7033 – Mega Almanaque Futebol – A Copa do Mundo de 1982


Naranjito,o mascote

Foi a 12ª edição disputada, e contou pela primeira vez com 24 (vinte e quatro) seleções, entre elas várias estreantes. No total 105 países participaram das eliminatórias. O campeonato ocorreu na Espanha.
A Seleção Brasileira, comandada por Telê Santana, mandou para a Copa uma seleção de talentos, que encantou a Espanha e conquistou o mundo! Jogadores maravilhosos como, Leandro, Júnior, Toninho Cerezo, Paulo Roberto Falcão, Zico, Sócrates e Éder, davam a tônica do futebol arte, ofensivo e goleador do Brasil.
Outras grandes seleções marcaram presença na Espanha. A França de Michel Platini, Giresse, Jean Tigana, Manuel Amoros, Dominique Rocheteau e Marius Trésor; a Alemanha de Karl-Heinz Rummenigge, Horst Hrubesch, Manfred Kaltz, Felix Magath e Paul Breitner. A Argentina com craques campeões do mundo como Daniel Passarella, Osvaldo Ardiles, Daniel Bertoni, Mario Kempes e a promessa de super craque Diego Armando Maradona. Do lado da azurra, que havia deixado uma ótima impressão em 1978 o experientíssimo Dino Zoff, Antonio Cabrini, Giuseppe Bergomi, Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Francesco Graziani, Gabriele Oriali, Marco Tardelli, Bruno Conti, e aquele que seria o carrasco do Brasil na copa, Paolo Rossi.

A Argentina, campeã mundial, decepcionou. Os portenhos fizeram o jogo de abertura contra a Bélgica e perderam por 1 a 0. Classificaram-se em segundo lugar no grupo após vencerem a Hungria e El Salvador. Neste grupo, por um jogo a Hungria reviveu a máquina de Puskas e cia de 1954 e venceu El Salvador, do pobre goleiro Mora, por 10 x 1. A Bélgica ficava com a primeira vaga no grupo, confirmando que o vice-campeonato na Eurocopa de 1980 não fora acidente.
No grupo da Alemanha Ocidental uma das maiores zebras de todos os tempos! A Argélia, estreante em copas do mundo, não só ganhou como mandou no jogo, 2 x 1. A seleção germânica em seguida goleou o Chile e venceu sua “irmã”, a Áustria, por 1 a 0, no chamado “jogo da vergonha”. Como o resultado classificava ambos os times, alemães e austríacos não tiveram escrúpulos em tocar a bola de um lado para outro, sob vaias e protestos do público. Os argelinos, mesmo brilhantes, com 2 vitórias em 3 jogos acabaram eliminados.
A França perdeu por 3 a 1 da Inglaterra na estreia, mas mesmo com uma campanha irregular conseguiu a classificação. Empatou com a Tchecoslováquia e ganhou do Kuwait por 4 a 1. Neste jogo, um sheik kuwaitiano, integrante da comissão técnica, invadiu o campo para protestar contra um gol da França e o árbitro anulou o gol! A Inglaterra com futebol sem criatividade, mas objetivo passou facilmente em primeiro lugar.
A Espanha, dona da casa, teve uma estreia decepcionante, mostrando que a “fúria” não iria longe na sua copa em casa. Empatou em 1 x 1 contra a estreante em copas, Honduras, com um gol de penalti no final da partida. Ficou em segundo lugar, em um grupo que foi liderado pela modesta Irlanda do Norte, que venceu os donos da casa por 1×0, após empatar com a Iugoslávia 0 x 0 e Honduras por 1 x 1.

Já o Brasil, grande favorito ao título, estreou contra a URSS. Foi um jogo duríssimo, com a defesa brasileira falhando muito e com gol anulado do lado soviético, além de um penalti escândaloso não marcado para a seleção europeia. Os soviéticos fizeram 1 a 0 numa falha de Waldir Peres. No segundo tempo, o Brasil se reencontrou e o gênio de Sócrates explodiu no gol de empate: Sócrates dribou dois jogadores e soltou uma bomba no ângulo. Aos 43 minutos, Éder Aleixo dispara um violento chute no ângulo de Rinat Dasayev: Brasil 2 a 1. Em seguida, a equipe de Telê venceu a Escócia, por 4 a 1 – foi a segunda virada dos Canarinhos. Zico brilhou com um bonito gol de falta. Contra a Nova Zelândia, a seleção novamente venceu por goleada, 4 a 0.
Em Vigo, a Itália dava um vexame após outro. Foram 3 péssimos jogos na primeira fase da Copa. Empate com Polônia, Peru e Camarões, a a azurra só se classificou por ter feito um gol a mais que os africanos. A Polônia de Lato (mas não mordo) e Boniek goleou o Peru por 5 x 0 e ficou com o primeiro lugar do grupo. O clima da seleção italiana era tão ruim, que o técnico Enzo Bearzort ordenou que seus jogadores não dessem entrevistas, e não lessem os jornais, para que não se deixassem contaminar pelo pessimismo da imprensa italiana.
Mas tudo isso mudaria justamente a partir do jogo contra o Brasil.

A Copa de 82 contou com um regulamento único. Como eram 6 grupos de 4 times, e apenas os 2 primeiros se classificavam, 12 times formaram 4 grupos de 3 times na segunda fase, de onde os campeões de cada grupo fariam a semifinal.
No grupo da França, a seleção de Michel Platini despachou a Áustria e a Irlanda do Norte. Já a Polônia de Lato e Boniek, voltava a fazer uma copa comparável com a célebre campanha de 1974, e eliminava a Bélgica e a URSS, ganhando um lugar na semifinal.
A Alemanha Ocidental sepultou o sonho espanhol do primeiro título e despachou a “Fúria”, além do English Team, provando uma vez mais o grande poder de recuperação das seleções alemãs, como em 54 e 74.
Na segunda fase, o Brasil enfrentaria Argentina e Itália. Primeiramente, o Brasil bateu a Argentina por 3 a 1, num jogo em que a imagem de Júnior sambando à beira do campo após marcar o terceiro gol brasileiro ajudou a forjar a imagem do poderio e da alegria do time brasileiro. Uma vitória brilhante, uma humilhante despedida para os campeões mundiais de malas prontas para voltarem a Buenos Aires, no dia em que Diego Maradona foi expulso, depois de acertar o volante brasileiro Batista com um chute no estômago.

A Itália jogou três jogos péssimos na fase de classificação, porém, na Segunda Fase, a mística da Azzurra incendiou a equipe, que disparou rumo ao tricampeonato. A seleção europeia venceu o primeiro jogo contra a Argentina por 2 a 1, complicando e muito a situação dos portenhos, que, como já visto, perderam do Brasil. Depois, viria um dos grandes jogos da Copa, para muitos, a grande partida, que definiu os rumos do mundial.

O Desastre do Sarriá
Brasil e Itália se enfrentavam pelo segundo jogo da segunda fase. Como a Itália havia vencido a Argentina por 2 x 1, e o Brasil por 3 x 1, a seleção canarinho, favorita ao título, tinha a vantagem do empate. Os brasileiros acreditavam em uma vitória tranquila, pois a Itália só havia vencido um jogo na copa, enquanto o Brasil era o único com aproveitamento de 100%. Aos 5 minutos, um cruzamento da esquerda do ataque e cabeceio de Paolo Rossi, com a defesa brasileira parada assitindo à cabeçado do italiano. Porém o Brasil não se intimida. Zico se livra de Claudio Gentile e toca brilhantemente para Sócrates. O “Doutor” invade a área e chuta forte, empatando o confronto.
A Itália marca forte a saída de bola do Brasil, e força o erro da seleção. Toninho Cerezo faz um toque lateral, Falcão e Luisinho esperam um pelo outro, Paolo Rossi não espera por ninguém, toma a bola e chuta forte, marcando 2 x 1.
O time canarinho ainda tem todo o segundo tempo para empatar e se classificar, e é no segundo tempo que o time de Telê dava um verdadeiro show nos adversários. Júnior toca a bola para Falcão, na entrada da área, Cerezo faz uma ultrapassagem que ilude a defesa azul, que o acompanha, e Falcão chuta, 2 x 2. O resultado era o suficiente para a classificação do Brasil.
Mas o lance fatal viria logo em seguida: um escanteio, que não foi, para a Itália. Por ironia do destino, o time que só jogava no ataque estava todo dentro da área, no lance trágico. Após o escanteio, a bola sobra na entrada da área, um chute é desferido e a bola, ingrata, acha ele, Paolo Rossi, que desvia sua trajetória e mata Valdir Peres, 3 x 2. O Brasil tem uma última chance, mas o veterano goleiro Dino Zoff decreta a derrota brasileira ao fazer uma defesa espetacular em uma cabeçada certeira de Oscar.

Brasil e Itália se enfrentavam pelo segundo jogo da segunda fase. Como a Itália havia vencido a Argentina por 2 x 1, e o Brasil por 3 x 1, a seleção canarinho, favorita ao título, tinha a vantagem do empate. Os brasileiros acreditavam em uma vitória tranquila, pois a Itália só havia vencido um jogo na copa, enquanto o Brasil era o único com aproveitamento de 100%. Aos 5 minutos, um cruzamento da esquerda do ataque e cabeceio de Paolo Rossi, com a defesa brasileira parada assitindo à cabeçado do italiano. Porém o Brasil não se intimida. Zico se livra de Claudio Gentile e toca brilhantemente para Sócrates. O “Doutor” invade a área e chuta forte, empatando o confronto.
A Itália marca forte a saída de bola do Brasil, e força o erro da seleção. Toninho Cerezo faz um toque lateral, Falcão e Luisinho esperam um pelo outro, Paolo Rossi não espera por ninguém, toma a bola e chuta forte, marcando 2 x 1.
O time canarinho ainda tem todo o segundo tempo para empatar e se classificar, e é no segundo tempo que o time de Telê dava um verdadeiro show nos adversários. Júnior toca a bola para Falcão, na entrada da área, Cerezo faz uma ultrapassagem que ilude a defesa azul, que o acompanha, e Falcão chuta, 2 x 2. O resultado era o suficiente para a classificação do Brasil.
Mas o lance fatal viria logo em seguida: um escanteio, que não foi, para a Itália. Por ironia do destino, o time que só jogava no ataque estava todo dentro da área, no lance trágico. Após o escanteio, a bola sobra na entrada da área, um chute é desferido e a bola, ingrata, acha ele, Paolo Rossi, que desvia sua trajetória e mata Valdir Peres, 3 x 2. O Brasil tem uma última chance, mas o veterano goleiro Dino Zoff decreta a derrota brasileira ao fazer uma defesa espetacular em uma cabeçada certeira de Oscar.

Bernabeu, um dos estádios da Copa

Curiosidades
A Guerra das Malvinas, estourada entre Argentina e Reino Unido semanas antes da Copa, chegou a ameaçar a presença das três seleções britânicas classificadas ao torneio: Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte. Considerável opinião pública do Reino Unido era contra a participação de suas seleções, pois, na visão dela, disputar o torneio seria um desrespeito aos mortos na guerra e Copa serviria para desviar a atenção da população para um assunto mais importante. Por fim, a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher convenceu o parlamento de que disputar o mundial ajudaria a levantar o moral da população e, principalmente, das próprias tropas. Outro reflexo do conflito foi a saída do meia argentino Osvaldo Ardiles do Tottenham, equipe inglesa onde jogava e era ídolo.
Antes de embarcar para a Espanha com a seleção, o lateral Júnior gravou e lançou um compacto (disco de vinil em tamanho pequeno) com a música “Povo Feliz”, mais conhecida como “Voa Canarinho”, que foi a música-tema da equipe para o mundial. A música fez tanto sucesso no Brasil, que o compacto vendeu mais de 200 mil cópias durante a realização da Copa.
A maior goleada de todas as Copas registrada nesta edição: Hungria 10 X 1 El Salvador. O atacante húngaro László Kiss se tornou o primeiro reserva a marcar três gols em uma partida de Copa do Mundo. Ao marcar o gol de honra de El Salvador, o meia Ramírez se tornou o maior jogador de futebol daquele país.
O brasileiro Tim, foi o técnico da Seleção Peruana na Copa da Espanha. Ele jogou a Copa de 1938 pelo Brasil.
Maradona foi expulso na partida Brasil 3 X 1 Argentina, depois de dar uma entrada maldosa no volante brasileiro Batista.
No jogo entre Iugoslávia 0 x 0 Irlanda do Norte, o atacante norte-irlandês Norman Whiteside se tornou o jogador mais jovem a disputar um jogo de Copa do Mundo aos 17 anos e 41 dias. Superando um recorde que antes era do brasileiro Pelé.
O zagueiro Edinho declarou que Éder e Serginho recebiam mil dólares cada para comemorar seus gols perto de uma placa de publicidade.
A conveniência marcou a partida entre Alemanha e Áustria. Os alemães precisavam da vitória para tomar a vaga da Argélia. Quando Fischer fez 1 a 0, placar que também garantia a Áustria na fase seguinte, os dois times passaram a tocar bola no meio de campo. Em entrevista, um dos jogadores daquela partida, o alemão Hans-Peter Briegel, confirmou a armação e pediu desculpas aos argelinos.
O príncipe do Kuwait, Fahad Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah, não se contentou apenas em invadir o campo e paralisar o jogo com a França quando o seu time perdia de 3 a 1 e tomou o quarto gol em flagrante impedimento do atacante francês Girèsse. No dia seguinte, mesmo tendo conseguido anular o gol, ele acusou a FIFA de ser dominada pela Máfia e acabou sendo punido pela entidade com multa de 11 mil dólares. A equipe do Kuwait foi treinada pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira, que, doze anos depois, seria tetracampeão pelo Brasil. Já o príncipe teria um fim trágico: em 1990, foi assassinado junto com outros membros do Comitê Olímpico Kuwaitiano (do qual era presidente), sob ordens de Saddam Hussein, que, por ter invadido o Kuwait, vira o Comitê Olímpico Iraquiano ser banido pelo COI.
Honduras produziu uma das cenas mais comoventes da Copa de 1982. Sonhando em conseguir uma vaga para a segunda fase da competição, o time segurou o 0 a 0 contra a Iugoslávia até 42 minutos do segundo tempo. Aí a zaga cometeu um pênalti infantil e Honduras acabou derrotada. No final da partida, todo o time chorou copiosamente no gramado.
O sistema de desempate através dos pênaltis foi introduzido em 1978, mas só entrou em vigor no Mundial da Espanha. A Alemanha derrotou a França por 5 a 4 e se classificou para a final do torneio. Nesse mesmo jogo, o goleiro alemão Harald Schumacher pulou em cima do francês Patrick Battiston dentro da área. O juiz não marcou pênalti, deu tiro de meta e Battiston ficou desacordado em campo. A pancada lhe custou apenas um dente, pago pelo próprio Schumacher, que foi perdoado e foi até convidado para o casamento do francês.
Todas as vezes que o ônibus da Seleção Brasileira foi do hotel para o estádio, o fez por um mesmo caminho, e sempre voltou por um outro. A rotina só foi mudada no fatídico dia 5 de Julho, quando o ônibus enveredou na ida pelo caminho que costumava fazer a volta. Mais: naquele dia, a TV não funcionou. Nesse dia, também pela primeira vez, desde o início da Copa, a seleção não posou para fotos, justamente no dia da derrota contra a Itália.
O zagueiro italiano Claudio Gentile marcou Zico brilhantemente, chegando ao ponto de rasgar a camisa do “galinho” dentro da área, mas o juiz israelense Abraham Klein não marcou penalti. Gentile já havia exercido marcação igualmente truculenta sobre Maradona, na partida anterior.
O jogo da derrota do Brasil frente à Itália ficou conhecido como “A tragédia do Sarriá ou a A Batalha de Sarriá”. O Estádio Sarriá não existe mais, pois o Espanyol (dono do estádio) possuía muitas dividas em meados dos anos 1990 e para quitá-las, teve que vender o terreno para uma construtora, que o demoliu em agosto de 1997 e montou no lugar um luxuoso conjunto residencial. Durante doze anos, o Espanyol comandava seus jogos em casa no Estádio Olímpico Lluís Companys, sede principal das Olimpíadas de 92. Em 2009, o clube inaugurou o seu novo estádio, o Cornellà-El Prat.
Foi nessa edição que o brasileiro Arnaldo César Coelho se tornou o primeiro juiz não-europeu que apitou uma final de Copa do Mundo. As duas finais seguintes também seriam apitadas por dois não-europeus: a de 1986 pelo também brasileiro Romualdo Arppi Filho e a de 1990 pelo mexicano Edgardo Codesal.
Ao marcar o gol de honra da Alemanha Ocidental na final, o zagueiro Paul Breitner se tornou o terceiro jogador a fazer gol em duas finais de Copa do Mundo (ele havia feito na final de 74), igualando o feito dos brasileiros Vavá (que marcou nas finais de 58 e 62) e Pelé (58 e 70). O francês Zinédine Zidane repetiria o feito ao marcar gols nas finais das copas de 98 e 2006.
Com a conquista da Itália, o goleiro e capitão Zoff entrou para a história ao se tornar com 40 anos de idade o jogador mais velho a ser campeão mundial de futebol.

Paolo Rossi,o carrasco que “entubou” o Brasil

Campanha do Brasil
Classificação: 5º lugar
Campanha: 5 jogos, 4 vitórias, 1 derrota, 15 golos a favor e 6 golos contra.
Jogos: Brasil 2 X 1 URSS, Brasil 4 X 1 Escócia, Brasil 4 X 0 Nova Zelândia, Brasil 3 X 1 Argentina e Brasil 2 X 3 Itália.
Falcão, destaque do Brasil naquela copa, considerado pela FIFA o 2° melhor jogador da competição, recebeu o troféu ( Bola de prata ).
Zico foi o terceiro artilheiro da competição, recebendo o troféu ( Chuteira de bronze ).

6737 – Mega Almanaque Futebol – Mané Garricha


Uma dupla imbatível

Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (Magé, 28 de outubro de 1933 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983) foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É considerado por alguns o maior jogador de futebol de todos os tempos. No auge de sua carreira, passou a assinar Manuel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.
Garrincha, “O Anjo de Pernas Tortas”, foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. A força do seu carisma ficou marcada rapidamente nas palavras do poeta de Itabira, Carlos Drummond de Andrade, numa crônica publicada no Jornal do Brasil, no dia 21 de janeiro de 1983, um dia após a morte do genial

“Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.”

— Carlos Drummond de Andrade

De origem humilde, com quinze irmãos na família, Manuel dos Santos era natural de Pau Grande, um distrito de Magé, no estado do Rio de Janeiro. Sua irmã o teria apelidado de Garrincha, fazendo uma associação com o pássaro de mesmo nome, muito comum na região.
Uma das características marcantes que envolvem a figura de Garrincha relaciona-se a uma distrofia física: as pernas tortas. Numa perspectiva frontal, por exemplo, sua perna esquerda, seis centímetros mais curta que a direita, era flexionada para o lado direito, e a perna direita, apresentava o mesmo desenho. Afirma Ruy Castro em seu livro que já teria nascido assim, mas há vários depoimentos no sentido que tal característica tenha sido sequela de uma poliomielite.
Com quatorze anos de idade, começou a jogar amadoramente no Esporte Clube Pau Grande e seu talento, já manifestado, despertou a atenção de Arati: um ex-jogador do Botafogo. Não se sabe com certeza quem o levou a fazer um teste no Botafogo, mas nos minutos iniciais do primeiro treino, ele teria dado vários dribles em Nílton Santos, o qual já era um renomado jogador.
Garrincha casou-se com Nair, namorada da infância, com quem teve nove filhas. Suas filhas Tereza e Nadir já estão falecidas. Separou-se de Nair e foi casado com Elza Soares por 15 anos, de 1968 a 1983. Os dois tiveram um filho, Manuel Garrincha dos Santos Júnior (9 de julho de 1977 — 11 de janeiro de 1986), morto aos 9 anos de idade num acidente automobilístico. Neném, o filho dele com Iraci, anterior ao casamento com Elza, também morreu num acidente em Portugal em 20 de janeiro de 1992, aos 28 anos. Garrincha também é pai de um filho sueco: Ulf Lindberg, fruto de um relacionamento com uma sueca da cidade de Umeå, durante uma excursão do Botafogo à Europa em 1959.
Por praticamente toda a sua carreira (95% das partidas), Garrincha defendeu o Botafogo (no período de 1953-1965), além da Seleção Brasileira (de 1957-1966).
Já em fim de carreira jogou alguns meses no Sport Club Corinthians Paulista, (1966), no Clube de Regatas do Flamengo, (1969), e no Olaria Atlético Clube, porém já estava longe de seu auge. Integrou o elenco do Vasco, em um amistoso contra a seleção da cidade de Cordeiro (RJ), marcando um gol nesta partida. Sua contratação não foi fechada pela equipe cruzmaltina devido a sua má condição física e foi devolvido ao Sport Club Corinthians Paulista após o supracitado amistoso.
Jogou sessenta partidas pelo Brasil entre 1955 e 1966. Em todos os seus jogos, participou de apenas uma derrota (de 3 a 1 para a Hungria na Copa de 66). Com Garrincha e Pelé jogando ao mesmo tempo, o Brasil nunca perdeu.
Mesmo na Seleção Brasileira, Garrincha nunca abandonou sua forma irreverente de jogar. Voltava a driblar o jogador oponente, no mesmo lance, ainda que desnecessariamente, só pela brincadeira em si.
O último gol de Garrincha aconteceu no empate do Olaria Atlético Clube em 2 a 2 com o Comercial, dia 23 de março de 1972, no Estádio Palma Travassos em Ribeirão Preto. Foi, inclusive, o único gol de Mané pelo Olaria Atlético Clube.
Garrincha faleceu aos 49 anos em 20 de janeiro de 1983, vítima de cirrose hepática, tendo sido velado num caixão sob a bandeira do Botafogo.
Em seu epitáfio lê-se “Aqui jaz em paz aquele que foi a Alegria do Povo – Mané Garrincha.” mas recente tem-se notícias que seu túmulo encontra-se abandonado sem ao menos uma homenagem justa de um ser que trouxe tantas alegrias, este dizeres que esta em seu epitáfio foi gravado na pedra e nem uma foto há, perde-se a história de um grande ídolo por falta de atenção de algumas autoridades que podem fazer algo.
Tudo indica que talvez uma das causas de sua morte precoce foi o excesso de bebida alcoólica, principalmente cachaça, por ele ingerida ao longo de sua vida. O fato do seu gosto pela branquinha era tão conhecido que algumas marcas traziam seu nome.
Em 2010, torcedores do Botafogo custearam uma estátua de quatro metros e meio e cerca de 300kg, ao custo de R$ 56.000,00 pagos ao artista plástico Edgar Duvivier. Essa estátua encontra-se hoje em frente ao Estádio João Havelange, onde o Botafogo manda seus jogos.
Já em novembro de 2011 durante a convenção mundial de futebol Soccerex, Eusébio, maior jogador português e contemporâneo tanto de Pelé quanto Garrincha, declarou abertamente que considerava Garrincha o melhor jogador de todos os tempos.
Garrincha foi considerado o mais habilidoso jogador que já existiu em todos os tempos sua capacidade de driblar e envolver seus adversários era impressionante. Pelo Brasil perdeu apenas uma das 61 partidas que fez com a camisa da Seleção. Em 1998, foi escolhido para a seleção de todos os tempos da Fifa, em eleição que contou com votos de jornalistas do mundo inteiro.

Garrincha no Corínthians
Partidas: 33
Gols marcados: 42
Partida de estreia: Corinthians 5 – 3 Vasco da Gama (2 de março de 1966)
Primeiro gol: Corinthians 3 – 1 Cruzeiro (13 de março de 1966)
Última partida: Corinthians 3 – 2 Santos (9 de outubro de 1966)
Último gol: Corinthians 2 – 0 São Paulo (19 de março de 1966)

6705 – Copa do Mundo do Brasil já tem o seu Mascote


O mascote

A Copa do Mundo no Brasil já tem um mascote: o tatu-bola, único que só existe no Brasil, nas regiões de Cerrado e Caatinga. Em função da caça predatória e destruição do habitat natural, é a espécie de tatu mais ameaçada de extinção no país. Atualmente, pode ser encontrado em Unidades de Conservação como o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, e o Parque Ecológico do Jalapão, no Tocantins.
A ideia foi proposta pela ONG Associação Caatinga, que atua no Ceará e luta pela defesa do animal. Quando se sente ameaçado, ele se fecha na própria carapaça e forma uma bola – característica importante na escolha e que será aproveitada nos vídeos e animações publicitárias do evento. A Fifa também recebeu sugestões como onça, arara e jacaré.
O desenho do tatu-bola foi registrado ontem no site de patentes europeias (OHIM) e terá seu nome definido por votação na internet.

6621 – Goleiro tricampeão mundial de 70, Félix morre aos 74 em São Paulo


Felix, goleiro titular da lendária seleção brasileira de 1970 e que tinha como seu reserva nada mais nada menos que Émerson Leão

O ex-goleiro Félix, campeão mundial em 1970 com a seleção brasileira, morreu nesta sexta-feira em São Paulo, vítima de uma doença pulmonar obstrutiva crônica agravada por pneumonia, aos 74 anos. O velório e o enterro (no sábado, às 9h30) acontecem no Cemitério do Araçá, na capital.
Com 47 partidas pelo Brasil (33 vitórias, 9 empates e 5 derrotas), Félix Miéli Venerando foi ídolo no Fluminense, time pelo qual jogou por oito anos (1968 a 76). Paulistano de nascimento, atuou ainda pelo Juventus –time pelo qual se tornou profissional, em 1953–, Portuguesa e Nacional.
Encerrou a carreira após descobrir que tinha calcificação no ombro direito, o que lhe limitava os movimentos. Pelo Flu, Félix foi campeão do Campeonato Carioca em 1969, 1971, 1973, 1975 e 1976, e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1970.
Tentou ser treinador, mas não teve sucesso. Dirigiu o Avaí. Foi ainda treinador de goleiros no próprio Fluminense, logo depois que deixou de ser profissional.
Félix Mielli Venerando, que nasceu dia 24 de dezembro de 1937, estava internado desde o dia 18 de agosto. Trabalhou nos últimos anos como diretor comercial de uma empresa que pertencia a seu genro. Deixa três filhas e mulher.
Em homenagem ao goleiro, a CBF, via comunicado, anunciou que todos os jogos da rodada deste fim de semana do Campeonato Brasileiro terão um minuto de silêncio.

6458 – Mega Almanaque – O Estádio Soccer City de Johanesburgo


Construído em 1987 e parcialmente demolido para o evento da Copa do Mundo da África do Sul, este estádio no Soweto, o distrito em que viveu Nelson Mandela, tem uma capacidade para 94.700 pessoas. A abertura do torneio aconteceu em 11 de junho de 2010 e a decisão exatamente 1 mês depois.O desenho do estádio foi inspirado na cerâmica tradicional sul-africana.
Após a reforma, se tornou o maior estádio da África. A maioria dos grandes acontecimentos futebolísticos da África do Sul se desenvolviam, já que se adapta melhor a estes eventos que fica ao redor do Ellis Park Stadium, onde se disputou a final da Copa do Mundo de Rugby de 1995. Soweto e o Centro Nacional de Exposições, em Nasrec estão em suas proximidades.
Uma vez reformado, voltou a receber as partidas internacionais da Seleção Sul-africana de Futebol.
No Soccer City foi disputado a final da Copa das Nações Africanas de 1996, na qual à Seleção Sul-Africana de Futebol consagrou-se campeã.
Também tem sido cenário do primeiro discurso inumerável de Nelson Mandela, depois sua liberação em 1990. Em 1993, celebraram-se no estádio os funerais por Chris Hani, o líder do SACP.
O Soccer City abrigou em 11 de junho de 2010 a partida inaugural do campeonato, e mais quatro partidas da primeira rodada, uma partida das oitavas de final, outra das quartas de final e a grande final.
O estádio foi submetido a uma importante renovação para o torneio, com um novo desenho inspirado na cerâmica tradicional africana. O nível superior se estendeu em todo o estádio para aumentar a capacidade para 94.700 espectadores, com 99 suítes executivas.
Incluiu a construção de uma cobertura elíptica, novas instalações de vestuários e nova iluminação. As obras foram adjudicadas ao consorcio Grinaker-LTA, e começaram em fevereiro de 2007 e terminaram em 2009.

6278 – Mega Almanaque Futebol – A Copa de 1978


Foi a 11ª Copa do Mundo disputada, e contou com a participação de 16 países. 107 países participaram das eliminatórias. O campeonato ocorreu na Argentina.
Foi uma copa cercada de polêmicas. Muito se deveu ao clima político vivido na Argentina. O país vivia uma brutal ditadura imposta pelos militares, que viram na organização do torneio a oportunidade ideal para popularizar o regime e promover a distração nacional dos problemas políticos e econômicos. Uma autêntica política de “pão e circo”.
O craque holandês, Johan Cruijff, se recusou a jogar a Copa, supostamente como forma de protesto contra o regime militar. A organização também apresentou muitas falhas. Os estádios ficaram, em alguns lugares, prontos na última hora, e por isso os gramados recém-plantados se soltavam sob os pés dos jogadores.
Enquanto a Argentina sediou quase todos os seus jogos em Buenos Aires, os principais rivais faziam um “tour” pelo país, se desgastando com longas viagens.
No grupo da Argentina, a Itália roubou a cena e venceu os seus três jogos da primeira fase. Com um gol de Bettega, despachou os donos da casa, 1 x 0. Era a geração de Paolo Rossi, Conti e Scirea começando a brilhar. A Argentina venceu Hungria e França, ambas por 2 x 1 e ficou com a segunda vaga. O bom time francês não levou sorte e acabou eliminado. Craques como Rocheteau, Platini, Tigana e Six brilhariam mais quatro anos depois (Marques, Armando – 2002 – “Todas as Copas do Mundo”).

Brasil, o “campeão Moral’!
No grupo do Brasil, outro drama pós-70. A seleção canarinho, perdida em meio aos malabarismos táticos do técnico Cláudio Coutinho, não empolgava. O time era lento, apático e não se encontrava. Possuía dois jogadores da verdadeira linhagem de camisas 10, Zico e Roberto Rivellino (tricampeão em 1970), mas nenhum dos dois brilhou. No primeiro jogo, o Brasil empatou com a Suécia por 1 x 1. Neste jogo uma curiosidade: no último lance do jogo, há um escanteio a favor do Brasil. A bola é centrada na área e Zico marca um gol de cabeça. Mas o árbitro galês Clive Thomas anulou o gol, argumentando que encerrou o jogo com a bola no ar, após o córner. O Brasil ainda empatou com a Espanha em 0 a 0. E só se classificou ao vencer a Áustria no terceiro jogo, 1 x 0, gol de Roberto Dinamite. Mesmo com a derrota, a Áustria, que vencera os dois primeiros jogos, ficou com a outra vaga.
A Holanda, sem Rinus Michels e Cruijff, não era a mesma e também teve dificuldades em se classificar. Venceu o fraco Irã por 3 a 0, depois empatou com o Peru em 0 a 0 e perdeu da Escócia por 3 a 2. O Peru foi a grande sensação do grupo, com seu futebol clássico e técnico, que tinha Teófilo Cubillas como seu principal artífice. Venceu, ainda na primeira fase, a Escócia por 3 a 1 e goleou o Irã por 4 a 1.
Alemanha Ocidental e Polônia dividiram as vagas de seu grupo entre si sem maiores dificuldades. Neste grupo, a Tunísia fez história ao conquistar a primeira vitória de uma seleção africana em copas, 3×1 no México.
Estavam na segunda fase: Argentina, Peru, Brasil e Polônia no Grupo A e Alemanha, Itália, Países Baixos e Áustria no grupo B.
Na segunda fase, a “Laranja Mecânica” reencontrou seu melhor futebol e embalou na Copa: goleou a Áustria por 5 x 1; empatou com a Alemanha Ocidental em 2 x 2 e ganhou da favorita Itália 2 x 1, conseguindo uma vaga para a final.

Placar na Copa de 78. O jogador Dirceu faleceu em um acidente automobilístico na década de 90.

No grupo de Brasil e Argentina, o maior escândalo da história das Copas. O Brasil, modificado com as entradas de Rodrigues Neto, Jorge Mendonça e Roberto Dinamite nos lugares de Edinho, Zico e Reinaldo, se recuperou da apatia da 1ª fase e venceu o Peru por 3 a 0. A Argentina passou pela Polônia por 2 a 0. Em Rosário, argentinos e brasileiros duelaram numa verdadeira batalha, mas o jogo ficou no 0 a 0. Foi jogo nervoso, pois Coutinho escalou o jogador Chicão (falecido em 2008) para intimidar os argentinos com um jogo duro e de marcação. Mas este empate seria fatal para o Brasil. Na última rodada, a equipe venceu tranquilamente a Polônia por 3 a 1. Com este resultado, restava à Argentina vencer o Peru por 4 gols de diferença. Uma vantagem considerável, pois desde que César Luis Menotti se tornara técnico da seleção, os alvi-celestes jamais tinham vencido um jogo por mais de 3 gols. O Peru, literalmente, abriu mão do direito de jogar, e levou suspeitíssimos 6 a 0. Uma curiosidade: o goleiro peruano, Ramón Quiroga, era argentino de nascimento, e falhou em vários gols.
Ao Brasil, restou vencer a Itália na decisão de 3º lugar com um golaço de Nelinho, onde a bola fez uma curva improvável e surpreendeu o experiente goleiro Dino Zoff. O outro gol foi marcado por Dirceu, o grande destaque verde-amarelo no torneio.
Na grande final, num Estádio Monumental de Nuñez lotado, os donos da casa queriam a revanche de 1974 e o título em 78! A Argentina pressiona e Mario Kempes abre o placar. Os holandeses empatam com um belo gol de cabeça de Dirk Nanninga. Aos 45 do segundo tempo, um susto para os argentinos: Rensenbrink acerta a trave de Fillol, para alívio geral nas arquibancadas. Na prorrogação, a Argentina atropela os Laranjas com dois gols – Kempes, de novo, e Bertoni, vingando a derrota de 4 x 0 sofrida na Copa de 74. Para encerrar o controvertido certame, o emblemático Coutinho, treinador da seleção brasileira, soltou mais um de seus malabarismos linguísticos: “Nós somos os campeões morais desta Copa!”. Todavia, o título real ficou mesmo com a Argentina.

Curiosidades
O desempate era por saldo de gols, mas por causa da suspeita de que o Peru tivesse entregado o jogo para a Argentina, a partir da copa seguinte, em 1982, o desempate passou a ser através de prorrogação e pênaltis.

Pela primeira vez, as seleções ostentaram o logotipo do fabricante no uniforme.
Foi a primeira Copa em que a Argentina usou o escudo da AFA, Associação de Futebol Argentino no uniforme, nas Copas anteriores a camisa albiceleste estava sem o devido escudo.
Foi a última Copa em que 16 seleções participariam da fase final. A partir do Mundial da Espanha, em 1982, seriam 24 seleções.
O Brasil utilizou dezessete dos 22 jogadores inscritos. Apenas quatro disputaram todos os jogos completos: Leão, Oscar, Amaral e Batista.
Para disputar suas sete partidas, o Brasil percorreu 4.659 quilômetros pela Argentina. Já a Argentina percorreu apenas 618.
A Seleção Francesa tentou, sem êxito, boicotar a sua ida a Copa em resposta ao assassinato de freiras francesas por parte do Regime Militar.
Na decisão entre as seleções da Argentina e Holanda, um torcedor de 49 anos sofreu um ataque cardíaco no momento em que atacante neerlandês Rob Rensenbrink acertara a trave do goleiro argentino Ubaldo Fillol, porém foi socorrido a tempo de festejar a conquista inédita do título.
Os holandeses viraram de costas para o sanguinário ditador Jorge Rafael Videla na hora de receberem as suas medalhas de prata.
Esta Copa protagonizou o segundo escândalo de doping da história do torneio. O meia escocês Johnstone foi flagrado nos exames antidoping na partida em que sua seleção foi derrotada pelo Peru por 3×1. Johnstone, após o anúncio do doping, e de seu desligamento da delegação, fez as malas, e voltou para casa mais cedo. Depois do episódio, ele nunca mais foi convocado pela Escócia em competições internacionais.
No jogo Brasil e Suécia na 1ª fase, o jogo estava empatado em 1×1 até os acréscimos no final da partida, quando houve um escanteio a favor do Brasil. Quando o escanteio foi cobrado, o meia brasileiro Zico subiu de cabeça, e marcou o que seria o gol da vitória brasileira. Estranhamente, o juiz galês Clive Thomas encerrou o jogo, para desespero do time brasileiro. Sua alegação foi que ele terminara o jogo com a bola no ar. O time brasileiro entrou com duas representações contra o juiz na Comissão de Arbitragem e no Comitê Disciplinar da FIFA. O juiz foi afastado, e nunca mais apitaria uma partida de Copa.
Eliminadas na primeira fase, as seleções da França e da Hungria proporcionaram um verdadeiro papelão, sendo que a França, em protesto contra as más arbitragens, entrou também de camisa branca, pois a mesma estava sorteada para os húngaros, o árbitro do jogo, o brasileiro Arnaldo César Coelho, se recusava a começar a partida, enquanto a questão dos uniformes não estivesse resolvida, os jogadores da França acabaram sendo obrigados a jogarem com uniformes verdes listrado de branco, cedidos as pressas por um time amador, o Kimberley, os franceses venceram por 3×1.
O jornal inglês Sunday Times denunciou que os argentinos estavam fraudando os testes antidoping. Diziam que a urina para os exames após cada partida não era fornecida pelos jogadores, que inferiam fortes doses de anfetaminas. Um homem teria sido contratado só para urinar.
O jogador Rob Rensenbrink da seleção neerlandesa, marcou o gol 1000 da história da Copa do Mundo, convertendo um penalti, no jogo Escócia 3×2 Países Baixos.
A seleção da Tunísia tornou-se a primeira seleção africana a ganhar uma partida de Copa do Mundo, batendo o México por 3×1. As Águias de Cartago conseguiram ainda um empate em 0 a 0 com a Alemanha Ocidental, então campeã do mundo.
O Brasil se autoproclamou “campeão moral” por ter sido a única seleção invicta da Copa e porque o goleiro do Peru, Quiroga, teria facilitado a partida contra a Argentina. A Argentina precisava ganhar de uma diferença superior a quatro gols. Ganhou de 6 a 0. Além disso, Quiroga nasceu na Argentina e naturalizou-se peruano.
Atendendo a pedidos das emissoras de TV argentinas que alegaram estarem se adaptando a era do canal a cores, novidade da época na vizinha Argentina, a FIFA repentinamente alterou o horário dos jogos decisivos do Grupo B das semifinais da Copa de 1978: sendo que o jogo Brasil x Polônia seria disputado no horário vespertino, e o jogo Argentina x Peru no horário noturno, o selecionado argentino entrou em campo praticamente com o resultado em mãos.
Fernando Rodríguez Mondragón, filho de um chefe do tráfico de drogas Colombiano, declarou em 2007 à Rádio Caracol (Colômbia) que o desarticulado cartel de Cáli subornou a seleção do Peru, com uma cifra não revelada, para que deixasse a seleção da Argentina ganhar o decisivo jogo da segunda fase. A Argentina se classificou tendo os mesmos pontos que o Brasil, mas com melhor saldo de gols.
Foi a única edição da Copa que o Brasil terminou sem ser derrotado e não foi campeão.
Houve rumores de que a Ditadura Militar argentina desejava o título a todo custo, o que segundo algumas pessoas, explicaria boa parte dos episódios estranhos ocorridos durante a Copa. A comemoração da imensa torcida argentina pela vitória de 6×0 sobre o Peru serviu para acabar com os protestos das Mães da Praça de Maio, que buscavam informações dos filhos desaparecidos, pois os mesmos haviam feito vários protestos contra o governo militar do país.
Quatro seleções retornam após um longo hiato:
Áustria: Após 20 anos (A última foi em 1958).
Espanha, França e Hungria: Após 12 anos (A última foi em 1966).
2 nações faziam sua primeira participação em copas: Tunísia e Irã.

6253 – Mega Almanaque Futebol – Roberto Miranda


Esse os botafoguenses não esquecem

Este grande goleador foi reserva na seleção brasileira tri-campeã em 1970. Uma rica seleção que podia se dar ao luxo de ter um jogador desse calibre no banco de reservas.
Atuou pelo Botafogo de 1962 a 1972, pelo Flamengo entre 1971 e pelo Corinthians de 1973 a 1976. Raçudo, chegou a quebrar costela, braço, clavícula e queixo e ainda rompeu o tendão de Aquiles.Tinha fama de “não fugir do pau”, que cresceu quando, logo depois de marcar o gol de empate em uma partida contra o Vasco, tomou um tapa do zagueiro Fontana e revidou, o que gerou uma enorme briga e causou a expulsão de ambos.
No Corinthians, aonde chegou trocado pelo lateral Miranda, jogou pouco, por causa de diversas contusões. Uma operação no joelho direito acabou por fazê-lo encerrar prematuramente a carreira, ainda no Corinthians.
Apelidado de Vendaval pela maneira como passava pelas defesas adversárias, Roberto Miranda é o nono maior artilheiro da história do Botafogo, com 154 gols em 352 jogos. Foi ainda o artilheiro do Campeonato Carioca de 1968. Pela Seleção Brasileira, fez 18 partidas oficiais e marcou nove gols. Também atuou em dois jogos não oficiais, ambos em 1970, e marcou um gol.
Em sua carreira de jogador conquistou diversos títulos, como os Campeonatos Cariocas de 1962, 1967 e 1968 e os Torneio Roberto Gomes Pedrosa nos anos de 1964 e 1966, Campeonato Brasileiro de Futebol de 1968, Tri-campeão da Copa do Mundo de Clubes (1967,1968 e 1970), Campeão do torneio de Carranza da Argentina: 1966 e do troféu Jornalista de Caracas: 1966 todos pelo Botafogo, e a Copa do Mundo de 1970, pela Seleção Brasileira — a maior emoção de sua vida. Na campanha do Tri, ficou na reserva de Tostão, mas entrou em campo contra Inglaterra e Peru, na primeira partida substituindo Tostão e, na segunda, Jairzinho.
Hoje mora em Niterói (RJ). Roberto trabalha como funcionário público no projeto para venda de remédios mais baratos para a população de baixa renda. Além dele, Brito e Pinheiro também trabalham neste projeto.
Começou a carreira no Botafogo. Rápido e oportunista, o centroavante ganhou o apelido de “Vendaval”. Defendeu o time da Estrela Solitária entre os anos de 1962 e 1972. Ao lado de Jairzinho, Rogério (ponta-direita), Paulo César Caju e outras feras, o centroavante conquistou os títulos cariocas de 1962, 1967 e 1968 e os torneios Rio-São Paulo de 1964 e 1966. Fez 352 jogos pelo Fogão nos quais marcou 154 gols.
O artilheiro, que marcou 154 gols pelo Botafogo em 352 jogos, deixou o Glorioso em 1972, mas nunca mais foi o mesmo jogador. Passou rapidamente pelo Flamengo, entre 1972 e 1973. No rubro-negro fez apenas 11 partidas (seis vitórias, quatro empates e uma derrota) e marcou três gols.

Depois, Roberto deixou o Rio de Janeiro para defender o Sport Club Corinthians Paulista. As contusões atrapalharam bastante o centroavante, que também jogou como meia-direita no alviengro do Parque São Jorge. Entre 1973 e 1976, Roberto vestiu a camisa corintiana 77 vezes (32 vitórias, 30 empates e 15 derrotas) e marcou 21 gols.

6241 – Mega Almanaque Futebol – Osmar Santos


Osmar no auge da carreira

Osmar Aparecido Santos (Osvaldo Cruz, 28 de julho de 1949) é um ex-radialista e locutor esportivo brasileiro. Após um grave acidente de automóvel atua como pintor.
Formado em Educação Física, Administração e Direito, Osmar Santos, também conhecido como “O Pai da Matéria”, trabalhou como locutor esportivo nas rádios Jovem Pan, Record e Globo onde continua contratado mas sem narrar mais as partidas devido ao grave acidente de automóvel que sofreu em 22 de dezembro de 1994 e que afetou sua fala, que era seu dom. Hoje como artista plástico, dedica parte de seu tempo em pinturas sobre telas. Trabalhou também nas redes de televisão Rede Globo, Rede Record e Rede Manchete. Narrou a Copa do Mundo de 1986 pela Rede Globo como primeiro locutor, na companhia de Galvão Bueno (2º locutor) e Luís Alfredo (3º locutor). Fez para a Rede Manchete a Copa do Mundo de 1990 com comentários de Zagallo.
Foi um dos melhores narradores de futebol do rádio brasileiro. Faziam parte da equipe comandada por Osmar na Rádio Globo, na fase de maior sucesso: Loureiro Júnior e Carlos Aymard (comentaristas), Fausto Silva (o Faustão da Globo), Roberto Carmona e Henrique Guilherme (repórteres de campo). E os também narradores: Oswaldo Maciel, Oscar Ulysses e Odinei Edson (esses dois últimos, seus irmãos). Juarez Soares também participou da equipe, como apresentador de um programa que falava de futebol e variedades. Com base nessa experiência, Osmar Santos e sua equipe passaram a apresentar o programa e variedades Balancê (que tinha na produção Odir Cunha, com Lucimara Parisi na produção artística).
Osmar Santos teve uma participação importante como locutor dos comícios da campanha política de 1984 pelas Diretas Já!. Bastante popular, recebeu proposta para candidatar-se a cargos políticos, mas não aceitou.
Osmar Santos vinha sendo preparado para trabalhar na Rede Globo, onde atuou como narrador de futebol e apresentador, mas quem acabou sendo contratado em 1989 para apresentar o programa dominical da Globo foi seu amigo Fausto Silva. Faustão havia se destacado no programa Perdidos na Noite, produzido pela TV Record a partir de 1982, e TV Bandeirantes, a partir de 1986.
Sempre muito criativo, inovou também quando passou a narrar partidas pela TV Record. Em alguns momentos a câmera o mostrava na cabine e ele falava diretamente com o telespectador. Também criou bordões que foram tão bem aceitos pelo público, que ecoavam pelos estádios, como o famoso “Parou por quê, por que parou?”. Entre suas expressões inesquecíveis, estão: Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha, “Um prá lá, dois prá cá, é fogo no boné do guarda”, “Sai daí que o Jacaré te abraça, garotinho”, “No carocinho do abacate” “ai garotinho”, “vai garotinho porque o placar não é seu” e uma das narrações de gol mais marcante do rádio brasileiro.
Seu irmão Oscar Ulisses comanda a equipe de esportes da Rádio Globo. Seu outro irmão Odinei Edson narra a Fórmula 1 para a Rádio Bandeirantes. Na Bandeirantes trabalha também o seu primo Ulisses Costa.
Em 1994 sofreu um grave acidente de carro que lhe produziu graves seqüelas devido aos danos cerebrais que sofreu quando viajava de Marília para cidade de Lins, em São Paulo, quando ele foi atingido por um motorista de caminhão bêbado. Teve grande recuperação de várias funções, porém sua fala ficou comprometida, sendo capaz de pronunciar menos de cem palavras, impedindo-lhe de continuar trabalhando como narrador. Hoje se dedica à pintura.
O Troféu Osmar Santos é concedido a cada ano à equipe que termina o primeiro turno do Campeonato Brasileiro de Futebol em primeiro lugar.

5708 – Mega Almanaque Futebol – Brasil X Uruguai na Copa de 70


Uma partida inesquecível com lances imortais, relembrados até hoje nos programas esportivos.
O jogo da semifinal no ano do Tricampeonato significou muito mais do que um jogo, devido a rivalidade com os uruguaios após o Maracanazzo de 1950.
Jairzinho, o furacão da copa deixou o dele. E o drible lendário de pelé no goleiro Mazurkiewcz valeu o ingresso.
OS CONVOCADOS PARA A COPA DE 1970
Goleiros: Félix (Fluminense), Ado (Corinthians) e Leão (Palmeiras);
Laterais: Carlos Alberto (Santos), Zé Maria (Corínthians),
Everaldo (Grêmio) e Marco Antônio (Fluminense);
Zagueiros: Brito (Flamengo), Baldochi (Palmeiras),
Fontana (Cruzeiro) e Joel Camargo (Santos);
Meio-campistas: Clodoaldo (Santos), Piazza (Cruzeiro), Gérson (São Paulo),
Pelé (Santos), Rivelino (Corinthians) e Tostão (Cruzeiro);
Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Dario (Atlético-MG), Roberto Miranda (Botafogo),
Paulo César (Botafogo) e Edu (Santos); Técnico: Zagallo.
Dos quatro semifinalistas da Copa de 1970 (Uruguai, Brasil, Itália e Alemanha), três poderiam conquistar em definitivo a Taça Jules Rimet. Brasileiros, italianos e uruguaios tinham duas conquistas cada.

Curiosidades sobre a Copa
· Dois dos três preparadores físicos da Seleção Brasileira da Copa de 1970 chegaram a técnicos do Brasil em mundiais. Cláudio Coutinho, em 1978, e Carlos Alberto Parreira, em 1994. Admildo Chirol foi o único que não chegou.
· João Saldanha era o técnico da Seleção Brasileira nas eliminatórias da Copa de 1970. Mas um entrevero com o presidente da República na época, Emilio Garrastazu Médici, o afastou da Copa. Médici palpitou sobre a convocação da Seleção para Copa e Saldanha respondeu que “Médici devia palpitar no ministério dele, que da seleção cuidava ele. João Havelange, então presidente da CBF, não teve dúvidas, e demitiu o treinador.
· A Seleção da Copa de 1970 era formada por: Sepp Maier(Alemanha); Carlos Alberto(Brasil), Cera(Itália), Cooper(Inglaterra) e Beckenbauer(Alemanha);Clodoaldo(Brasil),Gérson(Brasil);Jairzinho (Brasil), Muller(Alemanha), Pelé (Brasil) e Rivelino(Brasil).
· O capitão da Seleção Inglesa campeã em 1966, Bob Moore, foi acusado de roubar um bracelete de ouro de uma joalheria em Bogotá. Após muitas discussões com as autoridades colombianas, o jogador foi liberado para jogar o Mundial de 1970.
· O meio-de-campo Didi, campeão com a Seleção Brasileira em 1958 e 1962, foi o técnico do selecionado peruano no mundial do México. A maior façanha do “Príncipe Etíope” foi nas Eliminatórias Sul-Americanas de 1969, quando desclassificou a Argentina.
· O goleiro uruguaio Mazurkiewicz, que ficou entre os três melhores arqueiros na copa, jogou no Brasil, mais precisamente no Atlético Mineiro, de 1972 a 1974.
O alemão Gerd Muller marcou dez gols em 1970, tornando-se o artilheiro da Competição. Com os quatro gols assinalados na Copa de 1974, Muller virou o maior goleador em copas do mundo.
· Jairzinho(Botafogo),Tostão(Cruzeiro), Rivelino(Corinthians), Gérson(São Paulo) e Pelé (Santos), que formavam o meio-de-campo e o ataque da Seleção Brasileira, jogavam nos seus clubes com a camisa 10.
· Em 1970, foi a quarta e última Copa que Pelé disputou. O Rei do Futebol marcou 10 gols e venceu três vezes a principal competição de futebol do Mundo.

4981 – Mega Memória Futebol – Uma farsa que ficou na História


Em 1989, precisando vencer o Brasil em pleno Maracanã para se classificar para a Copa do Mundo da Itália de 1990, o Chile protagonizou uma maiores farsas da história do futebol. Com sua equipe perdendo de 1 a 0 e dando adeus ao sonho de disputar o Mundial, o goleiro Roberto Rojas se aproveitou do fato de um foguete sinalizador ter sido atirado no gramado próximo a ele, tirou da luva uma pequena navalha e se cortou, simulando ter sido atingido pelo artefato.
O lance ocorreu aos 24 minutos do segundo tempo e o goleiro saiu carregado pelos companheiros e levado ao vestiário. O juiz Juan Lostau esperou 20 minutos e encerrou o jogo.
O time chileno saiu de campo, tentando provocar uma nova partida ou mesmo ganhar no tapetão, mas a farsa foi descoberta.
Médicos legistas que o examinaram após a partida encontraram só uma “ferida incisa sem vestígios de pólvora” em seu supercílio. Ele disse que colocou em seu relatório que o Chile abandonou o campo.
uma das maiores farsas do futebol mundial, que teve como palco o Maracanã, em 3 de setembro de 1989. Neste dia, o então goleiro Rojas, da seleção chilena, conseguiu dividir opiniões quando simulou ter sido atingido por um sinalizador marítimo. A imprensa chilena denunciou os brasileiros de mafiosos e assassinos. O jornal “Fortim”, por exemplo, destacou em manchete de capa, no dia posterior ao jogo, o seguinte: “Herido el condor”. Houve um jornal que optou pelo título de capa em uma palavra: “Mafiosos” (numa referência aos brasileiros).O Chile precisava ganhar a partida para ter chances de classificação ao Mundial da Itália, de 1990, e o Brasil também necessitava vencer pelas Eliminatórias Sul-Americanas. O jogo estava difícil para o time chileno e a torcida brasileira levou para o Estádio Maracanã o clima de guerra. Disso se aproveitou Rojas, que esperou o exato momento em que uma torcedora atirou fogos atrás de sua meta, para simular um ferimento na testa. Acreditem: o catimbeiro Rojas se cortou propositalmente, e seu rosto logo se banhou de sangue, provocando a interrupção da partida em que o Brasil vencia por 1 a 0.No tumulto, na arquibancada, a torcedora Rosemary – que não tinha hábitos de freqüentar campos de futebol – foi denunciada por atirar o tal simulador marítimo. E por mais que tentasse argumentar que o goleiro não havia sido atingido pelos fogos, não conseguia. Foi crucificada.A verdade dos fatos só foi restabelecida três meses depois, quando a Comissão Jurídica e Médica do Chile divulgou relatório de 74 páginas, em que acusava o goleiro de ter provocado em si mesmo o corte na testa, com o objetivo de interromper aquela partida.
E Rojas foi suspenso por 18 meses do futebol chileno, enquanto a Fifa pretendia bani-lo. O goleiro ainda tentava confundir a cabeça das pessoas, alegando inocência, justificando que teria sido injustiçado. Mas prevaleceu a punição.Posteriormente, o São Bento, de Sorocaba (SP), numa jogada de marketing intermediada por uma fábrica de artifício da cidade, tentou contratá-lo, porém não deu certo. Assim, o bom goleiro chileno acabou no Morumbi, no time do São Paulo.Sem a mesma motivação para continuar jogando, Rojas encurtou a carreira de atleta, mas foi aproveitado no próprio São Paulo, na preparação de goleiros de todas as categorias.O trabalho competente de Rojas para ensinar segredos aos goleiros ainda é reconhecido, mas aquele episódio de setembro de 1989 sempre será lembrado. Curioso é que a Rosemary “Fogueteira”, falecida no ano passado, saiu do anonimato para as páginas da revista Playboy, ganhando um gordo cachê para tirar a roupa.

2945 – Mega Polêmica:Futebol: Copa do Mundo não dá lucro


Quando um país recebe o mundial, os ganhos não cobrem os gastos com estádios. Mas o grau de felicidade da população aumenta. E isso também pode ser medido em números

No dia em que a África do Sul ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo, em 2004, o bairro negro do Soweto, em Johanesburgo, gritou: “A grana está vindo!” Eles estavam expressando algo que os brasileiros devem ter ouvido: que sediar uma copa traz dinheiro. Em qualquer lugar que se candidate a uma Copa do Mundo, políticos tecem loas à “bonança econômica”. Falam das hordas de turistas prontos para gastar os tubos, da propaganda gratuita para as cidades-sede, dos benefícios de longo prazo que as estradas e os estádios a ser construídos vão trazer. Não surpreende que o Brasil tenha querido tanto a copa.

Mas esse argumento econômico é uma enganação. Os brasileiros vão descobrir logo. E os sul-africanos já o fizeram: a conta pela construção de estádios, em US$ 1,7 bilhão, já é 6 vezes maior que as estimativas iniciais; a quantidade de turistas esperados é bem menor que a prometida e a Fifa não deixou os sul-africanos pobres vender suas salsichas do lado de fora dos estádios. Que fique claro: uma copa não deixa o país mais rico.
No dia em que a África do Sul ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo, em 2004, o bairro negro do Soweto, em Johanesburgo, gritou: “A grana está vindo!” Eles estavam expressando algo que os brasileiros devem ter ouvido: que sediar uma copa traz dinheiro. Em qualquer lugar que se candidate a uma Copa do Mundo, políticos tecem loas à “bonança econômica”. Falam das hordas de turistas prontos para gastar os tubos, da propaganda gratuita para as cidades-sede, dos benefícios de longo prazo que as estradas e os estádios a ser construídos vão trazer. Não surpreende que o Brasil tenha querido tanto a copa.

Mas esse argumento econômico é uma enganação. Os brasileiros vão descobrir logo. E os sul-africanos já o fizeram: a conta pela construção de estádios, em US$ 1,7 bilhão, já é 6 vezes maior que as estimativas iniciais; a quantidade de turistas esperados é bem menor que a prometida e a Fifa não vai deixar os sul-africanos pobres vender suas salsichas do lado de fora dos estádios. Que fique claro: uma copa não deixa o país mais rico.

Tipicamente, um país prestes a receber um mundial paga para que economistas-fantoches publiquem estudos dizendo que a copa vai impulsionar a economia. Já a maioria dos economistas de verdade – pagos por universidades para escrever sobre o que realmente acreditam – pensa o inverso. E faz as perguntas que os promotores de novos estádios não gostam: de onde veem os trabalhadores temporários que vão participar dessas construções? Eles não tinham emprego antes? Isso não vai deixar outras áreas com menos trabalhadores experientes? E tem mais.

Gastar com uma copa significa menos hospitais e escolas. Pior: estádios novos quase nunca produzem os benefícios prometidos. A maior parte acaba usada poucas vezes por ano. É preciso que fique claro o que significam os gastos públicos com a construção e a reforma de estádios. Trata-se de uma transferência. Benefícios que iriam para o contribuinte vão para os clubes (que ganham arenas e reformas de graça) e os torcedores (que aproveitam as casas novas ou renovadas de seus times). Depois que o contribuinte pagou por estádios melhores, provavelmente mais pessoas vão querer ver jogos neles. O Brasil pós-2014 deve testemunhar o mesmo que aconteceu na Inglaterra após a melhoria dos estádios no começo dos anos 90: a chegada de mais torcedores de classe média, de mulheres, e públicos maiores nos jogos. É verdade que a Inglaterra é mais rica que o Brasil e pôde bancar isso. Mas o Brasil hoje é mais rico que os estádios dilapidados que tem.

O preço da felicidade

Se o público do futebol crescer após 2014, porém, isso não vai significar um impulso na economia. Só uma transferência da riqueza brasileira como um todo para o futebol brasileiro. Mas o país ganha um belo extra: felicidade. O economista britânico Stefan Szymanski e seu colega Georgios Kavetsos pesquisaram dados de felicidade da população na Europa Ocidental entre 1974 e 2004, com questionários que buscam tabular isso em números, e descobriram que, depois que um país recebe um torneio como o mundial ou a Eurocopa, seus habitantes se declaram mais felizes.

O salto de felicidade é grande. O europeu médio reporta um grau de felicidade duas vezes maior por seu país ter sediado uma grande competição do que por ter feito curso superior. Para ter o mesmo impulso no grau de felicidade, só se a pessoa recebesse um grande aumento de salário. E esse ganho persiste: 4 anos depois de uma copa, cada grupo de indivíduos pesquisados estava mais feliz do que antes do torneio.

A razão disso, ao que parece, é que sediar um mundial faz com que os habitantes sintam-se mais conectados uns aos outros. Uma copa faz isso mais do que qualquer outro projeto que possa existir nas sociedades modernas. Além disso, a nação anfitriã provavelmente ganha em autoestima pelo fato de ter organizado o torneio.

Dá para argumentar que o Brasil tem coisas mais urgentes. Da mesma forma que os sul-africanos, os brasileiros podem perguntar quantas casas ganhariam sa-neamento básico com o dinheiro público que irá para a construção de estádios. E serão R$ 5 bilhões, quase 3 vezes mais do que o previsto em 2007, quando o Brasil ganhou a disputa para virar sede.

O mais importante, porém, é entender qual é o propósito de uma copa. Se é para a felicidade geral da nação, faz sentido, sim, organizar a maior festa do mundo (e ninguém é melhor nesse quesito do que vocês, brasileiros). Só não esperem ganhar dinheiro com essa festa.

* Opinião do colunista do Financial Times e autor do livro Soccernomics (editora Tinta Negra, 2010)