13.096-Crise-Corte de 120 milhões de reais do orçamento da Fapesp


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A FAPESP – FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – É UM ORGULHO NACIONAL E EXEMPLO A SER SEGUIDO NO MUNDO INTEIRO
Contribui há várias décadas, para o avanço do conhecimento no Estado de São Paulo e no país. Com a concessão de bolsas e auxílios para a execução de pesquisas científicas e tecnológicas em todas as áreas do conhecimento, a instituição vem apoiando estudos e a divulgação da ciência desde 1962, quando começou a funcionar. Assim, é incompreensível a decisão da Assembleia Legislativa de São Paulo que aprovou uma lei orçamentária desviando 120 milhões de reais da dotação assegurada pela Constituição do estado à instituição, nos últimos dias de 2016 – em outras palavras, um grande corte. Essa decisão não apenas contraria a Constituição estadual, que determina o repasse de 1% da receita tributária para a Fapesp, como causará um prejuízo irreversível à ciência paulista e brasileira. O valor, segundo a decisão, irá para o fortalecimento de institutos de pesquisas estaduais (como o Butantan ou o Biológico), que estariam em penúria. Entretanto a Fapesp sempre apoiou bons projetos independentemente de estarem nas universidades ou nos institutos. O erro abre um precedente perigoso – além de ser o único órgão científico do estado com tradição de independência em relação ao Executivo, tirar recursos de um lado (que funciona) para cobrir outro não pode ser um argumento defensável.
Defensores dessa decisão catastrófica alegam que é preciso investir mais em pesquisas aplicadas. Ledo engano! Os maiores e mais revolucionários avanços tecnológicos foram gerados pelas pesquisas básicas. A eletricidade, por exemplo. Inicialmente, ninguém sabia sua utilidade. Foi a pesquisa básica que desvendou suas características e, assim, possibilitou seu uso. Tente imaginar viver numa sociedade sem eletricidade… Quem poderia acreditar que a teoria da relatividade, proposta por Einstein no início do século XX, seria responsável por um terço da economia mundial na atualidade?
Descobertas recentes de laboratórios de pesquisa básica em biologia e genética revolucionarão a medicina. Por exemplo, Shinya Yamanaka, pesquisador japonês ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2012, mostrou que é possível reprogramar células já diferenciadas tornando-as pluripotentes, portanto, capazes de gerar qualquer tipo de célula. Esse conhecimento básico possibilitará um salto gigantesco na medicina regenerativa. Jennifer Doudna e Emanuelle Charpentier descobriram que é possível “editar” genes em bactérias, ou seja, modificá-los, por meio de uma técnica revolucionária chamada CRISPR/Cas9. O conhecimento gerado por esses estudos, realizados em laboratórios de pesquisa básica, já vem sendo utilizado para tratar alguns tipos de câncer. E o prosseguimento dessas pesquisas possibilitará a correção de mutações e o tratamento de inúmeras doenças, inclusive transplante de órgãos. Essa tecnologia, cujo impacto na agricultura, pecuária e medicina serão gigantescos, foi rapidamente incorporada aos nossos laboratórios graças à Fapesp.
No fim da década de 90, a Fapesp financiou um projeto que envolveu trinta laboratórios, o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, praga da laranja. O objetivo primário era capacitar um número expressivo de cientistas nessa nova tecnologia de sequenciamento genômico. O sucesso do projeto foi tal que ganhou a capa da prestigiosa revista Nature, colocando o Brasil no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Graças a esses avanços, hoje essa tecnologia tem uma aplicação gigantesca na agricultura, pecuária e na medicina.
Em 2004, pesquisadores do Instituto de Biociências da USP, apoiados pela Fapesp, descobriram em famílias brasileiras um gene responsável por uma forma hereditária de esclerose lateral amiotrófica (ELA – a doença do famoso cientista britânico Stephen Hawking). Posteriormente, descobriu-se que esse gene estaria envolvido em outras formas de ELA, o que abriu um novo leque de pesquisas no mundo inteiro na busca por um tratamento. Mais recentemente, também com apoio da Fapesp, foram sequenciados os genomas de cerca de 1 400 pessoas com mais de 60 anos, constituindo o primeiro e maior banco genômico da população idosa brasileira, que contribuirá para a identificação dos fatores genéticos e ambientais responsáveis por um envelhecimento saudável.
Resultados expressivos em ciência envolvem investimentos contínuos e atualizados, pois a construção do conhecimento depende de estudos e experimentos, infraestrutura adequada e da formação de recursos humanos qualificados para sua realização. Essa concepção norteou a criação da Fapesp, em 1960, levando ao estabelecimento de um porcentual da arrecadação do ICMS do estado para garantir a continuidade do financiamento das pesquisas em São Paulo. Nessa ocasião, o governador Carvalho Pinto declarou: “Se me fosse dado destacar alguma das realizações da minha despretensiosa vida pública, não hesitaria em eleger a Fapesp como uma das mais significativas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país”. A Fapesp tem hoje 57 anos de inquestionáveis contribuições ao desenvolvimento de São Paulo e do Brasil. O corte de 120 milhões no orçamento da Fapesp, associado à redução dos recursos decorrente da própria queda na arrecadação do ICMS, ferirá irreparavelmente esse patrimônio histórico. O investimento no desenvolvimento científico e tecnológico, por meio desse órgão fundamental, é a melhor garantia de desenvolvimento crescimento econômico, social e cultural do país.

10.413 – Fapesp fecha acordo para participar de megatelescópio no Chile


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O Estado de São Paulo acaba de formalizar sua adesão ao consórcio internacional que constrói um dos megatelescópios de próxima geração para a astronomia, o GMT (Giant Magellan Telescope), com 25 metros de diâmetro.
A ser erguido no Chile sob liderança de americanos, australianos e sul-coreanos, o projeto deve começar operações em 2021. O custo total da iniciativa é de US$ 880 milhões, dos quais US$ 40 milhões sairão da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
O GMT é um dos concorrentes do ELT (Extremely Large Telescope), com 39 metros de diâmetro, um projeto do ESO (Observatório Europeu do Sul), do qual o Brasil é membro provisório. O governo federal havia assinado um acordo em 2010 para integrar a organização europeia e ter acesso ao ELT, a um custo de US$ 371 milhões. Até hoje o Congresso Nacional não aprovou a liberação da verba.
No ELT, o Brasil não tem garantia de tempo de telescópio -cada projeto individual é julgado pelo mérito científico. No caso do GMT, uma comissão brasileira julga o mérito dos projetos, mas o tempo do país está garantido.
Barbosa também destaca a possibilidade real e imediata de participar da construção da infraestrutura que dará suporte ao telescópio. “Também poderemos desenvolver instrumentação futura”.

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8717 – Vacina brasileira contra Aids testada em macacos


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Pesquisadores vão testar em macacos uma vacina brasileira contra o vírus HIV, a partir do segundo semestre, informou uma nota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), nesta segunda-feira (5-de agosto-2013).
A previsão é que os experimentos durem 24 meses, e o objetivo é encontrar um método de imunização mais eficaz contra a Aids para ser usado em seres humanos.
O imunizante contido na vacina foi desenvolvido e patenteado por cientistas da Faculdade de Medicina da USP, e batizado de HIVBr18. O projeto teve início em 2001 e foi desenvolvido por três pesquisadores – Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca.
Vantagens
A atual etapa do teste pré-clínico, a ser realizada no segundo semestre, vai ser feita em uma colônia de macacos rhesus mantida pelo Instituto Butantan. A vantagem de fazer os testes, é a similaridade entre o sistema imunológico humano e o dos macacos, e o fato de eles serem suscetíveis ao vírus SIV, que deu origem ao HIV.
Os cientistas avaliam que, no atual estágio de desenvolvimento, a vacina não deve eliminar totalmente o HIV do organismo, mas poderia manter a carga dos vírus reduzida ao ponto um infectado não desenvolver a imunodeficiência e não transmitir o vírus.
A vacina também pode vir a ser usada para fortalecer o efeito de outras contra a Aids, como uma que está sendo desenvolvida por cientistas da Universidade Rockfeller, em Nova York, nos UEA, criada com uma proteína do vírus chamada gp140.
“Em um experimento conduzido pela pesquisadora Daniela Rosa, observamos que a pré-imunização com a HIVBr18 melhora a resposta à vacina feita com a proteína recombinante do envelope do HIV gp140, que é a responsável pela entrada do vírus nas células”, disse Cunha Neto, em entrevista à Fapesp.
“Uma vacina capaz de induzir a produção de anticorpos contra essa proteína [gp140] poderia bloquear a infecção contra o HIV”, completou Cunha Neto.
O projeto é atualmente conduzido no ambito do Instituto de Investigação em Imunologia, considerado um dos institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCT) vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com apoio da Fapesp.
O projeto teve início a partir da análise do sistema imunológico de um grupo especial de portadores do HIV, que mantinham o vírus sob controle por mais tempo que o normal e apresentavam demora para adoecer.
Nestes pacientes, a quantidade de linfócitos T do tipo CD4 (TCD4), tipo de glóbulo branco que é alvo do vírus HIV, permaneciam em níveis mais elevados do que o normal.
Naquela época, os pesquisadores isolaram peptídeos (pequenos pedaços de proteínas) do vírus HIV entre os mais estáveis (que se mantém presentes em quase todas as cepas) e testaram com a ajuda de um programa de computador.
A ideia foi selecionar os peptídeos com mais chances de serem reconhecidos pelas células TCD4 do sistema imunológico dos pacientes infectados com o HIV. Foram escolhidos 18 entre os peptídeos testados.
Os 18 peptídeos foram recriados em laboratório e codificados em uma molécula circular de DNA, chamada de plasmídeo. Os resultados foram publicados em 2006 na revista científica “Aids”.
Testes em laboratório feitos com amostras de sangue de 32 pessoas com HIV com diferentes condições imunológicas e genéticas mostraram que, em mais de 90% dos casos, ao menos um dos peptídeos era reconhecido pelas células imunológicas.
Os processos foram aperfeiçoados e novos testes foram feitos, inclusive um novo experimento com camundongos geneticamente modificados para expressar moléculas do sistema imunológico humano, cujas conclusões saíram na revista científica “PLoS One”, em 2010.
Para pesquisas recentes, o grupo desenvolveu uma nova versão da vacina, com elementos conservados de todos os subtipos do grupo principal do HIV, chamado de grupo M. A vacina foi capaz de induzir respostas do sistema imunológico contra fragmentos de todos os subtipos testados do vírus até o momento.

8289 – O Biotério da Unicamp


Iniciado em 1979 com o apoio da FAPESP, FINEP e CNPq o CEMIB.
Hoje encontra-se entre os mais importantes centros voltados à produção de modelos animais utilizados em pesquisa científica.
O Centro tem reconhecimento internacional e é o único representante do ICLAS (International Council for Laboratory Animal Science) na América Latina.
Apesar de ser chamado pejorativamente de “Campo de Concentração” por ongs protetoras dos animais…

Ali, não é qualquer um que consegue entrar e nem se entra de qualquer jeito. Primeiro, o visitante abandona os sapatos, pula o muro de 0,5 metro e apanha chinelos. Então, um corredor comprido conduz ao banheiro, onde quatro duchas, juntas, expulsam do corpo nu a sujeira vinda de fora. Uma roupa esterilizada fica à espera. De banho tomado e vestida como um cirurgião, a pessoa abre a porta que dá para um cubículo, menor do que um elevador, decorado apenas com um interfone. Ela, assim, pede autorização para passar e, se a resposta é positiva, recebe jatos de ar, que correm do teto em direção ao chão, para varrer eventuais clandestinos, como insetos —afinal o banheiro ainda fica em uma área considerada suja. Só quando se destranca a outra porta do cubículo, oposta à primeira, é que se vai para a chamada área limpa, freqüentada apenas por quem passou por todo esse ritual e pelos animais destinados a experiências científicas.
Esse é o roteiro de quem visita o biotério central da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, um dos raros exemplares brasileiros que seguem os padrões internacionais estabelecidos para esses locais de criação. “As portas que interrompem o percurso têm maçanetas eletrônicas, acionáveis só de um lado— o de entrar, nunca o de sair.
Hoje em dia, é verdade, os pesquisadores procuram economizar cobaias, deixando-as para a última etapa de seu trabalho, iniciado com simulações em computador ou mesmo observando-se culturas de células em tubos de ensaio.
Sem os animais, contudo, a roda das ciências biológicas não teria girado: talvez ainda se acreditasse que os organismos obedecem a leis mecanicistas sendo um punhado de células isoladas entre si, funcionando certinhas como um relógio. Na década de 1870, porém, o francês Claude Bernard (1813 -1878), um dos precursores da Fisiologia experimental demonstrou com a ajuda de cobaias que existia uma relação entre todos os órgãos. Mas hoje se sabe: não é qualquer animal que serve para o pesquisador. Às vezes, precisamos de uma cobaia com certa doença hereditária, para estudar um fenômeno especifico. Mesmo assim, ela não pode ter outros problemas de saúde, porque isso influenciaria o resultado da experiência.

8114 – Biologia – Unesp cria o primeiro biobanco veterinário do Brasil


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As amostras de tecidos afetados por tumores ou por doenças infecciosas armazenadas nos chamados biobancos têm se tornado ferramentas preciosas para pesquisadores que se dedicam a estudar a evolução natural das enfermidades ou a buscar marcadores genéticos que ajudem a prever o prognóstico de um paciente e sua resposta ao tratamento.

Em 1997, o Hospital A.C.Camargo inaugurou a primeira estrutura do gênero no país para abrigar tecidos humanos afetados por tumores. Agora, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, acaba de implantar o primeiro banco de tecido biológico voltado exclusivamente para animais.

O trabalho começou em 2010, sob a coordenação da professora Noeme Sousa Rocha, do Departamento de Clínica Veterinária. Hoje, há cerca de 50 amostras armazenadas, todas de tecidos caninos afetados por tumores e coletadas durante pesquisas desenvolvidas pelos pós-graduandos da instituição.
A montagem do banco contou com o apoio da FMVZ, que providenciou um freezer específico e a reforma da área onde a estrutura foi instalada. O software usado para gerir o banco e facilitar a troca de informações entre os pesquisadores foi doado pelo Hospital A.C.Camargo. Os demais equipamentos foram adquiridos por meio de projetos apoiados pela FAPESP e pelo CNPq.

7675 – Medicina – Aterosclerose, Causas e Riscos


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Diversas evidências têm demonstrado que indivíduos portadores de lesão da medula espinhal (LM) apresentam maior carga aterosclerótica e pior função diastólica do ventrículo esquerdo quando comparados com sujeitos saudáveis. Estes achados parecem ser independentes de fatores de risco tradicionais, como idade, hipertensão arterial, índice de massa corpórea, alterações metabólicas, tabagismo ou níveis séricos de fatores inflamatórios. Por outro lado, a aterosclerose subclínica de indivíduos normotensos com LM apresenta forte correlação com a pressão arterial diastólica aferida pela Medida Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), sugerindo que as células vasculares/inflamatórias destes indivíduos podem ser mais sensíveis ao estímulo hemodinâmico/mecânico. Além disto, diversas evidências têm sugerido que parte das alterações cardiovasculares associadas à LM podem estar relacionadas à inatividade física extrema à qual estes indivíduos estão expostos. Tais evidências apontam para a LM em humanos como um modelo com características únicas, cujo estudo pode expandir a compreensão da fisiopatologia da doença aterosclerótica e da disfunção diastólica. O objetivo deste estudo será investigar potenciais mecanismos envolvidos na aterogênese e disfunção diastólica associadas à LM. Neste contexto, investigaremos a atividade/expressão plasmática de metaloproteinases e a concentração plasmática de LDL-oxidada, renina, angiontesina II e catecolaminas e avaliaremos suas correlações com a espessura íntima-média (EIM) carotídea e parâmetros ecocardiográficos em indivíduos sadios, em sujeitos com LM sedentários e em atletas com LM. Além disto, analisaremos os efeitos do estiramento mecânico in vitro sobre a ativação de monócitos obtidos de sangue periférico e faremos a correlação destes dados com a magnitude de EIM carotídea de indivíduos sadios e com LM.
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma afecção crônica grave que acomete, principalmente, pacientes idosos com fatores de risco para aterosclerose. A evolução para isquemia crítica de membros, caracterizada por dor em repouso, gangrenas ou úlceras isquêmicas, ocorre em cerca de 5-10% dos casos; podendo evoluir para amputação em 1,0 a 3,3%. Particularmente nos diabéticos, pode estar associada a infecções graves das extremidades, dificultando o salvamento desses membros. Grande contingente de pacientes chega aos serviços de cirurgia vascular em estágios avançados de infecção nas extremidades, com risco de septicemia e de morte, o que impõe a necessidade de amputação imediata para estes casos. Uma alternativa para estes é a estratégia de amputações estagiadas, sendo a primeira em guilhotina para drenagem da infecção e a segunda fechada em nível mais proximal, após o controle do processo infeccioso. Este tipo de abordagem mostrou-se seguro devido à redução do risco de falha na segunda amputação, ao menor risco de amputações em níveis mais altos, à menor frequência de revisão de cotos e à mortalidade similar à amputação em um estágio. Portanto, o objetivo deste trabalho será avaliar, retrospectivamente, nas amputações estagiadas, a taxa de sucesso da cicatrização primária da segunda amputação e tempo entre as duas; perfil demográfico, passado mórbido e condições de apresentação do membro acometido desses pacientes do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu no período de Janeiro de 2007 a Dezembro de 2011.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade no mundo. A aterosclerose encontra-se no topo dessas doenças, estando relacionada à doença arterial coronariana, à doença vascular-cerebral e à doença vascular periférica e responsável por mais vítimas fatais do que todos os tipos de Câncer combinados. A aterosclerose é uma doença crônico-inflamatória multifatorial com o envolvimento do sistema imunológico, tendo atuação da imunidade inata e adaptativa e sendo o resultado da interação de diferentes elementos celulares como linfócitos, macrófagos, células endoteliais e células musculares lisas. A lipoproteína de baixa densidade (LDL) tem importante atuação nas doenças cardiovasculares, sendo considerada o principal fator de risco para o seu desenvolvimento, quando em níveis elevados. A LDL nativa (LDLn) pode sofrer diferentes tipos de modificações, podendo variar quanto ao tamanho, à carga elétrica, à estrutura e à composição.

6964 – Ciência e Inovação



Tales de Mileto, geômetra e astrônomo considerado por alguns o primeiro cientista, foi também um hábil transformador de conhecimento em riqueza. Em um certo ano, previu que haveria uma grande safra de olivas e comprou muitas prensas de óleo, revendendo-as na safra. Assim conseguiu uma grande receita e satisfez necessidades dos produtores de óleo. Se não tivesse acumulado as prensas que mandou fazer, não haveria como prensar todas as azeitonas. Portanto, o primeiro cientista soube usar o conhecimento para gerar riquezas, para si e para outros.
No contexto de hoje temos um desafio global, criado por uma população crescente e expectativa de aumento de consumo, num quadro de recursos naturais finitos. Ambicionamos o desenvolvimento sustentável ou durável, que requer novo conhecimento. E precisamos também mudar atitudes.
O novo conhecimento científico cria possibilidades de inovação, mas também coloca perguntas: qual ciência? Qual inovação? Os recursos são sempre limitados, especialmente em países de renda per capita e índice de desenvolvimento humano baixos. No Brasil, que tem pouca infraestrutura, a situação se torna particularmente séria e as questões se desdobram: onde se deve gastar? Quanto se pode gastar? Quem vai gastar? Como? Os gastos feitos proporcionarão sustentabilidade para o sistema? Para o país? Para o mundo? Essas questões devem estar sempre presentes nas mentes de cientistas, pesquisadores e gestores.
Hoje há no mundo muitos grupos envolvidos com estes problemas. O chamado Grupo Carnegie é formado por ministros de C&T de países do G8 e trata, entre outros temas, das Research Facilities of Global Interest. Estas são hoje principalmente os grandes aceleradores de partículas e observatórios astronômicos. Recentemente o Grupo Carnegie começou a discutir as necessidades de ciência para a sustentabilidade e a transição rumo à economia “verde”. Uma conclusão atual é a de que não existem as infraestruturas que deveriam estar disponíveis, independentemente de méritos intrínsecos das que já existem. Ou seja, não há facilities aptas para sediarem o trabalho científico requerido para o enfrentamento dos problemas globais. Essa situação faz voltar à pergunta: qual ciência?
Há 10 anos, em meio à euforia em torno da nanotecnologia, alguns a descreviam como a solução de todos os problemas da humanidade. Também a energia nuclear foi apresentada, em meados do século XX, como uma solução para todos os problemas – e nós sabemos o que aconteceu. Qualquer nova tecnologia cria riscos ambientais, sociais e econômicos e isso vale para a nanotecnologia. Portanto, as decisões sobre incentivos à inovação e à ciência que ela demanda têm de ser instruídas por uma análise do equilíbrio entre benefícios e riscos.
Ciência e inovação exigem paixão, ilustrada em um quadro que mostra Pasteur concluindo um experimento enquanto madame Pasteur se prepara para sair. Mas o seu marido estava muito ocupado e não conseguia cuidar da vida social sem ter a resposta que lhe seria dada pelo experimento. Pasteur é um grande exemplo de capacidade de fazer, ao mesmo tempo, criação científica e inovação, salvando vidas. Segundo ele, “não existe uma categoria de ciência que se pode chamar de ciência aplicada. O que existe são ciências e aplicações da ciência, interligadas como uma árvore e seu fruto”. Para entender a frase, lembremos que Pasteur era um bom católico, familiarizado com o Evangelho de São Lucas, onde lemos que a árvore que produz maus frutos não é boa e a que produz bons frutos não é má. Aí estão duas ideias: primeiro, tanto a árvore como os frutos podem ser bons ou maus. Além disso, não somente a árvore dá o fruto, mas o fruto também dá a árvore, isto é, os processos que relacionam ciência e inovação não são lineares, nem unidirecionais.
Por isso mesmo, o Instituto Pasteur, um antigo e sempre moderno templo mundial da ciência, é também titular de 382 pedidos de patentes depositados no USPTO desde 2001. Faz ciência e inovação de primeira e ambas se fertilizam mutuamente, criando uma sustentabilidade que não é observada em outras organizações de pesquisa importantes.

FAPESP – Fórum Mundial da Ciência 2013

6940 – Mega Documentário – Veneno na sua mesa


Muita gente se depara com o dilema do preço. É fato que, na maior parte das cidades brasileiras, ainda é mais caro comer alimentos orgânicos. Este é, no entanto, o típico caso do barato que sai caro para o país. Nosso sistema agrícola dominante não leva em conta questões como:
1. O custo social representado pelo abandono do campo pelos pequenos produtores e inchaço das periferias urbanas;
2. O custo em saúde pública que tem origem no enorme número de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos, seja de forma aguda ou crônica (câncer, doenças neurológicas e endócrinas entre outras);
3. O custo ambiental devido à contaminação química do ar, da água e do solo, à perda da fertilidade do solo e da biodiversidade.

Nossas faculdades de agronomia formam cada vez mais profissionais que vão reproduzir essa forma de tratar a terra e a produção de alimentos. “Nas faculdades de agronomia predomina o ensino da agricultura baseada em insumos químicos, gerando carência de profissionais que sabem cultivar a terra sem apelar para eles. Para complicar de vez a situação, entidades como a FAPESP, o CNPQ e a CAPES não costumam liberar bolsas de estudos para quem se propõe a estudar agricultura orgânica e familiar.
O pesquisador Joel Cohen, chefe de Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller, nos EUA, segue a mesma linha: “Em 2009-2010, o mundo cultivou 2,3 bilhões de toneladas de cereais. Do total, 46% foi para a boca de pessoas, 34% para animais e 18% para máquinas (biocombustível e plásticos). 90% da soja cultivada no mundo serve para alimentar animais. Nosso sistema econômico não precifica gente que passa fome. A fome é economicamente invisível. Com o que se planta agora, poderíamos alimentar de 9 bilhões a 11 bilhões, mas 1 bilhão passa fome”.
Ao entender que a qualidade do que vai diretamente para dentro do corpo de cada um de nós foi profundamente afetada por uma indústria que objetiva a produtividade acima da saúde da população, o primeiro passo foi dado. Os próximos abrem um caminho longo de busca por mais saúde no prato, no planeta e na sociedade, com espaço para tentativas e aprendizados.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a lavagem dos alimentos apenas contribui para a que uma parte dos agrotóxicos seja retirada, mas não resolve o problema por completo.
A explicação está nos tipos de ação. Os chamados sistêmicos são absorvidos e circulam pelos tecidos vegetais – dessa forma, a distribuição é uniforme e o tempo de ação é maior. De acordo com a Empraba, a movimentação do produto dentro das plantas “permite agir em locais dificilmente alcançáveis pelos produtos de contato”. Este é o segundo tipo, quando o agrotóxico age externamente, por contato mesmo. Ainda assim, alguns podem entrar nos alimentos por meio de porosidades.
Uma boa lavagem remove parte dos resíduos que estão na superfície. Mas os que foram absorvidos continuam lá e são ingeridos junto com o morango, a maça, a cenoura, a beringela…
O que pode ser feito?
– Escolha alimentos certificados, cujos produtores se comprometam com boas práticas agrícolas;
– Procure saber a origem das verduras e frutas que você compra no supermercado;
– Quando possível, dê preferência às opções orgânicas, que não usam agrotóxicos, e escolha produtos “da época”, que não precisaram ser conservados por tanto tempo;
– Mesmo que o resultado não seja 100%, lave bem os alimentos. De acordo com a Anvisa, não é comprovado que o uso de água sanitária na lavagem remove resíduos de agrotóxicos. A finalidade é matar agentes microbiológicos que podem estar presentes no alimento (essa higienização deve ser na proporção de uma colher de sopa de água sanitária para um litro de água).

6925 – Novo mapa global da ciência na revista “Nature” destaca o Brasil


A revista científica britânica “Nature”, uma das mais importantes do mundo, destaca em sua edição de hoje as mudanças que estão afetando a geografia da ciência.
Segundo o periódico, novas redes regionais de colaboração entre cientistas estão aumentando a capacidade de pesquisa de países de economia emergente, entre eles o Brasil, e mudando o equilíbrio global da ciência.
As superpotências da área, os EUA e a Europa, que vêm dominando a pesquisa desde 1945, podem perder a primazia nas próximas décadas, afirma a “Nature”.
Os países com mais tradição científica, caso se acomodem, podem deixar de ser os grande procurados para colaborações e ter de “suplicar” por elas, conforme redes regionais de colaboração no Pacífico e em países de língua árabe crescem, por exemplo.
Segundo a revista, o Brasil possui uma emergente rede de pesquisa na América Latina. A despeito da diferença linguística, o país dobrou sua colaboração científica com Chile, Argentina e México nos últimos cinco anos.
Na edição da “Nature”, há também um texto do diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Carlos Henrique de Brito Cruz, em que ele apresenta números robustos da ciência nacional: 35 mil artigos científicos no ano passado, levando o Brasil à 13ª posição mundial no número de publicações.
Contudo, o país ocupa apenas a 35ª posição no ranking de impacto da pesquisa.
A média de citações de artigos de cientistas brasileiros (principal medida de sua importância para a comunidade científica) em 2011 foi 65% da média mundial. Pior, é a mesma proporção de 1994. O número já foi 75% em fins da década de 2000.
Brito Cruz propõe que o governo desenvolva um plano de apoio a algumas universidades, que as coloque entre as cem melhores do mundo em uma década. “Deve haver uma concertação nacional, em nível federal e estadual, para montar um plano de programa de excelência para algumas universidades.”
Para ele, esse programa deve prever “uma autonomia real para as universidades federais, um sistema totalmente baseado no mérito, um plano agressivo de internacionalização e um sistema mais rigoroso na seleção de alunos e pesquisadores”.
“Não adianta só ter dinheiro, as melhores universidades precisam ter os melhores alunos e professores”.