13.605 – ESTRESSE EXTREMO E ESQUIZOFRENIA


esquizofrenia 2

O Peso da Genética

Não se sabe a causa exata da esquizofrenia, mas são conhecidos alguns fatores que influenciam o seu aparecimento.“O estresse por si só não é capaz de provocar esquizofrenia. Não temos acesso detalhado ao diagnóstico nem ao histórico desse caso específico, mas pressupondo que ele não tivesse a doença antes, é pouco provável que tivesse desenvolvido lá”, afirma o dr. Mario Louzã, coordenador do Programa de Esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP. Em geral, o transtorno que o estresse causa é o chamado “pós-traumático”, caracterizado por insônia, sonhos e flashbacks, entre outros sintomas.
Segundo o psiquiatra, há alguns fatores de risco ambientais para o desenvolvimento de esquizofrenia. “A predisposição genética é um fator importante, assim como problemas durante a gestação, parto ou nos primeiros anos de vida. Quanto a fatores ambientais, o uso de drogas na adolescência, viver em zona urbana e até ser migrante contribui para o quadro”, explica Louzã. O peso da genética, entretanto, é o maior. “Sabemos que traumas são fatores de risco bem documentados. No entanto, a compreensão que prevalece é que somente indivíduos que apresentam predisposição genética desenvolvem a doença. De fato, sabemos que muitos indivíduos sofrem eventos traumáticos diariamente e apenas uma minoria desenvolverá esquizofrenia”, afirma o dr. Ary Gadelha, coordenador do Proesq (Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo).
Ter os dois problemas – esquizofrenia e bipolaridade –, entretanto, não é possível. “São quadros com caraterísticas, curso e evolução diferentes. O que pode acontecer é um tipo de transtorno classificado como esquizoafetivo, em que a pessoa desenvolve sintomas tanto da esquizofrenia como do transtorno bipolar”, explica o dr. Alfredo Maluf, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Albert Einstein.
A psiquiatria, em especial, é uma especialidade médica que lida frequentemente com investigações desafiadoras. Não pode contar com parâmetros fisiológicos, como aqueles que guiam a identificação precisa de uma úlcera ou até um câncer. Suas pistas são muito mais movediças e nebulosas, já que alguns sintomas são comuns a diversas patologias, e diferenças sutis levam o diagnóstico para diferentes direções.

9144 – História da Medicina – A Lobotomia


MEDICINA simbolo

☻ Nota
Há alguns capítulos atrás demos um vago conceito, agora retomarei o tema com mais detalhes;

Trata-se de uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são selecionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia. A lobotomia foi uma técnica bárbara da psicocirurgia que não é mais realizada.
O procedimento leva a um estado algo sedado de baixa reatividade emocional nos pacientes. Existem controvérsias sobre os resultados do procedimento.

Histórico
Foi desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz1 (1874-1955), em equipe com o cirurgião Almeida Lima, na Universidade de Lisboa. Egas Moniz veio a receber com este trabalho o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1949.
A leucotomia foi a primeira técnica de psicocirurgia, ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica directa ou neurológica).
Inicialmente foi usada para tratar depressão severa. Egas Moniz sempre defendeu o seu uso apenas em casos graves em que houvesse riscos de violência ou suicídio. No entanto apesar de cerca de 6% dos pacientes não sobreviverem à operação, e de vários outros ficarem com alterações da personalidade muito severas, foi praticada com entusiasmo excessivo em muitos países, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos. Neste último país foi popularizada pelo cirurgião Walter Freeman, que divulgou a técnica por todo o seu país, percorrendo-o no seu Lobotomobile, e criando inclusivamente uma variante em que espetava um picador de gelo directamente no crânio do doente, desde um ponto logo acima do canal lacrimal com a ajuda de um martelo, rodando-se depois o mesmo para destruir as vias aí localizadas. Supostamente a atratividade deste procedimento seria o seu baixo custo e o desejo social de silenciar doentes psiquiátricos incômodos.
A leucotomia ganhou tal popularidade que foi inclusivamente praticada em crianças com mau comportamento. Cerca de 50.000 doentes foram tratados só nos Estados Unidos. Graças a estes abusos, bem como a irreversibilidade dos seus resultados, a leucotomia foi abandonada quando surgiram os primeiros fármacos antipsicóticos. A partir dos anos 50 a leucotomia foi banida da maior parte dos países onde era praticada. A sua aplicação em grande escala é hoje considerada como um dos episódios mais bárbaros da história da psiquiatria, sendo comum a sua comparação com a técnica da flebotomia (ou sangria) na história da medicina interna. Hoje em dia, um pequeno número de países ainda realiza procedimentos cirúrgicos semelhantes, porém dentro de indicações muito estritas.
Hoje em dia a leucotomia tal como exemplificada por Egas Moniz já não é praticada devido aos efeitos secundários severos. No entanto ainda hoje se praticam raramente técnicas diretamente descendentes da leucotomia original, mas com inflicção de lesões seletivas em regiões bem delimitadas. Os efeitos secundários destas técnicas são bem mais incomuns, mas devido à irreversibilidade do tratamento e às mudanças na personalidade do doente inevitáveis, elas são utilizadas apenas em última instância caso todos os outros tratamentos possíveis tenham-se revelado ineficazes. É assim praticada em alguns casos de dor crónica intratável (tratamento paliativo), neurose obsessiva, ansiedade crónica ou depressão profunda prolongada.

8822 – Estudo identifica 13 alterações genéticas envolvidas na esquizofrenia


Um novo estudo identificou 13 novas regiões do DNA nas quais variações genéticas podem levar à esquizofrenia, um transtorno psiquiátrico cuja causa exata ainda é desconhecida. Somadas às partes do genoma humano que já haviam sido relacionadas anteriormente ao transtorno, os pesquisadores estimam que existam 22 regiões genéticas envolvidas na doença.
O DNA humano é composto por duas fitas que carregam uma sequência de nucleotídeos, representados pelas letras A, C, G e T. Os genes, a parte do DNA que carregam informações, são formados por uma sequência especial dessas letras. O que os cientistas descobriram nesse novo estudo foi que, quando há uma variação genética (ou seja, na ordem dos nucleotídeos) em alguma das 22 partes específicas dessa fita, o risco de esquizofrenia se torna maior.
Os autores dessa pesquisa chegaram a esse resultado após estudar casos de esquizofrenia e compará-los a pessoas livres da doença. A equipe também analisou estudos anteriores que avaliaram o genoma de indivíduos com o transtorno. Depois, os pesquisadores aplicaram as conclusões em amostras de DNA humano. Ao todo, quase 60.000 indivíduos foram envolvidos no trabalho.
Patrick Sullivan, coordenador do estudo, explicou em um comunicado que duas dessas regiões do DNA associadas à esquizofrenia carregam genes que influenciam a manutenção das células nervosas, e outra inclui um gene envolvido na regulação do desenvolvimento do sistema nervoso. Além disso, uma parte do DNA relacionada à esquizofrenia já havia sido associada anteriormente ao transtorno bipolar.
O trabalho foi feito no Centro de Psiquiatria Genômica da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e publicado neste final de semana na revista Nature Genetics.

Diagnóstico
O estudo recebeu subsídios do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, sigla em inglês). Em 2009, o órgão criou o Projeto de Pesquisa em Domínio de Critérios, o RDoc, com o objetivo de investir em trabalhos que desvendem os circuitos cerebrais e os fatores genéticos que estão por trás dos principais distúrbios psiquiátricos.
Atualmente, o diagnóstico de transtornos mentais é feito apenas com base nos sintomas clínicos apresentados pelo paciente. Esse método pode levar a diagnósticos imprecisos e equivocados de doenças psiquiátricas, já que não explica o que, de fato, está acontecendo no organismo e no cérebro de um paciente que apresenta algum distúrbio.

Glossário
ESQUIZOFRENIA
O distúrbio mental é caracterizado por perda de contato com a realidade, alucinações (audição de vozes), delírios, pensamentos desordenados, índice reduzido de emoções e alterações nos desempenhos sociais e de trabalho. A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial. O tratamento é feito com uso de remédios antipsicóticos, reabilitação e psicoterapia. A causa exata do transtorno ainda não é conhecida, mas estudos sugerem que ele seja uma combinação entre fatores hereditários e ambientais.

7720 – Genética – O que os genes podem explicar?


Afinal, homossexualismo e violência são características hereditárias ou comportamentos adquiridos? Melhor perguntando, a pessoa nasce gay ou criminosa, ou torna-se gay ou criminosa? A questão rende panos para mangas há muito tempo, mas ganhou especial destaque nos últimos cinco anos, quando foi lançado o projeto internacional de mapeamento do DNA humano, batizado Genoma: desde então, constantemente pesquisadores anunciam a descoberta de genes que seriam responsáveis pelo alcoolismo, a depressão, a criminalidade, a esquizofrenia, mesmo o autismo.
Há alguns anos atrás, uma equipe do Laboratório de Bioquímica do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, liderada por Dean Hamer, anunciou a descoberta de evidências de que o homossexualismo estaria inscrito em um gene do cromossomo X. Publicado na revista Science, órgão oficial da Associação Americana para o Progresso da Ciência, o estudo foi saudado pelos editores como capaz, “eventualmente, de levar a um melhor entendimento das bases biológicas da homossexualidade e da orientação sexual em geral”. A frase, em todo caso, fôra precedida pela ressalva “se confirmado”. E isso não parece fácil.
A esquizofrenia é uma doença mental, provoca alucinações e não tem cura. Mas a tarefa é enorme, quase insuperável. Se um dia conseguir descobrir uma mutação genética comum a todos os doentes que estuda, Valladan terá em seguida de provar que ela não aparece em pessoas não doentes. Todas essas pesquisas revelam evidências, em geral baseadas em dados estatísticos, mas ninguém ainda conseguiu provar que algum desses comportamentos tenha origem exclusivamente genética. Filhos de pais alcoólatras ou violentos podem se tornar também alcoólatras ou violentos por influência do meio em que vivem.
Os crimes estão aumentando na mesma proporção em que crescem a pobreza e a desigualdade. Do mesmo modo, ouço dizer que há mais violência nas favelas do Rio de Janeiro do que nos bairros chiques da cidade.
Há quatro anos, Brunner foi procurado por uma família em que cinco dos dezessete homens sofriam incontroláveis explosões de violência. Os cientistas descobriram que os cinco homens violentos carregam uma rara mutação genética que, segundo publicaram, altera a química cerebral e provoca uma espécie de superexcitação das células nervosas. Como o estudo envolve uma única família, a descoberta pode revelar apenas uma coincidência; e também não foi possível demonstrar que mutação igual não ocorre em pessoas não violentas.
Há quem veja na distância entre diagnóstico e cura um dos principais problemas éticos das pesquisas genéticas sobre comportamento humano e doenças mentais. “A abordagem da Genética certamente vai produzir um frenesi de novos medicamentos no mercado”, escreveu o biólogo molecular alemão Benno Muller-Hill numa das edições da revista inglesa Nature de abril passado.
Pesados os prós e os contras, resta fazer uma reflexão sobre os caminhos da ciência nesse terreno delicado.
Assim, a pesquisa sobre as raízes genéticas de qualquer comportamento humano não pode parar por causa do perigo de que usem apressadamente seus dados — como, por exemplo, definir a homossexualidade como uma doença. É um absurdo — mas não se pode esquecer que até 1974 ela estava na relação das enfermidades mentais referendada por ninguém menos que a Associação Americana de Psiquiatria.
Como qualquer obeso pode explicar, há um gene responsável por sua irresistível tendência a engordar; mas o verdadeiro tamanho de sua cintura tem mais a ver com o número e o tamanho das refeições que faz, e o tipo de alimentos que aprendeu a preferir desde criancinha.

O sucesso de um erro há 150 anos
A ideia de que a criminalidade é hereditária chegou a ser a principal teoria “científica” sobre a criminalidade. Cesare Lombroso, autor da idéia, nascido em Verona, Itália, em 1835, fez tanto sucesso que, de médico de prisão passou a catedrático de Medicina Legal na Universidade de Turim e se tornou símbolo da criminologia científica. Lombroso dizia saber identificar um criminoso por certos traços como a forma do crânio (assimétrico), orelhas de abano, narizes chatos ou baixa sensibilidade à dor, entre muitos outros. Assim, chegou a inspirar condutas educacionais e de saúde pública em vários países. Onde fosse possível, sugeria ele, se deviam observar e “medir” as características das pessoas. A começar pelas crianças, nas escolas. Conforme o caso, se usaria o confinamento perpétuo, a execução ou mesmo a castração dos indivíduos para isolar o perigo latente.
A violência de padrastos com seus enteados pode ter razões evolutivas. Essa é a teoria de dois psicólogos da Universidade McMaster, na Inglaterra. A dupla de pesquisadores baseou-se em estatísticas policiais do Canadá e da Grã-Bretanha, realizadas nas últimas duas décadas. Assim, concluíram que enteados correm um risco muito maior de serem assassinados por seus padrastos do que filhos legítimos por seus pais. Os dados canadenses mostram, por exemplo, que crianças com menos de 2 anos estão sessenta a setenta vezes mais sujei-tas a serem molestadas sexualmente e mortas por seus padrastos do que crianças da mesma idade que moram com seus pais genéticos.
Os cientistas explicam a violência dos padastros com teorias sobre a evolução. Na perspectiva evolutiva, se dá bem aquele que tem o maior número de crias. Por isso é que pássaros, ratos e macacos — espécies observadas pelos pesquisadores — tendem a matar os filhotes de seu companheiro ou companheira, quando estes são frutos de outras ligações. Em geral, é o macho que possui esse instinto assassino, liberando a fêmea para cuidar dos herdeiros de seus genes. Para os psicólogos, os seres humanos não são muito diferentes: “As pessoas são menos pacientes com o choro de bebês que não são seus filhos biológicos”, exemplifica Margo Wilson, uma das responsáveis pelo estudo.

Vejamos a opinião de alguns especialistas:

Oswaldo Frota-Pessoa, geneticista
“Os genes e o meio em que se vive são igualmente importantes. Antes, havia cientistas que acreditavam no inatismo, ou seja, que as pessoas já nasciam fadadas a expressar determinada personalidade. Outros cientistas defendiam o comportamentismo, isto é, tudo era determinado pelo ambiente. Esse confronto, em voga no final do século passado, não existe mais.”

Newton Freire Maia, geneticista
“Diversas teorias tentam explicar as causas da homossexualidade. A dos genes é defendida dentro da própria comunidade gay. Seja como for, há um lado positivo na tese dos geneticistas: ela descarta a homossexualidade como um desvio moral. O lado negativo, porém, é supor um controle na gravidez, que permita o aborto dos futuros homossexuais”.

Luiz Mott, antropólogo, presidente do Grupo Gay da Bahia
“A biologia não é destino em se tratando de seres humanos. No caso da estatura, os genes não definem a altura, mas um leque de probabilidades de tamanhos. Se a pessoa for subnutrida, chegará apenas à altura mínima. E quanto às emoções, também há várias maneiras do ser humano expressá-las. A agressividade, por exemplo, não é necessariamente ruim. Sem ela, Van Gogh não teria produzido quadros maravilhosos.”

Lídia Rosemberg Aratangy, psicóloga
“Como definir a homossexualidade? Pode ser uma forma de relação sexual ou uma paixão platônica por alguém do mesmo sexo, por exemplo. O fato é que a atração homossexual ocorre de diversas maneiras. As diferenças entre os comportamentos sexuais são tantas que parece impossível a ideia de um único gene reunir todas as suas características”.

7623 – Medicina – Esperança para os diabéticos


Há tempos, os médicos sabem que diabetes é provocado por uma reação injusta do sistema imunológico, que destrói as chamadas células beta do pâncreas como se fossem inimigas. Na verdade são elas que produzem a insulina, um hormônio essencial para as células absorverem a glicose. Agora parecem ter encontrado um culpado: o glutamato descarboxíase, uma proteína conhecida como GAD.
Observando ratos com predisposição genética à doença, notou-se que eles tinham molécula de GAD na região do pâncreas. Sob determinado ângulo, tais moléculas se assemelham a um vírus que ataca o órgão. Por isso, as células de defesa partem para o ataque. A intenção inicial seria destruir os supostos vírus, mas depois elas atacam as células beta em que os falsos inimigos se alojam. Injetou então GAD nos ratos antes que os primeiros sinais da doença se manifestassem. A idéia era ensinar o sistema imunológico a reconhecer essa proteína e parece ter dado certo porque nenhum dos bichos desenvolveu a moléstia.

Um Pouco +
Glutamato descarboxilase ou descarboxilase do ácido glutâmico (DAG) (também GAD do inglês glutamic acid decarboxylase) é uma enzima que cataliza a descarboxilação do glutamato para AGAB e CO2. A DAG usa o fosfato de piridoxal como cofator. A reação processa-se como segue:
HOOC-CH2-CH2-CH(NH2)-COOH → CO2 + HOOC-CH2-CH2-CH2NH2

Nos mamíferos a DAG existe em duas isoformas codificadas por dois genes diferentes – Gad1 e Gad2. Estas isoformas são a DAG67 e a DAG65 com pesos moleculares de 67 e 65 kDa, respetivamente. GAD1 e GAD2 são expressas no cérebro onde o AGAB é usado como neurotransmissor, e a GAD2 é também expressa no pâncreas.
Tanto a DAG67 como a DAG65 são alvo de autoanticorpos em pessoas que posteriormente desenvolvem diabetes mellitus tipo 1 ou diabetes auto-imune latente.
Mostrou-se que injecções de GAD65 preservam alguma produção de insulina durante 30 meses em humanos com diabetes tipo.

Esquizofrenia e distúrbio bipolar
Na esquizofrenia e distúrbio bipolar é observada uma desregulação substancial da expressão do ARNm da DAG acoplada com com a sub-regulação da reelina. Para os dois distúrbios a sub-regulação da GAD67 mais pronunciada foi encontrada no stratum oriens do hipocampo e em outras camadas e estruturas do hipocampo em grau variável.
Alteração por fármacos
A pregabalina, um fármaco antiepilético, aumenta os níveis de AGAB neuronal ao causar um aumento da atividade da glutamato descarboxilase dependente da dosagem.

Escola Paulista de Medicina

7369 – Genética – Agressividade e Homossexualismo


Afinal, homossexualismo e violência são características hereditárias ou comportamentos adquiridos? Melhor perguntando, a pessoa nasce gay ou criminosa, ou torna-se gay ou criminosa? A questão rende panos para mangas há muito tempo, mas ganhou especial destaque nos últimos cinco anos, quando foi lançado o projeto internacional de mapeamento do DNA humano, batizado Genoma: desde então, constantemente pesquisadores anunciam a descoberta de genes que seriam responsáveis pelo alcoolismo, a depressão, a criminalidade, a esquizofrenia, mesmo o autismo. Em julho passado, uma equipe do Laboratório de Bioquímica do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, liderada por Dean Hamer, anunciou a descoberta de evidências de que o homossexualismo estaria inscrito em um gene do cromossomo X. Publicado na revista Science, órgão oficial da Associação Americana para o Progresso da Ciência, o estudo foi saudado pelos editores como capaz, “eventualmente, de levar a um melhor entendimento das bases biológicas da homossexualidade e da orientação sexual em geral”. A frase, em todo caso, fôra precedida pela ressalva “se confirmado”.
A esquizofrenia é uma doença mental, provoca alucinações e não tem cura. Mas a tarefa é enorme, quase insuperável. Se um dia conseguir descobrir uma mutação genética comum a todos os doentes que estuda, Valladan terá em seguida de provar que ela não aparece em pessoas não doentes. Todas essas pesquisas revelam evidências, em geral baseadas em dados estatísticos, mas ninguém ainda conseguiu provar que algum desses comportamentos tenha origem exclusivamente genética. Filhos de pais alcoólatras ou violentos podem se tornar também alcoólatras ou violentos por influência do meio em que vivem. Steven Rose, professor da Open University de Londres, especialista em desenvolvimento do cérebro e autor de sucessos literários científicos como A química da vida e Não em nossos genes, defende esse ponto de vista com entusiasmo.

3130 – O que provoca a esquizofrenia?


Esquizofrenia é um problema sério, que atinge 1% da população mundial (2 milhões de pessoas apenas no Brasil). Durante as crises, os doentes costumam perder o contato com a realidade: têm alucinações, escutam vozes, deliram. Já no dia a dia, podem apresentar déficit de memória, ansiedade acima do normal e depressão. Embora permaneça sem cura, já se sabe muita coisa sobre a doença. Mas sua origem continua sendo mistério. Estudos indicam que ela tem um componente genético e neurodesenvolvimental – ou seja: ainda no útero, o feto começa a sofrer uma alteração em seu sistema nervoso. Esse quadro vai progredindo na infância e na adolescência, até aparecerem os sintomas. A maioria dos especialistas acredita que os surtos acontecem justamente por causa desse desenvolvimento cerebral anormal. Ele geraria um desequilíbrio na produção de substâncias que regulam a troca de informações entre os neurônios, como a dopamina e o glutamato. “Acreditamos que ocorra um excesso dessas substâncias em certas regiões do cérebro, e uma diminuição em outras”, diz um professor da Faculdade de Medicina da USP. Mas o que provoca esse desequilíbrio? Ninguém arrisca cravar uma resposta. Parte do mistério pode ser elucidada com uma explicação genética. Quando o pai é esquizofrênico, o risco de seu filho também ser chega a 10%. Já quando pai e mãe sofrem da doença, essa probabilidade salta para 25%. O problema é que a matemática dos genes ainda não resolve a equação por completo. “Mesmo conhecendo o padrão genético, não sabemos quais genes atuam na esquizofrenia”, afirma o psiquiatra. Pesquisas recentes sugerem que fatores ambientais também estão ligados ao desenvolvimento da doença. Mudanças drásticas na vida de uma pessoa podem resultar num estado de estresse incomum, levando-a a um penoso processo de reorganização. Nessa fase de adaptação, a esquizofrenia tenderia a se manifestar entre os que apresentam propensão genética. Segundo os defensores dessa tese, perder uma pessoa amada ou ir morar no exterior elevaria o risco de 1% para 3%. E quem fumou muita maconha na adolescência estaria 10 vezes mais sujeito a virar esquizofrênico na fase adulta – desde que também apresente predisposição.