13.262 – Política – Como funciona a perícia de um áudio?


temer

Da Super para o ☻Mega

Dois dias depois do escândalo Temer, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria onde o perito Ricardo Caires afirmava que o áudio havia sido editado em 50 partes diferentes. O Globo, então, afirmou ter conversado com Caires, que havia mudado sua versão (dessa vez eram só 14 pontos de edição). Agora, nesta segunda, a Folha diz que o perito continua sustentando a teoria de que havia meia centena de cortes na gravação.

Mas, afinal, como funciona a perícia de uma gravação?
A resposta não é tão simples. “Cada áudio é particular, ele tem singularidades que vão guiando a forma como a perícia é feita. A análise é conduzida de forma diferente para cada áudio”, explica André Morisson, diretor Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). Isso não significa, no entanto, que alguns passos costumam ser mais comuns. É eles que vamos explicar no box abaixo.

Me empresta, rapidinho
Ter em mãos o gravador utilizado pode ajudar nas conclusões finais. Assim, existe a possibilidade de realizar testes, e simulações que recriam as situações dos áudios. Um defeitinho no microfone, ou um gravador antigo podem caracterizar um áudio. Funciona como uma espécie de impressão digital auditiva, que assim como a dos seus dedos, deixa marcas cruciais para um estudo criminal (Joesley, diga-se, usou um pen drive com gravador embutido).

A cópia perfeita
O arquivo tem que ser transportado para o computador do perito, onde vai ser feita a análise, da forma mais fidedigna possível. Se você, aí da sua casa, colocar uma música em um pendrive para ouvi-la na caixinha de som da sala, por exemplo, o arquivo pode sofrer modificações conforme passa de um dispositivo para o outro. Coisa pequena, mas que pode fazer diferença na hora da investigação: uma compressão na frequência ou até mesmo a exclusão de metadados, ou seja, informações sobre hora, dia e até local em que foi gravado o material. Os profissionais usam softwares específicos que conseguem copiar o arquivo, sem modificá-lo. É a chamada cópia bit a bit.

A primeira escutada
Chamada de análise oitiva, é a audição do arquivo sem necessariamente estar acompanhado de equipamentos especializados para a dissecação do áudio. “O perito passa por treinamentos que apuram sua audição para esse tipo de áudio. Ele percebe com mais facilidade se há algo errado na gravação”, conta Morisson. A ideia é que nessa fase o perito já comece a direcionar em que partes ele vai focar em um primeiro momento da análise. Um ruído meio estranho no minuto 7? Melhor analisá-lo com mais atenção desde o começo. Isso não significa, no entanto, que o restante do arquivo será ignorado. O áudio inteiro é investigado, mas esse é o momento de direcionar os primeiros esforços.

Não entendi
Uma frase ficou sem sentido? Pode ser indicação de que algo foi tirado do arquivo. O contexto acaba servindo como ferramenta na detecção de edições. Podem ser perguntas sem respostas, ou simplesmente afirmações que não fazem muito sentido naquela situação. Tudo é analisado.

maluf

11.069 – Capitalismo Selvagem em Alta – Shoppings e hotéis de luxo pagam centavos para usar áreas da União


Da Folha para o ☻ Mega

Hotéis de luxo, shoppings, clubes exclusivos à beira mar estão pagando valores irrisórios para ocupar áreas da União em todo o país, levando a um prejuízo estimado na casa dos bilhões de reais para o governo federal.
Áreas cujo metro quadrado custa mais de R$ 6 mil chegam a estar avaliadas oficialmente por R$ 22,51 o metro quadrado, o que faz com que as empresas que ocupam esses endereços nobres paguem centavos à União pelo uso dos terrenos, já que a cobrança é por um percentual do que consta nos registros do governo.
A constatação é do TCU (Tribunal de Contas da União) após uma auditoria na SPU (Secretaria do Patrimônio da União), órgão responsável pela gestão de 44 mil imóveis federais e de outras 534 mil construções em áreas onde os ocupantes devem pagar taxas para usá-las (imóveis próximos de praias, por exemplo).
Os técnicos do Tribunal encontram situação de descalabro no órgão federal. Processos e mapas ainda em papel estão se deteriorando. Não há funcionários suficientes para gerir o patrimônio público. Até mesmo sistemas de informática do órgão são obsoletos. Mesmo assim, os pagamentos gerados pelo uso dos bens públicos alcançam R$ 1 bilhão por ano.
O órgão de controle investigou as superintendências da SPU em 12 estados que têm cerca de 30% dos imóveis sob guarda federal e descobriu que o valor arrecadado poderia ser muito maior. Não foi possível estabelecer uma estimativa total dos prejuízos devido ao grande número de imóveis e às diferentes situações em que eles se encontravam.
Por amostragem, foram analisadas a situação de imóveis de maior relevância nos estados investigados. Somente em Alagoas e Sergipe, os dois menores estados da federação, os técnicos levantaram uma amostra de 205 imóveis federais (0,5% do total). Descobriram que todos estavam subavaliados, o que gerava uma cobrança a menos de aproximadamente R$ 1 milhão/ano só para esses imóveis.
Os casos mais graves, contudo, foram encontrados no Ceará. O Marina Park e o Shopping Iguatemi estão no bairro Meirelles, área de luxo da capital Fortaleza, onde o metro quadrado é estimado em R$ 5 mil. Pelos critérios oficiais da SPU, esses dois imóveis deveriam estar avaliados em R$ 163 e R$ 343, ou seja, menos de 5% do valor de mercado.
No entanto, o valor que constava nos registros do próprio órgão eram de apenas R$ 22,51 e R$ 27,22. Como o pagamento pelo uso da área é um percentual de 2% a 5% desse registro, o hotel e o shopping pagavam menos de quinze centavos por metro quadrado.
Em Torres (RS), os 106 imóveis do governo federal na cidade estavam, em média, avaliados por metade do valor de mercado.
De acordo com os auditores as distorções ocorrem porque quase metade dos imóveis registrados pelo governo federal estava sem atualizar valores há mais de dois anos. Alguns estavam com valores da década de 1990. Segundo o TCU, também faltam critérios claros para corrigir o preço dos bens, o que faz com que cada área tenha uma forma de fazê-lo.
Para o Tribunal, a SPU recebe pouca atenção do governo. Um exemplo citado no trabalho é que a superintendência de Pernambuco pediu em 2013 verba de R$ 4,7 milhões para contratar técnicos da Caixa para recadastrar cerca de 6,3 mil imóveis no estado e, com isso, aumentar a arrecadação. O valor foi vetado pelo órgão central da SPU com a alegação que só havia orçamento de R$ 200 mil para o trabalho.
Na praia da Boa Viagem, endereço nobre da capital do estado, áreas que a SPU avalia em R$ 167 o metro quadrado têm valor de marcado acima de R$ 6 mil.
O ministério do Planejamento rebateu, informando que, ao longo 2014, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) registrou “avanços consideráveis” e que vários itens apontados no relatório do TCU já estão cumpridos. Segundo o ministério, 20 mil processos em tramitação no órgão serão digitalizados até o meio do ano.
A nota informa ainda que entre 2011 e 2014, o valor arrecadado com a cobrança de taxas sobre o patrimônio subiu de R$ 705 milhões para R$ 1 bilhão (aumento de 42%) e que o valor médio de cobrança por imóvel subiu no mesmo patamar e alcançou R$ 1,5 mil.
O Marina Park e o Shopping Iguatemi não responderam.