10.175 – Estudo explica por que urso polar é saudável, embora consuma muita gordura


Uma nova pesquisa descobriu o motivo pelo qual o urso polar acumula muita gordura no corpo sem correr um risco grande de desenvolver doenças cardíacas. Segundo o estudo, feito nos Estados Unidos, essa habilidade do animal se deve a mutações genéticas que aconteceram ao longo de sua evolução e que interferem na função cardiovascular.
Parte da adaptação dos ursos polares a ambientes extremamente frios depende de uma alimentação rica em lipídios. Quase metade da composição corporal desses animais é de gordura e, consequentemente, os níveis de colesterol no organismo do mamífero são muito elevados, suficientes para causar doenças cardiovasculares em seres humanos. Já entre os animais a prevalência de doença cardíaca não é alta.
Para tentar descobrir de que forma o coração desses ursos se protegem contra altos níveis de gordura, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sequenciaram e analisaram o genoma de 79 ursos polares e dez ursos pardos de regiões diferentes do mundo. As conclusões foram publicadas nesta quinta-feira no periódico Cell.
De acordo com o estudo, os ursos polares apresentam mutações em genes associados, por exemplo, à forma como o corpo metaboliza a gordura e a transporta no sangue. Um desses genes é o Apob, responsável por remover o colesterol da corrente sanguínea e levá-lo para as células. A mutação identificada no genoma dos animais sugere que o urso polar consegue administrar quantidades muito elevadas de açúcar e triglicérides no sangue, o que diminui o risco de doenças cardíacas.
A pesquisa concluiu que essas mutações ocorreram de 500.000 anos atrás para cá, quando o urso polar evoluiu para um grupo distinto do urso pardo. Segundo os autores, isso mostra que a espécie do urso polar é mais jovem do que se pensava — estimativas apontavam que a separação havia ocorrido entre 600.000 e 1 milhão de anos atrás. “Todas as adaptações únicas que os ursos polares têm no ambiente do Ártico devem ter ocorrido em um período de tempo muito curto”, afirmou Rasmus Nielsen, professor de biologia integrativa e estatística da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Para os autores do estudo, essas informações sobre o urso polar podem ajudar a encontrar formas de evitar ou combater a obesidade em seres humanos. “A genética comparativa nos permite aprender como outros organismos lidam com condições às quais também somos expostos”.

9998 – Vitamina D pode ajudar a reduzir o colesterol em mulheres


Diferentes estudos já sugeriram que a vitamina D pode proteger o coração, e agora uma nova pesquisa ajuda a explicar como isso acontece. De acordo com o trabalho, feito na Universidade Thomas Jefferson, nos Estados Unidos, suplementos diários do nutriente reduzem os níveis de colesterol “ruim” (LDL) na corrente sanguínea e, consequentemente, contribuem com a prevenção de doenças cardíacas.
Para chegar a essa conclusão, os autores do estudo selecionaram 576 mulheres que já haviam passado pela menopausa. O risco de doenças cardíacas é maior nessa fase da vida da mulher porque a produção de estrogênio, hormônio que protege o coração, diminui. As participantes passaram a tomar suplementos que combinavam vitamina D e cálcio ou então doses de placebo diariamente e ao longo de dois anos. Além disso, os pesquisadores coletaram, no início e no final do estudo, amostras de sangue das participantes para analisar seus níveis de colesterol.
Após ajustar os resultados em relação a outros fatores de risco ao coração, como tabagismo e consumo de álcool, a equipe descobriu que as mulheres que ingeriram vitamina D apresentaram uma pequena, porém notável redução nos níveis de LDL. O mesmo benefício não foi observado nas participantes do grupo do placebo.
Segundo Peter Schantz, o efeito da vitamina D pode ser significativo na prevenção contra doenças cardíacas, mas não é possível dizer que o nutriente, sozinho, seja capaz de evitar a condição nas pessoas. Para isso, é preciso que as pessoas continuem tomando outros cuidados, como não fumar, praticar exercícios e se alimentar de forma correta. O estudo foi publicado na edição deste mês do periódico Menopause.