13.349 – Medicina – Aparelho quase igual ao pâncreas chega ao país


pancreas artificial
O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde. Significa que 8,9% da população sofre da doença — eram 5,5% em 2006. Ao todo, estima-se que há mais de 14 milhões de homens e mulheres vivendo com diabetes e, a cada ano, surgem 60 mil novos casos no país.
Assegurar que os níveis de glicose no sangue estejam sempre adequados é um desafio para a maioria desses pacientes. A hipoglicemia (queda drástica destas taxas de açúcar no sangue), por exemplo, pode levar à perda de consciência, convulsões e, em casos mais graves, ao óbito. A boa notícia é que agora eles poderão contar com uma novidade: a primeira bomba de infusão de insulina (equipamento computadorizado e portátil), com liberação contínua do hormônio em pacientes diabéticos que, pela primeira vez, é capaz de suspender o hormônio antes do episódio de hipoglicemia– evitando, assim, até 75% destes casos.
De tamanho de um celular, o aparelho é o primeiro no país a, automaticamente, suspender a infusão de insulina quando prevê uma crise de hipoglicemia e a reiniciar a administração do hormônio quando a taxa de glicose volta a atingir um nível seguro. “Sem dúvida é um passo à frente para um dia chegarmos no caminho do pâncreas artificial”, observa Freddy Eliaschewitz, endocrinologista.
Já existem bombas de insulina no Brasil. Essa, no entanto, é a primeira de circuito fechado, ou seja: o glicosímetro (que mede o nível de glicose, ou açúcar no sangue) e a bomba de insulina (que libera a insulina na corrente sanguínea) estão no mesmo sistema e se “comunicam”. O glicosímetro avisa a bomba de insulina o quanto de insulina o corpo está precisando, ou se é necessário interromper a entrega da mesma, evitando o episódio de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue), que pode causar desmaios, coma e até levar a óbito.

Dispositivo:
Fabricado pela irlandesa Medtronic, a bomba MiniMed 640G libera insulina através de um pequeno tubo e uma cânula (conhecidos como conjunto de infusão), colocada sob a pele do paciente. Com uma espécie de dispositivo inovador, o sistema imita a forma como um pâncreas saudável fornece insulina ao corpo.
Com base nos valores de glicose enviados pelo sensor a cada cinco minutos,durant 24 horas por dia, a tecnologia SmartGuard do sistema MiniMed640 consegue prever, com 30 minutos de antecedência, quando o nível de glicose do paciente estará próximo do limite mínimo e, assim, interrompe automaticamente a administração de insulina.
Totalmente personalizável, o novo dispositivo possibilita ao paciente configurar múltiplos limites ao longo do dia, de acordo com suas necessidades individuais, proporcionando conforto e mais proteção contra a hipoglicemia. Quando o nível de glicose no sangue diminui ou aumenta fora dos parâmetros, um alarme de advertência é ativado.
Pessoas de todas as idades com diabetes de tipo 1 ou tipo 2 podem usar a bomba de infusão de insulina. No entanto, um médico deve aconselhar sobre o melhor tratamento para cada paciente.
O Brasil é o terceiro país da América Latina, além do México e Colômbia, a disponibilizar a tecnologia.

12.447 – Medicina – Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos


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Um disco ultrafino de polímero, pouco maior do que um CD, implantado no abdômen poderia mudar a vida de milhões de diabéticos que dependem de insulina. O pâncreas bioartificial, desenvolvido por pesquisadores franceses, será testado pela primeira vez em humanos em 2016.
Com o dispositivo, os pacientes não terão mais de receber injeções diárias de insulina: o hormônio será fabricado naturalmente pelas células do pâncreas (obtidas por engenharia genética a partir de células-tronco), dispostas dentro do bolso artificial.
Este projeto, cuja aplicação em grande escala não deve ocorrer antes de 2020, “levanta muitas esperanças e expectativas” para 25 milhões de pessoas com diabetes do tipo 1 em todo o mundo, diz Séverine Sigrist, pesquisadora da start-up francesa Defymed, responsável pelo protótipo.
A ideia de um pâncreas bioartificial foi inspirada na técnica de transplante de células pancreáticas, destinadas a suprir a deficiência do pâncreas e fazer com que o organismo passe a fabricar a insulina por conta própria, regulando assim a quantidade de açúcar no sangue. O problema dessa técnica é que, com a escassez de células para transplante, ela só pode beneficiar uma pequena minoria de doentes. Ela também exige o tratamento com medicamentos imunossupressores, que trazem vários efeitos colaterais.
“Daí a ideia de projetar um tipo de uma pequena caixa dentro da qual seriam colocadas as células pancreáticas, para que elas fiquem abrigadas contra o ataque do sistema imunológico”, diz Séverine.
O desafio foi projetar uma membrana semipermeável, que garanta tal proteção ao mesmo tempo em que permita a passagem da insulina e também dos açúcares, para que as células pancreáticas “saibam” o quanto de insulina devem produzir.
O disco de polímero será implantado no abdômen durante uma pequena cirurgia, e deve ser substituído a cada 4 ou 6 anos. No interior, as células pancreáticas serão renovadas, por meio de uma injeção subcutânea, a cada 6 ou 12 meses. Os pesquisadores observam que essa quantidade de injeções não tem nem comparação com o tanto de picadas que um paciente que depende de insulina tem que levar ao longo da vida.
20 anos de pesquisa
O desenvolvimento dessa membrana levou mais de 20 anos de pesquisa e 6 milhões de euros. O valor corresponde ao imenso potencial econômico da inovação, estimado em 4 bilhões de dólares.
Depois de testes em animais, um estudo com 16 voluntários deverá começar no fim de 2015 ou início de 2016, em Montpellier, no sul da França e em Oxford, no Reino Unido. Os primeiros resultados devem estar disponíveis no final de 2017.
Se for bem-sucedido, o tratamento poderá libertar os diabéticos do “fardo” que representa o tratamento diário com insulina, diz o médico Michel Pinget, diretor do Centro Europeu para o Estudos da Diabetes (CEED), que lidera o projeto em Estrasburgo.
“Quando você é diabético, gosta de toda novidade que possa melhorar o cotidiano”, diz Éric Dehling, presidente da associação Insulib, que reúne mais de uma centenda de pacientes do leste da França. Para ele, as novas tecnologias, como as canetas e as bombas de insulina, já melhoraram a vida dos diabéticos. Mas o pâncreas bioartificial permite que eles sonhem com uma “qualidade de vida ainda melhor”.

12.217 – Novo tratamento com células tronco “desliga” diabetes tipo 1


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Quem tem diabetes tipo 1 e precisa usar injeções de insulina não vê a hora de surgir um tratamento novo para a doença. Afinal de contas, essa forma de terapia não avançou muito nas últimas décadas. Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) trazem uma ótima notícia: um estudo mostra que células beta produtoras de insulina feitas a partir de células tronco humanas podem “desligar” a diabetes em ratos por até seis meses.
No pâncreas de uma pessoas saudável, conjuntos de células beta produzem insulina para balancear os níveis de açúcar no sangue. Quem tem o tipo 1 da doença tem essas células atacadas pelo próprio sistema imunológico e não consegue produzir o hormônio. Assim, esta é uma doença autoimune e atualmente incurável.
Em 2014, uma pesquisa anterior, da Universidade de Harvard (EUA), conseguiu criar novas células beta a partir das células tronco humanas. Essas células funcionaram perfeitamente em ratos diabéticos, mas logo o sistema imunológico deles destruía as células, assim como havia feito originalmente.
Avanço
Os pesquisadores do Instituto decidiram então tentar esconder as novas células beta do sistema imunológico do paciente. Para fazer isso, eles usaram cápsulas feitas de alginato, material que vem das algas marrons, para proteger as células. O escudo, porém, não durava muito tempo e logo era atacado.
“Fizemos variações de alginato ao anexar diferentes pequenas moléculas à cadeia maior”, explica o pesquisador principal, Arturo Vegas. A equipe esperou que pelo menos uma das 800 variações poderia camuflar as células beta do sistema imunológico.
Por sorte, uma variante mostrou-se eficaz tanto em ratos quanto em primatas, e as novas células beta começaram a produzir insulina apenas alguns dias depois do transplante. Os níveis de açúcar no sangue dos animais continuaram normais por 174 dias.
O próximo passo é testar a técnica em humanos, mas isso só deve acontecer depois de mais testes em outros primatas. Se tudo der certo (e torcemos para que dê), injeções de insulina podem se tornar uma coisa do passado.

12.216 – Diabetes – Causa e a cura da diabetes podem estar na sua barriga


diabetes

Segundo um novo estudo, ter o tipo errado de bactérias intestinais pode ajudar a causar diabetes tipo 1. Porém, uma forma geneticamente modificada de um micróbio encontrado em alguns produtos lácteos poderia induzir as células do intestino a produzir insulina.
A descoberta, feita por cientistas do Massachusetts General Hospital, em Boston, Estados Unidos, de que “as bactérias erradas” podem produzir diabetes tipo 1 vem de uma análise de 3 anos de 33 crianças finlandesas geneticamente consideradas mais propensas à doença.
Aos 3 anos, quatro dessas crianças tinham desenvolvido diabetes, em função da qual o corpo não consegue regular a glicose no sangue, já que não produz o hormônio insulina. O pesquisador Ramnik Xavier e sua equipe descobriram que elas tinham uma faixa mais estreita de bactérias em seus intestinos do que as outras crianças: normalmente em torno de 25% menos espécies.
As quatro crianças também tinham mais das espécies que são conhecidas por provocar inflamação do intestino, um possível prelúdio para diabetes tipo 1, em que o sistema imunológico do organismo produz erroneamente anticorpos que atacam e destroem as células beta do pâncreas, que normalmente fazem insulina.
Embora apenas quatro das crianças tenham desenvolvido diabetes durante o estudo, 11 tinham começado a produzir esses autoanticorpos. “Isso pode significar que, mesmo que os autoanticorpos estejam começando a ser feitos, é necessário um segundo fator ou sinal para levar os pacientes a desenvolverem a diabetes tipo 1, e a mudança no microbioma pode ser a culpada”, explica Xavier.
Isto significa que manter o microbioma estável pode ser uma forma de prevenir a doença. “Se você sabe o que os micróbios importantes fazem, você pode conseguir pensar em coquetéis de medicamentos contra esses micróbios ou seus metabólitos para manter a doença sob controle”, diz.
Imitando o pâncreas
Um tratamento potencial poderia ser com bactérias projetadas por uma equipe independente em Nova York. John March, da Universidade de Cornell em Ithaca, e sua equipe pegaram a bactéria Lactobacillus gasseri, que é encontrada em alguns iogurtes probióticos, e a equiparam com um gene humano para um hormônio chamado peptídeo similar ao glucagon tipo 1 (também conhecido por sua sigla em inglês GLP-1). Nos intestinos de ratos diabéticos, eles descobriram que o GLP-1 fazia com que algumas células se tornassem mais similares àquelas que fabricam insulina no pâncreas.
A insulina que estas células produziram atuou nos níveis de açúcar no sangue do mesmo modo que aquela fabricada pelo pâncreas. “Isso move o centro de controle da glicose do pâncreas para o intestino”, afirma March.
Depois de receber as bactérias diariamente por três meses, os níveis de glicose nos ratos diminuíram em 30%, em comparação com o grupo de controle. Após as refeições, esses ratos conseguiam reduzir os seus níveis de glicose no sangue tão rápido quanto ratos com um pâncreas saudável, enquanto as bactérias não tiveram impacto sobre a glicemia quando administradas a ratos saudáveis – o que sugere que a bactéria só incita a produção de insulina no intestino se o pâncreas do hospedeiro não estiver funcionando corretamente.
March está otimista de que os lactobacilos também vão funcionar em humanos, porque culturas de bactérias de laboratório foram expostas a células intestinais humanas saudáveis e também se transformaram em células produtoras de insulina.
O objetivo é desenvolver uma pílula contendo as bactérias que as pessoas com diabetes dos tipos 1 e 2 possam tomar diariamente. Segundo March, o medicamento poderia estar disponível dentro de dois anos.

10.680 – Células Tronco – Produtoras de insulina para tratar diabetes


células tronco

Uma nova técnica criada por cientistas da Universidade Harvard obteve células humanas produtoras de insulina em quantidade suficiente para serem, um dia, usadas em transplantes para tratar diabetes tipo 1.
Liderados por Doug Melton, cujos filhos têm a doença, os pesquisadores partiram de células-tronco embrionárias ou células-tronco de pluripotência induzida (que não requerem o uso de embriões) para obter células do pâncreas maduras e sensíveis à glicose, de modo a produzir a insulina necessária para o organismo.
Trabalhos anteriores já tinham conseguido fazer as chamadas células beta em laboratório, mas não com essa sensibilidade nem nos números necessários para uso em transplante, afirma a equipe em artigo na revista “Cell”.
As células, no entanto, só foram testadas em roedores. Segundo Melton, experimentos em primatas não humanos estão em andamento. Ele espera realizar transplantes das células em humanos em poucos anos.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, na qual o próprio organismo destrói as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir a insulina, que regula os níveis de glicose em circulação.
Os transplantes de células do pâncreas de doadores mortos já são usados em pequena escala, mas requerem o uso de remédios contra o ataque do sistema imune.
No caso das células obtidas pela equipe de Harvard, isso também seria necessário, mas a ideia é inserir cerca de 150 milhões delas no corpo dos doentes envoltas em uma cápsula, protegidas do ataque do sistema imune.

10.286 – Medicina – Cientistas criam ‘pâncreas artificial’ para controlar diabetes tipo 1


Um dispositivo portátil que funciona como um pâncreas artificial se mostrou eficaz em controlar o diabetes tipo 1 em adultos e jovens com a doença. Segundo os pesquisadores que desenvolveram a tecnologia, a técnica é mais prática e segura do que as disponíveis atualmente para tratar o problema.
Pessoas com diabetes tipo 1 não produzem quantidades suficientes de insulina, hormônio secretado pelo pâncreas responsável por tirar a glicose da corrente sanguínea. Atualmente, o controle da doença pode ser feito com injeções diárias de insulina ou bombas que liberam o hormônio conforme sua programação. No entanto, ambas as técnicas exigem que o paciente monitore os seus níveis de açúcar várias vezes ao dia para que não sofra uma hipoglicemia (pouco açúcar no sangue).
O novo dispositivo, criado por pesquisadores da Universidade de Boston e do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, é diferente de outras tecnologias que tentam copiar a ação do pâncreas.
Segundo os especialistas, o aparelho controla a taxa de açúcar no sangue do paciente em tempo real. Além disso, secreta, afora a insulina, outro hormônio: o glucagon, que neutraliza a ação da insulina e que pode ser liberado caso a taxa de açúcar no sangue do paciente diminua demais. Essas duas ações ajudam a prevenir a hipoglicemia.
“Esse ‘pâncreas biônico’ assume completamente o controle da taxa de açúcar no sangue. É uma solução autônoma”, disse Edward Damiano, professor de engenharia biomédica da Universidade de Boston e um dos autores do estudo, à rede americana CBS.
O ‘pâncreas biônico’ é formado por um pequeno sensor inserido sob a pele de um lado do abdome do paciente. Esse sensor mede os níveis de glicose no sangue e envia essa informação a um smartphone adaptado.
O aparelho, a partir desses dados, calcula a quantidade de insulina ou glucagon que deve ser secretada. Os hormônios são administrados por duas pequenas bombas ligadas a tubos finos que são inseridos sob a pele do outro lado do abdome do paciente.
Os testes do dispositivo foram feitos em 20 adultos e 32 adolescentes com diabetes tipo 1. Todos usaram a tecnologia durante cinco dias seguidos. Os resultados foram publicados neste domingo na revista The New England Journal of Medicine.
Os pesquisadores concluíram que a tecnologia monitora a taxa de açúcar no sangue de forma mais eficaz do que se os pacientes controlassem esses níveis por conta própria. O uso da tecnologia reduziu em 37% a necessidade de intervenções para combater a hipoglicemia e cortou pela metade o tempo de duração de um episódio do problema em adultos. De maneira geral, os pacientes demonstraram melhora nos níveis de glicose no sangue com o uso do dispositivo.
Embora vejam os resultados como muito positivos, os pesquisadores dizem que precisam testar o dispositivo em um número maior de pacientes. Se os efeitos forem comprovados, eles poderão pedir aprovação para o órgão regulatório americano, o Food and Drug Administration (FDA).

8595 – Genoma já traz benefícios – Descoberto mecanismo que regula células de defesa


Cientistas australianos conseguiram identificar o mecanismo responsável por controlar a quantidade de células presentes no sistema imunológico. De acordo com o estudo, publicado neste domingo no periódico Nature Immunology, entender como o organismo regula o volume dessas células pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos novos e mais eficazes para doenças autoimunes, como o lúpus e o diabetes tipo 1.
O controle do sistema imunológico está relacionado às células T — as responsáveis pela resposta do organismo a infecções e corpos estranhos. Um tipo específico dessas células, as células T reguladoras, é imunossupressor, ou seja, pode “desligar” a resposta imunológica. Esse processo é importante porque evita que o sistema imunológico ataque tecidos do próprio organismo — o que ocorre nas doenças autoimunes, como lúpus.
Por isso, a redução significativa na quantidade de células T reguladoras está relacionada ao surgimento de doenças e inflamações. Sem essas células, o sistema imunológico acaba por responder de forma exagerada e ataca o próprio organismo. Por outro lado, uma concentração excessiva das células T faz com que o organismo não consiga combater as infecções de forma efetiva.

Pesquisa
Os cientistas Daniel Gray e Antonia Policheni, do Instituto de Pesquisa Médica Walter e Eliza Hall, na Austrália, descobriram que as células T reguladoras são constantemente produzidas pelo organismo. Sua quantidade, no entanto, é regulada por um processo de morte celular conhecido como apoptose. É pela apoptose que as células defeituosas e as em excesso são removidas do organismo.
Os pesquisadores descobriram que as proteínas da família Bcl-2 regulam a morte das células T reguladoras, que são capazes de “desativar” a resposta imunológica. Uma redução significativa na quantidade de células T reguladoras está relacionada ao surgimento de doenças autoimunes e inflamações, pois sem elas o sistema imunológico responde de forma exagerada. Por outro lado, uma concentração excessiva dessas células faz com que o organismo não consiga combater as infecções de forma efetiva.
A decisão entre a vida e a morte dessas células é controlada por uma família de proteínas denominadas Bcl-2. “A morte das células T reguladoras depende da atividade de duas proteínas da família Bcl-2, denominadas Mcl-1 e Bim. Sem a Mcl-1, a quantidade de células T reguladoras cai, o que pode causar uma doença autoimune. Sem a Bim, as células T reguladoras se acumulam em quantidades muito elevadas”, explica Gray.
Segundo os pesquisadores, a descoberta pode abrir novas possibilidades para o controle da quantidade dessas células no organismo. “Se um agente que pode influenciar a sobrevivência das células T reguladoras for desenvolvido, poderíamos ter novas formas de tratar doenças autoimunes, aumentando a quantidade dessas células, ou aumentar uma resposta imunológica benéfica, silenciando as células T reguladoras”, afirma Liston.

8467 – Teste de vacina contra diabetes tipo 1 é bem-sucedido


Uma equipe de pesquisadores parece ter conseguido desenvolver uma vacina capaz de domar o sistema imunológico de uma pessoa de forma a evitar que ele passe a atacar e destruir as células que produzem insulina – quadro que caracteriza o diabetes tipo 1. Ainda em testes iniciais, a vacina, caso prove ser eficaz e segura em estudos futuros, poderá ser a solução para retardar ou até mesmo evitar a doença. As descobertas foram publicadas no periódico Science Translational Medicine.
A vacina desenvolvida parece ter preservado células produtoras de insulina em pacientes com diabetes tipo 1. Ao mesmo tempo, reduziu o número de células do sistema imunológico que atacam as células produtoras de insulina em pessoas com a doença.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, que ocorre quando o sistema imunológico do paciente passa a atacar o próprio organismo. No caso dessa condição, o sistema de defesa reconhece como inimigo e ataca células que produzem a insulina, hormônio que ajuda a glicose a sair da corrente sanguínea e entrar nas células, controlando a taxa de açúcar no sangue. Pessoas com essa doença precisam controlar seus níveis de glicose várias vezes ao dia, além de repor a insulina no organismo.
A busca por uma vacina que consiga controlar o sistema imunológico e evitar que ele ataque essas células não é algo recente. Segundo esse novo artigo, cientistas estudam uma forma de tornar isso possível há mais de 40 anos. Na maioria das tentativas, o que ocorreu foi que a terapia atacou todo o sistema de defesa do indivíduo, fragilizando a saúde do paciente e o tornando mais propenso a outras doenças, como o câncer, por exemplo.
A nova pesquisa foi feita por especialistas de instituições como a Universidade Leiden, na Holanda, e a Universidade Stanford, Estados Unidos. Segundo os autores, a vacina desenvolvida por eles é feita a partir de um pedaço de DNA geneticamente modificado para conter a resposta imunológica à insulina. A vacina foi criada para destruir apenas as células do sistema imunológico que são prejudiciais, deixando o restante do sistema de defesa intacto.
O teste da vacina envolveu 80 pessoas maiores do que 18 anos com diabetes tipo 1 que faziam tratamento com injeções de insulina. Parte delas recebeu doses dessa vacina e o restante, de placebo. Após 12 semanas recebendo uma dose de vacina ou placebo semanalmente, os pacientes do grupo da vacina ativa apresentaram sinais de que seu corpo estava preservando algumas das células produtoras de insulina no pâncreas sem efeitos adversos. Além disso, a nova vacina diminuiu o número de células do sistema de defesa responsáveis por matar as produtoras de insulina.
Lawrence Steinman, um dos autores do estudo, admite que a vacina está longe de ser comercializada, mas acredita que esses resultados são suficientes para que um estudo maior em torno do tratamento seja realizado futuramente. A ideia é que a vacina seja testada em 200 pessoas com diabetes tipo 1 para avaliar se ela pode parar a progressão da doença em pacientes jovens antes mesmo de a condição ter causado um dano maior à saúde.

7784 – Medicina – Excesso de sal causa doença autoimune em roedores


O consumo elevado de sal pode ser o culpado pelas taxas crescentes de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, afirmaram pesquisadores em três novos trabalhos publicados na revista especializada “Nature”.
Os cientistas investigaram o papel de uma classe específica de células relacionadas a inflamações.
O estudo indica que dietas ricas em sal aumentaram os níveis de um tipo de célula do sistema imune que é relacionada a doenças autoimunes.
Nos testes, ratos geneticamente modificados para desenvolverem esclerose múltipla ficaram muito piores quando ingeriram uma quantidade de sal que seria a semelhante a uma dieta ocidental com muito sal, em comparação com roedores que tinham uma ingestão mais moderada de sal.
Os resultados sugerem que o sal possa ter um papel no desencadeamento de doenças autoimunes em pessoas previamente dispostas, como a própria esclerose múltipla e a diabetes tipo 1, que não era conhecido anteriormente.
O consumo elevado de sal já é conhecidamente um fator que aumenta as chances de problemas cardíacos e de hipertensão.
Hafler ficou interessado em estudar o link entre o sal e doenças autoimunes através de estudos do microbioma intestinal, um censo dos micróbios e das funções celulares de cem indivíduos saudáveis.
O grupo identificou que, quando as pessoas no estudo iam a restaurantes de fast food mais do que uma vez por semana, havia um incremento nos níveis de células inflamatórias destrutivas, que são produzidas pelo sistema imune para responder a um ferimento ou a invasores externos, mas que, em doenças autoimunes, atacam também os tecidos saudáveis.
Ele compartilhou sua descoberta com pesquisadores de Harvard, do MIT e outros colegas, que também buscavam fatores de indução das atividades de um tipo de célula autoimune conhecida como Th17.
As células Th17 podem promover inflamações que são importantes para combater patógenos, mas que também são relacionadas a doenças como esclerose múltipla, psoríase e artrite reumatoide. O tratamento para alguma dessas doenças, como a psoríase, inclui a manipulação da função da célula Th17.

7623 – Medicina – Esperança para os diabéticos


Há tempos, os médicos sabem que diabetes é provocado por uma reação injusta do sistema imunológico, que destrói as chamadas células beta do pâncreas como se fossem inimigas. Na verdade são elas que produzem a insulina, um hormônio essencial para as células absorverem a glicose. Agora parecem ter encontrado um culpado: o glutamato descarboxíase, uma proteína conhecida como GAD.
Observando ratos com predisposição genética à doença, notou-se que eles tinham molécula de GAD na região do pâncreas. Sob determinado ângulo, tais moléculas se assemelham a um vírus que ataca o órgão. Por isso, as células de defesa partem para o ataque. A intenção inicial seria destruir os supostos vírus, mas depois elas atacam as células beta em que os falsos inimigos se alojam. Injetou então GAD nos ratos antes que os primeiros sinais da doença se manifestassem. A idéia era ensinar o sistema imunológico a reconhecer essa proteína e parece ter dado certo porque nenhum dos bichos desenvolveu a moléstia.

Um Pouco +
Glutamato descarboxilase ou descarboxilase do ácido glutâmico (DAG) (também GAD do inglês glutamic acid decarboxylase) é uma enzima que cataliza a descarboxilação do glutamato para AGAB e CO2. A DAG usa o fosfato de piridoxal como cofator. A reação processa-se como segue:
HOOC-CH2-CH2-CH(NH2)-COOH → CO2 + HOOC-CH2-CH2-CH2NH2

Nos mamíferos a DAG existe em duas isoformas codificadas por dois genes diferentes – Gad1 e Gad2. Estas isoformas são a DAG67 e a DAG65 com pesos moleculares de 67 e 65 kDa, respetivamente. GAD1 e GAD2 são expressas no cérebro onde o AGAB é usado como neurotransmissor, e a GAD2 é também expressa no pâncreas.
Tanto a DAG67 como a DAG65 são alvo de autoanticorpos em pessoas que posteriormente desenvolvem diabetes mellitus tipo 1 ou diabetes auto-imune latente.
Mostrou-se que injecções de GAD65 preservam alguma produção de insulina durante 30 meses em humanos com diabetes tipo.

Esquizofrenia e distúrbio bipolar
Na esquizofrenia e distúrbio bipolar é observada uma desregulação substancial da expressão do ARNm da DAG acoplada com com a sub-regulação da reelina. Para os dois distúrbios a sub-regulação da GAD67 mais pronunciada foi encontrada no stratum oriens do hipocampo e em outras camadas e estruturas do hipocampo em grau variável.
Alteração por fármacos
A pregabalina, um fármaco antiepilético, aumenta os níveis de AGAB neuronal ao causar um aumento da atividade da glutamato descarboxilase dependente da dosagem.

Escola Paulista de Medicina

6429 – Medicina – Estudo associa diabetes tipo 1 a maior risco de distúrbios da tireoide


Crianças com diabetes tipo 1 enfrentam maior risco de terem bócio e autoimunidade tireoidiana, segundo estudo iraniano apresentado em setembro no Congresso Internacional da Tireoide. Por essa razão, os pesquisadores da Universidade de Ciências Médicas de Isfahan defendem que a avaliação da função da tireoidiana e o exame da tireoide sejam realizados em crianças com a doença metabólica.
A prevalência de distúrbios da tireoide, como bócio, nódulos, problemas autoimunes e disfunção da tireoide, é pouco investigada em crianças com diabetes tipo 1, embora se saiba que esses problemas são comuns em adultos com essa doença. Para avaliar essa relação em crianças, os pesquisadores selecionaram 100 pacientes pediátricos com diabetes tipo 1 atendidos no Centro de Pesquisas de Endocrinologia e Metabologia de Isfahan e 184 crianças saudáveis, pareados com os primeiros por idade e sexo.
Examinando os participantes para a presença de bócio e realizando testes da função tireoidiana, além de medir os níveis de anticorpos antitireoperoxidase (Anti-TPO Ab) e anticorpos antitireoglobulina (Anti-TG Ab), os pesquisadores descobriram que ambos os grupos apresentavam a mesma prevalência de hipotireoidismo subclínico (18%). Entretanto, os pacientes diabéticos tinham menor frequência de bócio (21%, contra 38%), e maior prevalência de autoimunidade tireoidiana (22%, contra 8%), de positividade para TPO Ab (19,3%, contra 5,3%) e de positividade para TG Ab (11%, contra 6,4%), comparados ao grupo controle.
Em publicação do congresso, os pesquisadores destacaram que o fato de os diabéticos terem autoimunidade tireoidiana estava associado a uma propensão muito maior a terem disfunção da tireoide. E não foi observada associação entre idade, sexo, duração do diabetes e HbA1C com as concentrações séricas de Anti-TPO Ab e de Anti-TG Ab nesse grupo. “Nossos resultados demonstram a alta prevalência de autoimunidade da tireoide e de disfunção da tireoide em pacientes com diabetes mellitus tipo 1, e a necessidade de testes regulares da função da tireoide e dos anticorpos nesses pacientes”.