10.374 – Neurologia – O que é a Isquemia Cerebral?


isquemia

A isquemia cerebral é uma redução localizada do fluxo sanguíneo ao cérebro, ou partes dele, devido a obstrução arterial ou hiperfusão sistemática. A isquemia cerebral também está conectada à hipoxia cerebral, se prolongada, e infarto cerebral.
É uma condição que causa dano cerebral irreversível. A interrupção do fluxo sanguíneo ao cérebro resulta em perda da consciência depois de 10 segundos
Os sintomas da isquemia cerebral podem ser muito rápidos, demorando apenas alguns segundos a alguns minutos. Os sintomas também podem durar períodos mais longos de tempo. Se o cérebro ficar irreversivelmente danificado e ocorrer infarto, os sintomas ficarão constantes. Os sintomas da isquemia cerebral dependem de que parte do cérebro está sendo privada de sangue e oxigênio. Esses sintomas podem incluir cegueira em um olho, fraqueza em uma perna ou um braço, fraqueza em todo um lado do corpo, tontura, vertigem, visão dupla, fraqueza generalizada, dificuldade em falar e perda de coordenação.
Efeitos da isquemia cerebral
Durante a isquemia cerebral o cérebro não consegue continuar o metabolismo aeróbico devido à perda de oxigênio e substrato. O cérebro não é capaz utilizar o metabolismo anaeróbico e não tem nenhuma energia para longo prazo armazenada, então os níveis de ATP caem rapidamente. Com a falta de sua energia, as células começam a perder a capacidade de manter os gradientes eletroquímicos. Essas perdas podem ocasionar graves desenvolvimentos desfavoráveis durante a isquemia cerebral, os quais são: influxo massivo de cálcio dentro do citosol, grande liberação de glutamato das vesículas sinápticas, lipólise, ativação calpaína e seqüestro das síntese de proteínas. Ainda, a remoção de dejetos metabólicos é retardada. Similarmente à hipoxia cerebral, a isquemia cerebral grave ou prolongada pode resultar em perda da consciência, dano cerebral ou morte.
Há dois tipos de isquemia cerebral. O primeiro tipo é a isquemia cerebral focal. Basicamente, a isquemia cerebral focal é um derrame cerebral, o que significa que um coágulo sanguíneo bloqueou um vaso cerebral. O segundo tipo é a isquemia cerebral global, na qual o sangue pára de fluir ou o fluxo sanguíneo diminui drasticamente. Uma das causas da isquemia cerebral global é parada cardiorrespiratória. Se a pessoa se recuperar da parada cardiorrespiratória o fluxo de sangue ao cérebro será restaurado e ela pode então ter uma isquemia cerebral global transiente se levou tempo significativo até a restauração do fluxo sanguíneo. A pessoa fica então em reperfusão, a qual é o dano feito ao tecido quando o suprimento de sangue retorna depois de período de isquemia. Depois da isquemia global, a maior parte do tecido cerebral é recuperado. Entretanto, o tecido que não se recupera é aquele que ajuda a pessoas a pensar e lembrar. Esse tecido está na área do cérebro chamada hipocampo.
Causas da isquemia cerebral
Muitas doenças e anormalidades diferentes podem causar isquemia, seja ela no cérebro, pulmões ou coração. Algumas dessas causas são anemia falciforme, compressão dos vasos sanguíneos, taquicardia ventricular, acúmulo de placas nas artérias, coágulos sanguíneos, pressão sanguínea extremamente baixa resultando de ataque cardíaco, e defeitos cardíacos congênitos.
Outras causas possíveis de isquemia cerebral são sufocação, envenenamento por monóxido de carbono, anemia grave e drogas como cocaína e anfetaminas.

7969 – Saúde – Mais potássio na dieta reduz risco de derrame


Um incremento no consumo de frutas e legumes frescos e uma redução na ingestão de alimentos industrializados podem aumentar a presença do potássio na dieta e levar a uma redução de 24% no risco de derrames cerebrais na população.
Hoje, a doença é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil.
A indicação vem de uma grande revisão de estudos liderada por pesquisadores da OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicada no “British Medical Journal”.
O trabalho envolve dados de quase 130 mil pessoas saudáveis e mostra que, entre as que consumiam mais potássio (de 3,5 g a 4,7 g por dia), o risco de derrame era 24% menor do que no grupo que ingeria menos desse nutriente.
O potássio é essencial para o funcionamento celular e serve como contraponto à ação do sódio, componente do sal fortemente ligado à hipertensão, que é fator de risco para derrames e outras doenças cardiovasculares.
O trabalho sobre potássio, assinado por Nancy Aburto, do Departamento de Nutrição para a Saúde e o Desenvolvimento da OMS, é acompanhado por outras duas revisões de estudos a respeito do efeito de reduções do consumo de sódio na pressão.
Que cortar o sal da dieta ajuda a controlar a pressão é mais do que sabido. O que ainda se discute são as metas ideais de consumo diário -e como implementá-las.
Hoje, a OMS recomenda até 5 g de sal por dia –o equivalente a 2 g de sódio.
De acordo com o trabalho liderado pelo pesquisador Feng He, da Universidade de Londres, diminuir o consumo de sal dos atuais 9 g a 12 g observados em média na população para 5 g já teria um grande impacto, mas um corte mais radical, para 3 g, seria ainda melhor para o controle da pressão arterial.
O governo brasileiro estabeleceu metas de redução de sódio para os alimentos industrializados, mas o acordo foi visto como tímido por alguns especialistas.

Controle da pressão no dia mundial da Saúde
O controle da pressão arterial foi o tema escolhido pela OMS para o Dia Mundial da Saúde, no próximo domingo.
Hoje, no Rio, a Federação Mundial do Coração vai discutir o cumprimento dos objetivos da OMS de redução de 25% da mortalidade por doenças crônicas até 2025.
“Queremos a adesão do Brasil a esses objetivos”, afirma Johanna Ralston, diretora-presidente da federação.
Também será lançado um aplicativo de celular (Pontuação Digital da Saúde) que avalia o risco de desenvolver doenças crônicas.

pressão alta

7837 – Neurociência – Cérebro bom não pensa (?)


Este é o resultado de um estudo científico dos neurologistas John Milton, da Universidade de Chicago, e Debbie Crews, da Universidade do Estado de Arizona.
A descoberta aconteceu quando eles monitoravam o cérebro de jogadores de golfe profissional no momento da tacada. Por meio de ressonância magnética, eles perceberam uma baixa atividade cerebral, sobretudo nas áreas que controlam o pensamento consciente. Os golfistas haviam adquirido a habilidade de tornar o movimento automático.
O resultado oposto foi verificado em testes com amadores, que apresentavam muito mais atividade cerebral.
Além de ajudar os peladeiros a acertar mais pênaltis, a pesquisa dos neurologistas tem grande valor para as vítimas de derrame cerebral. A ressonância mostrou que, antes da tacada, os golfistas imaginam a trajetória futura da bola. As áreas cerebrais ativadas nesse momento são as mesmas responsáveis pela execução da tacada em si.
Essa propriedade do cérebro pode ajudar os médicos a criar um tipo de fisioterapia baseada mais em exercícios mentais do que físicos. Isso poderia ajudar um paciente que teve danos cerebrais a reaprender a andar, por exemplo. É uma fisioterapia capaz de “transformar o sistema nervoso somente pela imaginação”.
O próximo objetivo da equipe americana é observar as mudanças ocorridas no cérebro de esportistas amadores enquanto treinam durante um ano. Espera-se que eles “pensem” cada vez menos, à medida que melhorem seu rendimento em campo. Como se vê, o golfe é mesmo uma caixinha de surpresas.

6388 – Estudos Sobre a Hibernação Humana


Há anos, cientistas vêm sugerindo que a hibernação humana seria possível e poderia ser usada para retardar a morte de células durante o tratamento de doenças fatais.
Cientistas da Universidade do Alasca descobriram que os ursos negros reduzem levemente sua temperatura corporal durante esse período, mas sua atividade metabólica fica muito abaixo dos níveis de outros animais que também hibernam.
Segundo seus autores, esta descoberta, que foi apresentada nesta quinta-feira na reunião anual da Associação Americana para o Avanço das Ciências (AAAS) foi inesperada, já que os processos químicos e biológicos de um organismo se desaceleram normalmente em 50% por cada 10°C de redução da temperatura corporal.
No entanto, segundo o estudo, que foi publicado nesta semana na revista Science, a temperatura corporal destes ursos diminuiu só cinco ou seis graus e seu metabolismo se desacelerou em 75% em comparação com sua atividade normal.
Durante o período de hibernação, os ursos passam de cinco a sete meses sem comer, beber, urinar ou defecar. Neste período, esses animais respiram apenas uma ou duas vezes por minuto e seu coração se desacelera entre as respirações.
Além disso, os cientistas descobriram que a atividade metabólica dos ursos continuou em níveis mais baixos várias semanas após o fim da hibernação.
Esta descoberta levou os pesquisadores a pensar que isso poderia ser útil para os humanos no futuro e eles constataram que a aplicação dos mecanismos de supressão metabólica em situações de emergência poderia salvar vidas.
“Uma rápida redução da atividade metabólica das vítimas de um derrame cerebral ou de um ataque cardíaco poderia deixar o paciente em um estado estável e protegido, o que daria aos médicos mais tempo para tratá-lo”, disse um dos pesquisadores.
A descoberta também poderia ser útil para uma longa viagem espacial, pois, se o corpo humano pudesse alcançar este tipo de hibernação, a viagem a um planeta distante ou a um asteroide poderia ser mais suportável para os astronautas.

Um Pouco+
Na natureza, alguns animais podem, quando chegam as estações mais frias, entrar em um estado letárgico conhecido como “hibernação”.
A hibernação pode ser completa como nas marmotas (Marmota flaviventris) ou parciais como nos ursos.
Quando hibernam, os animais dormem, privando-se de alimento e diminuindo a intensidade da respiração e da circulação sangüínea. Isso ocorre porque durante o inverno, os alimentos são escassos e a diminuição dos processos normais de metabolismo e crescimento economizam energia e evitam que o animal tenha que procurar por comida. Os ursos por exemplo não entram em hibernação completa, pois seus batimentos cardíacos não diminuem e podem acordar para se alimentar se houver um período de calor.
Poucos sabem que os hamsters assim como alguns roedores podem entrar em hibernação (completa ou parcial). Os hamsters entram em hibernação parcial, pois se expostos a uma fonte de calor, despertam. Alguns criadores podem confundir esse estado de hibernação com morte ou coma. Esse estado dura de 1 a 3 dias e tem início quando o animal é exposto à uma temperatura de 6 °C ou menor. Quando o fotoperíodo é curto (2 horas de luz ou menos), alguns hamsters podem hibernar à temperatura ambiente.
Se um animal está imóvel, com os olhos fechados, corpo um pouco rígido e temperatura baixa, deve-se colocar uma bolsa de água morna ao lado dele para que ele desperte ou pode-se esperar que ele acorde espontaneamente. O procedimento de água morna deve ser utilizado quando se tem dúvidas se o animal está morto ou apenas hibernando.

Os animais que hibernam possuem um tecido adiposo (tecido de gordura) conhecido como “gordura parda”, “gordura marrom”, “tecido adiposo pardo” ou “tecido adiposo multilocular”. Alguns a chamam, incorretamente, de “glândula hibernante”. Esta denominação é incorreta devida à natureza do tecido. Não se trata de uma glândula, já que nenhuma substância é secretada. A denominação “gordura parda” refere-se à sua coloração devida à abundante vascularização e às numerosas mitocôndrias presentes em suas células. Por serem ricas em citocromos, as mitocôndrias possuem coloração avermelhada. Nos adipócitos (células de gordura) deste tecido, existem vários vacúolos de gordura (gotículas lipídicas de vários tamanhos) distribuidos pelo citoplasma. Suas células são menores que as do tecido adiposo comum e apresentam as cristas mitocondriais particularmente longas, podendo ocupar toda a espessura da mitocôndria. As células do tecido adiposo multilocular possuem um arranjo epitelióide, formando massas compactas em associação com capilares sangüíneos, lembrando as glândulas endócrinas (vindo daí a denominação incorreta por parte de alguns como “glândula hibernante”). Essa gordura é utilizada como fonte de energia para o despertar do animal.

Em suas mitocôndrias (organelas celulares responsáveis pela respiração celular e produção de energia), mais especificamente em sua parede interna, existem os chamados “corpúsculos elementares”. As mitocôndrias do tecido adiposo multilocular possuem em suas membranas internas, uma proteína transmembrana chamada “termogenina” ou “proteína desacopladora”, que é uma enzima. Esta enzima é desativada por nucleotídeos de purinas (adenina e guanina, presentes no DNA e RNA dos seres vivos) e ativada por ácidos graxos livres, sendo estes gerados dentro dos adipócitos por ação da noradrenalina, também chamada de norepinefrina (é um neurotransmissor adrenérgico presente nas terminações nervosas do Sistema Nervoso Autônomo Simpático, abundantes na região da gordura parda). Desta forma, o tecido adiposo multilocular acelera a lipólise e oxidação dos ácidos graxos (fenômenos para obtenção de energia). Os corpúsculos elementares funcionam como uma bomba de prótons (cátions de hidrogênio). Resumidamente, os prótons liberados no interior das mitocôndrias vão para uma cadeia enzimática e de lá para o espaço intermembranoso (entre a membrama interna e externa da mitocôndria). Esses prótons passam pelos corpúsculos elementares e retornam para a matriz mitocondrial, formando, por ação de uma enzima chamada ATP sintetase (presente nos corpúsculos elementares), várias moléculas de ATP (adenosina tri-fosfato), que armazenam energia para posterior utilização.

Nas mitocôndrias dos adipócitos multiloculares, a termogenina evita que o ATP seja formado, fazendo com que os prótons não passem pelos corpúsculos elementares, e a energia que seria armazenada na forma de ATP passa a ser liberada na forma de calor, que aquece a extensa rede de capilares presente no tecido adiposo multilocular e é distribuído por todo o corpo do animal, despertando-o. Acredita-se que a termogenina seja como uma válvula de segurança dissipando a energia em excesso derivada da alimentação exagerada. Isso sugere que animais obesos (incluindo o ser humano) possuem menos termogenina que os não obesos. Animais que vivem em ambientes de clima frio apresentam maior teor de termogenina que os que vivem am ambientes de clima quente.

5131 – Medicina – Mal de Parkinson


O diagnóstico em geral é por exclusão, descartada a hipótese de um derrame cerebral ou de efeito de uma medicação qualquer. A doença de Parkinson integra o rol das enfermidades ligadas ao envelhecimento, acometendo indivíduos na faixa dos 60 anos de idade, mas pode aparecer antes. Atinge 4,7 milhões de pessoas no mundo segundo a OMS e o nº de casos tende a crescer devido a uma maior expectativa de vida. Ela se desenvolve quando células de uma pequena área do cérebro, chamada substância negra, começam a morrer progressivamente. Tais neurônios produzem o neurotransmissor dopamina, que transmite informações as áreas cerebrais que comandam os movimentos, daí as falhas no controle motor. O diagnóstico ocorre de 5 a 10 anos após o início da degeneração dos neurônios. Quando o paciente recebe a notícia, pode já ter perdido 80% da substância negra.
Sintomas:
Variam como rigidez e tremores, mas tais sintomas não são exclusivos do Parkinson. Distúrbios com sequelas de encefalite, de vários pequenos derrames; medicamentos antidepressivos, atrofia de múltiplos sistemas, paralisia supranuclear progressiva e traumatismo craniano também provocam tremores.
Os motivos pelos quais as células da substância negra passam a morrer gradualmente ainda não estão de todo compreendidos. É possível que haja uma disfunção na lixeira celular, já que o metabolismo da célula gera resíduos indesejáveis e se não forem eliminados se acumulam, levando a célula à morte. Duas proteínas, a alfa-sinucleína e a sifilina, estão envolvidas na alteração do sistema de recolhimento de lixo dos neurônios da susbtância negra. Na doença de Parkinson, tais proteínas formam depósitos fibrosos microscópicos chamados corpúsculos de Lewe, que agiriam como veneno para as células. O acúmulo de radicais livres também pode estar relacionado a doença. Radicais são moléculas resultantes de reações químicas do próprio organismo. Em condições normais são eleiminados. Na doença há uma quantidade anormal, desencadeando um processo tóxico e consequentemente a morte dos neurônios. Diversos estudos estão em andamento para investigar o papel dos pesticidas e toxinas no disparo da doença. Não se pode falar em cura por enquanto, mas tratamentos aliados a fisioterapias e fonoaudiologia mantêm os sintomas sob controle, possibilitando uma vida satisfatória. A Levodopa ainda é o medicamento mais eficaz. Comercializa desde o fim da década de 1960, se transforma em dopamina quando chega ao cérebro, mas perde o efeito com o passar do tempo.
Há 2 modalidades de cirurgia para pacientes que não respondem bem ao tratamento: cirurgia ablativa, que visa destruir áreas específicas do cérebro alteradas pela doença. Outra alternativa é a estimulação cerebral profunda que consiste na implantação de um marca passo para corrigir estímulos incorretos. Não cura, mas alivia os sintomas. Em teste na Suécia e EUA, os polêmicos transplantes de células fetais. Neurônios produtores de dopamina retirados de fetos abortados são implantados nos pacientes. Já foram feitas cerca de 150 cirurgias desse tipo, com resultados razoáveis. A controvertida técnica requer 4 fetos para cada paciente. Experimentos com células-tronco em ratos deram bons resultados.

☻Mega Glossário

Substância Negra – Trata-se de uma pequena área cerebral formada por neurônios que produzem dopamina. Como tais neurônios morrem, a dopamina diminui. Assim, o grupo de estruturas chamado núcleo da base, responsável pelos comandos motores, não é lido como deveria.

Núcleos da Base – O grupo formado por putâmen, caudado, globo pálido e núcleo subtalâmico é normalmente contido pela ação da dopamina. Sem ela, funciona tanto que chega a bloquer a ação do tálamo, o distribuidor de tarefas.

Tálamo – Normalmente ativo quando a distribuição da dopamina está em ordem, o tálamo trava completamente e não consegue estimular de modo adequado o córtex motor, o manda-chuva dos movimentos do cérebro.

Córtex Motor – Dele saem as ordens, via medula medula, para os músculos. Como as mensagens chegam truncadas, nem o controle do tonus muscular, nem o comando dos movimentos funciona direito.

Músculo – A comunicação incorreta com o cérebro faz com que os músculos se tornem rígidos. Além disso, eles se distendem rapidamente e garam o tremor. Os movimentos deixam de parecer naturais e ficam lentos.