7617 – Geografia – Everest, O Monte


Everest, ainda é o topo do mundo
Everest, ainda é o topo do mundo

Desde que o neozelandês Edmund Hillary chegou aopico da montanha mais alta da Terra, milhares de expedicionários tentaram imitá-lo. Poucos conseguiram e quase todos contribuíram para transformar a legendária montanha num depósito de lixo.
Edmund Percival Hillary e seu guia sherpa, o nepalês Tenzing Norgay, tornaram-se os primeiros homens a atingir o pico do Monte Everest, a mais alta montanha da Terra, com 8 848 metros, na Cordilheira do Himalaia, na fronteira do Nepal com o Tibete (China). Desde então, algumas centenas de alpinistas sucederam-se na tentativa de atingir o pico mais alto do mundo, utilizando diferentes caminhos. Em 1978, Reinhold Messner e Peter Habeler foram os primeiros a chegar lá sem auxílio de bombas de oxigênio; em 1980, o mesmo Messner tornou-se o primeiro a subir sozinho. Mas pelo menos 130 montanhistas e 41 guias sherpas morreram em outras tentativas de domar a Rainha Mãe do Mundo — tradução literal do nome sherpa da montanha, Chomolungma.
A luta para chegar ao topo do Everest começou em 1920. Sete expedições subiram pelo lado noroeste, entre 1921 e 1938; outras três foram pelo lado sudeste. Todas fracassaram por causa do ar gelado e rarefeito, dos ventos fortes e das dificuldades do terreno. Em 1953, finalmente, uma expedição patrocinada pela Sociedade Geográfica Real e pelo Comitê Himalaio do Clube Alpino, duas entidades inglesas, chegou ao alto, graças ao uso de roupas e botas aquecidas, sistemas portáteis de oxigênio e aparelhos de rádio para comunicação. A expedição demarcou oito campos em sua rota, subindo até o Desfiladeiro do Sul, um enorme parapeito de pedra a 8 646 metros de altura. Dali, no dia 29 de maio, o neozelandês Edmund (dois meses mais tarde Sir Edmund) Percival Hillary e o sherpa Tenzing Norgay escalaram o Cume do Sudeste, passaram pelo Pico do Sul e chegaram ao alto do Everest .
Aos 33 anos, Hillary estava no auge de uma exemplar vida de aventureiro. Começou a praticar o montanhismo em seu próprio país, mas logo estava envolvido em expedições para levantamento da Cordilheira do Himalaia. Ajudou no reconhecimento do lado sul do Everest, antes de empreender a sua conquista, dois anos mais tarde. Tornou-se, a partir daí, um benemérito da região, onde ajudou a construir escolas, hospitais e aeroportos. Em 1955 transferiu seu interesse para a Antártida, tendo chegado ao Pólo Sul em 4 de janeiro de 1958. Em outra expedição, esta em 1967, praticou seu esporte predileto — o montanhismo — escalando pela primeira vez o gelado Monte Herschel, de modestos 3 600 metros. Tudo isso ficou elegantemente registrado em vários livros, o último dos quais uma autobiografia de 1975, que parecia ser o discreto anúncio da aposentadoria de um herói. Mas ainda haveria uma aventura final: em 1977, Hillary subiu o Rio Ganges, na Índia, até atingir suas nascentes na Cordilheira do Himalaia.
A cordilheira formou-se durante o período Miocênico, entre 26 e 7 milhões de anos atrás, pela compressão de suas bases sedimentárias, com a convergência do subcontinente indiano e o planalto tibetano. O Monte Everest apareceu bem mais tarde, durante o Pleistoceno, há 2,5 milhões de anos. A subida até o seu cume significa atravessar dois terços da atmosfera terrestre, chegando a uma altitude onde o ar é extremamente rarefeito, com muito pouco oxigênio. Isso torna ainda mais admirável o feito dos que conseguem fazer a subida sem o auxílio de equipamentos especiais: o guia sherpa Ang Rita, ainda em atividade — serviu até a uma expedição brasileira —, já praticou essa proeza sete vezes.
Mas outras dificuldades devem ser vencidas pelos montanhistas, entre elas os ventos fortíssimos e a temperatura muito baixa, sobretudo nas partes mais altas, onde não sobrevivem nem plantas, nem animais. A identificação dessa montanha como o ponto mais alto da Terra foi feita em 1852, pelo governo da Índia. Chamava-se Pico XV até 1865, quando o governador geral do país, o imodesto oficial inglês Sir George Everest rebatizou-o com o próprio nome. Sua altura exata foi objeto de muita discussão até 1955, quando se estabeleceu definitivamente que ela é de 8 848 metros.
Em média, 100 expedições aventuram-se todos os anos à conquista das 110 montanhas do Himalaia, na tentativa de chegar ao ponto culminante. Levam com elas, anualmente, de 3 a 5 toneladas de materiais diversos, que ficam pelo caminho, abandonados. A rota costuma estar tão congestionada que, em maio do ano passado, 55 montanhistas ficaram pacientemente estacionados no campo base uma semana inteira, à espera de sua vez de começar a subida. Estima-se que o caminho na montanha esteja coberto por 17 toneladas de lixo, acumuladas ano após ano.
Um inoportuno problema ecológico que o governo do Nepal enfrentou corajosamente: a partir de maio de 1993, somente 24 expedições serão autorizadas, cada ano, a tentar a escalada. Podem ter no máximo sete pessoas e deverão pagar 50 000 dólares pelo privilégio. O objetivo é espantar os amadores e, para piorar as regras, os expedicionários devem trazer de volta para Kathmandu todo o seu lixo — sacos plásticos, latas, garrafas de oxigênio etc. O único lixo que pode ser jogado no solo da montanha é o degradável: papel higiênico, comida e, conforme especifica a portaria ministerial, não sem uma ponta de humor negro, corpos humanos.