13.130 – Já tá com “pé na cova”, deixa quieto – Egito absolve ex-ditador Mubarak de acusação de morte de manifestantes


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Hosni Mubarak

A Justiça do Egito absolveu nesta quinta-feira (2 de março) o ex-ditador Hosni Mubarak pela morte de manifestantes durante os protestos que levaram a sua deposição, em 2011.
Mubarak, seu ministro do Interior e seis auxiliares foram condenados em 2012 à prisão perpétua, mas o veredicto foi anulado dois anos depois por falhas técnicas no julgamento.
Na decisão desta quinta, o tribunal rejeitou os pedidos de vítimas para reabrir inquéritos sobre o caso, esgotando a possibilidade de recursos.
O ex-ditador 88 anos está em um hospital militar no Cairo, onde serviu uma pena de três anos de prisão, após ser condenado por corrupção em outro processo.
Centenas de manifestantes foram mortos pelas forças de segurança durante os protestos contra o regime de Mubarak, que fizeram parte do levante popular conhecido como Primavera Árabe.
As manifestações levaram à renúncia do mandatário, pondo fim a um regime de três décadas e abrindo o caminho para eleições livres no país.
O primeiro presidente eleito no Egito, o islamita Mohammed Mursi, foi deposto em um golpe militar em 2013 e cumpre pena de prisão perpétua por espionagem e vazamento de dados para outros países.

12.327 – Sociedade – Morar em um país menos conservador faz bem para a saúde ?


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O aviso vem de um estudo americano. Por lá, os felizes cidadãos que vivem em estados administrados por governos liberais (equivalente aos de esquerda daqui), que priorizam os direitos sociais e se abrem para temas polêmicos, como legalização da maconha, aborto e casamento gay, levam uma vida mais saudável.
É que nesses lugares, os programas sociais têm mais força e as comunidades mais pobres e isoladas recebem mais apoio. Mas até os mais ricos, que não precisam dessa ajuda, sentem os benefícios: aqueles que vivem em cidades liberais têm hábitos mais saudáveis (bebem e fumam menos e se exercitam mais). Dá pra entender o motivo das bebedeiras entre os cidadãos governados por conservadores…
Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de combinar os dados de três estudos diferentes: uma delas avaliava a saúde dos participantes (Behavioral Risk Factor Surveillance System), outra media os níveis de confiança social (Gallup Healthways Survey), e a última checava as taxas de liberalismo e conservadorismo nos estados americanos. No total, mais de 450 mil pessoas foram incluídas na pesquisa.
É, por aqui a coisa não anda fácil. Nosso Congressos é o mais conservador desde 1964. E para piorar, há ainda quem saía às ruas para pedir a volta da ditadura – ou torça para que a Presidência caía no colo de Bolsonaro. Pensem nisso, amigos.

12.302 – Os Maiores Ditadores da História Moderna


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A palavra ditador está associada, inevitavelmente, ao autoritarismo. Um ditador é, por definição, um governante que assume todos os poderes do Estado. Isolado, por decisão própria, de qualquer controle constitucional ou legislativo.
Mao Tsé-Tung: foi presidente do Partido Comunista da China e um dos fundadores da República Popular da China, a qual ele governou desde sua proclamação, em 1949, até sua morte, em 1976.

Muammar al-Gaddafi: governou a Líbia por 42 anos, desde 1969, quando instaurou em seu país uma revolução socialista e islâmica, até sua morte, em outubro de 2011, enquanto defendia um regime totalitário e repressivo.

Hosni Mubarak: governou a República Árabe do Egito por 30 anos, desde outubro de 1981 até fevereiro de 2011, após o assassinato de Anwar el-Sadat, quando se viu obrigado a renunciar no auge dos protestos em massa que exigiam seu afastamento.

Saddam Hussein: liderou a ditadura iraquiana desde 1979, quando assumiu o poder com o apoio do Ocidente, até 2003, quando foi deposto por uma coalizão formada pelos EUA, Reino Unido, Austrália, Espanha e Polônia.

Augusto Pinochet: liderou a ditadura militar do Chile a desde 1973, quando depôs o presidente Salvador Allende, que, meses antes, o havia indicado para comandante-em-chefe do exército chileno, até 1990, quando deixou o poder.

Benito Mussolini: fundador do fascismo, foi o primeiro-ministro do Reino da Itália em 1922, quando assumiu os poderes ditatoriais, até 1945, quando foi deposto e fuzilado, após exceder o período do seu mandato, em 1943, com a ajuda da Alemanha Nazista.

Francisco Franco: político e militar espanhol, esteve à frente da ditadura de seu país como chefe de estado desde 1937, quando, na época da Guerra Civil, instaurou o regime hoje conhecido como franquismo, até sua morte, em 1975.

Fidel Castro: tendo começado na vida política como opositor do presidente Fulgencio Batista, chegou ao poder depois de liderar a Revolução Cubana, que triunfou em 1959. Inicialmente, foi primeiro-ministro durante o mandato de Manuel Urrutia LLeó, assumindo posteriormente a presidência, cargo que ocupou até 2008.

Josef Stalin: de carreira política, modelou os aspectos principais do regime da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URRS), da qual foi dirigente máximo de 1929 a 1953.

Adolf Hitler: de origem austríaca, esse político foi um dos ditadores mais poderosos do século XX, responsável maior pela militarização da sociedade e pelo extermínio de grande parte da população judaica.

10.579 – Política – Os EUA derrubaram o presidente do Brasil?


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John Kennedy tinha um brinquedo novo. Quando os convidados chegaram, o presidente apertou um botão escondido na lateral de sua mesa, acionando um microfone ali no Salão Oval e um gravador no porão da Casa Branca. Era a estreia de uma engenhoca secreta que registrou 260 horas de conversas sigilosas.
Olha que coincidência: a primeira gravação é sobre o Brasil. Das 11h52 às 12h20 de 30 de julho de 1962, debateu-se o futuro e a fritura do presidente João Goulart. O embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, disse que Jango estava “dando a porcaria do país de graça para os…” “…comunistas”, completou Kennedy. O assessor Richard Goodwin ressaltou: “podemos muito bem querer que os militares brasileiros tomem o poder no final do ano”. Isso quase dois anos antes do Golpe de 64.
Desde 1961, com a chocante renúncia de Jânio Quadros e a conturbada posse de Jango, as reuniões de Kennedy sobre nosso país eram monotemáticas: como impedir que o Brasil se tornasse uma gigantesca Cuba? Apesar disso, Lincoln Gordon, embaixador no Rio entre 1961 e 66, morreu em 2009, aos 96 anos, negando que os americanos teriam participado do golpe. Durante e após a ditadura, que foi até 1985, muitos pesquisadores brasileiros menosprezaram o papel dos americanos, tachando investigações nesse sentido de paranoia e teoria da conspiração. Mas documentos revelados nos últimos anos contam uma história diferente, que vai sendo revelada aos poucos.
Parte desse material ganhou destaque no documentário O Dia que Durou 21 Anos, da dupla de filho e pai Camillo e Flávio Tavares – autor de um grande livro sobre a luta contra o regime, Memórias do Esquecimento. O filme apresenta gravações e documentos oficiais e expõe justamente a articulação do governo americano e dos militares brasileiros contra Jango. Arquivos recém-abertos nos EUA estão mexendo até com obras definitivas: os quatro livros do jornalista Elio Gaspari serão reeditados levando em conta as gravações clandestinas de Kennedy e de seu sucessor Lyndon Johnson. E ainda há muito a ser revelado: Carlos Fico, historiador da UFRJ, estima que mesmo com a Lei de Acesso à Informação ainda não se analisou nem 20% dos arquivos dos órgãos de repressão brasileiros.
O vice-presidente João Goulart soube da renúncia do presidente Jânio Quadros após uma viagem oficial à China, durante uma missão extraconjugal em Cingapura. Em 2014, após 29 anos de democracia ininterrupta, seria uma surpresa se o vice não assumisse, seja quem for e esteja onde estiver. Em 1961, a regra não era tão clara. Aliás, era feita para confundir: havia eleição para presidente e também para vice. Os vencedores podiam ser de campos opostos. E, em 1960, foram: Jânio era um salvador-da-pátria de direita, Jango um para-raios de todas as tempestades à esquerda. Quando o presidente deixou o campo após sete meses, seu reserva era de outro time. E o árbitro – nesse caso, as Forças Armadas – não quis que o reserva entrasse.
Menos de um mês depois do golpe, os americanos aprovaram o envio de US$ 1 bilhão para o presidente Castello Branco, o que motivou o Banco Mundial e o FMI a também liberar recursos. Era como se já estivesse tudo acertado.
Um mês e meio antes de ser assassinado em Dallas, Kennedy chamou Lincoln Gordon ao Salão Oval e apertou o botão mais uma vez. O áudio desse encontro foi postado no site da Biblioteca Kennedy e descoberto por Elio Gaspari – parte dele estará na nova edição de A Ditadura Envergonhada. Em 7 de outubro de 1963, o presidente americano quis saber do embaixador o que fazer com seu colega brasileiro. Gordon respondeu que havia dois cenários: Jango podia abandonar o discurso esquerdista e resolver a coisa de modo pacífico. “Ou não tão pacífico: ele pode ser tirado involuntariamente.” Gordon buscou instruções: “Vamos suspender relações diplomáticas, econômicas, ajuda, todas essas coisas? Ou vamos encontrar uma maneira de fazer o que todo mundo faz?” Kennedy pega a bola e mais adiante devolve: “Acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?” Pense naqueles 26 golpes com selo CIA de qualidade.
Gordon desaconselhou uma ação imediata. A não ser que Jango se aproximasse de “velhos amigos” como Brizola. Ficou por isso mesmo. Kennedy morreu e a bola passou para seu sucessor, Lyndon Johnson.
Atolado com a Guerra do Vietnã, Johnson repassou a bola para Thomas C. Mann, novo coordenador da Aliança para o Progresso. E bota coordenador nisso: em 18 de março de 1964 se reuniu com todas as autoridades envolvidas com a América Latina. Desse encontro saiu a Doutrina Mann: os Estados Unidos reconheceriam o governo de qualquer aliado, mesmo sob regime autoritário, contanto que continuasse anticomunista. A definição a poucos dias do golpe era um sinal claro para militares golpistas agirem com segurança, escreveu o New York Times no dia seguinte. Mann, em vez de desmentir, declarou: cada caso era um caso.
O estopim do golpe, no entanto, não veio de Washington, mas do centro do Rio de Janeiro. É lá que fica o Automóvel Clube, onde em 30 de março um Jango em chamas disse a militares aliados que “o golpe que nós desejamos é o golpe das reformas de base, tão necessárias ao nosso país”. Para Jango, as “reformas de base” eram uma bandeira; para a oposição, a aurora do Brasil Soviético. Na mesma noite, chegou a Washington um telegrama afirmando que o golpe aconteceria dentro das próximas 48 horas, partindo de São Paulo ou de Minas Gerais. Foi de Minas: na manhã seguinte, o general Olympio Mourão Filho saiu de Juiz de Fora, dando início ao movimento que derrubaria o presidente.
Só no dia seguinte Jango voou do Rio para Brasília, onde foi informado que o movimento de Minas podia ter conhecimento e o apoio dos EUA. Para muitos, esse alerta explica a falta de resistência de Jango e sua fuga para o Uruguai: ele não quis enfrentar os americanos. Americanos que nem vieram: em 1º de abril, Castello Branco avisou Gordon que as embarcações da Operação Brother Sam, que vinham do Caribe, podiam dar meia volta.
O deputado Rainieri Mazzilli assumiu a presidência interinamente. Mas quem seria o presidente militar? Costa e Silva, ligado à linha dura, quis impor seu nome. Ficou para 1967. Em 1964, deu Castello Branco – para Green, graças à influência americana. Castello tomou posse em 11 de abril, prometendo “entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, ao meu sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma nação coesa”.
Durante os 21 anos de ditadura, Lincoln Gordon a defendeu. Ignorava a censura, a tortura e celebrava o Milagre Brasileiro. Defendeu até o fim que em 1964 o Brasil estava à beira de uma revolução comunista. Nunca se soube por que foi tão fácil para os militares tomar o poder. E talvez nunca se saiba: até hoje não encontraram um gravador no porão do Kremlin.

9999 – Mega Memória – Brasil, 50 anos após o Golpe Militar


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Em março de 1964, quando tropas do Exército foram às ruas derrubar o presidente João Goulart, Dilma Rousseff era uma estudante de 16 anos que se preocupava pouco com política. Aécio Neves era um menino de quatro anos que gostava de brincar com o avô, o então deputado federal Tancredo Neves. Eduardo Campos não tinha nascido, mas se lembra até hoje das histórias que seu avô Miguel Arraes, à época governador de Pernambuco, contava sobre o dia em que foi deposto e levado à prisão pelos militares.
Cinquenta anos depois do golpe de 1964, os três se preparam para disputar a sétima eleição presidencial que o Brasil realiza desde a volta dos militares aos quartéis. É um país diferente, que vive há quase três décadas num regime democrático, em que os governantes são escolhidos pela população em eleições regulares e todo mundo é livre para dizer o que pensa sem medo de ser preso por suas opiniões.
Nos últimos anos, o país foi governado sucessivamente por um professor exilado depois do golpe, Fernando Henrique Cardoso, um líder operário preso na ditadura, Luiz Inácio Lula da Silva, e uma ex-guerrilheira presa e torturada, Dilma. A chegada dessas pessoas ao poder demonstra que a transição do país para a democracia foi exitosa, mas incapaz de pacificar as controvérsias provocadas pelo golpe e pela ditadura inaugurada em 1964.
Milhares de pessoas foram torturadas e centenas foram mortas por se opor ao regime militar, que fechou o Congresso Nacional três vezes e manteve a imprensa sob censura por uma década. Mas os crimes desse período são tratados até hoje como tabu nas Forças Armadas. O governo dos generais modernizou a economia e teve apoio popular nos seus primeiros anos, mas muita gente aceita a contragosto a ideia de que isso tenha ocorrido. Meio século depois, a memória desse tempo ainda incomoda o país.

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Os Fantasmas da Ditadura
Na madrugada de 22 de setembro de 1985, seis meses depois de iniciado o processo de redemocratização do país, o economista Gustavo Buarque Schiller, de 35 anos, abriu a janela do apartamento, em Copacabana, no Rio, e voou para a morte. Formado também em sociologia e filosofia, trabalhava como pesquisador do Estaleiro Mauá e deixou órfã uma filhinha com menos de dois anos.
Seis anos antes, o frei dominicano Tito de Alencar, se enforcava com uma corda jogada sobre o caibro de um galpão em Lyon, na França, assombrado pela imagem do delegado Sérgio Paranhos Fleury, que o havia torturado pessoalmente em São Paulo.
Gustavo, que havia participado do roubo de US$ 2,6 milhões do cofre do ex-governador paulista Ademar de Barros, e Tito, torturado para abrir informações sobre o líder da ALN, Carlos Marighella, não foram os únicos a escancarar a herança mais tenebrosa dos anos de chumbo.
Há ainda uma legião de ativistas que, passados 46 dos anos mais violentos da ditadura brasileira, entre 1969 e 1974, não conseguiu superar os traumas psicológicos causados pelos horrores do cárcere e de sua face mais cruel: a tortura, as execuções sumárias de prisioneiros dominados, sem chances de reação e, para dar requinte à barbárie, os desaparecimentos forçados – crimes imprescritíveis no mundo democrático.
É difícil chegar a um consenso sobre o número de suicídios ocorridos depois da Anistia, em 1979, porque muitos casos são atribuídos a morte natural ou acidental, mas certamente passa de uma dezena. Nos centros de detenção e tortura, dezenas de homens e mulheres que figuram numa lista de desaparecidos cujo número varia ente 150 e 180 militantes simplesmente não resistiram e sucumbiram sem vida nas mãos dos torturadores.
Nas mais de 170 comissões da verdade espalhadas pelo País, militantes que sofreram o peso da ditadura – mas seguem em frente se livrando dos fantasmas através das denúncias – se misturam aos que, ainda frágeis e transtornados, entram em crise de choro na hora de revolver o passado. É como feridas que não cicatrizam.
O drama dos familiares dos desaparecidos é “cruel, desumano e uma fonte permanente de sofrimento e angústia”, escrevem os juízes da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que condenaram o Brasil. Para a entidade, os desaparecimentos, a falta de esclarecimento e de punição dos violadores representa um bloqueio à transição política e um entrave à reconciliação do Estado e de suas Forças Armadas com a sociedade civil.

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5925 – Qual ditador matou mais em todos os tempos?


Em números absolutos, o maior matador foi o ditador chinês Mao Tsé-tung, que mandou nada menos que 77 milhões de compatriotas para o além. Em percentual relativo, o líder mais sanguinário foi o general Pol Pot, que assassinou “apenas” 2 milhões de pessoas – um terço da população do Camboja, país em que ele foi primeiro-ministro entre 1976 e 1979.
A relação abaixo tem como critério básico o total de mortes causadas pela ação ou omissão de líderes com poderes ditatoriais. Isso inclui desde fuzilamentos no paredão até grandes fomes causadas por uma guerra civil, por exemplo. Os números foram coletados pelo cientista político e historiador americano Rudolph J. Rummel, que escreveu quase duas dúzias de livros com informações sobre casos de “democídio” – o nome que Rummel dá ao assassinato de uma pessoa por um governo. Foram muitos, sobretudo nos últimos 100 anos.

Imperatriz Cixi – China (1835-1908) – 12 000 000
Kublai Khan – Mongólia (1215-1294) – 19 000 000
Leopoldo 2º – Bélgica (1835-1909) – 10 000 000
Gêngis Khan – Mongólia (1162-1227) – 4 000 000
Mao Tsé-tung – China (1893 -1976) – 77 000 000
Adolf Hitler – Alemanha (1889-1945) – 21 000 000
Hideki Tojo – Japão (1884-1948) – 4 000 000
Hideki Tojo – Japão (1884-1948) – 4 000 000
Joseph Stalin – URSS (1879-1953) – 43 000 000
Chiang Kai-shek – China e Taiwan (1887-1975) – 10 000 000

3682 – Esporte – Ditadura no Futebol


Naquele 23 de novembro de 1973, no Estádio Nacional de Santiago. Em tese, a equipe da União Soviética deveria estar ali para o jogo de repescagem envolvendo um sul-americano e um europeu. Mas, dois meses antes, o general Augusto Pinochet havia tomado o poder no Chile num golpe de Estado. O presidente esquerdista Salvador Allende morreu durante a ação. Nas semanas seguintes, milhares de pessoas foram presas, torturadas ou mortas (muitas vezes, as 3 opções). O Estádio Nacional servia de campo de concentração improvisado, com uma área de execução no círculo central.
A decisão da vaga para a copa logo se transformou em imbróglio diplomático – maior potência comunista da época, a URSS apoiava o governo socialista de Allende e se recusou a viajar ao Chile de Pinochet. Para sacramentar que foi a URSS quem fugiu da disputa, os chilenos mantiveram o jogo. Num domingo ensolarado, o Estádio Nacional teve seus prisioneiros retirados e cerca de 20 mil torcedores ocuparam as arquibancadas. A “partida” durou apenas até o “gol”. Em janeiro de 1974, a Fifa oficializou a vaga chilena numa votação especial. Na copa, o Chile não se deu bem. Perdeu um jogo, empatou dois e foi eliminado. A jornada da seleção acabou aí. O mandato de Pinochet se estenderia até 1990.
A meta nazista de provar sua superioridade racial através dos esportes ficou mais próxima quando a Alemanha anexou a Áustria meses antes da Copa de 1938. A seleção austríaca era uma das melhores da época e seus atletas atuariam pela Alemanha. Mas Matthias Sindelar, maior craque austríaco de todos os tempos, se recusou a jogar para Hitler. O supertime fracassou e Sindelar passou a ser perseguido como “simpatizante de judeus”. Em 1939, foi encontrado morto. A causa mortis jamais foi explicada.
A ditadura militar que se instalou na Argentina, em 1976, tomou conta também da copa de 1978. Encarregado da organização, o general Omar Actis foi morto num atentado atribuído ao almirante Carlos Alberto Lacoste, seu substituto no cargo. Entre ameaças de boicote (a única concretizada foi do holandês Cruyff), a copa foi realizada e terminou em polêmica: após a Argentina vencer o Peru por 6 a 0, surgiram denúncias de suborno que envolveriam o envio de 35 milhões de toneladas de grãos ao país rival.
Como presidente da federação do Kuwait, o xeque Fahid Al-Ahmad Al-Sabah entrou para a história do futebol ao invadir o gramado e forçar o árbitro a anular um gol da França contra sua equipe na Copa de 1982. Seu fim viria pela vingança de um ditador. Em 1990, Saddam Hussein invadiu o Kuwait e, por isso, o Iraque foi banido do Comitê Olímpico Internacional. Em represália, Saddam ordenou a tomada do Comitê Olímpico do Kuwait, do qual Fahid também era presidente, e matassem quem lá estivesse. O xeque, inclusive.
“Levei 4 gols, mas salvei 11 vidas.”
Do goleiro húngaro Antal Szabo, após a derrota por 4 a 2 para a Itália na final da Copa de 1938. Antes da partida, repetindo o que fez na final de 1934, o ditador fascista italiano Benito Mussolini mandou aos jogadores de sua seleção a sinistra mensagem “Vençam ou morram”. E ele não falava em sentido figurado.

2481-Sociedade- Lágrimas não lavam o sangue


Sob um regime ditatorial no Camboja que durou de 1928 a 1998, mais de 1,7 milhão de pessoas foram assassinadas. Em uma antiga escola secundária convertida em campo de matança, recebeu 14 mil homens, mulheres e crianças e apenas 7 prisioneiros saíram de lá com vida. O comandante Duch, preso em 2007, não negava sua culpa pelas atrocidades, mas afirmou que se arrepende e hoje acrescenta as suas lágrimas ao sangue dos mortos. Em 2008, chorou diante de uma câmera de vídeo ao implorar o perdão daqueles que torturou e matou. Escapou do Camboja em 1979 e viveu refugiado e com outra identidade na China e Tailândia, mas se entregou as autoridades após revelar a sua verdadeira identidade numa entrevista. No julgamento de 2007 revelou seu métodos cruéis de tortura. Mas que tipo de justiça é possível agora? Uma das testemunhas tinha 15 anos quando viu soldados forçar seus vizinhos a cavar os buracos em que seriam enterrados vivos.

2170-Ditadura Militar – “Brasil, ame-o ou deixe-o” – Semana da pátria / 1970


Nos anos 70, quando se vivia no Brasil uma época denominada de “sufoco”, com universidades policiadas e liberdades públicas mutiladas, a direita nacional provocava os descontentes com tais Slogans. Milhões de pessoas detestavam o regime tirânico que originou essas campanhas, porém não deixavam o país. Hoje, os motivos para deixar o país são econômicos. O regime ditatorial foi quebrado com a anistia de 1979 e o regime militar chegou ao final em 1985 O Canadá tem uma lei de imigração liberal e permitiu a entrada legal de mais de 2 mil brasileiros desde 1980. O governo assegura cursos de idioma de graça. EUA – Ainda é o país mais procurado, a cada ano aumenta o número de vistos, que pode demorar até 4 anos. Portugal – A língua, o boom econômico e a dispensa do visto de turista já atraíram dezenas de milhares de pessoas França – Refúgio histórico de brasileiros, com mais de 2 mil no país, tem hoje uma emigração dificultada. Espanha – O número de vistos tem crescido, a facilidade da língua atrai, mas trabalho é difícil. Itália e Nova Zelândia são também países muito procurados.