14.022 – De onde vem o Dito Popular Maria vai com as Outras?


maria vai com as outras
Maria vai-com-as outras designa pessoa sem vontade própria, cujo nome se deve à mãe de dom João VI (1767-1826), a rainha Maria I, a Louca (1734-1816), que não podia mais sair de casa por vontade própria, sozinha, e saía sempre com outras marias, que a amparavam, guiavam e cuidavam, pois tinha enlouquecido.
É uma pessoa que não tem opinião, que segue o comando dos outros, que se deixa convencer com facilidade. Essa expressão surgiu a partir de uma associação com Dona Maria, mãe de D. João VI. Enlouquecida e incapaz de governar, foi afastada do trono e só era vista quando saia para caminhar a pé, juntamente com as damas de companhia.

13.984 – De onde surgiu a expressão “sair do armário”?


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Os brasileiros literalmente traduziram a gíria dos EUA: “come out of the closet”. Esta, por sua vez, provavelmente foi criada a partir de outras duas expressões da língua inglesa. Nos séculos 19 e 20, “come out” (“sair” ou “se revelar”) era o verbo usado quando as debutantes se apresentavam à sociedade, em grandes festas, para atrair possíveis maridos. Era como se as meninas agora “se revelassem” adultas.

13.834 – Dito Popular – De Onde Surgiu o provérbio “Beleza não se põe na mesa”?


O provérbio «beleza não põe mesa», ou «beleza não se põe à mesa» (José Pedro Machado, O Grande Livro dos Provérbios, 3.ª ed., Lisboa, Ed. Notícias, 2005, p. 112), corresponde a uma forma mais simplificada de um outro provérbio, cujo sentido/significado é mais evidente: «Beleza e formosura não dão pão nem fartura» (idem).
Em tais provérbios sobressaem dois campos semânticos: o da beleza (e da formosura) e o da mesa (representada pelo pão, símbolo da alimentação, e da fartura, símbolo da abundância, do que se que se coloca na mesa). Entre esses dois bens, a beleza é desvalorizada em relação ao pão, à mesa, à fartura, sobressaindo o sentido prático da vida.
Com estes provérbios pretende-se passar a lição de que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, o pão/a alimentação ganham destaque como elementos essenciais à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar.
de-se passar a lição de que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, o pão/a alimentação ganham destaque como elementos essenciais à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar.

13.827 – Curiosidades – É possível que um tiro saia pela culatra?


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O desenho e o funcionamento das pistolas atuais e o tipo de munição usada impedem que um projétil dê “marcha a ré” e atinja o atirador. A origem da expressão “O tiro saiu pela culatra” é incerta, mas pode remeter aos mosquetes do século 18, que eram recarregados pelo mesmo orifício de onde saía o disparo. O processo envolvia depositar primeiro a pólvora, depois o projétil . Se, no desespero da batalha, o atirador invertesse essa ordem, o tiro poderia sair “para trás”. Hoje, o máximo que pode rolar é uma explosão na câmara (onde o projeto é alojado) se a pessoa usar quantidade exagerada ou o tipo errado de pólvora em uma munição produzida (ou reciclada) artesanalmente.

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13.805 – Dito Popular – De Onde Surgiu o provérbio “Lagoa que tem Piranha Jacaré Nada de Costas”?


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Autor Anônimo
Significa: Quando há perigo, os cuidados devem ser redobrados (o dorso do jacaré é muito rijo, defendendo-o de dentadas de predadores).

O dito em questão é um provérbio português

Ditado popular ou Provérbio é uma frase de caráter popular, com um texto mínimo de autor anônimo que é várias vezes repetido e se baseia no senso comum de um determinado meio cultural, como por exemplo: “O seguro morreu de velho”.
Ditado é a expressão que se mantém imutável através dos anos, constituindo uma parte importante de cada cultura.

13.769 – Pelo Menos Tire as Galochas – De Onde Surgiu a Expressão Chato de Galochas?


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Não se sabe exatamente, mas acredita-se que a expressão tenha se originado a partir do costume que os homens da década de 50 tinham de usar galochas, calçados de borracha que eram colocados por cima dos sapatos e os protegiam em dias de chuva.
Desta forma, o termo popular surgiu a partir da imagem de uma pessoa que não retirava as galochas para entrar em casa, sujando todo o chão de barro e lama: “o chato de galochas”.
Chato de galocha é uma expressão idiomática da língua portuguesa muito usada no Brasil. É usada para descrever uma pessoa que é muito chata e inconveniente.
O dito chato de galocha é o indivíduo que é extremamente desagradável, com pouco senso social e insistente em assuntos desinteressantes.
Exemplo:
Eu não quero sair com vocês. O seu amigo é um chato de galocha!
Origem da expressão ‘chato de galocha’
As galochas são sapatos de borracha resistentes que são usados para proteger os calçados normais em ambientes onde há muita água ou lama, por exemplo.
Por ser feita com um material bastante resistente, a galocha acabou sendo associada ao comportamento das pessoas insistentes e desagradáveis.
Além disso, o costume de entrar na casa de alguém sem ter o cuidado de tirar esses sapatos de borracha sujos, reforça a imagem da pessoa chata usando galochas.
Acredita-se que essa expressão tenha surgido por meados da década de 1950, quando o uso de galochas era um costume típico entre homens e mulheres.
Em algumas regiões do Brasil ainda é comum o uso de galochas, principalmente onde há a predominância do clima chuvoso e frio.

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13.025 – O que é ser “Advogado do Diabo”?


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Advogado do diabo (em latim advocatus diaboli) é uma expressão originalmente utilizada pela Igreja Católica para designar o advogado que tinha por missão apresentar provas impeditivas da admissão de um candidato a santo ou beato. Sua função era averiguar todos os fatos apresentados em favor do candidato., procurando falhas nas provas de milagres do candidato a santo. Nesses processos de canonização e beatificação, também havia o promotor da fé, encarregado de argumentar a favor do candidato.
Popularmente, a expressão passou a designar o indivíduo que apresenta muitas objeções a uma determinada tese, criando dificuldades para a defesa. Por vezes, o advogado do diabo defende um argumento contrário ao da maioria apenas com o intuito de testar a qualidade do argumento.
No sentido figurado, o advogado do diabo é apresentado como um indivíduo que defende um cliente ou uma causa que, moralmente, não há defesa.
No filme americano “Advogado do diabo”, lançado em 1997, é utilizado o significado literal da expressão, através da história de um jovem advogado que representa em tribunal o próprio diabo (disfarçado de advogado bem sucedido).

10.408 – Dito Popular – O que significa a expressão “estar num mato sem cachorro”?


Na verdade essa expressão mudou com o passar do tempo.
Ela vem das antigas caçadas a raposas na Inglaterra, onde a expressão correta traduzida era: -“Não mato sem cachorro”, pois sem o cão, o caçador ficaria perdido.
Atualmente refere-se a quem se está numa situação aparentemente sem saída, e que não pode contar com ajuda de ninguém.
Se estivesse numa mata, perdido e tivesse ao menos o cachorro ele poderia lhe guiar para fora dali…ou a local onde tivesse água e comida.
A caça é uma atividade desenvolvida pelo homem desde os primórdios. Os homens das cavernas já caçavam, há registros da atividade na bíblia e na história de um modo geral, durante as eras. E nesta atividade o homem sempre teve como fiel companheiro o cachorro, que tinha a função de captar o cheiro da presa e localizá-la, sendo fundamental para o sucesso da empreitada.
É daí que surge o sentido da expressão popular “no mato sem cachorro”. A ideia de um caçador no meio da floresta sem o fiel companheiro canino para auxiliá-lo na caçada denota, de fato, uma situação periclitante.

10.299 – Por que se dá o nome de “fila indiana” a uma fila organizada com as pessoas umas atrás das outras?


A hipótese mais aceita é que a expressão simplesmente descreve o modo de os índios andarem enfileirados pelas trilhas no meio da mata. Portanto, “indiana”, no caso, não tem nada a ver com os moradores da Índia, mas sim com as populações nativas das Américas. Caminhar em fila indiana era uma excelente estratégia de guerra para as tribos da América do Norte. Relatos históricos registram que, quando os guerreiros se deslocavam pelo meio da floresta, cada um pisava na pegada da pessoa da frente, para que o último homem apagasse seus próprios passos e os de todo o grupo. Assim, ninguém deixava vestígios de sua passagem para o inimigo.
Alguns especialistas apontam ainda que a expressão revela a discriminação sofrida pelas populações indígenas nos Estados Unidos. “Na verdade, trata-se de mais um rótulo criado pelos colonizadores para passar a impressão de que os índios são selvagens sempre prontos para a guerra”, diz o lingüista Wolfgang Mieder, especialista em folclore e provérbios da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. Entretanto, a história mostra que as estratégias indígenas de guerra foram incorporadas pelo Exército americano durante a Guerra da Independência (1775-1783). Enquanto os soldados ingleses atacavam em blocos, os americanos levavam vantagem andando alinhados e se escondendo atrás de árvores e pedras, como faziam os nativos.

7213 – Por que as pessoas dizem que São Pedro é responsável pelo tempo?


Porque são Pedro tem a fama de “porteiro” do reino dos céus. Ele ganhou esse título graças a uma passagem do Evangelho de Mateus, na qual Jesus se volta para Pedro, o seu seguidor mais próximo, e diz: “Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na Terra será ligado nos céus”. Essa simples declaração foi suficiente para Pedro passar para a história, em quadros e esculturas, como o velhinho que carrega as chaves celestiais e, na boca do povo, ganhou um poder ainda maior do que simplesmente o de abrir e fechar portas. “Se ele abre e fecha as portas e janelas do céu, então é a ele que pediremos para fazer chover ou cessar as inundações”, diz um teólogo professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Antes de assumir essa função no andar de cima, Pedro foi, com o perdão do trocadilho, o primeiro manda-chuva do cristianismo. Logo após a crucificação de Jesus, ele organizou os fiéis em Jerusalém e, baseado nos ensinamentos do mestre, passou a chefiar a religião recém-nascida.

5476 – De onde surgiu a expressão: “fazer de gato e sapato”


Expressão pode ter surgido de uma brincadeira

Quando alguém é tratado com desprezo, dizemos que a pessoa foi feita de gato-sapato. A origem mais provável para a alcunha está em um jogo antigo conhecido como gato­-sapato. Na brincadeira, uma criança de olhos vendados tinha de agarrar um colega. Enquanto tentava, outras crianças batiam nela com sapatos. Daí a expressão “fazer de gato-sapato”.
Já o escritor Marcelo Duarte apon­ta outra possível origem para a ex­pressão. Segundo ele, tudo poderia ter começado numa época em que era moda abreviar palavras. Sapato, que se escrevia com “ç”, era reduzido para “çato”. Dependendo da letra de quem escrevia ou da atenção de quem lia, “çato” poderia ser facilmente confun­dido com “gato”. LÌVIA LOMBARDO. (AVENTURAS NA HISTÓRIA – Ed. Abril)

5154 – De onde vem a expressão “amigo da onça”?


De uma história popular do interior. “Conta-se que um caçador relatava aos amigos ter sido perseguido numa de suas aventuras por uma onça enorme”, narra o escritor Deonísio da Silva, professor da Universidade Federal de São Carlos e autor do livro De Onde Vêm as Palavras. Segundo Deonísio, o sujeito fugiu o quanto deu e no caminho perdeu a espingarda. Lá pelas tantas, acabou encurralado na mata. Só o que conseguiu fazer foi gritar o mais forte que pôde. O berro foi tão alto que a onça ficou apavorada. Ela então fugiu e deixou o caçador em paz. O amigo que ouvia a história duvidou: “Ah, se essa história fosse verdade você teria sido devorado!” Ao que o caçador, indignado, teria retrucado: “Mas você é meu amigo ou amigo da onça?”
A expressão significa falso amigo. Quem a popularizou foi o cartunista pernambucano Péricles Albuquerque Maranhão, o Péricles (1924-1961), que trabalhava na revista O Cruzeiro, muito popular no Brasil na década de 50. Em 1952 ele criou um personagem pouco confiável chamado Amigo da Onça, que fez sucesso por vinte anos. Foi aí que a expressão deixou o interior do país e tornou-se conhecida no Brasil inteiro.

5116 – Como surgiram as expressões fulano, beltrano e cicrano?


Em língua portuguesa, o termo fulano quer dizer “uma pessoa qualquer”. A palavra vem do árabe fulãn, que significa “um certo”. Provavelmente se incorporou ao português durante a Idade Média. Naquele período a Península Ibérica estava sob ocupação dos árabes, que se instalaram por lá no ano 756. Eles saíram de Portugal em 1179. De Granada, no sul da Espanha, só foram expulsos em 1492. A presença muçulmana deixou sua marca nos idiomas da península. Não por acaso, a palavra “fulano” só existe em português e em espanhol. Beltrano vem do sobrenome Beltrão, ao qual foi adicionado o sufixo “ano” para rimar com fulano. Cicrano, um terceira palavra com a mesma terminação – que não significa absolutamente nada –, dá à expressão o sentido de que se trata de três indivíduos desconhecidos e diferentes. “Esse é um recurso da língua no qual as palavras são adaptadas pela rima para fazer uma brincadeira”, diz o professor de português Pasquale Cipro Neto. “A expressão ‘fulano, beltrano e cicrano’ é como ‘sem eira nem beira’, ou ‘por fora bela viola, por dentro pão bolorento’”.

5062 – De onde surgiu a expressão tortura chinesa?


Por preconceito. Na verdade não se conhece uma tortura especificamente chinesa. A expressão está ligada à suposta capacidade atribuída a esse povo de arquitetar um suplício cruel refinado por uma prolongada duração. Um exemplo clássico do “espírito” da tortura chinesa, explica um professor do Departamento de História Antiga da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, “é deixar, por horas, uma gota d’água pingando na testa de alguém”. A dor se torna cada vez mais insuportável. “Isso é uma crueldade planejada por um cálculo de tempo.” Só que ninguém sabe quem, realmente, a inventou. O fato de a China ter se isolado do mundo de 1368 a 1644 gerou a suspeita estrangeira de que seu povo seria fechado, frio e calculista. Daí a expressão, no fundo insultuosa. Na verdade, tanto no Ocidente quando no Oriente a maldade humana não conhece limites.

4652 – De onde veio a expressão “bode expiatório”?


Bode pagando o Pato

Foi a Bíblia que estigmatizou o bicho como vítima inocente. No Levítico, um dos livros do Antigo Testamento, está escrito que o Senhor disse a Moisés que Aarão – seu irmão mais velho – deveria sacrificar um bode e oferecê-lo a Deus. Com isso expiaria os seus pecados e os de todo o povo de Israel. Desde então, cumprindo o mandamento divino, matar um bode para se livrar dos pecados virou um hábito religioso.
“Os judeus pararam de fazer essa cerimônia há muito tempo, mas a imagem do bode expiatório perdurou como uma espécie de culpado inocente, aquele responsável pela culpa dos outros”, diz um lingüista, da Universidade de São Paulo. Como a origem é muito antiga, a expressão não existe só em português, tendo equivalentes em várias outras línguas. Os italianos dizem capro spiatorio, os franceses, bouc émissaire, os ingleses, scapegoat, e os alemães, sündenbock. Coitado do bode, que não tem nada a ver com isso.