3620 – Seriados Trash – Contos da Cripta


A sarcástica caveirinha apresentava a série

Uma mistura de terror com humor, essa é a receita da série de sucesso na TV norte-americana e exibida no Brasil pela Band.
Foi um seriado de televisão americano de 93 episódios de 24 minutos, criada a partir de histórias em quadrinhos (banda desenhada em Portugal) de Maxwell Gaines (publicados pela EC Comics) e transmitida inicialmente de 10 de junho de 1989 à 19 de julho de 1996.
Contos da Cripta surgiu da adaptação de contos da revista em quadrinhos Tales from the Crypt, que reunia histórias cheias de tensão e sobretudo humor negro.
Seguindo os passos de Creepshow, uma outra produção baseada em coletâneas de filmes, surgiu em 1995, trazendo 3 diretores à frente do projeto: Ernest Dickerson, Leigh A. Webb e Gilbert Adler.
Muitos famosos de Hollywood atuaram ocasionalmente nesta série: Patricia Arquette, Timothy Dalton, Kirk Douglas, Whoopi Goldberg, Teri Hatcher, Demi Moore, Brad Pitt, Christopher Reeve, Martin Sheen, Michael J. Fox, Tom Hanks, Kyle MacLachlan, Arnold Schwarzenegger, Brooke Shields, Mark Ruffalo, Daniel Craig, Roger Daltrey, Ewan McGregor, Iggy Pop, Slash e Malcolm McDowell. Além de outros atores e atrizes em início de carreira, não muito famosos na época, e que hoje brilham no cenário hollywoodiano.
Histórias com muitos temas, incluindo; horror, torções, magia-negra, ficção e etc. Apresentado por uma caveira chamada de “O Guardião da Cripta.” Um misto de “Zona Além da Imaginação” e cinema de horror moderno. Não recomendado para jovens sensíveis.Contos da Cripta
Alguns episódios:
01 – The Man Who Was Death (O Homem que era a Morte)
Um carrasco fica revoltado quando o governo revoga a Pena de Morte em seu Estado. Com o objetivo de continuar realizando o seu trabalho e aplicando a justiça ele passa a perseguir os criminosos.
02 – And All Through the House (Por Toda Casa)
Durante o Natal uma mulher mata seu marido para ficar com o dinheiro do seguro. Pouco depois um psicopata, fantasiado de Papai Noel, foge do hospício e passa a perseguir a mulher em sua própria casa.
03 – Dig That Cat… He’s Real Gone (Enterre este Gato… Ele está Morto)
A glândula de um gato é implantada no cérebro de um homem e este passa a ter as nove vidas do animal. De posse desta habilidade, ele passa a fazer shows nos quais desafia a morte.
04 – Only Sin Deep (Bela como um Pecado)
Uma vaidosa prostituta negocia sua beleza em uma loja de penhores. Após um breve período de felicidade ela passa a ter sérios motivos para arrepender-se da transação.
05 – Lover Come Hack to Me (Amor, Venha me Retalhar)
Em sua viagem de lua-de-mel o marido pretende matar a esposa para ficar com sua herança, porém uma certa tradição familiar muda seus planos.
06 – Collection Completed (Coleção Completa)
Um aposentado fica irritado por sua mulher ter o hábito de acolher e levar para casa vários tipos de animais. Porém aos poucos ele percebe estes animais também pode ajudá-lo a passar o tempo.

2598- Cinema:A Madrugada dos Mortos


Poster do filme

Mais um clássico de terror e outro remake
Na segunda metade da década de 60, o cineasta nova-iorquino George A. Romero iniciou a sua Trilogia dos Mortos, série de filmes formada por A noite dos mortos-vivos (Night of the Living Dead, 1968), O despertar dos mortos (Dawn of the Dead, 1978) e O dia dos mortos (Day of the dead, 1985).
O primeiro filme, produção independente rodada em branco e preto com apenas 100 mil dólares, foi um sucesso instantâneo. A fita transcedeu a barreira dos Filmes B e transformou-se num clássico do cinema de terror pela inventiva visão de Romero sobre o gênero – sempre preocupado com a reação emocional das pessoas envolvidas com os fatos sobrenaturais que propunha.
Depois de A noite dos mortos-vivos, Romero fez alguns novos filmes, mas não atingiu o patamar do seu debute, que chegou até mesmo a ser adicionado ao acervo da National Film Registry (orgão norte-americano dedicado à preservação do patrimônio cinematográfico do país). Assim, concentrou-se em O despertar dos mortos, uma continuação que superou o original em bilheteria e foi recentemente eleita um dos filmes mais cultuados de todos os tempos pela Entertainment Weekly. O sucesso é merecido. Por trás do filme de terror, a história explora as emoções exacerbadas que afloram em situações de dificuldade e confinamento, bem como a cultura do consumo e o capitalismo.
O capítulo final da trilogia não teve o mesmo sucesso. Apesar de bastante interessante, O dia dos mortos foi mal recebido pela crítica e teve uma bilheteria fraca. Começava aí o declínio da carreira de Romero, que passou a produzir pouco e não conseguia evitar que seus filmes fossem lançados direto em vídeo. Mesmo a refilmagem de A noite dos mortos-vivos, produzida em 1990 e dirigida por Tom Savini, acabou sendo um fracasso de bilheteria. Hollywood deixava assim um dos maiores mestres do terror de molho por alguns anos.
Ressuscitando o morto-vivo
Felizmente, com o lançamento e o enorme sucesso financeiro de Extermínio (28 days later, de Danny Boyle, 2002) – claramente baseado na obra de Romero -, a Meca do cinema lembrou-se do homem que criou praticamente sozinho o gênero e as regras do “filme de morto-vivo”. Bastou que os dólares começassem a entrar nos cofres da Fox com a produção britânica para que a Universal corresse para encomendar uma refilmagem de O despertar dos mortos.
A produção, intitulada Madrugada dos mortos (Dawn of the Dead, 2004) por aqui, começou certa desde a concepção. Para a adaptação e modernização do texto de Romero o estúdio chamou James Gunn (Scooby-Doo), que tem em seu currículo trabalhos para a Troma, a aclamada produtora de filmes trash de baixíssimo orçamento. Para assumir a direção, o estúdio trouxe o estreante em longas-metragens Zack Snyder. Egresso do mercado publicitário e dos videoclipes, o diretor conseguiu revestir o clássico de altas doses de suspense e aplicar um visual moderníssimo, que mistura a estética MTV com o visual dos videogames. Entre uma mordida de zumbi e outra, o filme ganhou também excelentes sacadas de humor.
Em Madrugada dos mortos elementos foram incorporados à trama de 68 e uma das regras básicas do universo de Romero foi completamente deturpada – agora os defuntos reanimados são ágeis como os infectados de Extermínio -, mas a essência do trabalho original permanece. O único aspecto que sofre na refilmagem é mesmo o discurso social sobre o consumo, totalmente amenizado em favor da ação (e da bilheteria).
O filme tem início com Ana (Sarah Polley), uma enfermeira simpática que vai pra casa descansar após um exaustivo turno no hospital em que trabalha. Chegando no seu lar, conforta-se com o marido e a filha e dorme tranqüila, ignorando os “plantões do Jornal Nacional” que teimam em pipocar na TV que o esposo zapeia. No meio da noite, a filhinha do casal entra no quarto. Seu rosto está mordido, sem lábios. Desesperada, Ana age rapidamente para cuidar da menina, apenas para vê-la atacar e morder o pai com ferocidade incrível. Começa o pesadelo de Ana, que é obrigada a fugir por uma cidade tomada pela loucura: mortos comem os vivos que ressuscitam famintos num ciclo inexplicável.
A enfermeira acaba encontrando outros humanos ainda intocados pela praga – que sabiamente não tem qualquer tentativa de explicação científica, filosófica ou místico-religiosa no filme. Assim, ruma ao lado de Kenneth (Ving Rhames), Michael (Jake Weber), Andre (Mekhi Phifer) e a grávida Luda (Inna Korobkina), até o local que julgam mais seguro: um shopping center de alto padrão no alto de uma colina. Lá o grupo encontra alguns guardas de segurança e inicia uma desesperada tentativa de sobrevivência enquanto lentamente é sitiado por milhares de cadáveres famintos.
O resultado é promissor. O filme teve uma ótima bilheteria nos Estados Unidos, algo bastante empolgante para os fãs de Romero. Fora da toca, o cineasta já andou tecendo alguns comentários sobre uma possível nova aventura da sua série clássica e está atualmente dirigindo Diamond Dead, uma comédia de humor negro com toques de musical. Nela, todos os integrantes de um grupo de rock dos anos 80 morrem… apenas para voltarem à vida como zumbis rock´n´roll.