13.118 – Paradoxos – Empatia não é crucial para formar uma boa pessoa


Pelo menos é o que afirma uma matéria de The Guardian.

A empatia é, entre outras coisas, algo que acreditamos melhorar nossos relacionamentos pessoais, motivar a caridade e incentivar comportamentos sociais.
No entanto, em seu livro, Bloom argumenta que ela é na verdade um guia moral muito pobre, e compila uma série de evidências que comprovam que a empatia pode ser parcial, paroquial, inconsistente, pode nos leva à inação, na melhor das hipóteses, bem como ao racismo e à violência, na pior das hipóteses.

Faça esse experimento em casa
Você pode entender melhor o consenso de Bloom a partir de um experimento de escolha de posições. Trata-se de um exemplo adaptado de um estudo clássico feito em 1995 por Batson e colegas. Primeiramente, leia a história e tente imaginar como a criança se sente e como o que acontece afeta sua vida. Tente sentir o impacto total do que a criança e sua família passaram.
Sheri Summers é uma menina brilhante de 10 anos de idade que está sofrendo de uma condição potencialmente fatal que já a paralisou. A menos que ela receba tratamento, é bem provável que ela morra. Se ela receber o tratamento a condição poderá ser revertida. Mas, o tratamento que poderia ajudá-la só está disponível através de cuidados de saúde privados e sua família não pode pagar. Eles então se uniram a uma organização de caridade infantil que ajuda as famílias a pagarem tratamentos caros para doenças que ameaçam a vida de crianças, mas ela está quase no final da lista de espera. Dito isso, você tem a opção de passá-la para o topo da lista de espera, mas isso significa que as outras crianças na frente da lista, com maiores necessidade ou menores expectativa de vida, terão de esperar mais tempo.
Agora, você a passaria para o topo da fila? E se você tivesse lido uma entrevista com ela, em que fica claro seu sofrimento e suas esperanças sobre o tratamento? Mudaria sua resposta? Agora leia o cenário novamente, mas desta vez tente tomar uma decisão baseada em uma perspectiva o mais objetiva possível. Tente não se envolver com a criança, ou como ela se sente. Apenas permaneça objetivo. Há uma maior ou menor probabilidade de você colocar Sheri para o topo da lista?
De acordo com Bloom, este é o problema com a empatia. Trata-se de um holofote que brilha em indivíduos específicos. Ela pode até funcionar com relacionamentos próximos, mas é extremamente fraca quando lidamos com questões maiores que podem afetar centenas de milhares de pessoa, em casos que não temos uma vítima conhecida, ou outras que, por algum motivo, não despertam nossa empatia.

Tendenciosa e inconsistente
O autor ainda argumenta que o sentimento é inconsistente e tendencioso. Como você deve ter aprendido com o exemplo, apenas uma mudança sútil de contexto pode nos fazer rever nossas prioridades. Em voluntários entrevistas em estudos, imagens cerebrais mostraram significativamente uma menor empatia se a pessoa a ser observada apresenta raça, classe social, time de futebol ou partido político diferentes do indivíduo entrevistado.

Empatia e crueldade
Bloom também sugere que a empatia pode vir acompanha de excessiva crueldade. Em um experimento, participantes foram informados que um aluno pobre estava competindo para ganhar um prêmio em dinheiro. Posteriormente, participantes administraram uma dose maior de molho de pimenta do lanche do concorrente, embora ele não tivesse feito nada de errado. Logo, a relação entre empatia e agressão foi manipulada em inúmeras ocasiões, como os políticos que pedem empatia com histórias de vitimização, a fim de obter apoio público.

Seria a empatia o fundamento da moralidade?
De acordo com o autor, dois novos estudos sugerem que há uma confusão em torno do significado da palavra e sua suposta utilidade para criar uma sociedade melhor. Basicamente, ele considera que a empatia não e um motivador confiável para o comportamento moral, embora reconheça que ela pode ser uma coisa boa, uma vez que promove um maior prazer na arte, ficção, esportes e pode ser um aspecto valioso para as relações íntimas além de motivar comportamentos generosos.
O que ele refuta é a noção difundida de quem uma maior empatia é tudo o que necessário para que sejamos pessoas boas e morais. Para isso, ele argumenta que uma compaixão racional, com cálculos utilitários de custo-benefício e aderência de princípios morais são guias mais justos e confiáveis para o comportamento moral.

12.471 – Gen(ética) – Cientistas querer aumentar tempo de pesquisa com embriões antes de inseminação


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Os pesquisadores, da Universidade Rockefeller, em Nova York, e da Universidade de Cambridge, estavam estudando as mudanças que os embriões passam após sua fase mais precoce do desenvolvimento. O estudo acompanhou o desenvolvimento de fetos com mais de sete dias – período no qual eles já deveriam ser implantados no tecido do útero.
Em geral, os embriões são usados em pesquisas com célula-tronco, mas os cientistas afirmam que desenvolvê-los por mais tempo pode ajudar a entender melhor a gravidez e crescimento humano. Quando a gravidez falha logo no início, por exemplo, muitas vezes é porque o embrião não foi implantado com sucesso, e desenvolvendo os embriões em um ambiente controlado, seria possível ajudar os pesquisadores a descobrir o que está acontecendo de errado durante esse período crucial.
Segundo a pesquisa, após a fertilização e o tempo de sete dias, os embriões foram mantidos por mais um período e 13 dias eles ainda pareciam estar em desenvolvimento. No entanto, as amostras precisaram ser destruídas por causa de um acordo internacional aprovado há mais de 30 anos, que impede a investigação em embriões humanos fora do útero passado 14 dias.
Mas, em um comentário publicado juntamente com os estudos, três apoiadores da pesquisa de desenvolvimento humano estão incitando os cientistas, especialistas em ética e formuladores de políticas a considerar a revisão do limite.
A ideia da regra de 14 dias é colocar alguns limites morais sobre a criação e destruição de embriões humanos, embora os cientistas ainda trabalhem com fetos em campos como fertilização in vitro e desenvolvimento das células, ambos os quais podem proporcionar grandes benefícios para os seres humanos já crescidos.
O valor de referência de 14 dias foi proposto, porque, depois de cerca de duas semanas, os embriões humanos começam a formar células que funcionam como um ponto central para iniciar o desenvolvimento de um corpo humano simétrico. Para defensores da regra, isto significa, filosoficamente, que o embrião está no seu caminho para se tornar uma pessoa.

12.145 – Medicina – Órgãos humanos dentro de porcos e ovelhas


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A princípio a ideia pode parecer bizarra, mas pode salvar milhões de vidas.

Mais de 50 porcas e ovelhas foram implantadas com embrões híbridos, com a esperança de que, quando nascerem, os filhotes sejam capazes de produzir órgãos humanos funcionais, como corações e fígados. Utilizando técnicas de edição de genes, cientistas americanos reprogramaram as células embrionárias dos animais – para que eles produzam órgãos humanos. Parte do DNA dos bichos foi substituído por células-tronco humanas, que deverão formar os órgãos. Assim, a ovelhinha vai ter um coração humano, e não um coração de ovelha. Depois, é só realizar o transplante.
A técnica, que vem sendo desenvolvida pelo National Institutes of Health (braço de pesquisa científica do governo dos EUA), é controversa, principalmente porque envolve direitos dos animais, células-tronco e modificações genéticas. “Criar híbridos homem-animal é ruim para os homens e pior para os bichos. Eles têm a mesma capacidade de sofrer de qualquer outro animal, incluindo humanos”, diz Julia Baines, da organização não-governamental PETA (People for the Ethical Treatment of Animals). Por outro lado, o mundo enfrenta uma crise na doação de órgãos. A lista de espera por um transplante tem 122.000 nomes, só nos Estados Unidos. No fim de cada dia, 22 pessoas morrem na fila.
Apesar do confronto, ainda estamos longe de saber se os órgãos criados em animais realmente funcionam. Nenhum porco ou ovelha modificado nasceu ainda, e vários testes ainda precisam ser realizados antes que um transplante ocorra de fato.

9667 – Ética – Erro Médico


É um ato causado por um médico ou enfermeiro que provoca dano ao paciente. Apesar do termo utilizado ser erro médico, não é causado exclusivamente por esta categoria, podendo ser o erro cometido por qualquer profissional da área da saúde.
Para ser classificado como erro médico, é necessário a configuração da culpa – mais precisamente da “não culpa” uma vez que um erro não se enquadra na intencionalidade – Para se configurar a culpa, necessário que o ato se enquadre em uma de suas modalidades:

Imprudência
O médico realiza atos imprudentes ou não embasados em documentos científicos, como usar tratamentos experimentais em pacientes sem alerta-los do caráter experimental dos mesmos, ou então, prescrever remédio que não conhece, a pedido do próprio paciente, que causa danos ao mesmo.

Imperícia
O médico realiza tratamento para o qual não está formado. Um exemplo ocorre das complicações de uma cirurgia plástica de lipoaspiração executada por um ginecologista que não estudou para tal fim, cirurgia de cérebro por um médico não especialista na área.

Negligência
O médico, estando livre de outros afazeres deixa, por exemplo, de ir ao quarto de um paciente para examina-lo embora a enfermeira o tenha informado que o paciente está passando mal. Ou então, ignora os sintomas e queixas relatados pelo paciente, levando a danos ao mesmo.
A negligência médica pode ocorrer inclusive no tocante à informações prestadas pelos médicos, resultando em negligência médica informacional.

Nomeações errôneas
Nos dias de hoje, qualquer insatisfação de pacientes quanto a tratamentos médicos tende a ser descrita pelos mesmos como erro médico.
No entanto, o erro médico precisa necessariamente ser enquadrado em algumas das características supra citadas para ser assim classificado, e para que o paciente tenha direito a uma indenização.Necessário se faz caracterizar bem a cupla, para que se cogite a possibilidade de requerer dano moral, necessário que se estabeleça o nexo causal entre o dano e o ato danoso.
Outros problemas podem ser erroneamente classificados como erro médico, como, no caso mais comum, as intercorrências médicas, pelas quais o médico não é culpado.

9480 – Mega Almanaque – Uma Mancha na Carreira de Pelé


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Nascida Sandra Regina Machado, ao casar passou a usar o sobrenome Felinto. Ficou conhecida após travar uma longa batalha judicial pelo reconhecimento de sua paternidade contra Edson Arantes do Nascimento, o famoso ex-jogador Pelé, reconhecimento que demorou quase trinta anos para acontecer. O processo começou em 1991, mas o reconhecimento em si só veio em 1996, após o resultado positivo do exame de DNA, quando ela acrescentou o sobrenome Arantes do Nascimento. Contudo, o ídolo recorreu 13 vezes e nunca quis aproximação com essa filha. O ex-jogador teve um caso extranconjugal com a dona-de-casa Anísia Machado, mãe de Sandra, em 1963 e não quis assumir a filha por ter dúvidas sobre a paternidade e porque seria um escândalo assumir uma criança fora do casamento, fato que sempre magoou demais Sandra Regina, que só queria ter um homem para chamar de pai.
Morreu em decorrência de metástase pulmonar, falência múltipla de órgãos e câncer de mama, na UTI da Beneficência Portuguesa de Santos, local onde estava internada. A doença foi descoberta em maio de 2005 no seio direito, que foi retirado, mas logo se espalhou pelo esquerdo e se alastrou por diversos órgãos, apesar da quimioterapia. Segundo relatos da médica, Martha Percidaris, Sandra foi resistente ao tratamento por crer num milagre divino.
Segundo a médica, a paciente queria deixar o tratamento para mais tarde: “Alertamos várias vezes que ela não poderia postergá-lo, mas ela dizia que tinha muitas atividades e que não podia”.
O velório foi no salão nobre da Prefeitura de Santos e o enterro no Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica. Pelé não compareceu ao enterro, mas enviou flores, em nome das Empresas Pelé, as quais foram devolvidas. Todos sempre souberam que Pelé nunca a quis como filha e só a registrou por conta da justiça. Sandra sabia que jamais foi amada por ele, o homem que lhe deu a vida.
Dias antes de morrer de câncer de mama, a vereadora santista Sandra Arantes do Nascimento manifestou a intenção de ver o pai, Pelé. O pedido foi relatado ao G1 pelo viúvo de Sandra, o pastor evangélico Oséas Felinto. Pelé não visitou a filha de 42 anos no leito. Não participou do velório. Não foi ao enterro. Preferiu mandar uma coroa de flores, em nome das Empresas Pelé
Quando Sandra expressou o desejo de encontrar o pai com o qual tinha uma relação difícil, estava internada e consciente no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Beneficiência Portuguesa, em Santos, a 85 km de São Paulo.
Para psicólogos e especialistas em terapia familiar, a aproximação entre filhos e pais depende da forma como as pessoas envolvidas tratam o assunto desde a infância. A professora e psicóloga Magadalena Mercedes Ramos, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da USP, diz que é comum filhos, principalmente adotivos, terem problemas ao saber a identidade dos pais biológicos. Segundo ela, a aceitação depende muito do desenvolvimento da criança e do que foi dito a respeito do pai.

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7194 – Um terço dos cientistas mente


Eles mesmos admitiram isso, numa pesquisa realizada em 2005 pela revista Nature. De 3 247 cientistas, 33% confessaram (anonimamente) que fizeram pelo menos uma coisa antiética ao elaborar seus estudos. Por exemplo: 1,5% cometeu plágio, 15,5% adulteraram o método ou os resultados do estudo, e 12,5% usaram dados que sabidamente não eram confiáveis. E na maioria dos casos, é de propósito mesmo. Em 2010, o biólogo americano Grant Steen analisou 788 retratações que tiveram de ser publicadas devido a erros ou fraudes em artigos científicos. “Cerca de 53% dos artigos fraudulentos foram escritos por fraudadores reincidentes”, afirma Steen. E os pesquisadores mentirosos costumam se associar uns aos outros. “Eles tendem a colaborar com cientistas que também se retrataram por outros trabalhos.”

A Rússia tem 42 cidades secretas

Juntas, elas têm 1,5 milhão de habitantes. Mas não apareciam no mapa até o final dos anos 1980. Hoje sua existência é conhecida – mas só se entra lá com autorização do Ministério da Defesa ou da Agência de Energia Atômica da Rússia. Conheça as principais:

1. NOME: kraznoznamensk.
Fica a apenas 40 km de Moscou. Tem 36 mil habitantes. Abriga um centro de controle de satélites, e trabalha ajudando a coordenar a Estação Espacial Internacional.

2. NOME: OZYORSK
Com 82 mil habitantes, teve o acesso restringido durante a Guerra Fria por ser próxima a Mayak – onde havia uma usina de plutônio. Hoje, recicla material radioativo do arsenal soviético.

3. NOME: Vilyuchinsk.
Foi fundada em 1968 para construção de submarinos militares e vive disso até hoje. Ganhou duas igrejas nos anos 1990 e possui 23 mil habitantes (1 000 a menos que em 2002).

5330 – Mega Debate – A fronteira tênue entre a ciência e a crueldade


O curso de Medicina da USP de São Paulo aboliu o sacrifício de cães em aulas sobre “o efeito de drogas na função cardiorrespiratória”. Nessa disciplina, os estudantes testemunham os efeitos de várias substâncias sobre os batimentos cardíacos e a freqüência respiratória. Agora, em vez de verem essas reações no tórax aberto de um animal anestesiado, que depois será morto, os alunos aprenderão com uma simulação em computador.
Mudança semelhante ocorreu há alguns anos nas aulas de técnica cirúrgica na USP. Em vez de treinar sutura em coelhos, que depois eram sacrificados, os alunos passaram a “costurar” cães e gatos mortos naturalmente. As duas mudanças, ao que tudo indica, são definitivas.
Para muita gente, no entanto, a redução está longe de resolver a questão. O problema é: podemos utilizar os animais para pesquisa? Os grupos de proteção dos direitos dos animais vêem na pesquisa com cobaias, conhecida como vivissecção – que significa “cortar vivo” –, dois enormes calcanhares-de-aquiles: o primeiro é que os testes seriam inúteis. Depois, mesmo que eles fossem úteis ou, mais que isso, vitais, ainda assim não teríamos o direito de fazê-los.
O principal argumento antivivissecção, que prega sua absoluta inutilidade, está expresso nas palavras do médico inglês Robert Sharpe, autor de Science on Trial (Ciência em julgamento, inédito no Brasil): “Homens e animais têm organismos e reações bioquímicas diferentes. Se um estudo com hamsters achar a cura do câncer, ela servirá só para curar o câncer em hamsters”. O efeito carcinogênico do cigarro é um caso clássico. Embora amplamente atestada por estudos epidemiológicos, a ligação entre câncer e tabaco seguiu sob suspeita por vários anos porque a doença não pôde ser reproduzida em animais. Por muito tempo, a indústria tabagista aproveitou o fato para negar o teor tóxico do seu produto.
A crítica à suposta inutilidade dos testes em animais se estende às pesquisas de novas drogas. Apesar do enorme número de cobaias sacrificadas para testar a eficácia e os efeitos colaterais de novas substâncias, 95% dos fármacos aprovados em animais acabam descartados nos testes em voluntários humanos e não chegam ao mercado. Uma revisão realizada pelo governo americano nas drogas lançadas entre 1976 e 1985 revelou que 51,5% delas ofereciam riscos não previstos nos testes.
Vale também o raciocínio inverso: ao testar substâncias em animais, os cientistas poderiam descartar drogas promissoras para humanos só porque elas causaram mal a ratos ou porcos. A aspirina, por exemplo, causa deformidades nas crias de roedores, cães, gatos e macacos, embora para nós seja segura. Já a penicilina é fatal para o porquinho-da-índia.
A tese que valida a vivissecção surgiu no século XIX, quando o médico francês Claude Bernard começou a teorizar sobre a lógica científica do uso de cobaias. Ele defendia que todo conhecimento obtido em animais era válido para humanos. Hoje, poucos cientistas, mesmo os que se utilizam de vivissecção, sustentariam sua tese nua e crua.
Tomemos o caso da insulina, responsável por controlar o nível de açúcar no sangue. Ela cumpre essa função em várias espécies, além do homem”. Goldberg continua: “Em um animal, a insulina pode ser levemente diferente da insulina humana, mas é a mesma substância e tem as mesmas propriedades”.
Os antivivisseccionistas acham esses resultados insuficientes para justificar o sacrifício de milhões de animais. Primeiro, eles duvidam do papel de vacinas, antibióticos e hipertensivos na evolução da saúde humana. Além disso, sustentam que a medicina tem muito menos bala na agulha para combater as doenças do que seus propagandistas querem fazer crer. Ou seja: os benefícios humanos, se existem, não compensam os custos animais.
Empresas com nomes associados à crueldade aboliram o teste de animais, temendo boicote dos consumidores. Muitas delas, após porem fim ao uso de cobaias, aproveitaram o fato como arma de marketing e adotaram um selo em seus produtos indicando que aboliram a vivissecção.
A mudança no mundo da ciência e das empresas acabou forjando um novo modelo para testes, hoje prevalente, que reconhece o sofrimento dos animais e se propõe a substituí-los por técnicas alternativas. Mas há ressalvas. Nos casos em que o bicho for considerado imprescindível, o máximo de alinhamento ético por parte dos cientistas é reduzir ao mínimo possível o sofrimento e a quantidade de cobaias.
Na Inglaterra, a proibição de usar animais para praticar microcirurgia levou à adoção de técnicas que usam placenta humana. Para o filósofo australiano Peter Singer, autor de Animal Liberation (Liberação dos animais, inédito no Brasil), um clássico sobre o assunto, há, sim, um problema ético em usar qualquer ser capaz de sentir dor.