10.898 – Astronomia – Nasa acha gás que é produzido por micróbios em Marte


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A descoberta de misteriosas emissões de metano em Marte, feita pelo jipe americano Curiosity, pode dar novo foco às próximas sondas enviadas ao planeta vermelho. É preciso agora identificar a origem desse gás.
Na Terra, a maior parte das emissões de metano é produzida por atividade biológica. Micróbios que processam gás carbônico e emitem o gás são comuns por aqui.
A história em Marte, contudo, pode ser outra. Uma das possibilidades é que o metano seja produzido por processos geológicos, como a reação do mineral olivina com água no subsolo.
A detecção aconteceu cerca de um ano e meio depois do pouso do Curiosity na cratera Gale, no planeta vermelho. As medições iniciais surpreenderam, pois produziram uma concentração de metano muito menor do que a estimada por observações orbitais.
Contudo, durante cerca de 60 dias, entre o fim de 2013 e o começo de 2014, o jipe viu um aumento de cerca de dez vezes na concentração do gás. Os cientistas foram capazes de descartar a hipótese de que a emissão se dá pela reação de compostos orgânicos trazidos por meteoritos e poeira cósmica com a radiação ultravioleta do Sol.
Em vez disso, ficou claro que alguma coisa está borbulhando o metano para a atmosfera, onde ele é rapidamente destruído. O enigma é biológico ou geológico?
A ExoMars é composta por várias etapas. Em 2016, partem um orbitador e um pequeno módulo de pouso. Um dos principais objetivos é fazer o mapeamento do metano na atmosfera marciana.
Em 2018, haverá um jipe, destinado a fazer análises na superfície. Entre os instrumentos, há um que poderá analisar em detalhes compostos orgânicos em Marte –talvez até encontrando uma assinatura química que possa distinguir entre origem biológica e geológica.
Em 2020, um novo jipe da Nasa também estará mais bem equipado para analisar em detalhes as moléculas orgânicas marcianas. E não se pode descartar novas e empolgantes descobertas a serem feitas pelo Curiosity, conforme ele se desloca por Marte.
De toda forma, a história da busca por vida em Marte promete ainda ter seus melhores capítulos nos próximos anos.

10.126 – Astronomia – Explicado o mistério da luz brilhante em Marte


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Um ponto de luz em Marte registrado pela sonda Curiosity gerou uma onda de especulações sobre a vida no Planeta Vermelho. Não poderia ser diferente. Afinal, cada sinal fora do comum observado por lá pode se tornar alvo de muita curiosidade e comemoração pelos entusiastas da existência de extraterrestres.
No entanto, essa imagem que intrigou bastante os especialistas da área no princípio já está sendo tratada como algo comum. Segundo o Live Science, os membros da equipe da missão disseram que flashes brilhantes de luz visíveis em Marte — nas fotos tiradas pela sonda em 2 e 3 de abril — quase certamente têm uma explicação perfeitamente normal.
“Uma possibilidade é que a luz seja o brilho de uma superfície rochosa refletindo os raios solares. Quando essas imagens foram tiradas, o sol estava na mesma direção que o ponto brilhante, a oeste-noroeste da sonda e relativamente baixo no céu”, explicou Justin Maki, o líder de engenharia de câmeras da Curiosity ao Space.com.
Maki também acrescentou que a equipe científica da sonda também vê a possibilidade de que esse ponto brilhante seja da luz solar que atinge o CCD (charge-coupled device) da câmera, diretamente através de um orifício, o que já aconteceu anteriormente com outras câmeras da Curiosity e de outras sondas. Segundo ele, isso acontece quando a geometria da luz do sol que entra em relação à câmera é precisamente alinhada.
O especialista também acredita que seja possível que os flashes de luz sejam resultado do impacto dos raios cósmicos em movimento rápido com a câmera, esclarecendo que o fenômeno está longe de ser raro. “Em milhares de imagens que recebemos da Curiosity, vemos aquelas com pontos brilhantes quase todas as semanas”, disse Maki em um comunicado da NASA.
As duas fotos (em preto e branco) que foram tiradas pela câmera de navegação da Curiosity do lado direito mostram o que parece ser um pequeno flash de luz brilhante ao longe (numa área de estudos chamada Kimberley), na frente de uma cratera que domina o horizonte.
Porém, a imagem captada pela câmera que fica do lado esquerdo da sonda, quase que simultaneamente à outra, mostra o mesmo local sem a luz, apoiando a possibilidade de ela ter sido mesmo apenas um reflexo de raio solar ou cósmico.

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6817 – Sonda encontra vestígios de antigo riacho em Marte


Passo a Passo da Odisséia Terra-Marte no ☻Mega Arquivo

O jipe-robô Curiosity, que há quase dois meses explora a superfície marciana, encontrou evidências do que parece ter sido um riacho que um dia correu vigorosamente pelo solo de Marte.
Já existiam evidências anteriores da existência de água no planeta vermelho, mas as imagens registradas pela sonda são o que há de mais representativo até agora.
Nas fotos, é possível ver as marcas da ação da água sobre as rochas marcianas.
Os cientistas estão estudando agora as imagens de pedras “concretadas” em uma camada de rocha agrupada. O tamanho e a forma dessas pedras oferecem pistas sobre a velocidade e o comprimento do fluxo desse riacho há muito desaparecido.
Segundo os cientistas, a água bateria em algum lugar entre o tornozelo e o quadril de um adulto.
“Muitos artigos foram escritos sobre os canais de água em Marte, com muitas hipóteses diferentes sobre seus fluxos. Esta é a primeira vez que nós estamos realmente vendo cascalho transportado por água no planeta. É uma transição entre a especulação do tamanho do material dos riachos para a observação direta deles”, avalia William Dietrich, coinvestigador científico do Curiosity e pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley.
O local da descoberta é próximo da área em que o Curiosity pousou, entre o norte da cratera Gale e a base do monte Sharp, uma montanha dentro da cratera. Imagens anteriores do local permitiram interpretações adicionais do conglomerado.
A forma arredondada de algumas pedras do conglomerado indica que elas foram transportadas por longas distâncias. A abundância de canais entre a margem e o aglomerado de pedras sugere que o fluxo continuou ou se repetiu durante muito tempo, e não apenas uma vez ou por só alguns anos.
A descoberta foi feita a partir do estudo de dois afloramentos, batizados de “Hottah” e “Link”. As imagens foram feitas durante os 40 primeiros dias após o pouso do Curiosity. Essas observações seguiram pistas anteriores de um outro afloramento, que foi descoberto quando o robô estava pousando.
O cascalho encontrado nos conglomerados varia em tamanho e forma. Alguns não são maiores do que um grão de areia, enquanto outros chegam ao tamanho de uma bola de golfe. Alguns são angulosos, mas muitos são arredondados.
“Os formatos mostram que eles foram transportados e e o tamanho indica que isso não pode acontecer pelo vento. Foram transportados pelo fluxo da água”, diz Rebecca Williams, uma das pesquisadoras do Curiosity.
A equipe científica pode usar o Curiosity para aprender mais sobre a composição química desse material e o que mantém esse aglomerado junto, revelando mais características desse ambiente molhado que formou os depósitos.
E isso, dizem os cientistas, é só o começo. A missão do Curiosity está prevista pra durar dois anos. Os pesquisadores irão usar os dez instrumentos científicos da sonda para investigar se a cratera Gale e seus arredores um dia já ofereceram condições ambientais favoráveis à vida de micróbios.

Possivelmente um riacho extinto em Marte