13.059 – Meio Ambiente – Mata Atlântica perde 184 km² em um ano por desmatamento


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A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram os novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
O estudo aponta desmatamento de 18.433 hectares (ha), ou 184 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2014 a 2015, um aumento de apenas 1% em relação ao período anterior (2013-2014), que registrou 18.267 ha.
Minas Gerais, que vinha de dois anos de queda nos níveis de desmatamento, voltou a liderar o desmatamento no país, com alta de 37% na perda da floresta. A mineração foi a principal responsável pela baixa no estado.
O rompimento da barragem da Samarco, em novembro passado, respondeu por 65% do desmatamento de 258 hectares na cidade de Mariana. Porém, a maior parte do total de desmatamento no estado aconteceu na região de Jequitinhonha, no noroeste do estado, denominado Triângulo do desmatamento.
A vice-liderança fica com a Bahia, com 3.997 ha desmatados, 14% a menos do que o período anterior. Já o Piauí, campeão de desmatamento entre 2013 e 2014, ocupa agora o terceiro lugar, após reduzir o desmatamento em 48%, caindo de 5.626 ha para 2.926 ha. Os três estados se destacam no ranking por conta do desmatamento identificado nos limites do Cerrado.
Além de Minas Gerais, Piauí e Bahia, o Paraná também se encontra em estado de atenção. Enquanto os três primeiros lideram a lista geral, o Paraná foi o que apresentou o aumento mais brusco, saltando 116%, de 921 ha de florestas nativas entre 2013-2014 para 1.988 ha no último período.
O retorno do desmatamento nas florestas com araucária é o principal ponto de alerta, responsável por 89% (1.777 ha) do total de desflorestamento no estado paranaense no período. Restam somente 3% das florestas que abrigam a Araucaria angustifolia, espécie ameaçada de extinção conhecida também como pinheiro brasileiro.
Nesta edição, todos os 17 Estados apresentaram desmatamento. Enquanto o período anterior trouxe 9 estados no nível do desmatamento zero, ou seja, com menos de 100 hectares de desflorestamento, nesta edição há apenas 7 nesta situação: São Paulo (45 ha), Goiás (34 ha), Paraíba (11 ha), Alagoas (4 ha), Rio de Janeiro (27 ha), Ceará (3 ha) e Rio Grande do Norte (23 ha).

10.368 – Ecologia – Metade das florestas tropicais do planeta já desapareceram


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A humanidade conquistou um progresso impressionante nas últimas gerações: as pessoas vivem mais, menos crianças morrem, a extrema pobreza está dimuindo e o ensino e a educação estão pouco a pouco, se tornando direitos universais.
Todavia, na área ambiental, não há motivo para celebração. Estamos emitindo cada vez mais gases de efeito estufa e com isso o planeta está mais e mais quente. O resultado direto deste comportamento é a perda irreparável de espécies da fauna e da flora e da degradação de diversos biomas.
O texto acima está no prefácio do relatório State of the Rainforest 2014, divulgado agora em setembro, na Noruega. Esta é a terceira edição do documento, publicado pela Rainforest Foundation Norway, e que utiliza informações de organizações e comunidades locais do mundo todo para analisar as condições das florestas tropicais do planeta.
O relatório norueguês aponta, entretanto, divergências entre os números calculados por suas duas principais fontes, que utilizaram diferentes metodologias e tecnologias: o Global Forest Resources Assessment, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), de 2010, e o levantamento da Universidade de Maryland, de 2013. De acordo com o primeiro, 130 mil km2 de florestas são perdidas por ano no planeta, a maior parte delas nos trópicos. Já a universidade americana afirma que seriam 92 mil km2.
Mesmo não havendo consenso sobre o número exato, ambas instituições concordam que a destruição atingiu um nível alarmante. Segundo os pesquisadores de Maryland, somente 1,1 milhão de km2 desapareceu entre os anos de 2000 e 2012. Para efeito de comparação, seria o mesmo que três Noruegas tivessem simplesmente sumido do mapa.
Apesar de ocuparem apenas 6% da superfície terrrestre, em regiões equatoriais da América, África, Sudeste da Ásia e Oceania, as florestas tropicais têm papel importantíssimo para a regulação do clima, o equilíbrio ambiental de biomas e a sobrevivência de muitas comunidades. Mas a crescente destruição destas áreas continua, apesar do tema ter se tornado foco principal em várias discussões e encontros globais, e da ciência já ter provado a importância destes ecossistemas para a mitigação do aquecimento global.
No passado, as florestas tropicais cobriram cerca de 18 milhões de km2 da superfície terrestre. Atualmente, esta extensão foi reduzida à metade. Estes biomas são como um termômetro da saúde do planeta.
Estima-se que mais de 50% das plantas e animais terrestres vivam nestas regiões, ou seja, quase 1 milhão de espécies identificadas que têm as florestas tropicais como habitat. Mas os cientistas acreditam que este número possa chegar a 5 ou 10 milhões – só na Amazônia foram descobertos 441 novos animais e plantas desde 2010. “É a biblioteca biológica da Terra. A maior parte da informação dela ainda nem é conhecida pela ciência”, afirmou Dag Hareide, diretor executivo da Rainforest Foundation Norway. “Estamos queimando esta biblioteca”.
Além da perda de biodiversidade, as florestas contêm uma quantidade enorme de carbono armazenada. A destruição delas gera emissões de CO2 iguais àquelas provocadas por todos os automóveis do mundo.
O relatório europeu afirma ainda que, a maior parte das perdas das florestas tropicais ocorreu nos últimos 50 e 60 anos. O Brasil recebeu elogios, por ter sido o único a reduzir o desmatamento de forma significativa globalmente. Nosso país e a Indonésia têm as duas maiores áreas de florestas tropicais do planeta, mas também aparecem entre os principais emissores de gases de efeito estufa no mundo.
Fazem parte do State of the Rainforest 2014 artigos de especialistas internacionais, entre eles, um assinado pelo engenheiro florestal brasileiro Tasso de Azevedo, curador do Blog do Clima, aqui no site Planeta Sustentável. “Herói florestal, mas ainda campeão em desmatamento” é o título do texto de Azevedo, que afirma que a atual redução na taxa de destruição das florestas brasileiras se deve, entre outros fatores, ao retrocesso provocado pela aprovação do novo Código Florestal. Segundo ele, há necessidade de demarcar mais áreas e reservas de proteção ambiental e incrementar políticas inovadoras, como foi feito no início dos anos 2000.

8657 – Planeta Verde – Floresta e cerrado sob risco de extinção


Planeta Verde
As projeções são alarmantes. Segundo estudos recentes, o cerrado corre sérios riscos de desaparecer até 2030, enquanto a Amazônia não veria o alvorecer do próximo século.
Dois dos maiores biomas (nome dado a regiões onde predomina um conjunto de espécies de fauna e flora) do país, o cerrado ocupa 2,04 milhões de km2 (22% do território brasileiro), enquanto a floresta Amazônica responde por 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil).
Coincidentemente os dois alertas foram dados em julho passado. Primeiro, a revista Nature publicou nota sobre um estudo feito pela ONG Conservação Internacional (CI) revelando que cerca de 20 mil km2 de cerrado são destruídos todos os anos para dar lugar ao cultivo de soja, trigo e algodão. “É o equivalente a 2,6 campos de futebol por minuto”, diz o biólogo Ricardo Machado, um dos autores do estudo. Os pesquisadores compararam imagens de satélites de 2002 com dados de 1993. Naquele ano, 49% da área total do cerrado havia sido destruída. Em 2002, a devastação chegou a 54%. Nesse ritmo o cerrado poderá acabar em 2030, dando lugar a áreas agrícolas e urbanas.
O mais irônico dessa história é que, se o cerrado sumir, ele poderá ressurgir em outra região do país, como fruto de mais um desastre ecológico: a devastação da floresta Amazônica. Em estudo recente, o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre analisou como a floresta tem interagido com o clima nos últimos 20 mil anos e fez uma projeção. “O aquecimento global e o crescente desmatamento podem trazer mudanças climáticas importantes, principalmente com a diminuição de chuvas”, afirma. Com isso, ele prevê que a densa floresta possa dar lugar a uma vegetação típica do cerrado.
Para evitar que isso aconteça, é preciso agir em duas frentes. “A primeira é acabar com a exploração ilegal de madeira, que responde por até 80% dos desmatamentos. A outra é lutar para que a emissão de poluentes, que provoca a elevação da temperatura, seja reduzida”.

Glossário:
A FLORESTA AMAZÔNICA É…
• Principal bioma do país, ocupa uma área de 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil, nove Estados) e tem um quinto da disponibilidade mundial de água doce
• Abriga cerca de 30 mil espécies de plantas, o que corresponde a 10% de todo o planeta. Só em árvores há cerca de 5 mil espécies
• Conta com, no mínimo, 1 300 espécies de peixes. Mas esse número pode ser 40% maior, já que nem todos são conhecidos.
O CERRADO É…
• Segundo maior bioma do Brasil, estende-se continuamente por 11 estados, contabilizando 2,04 milhões de km2 (22% do território nacional)
• Reúne 112 espécies animais ameaçadas de extinção
• Espécie de “caixa-d’água” da América do Sul, abriga nascentes e cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai.

7357 – Biologia – A Ariranha


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Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Subfamília: Lutrinae
Género: Pteronura
Gray, 1837
Espécie: P. brasiliensis

É a maior espécie da subfamília Lutrinae (as lontras) e pode chegar a medir cerca de 180 centímetros de comprimento, dos quais 65 compõem a cauda. Os machos são geralmente mais pesados que as fêmeas e pesam até 26 kg. A ariranha tem olhos relativamente grandes, orelhas pequenas e arredondadas, patas curtas e espessas e cauda comprida e achatada. Os dedos das patas estão unidos por membranas interdigitais que facilitam a natação. A pelagem é espessa, com textura aveludada e cor escura, excepto na zona da garganta onde apresentam uma mancha branca.
É uma espécie em perigo e a principal ameaça à sua sobrevivência é o desmatamento e destruição do seu habitat. A poluição dos rios, principalmente junto de explorações mineiras, causam vítimas entre as lontras que se alimentam de peixe contaminado por metais, que se acumulam nos peixes e, mais intensamente ainda, nas ariranhas, que estão no topo da cadeia alimentar. Entre os metais, o que mais frequentemente contamina animais é o mercúrio, usado na extração de ouro. Há também algumas perdas devidas à caça furtiva por causa da pele, caça esta que foi mais intensa no passado.
A ariranha vive e caça em grupos que podem chegar aos dez indivíduos e alimenta-se de peixes, principalmente de caracídeos como a piranha e a traíra. Ingere-os sempre com a cabeça fora d’água, frequentemente nadando pitorescamente para trás. Em condições de escassez, os grupos caçam pequenos jacarés e cobras, que podem inclusive ser pequenas sucuris. No seu habitat, as ariranhas adultas são predadores de topo da cadeia alimentar.
Originalmente, a espécie ocorria em quase todos os rios tropicais e subtropicais da América do Sul. Atualmente, encontra-se extinta em 80% de sua distribuição original. Populações remanescentes ocorrem em áreas isoladas, principalmente no Brasil, no Peru e nas Guianas. No Brasil, os principais santuários conhecidos da ariranha são os rios Negro e Aquidauana, no Pantanal e o médio Rio Araguaia, em especial o Parque Estadual do Cantão, com seus 843 lagos.
Apenas a fêmea dominante do grupo se reproduz. A gestação dura 65-70 dias. No início da estação seca, a fêmea dá à luz a uma ninhada de um a cinco filhotes, que ficam na toca durante os primeiros três meses de vida. No Parque Estadual do Cantão, os filhotes emergem da toca nos meses de outubro e novembro, que são o auge da seca, quando os lagos estão mais rasos e os peixes estão mais concentrados. Todo o grupo ajuda a cuidar dos filhotes e a capturar peixes para alimenta-los enquanto não aprendem a caçar por sí próprios.
As ariranhas permanecem no grupo em que nasceram pelo menos até atingir a maturidade sexual, entre os dois e os três anos de vida. Eventualmente deixam o grupo e saem em busca de um par para acasalar e formar seu próprio grupo. Em cativeiro, as ariranhas vivem até 17 anos. Os primeiros sucessos reprodutivos em cativeiro foram produzidos pela Fundação Zoológico de Brasília, onde os animais desfrutam de um ótimo recinto.
Ataques registrados de ariranhas são raros. Porém, em 1977, um ataque resultou na morte do sargento Silvio Delmar Hollenbach no Jardim Zoológico de Brasília. O sargento atirou-se no recinto das ariranhas objetivando salvar um garoto que lá caíra e, apesar de ter concluído seu objetivo, acabou morrendo dias depois, em virtude de uma infecção generalizada causada pelas inúmeras mordidas. Ressalta-se, no entanto, que a vítima entrou no recinto dos animais, os quais se sentiram encurralados e, sem possibilidade de fuga, atacaram. Na natureza, as ariranhas selvagens não demonstram agressividade em relação a seres humanos e, frequentemente, se aproximam de embarcações por curiosidade, sem nenhum incidente registrado de ataques.

6459 – Planeta Verde -O preço para salvar a Amazônia


Acabar com o desmatamento vai custar muitas indenizações. Instituições vem estimando o valor que deve ser gasto para por fim ao desmatamento num prazo de 10 anos. Para o Brasil, custaria 18 bilhõs de dólares, por ano é 1/4 do valor destinado ao programa social Bolsa Família. Essa foi a conclusão dos pesquisadores após analisarem a economia, a geografia e a ecologia de cada porção da Amazônia brasileira. A 1ª tarefa foi identificar as áreas dedicadas a mineração, à pecuária e a soja, em seguida, estimaram a taxa de retorno desses negócios e o investimento em logística, passado e futuro. O governo do Amazonas já paga 50 reais por mês aos ribeirinhos que não desmatam, mas tal quantia é inferior ao que se obté por uma única árvore.

Glossário Verde – Veja o significado das siglas:

COP 15 – É a sigla oficial da 15ª conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre a mudança do clima que aconteceu em dezembro de 2009, em Copenhague.

IPCC – Sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. É uma rede de 3 mil cientistas, de mais de 130 países, que fornece às lideranças mundiais estudos científicos sobre efeitos e soluções possíveis para as mudanças no clima.

Anexo 1- É a lista dos países mais industrializados do mundo que assumiram o compromisso de reduzir suas emissões de GEE.

GEE – Gases de Efeito Estufa. De acordo como o protocolo de Kioto, 6 deles já estão causando o aquecimento global e precisam ter suas emissões reduzidas: co², óxido nitroso, metano, hidrofluorcarboneto, perfluorcarboneto e hexofluor sulfuroso.

UNFCCC – Sigla em inglês de Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, responsávelpor organizar todas as conferências sobre mudanças climáticas, inclusive o COP 15.

REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. Mecanismo criado para recompensar os países que abrigam florestas para protege-ls do desmatamento. Prevê a remuneração pelas emissões evitadas do co², por meio da doação de recursos ou geração de créditos de carbono negociados em mercado.

MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.Permite que os países do Anexo 1 invistam em projetos de redução de emissões em países que não têm que cumprir metas, financiando tecnologias mais limpas e o uso de energias renováveis.

Tic Tac Tic Tac – Iniciativa da ONG Campanha Global de Ações pelo Clima. Seu objetivo é sensibilizar as lideranças mundiais para que a COP 15 trouxesse decisões concretas de combate as mudanças climáticas.

PPM – Partes Por Milhão. Referência métrica para a concentração de um determinado GEE na atmosfera. Estima-se que desde a Revolução Industrial a concentração do CO² na atmosfera do planeta tenha saltado de 280 ppm para quase 400 ppm, acelerando o efeito das mudanças climáticas.