8575 – Alcoolismo – Pesquisa brasileira mostra alterações cerebrais durante abstinência do álcool


Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos alcoólatras quando tentam se livrar do vício são as crises de abstinência. Após anos consumindo a substância regularmente, o corpo reage ao corte repentino da bebida com uma série de sintomas como ansiedade, irritabilidade, tremores, náuseas e, em casos mais extremos, convulsões e delírios. Pesquisadores do Laboratório de Neurobiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram que, durante essas crises, algumas regiões cerebrais diretamente envolvidas com a dependência sofrem alterações importantes, com um aumento na produção de receptores canabinoides.

Os pesquisadores separaram os animais entre aqueles mais sensíveis e mais resistentes aos efeitos cumulativos do álcool. Após cortar a administração da droga, eles analisaram seus cérebros e descobriram que os mais sensíveis apresentavam uma quantidade maior de receptores canabinoides em áreas relacionadas à dependência.
O cérebro humano produz uma série de substâncias conhecidas como endocanabinoides, que possuem estrutura semelhante ao tetrahidrocanabinol (THC) — componente responsável pelos principais efeitos da maconha. Essas substâncias possuem várias funções corporais, entre elas a regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, relacionados a transtornos psiquiátricos, ao sistema de recompensa do cérebro e à dependência.
No estudo, a intenção dos pesquisadores da Unifesp foi analisar a quantidade de receptores a esses endocanabinoides que poderia ser encontrada no cérebro de camundongos em meio a crises de abstinência. Para isso, eles forneceram aos animais doses diárias de álcool, e separaram aqueles que pareciam mais sensíveis aos efeitos da droga daqueles que se mostraram resistentes.
Após 21 dias, eles cortaram a administração do álcool. Ao analisar o cérebro dos animais, eles descobriram que a ausência súbita da substância produzia, apenas nos ratos mais sensíveis, um aumento na quantidade de receptores canabinoides em regiões responsáveis pela aprendizagem, memória, emoções, motivação, tomada de decisão e estresse. “Além disso, uma nova dose de álcool reverteu totalmente os efeitos da abstinência sobre estes receptores”, afirma Cassia Coelhoso, pesquisadora da Unifesp e uma das responsáveis pelo estudo.
Segundo os pesquisadores, ainda não é possível saber por que o número de receptores canabinoides aumenta nesses animais. “Não sabemos se esse aumento causa os sintomas de abstinência ou se ele acontece justamente para diminuir esses efeitos. Precisaremos de mais pesquisas para saber se ele é um desencadeador da crise ou um protetor do sistema nervoso”, afirma Renato Filev, pesquisador da Unifesp e coautor do estudo.
Para o cientista, o que a pesquisa mostra claramente é uma relação entre os receptores canabinoides e o alcoolismo. Isso pode levar, no futuro, ao desenvolvimento de melhores tratamentos para a dependência da substância. “O sistema endocanabinoide pode ser um importante alvo terapêutico para o alcoolismo, principalmente durante a fase de abstinência, caracterizada por altas taxas de recaídas. No futuro, podemos encontrar algum tipo de molécula que possa manipular esse sistema. O problema é que ainda não sabemos se procuramos por algo que o ative ou desative.

8041 – Medicina – Por que a herpes aparece e desaparece?


“Não é possível explicar como o vírus da herpes ( que pega milhões de indivíduos no mundo) fica latente (vivo mas sem se manifestar) por um longo período, depois entra em atividade e volta a ficar latente, repetindo o ciclo varias vezes” diz um dermatologista da Escola Paulista de Medicina. O herpesvirus tipo 1 causa herpes labial, sem maiores conseqüências, e o 2 ocasiona herpes genital, perigoso para as grávidas. Depois de entrar no organismo – por gotículas de secreções ou contato direto -, ele se aloja nos gânglios nervosos sensoriais que ligam a medula aos nervos. Permanece lá até que algo o faça voltar à ação.
Não se sabe como o microorganismo acorda, mas ele volta à atividade quando o corpo tem uma queda de resistência. Ele sai dos gânglios e caminha para a região onde vai agir. Lá, invade as células e se multiplica, provocando a formação de pequenas bolhas que duram em média uma semana.
A herpes zoster também causa bolhas, mas é outra doença ( muito mais grave), causada por outro vírus, o varicela zoster. Os dois são “primos”, quer dizer pertencem à mesma família. O varicela, que curiosamente também causa a catapora , inflama os nervos, provocando intensa dor. Em geral a herpes zoster atinge idosos por que, ao chegar aos sessenta anos, algumas pessoas tem queda nas defesas do organismo”, diz um infectologista, André Vilela Lomar, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

7963 – Medicina – Perda de sódio e potássio provoca a cãibra


A cãibra é uma contração . muscular forte, prolongada e parcialmente involuntária.

Por meio de nervos, chamados motores, o cérebro manda impulsos elétricos que avisam ao músculo se ele deve contrair. Com o músculo relaxado, uma diferença de potencial elétrico entre a parte de fora e a parte de dentro das fibras musculares. A diferença de potencial se deve à presença de sódio no exterior e de potássio na parte superficial interna. Com a chegada do impulso elétrico, porém, tudo muda: abre-se uma série de receptores na membrana que reveste as fibras musculares. Os receptores são comparáveis a portões, pelos quais – o sódio que estava do lado de fora – consegue entrar. No lado de dentro, a substancia ocupa o espaço do potássio, que acaba saindo. A troca de lugares excita as partículas de cálcio situadas numa região mais profunda da fibra e elas, por sua vez, provocam movimentações dos filamentos musculares, ocasionando a contração. A câimbra acontece quando a quantidade de sódio e potássio não é o ideal. Essas substancias funcionam como tradutoras da mensagem cerebral. Portanto, o impulso elétrico ai normal ao cérebro, mas termina sendo traduzido de uma maneira errada pelas partículas de cálcio, que realizam uma contração mais forte do que necessário. O relaxamento muscular também demora mais para acontecer. O problema geralmente ocorre quando alguém toma diurético ou realiza exercícios físicos intensos. “ A pessoa, então, elimina grande quantidade de água, misturada com sódio e potássio, na forma de urina ou suor, diminuindo assim a concentração ideal para a passagem do impulso nervoso”.

Escola Paulista de Medicina

7745 – Medicina – Faz mal tomar remédios de estômago vazio?


Depende do remédio. A maioria, como os antiinflamatórios, irrita o tecido fibroso que forma a mucosa do estômago. Se ingeridos durante o processo de digestão, eles se misturam com a comida e o contato com a mucosa é mínimo. Mas, se o estômago estiver vazio, ele será alvo fácil. Essa irritação é provocada tanto por remédios em forma líquida como em comprimidos. Já outros medicamentos devem ser tomados com o estômago vazio: é que precisam de um meio ácido, e o estômago perde acidez com a ingestão de alimento. É o caso de alguns remédios para úlcera, à base de bismuto, para atacar a bactéria Helicobater pilory, hoje considerada a responsável pela úlcera duodenal.

Escola Paulista de Medicina

6590 – A Antidieta


Fazer dieta engorda. Esse aparente absurdo é a filosofia da antidieta. Aplicada no Brasil desde 1987 por uma psicóloga, busca no processo de seleção natural a justificativa para liberar a comilança. Quando alguém faz dieta rigorosa, o corpo reage como se a inanição estivesse se instalado.
Como a comida é pouca, a queima de gordura é cad vez menor e o apetite então aumenta e o organismo vai aumentar ainda mais as reservas calóricas. Quando o regime acaba, é como se uma mola comprimida fosse subitamente liberada, e vem então a gula. Segundo uma pesquisa feita por uma associação médica americana, 98% dos fiéis seguidores do regime voltam depois a engordar todos os quilos perdidos, quando não aumentam. A solução proposta foi comer quando se tem fome, comer o que se tem vontade e parar de comer quando satisfeito.

Geladeira Liberada?
A teoria da antidieta começou a nascer nos centros de pesquisa de dois institutos dedicados à mulher, o The Woman’s Therapy Center, em Londres, e o The Woman’s Therapy Center Institute, em Nova York. Foram eles as fontes do trabalho de Elisabeth Wajnryt, professora do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, que mantém contato também com pesquisadores da Escola paulista de Medicina. Entre eles está a bióloga Ana Lydia Sawaya, professora adjunta de Neurofisiologia e Fisiologia endócrina da Escola. Citando pesquisas científicas recentes, Ana Lydia acredita que a obesidade é um problema fundamentalmente genético, que não se resume a uma tendência à desregulagem de hormônios herdada dos pais.
A questão é saber separar a fome do estômago daquela originada da simples gula ou do excesso de ansiedade.