10.809 – A pineal na filosofia, no espiritualismo e no misticismo


pineal

A glândula pineal tem sido considerada – desde René Descartes (século XVII), que afirmava ser a glândula o ponto da união substancial entre corpo e alma.
Além de Descartes, um escritor inglês com o pseudônimo de Lobsang Rampa, entre outros, dedicaram-se ao estudo deste órgão.
Com a forma de pinha (ou de grão), é considerada por estas correntes religioso-filosóficas como um terceiro olho devido à sua semelhança estrutural com o órgão visual. Localizada no centro geográfico do cérebro, seria um órgão atrofiado em mutação com relação em nossos ancestrais.
Os defensores destas capacidades transcendentais deste órgão, consideram-no como uma antena. A glândula pineal tem na sua constituição cristais de apatita. Segundo esta teoria, estes cristais vibram conforme as ondas eletromagnéticas que captassem, o que explicaria a regulação do ciclo menstrual conforme as fases da lua, ou a orientação de uma andorinha em suas migrações. No ser humano, seria capaz de interagir com outras áreas do cérebro como o córtex cerebral, por exemplo, que seria capaz de decodificar essas informações. Já nos outros animais, essa interação seria menos desenvolvida. Esta teoria pretende explicar fenômenos paranormais como a clarividência, a telepatia e a mediunidade.
Em Missionários da Luz, obra espírita psicografada por Chico Xavier atribuída ao espírito André Luiz, a epífise é descrita como a glândula da vida espiritual e mental que caracteriza um órgão de elevada expressão no corpo etéreo onde presidem os fenômenos nervosos da emotividade, devido a sua ascendência sobre todo o sistema endócrino, e desempenha papel fundamental no campo sexual (no terreno concreto, tal função é apontada desde 1958 e, atualmente passou a ser amplamente aceita em terreno concreto); é descrita ainda como ligada à mente espiritual através de princípios eletromagnéticos do campo vital (o que até agora a ciência formal não pode identificar), comandando as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade.
Apesar da vida após a morte não estar provada através do método científico; em artigo publicado na revista científica Neuroendocrinology Letters em 2013, cientistas compararam conhecimento médico recente com doze obras psicografadas pelo médium Chico Xavier atribuídas ao espírito André Luiz e identificaram nelas diversas informações corretas altamente complexas sobre a fisiologia da glândula pineal e que só puderam ser confirmadas cientificamente cerca de 60 anos após a publicação das obras. Os cientistas ressaltaram que o fato de que o médium possuía baixa escolaridade e não era envolvido no campo da saúde levanta questões profundas sobre as obras serem ou não fruto de influência espiritual.
O psiquiatra brasileiro Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, neurocientista, defende em pesquisas que a glândula pineal seria o órgão sensor que capta as informações por ondas eletromagnéticas devido as propriedades dos cristais de apatita, que as converteriam em estímulos neuroquímicos de forma análoga à antena do aparelho celular para sinais eletrônicos.
Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento desta glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica da integração entre o corpo e a alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec? Para responder a estas e outras perguntas, a revista Espiritismo & Ciência conversou com o psiquiatra e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Diretor-clínico do Instituto Pineal Mind, e diretor presidente da AMESP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), Sérgio Felipe de Oliveira é um dos maiores pesquisadores na área de Psicobiofísica da USP, e vem ganhando destaque nos meios de comunicação com suas pesquisas acerca do papel da glândula pineal em fenômenos ligados à mediunidade.

8184 – A Fronteira da Morte


Hoje um coração parado não significa que seu dono vá, necessariamente, passar para o lado de lá. Graças a uma série de procedimentos médicos e um aparelhinho chamado desfibrilador, uma parcela razoável de pacientes dados como mortos tem sido “ressuscitada” nas UTIs mundo afora. Várias dessas pessoas têm histórias para contar. São histórias que desconcertam a ciência com perguntas muito difíceis – e que só agora começam a ser respondidas.
Muitos dos que estiveram na fronteira da morte – algo entre 6% e 23% – relatam experiências místicas: túneis que terminam em luzes celestiais, encontros com seres igualmente luminosos, memórias de uma consciência descolada do corpo físico, uma sensação indescritível de paz. Essas lembranças não raro incluem descrições detalhadas de fatos ocorridos entre a “morte” e a “ressurreição”. Coisas que, diz a lógica dos vivos, não poderiam ser recordadas por pessoas com atividade cerebral nula.
A veracidade desses relatos nunca pôde ser provada. Mas os pontos comuns a todas as narrações trouxeram a desconfiança de que se tratava de algo além de mentiras ou delírios. Como é cientificamente inadmissível que mortos tenham qualquer experiência, as estranhas ocorrências foram batizadas de experiências de quase-morte (EQM) – tradução aproximada de near-death experiences, termo cunhado pelo médico americano Raymond Moody Jr., pioneiro no estudo do assunto.
A primeira obra de Moody sobre EQMs, A Vida Depois da Vida, foi publicada 30 anos atrás. Nela, a pesquisa de campo – o autor catalogou 150 casos -– culmina em conclusões de forte inclinação espiritualista. Sejamos razoáveis: mesmo para os céticos, não é difícil se deixar impressionar pelas histórias dessas pessoas. Assim, foram poucos os cientistas com um nome a zelar que se atreveram a explorar a área. O campo ficou livre para os esotéricos, embalados pelos mais de 13 milhões de livros vendidos por Moody. “Por ser muito explorado em meios nada científicos, o assunto virou tabu”, afirma a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ, para quem as experiências refletem reações normais de cérebros moribundos.
A situação começou a mudar na virada do milênio. Sem ligar para a rejeição da academia, meia dúzia de corajosos dos EUA e da Europa entrou de avental e tudo nesse pântano entre a ciência, a religião e a filosofia. Seus trabalhos detectaram os processos cerebrais que detonam os eventos da experiência de quase-morte. E mais, fornecem indícios de que a luz no fim do túnel talvez seja experimentada por todo mundo na hora derradeira.
Isso não é pouca coisa. Mas faltam ainda encaixes essenciais para que o quebra-cabeça faça sentido. Se não foi encontrada nenhuma prova da existência da vida além-túmulo, também não se acharam provas de que ela não existe. Falta descobrir o que é a luz. Decifrar o que nos reserva a morte. Para isso, a ciência vai ter de entrar mais fundo no pântano e, quem sabe, expandir suas próprias fronteiras.
Um caso famoso
Em 1998, Lars Grael velejava em Vitória, ES, quando foi atropelado por uma lancha, perdeu uma perna e muito sangue. Seu coração parou de bater. Lars teve uma experiência de quase-morte. Nas palavras do próprio, “é uma coisa muito difícil de descrever”. O médico José Carlos Ramos de Oliveira, outro sobrevivente de parada cardíaca, endossa Lars: “só quem passou por isso sabe do que estou falando”.
Apesar da dificuldade em verbalizar a experiência, os relatos de EQMs são muito mais claros e detalhados que narrativas de sonhos ou de alucinações por drogas. Os depoimentos são semelhantes, mas nunca iguais. Algumas pessoas “flutuam” sobre o próprio corpo e observam o trabalho dos médicos; outras são guiadas por parentes mortos até uma luz brilhante. O túnel, descrito por tantos, assume formas diversas. “A maioria disse ter visto um túnel longo e escuro, mas outros o descreveram como um caleidoscópio ou um túnel de ladrilhos coloridos”, afirma o médico britânico Sam Parnia, da Universidade Cornell, em Nova York, EUA.
Era preciso criar critérios para avaliar um fenômeno com tantas variações. Em 1980, o psicólogo americano Kenneth Ring dividiu em 5 fases seqüenciais os eventos da EQM (veja infográfico na pág. 53) – nem sempre eles seguem a ordem do esquema, contudo. Em outro esforço metodológico, Bruce Greyson, psiquiatra da Universidade da Virgínia, EUA, elaborou uma escala em que 16 das ocorrências mais comuns de uma experiência de quase-morte ganham conceito 0, 1 ou 2. Na escala Greyson, a nota mínima de uma EQM legítima é 7 em 32.
Se os roteiros são aleatórios e nunca se repetem, as impressões deixadas pela experiência raramente fogem de um padrão. “Apenas 3% das experiências de quase-morte são negativas”, diz a psicóloga Willoughby Britton, da Universidade do Arizona, EUA. Mesmo quem teme arder no inferno experimenta algo descrito como paz, serenidade ou bem-estar.
Qualquer um que tenha sobrevivido a uma EQM volta transformado. Passa a agir de forma mais solidária, desprendida de valores materiais. O medo da morte evapora. Para Suzana Herculano-Houzel, isso é uma postura sensata dos que escaparam de morrer por um fio. “Eles ganharam uma segunda chance”, afirma. Só que nem todos dão o mesmo valor a essa chance – é o que sugere um estudo feito na Holanda, publicado em 2001 na revista médica inglesa The Lancet pela equipe do cardiologista Pim van Lommel. Ele acompanhou sobreviventes de paradas cardíacas por 14 anos: quem recordava uma EQM apresentou mais mudanças positivas de atitude do que aqueles que não se lembravam do período em que estavam “mortos”.
Frases
“É uma coisa muito difícil de descrever. Nem imaginava que isso pudesse acontecer. Tive uma morte momentânea e me senti mais leve, com menos dor. Senti muita paz. Também me vi levantando do meu corpo. Voltei à vida, mas tive uma segunda parada e de novo me senti saindo do meu corpo. Era uma sensação menos nítida, acho que estava partindo mesmo. Foi coisa de segundos. Mas parece que o tempo ficou parado. Hoje vejo a vida por uma outra ótica. Meus valores mudaram e aprecio as coisas mais simples – um gole de água, um beijo de cada um da minha família. Tudo, tudo mudou.”
Lars Grael é iatista, detentor de 2 medalhas olímpicas e secretário de Esportes do Governo do Estado de São Paulo. Teve 2 paradas cardíacas depois que sua perna direita foi amputada por uma lancha que o atropelou durante uma regata em 1998.
“No momento do acidente, eu me senti tragada por um ‘túnel de vento’. Fiquei flutuando no asfalto e vendo o carro capotar num barranco. Outro carro parou e 3 homens saíram dele. Um deles desceu o morro e disse: ‘Tem uma mulher morta ali’. Era eu. Não tive nenhum choque ao ver o corpo – apenas lamentei, em pensamento, o que tinha sofrido. Fora do corpo, conseguia enxergar em todas as direções ao mesmo tempo. Então eu avistei 2 pessoas flutuando acima do morro. Uma delas era uma mulher morena. A outra, a silhueta de um homem alto, me pareceu conhecida – apesar de ser transparente. A moça esticou o braço direito e disse, sem mexer a boca: ‘tenha calma; isso está na sua programação’. Essa frase funcionou para mim como uma senha. Era como se eu resgatasse toda a minha memória. Deslizei em direção à dupla, mas lembrei que meu único filho de 12 anos estava sozinho num chalé sem vizinhos e sem telefone. Alguém precisava resgatá-lo. Nesse mesmo instante, fui tragada de novo pelo túnel e voltei ao corpo. Daí senti uma dor horrível. Foi o único jeito de avisar a família sobre o acidente e resgatar meu filho.”
Maria Aparecida Cavalcanti é radialista e professora universitária em São Paulo. Diz ter passado por 3 experiências de quase-morte. O relato acima se refere à segunda dessas experiências, ocorrida depois de um desastre automobilístico em Santa Catarina, em 1994.

A paz
No início da experiência, a dor desaparece. Somem também as noções de tempo e espaço. A pessoa é tomada por um sentimento indescritível de paz e serenidade. Essa fase ocorre em cerca de 60% das EQMs.
A viagem
A sensação é de se desprender do corpo físico e flutuar. Muitos dizem ver e ouvir o que se passa no ambiente em que o corpo está. Outros vão a lugares distantes – há até viagens espaciais.
O túnel
Segue-se uma etapa transitória de escuridão. São comuns as descrições de viagens muito velozes por um túnel, como se a pessoa estivesse sendo tragada por um aspirador de pó gigante.
A luz
No fim desse túnel, quase sempre há uma luz. Sobreviventes de experiências de quase-morte dizem que essa é a luz mais brilhante que poderia existir no Universo e, ainda assim, não ofusca a visão.
A fronteira
Em cerca de 10% dos casos, a pessoa relata entrar na luz do fim do túnel. Além dela, há ambientes paradisíacos e um limite que, ser for ultrapassado, tornaria a morte irreversível. A pessoa acorda em seu corpo e volta a sentir dor.

Isto também pode acontecer
Restrospectiva
A pessoa recorda vividamente todos os fatos de sua vida – não é comum que essa lembrança apareça de uma vez, fugindo do conceito terreno de tempo.
Companhia
Alguns relatos de EQMs incluem encontros com os espíritos de parentes mortos. Ou de amigos mortos. Ou com conhecidos vivos. Ou com completos desconhecidos.
O Ser Iluminado
Mesmo pessoas sem religião narram encontros com uma entidade bondosa, caridosa e acolhedora. Quando lhe atribuem uma identidade, ela varia de acordo com a fé.
Conhecimento Global
Durante a EQM, a pessoa pode vir a encontrar uma esfera que encerra todo o conhecimento do Universo. O ego desaparece, tudo e todos passam a ser uma coisa só.

8057 – Seitas – Um guro do espaço


Trigueirinho

Para alguns é lunático e charlatão, para outros é guia. O polêmico Trigueirinho afirma que o crescimento espiritual da humanidade está ligado a seres extraterrestres e a civilizações intraterrenas.
Ex-radialista, gerente de hotel, dono de restaurante e cineasta aclamado, foi ele quem dirigiu o filme Bahia de Todos os Santos, de 1960, é também autor de mais de 70 livros, publicados em vários idiomas, em que afirma que a conquista de nossa paz espiritual não está aqui na Terra. A chave para o futuro do homem estaria em comunidades intraterrenas, contatos com extraterrestres e até em um novo código genético que estaria em formação na humanidade.
Segundo afirma, sua vida foi marcada por um encontro decisivo, ocorrido em 1988: ele estava numa região montanhosa da Argentina quando teria tido contato com um extraterrestre evoluidíssimo, que o ensinou a separar a sua consciência do corpo, o que lhe teria permitido a ter acesso a outras dimensões com as quais jamais sonhara. Em seu glossário esotérico, fala do papel de tais seres alienígenas: eles exerceriam mais ou menos a mesma função dos santos católicos. As mensagens que eles trazem são de paz, esperança e equilíbrio e tanto no caso dos santos quanto dos Ets, é preciso ter fé para acreditar.
Outra afirmação controversa é a de que as aparições de Virgem Maria e as de Fátima de Lourdes, na verdade seriam projeções tridimensionais, como hologramas, enviados por entidades evoluídas, do espaço e do centro da Terra, para conduzir o ser humano ao crescimento espiritual.
Suas teorias sobre
Jesus – “Cristo é energia cósmica de unificação e não um indivíduo; está em todos, exprime-se com liberdade naqueles que pronunciam etapas futuras de aperfeiçoamento do gênero humano.”
Deus – “Denominamos o quer de mais elevado se possa conceber. Em estados evolutivos iniciais, é tido como um ser pessoal, externo; em fases mais adiantadas, é reconhecido como essência impalpável e buscado no mundo inteiro.”
Igreja – “Em certos textos ocultistas, tais termos tem o significado velado de hierarquia interna da Terra. Uma estrutura que propicia o despertar e o desenvolvimento da consciência do ser humano e funciona como veículo para expressão da alma de indivíduos que estão reunidos em nome de uma mera única.”
Além dos livros, Trigueirinho compartilha sua mensagem em palestras semanais que vêm sendo gravadas, organizadas em séries e publicadas pela Irdin Editora –- há mais de 1.600 títulos gravados. Algumas vêm sendo publicadas com tradução simultânea para o inglês e para o alemão. Outras foram traduzidas para o espanhol, o francês e o italiano ou gravadas nesses idiomas pelo próprio autor. Nestas palestras, que podem ser acessadas no site da editora, Trigueirinho procura estimular leitores e ouvintes a descobrirem o próprio eu profundo e a vida maior em que estão imersos, realidades das quais todos podemos estar cientes.
Nota do Portal Espírita sobre sua filosofia
E Trigueirinho é um desses espíritos iluminados encarnados atualmente na Terra. Entre muitas coisas importantes, ele nos ensina o domínio de nosso ego, sem o que ninguém passa pela Porta Estreita. É o que disse o Nazareno: “Se alguém quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo.” A sua instituição tem hoje vários núcleos espalhados pelo Brasil e alguns países. Esses núcleos são como que uma espécie de mosteiros espirituais, mas sem discriminar nenhuma religião. O mais importante desses núcleos, uma espécie de matriz dos outros, recebe visitantes de todo o Brasil e de vários países europeus, pois é onde mora Trigueirinho. Localiza-se em Figueira, no Município de Carmo da Cachoeira, Sul de Minas. E ocupa 5 fazendas doadas à sua instituição. Os que são moradores internos fixos em Figueira são celibatários. E são todos totalmente vegetarianos, não consumindo, pois, nenhuma espécie de carne, ovos, leite e seus derivados. A tônica da sua filosofia é o amor a Deus, ao próximo, aos animais e à natureza. Dos seus 70 livros traduzidos para várias línguas, extraímos de “Mensagens para uma Vida de Harmonia” alguns excertos: “No caminho interior as únicas bagagens necessárias são o amor e a prontidão para servir”. Também Jesus nos ensina o amor e o servir. E disse que não veio para ser servido, mas para servir. “Na escala evolutiva não se saltam etapas e existe sempre algo a fazer para galgar o degrau seguinte”. Essa idéia da nossa evolução é corroborada pelo Apóstolo Paulo: “Até que todos cheguemos à estatura mediana de Cristo.”(Efésios 4,13). “Quando um animal convive conosco e tudo espera de nós, que resposta lhe damos? E que dizer da nossa indiferença aos irmãos da mesma espécie, que ainda vivem em condições subumanas sob a nossa vista? Por onde começar a cura? Não seria por nós mesmos?” “A vontade humana baseia-se em experiências passadas. Prende-se ao que é conhecido e agradável e quer repetir as boas vivências que teve anteriormente; não tem poder para levar-nos ao que seria novo em nossa vida.” Como se sabe, a reencarnação é ensinada pela Bíblia e todas as demais escrituras sagradas.

5197 – Religião – As Cirurgias Mediúnicas


Depois de um breve discurso e de uma prece, ele pega uma tesoura longa em uma bandeja que está nas mãos do assistente. Sem nenhum tipo de anestesia e muito pouco delicadamente, empurra o instrumento para dentro do nariz da mulher. Ela levanta o braço com medo. Ele a tranqüiliza. Ouvem-se estalos. A mulher murmura, mas parece não sentir dor. O sangue começa a escorrer do seu nariz. Em segundos, o médium balança a tesoura no ar. Na ponta, um pedaço de carne esponjosa. “Carrega!”, grita, e dois homens retiram a mulher do recinto.
A platéia assiste extasiada ao espetáculo que acontece toda semana no galpão da Casa de Dom Inácio, em Abadiânia, interior de Goiás. O médium João Teixeira atrai gente de muitos lugares.
O centro Dom Inácio é visitado por centenas de estrangeiros todos os anos.
Usar o bisturi não é, no entanto, o procedimento-padrão das cirurgias mediúnicas. Normalmente o médium pergunta ao paciente: “Com ou sem corte?” Cada um decide o que vai ser.
Não pense que essa escolha envolve uma minuciosa avaliação sobre a possibilidade de a cirurgia trazer complicações. Em lugares assim, a limpeza é inadequada e o risco de infecção é muito grande. No entanto, o desleixo com as bactérias aparentemente não traz tantos malefícios quanto poderia.
A ausência de dor também intriga a ciência. O interior de Goiás é apenas um dos muitos lugares em que essas práticas acontecem. Onde quer que haja notícia de curas milagrosas, forma-se uma enorme fila. E em cada um desses lugares há uma maneira diferente de praticar esse estranho casamento entre a medicina e a fé. A Fundação Espírita Caminho de Luz, em Campos Gerais, no sul de Minas, é uma entidade espiritualista. Eles acreditam em espíritos, mas não seguem dogmas de religiões como o kardecismo ou a umbanda.
O Instituto Espírita Cidadão do Mundo, na capital paulista, só faz passes. O espírito que segundo o Instituto cura as pessoas é o do alemão Hoffman Belgrand. (É curioso que os espíritos sejam na maioria de médicos alemães).
É claro que a eficiência dessas práticas é controversa. Além da auto-sugestão, muitos acreditam em hipnose. “Pessoalmente, acho que essa seja a hipótese mais provável. A religião e as preces induzem ao transe hipnótico”, diz Sérgio Henriques, psiquiatra do Centro de Estudos da Dor, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Sob o comando do médium, o doente se sente melhor porque a mente dele aceita a idéia de que a dor passou.”
Mas há casos sem explicação: No Instituto Espírita Cidadão do Mundo, uma menina de apenas 4 anos, vítima de leucemia, teve uma melhora repentina logo depois do primeiro passe. “A médica ficou impressionada. Minha filha vivia doente, com febre contínua e, muitas vezes, estava tão debilitada que nem podia receber a quimioterapia”, conta a mãe, Rosa Pereira dos Santos. “A febre cedeu depois do primeiro passe e há um ano ela não deixa de fazer a quimioterapia na data marcada.” Uma criança dessa idade dificilmente ficaria auto-sugestionada por um passe.
Do médium para o médico
Mesmo sem sofrer uma incisão, alguns pacientes de tratamentos mediúnicos relatam ter sentido como se ela estivesse acontecendo. Em 1987, a jogadora de basquete Paula, a Magic Paula, recorreu a uma cirurgia espiritual sem corte para tratar um problema no joelho. Procurou o médium Waldemar Coelho, em Leme, interior de São Paulo. “Sentia como se abrissem minha pele e mexessem lá dentro. Só que não doía”, afirma. Dois anos depois, Paula teve problemas no outro joelho. Dessa feita os espíritos não conseguiram resolver e ela acabou no centro cirúrgico de um hospital.
A jogadora Virna, da Seleção Brasileira de Vôlei, também foi paciente de Coelho. “Em 1993, depois de um jogo em Cuzco, no Peru, minha mão direita começou a doer. A artéria que irriga a mão estava obstruída”, diz. De acordo com a jogadora, os médicos que a examinaram receitaram cirurgia. Apesar de ser católica, Virna resolveu seguir a indicação de colegas de equipe e procurou o médium. “Sabia que era uma operação sem corte, mas senti a pele abrir, o sangue escorrer. Senti até ele dar os pontos e não doeu nada”, diz. Sua mão ficou boa.
Dr Fritz, Alemão bom de faca
José Pedro de Freitas, ou Zé Arigó, foi um dos primeiros cirugiões-médiuns brasileiros famosos. Seus instrumentos eram facas, canivetes e serrotes, às vezes enferrujados. Suas curas eram atribuídas ao “Doutor Fritz”, o espírito de um médico alemão morto durante a Primeira Guerra. Arigó morreu em 1971, em um violento acidente de carro na Rodovia Fernão Dias. Durante trinta anos de operações, calcula-se que tenha atendido nada menos do que 2 milhões de pessoas.
Mesmo depois da morte de Arigó, o Doutor Fritz continuou operando. O ginecologista pernambucano Edson Queiroz, que passou a receber o espírito da entidade em 1981, como Arigó, sofreu diversos processos, chegando a perder o direito de exercer a profissão. Em 1991, morreu assassinado a facadas.
Rubens de Faria Júnior foi o último médium a atrair multidões com o nome de Doutor Fritz. Hoje, esse carioca de 43 anos não opera mais e também responde a vários processos. “Gasto os meus dias conversando com advogados”, conta. Rubens vive em um condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, no Rio. Afirma sobreviver da ajuda de amigos e da remuneração por palestras e cursos que ministra em institutos internacionais de pesquisa sobre fenômenos paranormais. “Foram tantos os problemas que cheguei a pensar em me matar. Hoje só quero provar minha inocência”.
“Um sinal da seriedade de um Centro é não cobrar pelo tratamento”
“Os cortes ajudam as pessoas a acreditar que são curadas”

2349-Ciência e espiritualidade-Em busca da alma


Cientistas debruçam-se sobre o maior enigma da existência humana. E já especulam que redes cerebrais e até a física quântica podem explicar o que há além de nossos corpos O paciente P.H. (nome omitido) apareceu na clínica do neurocientista Peter Brugger, na Suíça, com uma história estranha para contar. Depois de ter a sensação de que seu corpo havia se dividido ao meio, ele começou a perceber a presença de um homem que ninguém mais via, sempre postado à sua direita. A aparição fantasmagórica era bem diferente de P.H. – enquanto o paciente era um artesão de 41 anos com cabelos castanhos, o homem a seu lado era moreno e tinha cerca de 50 anos. Mas era impossível identificar mais detalhes da fisionomia do misterioso sujeito, pois, toda vez que P.H. se virava para vê-lo melhor, o homem também se virava, como que imitando-o, escondendo o rosto.