11.024 – Ensino – Mais da metade dos formados em SP é reprovada pelo Conselho de Medicina


MEDICINA simbolo

Mais da metade (55%) dos recém-formados em medicina no Estado de São Paulo reprovaram na terceira edição do exame que se tornou obrigatório para quem deseja atuar em território paulista.
É o que mostra resultado do “provão” do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), que será divulgado nesta quinta-feira (29-janeiro-2015).

Dos 2.891 recém-formados, só 45% acertaram mais de 60% do conteúdo da prova –critério mínimo definido pelo Cremesp. Entre as escolas médicas públicas, o índice de reprovação foi de 33%. Entre as particulares, a taxa foi quase o dobro, de 65,1%.
O percentual de reprovados no exame de 2014 é bastante semelhante aos dois anos anteriores, quando o exame se tornou obrigatório, o que confirma a persistência de baixa qualidade do ensino médico.

Do total de inscritos, 468 fizeram cursos de medicina em outros Estados brasileiros. Entre os egressos de escolas privadas, o índice de reprovação foi de 78%. Por força de lei, no entanto, o mau desempenho nessa prova não impede o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina).

A prova foi composta por 120 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas de respostas, e abrangeu as principais áreas da medicina, como clínica médica, pediatria, ginecologia e cirurgia médica.
As médias mais baixas foram obtidas em clínica médica (52%), o que demonstra que os futuros médicos continuam saindo das faculdades sem conhecimento suficiente para a solução de problemas frequentes no cotidiano, como atendimento inicial de vítima de acidente de carro ou de tiro, pneumonia, pancreatite ou pedra na vesícula.

10.799 – Cadela que seria sacrificada aprende a diagnosticar câncer de próstata na USP


cadela

Por meio do cheiro da urina, uma cadela pastora belga treinada é capaz de ajudar no diagnóstico de homens com câncer de próstata.
Ela se chama Life e vive em Ribeirão Preto (SP). Após ser adestrada para tal missão médica, foi submetida a 402 testes, de pacientes com e sem câncer da USP, e teve nada menos do que 100% de acerto.
Em 2011, pesquisadores japoneses tinham treinado uma cadela para diagnosticar câncer de intestino. Tanto eles quanto os cientistas brasileiros ainda não sabem exatamente qual substância os cachorros conseguem farejar para ter tanto sucesso.
A história de Life, 4, é um tanto curiosa. Ela era da Polícia Militar de Goiás e seria sacrificada após ser agredida por um rottweiler e apresentar vários problemas de saúde.
O treinador que colaborou com a pesquisa e é também Policial Militar, evitou que isso acontecesse, porém. Ele identificou nela potencial para a atividade científica: era importante encontrar um cão que já fosse treinado para responder a comandos e que tivesse facilidade de aprendizagem.
Em Ribeirão, ela foi ensinada que, ao identificar na urina odor com câncer de próstata, deve ficar sentada, sem sair do lugar até seu treinador determinar. Se não há câncer, ela logo volta a se mexer.
O sucesso de Life não significa, porém, que em breve hospitais contarão com um exército de cães farejando amostras de urina de pacientes com suspeita de câncer de próstata, em substituição aos tradicionais exame de sangue e de toque ou da biópsia.
Isso porque o treinamento canino leva tempo. Life precisou de dois anos. A cadela usa no Japão levou quatro, quase uma faculdade de medicina humana –e a “vida útil” de um cão é bem menor do que a de um médico.
Além disso, não são todos os cães que têm o faro aguçado o suficiente ou se adaptam a essa missão. Ainda não se sabe bem quanto custaria um projeto em larga escala ou como se resolveria as dificuldades que a presença em massa de cães num hospital poderia causar.
Segundo Rodolfo Borges dos Reis, médico urologista da faculdade de medicina da USP Ribeirão, o grande desafio científico, na verdade, é descobrir qual marcador na urina Life fareja, o que poderia permitir que se tentasse detectá-lo em laboratório.

8763 – Coração feito com células-tronco é capaz de bater sem ajuda de aparelhos


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Pela primeira vez, um coração feito em laboratório a partir de células humanas foi capaz de se contrair e apresentar batimento. Cientistas relataram o avanço em um estudo publicado, no periódico científico Nature Communications.
Um coração feito com células-tronco pluripotentes induzidas, obtidas a partir de células humanas da pele, e uma estrutura tridimensional resultante de um coração de camundongo que teve todas as células removidas apresentou batimento espontâneo em laboratório.
A equipe de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, Estados Unidos, criou o coração usando células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que são obtidas a partir de células humanas da pele e podem se transformar em qualquer tipo de célula, e uma estrutura tridimensional resultante de um coração de camundongo que teve todas as células removidas em laboratório.
As células-tronco pluripotentes foram tratadas em laboratório para se diferenciarem em células cardíacas progenitoras multipotentes (MCP), capazes de originar diferentes tipos de células que formam o coração. “Ninguém tinha tentado utilizar essas células para regeneração cardíaca antes. Nós descobrimos que a matriz extracelular do coração – material a partir do qual é feita a estrutura do coração – emite sinais que guiam as células MCP para que elas se tornem as células especializadas que são necessárias para o funcionamento correto do coração”, explica Lei Yang, professor de biologia do desenvolvimento na Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, e um dos autores do estudo.
Inseridas na estrutura tridimensional, composta de proteínas e carboidratos aos quais as células aderem, as células cresceram e originaram um músculo cardíaco. Após 20 dias sendo irrigado com sangue, o órgão reconstruído começou a se contrair novamente, a uma taxa de 40 a 50 batimentos por minuto.
Ainda é preciso, porém, encontrar formas para fazer o coração se contrair forte o suficiente para bombear sangue de forma eficaz e reconstruir o sistema de condução elétrica do coração — para um adulto, o ritmo cardíaco normal varia entre 60 e 100 batimentos por minuto. “Ainda estamos longe de fazer um coração humano completo. No entanto, nós oferecemos uma nova fonte de células — células MCPs derivadas de iPS — para a futura engenharia de tecido cardíaco”, afirma o pesquisador.

Benefícios práticos imediatos:
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 17 milhões de pessoas morram de problemas cardiovasculares todos os anos, a maioria vítima de doenças do coração. Yang acrescenta ainda que mais de metade dos pacientes com doenças cardíacas não respondem adequadamente às terapias existentes, e a quantidade de órgãos disponíveis para transplante não é suficiente.
“Um dos nossos objetivos futuros é estudar a possibilidade de criar um implante de músculo cardíaco humano. Nós poderíamos usá-lo para substituir uma região danificada por um ataque cardíaco. Isso pode ser mais fácil de conseguir, porque não vão ser necessárias tantas células quanto um coração completo precisaria”.

8344 – Novas pesquisas comprovam benefícios da aspirina diária


Aspirina

Pessoas com mais de 45 anos deveriam pensar em ingerir uma pequena dose diária de aspirina para se proteger contra doenças cardiovasculares e até câncer, concluiu um painel de analistas na Grã-Bretanha nesta quarta-feira, segundo o jornal The Daily Telegraph. Para os participantes, cada vez há mais provas de que os benefícios do remédio para pessoas de meia idade superam os eventuais efeitos secundários.
Um estudo de cientistas da Universidade de Oxford, publicado na revista médica The Lancet, já indica que tomar diariamente 75 miligramas de aspirina durante cinco anos reduz em 25% o risco de desenvolver câncer do cólon – e as mortes em decorrência da doença também caem em um terço. Conforme a pesquisa, a ingestão periódica do medicamento poderia salvar milhares de vidas todos os anos.
O professor Peter Rothwell, neurologista de Oxford que dirigiu o estudo sobre o câncer colorretal e participou do debate, contou que já começou a tomar sua dose de aspirina. “Suspeito que dentro de cinco ou dez anos, estaremos receitando aspirinas às pessoas de meia idade e não só pelos benefícios vasculares que se conhecem”. Rothwell ainda considera “sensato” as pessoas adotarem a rotina de ingerir o remédio diariamente a partir dos 45 anos, uma vez que entre os 40 e os 55 anos o risco de câncer aumenta significativamente.
O professor Peter Elwood, da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff (Reino Unido), que dirigiu o primeiro estudo sobre os efeitos da aspirina em doenças cardiovasculares, afirmou que “estamos diante de um marco de enorme importância para a comunidade em geral”. Outros analistas advertem, no entanto, que a aspirina pode dobrar a incidência de hemorragias gastrintestinais, que é atualmente de uma para mil pessoas ao ano. “O problema é que se recomendarmos algo a toda a população, teremos de enfrentar os efeitos secundários”, ressalva o professor de genética John Burns, da Universidade de Newcastle.

7936 – Genoma – Megaestudo localiza novas alterações genéticas ligadas ao câncer


genoma câncer

Um conjunto de treze artigos científicos assinados por pesquisadores de mais de 160 grupos espalhados pelo mundo apresenta uma análise em larga escala de alterações genéticas ligadas ao câncer.
O resultado é a descoberta de mais de 70 novas alterações em regiões do genoma cuja presença indica uma probabilidade maior de desenvolver tumores de próstata, mama e ovário.
Além de ajudar a desvendar como essas “trocas de letras” do DNA contribuem para o aparecimento da doença, o objetivo do trabalho é mudar a forma como o câncer é rastreado na população, personalizando a indicação de exames que procuram sinais precoces da doença, como mamografias.
Hoje já se sabe que 30% dos cânceres têm um componente hereditário. Quando os médicos suspeitam, pelo histórico familiar, por exemplo, que uma pessoa carrega uma predisposição ao câncer, é possível realizar testes genéticos para confirmar isso e tomar precauções.
Já há no mercado, na rede privada e em centros de pesquisa também de instituições públicas, testes que procuram no genoma dos pacientes essas alterações nas “letras químicas” que indicam doenças. No entanto, eles só buscam um pequeno número de mudanças bem conhecidas e associadas ao risco.
Entre elas estão as alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, fortemente ligadas a câncer de mama e ovários.
Além de melhorar o diagnóstico, os resultados obtidos nessa força-tarefa científica podem ampliar as opções de tratamento disponíveis, dizem pesquisadores evolvidos nos trabalhos.

Houtan Noushmehr, inglês criado nos EUA que é professor do departamento de genética da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e integrante de um dos grupos de trabalho desse esforço internacional, afirma que foram procuradas regiões que, por exemplo, ativam ou silenciam outros genes.

O conhecimento sobre as funções desses pedaços do DNA pode vir a ajudar a criação de novos tratamentos, mas ainda serão necessários mais estudos para isso.
Para o corpo funcionar bem, as bases que compõem o DNA (identificadas pelas letras A, G, C e T) precisam estar em uma “ordem correta”. Mas, não raro, há erros de “ortografia”. Alguns afetam coisas muito pequenas, mas outros significam uma probabilidade maior de doenças.
Antes de começar essa pesquisa, os cientistas já tinham disponível, por meio de trabalhos anteriores, um conjunto de mais de 200 mil “trocas de letras” do DNA suspeitas de ligação com o câncer.
Essas alterações foram colocadas em um chip, usado para avaliar pedaços de DNA de 100 mil pessoas com tumores de próstata, mama e ovário e 100 mil saudáveis.
Um dos problemas do novo estudo é que a maioria das amostras vem da população da Europa e da América do Norte, por isso é difícil saber o quanto os resultados podem ser extrapolados para outras regiões do mundo.

7904 – Qual a função do sono


Mente nenhuma funciona direito sem uma boa noite de sono. Mas ninguém sabe exatamente por que todos os animais precisam dormir, que papel esse período de descanso tem no metabolismo do cérebro, que mecanismos são acionados para se fazer o trabalho que tem de ser feito. Quem descobrir a função do sono ganha o prêmio Nobel, diz um neurologista do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Há uma limitação técnica. Estamos tentando mensurar dados muito subjetivos. Qual o papel do riso, da alegria, na saúde das pessoas?”
Uma hipótese bastante forte é a de que, nos primeiros anos de vida, o sono tenha um papel importante na maturação do sistema nervoso central. Outra é que ele sirva para reposição de energias. Acredita-se também que é durante o sono que acontece a transposição da memória temporária para a memória permanente. E é fato que é quando dormimos que o hormônio de crescimento é secretado. A maior dificuldade está em saber como essas coisas se processam.
Para complicar, o sono é composto de dois estados muito diferentes entre si. Estudos feitos com eletroencefalograma mostram que há uma alternância de períodos em que ondas cerebrais são longas e lentas e outros em que a atividade cerebral lembra muito o estado desperto. Conhecido como sono REM (do inglês Rapid Eye Movement, movimento rápido dos olhos), o período de maior atividade se caracteriza pelos rápidos movimentos dos olhos, o amortecimento dos músculos e a alta incidência de sonhos. O outro estágio é conhecido como não-REM e nele também acontecem sonhos, mas com menor frequência.

7894 – Ciência e Espiritualismo – Quando a consciência se separa do corpo


Você já deve ter ouvido falar que tem gente que, de vez em quando, sai do corpo para dar umas voltinhas por aí. Em todo mundo, um número bastante grande de pessoas diz ter sentido seu espírito descolar do corpo e visto a si próprias como se fossem outra pessoa. Esse fenômeno é conhecido como Experiência Extracorporal.
Para os esotéricos, quando dormimos, viajamos para outras dimensões. Além do corpo físico, nós teríamos também corpos sutis. A experiência extracorporal seria literalmente um passeio que um desses corpos sutis, o astral, dá sozinho enquanto o físico fica dormindo.
Embora essa hipótese não seja provável para a ciência como nós a conhecemos hoje, os médicos reconhecem que o fenômeno é um mistério. A alta incidência de narrativas em várias culturas indica que, embora alguns possam simplesmente estar inventando uma história, muitos realmente vivem essa sensação de separação do corpo. O porquê disso, ninguém sabe.
Quase todo mundo um dia, ao acordar, já teve a sensação de estar desperto mas não ter domínio sobre o corpo. Isso é perfeitamente explicável pela medicina. “Acontece durante uma fase de transição do sono para o estado de vigília”, o neurologista Flávio Aloe do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Por algum descompasso, a consciência acorda e a musculatura permanece inibida.”
A experiência extracorporal vai muito além disso, é como se a consciência não só estivesse fora do corpo como razoavelmente distante dele. E ela não acontece só quando as pessoas estão dormindo. Os relatos apontam para algumas situações mais propícias como doença, estresse, meditação, hipnose, mas há até pessoas que dizem que conseguem induzir a experiência. Muitas das pessoas que passaram pela experiência, falam em um cordão que ligaria o corpo sutil ao corpo físico durante todo o período em que se está fora.
Ao que parece, em alguns casos pode-se associar a experiência ao uso de drogas e a doenças mentais, mas pessoas saudáveis também podem passar por uma experiência extracorporal. No artigo Out-of-Body Experiences, Carlos Alvarado, do Centro Caribeño de Estudios Post-Graduados, de San Juan, Porto Rico, faz um levantamento sobre os estudos feitos sobre o tema e demonstra que a relação entre a experiência e uma propensão a psicopatologias não está provada.

7689 – Vacina Contra o Vírus do HIV Começa a ser Testada na França


Uma nova esperança na luta contra o vírus HIV ganha fôlego nas próximas semanas: cientistas franceses vão dar início a testes clínicos com uma vacina contra a aids com 48 voluntários soropositivos em Marselha, no sul da França.
O professor Erwann Loret, responsável pela pesquisa, afirma que não será o fim da aids, mas há expectativa de se conseguir substituir os coquetéis de antirretrovirais, que causam efeitos colaterais desagradáveis, pela vacina.
O infectologista Esper Kallás,professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, tem visão positiva sobre o estudo. “Toda descoberta científica é para ser vista com muito otimismo. Apesar de [a vacina] ainda estar em processo de estudo, podemos ficar bastante animados.”
A vacina terá como objetivo reverter a função da proteína denominada Tat (Transativador de Transcrição Viral), que nos soropositivos protege as células infectadas, fazendo com que o organismo não consiga reconhecê-las e e neutralizá-las.
Dra. Vivian Iida, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, explica que essa proteína é essencial para que o vírus do HIV se multiplique. “A proteína Tat, produzida pelo próprio vírus, viruliza as células do corpo e permite que o HIV tenha uma resposta explosiva dentro do organismo, o que acaba afetando a imunidade do indivíduo.”
Os 48 pacientes serão vacinados três vezes, com intervalo de um mês entre cada dose. Depois, devem suspender o tratamento com coquetéis por dois meses. Se após esses dois meses a taxa de vírus no sangue for indetectável, o estudo terá cumprido os critérios estabelecidos. Os primeiros esboços de resultados são aguardados para o meio do ano.
Em caso de sucesso, 80 pessoas vão participar da segunda fase dos testes. Elas serão divididas em grupos, e metade tomará a vacina e outra, placebo.
Apesar de animador, o anúncio também exige cautela. Os cientistas afirmam que serão necessários vários anos para saber se a vacina constitui ou não realmente um avanço.

6847 – Grupo da USP encontra um fragmento de proteína que ataca o câncer


Pesquisadores da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP descobriram um fragmento de proteína capaz de matar células de tumores.
A molécula é a miosina 5a, que funciona como “um trem de carga” na célula. Os estudos apontaram que os vagões desse “trem” poderiam transportar cargas como os fatores pró-apoptóticos, que coordenam a autodestruição das células e poderiam ser usados contra as células de câncer.
A tese de doutorado do biomédico Antônio Carlos Borges, orientado por Enilza Maria Espreafico, estudou a ação da proteína em camundongos que tinham recebido enxertos de células cancerosas.
Nos animais que tinham o fragmento ativado da miosina, 90% continuaram vivos depois de 28 dias. Sem a ação da molécula, a sobrevivência de outro grupo foi de 60%.
De acordo com Enilza, o próprio corpo combate as células de câncer, que se protegem do ataque. Mas a proteína faz com que elas fiquem mais frágeis e se “suicidem”.
Roger Chammas, pesquisador do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), avaliou o estudo.”Os resultados podem se tornar um futuro medicamento”, diz. Para ele, a pesquisa “provou um conceito, que deve ser mais estudado”.
Já o chefe da Divisão de Biologia Celular do Inca (Instituto Nacional do Câncer), João Paulo de Biaso Viola, foi cauteloso na avaliação da pesquisa, mas afirmou que o resultado é promissor.
“A proteína deve ser mais pesquisada, vamos aguardar novos resultados.”
Ainda não há previsão para a aplicação dos estudos em pessoas com câncer.

6455 – Medicina – Sal, uma pitada pode fazer a diferença


Um grupo de pesquisadores da faculdade de Medicina Saint Bartolomew, em Londres aconselhou as indústrias de alimentos a diminuir a quantidade de sal de seus produtos. Os cientistas compararam os dadosde 130 estudos sobre a relação entre o consumo de sal e a pressão sanguínea, realizado em diversos países e após muitos cálculos a conclusão foi a de que 3 gramas de sal a menos em cada porção seria o suficiente para evitar aproximadamente 2% dos derrames cerebrais e 16% dos ataques cardíacos na Inglaterra. O ideal é que também se diminua o sal nos alimentos preparados em casa. Essa simples idéia pode fazer mais efeito que remédios para o controle da pressão.

Um Pouco +

O sal (NaCl – cloreto de sódio) há muito tempo tem sido considerado como importante fator na determinação do desenvolvimento e da intensidade da hipertensão arterial .
Hoje em dia, praticamente todos os estudiosos da relação entre sal e pressão arterial concordam com a tese de que a ingestão excessiva de sal eleva a pressão arterial. No entanto, a intensidade da elevação pressórica em resposta a essa ingestão excessiva de sal é variável.

Existem indivíduos cujos valores de pressão arterial aumentam muito em resposta a determinado incremento no consumo de sal, enquanto em outros a pressão arterial é muito pouco ou quase nada modificada. Essa resposta da pressão arterial identifica o grau de sensibilidade ao sal dos indivíduos.

A sensibilidade ao sal é, portanto, a medida da resposta da pressão arterial frente à variação do conteúdo de sal na dieta. Embora seja uma definição relativamente simples, esse fenômeno torna-se bastante complexo ao se definir os limites dos termos utilizados. Em outras palavras, quanto é preciso aumentar a pressão arterial, e por quanto tempo, para que se defina um indivíduo como sensível ou resistente ao sal? Qual pressão arterial melhor define a sensibilidade ao sal: a pressão arterial sistólica, a diastólica, ou a média? Quanto de sal é necessário administrar-se a um indivíduo para que haja resposta pressórica? O fator tempo de sobrecarga ou restrição salina é importante na avaliação da sensibilidade ao sal? Estas são algumas das questões relacionadas à sensibilidade ao sal que ainda não estão totalmente esclarecidas.

Os estudos para estabelecer o grau de sensibilidade ao sal incluíram pacientes com características diferentes em relação a peso, raça e idade. Tais aspectos reconhecidamente influenciam a variação da pressão arterial provocada pela modificação do conteúdo de sal na dieta.
Portanto, várias perguntas ficam em aberto na melhor caracterização do fenômeno da sensibilidade ao sal.
No âmbito populacional a ingestão salina parece ser um dos fatores envolvidos no aumento progressivo da pressão arterial que acontece com o envelhecimento. Tal aspecto ficou evidente no clássico estudo Intersalt. Esse trabalho mostrou uma correlação direta entre a quantidade de sal habitualmente ingerida e a elevação da pressão arterial com a idade, havendo aumento discreto, ou mesmo ausência de elevação da pressão arterial nas comunidades com baixa ingestão salina. Outro estudo, realizado com uma amostra de índios da tribo Yanomami, que ingerem dieta extremamente hipossódica, não se verificou aumento da pressão arterial ao longo da vida, com incidência nula de hipertensão arterial. Sabe-se, por outro lado, que em populações com alta ingestão de sal, a prevalência de hipertensão arterial é cerca de 50% naqueles indivíduos acima de 60 anos.
Grandes estudos populacionais demonstram que reduzindo-se a ingestão de sal de 170 para 70 mEq/dia, agudamente reduz a pressão arterial em indivíduos normotensos aproximadamente 2 a 3 mmHg. Ao longo de 30 anos, entretanto, a queda da pressão arterial pode chegar a 10 mmHg ou mais; em parte por que a restrição salina minimiza o aumento da pressão arterial com a idade .