altas.

Se todos os casais tivessem apenas um filho, em quanto tempo a raça humana se extinguiria?
Se isso realmente acontecesse, a raça humana sumiria daqui a 2 450 anos! A lógica dessa estimativa é que, se de um casal sai só um filho, a população diminui em 50% a cada geração. Quem nos ajudou a chegar a esse número foi um estatístico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que fez as seguintes contas para cravar os 2 450 anos:
Achar as variáveis da equação. Numa progressão geométrica (PG), precisamos do termo inicial, do final e da razão (a medida em que os termos aumentam ou diminuem). O termo inicial é a população mundial, cerca de 6,5 bilhões de pessoas. O termo final é 1, a última pessoa que vai sobrar. E a razão é 0,5, os 50% de redução a cada nova geração. Isso tudo considerando que, dos 6,5 bilhões de pessoas, 50% são homens e 50% são mulheres.
Calcular as gerações para que os 6,5 bilhões se reduzam a 1. O resultado é 33,6 – vamos arredondar para 34, afinal não existe “meia” geração de pessoas.
Transformar o número de gerações em anos. Para isso, foi considerada uma expectativa de vida de 70 anos para cada pessoa. Multiplicando por 34, chegamos a 2 380 anos.
Somar a vida da última geração. Aos 2 380 anos, somam-se mais 70 – os anos que o último habitante vai viver. Eis o resultado final: 2 450 anos. Como estamos em 2006, a extinção da humanidade seria no ano 4456.
É claro que isso é apenas um cálculo aproximado. “Há outras variáveis importantes que não foram consideradas na equação, como a quantidade de casais que efetivamente se casam, a fecundidade das pessoas e se todos são heterossexuais”.

5186 – Terra – Planeta Gelado


Há cerca de 730 milhões de anos a Terra quase virou uma imensa bola de neve. O planeta foi coberto por uma capa de gelo que chegava a 5 quilômetros de espessura. O fenômeno por pouco não acabou com todos os seres multicelulares, que haviam acabado de surgir no planeta. Eles só se salvaram graças a uma estreita faixa de mar no equador. Ali a evaporação e a grande quantidade de gás carbônico mantiveram a temperatura a 10 graus Celsius positivos, enquanto nos continentes o frio podia chegar a escorchantes 110 abaixo de zero. A grande glaciação foi simulada em computador por cientistas dos Estados Unidos e do Canadá. O estudo levou em consideração a quantidade de gás carbônico na atmosfera, a configuração dos continentes e as condições de vento e chuva. “Descobrimos que naquela época a Terra poderia congelar ou descongelar em 2 000 anos.
A Terra passou 200 milhões de anos congelada.
Há 800 milhões de anos, a Terra começou a congelar. O supercontinente Rodínia, que ocupava todo o pólo sul do planeta, foi coberto por uma capa de gelo de 5 quilômetros de espessura.
Entre 730 e 630 milhões de anos atrás, o planeta virou uma bola de neve. A temperatura nos pólos chegou a 110 graus Celsius negativos. Os seres pluricelulares sobreviveram só numa estreita faixa de mar no equador, a única parte do planeta sem gelo.