10.848 – Biologia Marinha – Um vírus misterioso está matando as estrelas-do-mar


Doença misteriosa intriga a Ciência

Está matando milhões de estrelas-do-mar. A epidemia atinge a costa do Pacífico do Alasca ao México. Ela vem reduzindo drasticamente a população desses animais marinhos e pode chegar a outras regiões do mundo.
O fenômeno foi observado pela primeira vez em junho de 2013, na costa noroeste dos Estados Unidos, como relata uma extensa reportagem do site The Verge. A estrela-do-mar doente fica coberta de lesões brancas. Depois, seus órgãos internos começam se projetar para fora da pele. Por fim, o animal se desintegra, perde seus braços e morre. A doença atinge mais de 20 espécies.
Ao longo de um ano, ela se alastrou para o norte, atingindo o Canadá e o Alasca, e para o sul, chegando à Califórnia e ao México. Até aquários que recebem água do mar foram contaminados. No aquário de Seattle, quase todas as estrelas-do-mar morreram. E já se observam alguns casos na costa Leste dos Estados Unidos, o que mostra que a doença também ocorre no Atlântico.
Biólogos vêm estudando o fenômeno. A principal suspeita deles recai sobre um vírus. O detalhe é que esse vírus já foi encontrado em estrelas-do-mar preservadas em museus, capturadas há mais de 70 anos.
Se o vírus existe há tanto tempo, por que só agora se tornou mortal? “Estou totalmente convencida de que isso tem relação com mudanças climáticas”, disse Lesanna Lahner, veterinária do Aquário de Seattle, ao Verge. “Só não tenho nenhuma prova disso ainda”, completa ela.
O aumento da temperatura e da acidez do oceano parecem ser os fatores que propiciaram a propagação da doença. Lesanna pegou algumas estrelas-do-mar doentes que estavam se desintegrando a 12°C e as colocou num tanque refrigerado a 10°C.
Para surpresa dela, as estrelas se curaram. Isso sugere que o aquecimento do Pacífico Norte, que foi de 0,5°C entre 1955 e 2013, pode ter contribuído para o vírus se alastrar. Mas as estrelas que estavam soltas no mar não se recuperaram no Inverno, quando a água se resfria.

Acidez do mar
O oceano absorve dióxido de carbono, gás que vem sendo produzido em quantidades crescentes desde que o mundo se industrializou. Esse gás reage com a água do mar, tornando-a mais ácida.
Os oceanos, que foram ligeiramente alcalinos nos últimos 300 milhões de anos, estão se tornando ácidos. Estudos já demonstraram que a acidez enfraquece as estrelas-do-mar, tornando-as mais vulneráveis a doenças.
A matança pode afetar outros animais marinhos. Há um estudo famoso publicado em 1966 pelo naturalista americano Robert Paine. Durante dois anos, ele removeu todas as estrelas-do-mar de uma piscina natural num costão rochoso.
Nesse período, o número de espécies na piscina rochosa havia se reduzido de 15 para 8. Paine concluiu que as estrelas-do-mar são espécies-chave, da qual dependem outros animais. Esse conceito de espécie-chave acabou sendo importante em estudos ecológicos posteriores.
Se essas são as más notícias, há também dados que trazem esperança. Pelo que se observou até agora, as estrelas-do-mar não desaparecem completamente das áreas afetadas. Em geral, morrem as maiores, mas resta um certo número de estrelas pequenas.
Isso sugere que os indivíduos mais resistentes sobrevivem à doença. Eles poderão, com o tempo, se reproduzir e levar a população desses animais a ser recuperar. De fato, já houve momentos na história em que a população das estrelas-do-mar declinou, recuperando-se depois. É possível que aconteça o mesmo na epidemia atual.

estrela girassol

9749 – Doença misteriosa mata milhares de estrelas-do-mar na América do Norte


Uma doença misteriosa provoca o desmembramento das estrelas-do-mar, matando dezenas de milhares nas costas da América do Norte.
No verão passado, cientistas observaram a doença pela primeira vez em Starfish Point, na Península Olympic, em Washington, segundo o site EarthFix, da rede KCTS. Na mesma época, a doença também dizimou populações de estrelas-do-mar em Vancouver Harbor e Howe Sound, no Canadá, segundo o Aquário de Vancouver. A doença já foi detectada em uma faixa que se estende do sul da Califórnia ao Alasca, e na costa leste dos Estados Unidos.
Os biólogos ainda não sabem a origem da doença nem como combatê-la. Os primeiros sintomas consistem em lesões cutâneas; em seguida, os braços da estrela-do-mar se retorcem até se separar do corpo. O desmembramento provoca a expulsão das vísceras da cavidade central do animal, provocando sua morte. Normalmente, as estrelas-do-mar conseguem regenerar os braços perdidos acidentalmente, mas não quando são acometidas pela doença.
A primeira espécie vitimada foi a Pycnopodia helianthoides, e em seguida, a Pisaster ochraceus. Agora, os mesmos sintomas já foram observados em ao menos doze espécies.
Depois de ouvir os relatos do Canadá, a mergulhadora e cinegrafista Laura James filmou a devastação das estrelas-do-mar na costa de Seattle, informou a PBS. James criou um site, http://www.sickstarfish.com, para ajudar a monitorar a disseminação da doença. Qualquer pessoa que observar uma estrela-do-mar doente pode relatar nas redes sociais, usando a hashtag #sickstarfish. A Universidade da Califórnia também mantém um site de monitoramento.
Deter a disseminação da doença pode ajudar a salvar os ecossistemas marinhos da América do Norte, já que as estrelas-do-mar impedem a proliferação excessiva de herbívoros, como os ouriços-do-mar. Se sua população crescer descontroladamente, os ouriços podem devorar grande parte das florestas de algas marinhas da costa oeste da América do Norte.

9627 – Como a estrela-do-mar se regenera?


Tal espécie, que não é peixe, invade com frequência bancos de ostras, causando considerável destruição. Algumas estrelas foram partidas em 2, para evitar o problema; em pouco tempo, porém, a área tinha o dobro de estrelas. Motivo: regeneração.

Regeneração é a capacidade dos tecidos, órgãos ou mesmo organismos se renovarem ou ainda de se recomporem após danos físicos consideráveis. Deve-se à capacidade das células não afetadas de se multiplicarem e, em acordo com a necessidade, de se diferenciarem, a fim de recompor a parte lesionada.
A capacidade de regeneração tecidual depende do tipo de célula, tecido ou órgão afetados pela injúria. Depende da capacidade de multiplicação da célula, e se as células envolvidas são lábeis, estáveis ou perenes.
O epitélio (pele) se regenera rápida e facilmente quando destruído. Células hepáticas (fígado) e tecido ósseo têm alto poder de regeneração. As células do músculo liso são capazes de regenerar em resposta a fatores quimiotáticos (que atraem outras células) e mitogênicos (que promovem mitose). Já o músculo estriado é frequentemente classificado como permanente, incapaz de regeneração. Todas as variedades de tecido conjuntivo são capazes de se regenerar, mas em diferentes níveis de capacidade. O tecido nervoso periférico tem baixo poder de regeneração, mas pode se recompor diante de algumas agressões, já no tecido nervoso central os neurônios não podem ser regenerados.
Alguns animais são muito conhecidos pela capacidade de regeneração de seus tecidos, órgãos ou mesmo sistemas. As planárias, os axolotes e a estrela-do-mar são exemplos. A regeneração das caudas das lagartixas constitui também exemplo muito recorrente.
Falha no mecanismo que limita e controla a capacidade e a velocidade de regeneração em tecidos específicos levam geralmente à formação de tumores.

estrelas

Estrelas-do-mar
São metazoários que tem um esqueleto interno encrustrado de sais calcários.
No caso específico da estrela do mar, o esqueleto é formado por placas de carbonato de cálcio .
Ainda comum à todos os equinodermos é a disposição raiada ou simétrica do corpo, o que as vezes se verifica também nos órgãos internos.
Pelos seus tubos circula água salgada.
Penetra pela placa madrepórica (placa calcária porosa existente no disco superior de uma estrela do mar) , em contato com essa placa fica o tubo pétreo, pelo qual a água circula e passa ao tubo anelar, que rodeia o esôfago.
De dentro deste canal aquífero partem cinco canais radiais, que percorrem, dentro do sulco mediano, toda longitude dos braços.
Ao longo de cada canal radial há uma série de outros canais laterais, que terminam em uma expansão cilíndrica contrátil em cuja extremidade há um pequeno disco adesivo.
O aparelho aquífero, assim constituído, promove a locomoção, fixação do animal e apreensão de alimentos.
O movimento dos cílios vibráteis que forram estes cílios determinam a direção do fluxo da água.
São mais comuns as de 5 braços, embora algumas cheguem a ter até 50 braços.
Se alimentam de moluscos, crustácios, esponjas e corais.
Quando um braço de uma estrela quebra, ele se regenera, e do pedaço quebrado forma-se outra estrela. A ciência ainda não consegue explicar e entender como funciona o fenômeno, e o conhecimento de tal mecanismo e reprodução é ainda um sonho da medicina.
Não possui cabeça e nem cauda; seu corpo consiste de duas partes: o disco central com a boca e o ânus; e os braços, que têm carreiras de pequenos pés tubulares capazes de movimentá-la.
As estrelas-do-mar não possuem cérebro, o seu sistema nervoso é ventral e ganglionar.

4173 – Estrela – Girassol – Apetite Insaciável


A mais monstruosa entre os equinodermos da costa ocidental da América do Norte é, indiscutivelmente,a gigantesca sunflower star (estrela-girassol, Pycnopodia hellanthoides): chega a ter 130 centímetros de ponta a ponta e alcança grande velocidades quando apresentada. Seu cardápio inclui de tudo – ouriços, moluscos, caracóis, caranguejos, pepinos-do-mar e estrelas-do-mar, incluindo a temível morning sunstar -, e costuma engolir a presa inteira. Como suas primas Asterias vulgaris, ela é capaz de virar o próprio estômago do avesso, mas ao contrário de outras estrelas-do-mar, a sunflower parece não se intimidar com nada.
O tamanho de seu apetite é exemplificado pelo fato de que como até as lulas que, depois de desovarem na Baia de Monterrey, no México, adoecem e morrem. Como a indigesta lula é grande demais para ser defecada pela sunflower, geralmente é expelida através da macia parede superior de seu corpo. Muitos animais desenvolveram reações desesperadas para fugir dela, o que Nem sempre funciona diante de sua velocidade e tamanho. Outra característica é que ela parece ser um das poucas estrelas-do-mar com senso de território: quando encontra uma outra de mesma espécie, as duas engajam-se num comportamento combativo cujo resultado é um equitativa distribuição de “terreno” e alimento. Nas geladas águas do Alasca,a sunfloer star é, por sua vez, atacada pelo caranguejo-rei-alasquiano. Fora este predador, ela parece não ter inimigos naturais.
É claro que Nem todas as estrelas-do-mar Asteriid são caçadoras tão vorazes. Algumas são herbívoras ou levam uma vida marcada pela modéstia gustativa. Uma dessas, a blood star (estrela-sangue, Henricia leviuscula), alimenta-se de bactérias e partículas menor que captura com seu muco – uma substância gelatinosa que desprende através da pele – e varre para a boca com cílios que crescem em seus braços. Alimenta-se também de esponjas, pressionando o disco central contra a vítima e depois devoram-na. outra blood star parente próxima da H. leviuscula, a Henricia sanguinolenta, compartilha os mesmos hábitos de alimentação e, além disso, tem a notável capacidade de filtrar nutrientes da água através da pele quando tem dificuldade de obter presas.
O incomum em relação à H. leviuscula, uma estrela de dimensões menores, com 18 centímetros de diâmetro, é que ela incuba os filhotes. Enquanto a maioria das estrelas-do-mar simplesmente libera os gametas em mar aberto, onde quer que ocorra a fertilização, a blood star solta ovos gemados, os quais a fêmea acolhe numa depressão do disco central, que produz arqueando o corpo. Quando os ovos são partidos, deles emergem minúsculas estrelas já, e aos cientistas parece que, por evitar o estágio larval, em que os recém-nascidos, ficam à mercê de predadores, essa espécie aumenta as chances de sobrevivência da prole.
A reprodução sexual, no entanto, é apenas um dos métodos que as estrelas-do-mar empregam para assegurar a sobrevivência. A já mencionada capacidade de regenerar de meros fragmentos é outro e, embora algumas tenham se aprimorado mais nisso, todas são capazes de desenvolver um novo corpo de algum pedaço do anterior. A espécie Linckia spp, é especialmente adepta da reprodução por tal método e capaz de se recompor inteira de um pedaço de braço.
Para uma estrela quebradiça, perder um braço ou dois é pura rotina. Seu próprio nome indica a “disposição” de perder partes do corpo e fazer crescer novas. De hábitos noturnos, pequenas e esquivas, elas escondem-se durante o dia e são difíceis de ser encontradas. Procuram fendas sombrias e esperam pela noite para sair em busca de alimento: animais pequenos e detritos. Algumas são também varredoras. A Daisy brittle star (ofiúro magarida, Ophiopholis aculeata) passa uma boa parte do tempo entocada numa fenda, abanando os braços à procura de comida. O alimento é capturado por aderência a uma camada de muco pegajoso nos pódios. Por constituir uma presa cobiçada para os peixes que por ali transitam, é fundamental para ela manter o corpo em local seguro, enquanto estende os braços na correnteza, como se fossem iscas de pesca, confiante de que esses braços, que poderá repor depois, manterão os famintos predadores satisfeitos.
Existem literalmente milhares de espécies de estrelas-do-mar nos mares do mundo todo, variando desde as sombrias quebradiças, que se amontoam na base das profundezas abissais, ate a enorme e faminta crown of thorns sea star (estrela-do-mar-coroa-de-espinhos), que come pelo caminho vastas extensões de recifes de coral por ano. Na verdade, a ciência pouco sabe a respeito da maioria desses animais, e quanto mais se descobre, mais interessantes eles se revelam. Portanto, da próxima vez que caminhar por sua praia favorita, se você ou seu filho encontrarem a uma “linda” estrela-do-mar, percam algum tempo para olhar de verdade para ela. Talvez vejam mais do que simplesmente uma estrela.