11.981 – Planeta Terra – Travessuras do El Niño em 2015


el-nino-2014-noticias-the-history-channel
No Norte e no Nordeste do Brasil, seca; no Sul, chuva. Já no Sudeste, não dá para ter certeza de nada. O El Niño vem com tudo neste ano e concorre para ser o mais forte já registrado, e seus efeitos devem ser sentidos ao menos até o outono.
Climatologistas apelidaram esse El Niño de Godzilla, por seu potencial de esculhambar o clima “médio” global, embora os pesquisadores tenham muitas dúvidas sobre o que exatamente vai acontecer.
O que se pode dizer é que, no Sul, as precipitações intensas e frequentes encharcam a terra, fazendo com que qualquer chuvinha se transforme em uma enxurrada, varrendo os nutrientes dos solos e até as mudas –prejudicando a economia e o abastecimento de comida na região.
Também há riscos ambientais, especialmente para espécies ameaçadas, diz o engenheiro florestal da Fundação Grupo Boticário André Ferreti. Com as inundações, espécies como o bicudinho-do-brejo, que faz seu ninho próximo às margens de riachos, podem ser arrastadas.
O climatologista da USP Tercio Ambrizzi conta que só nos próximos meses poderemos ter certeza de qual será o jeitão deste El Niño –ao mesmo tempo em que ele ocorre.
Quanto ao Sudeste, para Ambrizzi, se o fenômeno se consolidar como está, reservatórios como o sistema Cantareira podem se beneficiar um pouco da precipitação.
“Havia uma certa duvida da chegada da estação chuvosa. Atrasou quase duas semanas, mas chegou”, afirma. A dúvida é saber se essa linha de transição entre os efeitos úmidos do Sul e secos mais ao norte vai permanecer no lugar.
Já os reservatórios de Minas Gerais, como Sobradinho, tendem a pegar carona na seca norte-nordestina.
É difícil fazer previsões muito mais precisas do que isso, porém. Os especialistas estão muito longe de um consenso.
A professora e climatologista da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Alice Grimm também aposta que o El Niño significará mais água na torneira do paulista.
Para professor da USP e membro do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas) Paulo Artaxo, porém, é melhor não dar nenhum palpite: “Sob hipótese alguma podemos fazer previsões sobre a precipitação no Cantareira –as ciências climáticas ainda não permitem isso.”
Uma das explicações para a dificuldade de entender o El Niño é a própria variabilidade do fenômeno. Existem dois tipos de El Niño: os “de leste” e os de “centro”, de acordo com a região do Pacífico onde ocorrem as maiores anomalias na temperatura das águas. Para piorar, o evento deste ano é “misto”, ou seja, apresentam anomalias espalhadas por uma longa extensão.
Já foram registradas regiões com anomalias maiores que 2,5°C. Em alguns locais o aumento chega a 5°C.
Qual a relação disso com o aquecimento global? Para variar, os cientistas não têm uma resposta única.
Para Artaxo, é nítido que há uma mudança climática, mas ainda é inadequado atribuir qualquer anomalia climática a ela ou ao El Niño.
Ele afirma que a própria série história, que em tese poderia servir como referência para que os cientistas entendessem melhor os fenômenos climáticos, já não é mais tão útil.
“Não dá para comparar as chuvas de hoje na Amazônia com uma série histórica do começo do século 20. Mudou tanto onde e quanto chove…”
O último grande El Niño aconteceu entre 1997 e 1998. Os efeitos foram vistos no mundo todo, de calor intenso nos EUA e no Japão até seca e incêndios florestais na Indonésia. O Quênia sofreu alagamentos, e Equador e Peru também tiveram aumento de precipitação.

10.261 – Planeta Terra – Fenômeno El Niño tem 70% de chance de voltar neste ano


O Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos afirmou que há 70% de chances de ocorrer o El Niño neste ano. Os reflexos do fenômeno de aquecimento das águas do Pacífico, que afeta o clima em todo o mundo, devem ser sentidos a partir de julho, no Brasil. A tendência é que haja uma grande quantidade de chuvas entre o sul do Amazonas, oeste de São Paulo e norte do Paraná. Em São Paulo, o fenômeno tem boas chances de provocar chuvas acima da média entre dezembro e fevereiro.
“A boa notícia que o El Niño traz é que o próximo verão não terá temperaturas tão elevadas como o último. O Estado não passará por seca, pois devem ocorrer pancadas de chuva a partir de outubro. Porém, apenas esse fenômeno não será suficiente para que o Sistema Cantareira volte a seu volume normal. Precisaríamos de chuvas muito acima da média antes do fim do ano. Assim, a falta d’água provavelmente se repetirá em 2015”, diz Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo.
O inverno, normalmente, é o período mais seco do ano, em que os reservatórios de água atingem seus níveis mais baixos. Em 30 de maio, usando água do volume morto, o manancial que abastece o Sistema Cantareira estava com 25% de sua capacidade, de acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Esse volume será suficiente para manter o abastecimento de água na Grande São Paulo até o início das próximas chuvas, entre setembro e outubro, quando o reservatório voltaria a se encher. No entanto, para que os níveis voltem a subir de maneira regular seria preciso um volume de chuvas extraordinário, capaz de dispensar o uso do volume morto.
Hoje, o Cantareira fornece água para cerca de 7,2 milhões de pessoas na Região Metropolitana, além de mais de 5 milhões de pessoas na região de Campinas.
Cientistas do CPC afirmaram em seu relatório mensal que as chances do El Niño acontecer aumentam para 80% durante o outono e o inverno no hemisfério Norte. De acordo com as previsões, a força do fenômeno deve ser de fraca a moderada, a mesma intensidade com que ele se manifestou entre 2009 e 2010, sua última ocorrência.
No Brasil, o El Niño costuma provocar seca no Nordeste e chuvas intensas na região Sul. “A tendência histórica é que o fenômeno traga chuvas acima da média em São Paulo, com precipitações maiores no verão”, diz Augusto Pereira Filho, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP).

9937 – El Niño poderá chegar mais cedo no Hemisfério Norte


Fenômeno traria chuvas torrenciais sobre a América do Sul

el-nino-hemisferio-norte

O temido El Niño, fenômeno de aquecimento de águas de superfície no Pacífico, e que pode provocar seca no sudeste da Ásia e na Austrália, e enchentes na América do Sul, deverá ocorrer no próximo verão do hemisfério norte.
Em seu alerta mais seguro em quase 18 meses, o Centro de Previsão do Clima dos EUA diz em seu relatório mensal que as condições neutras de El Niño devem continuar pela primavera, mas há uma chance de 52% de desenvolvimento de sua atividade no verão ou no outono.
“Temos uma probabilidade maior. Não muita, mas o bastante para sentirmos que devemos começar a chamar atenção para a situação”, disse na sexta-feira Michelle L’Heureux, cientista do clima do Centro, em Maryland. “Isto não é uma garantia, mas estamos divulgando este alerta para que as pessoas fiquem conscientes”.
A previsão está alinhada com a de outros meteorologistas, segundo os quais aumentou o potencial de retorno do El Niño este ano.
O Escritório de Meteorologia da Austrália havia afirmado em 25 de fevereiro que “o aquecimento do Pacífico provavelmente ocorrerá nos próximos meses”, notando que os modelos do clima mostram temperaturas oceânicas que “se aproximam ou ultrapassaram limiares do fenômeno no inverno austral”.
Borracha, açúcar, café e natural são algumas das commodities que podem flutuar por conta do El Niño, que geralmente ocorre a cada três ou cinco anos e dura meses. O fenômeno causa com frequência invernos mais quentes no norte dos EUA, chuvas mais fortes no Sul da Argentina e no Brasil, e condições mais secas no sudeste da Ásia e Indonésia.
O El Niño que aconteceu em 1982-83 causou U$ 8.1 bilhões de danos no mundo e levou a esforços de monitoração mais acuradas do aquecimento do oceano, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, informa a Bloomberg.

9818 – Planeta Terra- El Niño de volta em 2014


el-nino-2014-noticias-the-history-channel

Prepara-se: nosso planeta poderá sofrer novamente as consequências do fenômeno El Niño, de acordo com um novo estudo, publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O risco da sua ocorrência não é nada baixo: 76% para o final deste ano.
O El Niño provoca chuvas e secas anormais, além de uma oscilação de temperaturas. O fenômeno ocorre por causa do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redução de ventos na região equatorial. Essas alterações climáticas no planeta poderão fazer com que 2015 seja um dos anos mais quentes desde o século XIX.
A pesquisa tem como base um novo método de previsão do El Niño. Foi usado um índice que compara as temperaturas do ar na área onde o fenômeno acontece normalmente com as demais temperaturas do Oceano Pacífico. Desta forma, seria possível fazer uma previsão com maior tempo de antecedência, já que, pela medição tradicional, este tipo de evento e sua gravidade só poderiam ser previstos com uma antecedência de seis meses.

8819 – Planeta Terra – Entendendo o El Niño


Quando ele chega, tudo muda de lugar. Ventos que durante milênios sopravam num mesmo sentido passam a correr de trás para a frente. Chuvas viram secas, calor dá lugar a frio e o que era gélido começa a torrar. O responsável por tudo, o El Niño, é o primeiro indício descoberto pelos meteorologistas de que o clima pode mudar em escala planetária num período muito curto, praticamente de um ano para outro.
O que causa o El Niño é uma gangorra. Sempre que a pressão atmosférica sobe no Oceano Índico, ela desce no Pacífico. E vice-versa. Notados há poucas décadas, o El Niño e a gangorra são traços milenares do clima. A gangorra intrigante, que foi ironizada quando anunciada pelo inglês Gilbert Walker, em 1928, não só era para ser levada a sério, como está na raiz desse hospício instalado no nosso planeta. Louco não foi o descobridor da gangorra da pressão. Louco mesmo era o clima.

Um jogo de empurra sobre o planeta:
A peça-chave do clima planetário é um jogo de empurra que faz a pressão atmosférica subir num ponto e, ao mesmo tempo, descer num outro canto da Terra. É chamado de Oscilação Sul e, como faz uma aliança com o El Niño, os cientistas, agora, sempre falam no par El Niño-Oscilação Sul, ou Enso, que é a sua sigla em inglês. Hoje, é difícil descer num lugar do mundo onde o Enso não se intrometa.
Vamos lá. Pousando no Paquistão, em agosto, você presenciaria crianças com sede, arrastando as sandálias no chão rachado de tão seco. É que o Enso faz a pressão subir sobre o Oceano Índico. Traduzindo, faz o ar descer do alto da atmosfera para a superfície. Assim, empurra para longe a umidade das monções. E, sem esses ventos, não chega chuva no Paquistão.
Há quem tente botar a culpa no efeito estufa, que é o excesso de calor provocado pela poluição industrial. Mas o Enso aparece em registros históricos, muito antes de existir indústria e poluição. Então, por enquanto, tentar forçar uma explicação só aumenta a doidice que já cerca o fenômeno. E aí, a loucura não é mais do clima. É da imaginação.

Seu combustível é o Sol, que aquece a água, a terra e o ar.
A luz do solar faz a água virar vapor e formar nuvens. Ela também cria os ventos, pois o ar quente se expande e ocupa mais volume. Com isso, fica mais rarefeito, mais leve, e sobe. Sobra um vazio que o ar frio em volta corre para preencher. É o vento. Assim, arma-se um jogo de empurra em todo o planeta que, ao longo dos milênios, criou o clima.

Sob o Sol a água vira vapor. Nasce a chuva.
O calor faz o ar subir, criando os ventos;
No solo, a luz vira calor;

O El Niño nasce porque a atmosfera muda de cara.
Dentro da atmosfera, o ar circula junto à linha do equador como se estivesse encanado. Ele gira entre a superfície e o topo da atmosfera formando circuitos fechados, chamados células de Walker. Uma ao lado da outra, elas dão a volta ao mundo. Em 1928, o inglês Gilbert Walker viu que as células amarravam a pressão atmosférica entre dois oceanos: o Índico e o Pacífico. Se a pressão aumenta de um lado, ela diminui do outro, e vice-versa. Ou seja, se o ar pressiona o cidadão contra o solo de um lado, do outro ele sobe e alivia a força, do outro. O jogo das pressões corre pelas células e dá a volta ao mundo. Você vai ver, aqui, como esse jogo cria o El Niño.

O pacífico sem a confusão …
1. É assim que o ar circula na atmosfera, definindo a força e a direção do vento na superfície do oceano.
2. Os ventos sobem e levam umidade para formar nuvens de chuva sobre toda esta região.
3. A brisa empurra a água para a Austrália. O nível do oceano fica 60 centímetros mais alto do que no Peru.
4. Aqui o nível do oceano é baixo. O plâncton do fundo vem à tona e vira comida de peixe. A pesca é farta.

… E com o El Niño
1. A circulação do ar muda em relação à situação normal (acima). O vento agora desce e mata a chuva.
2. O ar úmido agora sobe longe da Austrália. As chuvas caem em alto-mar e o país sofre.
3. Com o vento invertido, a água superficial, aquecida, permanece na costa do Peru. Esse calor é que é a marca do El Niño.
4. O plâncton do fundo não chega à superfície. Os peixes passam fome, procriam menos e as redes ficam vazias.

Perda material:
O El Niño de 1982 foi o mais forte do século, até agora. Na América do Sul, quem mais sofreu foi o Peru. A pesca, uma atividade econômica chave, ficou prejudicada. As enchentes também atrapalharam o Uruguai, a Argentina, o Paraguai e o Brasil, na Região Sul. O Nordeste sofreu com a seca. O prejuízo total na América do Sul foi de 3 bilhões de dólares, e, em todo o planeta, 13 bilhões. Leia abaixo o custo dos desastres.

Enchentes
O prejuízo recorde, de 1,3 bilhão de dólares, coube aos Estados Unidos. O Peru e o Equador arcaram com 650 000 dólares, vindo a Bolívia em seguida, com 300 000.

Furacões
Causaram impacto bem menor. O Havaí pagou o maior preço, 230 000 dólares. Ao Taiti couberam 50 000. Os dois lugares ficam no Pacífico.

Secas
A Austrália perdeu 2,5 milhões de dólares. Vieram depois a África do Sul com 1 milhão, a Indonésia com 500 000, as Filipinas com 450 000. A América Central arcou com 600 000 dólares.

Confusões que os brasileiros já viram:
Uma alteração típica foi o aumento das chuvas na Região Sul, durante o mês de agosto. Já na Serra da Mantiqueira e no litoral da Bahia caiu menos água do que deveria. Os termômetros subiram, em geral, 2 ou 3 graus Celsius no leste de São Paulo, no nordeste de Goiás e no sul do Mato Grosso do Sul. No centro da Bahia e no sul do Piauí o tempo ficou até 3 graus mais fresco. Daqui para a frente, todos concordam que vai chover mais no Sul e menos no Nordeste. Também vai ficar mais frio no Sul e mais quente no Nordeste.

Jato antinordeste…
Correntes de jato são rios de ar que disparam a 12 000 metros de altura. Com o El Niño, uma delas bloqueia as frentes frias que normalmente criam as chuvas do Nordeste em fevereiro e março.

…E antisul
Na Região Sul, o bloqueio da corrente tem um efeito oposto. Ele trava as frentes frias sobre ela, provocando chuvas torrenciais e enchentes.

7554 – Efeito climático pode ter matado 17% mais árvores na Amazônia


Um estudo realizado em conjunto entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros aponta que o número de árvores mortas na Amazônia por conta de tempestades, secas e outros fenômenos climáticos é subestimado em análises tradicionais, podendo ser de 9% a até 17% maior do que o previsto anteriormente.
A mortalidade destas árvores tem sido ignorada porque as análises comuns se baseiam apenas em trabalho de campo e em inventários florestais.
A pesquisa foi publicada nesta semana no site da renomada revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, mantida pela Academia Americana de Ciências. Além do Inpa, também participaram cientistas da Universidade da Califórnia, da Universidade Tulane e do Laboratório Nacional de Berkeley, todos nos EUA, além de pesquisadores do Instituto Max Planck para Biogeoquímica, na Alemanha.
Para dar uma ideia da força que eventos meteorológicos têm sobre a Amazônia, Higuchi citou como exemplo uma grande tempestade ocorrida na floresta, em janeiro de 2005, que destruiu mais de 500 milhões de árvores segundo suas contas. O fenômeno teve rajadas de vento de até 140 km/h.
Para fazer uma avaliação mais precisa do número de árvores destruídas por fenômenos climáticos e de sua contabilização nas emissões de CO2 pela floresta, os cientistas desenvolveram uma nova ferramenta que combina imagens de satélite da Amazônia e levantamentos “in loco”.
Batizado de Trecos (“Tropical Tree Ecosystem and Community Simulator”, no nome em inglês), o modelo foi preparado com imagens de satélite de uma série histórica com mais de 20 anos.
A Amazônia vai ser cada vez mais vítima de efeitos agravados das mudanças climáticas, como secas prolongadas, diz o pesquisador brasileiro. No sul do Pará, principalmente, estiagens costumam ser extensas.
Ele pondera que fenômenos como o El Niño estão afetando a Amazônia de maneira cada vez mais irregular.

Seca no Rio Branco
Seca no Rio Branco

5340 – Civilizações antigas e o El Niño


Tal fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Pacífico, recebeu este nome em referência ao nascimento de Jesus porque ocorre perto do Natal. Um arqueólogo provou a existência do fenômeno há milênios. Os registros de mudanças climáticas gravadas em fósseis indicaram que o fenômeno provocou chuvas e fertilizou terras da região do Peru, possibilitando a agricultura. Mas, as tempestades provocadas pelo El NIño podem ter levado as cidades a decadência.

3017 – Os mistérios do planeta – O El Niño


É uma prova de que o homem ainda desconhece aspectos cruciais do clima terrestre.

Foi só em 1983, ano de desastres globais, que os climatologistas perceberam, pela primeira vez, que havia uma causa comum para muitos dos nossos infortúnios ambientais. Não foi difícil notar que o sinal mais evidente estava na temperatura elevada das águas do Oceano Pacífico. Com isso, descobriu-se um fenômeno que daria muito o que falar. O El Niño em si já era conhecido dos pescadores peruanos há séculos, pois o aquecimento episódico das águas do Pacífico afugenta os peixes.
Mas em 1983 viu-se que o calor oceânico era só uma parte de um fenômeno maior. Um desequilíbrio que envolvia todo o planeta. Sua causa ainda não está esclarecida. O que pode causar desequilíbrio térmico numa massa de água tão grande quanto a do Pacífico? É razoável pensar que se trata de uma oscilação monumental, perturbando o conjunto da atmosfera e dos oceanos. Mas desvendar o mecanismo exato é um desafio. Os astrofísicos conhecem diversos fenômenos gigantes, pois a estrelas podem oscilar por inteiro. Só que, como elas são muito diferentes dos planetas, não ajudam muito. Por outro lado, também não seria muito útil tentar estudar outros planetas para ver se neles ocorre algo semelhante ao El Niño. Infelizmente, o único planeta com oceanos que conhecemos é a Terra.
Seja como for, o El Niño parece ser um fenômeno absolutamente natural, que aparece em registros muito antigos. O que chama atenção é que esse acontecimento, apesar de ser tão forte e marcante na história da Terra, só foi identificado pela ciência há pouco mais de uma década. A variação climática anual que nós chamamos de quatro estações é conhecida desde tempos imemoriais. Não é para menos! A diferença entre o verão e o inverno não só é gritante, como rigorosamente periódica, repetindo-se todos os anos. Mas aí vem o El Niño, que é a segunda perturbação climática mais importante, depois das estações. A demora em identificá-la certamente está associada à sua complexidade. Mesmo com os computadores mais modernos é difícil simular a interação entre oceanos e atmosfera.

1736-Fenômeno Climático:Sabendo mais sobre o El Niño


Em condições normais, os ventos que sopram de leste para oeste empurram a água quente no oeste do Pacífico. Em contato com a água quente, o ar se aquece e sobe. O ar que subiu no oeste, desce agora seco, impedindo a formação de chuvas na costa do Peru.
Com o El Niño, o enfraquecimento e inversão desses ventos, denominados alísios, faz com que a água quente volte e se acumule junto a América.
A nova condição faz o vento descer sobre outras áreas, causando seca no norte/nordeste do Brasil e na Oceania, os jatos de latitude média mais intensos bloqueiam as frentes frias vindas da Antártida, estacionadas sobre o Sul do Brasil, causando chuvas. Ao norte dessa barreira, o clima se torna quente. Tal fenômeno é uma das engrenagens mais poderosas da maquinaria do clima mundial, movida por grandes massas de calor na atmosfera e nos oceanos. Trata-se de anomalia mais ou menos perigosa, que vem acontecendo em intervalos de 3 a 7 anos, no Pacífico. Não se relacionou o fenômeno om o aquecimento global do planeta.

Fenômeno El Niño – Como ele desacelera a Terra


A atmosfera gira no sentido horário no hemisfério norte. A resultante dos movimentos tense a ser nula em relação ao movimento de rotação da Terra.
O El Niño inverte e acelera a circulação da camada de ar. Os ventos no hemisfério sul passam a interferir no hemisfério norte. O desequilíbrio cria atrito com a superfície terrestre e desacelera a rotação do planeta.
Como se forma um furacão:
O ar úmido entra em contato com as correntes de água quente do oceano.
O ar aquecido sobe em colunas e quando atinge determinada altitude a umidade que carrega é condensada virando chuva.
O calor gerado pela condensação cria uma área de alta pressão que empurra o ar para baixo, esfriando-o. O processo se repete. Ventos e ondas giram cada vez mais rápido e ao atingiram 120 km/h viram furacão.