12.101 – Anjos Segundo o Espiritismo


Homem Anjo
Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, não restam dúvidas. A revelação espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos, fazendo-nos conhecer ao mesmo tempo a origem e natureza de tais seres.
As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim – que é a perfeição – é para todos o mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem predileções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.
Conseguintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou esse mal, divorciando-se dessas leis; se ele as observasse escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho.
Entretanto, a alma, qual criança, é inexperiente nas primeiras fases da existência, e daí o ser falível. Não lhe dá Deus essa experiência, mas dá-lhe meios de adquiri-la. Assim, um passo em falso na senda do mal é um atraso para a alma, que, sofrendo-lhe as conseqüências, aprende à sua custa o que importa evitar. Deste modo, pouco a pouco, se desenvolve, aperfeiçoa e adianta na hierarquia espiritual até ao estado de puro Espírito ou anjo. Os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porém, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem ditosas, tendo ainda nele um meio de progresso. (Vede 1ª Parte, cap. III, “O céu”.)
A Humanidade não se limita à Terra; habita inúmeros mundos que no Espaço circulam; já habitou os desaparecidos, e habitará os que se formarem. Tendo-a criado de toda a eternidade, Deus jamais cessa de criá-la. Muito antes que a Terra existisse e por mais remota que a suponhamos, outros mundos havia, nos quais Espíritos encarnados percorreram as mesmas fases que ora percorrem os de mais recente formação, atingindo seu fim antes mesmo que houvéramos saído das mãos do Criador. De toda a eternidade tem havido, pois, puros Espíritos ou anjos; mas, como a sua existência humana se passou num infinito passado, eis que os supomos como se tivessem sido sempre anjos de todos os tempos.
Realiza-se assim a grande lei de unidade da Criação; Deus nunca esteve inativo e sempre teve puros Espíritos, experimentados e esclarecidos, para transmissão de suas ordens e direção do Universo, desde o governo dos mundos até os mais ínfimos detalhes. Tampouco teve Deus necessidade de criar seres privilegiados, isentos de obrigações; todos, antigos e novos, adquiriram suas posições na luta e por mérito próprio; todos, enfim, são filhos de suas obras.
E, desse modo, completa-se com igualdade a soberana justiça do Criador.

Allan Kardec

12.070 – Ciência X Fé – O que dizer sobre as “curas espirituais”


saindo co corpo
Luiz Carlos Nunes aguardava na fila de atendimento quando João de Deus o encarou e mandou que passasse à frente. Nunes foi orientado a sentar numa poltrona no centro da grande sala da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás, a 117 quilômetros de Brasília. João de Deus, o mais procurado cirurgião espiritual em atividade no mundo, colocou um lençol branco sobre o dorso de Nunes como uma preparação para um corte de cabelo. Depois, acomodou um travesseiro nas suas costas, enquanto rasgava com desprezo uma embalagem onde estava envolto um bisturi, aparentemente novo. Estava com olhar perdido na plateia. Ao se aproximar de Nunes, João de Deus afastou os cabelos que encobriam um tumor cancerígeno diagnosticado três anos antes. Apertou o caroço localizado no canto superior direito da cabeça com os dedos e fez um corte horizontal de 2 centímetros. Por duas vezes, revira o bisturi no corte. Depois, o solta e aperta a fenda até sair um espesso líquido branco.
Um fio de sangue escorreu sobre o rosto de Nunes, respingando no manto branco. Como uma pinça, o médium remexeu de novo no corte até extrair o suposto tumor que levou Nunes de São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, à Abadiânia. Com um chumaço de gaze, enxugou o sangue que brotava da fenda. Pressionou a gaze várias vezes sobre o corte de modo brusco. Nunes parecia estar num estado de semi-vigília. De olhos fechados, sua cabeça ia para trás e para frente como se tivesse caindo no sono na poltrona de casa.
João de Deus pegou uma nova gaze e começou a limpar a parte direita do rosto de Nunes. Logo abaixo do olho direito, havia um outro tumor cancerígeno. O médium rasga uma nova embalagem de bisturi, encara os presentes e se volta mais uma vez para o rosto de Nunes. Faz um corte na maçã do rosto e espreme o corte até extrair outro caroço, em uma operação que dura 30 segundos. Em seguida, assistentes de João de Deus erguem a cadeira onde Nunes estava sentado Nunes e o levam até a sala de enfermaria, contígua a grande sala de atendimentos. Era quinta-feira, 12 de outubro de 2000. “Senti apenas que estavam mexendo na minha cabeça, mas não dor”, lembra Nunes que, hoje, 15 anos depois não tem sequer a marca dos dois cortes.
O vídeo da cirurgia de Nunes foi gravado em VHS e está disponível no YouTube desde 2010. A cirurgia de 7 minutos pôs um fim ao tratamento contra um tumor na cabeça diagnosticado em abril de 1997. Nunes havia tentando se operar com médicos formados por duas vezes. Em ambas, foi mandado para casa com a explicação que a cirurgia não era uma boa alternativa. Além de perder os movimentos do rosto e a visão, uma operação não iria alterar seu prognóstico – que não era nada bom, 2 a 3 meses na melhor das hipóteses. “Os médicos diziam que o melhor que eu tinha a fazer era levar meu marido para casa. Para morrer em casa, eles queriam dizer”, diz Eraci, a esposa de Nunes.
Diante desse diagnóstico sombrio, o gaúcho Nunes recorreu ao médium. Tinha ouvido falar de João de Deus pela primeira vez um ano antes, quando um primo lhe contou sobre supostos milagres do cirurgião espiritual. Até então, Nunes estava familiarizado com a mediunidade como membro da Cavaleiro de São Jorge, uma fraternidade da Umbanda com influência do espiritismo de Allan Kardec. Mas não conhecia João de Deus pessoalmente. Naquela época, também estava precisando de ajuda. Tinha um problema intestinal grave cujo principal sintoma eram diarreias frequentes. A médica havia constatado a presença de um câncer no intestino e de divertículos (pequenas bolsas na parede do intestino grosso) e sugeriu uma cirurgia imediata. Nunes pediu um tempo e viajou a Abadiânia, em 18 de junho de 1996.
Luiz Carlos Nunes aguardava na fila de atendimento quando João de Deus o encarou e mandou que passasse à frente. Nunes foi orientado a sentar numa poltrona no centro da grande sala da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás, a 117 quilômetros de Brasília. João de Deus, o mais procurado cirurgião espiritual em atividade no mundo, colocou um lençol branco sobre o dorso de Nunes como uma preparação para um corte de cabelo. Depois, acomodou um travesseiro nas suas costas, enquanto rasgava com desprezo uma embalagem onde estava envolto um bisturi, aparentemente novo. Estava com olhar perdido na plateia. Ao se aproximar de Nunes, João de Deus afastou os cabelos que encobriam um tumor cancerígeno diagnosticado três anos antes. Apertou o caroço localizado no canto superior direito da cabeça com os dedos e fez um corte horizontal de 2 centímetros. Por duas vezes, revira o bisturi no corte. Depois, o solta e aperta a fenda até sair um espesso líquido branco.
Um fio de sangue escorreu sobre o rosto de Nunes, respingando no manto branco. Como uma pinça, o médium remexeu de novo no corte até extrair o suposto tumor que levou Nunes de São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, à Abadiânia. Com um chumaço de gaze, enxugou o sangue que brotava da fenda. Pressionou a gaze várias vezes sobre o corte de modo brusco. Nunes parecia estar num estado de semi-vigília. De olhos fechados, sua cabeça ia para trás e para frente como se tivesse caindo no sono na poltrona de casa.
João de Deus pegou uma nova gaze e começou a limpar a parte direita do rosto de Nunes. Logo abaixo do olho direito, havia um outro tumor cancerígeno. O médium rasga uma nova embalagem de bisturi, encara os presentes e se volta mais uma vez para o rosto de Nunes. Faz um corte na maçã do rosto e espreme o corte até extrair outro caroço, em uma operação que dura 30 segundos. Em seguida, assistentes de João de Deus erguem a cadeira onde Nunes estava sentado Nunes e o levam até a sala de enfermaria, contígua a grande sala de atendimentos. Era quinta-feira, 12 de outubro de 2000. “Senti apenas que estavam mexendo na minha cabeça, mas não dor”, lembra Nunes que, hoje, 15 anos depois não tem sequer a marca dos dois cortes.
O vídeo da cirurgia de Nunes foi gravado em VHS e está disponível no YouTube desde 2010. A cirurgia de 7 minutos pôs um fim ao tratamento contra um tumor na cabeça diagnosticado em abril de 1997. Nunes havia tentando se operar com médicos formados por duas vezes. Em ambas, foi mandado para casa com a explicação que a cirurgia não era uma boa alternativa. Além de perder os movimentos do rosto e a visão, uma operação não iria alterar seu prognóstico – que não era nada bom, 2 a 3 meses na melhor das hipóteses. “Os médicos diziam que o melhor que eu tinha a fazer era levar meu marido para casa. Para morrer em casa, eles queriam dizer”, diz Eraci, a esposa de Nunes.
Diante desse diagnóstico sombrio, o gaúcho Nunes recorreu ao médium. Tinha ouvido falar de João de Deus pela primeira vez um ano antes, quando um primo lhe contou sobre supostos milagres do cirurgião espiritual. Até então, Nunes estava familiarizado com a mediunidade como membro da Cavaleiro de São Jorge, uma fraternidade da Umbanda com influência do espiritismo de Allan Kardec. Mas não conhecia João de Deus pessoalmente. Naquela época, também estava precisando de ajuda. Tinha um problema intestinal grave cujo principal sintoma eram diarreias frequentes. A médica havia constatado a presença de um câncer no intestino e de divertículos (pequenas bolsas na parede do intestino grosso) e sugeriu uma cirurgia imediata. Nunes pediu um tempo e viajou a Abadiânia, em 18 de junho de 1996.
Quando foi atendido por João de Deus, a quem chama de “pai”, o radialista falou que estava com um câncer no intestino. “Ele me disse ‘Filho, dessa doença você está curado, mas não vai parar de vir a esta casa'”, contou. O pedido soou como uma ordem e, desde então, não houve um ano em que ele tenha deixado de ir à Casa Dom Inácio. Ele lembra que, antes de regressar a Campo Bom, cidade a 20 km de São Leopoldo (RS), a diarreia começou a diminuir e ele sentia-se melhor.
Em casa, correu para a médica para fazer novos exames. Já na consulta, seu estado geral deixou a especialista espantada. “Eu disse que estava me sentindo bem e ela duvidou, me encarou com um olhar desconfiado”, lembra Nunes, sentado em uma poltrona ao lado de Eraci no pequeno apartamento de dois quartos em um condomínio simpático a 26 km de Porto Alegre. Apesar da fé no tratamento de João de Deus, Nunes queria saber se havia tido uma melhora real e aceitou se submeter à bateria de exames. Naquele dia, ficou das 14h às 20h no hospital fazendo um check-up completo.
Quando retornou para saber dos resultados, a médica estava de novo estupefata. “Ela disse que dava para ver claramente cortes suturados no intestino como se fossem de uma cirurgia”, contou Nunes. O radialista disse que não havia sido operado. Ela, então, o examinou meticulosamente atrás de cortes no abdômen. Não encontrou nada – nesta primeira sessão, João de Deus não usou bisturi, fez a chamada “cirurgia” sem corte, a mais utilizada pelo médium. As operações sem corte são, na verdade, sessões de reza e meditação com foco no problema do paciente. “Achei melhor não contar que havia ido à Abadiânia porque ela não ia acreditar”, confessou Nunes.
Nunes e Eraci se conheceram em uma viagem para Abadiânia, dois meses antes do segundo diagnóstico de câncer do radialista. Em 1996, Eraci havia ido pela primeira vez ao encontro de João de Deus na esperança de tratar as dores na coluna terríveis que só passavam com injeções de corticoides. Ao entrar na fila para atendimento, foi chamada pelo próprio médium para fazer parte da “corrente”. Na época, ela não fazia ideia do que se tratava. Depois soube que era um grupo de pessoas nas quais João de Deus identificava poderes mediúnicos e de concentração. Elas ficavam reunidas em uma segunda sala, contígua ao salão principal, onde são realizados os atendimentos. Além de ter se livrado da dor na coluna, Eraci conseguiu reverter um diagnóstico de leucemia, cujos sintomas desapareceram. Diante do histórico de sucesso de João de Deus na vida do casal, eles decidiram voltar em julho à Casa Dom Inácio juntos, depois que médicos tinham diagnosticado um novo tumor em Nunes, agora na cabeça.
Casos de pacientes como Eraci e Nunes, que sempre recorrem ao médium, são comuns em Abadiânia, onde João Teixeira de Faria, o João de Deus, fundou a casa de tratamento espiritual, hoje um sucesso mundial. Os estrangeiros, que representam 80% da sua clientela, o chamam de John of God. Nascido em 1942, o médium é um fazendeiro católico semi-analfabeto, pai de 11 filhos de mulheres diferentes. Quando atende às centenas de pessoas nas quartas, quintas e sextas, diz estar possuído por espíritos que têm o dom da cura. Seriam mais de 30 entidades que operam pelas suas mãos. Ou seja, João de Deus estava tecnicamente fora de si quando rasgou a cabeça de Nunes para extrair o primeiro tumor. Sua consciência, segundo ele, estaria dominada pelo cirurgião português Augusto de Almeida, morto em 1941, ou pelo próprio Ignácio de Loyola, santo do século 14 que dá nome à Casa. Hoje, Nunes é conhecido por lá como o “cyborg do Dr. Augusto”, em razão das inúmeras cirurgias que já fez com João de Deus.

Estima-se que João de Deus tenha “tratado” mais de 9 milhões de pessoas em seus 54 anos de atividade. Caçula de seis irmãos, ele nasceu em Itapaci, também interior de Goiás, em uma família de poucas posses. Largou os estudos quando cursava o equivalente à segunda série do Ensino Fundamental e nunca mais voltou aos bancos escolares. Aos nove anos, teve uma premonição. Estava com a mãe visitando parentes no município de Nova Ponte quando vislumbrou uma tempestade que arrasaria casas, entre elas a do seu irmão. A chuva veio e destruiu as casas, como João previra. Mas foi só aos 16 anos que ele decidiu procurar um centro espírita em Campo Grande. Ele conta que antes havia recebido a visita de Santa Rita de Cássia, de quem é devoto até hoje. Desde então, nunca mais parou. Fundou a Casa Dom Ignácio de Loyola, em 1976, e sua fama hoje é quase tão grande quanto a do seu mentor, Chico Xavier. O médium brasileiro, maior expoente do movimento espírita, insistiu que João de Deus resistisse às perseguições que sofreu antes da Constituição de 1988. Até então, a liberdade de credo não estava expressa na carta magna e a fiscalização sobre as cirurgias espirituais era mais rígida. Mas a nova Constituição deixou o controle mais brando, desde que, é claro, não seja confundida com prática ilegal da medicina ou piore a condição dos pacientes.

Na sua longeva carreira, só houve um registro de morte. A austríaca Martha Raucher teve um infarto enquanto rezava o terço em um final de tarde em fevereiro de 2012, na Casa Dom Inácio. João de Deus não estava no local no momento. Além disso, a austríaca não havia sido submetida a cirurgias, e havia chegado ao Brasil já bastante debilitada, segundo testemunhas. O Ministério Público arquivou as denúncias contra o cirurgião espiritual por falta de provas. Até 2015, não havia nenhuma investigação em curso. A maioria das “cirurgias” são entre aspas mesmo – só na base da reza, sem contato físico. As outras, com incisão de facas e bisturis, são feitas somente em quem pede – e muitas vezes, João de Deus se recusa a fazê-las. Além de atender na Casa Dom Inácio, o médium viaja anualmente para os Estados Unidos, a Áustria e a Suíça para dar conta da fama internacional.

Eraci e Nunes levam centenas de pessoas em excursões mensais à Abadiânia. Mas não deixam de ir ao médico. “O pai (como chamam João de Deus) sempre reforça que não é para abandonar tratamento com seu médico”, diz Nunes. O tratamento em Abadiânia seria “complementar”.
Geralmente, quem procura João de Deus já foi desenganado pela medicina ou está há anos em tratamento sem grandes progressos. O médium não promete cura, mas proliferam relatos sobre seus milagres. Um dos mais famosos é o de Shirley MacLaine, responsável por divulgar o nome do médium no exterior. A atriz americana diz ter sido curada de um câncer no abdômen com a ajuda de João.
Em 2012, foi a vez de Oprah Winfrey visitar a Abadiânia e conhecer pessoalmente John of God. Chegou descrente, para gravar um programa de TV com o curandeiro. “Fui ao Brasil preparada para duvidar do que os meus olhos vissem”, disse na época. “Mas o corpo não mente. Quando João de Deus entrou na sala e fez sua primeira cirurgia, em uma mulher, ele me chamou para chegar mais perto. Fez uma incisão de uma polegada no seio dela. Pensei ‘Sim, é uma faca mesmo e, sim, é sangue pingando nas suas calças brancas’. Como isso pode estar acontecendo sem anestesia, sem ela sequer pestanejar?”, contou Oprah, diante das câmeras, para a sua plateia. A apresentadora desmaiou durante a sessão. Foi amparada por uma voluntária para recobrar os sentidos. Apesar do choque, alega ter sentido uma profunda e inexplicável sensação de paz e gratidão. Por essas, todo ano a pequena cidade goiana ganha novos moradores que desejam ser voluntários na Casa Dom Inácio. Estima-se que existam mais de 300 pessoas tenham largado tudo para viver próximas ao médium.
Uma delas é o americano Matthew Ireland, nascido em Vermont, Colorado. Matthew ainda hoje passa temporadas na Casa para agradecer. Em 2003, ele desembarcou em Goiás com um gioblastoma estágio 4, o câncer cerebral mais agressivo encontrado em humanos. Tinha 27 anos e havia recém-terminado a faculdade. Ele havia recém gasto suas economias para comprar um camping nas montanhas do Colorado e dividia seu tempo com a administração do local e como técnico de um time de basquete de uma escola de Ensino Médio. Foi nesta época que começou a ter dores de cabeça terríveis. O primeiro diagnóstico foi enxaqueca. Só que os analgésicos fortíssimos receitados por um médico local não fizeram efeito algum. Matthew, então, foi submetido a uma tomografia. E o radiologista logo lhe avisou: “Há algo na sua cabeça que precisa ser retirado imediatamente. Nós não temos as condições de fazer essa cirurgia aqui, mas você precisa ser operado logo”.
O irmão de Matthew o levou às pressas para Denver, a 8 horas de carro de onde viviam. Chegando lá, soube que o diagnóstico era bem pior: um tumor maligno, localizado no centro do cérebro, em uma região inoperável. A única coisa que os cirurgiões podiam tentar era aliviar a pressão craniana e fazer um desvio para que os líquidos cerebrais, retidos por causa do tumor, fluíssem melhor. Horas depois da operação, ele estava cercado pela mãe, o irmão e três amigos de faculdade que largaram tudo para vê-lo. “Foi a primeira vez na minha vida que senti o quanto era amado”, contou Matthew a Kelly Turner, autora de Radical Remission (Remissão Radical, sem tradução no português), livro de casos de curas milagrosas.
Antes de receber alta e após uma segunda cirurgia que tornou permanente o desvio dos líquidos cerebrais, o médico chamou Matthew para decidir o tratamento. Na verdade, não havia muitas opções. A quimioterapia e a radioterapia conseguiriam, no máximo, diminuir o crescimento do tumor. Segundo seu oncologista, Matthew tinha 2% de chances de viver mais de um ano e meio. “Ele foi honesto e Deus o abençoe por isso. Meu médico salvou minha vida fazendo as cirurgias e sou eternamente grato por isso”, lembra. “Depois desses anos, percebi que ele havia feito tudo o que estava ao seu alcance. Só parou quando não sabia mais o que fazer – e aí algo muito maior me ajudou”, contou Matthew a Kelly.
O americano se mudou para a costa leste para ficar próximo da família. Havia tomado uma decisão séria: “Não vou morrer. Se só 2% dos que têm a minha doença sobrevivem, bom. Eu serei esses 2%”. Ainda assim, resolveu, apesar da pouca eficácia no seu caso, fazer radioterapia e quimioterapia. Duas semanas depois da primeira sessão das duas terapias combinadas, sentia-se péssimo com os inevitáveis efeitos colaterais. Havia perdido o apetite e o paladar. Um desânimo tomara conta do seu corpo.
Pior: não estava fazendo efeito. Uma tomografia constatou que o tumor seguia crescendo, embora de forma mais lenta. Foi então que um amigo sugeriu a Matthew que ele fosse ao Peru onde um xamã colecionava casos de cura inacreditáveis. Os amigos fizeram uma vaquinha e, em poucos dias, deram a Matthew a passagem de avião. Ele se preparava para ir à América do Sul quando recebeu um recado estranho. Uma das mulheres que também embarcaria na viagem recomendou que Matthew trocasse o itinerário. Sua intuição dizia que ele devia ver John of God, no Brasil. Após pesquisar sobre o médium na internet, Matthew achou estranha a forma do tratamento espiritual, mas uma coisa o surpreendeu. João de Deus não cobrava nada. “A ideia de alguém que não trata por dinheiro? Isso me convenceu que ele realmente queria curar pessoas”, disse.
Matthew tentou trocar as passagens do Peru para o Brasil, mas não conseguiu. Decidiu, então, relaxar. Iria ao Peru e, na volta, tentaria uma escala no Brasil para ver João de Deus. Mas uma vizinha, que não o conhecia direito, soube do caso e lhe ofereceu dinheiro para a passagem. Ela própria havia tratado um câncer de mama com o médium brasileiro, e se dizia curada.

Matthew aceitou e embarcou a Goiás na semana seguinte. Ele não era religioso, nunca frequentara igrejas e tampouco sentia-se atraído por doutrinas rígidas. Mas, na primeira noite em Abadiânia, percebeu uma intensa luz no banheiro do quarto de hotel. Pensou ser a luz acesa, mas não era. Ele via e sentia a presença luminosa de alguém entrando no quarto e colocando a mão sobre sua cabeça. Uma sensação de êxtase percorreu seu corpo. “Foi a coisa mais intensa que senti na vida. E, naquela época, eu não sabia, mas era amor. É isso que é o amor. E isso é Deus”, contou na época.
Na manhã seguinte, Matthew vestiu-se de branco, cumprindo a única exigência requisitada aos visitantes da Casa – os espíritas acreditam que as entidades captam o campo energético de forma mais rápida quando o paciente está em coberto por vestes alvas. O americano dirigiu-se à fila de 500 pessoas que esperavam para ver João de Deus. As centenas de pessoas, concentradas, andavam a passos curtos até duas grandes salas de meditação. O médium ficava no centro da maior delas, cercado de ajudantes, entre eles intérpretes que traduzem os pedidos de estrangeiros. Quando chegou a sua vez, Matthew disse, em poucas palavras: “Eu gostaria de ficar curado do meu câncer cerebral.” João de Deus o encarou por um momento e disse: “Primeiro, comece a tomar passiflora (uma espécie de remédio natural feito na farmácia local) todos os dias e medite diariamente nesta sala.” Nos três dias da semana em que João fazia seus atendimentos, Matthew ia para a sala meditar. Ele planejava ficar um mês em Abadiânia, meditando todos os dias.
Em uma das sessões, Matthew sentiu uma mão tocar a sua e levá-la até a sua cabeça. Ele deixou a mão repousar, mas foi baixando-a aos poucos. O estranho pegou de novo a mão de Matthew e, desta vez, pressionou-a por mais tempo. Matthew entendeu o recado. Deixou sua mão repousar bem na região do tumor e, segundos depois, sentiu uma energia percorrer todo o seu corpo, como da primeira vez no hotel. Horas após, ao sair do transe, olhou para a pessoa ao lado e agradeceu. “Como você sabia que eu tenho um tumor cerebral e levou a minha mão à cabeça?”, perguntou. O desconhecido não sabia de nada. Atribuiu aos “espíritos” a ação.
Dos pacientes que procuram a Casa, muitos ficam apenas alguns dias. Outros, como o americano, permanecem por longos períodos ou fazem visitas regulares por recomendação expressa de João de Deus. Matthew sentia falta da família e dos amigos, sentia-se um fardo por estar sendo sustentado pelos pais, mas aquela era sua única alternativa. Depois de um mês de meditação e passiflora, o médium o chamou para a primeira cirurgia espiritual sem cortes. O americano ficou na sala de meditação com outras pessoas recebendo aquilo que os presentes acreditam ser uma “corrente energética poderosa” de João de Deus. O procedimento é chamado de cirurgia porque, segundo os crentes, os espíritos que encarnam no médium lançam mão de métodos análogos ao de uma operação de hospital, mas trabalham apenas sobre a “energia” dos pacientes. Cortam, desbloqueiam ou reparam o “fluxo energético” dos doentes – tudo à distância.
Nas poucas interações que teve com o médium brasileiro, Matthew notou algo curioso. João de Deus nunca chamara sua doença de “câncer”. Uma vez apenas disse que ele tinha “algo poderoso na cabeça”. Em um das sessões de meditação, João de Deus colocou suas mãos na cabeça de Matthew, e ele sentiu novamente uma energia intensa percorrer seu corpo. Já haviam se passado mais de três meses da sua chegada ao Brasil e o visto de turista de Matthew estava expirado. Ele voltou aos EUA e sua família ficou surpresa ao vê-lo tão bem. Eles não hesitaram em pagar a passagem para Matthew voltar. Ele foi e voltou dos Estados Unidos ao Brasil durante um ano inteiro.
Quando retornou à terra natal, depois de um ano longe de casa, seus médicos pediram para vê-lo. Matthew não queria fazer a ressonância. Tinha medo que o tumor estivesse maior e que isso acabasse com a sua fé e a da sua família. Ele adiou a data do exame por mais um ano até se sentir pronto. O resultado que receberia lhe deu uma injeção de fé. O tumor ainda estava lá, mas tinha diminuído consideravelmente. Uma das amigas de Matthew, que era médica, viu o exame e lhe telefonou. “Ela me disse para continuar fazendo o que eu estava fazendo, não importasse o que fosse”, lembra. Ele voltou à Abadiânia e à sua terapia de meditação e passiflora.
No retorno à Casa Dom Ignácio, Matthew conheceu uma brasileira que havia ido em busca de conforto emocional. Ela acabara de perder seu irmão de câncer e ainda chorava a morte do pai anos antes, vítima do mesmo tipo de tumor de Matthew. Eles sentiram uma forte e estranha conexão. Neste período, Matthew quis se submeter à cirurgia com cortes. Estava disposto a fazer o tratamento heterodoxo completo. Mas, quando chegou diante de João de Deus, ouviu em tom enfático: “Você precisa de um tratamento espiritual e eu preciso que você volte para lá (à sala de meditação).” Matthew obedeceu e, durante um ano, meditou, fez cirurgias espirituais e namorou com a brasileira, que pouco mais tarde se tornaria sua mulher.
Quase dois anos depois de sua primeira ida à Casa Dom Ignácio, durante a sessão usual de meditação, João de Deus se aproximou de Matthew. Pegou sua mão e o levantou do chão. Levou Matthew junto com ele até o meio da tradicional sala de meditação e ordenou, com a ajuda de um intérprete: “Agora, encare essas pessoas e diga exatamente o que o trouxe aqui dois anos atrás e o que exatamente você não tem mais.” Era a primeira vez que João de Deus falava algo parecido.
Como explicar esses supostos poderes sobrenaturais? Até há pouco tempo, tudo era um grande mistério, ou pura questão de fé. Mas a ciência já começa a elucidar a verdade por trás das cirurgias mediúnicas.

11.177 – História da Medicina – Quem foi Paracelsus?


paracelsus estátua

Pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, (Einsiedeln, 17 de dezembro de 1493 — Salzburgo, 24 de setembro de 1541) foi um médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-alemão.
Seu pseudônimo significa “superior a Celso (médico romano)”. No estudo da sua biografia, facto tem sido gradualmente separado da crença, mas nenhum acordo foi alcançado no que respeita à natureza e sentido de seu ensino. Ele é considerado por muitos como um reformador do medicamento. Também é aclamado por suas realizações em Química e como fundador da Bioquímica e da Toxicologia.
Ele aparece entre cientistas e reformadores como Andreas Vesalius, Nicolau Copérnico e Georgius Agricola, e, portanto, é visto como um moderno. Por outro lado, sempre possuiu uma aura de místico e até mesmo a obscura reputação de mago.
Nasceu em Ensiedeln, na Suíça. Seu pai era suábio e sua mãe era suíça. Na infância, foi educado pelo seu pai, que também era alquimista e médico. Acompanhava-o nas caminhadas pelas montanhas e povoados, observando a manipulação de medicamentos. Aprendeu a gostar das plantas e ervas silvestres. Foi educado na Áustria e quando jovem trabalhou em minas como analista.
Foi educado na Áustria e quando adolescente trabalhou no laboratório e nas minas do judeu Sigismund Fugger, em Schwatz, no Tirol, que, como Trithemius, foi também um grande alquimista.
Lá Paracelso trabalhou como analista. Formou-se em medicina na Universidade de Viena em 1510, com dezessete anos de idade. Especula-se que ele tenha feito o seu doutorado na Universidade de Ferrara, em 1515 ou 1516.
Viajou para vários lugares do mundo, em busca de novos conhecimentos médicos e insatisfeito com o ensino tradicional que recebeu na academia. Foi para a Hungria,e Polônia , procurando alquimistas de quem pudesse aprender algo.
No retorno de Paracelso à Europa, seus conhecimentos em tratamentos médicos tornaram-no famoso. Ele não seguia os tratamentos convencionais para feridas, que consistiam em derramar óleo fervente sobre elas; se as feridas estivessem em um membro (braço ou perna), esperava-se que elas ficassem em gangrena para então amputar o membro afetado. Paracelso acreditava que as feridas se curariam sozinhas se o pus fosse evacuado e a infecção fosse evitada.
Ele rejeitava as tradições gnósticas, mas manteve muitas das filosofias do Hermetismo, do neoplatonismo e de Pitágoras; de qualquer modo, a ciência Hermética tinha tantas teorias aristotélicas que a sua rejeição do Gnosticismo era praticamente sem sentido. Em particular, Paracelso rejeitava as teorias mágicas de Agrippa (Agrippa fora um dos outros discípulos de Trithemius) e Flamel. Ele não se achava um mago e desprezava aqueles que achavam que fosse.
Paracelso foi um astrólogo, assim como muitos (se não todos) dos físicos europeus da época. A Astrologia foi uma parte muito importante da Medicina de Paracelso. Em um de seus livros, ele reservou várias secções para explicar o uso de talismãs astrológicos na cura de doenças. Criou e produziu talismãs para várias enfermidades, assim como talismãs para cada signo do Zodíaco. Ele também inventou um alfabeto chamado “Alfabeto dos Reis Magos” e esculpiu nos talismãs nomes angelicais.
A distinta natureza da filosofia de Paracelso é consequência da visão cosmológica, teológica, filosofia natural e medicina à luz de analogias e correspondências entre macrocosmos e microcosmos. As especulações acerca dessas analogias tinham seriamente empenhado a mente humana desde o tempo pré-Socrático e Platónico e durante toda a Idade Média. Paracelso foi o primeiro a aplicar essas especulações para o conhecimento da natureza sistemática.
Isso associado com a singular posição que ele assume no que diz respeito à teoria e à prática de aquisição de conhecimentos em geral, quebrou longe do ordinário lógico, antigo e medieval e moderno, seguindo as suas próprias linhas, e é nisto que muito do seu trabalho naturalista encontra explicação e motivação.
O que parece ser original em Paracelso, então, não é a teoria microcósmica em si mesma, nem a busca da união com o objeto, mas o emprego consistente desses conceitos como a ampla base de um elaborado sistema de correspondências na filosofia e medicina natural.
Voltou para Salzburg em 1540, convidado pelo bispo da cidade. Faleceu em 24 de setembro de 1541 com apenas 47 anos, em um hospital, sonhando ter fabricado o Elixir da Vida. A causa de sua morte não foi esclarecida. Uma hipótese é que teria sido assassinato em 1541, como foi evidenciado na exumação de seus ossos, que mostrou uma fratura no crânio. O corpo foi velado na igreja de São Sebastião e, de acordo com o seu último desejo, foram entoados os salmos bíblicos 1, 7 e 30.
A fama de Paracelso aumentou com as suas curas milagrosas e, após sua morte, a sua fama cresceu ainda mais. Um século depois, centenas de textos paracelsianos foram publicados, referindo-se quase todos a medicamentos químicos. No final do século XVI, existia já uma imensa literatura sobre a nova matéria médica. Devido ao facto de a abordagem médica de Paracelso diferir tanto daquilo que era aceitável até então, estabeleceu-se uma enorme confrontação entre os paracelsianos e o sistema médico oficial em vigor até então, confrontação aguçada pelo impacto provocado pelos humanistas, que desdenhavam das obras de Dioscorides e de Plínio, ambos muito populares no final da Idade Média, e enalteciam trabalhos menos conhecidos, especialmente os tratados de fisiologia e anatomia de Galeno. Muitos médicos seguidores de Paracelso eram alemães; na França, a confrontação foi mais agravada pelo facto de muitos médicos paracelsianos serem huguenotes (protestantes, partidários de Calvino); na Inglaterra, tal confrontação foi menos tempestuosa, tendo sido adotados os medicamentos químicos, que eram utilizados simultaneamente com medicamentos tradicionais galênicos.

11.049 – As Verdades inconvenientes sobre Astrologia


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A ciência prova: não há relação entre o passeio dos astros e a sua vida.
Quando Susan Miller, a astróloga mais popular do mundo, contraiu uma infecção intestinal no final de abril, milhões de seguidores ao redor do planeta ficaram sem futuro. Susan atrasou as previsões para maio e gerou comoção internacional. “Melhoras, Susan Miller!”, desejavam os leitores americanos nas redes sociais. Veículos brasileiros cobriram a doença da astróloga como se fosse uma celebridade local, enquanto ela tuitava boletins de hora em hora sobre seu estado de saúde: “Preciso dormir. Estou trabalhando na previsão para Aquário, amanhã terminarei Peixes. Estou muito cansada para continuar, me sinto muito fraca. Eu não vou desistir”.
Mesmo se você não acredita em horóscopo já deve ter ouvido falar em Susan Miller. Ela não é qualquer uma: seus horóscopos gratuitos atraem 6,5 milhões de visitas ao mês, aparecem em dezenas de publicações e permitiram que ela escrevesse nove livros sobre o assunto. Se você curte astrologia, provavelmente é fã – suas leituras são famosas por serem precisas, a ponto de indicarem datas propícias para comprar eletrônicos ou cortar o cabelo. Ela é tão eficiente que, já em janeiro deste ano, havia alertado para o mês catastrófico que abril seria, com um eclipse lunar monstruoso em 15/4. Não deu outra: numa profecia autorrealizável, Susan Miller quase morreu com o que ela mesma previu.
A astrologia é imensamente popular. No Ocidente, estima-se que uma em cada quatro pessoas acreditem no poder dos astros. De acordo com uma pesquisa da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, em 2012 metade dos americanos afirmou que astrologia tinha base científica, o número mais alto desde 1983. Isso pode explicar o sucesso de figuras como Susan Miller nos últimos anos, e o aumento na procura por mapas astrais e consultas a astrólogos. A crença de que o movimento dos corpos celestes não apenas influencia as nossas vidas, como pode prever nosso futuro, vai bem, obrigada.
O sucesso da astrologia não é de ontem. Nem de anteontem. Ele tem raízes profundas nas origens do conhecimento humano.
Roma, meia-noite de 17 para 18 de setembro do ano 96 d.C. O imperador Domiciano se virava na cama coberto de suor, ansioso demais para dormir. De acordo com uma previsão astrológica feita quando ele ainda era garoto, a hora do seu fim estava próxima: às cinco da manhã ele estaria morto, vítima de uma facada fatal. Domiciano levantou e tentou manter a calma. Lembrou-se da vez em que tentou provar que astrologia era bobagem, quando chamou à sua corte o astrólogo Ascletário e ordenou: “Adivinhe a causa de sua própria morte”. Ascletário consultou os planetas e concluiu que acabaria comido por cachorros. Para contradizer a previsão e mostrar que estava no controle, Domiciano o matou ali mesmo e mandou seu corpo para a pira funerária. O que o imperador não esperava é que cachorros acabariam atraídos pelo cheiro de carne queimada e devorariam os restos mortais de Ascletário – como ele previra. Daí a insônia de Domiciano.

Quando o sol raiou, perguntou o horário. Seis horas. Respirou aliviado: tinha sobrevivido à profecia! Animado, recebeu um amigo que trazia uma mensagem. Enquando lia o recado, Domiciano foi esfaqueado pelo amigo e morreu. Eram cinco da manhã. Um conspirador havia mentido sobre as horas.

Claro que nem todas as previsões astrológicas da história são tão precisas quanto essa. O causo da morte de Domiciano pode ter sido embelezado ao longo dos séculos para ficar mais redondinho. Mas o que dá para apreender daí é a importância que os astros tinham na vida das pessoas nos milênios passados. A astrologia que usamos hoje em dia teve origem na Mesopotâmia, atual Iraque, e depois foi adaptada pela Grécia Antiga e utilizada por toda a Europa. Setecentos anos antes de Cristo, os babilônios já haviam analisado os movimentos dos corpos celestes para determinar quais constelações faziam parte do zodíaco (o arco que o Sol faz no céu ao longo de um ano), quais pontos brilhantes eram as estrelas fixas e os planetas móveis, quais planetas surgiam a cada mudança de estação do ano, e por aí vai. Dessa forma, já haviam também preparado o terreno para o que usaríamos até hoje.

Astrologia vem do grego: “astro” = estrelas e “logos” = palavra. Ou seja, é a mensagem que as estrelas passam para nós. Durante muito tempo, astrologia e astronomia (a “lei das estrelas”) eram conceitos intercambiáveis – quem estudava um também manjava do outro. Johannes Kepler, descobridor das leis que regem a mecânica dos planetas, um feito astronômico, ganhava a vida fazendo mapa astral no século 16. Desde o final do século 17, no entanto, os dois ramos do conhecimento caminham separados. Hoje, a astronomia é a ciência que estuda o Universo com base em regras matemáticas – e não aceita a ideia de que os planetas possam ter qualquer relação com nossa vida.
Em um mundo incerto e amedrontador como o dos primórdios da civilização, qualquer forma de descobrir o que estava por vir podia significar a diferença entre a vida e a morte. A astrologia ajudava as pessoas a tomarem decisões, como quando partir para uma viagem, semear a colheita ou entrar em guerra. Isso era feito a partir do reconhecimento de padrões. Marte surgiu no horizonte no dia em que uma grande enchente aconteceu? Um sinal. A Lua estava minguante quando a batalha foi vencida? Um padrão. Ao longo de centenas de anos de observação, as coisas do céu foram ganhando sentido terreno. Para os babilônios e outros povos que procuraram respostas no alto, era como se os planetas estivessem enviando sinais. Daí o nome: signos.

Curiosamente, analisar as estrelas não era a única ciência usada para prever o futuro. O historiador Peter Maxwell Stuart, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, descreve em seu livro Astrology (sem edição brasileira) que os babilônios também acreditavam que recém-nascidos trouxessem recados sobre o futuro. Se uma mulher desse à luz um anão, a casa da família seria destruída; se parisse uma criança cega, aumentavam as chances de alterações climáticas. Especialistas analisavam as entranhas de animais sacrificados para tentar relacioná-las ao futuro: se o fígado do animal tivesse protuberâncias, era um presságio de anarquia no reinado. Ou seja, escapamos por pouco de ficar revirando miúdos de galinha para fazer previsões.

O interessante é entender como os babilônios traçaram as regras gerais para a sua – e a nossa – astrologia. Primeiro, pegaram um conhecimento histórico antiquíssimo, provavelmente ainda da Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C.), que era a divisão do céu em grupos de estrelas – as constelações. Vale lembrar que as constelações não fazem sentido físico – as estrelas podem estar próximas vistas aqui da Terra, mas situarem-se a milhares de anos-luz umas das outras. O que os antigos fizeram foi ligar os pontos desses conjuntos imaginários em formatos que se parecem levemente com alguma coisa aqui da Terra – um leão, uma cobra, uma balança etc. É como enxergar figuras em nuvens.

Em seguida, os babilônios analisaram o caminho do Sol no céu, e observaram que ao longo de um ano ele passava por aproximadamente 12 constelações (eram 13, na verdade, mas arredondaram para a conta ficar mais fácil). Assim, dividiram o céu em 12 faixas de 30 graus, para fechar os 360 graus de um círculo. Cada uma dessas faixas é o que chamamos de signo. Como era de se esperar, o Sol não passa exatamente um mês em cada constelação: fica 45 dias em Virgem, por exemplo, e só sete dias em Escorpião – deram uma arredondada aqui também.

Ou seja, a astrologia analisa a passagem do Sol, da Lua e dos planetas em frente a constelações aleatórias, formadas por estrelas aleatórias, divididas aleatoriamente em 12 faixas de aleatórios 30 dias de duração cada, a partir de um ponto de vista aleatório no espaço: o nosso minúsculo planetinha Terra. (Entenda mais no quadro da página 34). Na prática, é como se formigas tentassem prever se vão ser esmagadas a partir do padrão das ranhuras na sola dos nossos sapatos, a única coisa que elas conseguem enxergar.Levando em conta essa aleatoriedade toda, dá para entender por que a ciência moderna tem tantas críticas em relacão à astrologia – o que não quer dizer que ela não sirva para nada. Mas vamos por partes.
Desde os anos 50, cientistas tentam provar a eficiência das leituras astrológicas – e os resultados não foram muito animadores. O mais famoso dos estudos, publicado na revista Nature ainda nos anos 80, pedia que pessoas tentassem reconhecer seu mapa astral a partir de três opções disponíveis. A performance foi abaixo da esperada: só um terço das pessoas acertou qual era o seu – exatamente o mesmo resultado que um sorteio daria. Fatores como propensão a suicídio, inteligência, taxa de divórcio, extroversão e sucesso também foram analisados em dezenas de estudos, mas a conclusão é sempre a mesma: não há correlação nenhuma entre a propensão a uma coisa e os dados astrológicos.

Pensando nisso, o holandês Rob Nannninga resolveu dar uma chance aos próprios astrólogos de desenvolver um teste à prova de falhas. O desafio era acertar a profissão de sete voluntários, baseado em seus dados astrais (data, local e hora de nascimento) e um questionário – que os próprios astrólogos puderam desenvolver. Para ficar mais fácil, as sete profissões também foram disponibilizadas de maneira que o trabalho era apenas atribuir a carreira certa a cada voluntário. Cinquenta astrólogos ajudaram a desenvolver o questionário, que acabou ficando com 25 perguntas pessoais e 24 perguntas de personalidade. A pedido dos astrólogos, datas importantes dos voluntários (casamento, divórcio, nascimento dos filhos etc.) também ficaram à disposição. Com todas essas informações em mãos, os 50 especialistas – alguns dos mais experientes da Holanda – tiveram dez semanas para chegar às suas correlações. Os resultados foram frustrantes. Nenhum astrólogo conseguiu relacionar mais de três pessoas a suas profissões, e metade não acertou nem umazinha. Mais do que isso: apenas dois astrólogos concordaram entre si – o resto escolheu combinações completamente diferentes umas das outras, indicando que nem os próprios especialistas concordavam na interpretação dos astros. De novo, o resultado final não foi diferente do que se as relações tivessem sido sorteadas no bingo.

Hoje, se você perguntar a qualquer cientista, ele vai ser enfático em descreditar a astrologia sem nem se preocupar em ser delicado. “É claro que ela não funciona. Ela é um retrocesso à Idade Média. Você gostaria de se tratar com a medicina ou a odontologia de 500 anos atrás? É óbvio que não”, diz Michael Shermer, fundador da Skeptics Society (Sociedade dos Céticos) e “inimigo” do obscurantismo.

Para a ciência, o problema está na própria premissa da atividade: a de que haveria influência dos planetas sobre os seres humanos. De fato, todos os corpos no Universo exercem algum tipo de gravidade sobre outros. O problema é que os planetas estão imensamente distantes de nós, longe demais para que possa haver alguma influência. Do ponto de vista das forças gravitacionais, a passagem do Sol pela constelacão de Aquário na hora do nascimento, por exemplo, é absolutamente irrelevante. Ou, como disse o biólogo e escritor Richard Dawkins em um artigo: “Um planeta está tão distante de nós que sua atração gravitacional sobre um recém-nascido seria anulada perto da atração gravitacional causada pelo tapa do médico”.
Outro problema básico para testar os mapas astrais está nos fundos falsos que a astrologia oferece. Ela é flexível demais para ser testada em laboratório. Se alguém nascido em Escorpião não se identificar com a descrição do seu signo, por exemplo, astrológos dirão que é por causa do ascendente. E, se não for o ascendente, será a Lua. Se não, o planeta na sétima casa, ou o retorno de Saturno, ou a fase da vida, ou qualquer coisa que o valha. Com tantas possibilidades de interpretação, é quase impossível provar que a astrologia está errada – pelo menos uma das opções vai estar certa. O mesmo problema surge nas formulações que ela oferece. Peguemos Susan Miller para Gêmeos no mês de junho: “luas novas abrem portas, e oportunidades surgirão para você” ou “a lua nova na primeira casa é um sinal de que você deveria estar pensando nas suas próprias necessidades” ou “você vai ter de trabalhar duro para entender uma nova tarefa que vai ser atribuída a você”. Com previsões tão abertas, fica difícil não se identificar com elas. O astrônomo Stephen Hawking, no livro O Universo na Casca de Noz, descreveu o problema: “Astrólogos sabiamente fazem previsões tão vagas que podem ser aplicadas para qualquer acontecimento”. Ou seja, não servem nem para serem provadas falsas.
Então por que tanta gente continua acreditando na astrologia se ela não tem nenhuma base científica? Primeiro, é importante traçar o perfil das pessoas que buscam a astrologia. Ao contrário do que cientistas podem fazer parecer, não se trata de pessoas desinformadas que vivem na Era das Trevas. Segundo o psicólogo australiano Harvey Irwin, seguidores de astrologia são tão inteligentes, críticos e ajustados quanto o resto da população. Se há alguma diferença entre os dois grupos, ela fica na criatividade – maior entre quem acredita na influência dos astros do que nos outros. “A literatura indica que a crença na paranormalidade tem relação com personalidades criativas”, escreve Irwin.

A pergunta a ser feita então é outra: como é possível que tanta gente saia satisfeita das leituras de seus mapas astrais, se a ciência já provou que eles não têm nenhuma relação com a verdade? Não é muita coincidência que capricornianos se considerem centrados e racionais justamente como o signo deles diz que eles devem ser? Boa parte disso tem a ver com o próprio cérebro humano.

Quem explica é o cético Michael Shermer. Para ele, a astrologia acerta nas previsões por causa de dois mecanismos psicológicos que todos nós temos: o viés de confirmação e o viés de retrospectiva. O primeiro descreve a nossa tendência a preferir informações que combinem com aquilo que já sabemos ou acreditamos. Isso explica, por exemplo, a grande identificação que sentimos quando lemos as características dos nossos signos. Como canceriana, lembro sempre da minha descrição como pessoa “sensível e artística”, mas ignoro que também deveria ser “possessiva e chorona”. Ou seja, reforço apenas as qualidades que quero que sejam verdadeiras. Já o viés de retrospectiva explica por que nos lembramos com mais facilidade dos acertos do que dos erros. Se Susan Miller disser que você fará uma viagem nas próximas semanas e isso de fato acontecer, você vai se lembrar de que ela acertou. E provavelmente vai esquecer que ela também havia previsto um aumento de salário, uma mudança de casa e uma briga com familiares. “Pessoas encaixam suas vidas nas previsões astrológicas, e não o contrário. Elas fazem as leituras vagas confirmarem os acontecimentos depois que eles ocorreram”, diz Shermer. O mesmo acontece em qualquer outro aspecto da vida. Você provavelmente se lembra muito mais dos palpites certeiros que deu no bolão da Copa do que da maioria dos erros que passaram batidos.

Graças a esses dois mecanismos cerebrais, pessoas têm a impressão que a astrologia acerta na mosca. De acordo com o que elas conseguem se lembrar, as descrições astrológicas estavam realmente certas. Isso leva a situações curiosas, como mostrou nos anos 60 o francês Michel Gauquelin. Para provar que o ser humano adora ler descrições de sua personalidade, enviou a 500 pessoas a interpretação de um mapa astral que supostamente as descrevia. O texto tinha frases como “você é caloroso”, “organizado” e “totalmente dedicado aos outros”. Resultado: 94% dos participantes disseram se identificar com elas. O que eles não sabiam é que todas haviam recebido o mesmo texto, baseado no mapa astral de um serial killer com 27 mortes no currículo.

Mas o principal motivo pelo qual a astrologia satisfaz seus seguidores é outro. Quem consulta um astrólogo geralmente está com alguma inquietação e gostaria de saber o que os planetas têm a dizer sobre isso. As incertezas costumam ser de cunho existencial: grandes decisões, tristezas, desilusões amorosas. Nessa hora, alguns céticos concluem que é melhor consultar os astros e tomar uma decisão do que não acreditar e continuar incapaz de decidir.

O astrólogo então reserva uma hora do seu tempo para entender o que está acontecendo, faz perguntas pessoais, entende o perfil psicológico do cliente. Só depois ele passa a ajudar a pessoa a lidar com os seus problemas. Todos os astrólogos consultados para esta reportagem conversaram longamente comigo e se preocuparam em saber quem eu era para tentar me ajudar. Posso confirmar que apresentaram habilidades interpessoais acima da média. Para eles, os muitos fundos falsos da astrologia – a leitura do signo, do ascendente, da Lua, os planeta espalhados pelas casas – são úteis. Servem como ferramentas para traçar o perfil psicológico das pessoas porque abarcam as mil facetas do ser humano. Todo mundo é um pouco sensível, um pouco racional, um pouco impulsivo, um pouco teimoso – e, para a astrologia, isso pode se manifestar no signo, no ascendente, na Lua. As milhares de possibilidades de interpretação ajudam o astrólogo a ajudar quem o procura. Assim, as leituras de mapas astrais são muito mais parecidas com sessões de terapia do que com consultas médicas. De fato, há diversos psicólogos que se utilizam dos preceitos astrológicos para desenvolver as suas sessões, como um ticket de entrada para a mente do paciente.

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10.684 – Parapsicologia – O maior estudo já feito sobre pacientes ressuscitados indica consciência após a morte


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A ideia de que a consciência pode continuar após o seu coração parar de bater e seu cérebro parar de funcionar é bem ousada e, naturalmente, enfrenta muito ceticismo. Porém, quanto mais os cientistas estudam o suposto fenômeno, mais certas tendências são reforçadas, dando-nos um vislumbre do que realmente pode ocorrer quando morremos.
Uma equipe de cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, acaba de concluir um estudo de quatro anos com 2.060 pessoas que sofreram paradas cardíacas em 15 hospitais no Reino Unido, EUA e Áustria. Tendo conduzido entrevistas sobre suas memórias do acontecimento com cada uma das 330 pessoas que sobreviveram, os pesquisadores descobriram que 40% delas se sentiram “conscientes” no período de tempo em que foram declaradas clinicamente mortas. A equipe médica nos hospitais conseguiu reiniciar com sucesso os seus corações para que eles pudessem viver para contar a história.
Dos entrevistados, 46% experimentaram uma ampla gama de lembranças mentais que eram incompatíveis com o que consideramos ser verdadeiras experiências de quase morte (EQMs), incluindo sentimentos de medo e de perseguição. Apenas 9% tiveram experiências compatíveis com as EQMs e escassos 2% apresentaram plena consciência compatível com experiência fora do corpo, com lembrança explícita de ver e ouvir eventos.
Mas estes 2% são muito interessantes.
Um homem que participou do estudo descreveu a sensação de que estava assistindo o seu tratamento sob o ponto de vista do canto da sala, enquanto uma mulher conseguir recontar exatamente as ações da equipe de enfermagem, que a ressuscitou após um período de três minutos. Ela conseguiu descrever com muita precisão o som das máquinas que rodeavam seu corpo “morto”.
“Sabemos que o cérebro não pode funcionar quando o coração para de bater, mas neste caso a consciência parece ter continuado por até três minutos enquanto o coração não estava batendo, mesmo que o cérebro normalmente pare de funcionar dentro 20 a 30 segundos depois de o coração ter parado”, conta Sam Parnia, líder do estudo e ex-professor assistente de medicina na Universidade de Southampton, agora sediado na Universidade Estadual de Nova York, nos EUA.
“O homem descreveu tudo o que aconteceu na sala, mas o mais importante é que ele ouviu dois bips de uma máquina que faz um barulho de três em três minutos. Assim, pudemos determinar quanto tempo a experiência durou. Ele parecia muito credível e tudo o que ele disse que tinha acontecido com ele realmente aconteceu”, disse Parnia.
Embora nem todas as pessoas que sobreviveram à provação lembrem ao certo de algum tipo de experiência com a morte clínica – talvez porque a medicação que lhes foi dada alterou a sua função cerebral -, certas tendências emergiram dos que se lembram. Um em cada cinco relataram sentir-se tranquilos e um terço disse que sentiu tempo o acelerar ou desacelerar. Alguns descreveram luzes brilhantes, outros descreveram sentir-se desligados de seus corpos. Alguns sentiram medo de que estivessem afogando.
“As estimativas sugerem que milhões de pessoas tiveram experiências vívidas em relação à morte, mas as evidências científicas são ambíguas na melhor das hipóteses”, explica Parnia. “Muitas pessoas deduziram que eram alucinações ou ilusões, mas parecem corresponder a eventos reais. Essas experiências merecem uma investigação mais aprofundada”.
Dentre as conclusões do pesquisador, uma delas é que os termos “experiência de quase morte” ou “experiência fora do corpo” podem não ser suficientes para descrever a experiência real da morte. Além disso, estudos futuros devem se concentrar em parada cardíaca, que é biologicamente um sinônimo de morte. Além disso, ele também considera que as evidências encontradas em seu estudo indicam que este tipo de fenômeno “merece uma pesquisa genuína e sem preconceitos”.
É claro que qualquer pesquisa sobre o que realmente se passa depois da morte será sempre controversa, devido às enormes dificuldades em reunir provas suficientes para apoiar qualquer coisa que seja cientificamente sólida. contudo, estudos como este são, pelo menos, um intrigante ponto de partida.

7894 – Ciência e Espiritualismo – Quando a consciência se separa do corpo


Você já deve ter ouvido falar que tem gente que, de vez em quando, sai do corpo para dar umas voltinhas por aí. Em todo mundo, um número bastante grande de pessoas diz ter sentido seu espírito descolar do corpo e visto a si próprias como se fossem outra pessoa. Esse fenômeno é conhecido como Experiência Extracorporal.
Para os esotéricos, quando dormimos, viajamos para outras dimensões. Além do corpo físico, nós teríamos também corpos sutis. A experiência extracorporal seria literalmente um passeio que um desses corpos sutis, o astral, dá sozinho enquanto o físico fica dormindo.
Embora essa hipótese não seja provável para a ciência como nós a conhecemos hoje, os médicos reconhecem que o fenômeno é um mistério. A alta incidência de narrativas em várias culturas indica que, embora alguns possam simplesmente estar inventando uma história, muitos realmente vivem essa sensação de separação do corpo. O porquê disso, ninguém sabe.
Quase todo mundo um dia, ao acordar, já teve a sensação de estar desperto mas não ter domínio sobre o corpo. Isso é perfeitamente explicável pela medicina. “Acontece durante uma fase de transição do sono para o estado de vigília”, o neurologista Flávio Aloe do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Por algum descompasso, a consciência acorda e a musculatura permanece inibida.”
A experiência extracorporal vai muito além disso, é como se a consciência não só estivesse fora do corpo como razoavelmente distante dele. E ela não acontece só quando as pessoas estão dormindo. Os relatos apontam para algumas situações mais propícias como doença, estresse, meditação, hipnose, mas há até pessoas que dizem que conseguem induzir a experiência. Muitas das pessoas que passaram pela experiência, falam em um cordão que ligaria o corpo sutil ao corpo físico durante todo o período em que se está fora.
Ao que parece, em alguns casos pode-se associar a experiência ao uso de drogas e a doenças mentais, mas pessoas saudáveis também podem passar por uma experiência extracorporal. No artigo Out-of-Body Experiences, Carlos Alvarado, do Centro Caribeño de Estudios Post-Graduados, de San Juan, Porto Rico, faz um levantamento sobre os estudos feitos sobre o tema e demonstra que a relação entre a experiência e uma propensão a psicopatologias não está provada.

6723 – O que é o Ocultismo?


É um conjunto de teorias e práticas cujo objetivo seria desvendar os segredos da natureza, do Universo e da própria Humanidade.
O ocultismo trata de um tipo de conhecimento que está além da esfera do conhecimento empírico, o que é sobrenatural e secreto.
Não é aceito pela comunidade científica por não compartilhar de suas metodologias. O ocultismo está relacionado aos fenômenos sobrenaturais. Ou seja, são conjecturas metafísicas, e teológicas, algumas das quais oriundas de povos da Antigüidade Clássica.
O ocultismo está relacionado aos fenômenos sobrenaturais.
Ocultismo é um conjunto vasto, um corpo de doutrinas proveniente de uma tradição primordial que se encontraria na origem de todas as religiões e de todas as filosofias, mesmo as que, aparentemente, dele parecem afastar-se ou contradizê-lo.
O homem aqui retratado seria um completo e arquetípico, composto não apenas de corpo, mas também de emoção, razão e alma (como divide a cabala).
Segundo algumas tradições monoteístas e ocultistas, as religiões do mundo teriam sido inspiradas por uma única fonte sobrenatural. Portanto, ao estudar essa fonte chegar-se-ía à religião original. Outras tradições de orientação panteísta acreditam em milhares de fontes em razão de seus vários deuses. O hinduísmo e o xintoísmo são alguns exemplos.
Muitas vezes um ocultista é referenciado como um mago. Alguns acreditam que estes antigos Magos já conheciam a maior parte das descobertas da ciência contemporânea e até além delas, tornando estas descobertas meros achados.
Nas ciências ocultas, a palavra oculto refere-se a um “conhecimento não revelado” ou “conhecimento secreto”, em oposição ao “conhecimento ortodoxo” ou que é associado à ciência convencional. Para as pessoas que seguem aprofundando seus estudos pessoais de filosofia ocultista, o conhecimento oculto é algo comum e compreensivel em seus símbolos, significados e significantes. Este mesmo conhecimento “não revelado” ou “oculto” é assim designado, por estar em desuso ou permanecer nas raízes das culturas.
Originalmente no século XIX era usado por ter sido uma tradição que teria se mantido oculta à perseguição da Igreja, e da sociedade e por isso mesmo não pode ser percebido pela maioria das pessoas.
Mesmo que muitos dos símbolos do ocultismo, estejam sendo utilizados normalmente e façam parte da linguagem verbal ou escrita), permanecem assim, ocultos o seu significado e seu verdadeiro sentido. Desta maneira, tudo aquilo que se chama de “ocultismo” seria uma sabedoria intocada, que poucas pessoas chegam a tomar conhecimento, pois está além da visão objetiva da maioria, ou de seu interesse. O ocultismo sempre foi concebido desde o início, como um saber acessível apenas a pessoas iniciadas (ou seja, para aquelas que passaram por uma “iniciação”; uma inserção num grupo separado do comum e do popular; ou mesmo uma espécie de batismo, onde as pessoas seriam escolhidas, então guiadas e orientadas a iniciar numa nova forma de compreender e pensar o que já se conhece, transcendendo-o).
A percepção do oculto consiste, não em acessar fatos concretos e mensuráveis, mas trabalhar com a mente e o espírito. Refere-se ao treinamento mental, psicológico e espiritual que permite o despertar de faculdades ocultas.
O ocultismo teria suas origens em tradições antigas, particularmente o hermetismo no antigo Egito, e envolve aspectos como magia, alquimia, e cabala.
O ocultismo tem relação com o misticismo e o esoterismo e tem influências das religiões e das filosofias orientais (principalmente Yoga, Hinduísmo, Budismo, e Taoísmo).

As raízes mais antigas conhecidas do ocultismo são os mistérios do antigo Egito, relacionados com o deus Hermes ou Thoth. Essa parte do ocultismo ou doutrina é tratada no Hermetismo.
Na Idade Média, principalmente na Península Ibérica devido a presença de muçulmanos e judeus, floresceu a alquimia, ciência relacionada com a manipulação dos metais, que segundo alguns, seria na verdade uma metáfora para um processo mágico de desenvolvimento espiritual. Tanto a alquimia quanto o ocultismo receberam influência da cabala judaica, um movimento místico e esotérico pertencente ao judaísmo.
Alguns destes ocultistas medievais acabaram sendo condenados pela Inquisição, acusados de serem bruxos e terem feito pacto com o diabo. Mas existem trabalhos relacionados à cabala durante toda Idade Média. E de alquimia na Baixa Idade Média.
O ocultismo ressurgiu no século XIX com os trabalhos de Eliphas Levi, Helena Petrovna Blavatsky, Papus e outros.
A partir do século XX, a Teosofia Brasileira também tem difundido este conhecimento metafísico e iniciático.

O ocultismo moderno, cujo ressurgimento deu-se principalmente ao final do século XIX, teve sua parte teórica sistematizada por Helena Petrovna Blavatsky, no que ficou conhecido como Teosofia. Além dela, também são importantes na definição do moderno ocultismo Eliphas Levi,S. L. MacGregor Mathers, William Wynn Westcott, Papus, Aleister Crowley, Anton Szandor LaVey,Charles Webster Leadbeater, Annie Besant, Dion Fortune, Alice Bailey, entre outros.
Eliphas Levi divide as preferência de alguns com Papus como o maior ocultista do século XIX, tendo ambos sistematizado boa parte do que hoje conhecemos como ocultismo prático moderno.
Também devemos lembrar a importância de S. L. MacGregor Mathers e da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (“Hermetic Order of the Golden Dawn”), responsáveis em parte pelo ressurgimento da magia ritualística, e que influenciaram fortemente a maioria dos mais conhecidos e importantes magos e ocultistas do século XX.
Não podemos esquecer também a contribuição do não tão famoso Franz Bardon com seus poucos, mas valiosos, livros.
No Brasil, um dos principais expoentes dos estudos ocultistas, Henrique José de Souza, nasceu em Salvador, em 1883, e participou de uma série de movimentos, desde a fundação de lojas maçônicas a correntes espiritualistas como Dhâranâ, que mais tarde viria a se chamar Sociedade Brasileira de Eubiose. O Professor Henrique, como é chamado pelos membros de diversas correntes da teosofia brasileira, deixou um legado de centenas de “cartas-revelações”, contendo material de cunho profundamente ocultista.

6722 – A Magia



Não confundir com mágica ou truque. Antigamente chamada de Grande Ciência Sagrada pelos Magos, é uma ciência oculta que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza. A magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade. A etimologia da palavra Magia, provém da Língua Persa, magus ou magi, que significa sábio. Da palavra “magi” também surgiram outras tais como “magister”, “magista”, “magistério”, “magistral”, “magno”, etc. Também pode significar algo que exerce fascínio, num sentido moderno, como por exemplo quando se fala da magia do cinema.
Há registros de práticas mágicas em diversas épocas e civilizações. Supõe-se que o caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna antevendo o sucesso da caça. Posteriormente adquiriu o ritual de enterrar os mortos e nomeou as forças da natureza que desconhecia, dando origem à primeira tentativa de compreensão da realidade, o que chamamos de mito.
Segundo o Novo Testamento bíblico, por exemplo, são três magos os primeiros a dar as boas vindas a Jesus recém-nascido. No Velho Testamento, há a disputa mágica entre Moisés e os Magos Egípcios. Nos Vedas, no Bhagavad Gita, no Alcorão, nos diversos textos sagrados existem relatos similares.
Praticamente todas as religiões preservaram suas atividades mágicas ritualísticas, que se confundem com a própria prática religiosa – a celebração da Comunhão pelos católicos, a incorporação de entidades pelos médiuns espíritas, a prece diária do muçulmano voltado para Meca ou ainda o sigilo (símbolo) do caboclo riscado no chão pelo umbandista.
Os antigos acreditavam no poder dos homens e que através de magia eles poderiam comandar os deuses. Assim, os deuses são, na verdade, os poderes ocultos e latentes na natureza.
Durante o período da Inquisição, os magos foram perseguidos, julgados e queimados vivos pela Igreja Católica, pois esta acreditava que a magia estava relacionada com o diabo e suas manifestações.
A magia, segundo seus adeptos, é muitas vezes descrita como uma ciência que estuda todos os aspectos latentes do ser humano e das manifestações da natureza. Trata-se assim de uma forma de encarar a vida sob um aspecto mais elevado e espiritual. Os magos, utilizando-se de atividades místicas e de autoconhecimento, buscam a sabedoria sagrada e a elevação de potencialidades do ser-humano.
A magia é também a ciência de simpatia e similaridade mútua, como a ciência da comunicação direta com as forças sobrenaturais, um conhecimento prático dos mistérios ocultos na natureza, intimamente relacionada as disciplinas ditas ocultas, como o hermetismo do antigo Egito, como a Alquimia, a Gnose, a Astrologia. Para Aleister Crowley, é “a arte de provocar mudanças a partir da vontade” No final do século XIX ressurgiu, principalmente após a publicação do livro A Doutrina Secreta, de Helena Petrovna Blavatsky e pela atuação da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Golden Dawn), na Inglaterra, que reviveu a magia ritualística e cerimonial.

A magia, segundo seus adeptos, é muitas vezes descrita como uma ciência que estuda todos os aspectos latentes do ser humano e das manifestações da natureza. Trata-se assim de uma forma de encarar a vida sob um aspecto mais elevado e espiritual. Os magos, utilizando-se de atividades místicas e de autoconhecimento, buscam a sabedoria sagrada e a elevação de potencialidades do ser-humano.
A magia é também a ciência de simpatia e similaridade mútua, como a ciência da comunicação direta com as forças sobrenaturais, um conhecimento prático dos mistérios ocultos na natureza, intimamente relacionada as disciplinas ditas ocultas, como o hermetismo do antigo Egito, como a Alquimia, a Gnose, a Astrologia. Para Aleister Crowley, é “a arte de provocar mudanças a partir da vontade” No final do século XIX ressurgiu, principalmente após a publicação do livro A Doutrina Secreta, de Helena Petrovna Blavatsky e pela atuação da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Golden Dawn), na Inglaterra, que reviveu a magia ritualística e cerimonial.
A magia contemporânea encontra raízes no trabalho de iniciados como Eliphas Levi e Papus. A Teosofia, ou a moderna Teosofia, tem como um de seus fundadores Helena Petrovna Blavatsky, que foi buscar no oriente a fonte de seu importante sistema filosófico. Este sistema não se apresenta exatamente como os sistemas utilizados pelos estudiosos de magia, mas, antes, pretende transmitir o conhecimento esotérico universal que estaria contido em toda e qualquer tradição filosófica ou religiosa. Blavatsky considera, por exemplo, que todos os homens são magos no sentido último da palavra, pois todos podem utilizar o divino poder criador, seja através do pensamento, palavra ou ação.

A Magia Universal pode ser definida como: Ato de manipular energias espirituais, utilizando-se de toda e qualquer forma de Magia existente, independente de sua origem, através de objetos de qualquer natureza, ações ou reações, com objetivo de alcançar desejos próprios ou de terceiros.
Objetivos na Magia Universal de acordo com seus seguidores: Auto-conhecimento, auto-controle, elevação espiritual e intelectual, equilíbrio social e emocional, domínio do próprio destino, tanto no Mundo Carnal quanto no futuro Mundo Espiritual;
Código de Ética da Magia Universal: Sinceridade, verdade, humildade, respeito aos seus fundamentos e práticas religiosas e aos demais segmentos religiosos independente de sua origem, respeito à todo ser humano ou espiritual independente de sua posição social, raça ou crença; Proteger os fundamentos secretos da Magia Universal e a todos ligados a ela, direta ou indiretamente quando assim solicitarem sigilo; Não influenciar terceiros em sua decisão de iniciar-se ou não na Magia Universal;
Em qualquer momento que citamos o sujeito como masculino, também serve para o feminino, ou seja, qualquer degrau da Magia Universal, pode ser ocupado tanto por homens quanto por mulheres, independente de sua cor, raça, ocupação social ou opção sexual.
Nesta doutrina religiosa, os adeptos são conhecidos como:
Mestre: aquele que é chefe de seu Clã, ou seja, o Mago;
Discípulos: aqueles que seguem as orientações e ensinamentos de seu Mestre.

De acordo com a doutrina, a pessoa renasce espiritualmente e recebe um nome pelo qual será chamada e conhecida no mundo da Magia e, todo seu passado religioso será zerado, ou seja, permanecerá somente o conhecimento e qualquer material ligado ao passado será desfeito e despachado em locais específicos; a pessoa terá apenas uma Entidade, a qual é chamada de Guardião; esta Entidade poderá ser uma das Entidades que já acompanhavam a pessoa, independente se havia incorporação ou, poderá escolher qualquer Entidade como Guardião.
O Guardião, mesmo que já tenha vindo de outro segmento religioso, receberá um novo nome, o qual será pronunciado apenas pelo seu possuidor e seu Mestre, para as demais pessoas do Clã ou terceiros, o Guardião é chamado pelo seu nome tradicional.
Observação: Caso o Guardião seja de origem da Umbanda, Nação ou Candomblé, seu possuidor poderá continuar incorporando com as Entidades que já incorporava, se assim as mesmas desejarem. No caso do Guardião ser de origem Quimbanda, não haverá incorporação de outras Entidades; no caso de o Guardião ser de origem fora destes segmentos citados acima, a incorporação ficará por conta das Entidades. Contudo, a tendência é do Guardião ocupar todos os espaços e, mesmo que seja aos poucos, fazer com que as demais Entidades não incorporem ou percam o interesse na incorporação;
Nos Rituais dentro da Magia, independente do que está sendo feito, o Guardião poderá estar presente, pois agora ele esta transformado em outra Entidade, em uma vibração totalmente neutra, seu nome tradicional é apenas um ponto de referência de como ele é, contudo, não importa a origem tradicional do Guardião, este se portará de forma adequada ao ritual que está sendo executado, sem agredir as origens e sem desrespeitar os fundamentos das Raízes que estão trabalhando no momento; Na Magia Universal, pode-se efetuar Trabalhos e Rituais derivados de qualquer segmento religioso, contudo, o início, meio e fim do Trabalho ou Ritual deve ser pelos fundamentos da Magia Universal, visando não desrespeitar sua origem;

Mago:
Magia (‪Augusto De Luca‬, 1980)
Após auto-análise do Iniciado ou, por intimação de seu Mestre, este será elevado ao posto de Mago em Ritual específico e, receberá Certificado de seu Mestre; Este terá conhecimentos, teóricos e práticos, em todas as formas de magia, independente de sua origem. Contudo, desde sua iniciação até sua elevação à Mago, recebe conhecimento de seu Mestre, apenas de como iniciar e encerrar Rituais da Magia Universal e não dos demais seguimentos religiosos. Este conhecimento o iniciado já possui pela sua trajetória religiosa ou irá buscar por meios próprios ou, com seu Mestre, o qual fornecerá Declaração sobre o que foi ensinado; O Mago poderá ter conhecimento para praticar rituais e trabalhos espirituais, de origem da Nação, Candomblé, Vodu, Umbanda e Quimbanda, com exceção de: iniciar pessoas nestes segmentos, realizar o Aprontamento de Sacerdotes, bem como não tem o direito de preparar e entregar Axés de Faca, Axés de Búzios, Aprontamento, Re-Aprontamento, Afirmação de Sacerdote, Assentamentos de Entidades, feitura de algo que a pessoa ainda não possua ou emitir Certificados de Aprontamento; Para os Magos cujo Guardião tenha como origem a Umbanda, esta exceção não se aplica no caso de Umbanda e, quando o Guardião tem como origem a Quimbanda, esta exceção não se aplica para Quimbanda;

Após auto-análise do Mago, além destes dois degraus de elevação já percorridos, terá mais nove degraus de elevação para tornar-se Grão-Mago, cada um dos nove degraus seguintes, após elevação à Mago, serão repassados um por vez pelo Mestre e, a cada degrau conquistado, receberá um Certificado de seu Mestre;
Após a elevação do Iniciado à Mago, este se desejar, pode desligar-se totalmente de seu Mestre, pois possui independência espiritual suficiente para manter-se e manter seus discípulos; Contudo, somente poderá elevar-se aos próximos degraus com acompanhamento de um Mestre, o qual irá fornecer informações sobre o próximo degrau e como proceder em todas as etapas do Ritual, acompanhará o resultado e fornecerá o Certificado de conquista de determinado degrau;

Do presente, passado e futuro, bem como comunicação indireta com Entidades, Anjos, Demônios ou Espíritos, o Iniciado ou Mago tem o Portal chamado “Pandora”. Esta pode ser nas seguintes formas: Cartas: uma única figura e os mesmos símbolos em todas as Cartas, contudo, em cada uma delas possui um conjunto de letras cujo significado é individual e, dois objetos recheados com fundamentos secretos; Espelho: Inúmeros símbolos, desenhos e conjuntos de letras que podem ser desenhados com tinta especial em couro ou, gravados em pedra ou, talhados em madeira ou, moldados em barro ou, gravados em chapa de metal ou, bordados em tecido; Também acompanhado de dois objetos recheados com fundamentos secretos e, outros objetos pequenos que serão lançados sobre Pandora, podendo estes serem de livre escolha de seu futuro possuidor. Citamos alguns exemplos: pedras, conchas, moedas, ossos, búzios, objetos confeccionados sob medida, etc. Seja qual for a forma de Pandora, sempre que for aberta, estará acompanhada de uma vela de sebo ou carnaúba e de um copo com líquido que pode variar dependendo do possuidor; A qualquer momento, o Mago poderá fazer atualização dos conjuntos de letras de sua própria Pandora e de seus Discípulos, contudo, nada poderá ser retirado, somente acrescentado;
As ferramentas trabalho do Iniciado (quando for o caso) ou o Mago, são:
Livro: representa a sabedoria; Nele são escritos fundamentos, inúmeras formas de Rituais, tratados, pactos, receitas de trabalhos de magia e feitiços; o idioma varia conforme a importância, significado ou tipo de assunto, pode ser em hebreu, latin, português ou símbolos de significados importantes dentro da Magia;
Chicote: Representa o poder dominador. Pode ser de qualquer material, mas a preferência é todo de couro;
Espada: Representa o poder de defesa e ataque; pode ser de qualquer metal e, o tamanho pode variar, desde pequena como usadas por antigos soldados romanos como grandes utilizadas nas forças armadas atuais;
Corda: Representa o poder de segurança, apoio e auto-controle. Pode ser de qualquer material e deve dar duas voltas na cintura; A mesma é utilizada para apoiar a espada na cintura;
Anel: representa a nobreza. Pode ser de qualquer metal, o mais indicado é que seja de prata e que possua uma ou mais pedras. Cores indicadas de pedras: Preta, vermelha, branca ou verde;
Faca ou punhal: Sem representação; utilizada para diversos fins, o cabo sempre na cor branca, independente do material;
Adja: Não faz parte das ferramentas, contudo, se for do interesse do Iniciado ou Mago, poderá utilizar este instrumento em alguns Rituais; pode-se utilizar tantos Adjas quanto desejar desde que o número de “bocas cantando”, somadas, não tenham uma quantia par. *Caldeirão: utilizado para queimar insenços ou fazer poções;
Varinha: para direcionar energia;
Vassoura: para dissipar e varrer energias negativas.

Não existem trajes obrigatórios para a prática da Magia Universal. O indicado é que, dependendo do Ritual, use-se roupas totalmente pretas ou totalmente brancas. Existem cores específicas para cada propósito, mas isto fica a critério individual.
Os Iniciados, Magos e Grão-Magos, bem como seus Guardiões, podem efetuar qualquer tipo de trabalho ou ritual, independente do dia e horário com exceção de: Primeiro domingo de cada mês e os altos da Lua Minguante, ou seja, os dias que ficam entre o primeiro dia e o último dia da Lua Minguante; nos dias considerados exceções, também chamados de “dias proibidos”, nada é feito dentro da Magia, por menor que seja e, caso o Guardião incorpore no Iniciado, Mago ou Grão-Mago, este não irá manifestar-se nestes dias.
Todos os Iniciados serão ensinados que devem buscar conhecimento sobre as Leis Estaduais e Municipais de onde quer que venham à trabalhar, que devem realizar seus Rituais e Trabalhos de forma que não agrida a natureza ou se for impossível, agir de forma que menos agrida a natureza; receberão também, conhecimento de que as vias públicas devem ser utilizadas apenas em casos inevitáveis e de extrema emergência e, de que não devem utilizar materiais de vidro, barro, plástico, papel ou material de grande porte, assim como é totalmente contra os Fundamentos e Práticas da Magia Universal sacrificar ou despachar animais em vias públicas.