11.035 – Nutrição – Gordura, vilã ou injustiçada?


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Nossa compreensão das gorduras tem melhorado, e agora já sabemos que não podemos dizer que elas são somente boas ou ruins, sem nenhum meio-termo.
Por exemplo, carne vermelha, bolos e biscoitos, ricas fontes de ácidos graxos saturados, são associados com um aumento do número de doenças cardiovasculares. Por outro lado, nozes, óleo de peixe e produtos lácteos, que são ricos em gorduras saturadas, são produtos associados com menor risco de doenças cardíacas.
Existem quatro tipos principais de gorduras em nossos alimentos: polinsaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans. Cada tipo tem diferentes propriedades químicas e físicas. Óleos vegetais, como de girassol, soja e oliva, geralmente contêm os dois primeiros, mas relativamente pequenas quantidades de gordura saturada. Já o azeite-de-dendê, que tem um ponto de fusão mais elevado e é agora utilizado em muitos produtos, é altamente saturado.
Hoje em dia, o mantra simplista de que devemos comer menos gordura, sal e açúcar já se transformou em um conselho dietético mais detalhado: frutas, legumes e produtos lácteos com baixo teor de gordura, incluindo cereais integrais, aves, peixes e nozes geralmente fazem bem para a saúde, enquanto carne vermelha, doces e bebidas que contêm açúcar (como refrigerantes) são o que devemos evitar.
Gordura é energia
A maior parte da energia em nossa dieta vem de carboidratos. No entanto, a gordura é responsável por entre um quarto e dois quintos do consumo de energia de um adulto, e metade de um recém-nascido. Em bebês, uma alta ingestão de gordura promove depósitos de gordura que os isolam contra a perda de calor.
A adição de gordura aos alimentos pode dobrar seu conteúdo energético. Já a remoção de gordura de produtos como carne e leite pode reduzir esse conteúdo substancialmente. Gordura fornece 9 kcal/g (quilocalorias por grama) em energia em comparação com 3.75 kcal/g, 4 kcal/g e 7 kcal/g de carboidratos, proteínas e álcool.
Reduzir o consumo enérgico em vez de aumentar a atividade física é o meio mais eficaz de reduzir a gordura corporal. A redução do consumo pode ser conseguida ao preferir versões com menos teor de gordura de alimentos, ao cortar a gordura da carne e ao utilizar óleos de cozinha com moderação. Não há muita diferença no conteúdo de gordura da carne grelhada ou frita. Restrição da ingestão de energia requer também limitar a ingestão de carboidratos e álcool.
O excesso ou acúmulo de gordura corporal é mais prejudicial se for na cavidade abdominal ou no fígado, algo causalmente associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A medida da cintura (mais de 80 centímetros para mulheres e 94 centímetros para homens) indica obesidade central e é útil para predizer o risco de diabetes tipo 2.
As mulheres têm maiores reservas de gordura subcutânea do que os homens, de modo que os homens armazenam sua gordura visceral em torno do vaso sanguíneo mesentérico no abdômen. Quando a energia armazenada nas células de gordura é liberada, o processo de mobilização de gordura faz com que ácidos graxos entrem na corrente sanguínea. A gordura visceral é mais rapidamente mobilizada do que a gordura subcutânea e pode acumular-se no fígado. A gordura também se acumula no fígado se a ingestão de álcool ou de açúcar for elevada.
A obesidade resulta do acúmulo excessivo de gordura alimentar no corpo. Muita pouca gordura que se acumula no corpo é resultado do consumo de carboidratos (incluindo açúcar) ou álcool, porque os carboidratos são usados como combustível, em detrimento de gordura. Mas se você tem excesso de combustível/energia no corpo, daí sim ocorre depósito na forma de gordura, porque temos uma capacidade limitada de armazenar carboidratos.
A gordura do corpo desempenha um papel importante na fertilidade feminina. Entre 20 a 30% do peso corporal de uma mulher madura saudável é gordura – o dobro da proporção vista nos homens. Se o nível cair abaixo de cerca de 18%, a ovulação para. No entanto, níveis muito elevados – geralmente cerca de 50% de seu peso – também resultam em infertilidade.
Um hormônio chamado leptina é secretado pelo tecido adiposo (gordura) no sangue, em proporção com a quantidade de gordura armazena. O cérebro detecta o sinal da leptina no sangue e isso promove a ovulação, quando o nível é alto o suficiente.
Precisamos de certos ácidos graxos poliinsaturados, apropriadamente chamado de ácidos gordos essenciais (ácidos linoléico e linolênico), em nossa dieta para uma pele saudável. Eles também contribuem para a manutenção da saúde cardiovascular, bem como da saúde do cérebro e da função visual. Obtemos esses ácidos principalmente a partir de óleos vegetais, nozes e peixes oleosos.
Cerca de 30 gramas de gordura são necessárias – todos os dias – para promover a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que também conseguimos a partir de alimentos gordurosos. Os óleos vegetais são uma importante fonte de vitamina E e óleo de peixe é a melhor fonte alimentar de vitamina D. Provitaminas são substâncias que podem ser convertidas dentro do corpo em vitaminas. Adicionar um pouco de óleo em vegetais verdes e cenouras ainda melhora a absorção de caroteno (pró-vitamina A).
O nível de colesterol no sangue de uma população, em média, é um dos principais determinantes do risco de doença cardíaca coronária. Testes mostram que a substituição de ácidos gordos saturados por ácidos gordos poli-insaturados reduz o colesterol no sangue e por sua consequência a incidência da doença, mas não a mortalidade.
Nem toda gordura saturada aumenta o colesterol no sangue. O que causa esse efeito são os ácidos láurico, mirístico e palmítico (o último é encontrado no azeite-de-dendê), porque aumentam a lipoproteína de baixa densidade (LDL, popularmente conhecida como colesterol ruim). Em geral, para reduzir o colesterol, é interessante substituir ácidos graxos saturados com óleos ricos em gorduras monoinsaturadas (azeite, canola) ou ácidos graxos poliinsaturados (soja, óleo de girassol), ao invés de reduzir os carboidratos. Por exemplo, substituir a manteiga por azeite como principal fonte de gordura pode reduzir o LDL em cerca de 10%.

9779 – SP é o Estado que mais economizou energia no horário de verão


Complexo da Cantareira seco
Complexo da Cantareira seco

O Horário de Verão resultou na economia de 405 milhões de reais segundo relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No horário de pico, que começa no final da tarde e vai até a noite, o Estado de São Paulo foi responsável por 40% (ou 1.027 megawatts) da economia de energia durante os mais de 100 dias de mudança de horário. A demanda do Estado recuou 4,8% — maior redução entre todos os Estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, que aderiram ao horário de verão. No horário de pico, as três regiões economizaram um total de 2.565 megawatts.
Segundo o ONS, o custo evitado com geração térmica para se preservar os padrões de segurança do sistema foi de 125 milhões de reais no período de outubro de 2013 a fevereiro de 2014. Além disso, evitou-se o custo adicional de 280 milhões de reais também com geração térmica que teria sido necessária para atender a carga no horário de ponta, caso não fosse implementado o horário de verão.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, motores de consumo de energia do país, a redução de carga no horário de pico foi de 1.915 megawatts. No Sul, a energia economizada foi de 650 megawatts. A redução representa aproximadamente 4% da demanda de ponta dos dois subsistemas, informou o ONS em nota. Segundo o órgão, o Estado onde a queda da demanda foi menor foi Goiás, com 3,5%.

9726 – Energia – Risco de Apagão, usinas trabalham no limite


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Depois do recorde de quarta-feira passada, ontem o Brasil registrou um novo recorde de consumo de energia. Foram 84 331 megawatts/hora, registrados às 15h32.
Entre os dias 21 de janeiro e ontem, ou seja, nos últimos quinze dias, foram registrados os dez maiores picos de consumo de energia da história do Brasil.
O sistema elétrico está operando no limite. E as térmicas que seguram a barra nestes tempos de pouca chuva, calor excessivo e obras de infraestrutura atrasadas?
De acordo com dados do próprio governo, ontem a situação era explosiva. O Brasil tem 21.317 megawatts de capacidade instalada de termelétricas. Desse total, 5 094 megawatts estão em manutenção e 15 242 megawatts estão em operação.
Portanto, há uma sobra de magros 981 megawatts, o que em termos de geração é quase nada.

9619 – Oito estados brasileiros trocam lixo reciclável por desconto na conta de luz


Poucas pessoas recusariam um desconto na hora de pagar as contas do mês. E em alguns estados brasileiros, isso está se tornando realidade quando o assunto é conta de luz. As concessionárias de energia de oito unidades da federação – São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Rio Grande do Sul e do Norte – já adotam programas que dão desconto na tarifa em troca de material reciclável.
No Rio Grande do Sul, 32 contas de participantes foram zeradas, segundo a AES Sul. Iniciada em março deste ano, o projeto teve investimento de R$ 2,1 milhões da companhia.
Para descobrir quais cidades possuem o benefício, basta acessar o site da concessionária responsável pela área, onde as informações dos programas são detalhadas.
O projeto funciona da seguinte forma: o material recolhido pelo cliente é pesado e precificado conforme a tabela praticada pelo mercado de reciclagem. O quiilo da lata de alumínio custa R$ 1,70, da garrafa PET R$ 1, do papel branco sai por R$ 0,48, do plástico por R$ 0,25, do papelão R$ 0,18 e o quilo de papel de jornal ou revista custa R$ 0,10.
A soma é registrada em um terminal eletrônico, que envia a informação para a distribuidora de energia. O cliente, por sua vez, ganha um cartão com as suas informações e o desconto já vem na próxima fatura.
Para participar, no entanto, é preciso fazer um cadastro na concessionária levando uma conta de luz com documento de identificação em um dos postos de pesagem.
Dentre os objetivos da campanha estão o foco no desenvolvimento sustentável, com a diminuição da emissão, do desperdício e do despejo incorreto de resíduos na área de concessão da distribuidora, além de seu manejo adequado.
Há ainda a economia de energia elétrica, pois a reciclagem evita o maior consumo de energia para a fabricação de novos produtos. Os cálculos são de que para cada três toneladas de resíduos recolhidos, o consumo mensal de cada unidade da federação caia cerca de 9,5 MW/h.

Os Resultados de Cada Estado
Na região Sudeste o programa vem fazendo sucesso em São Paulo. Sob administração da AES Eletropaulo, ele começou em maio de 2013 e tem como nome “Recicle Mais, Pague Menos”.
O desafio é arrecadar, até o final do ano, 200 toneladas de papel, plástico e vidro. A pedra no sapato, no entanto, é que os postos de coleta precisam de pontos adequados para receber containers de seis metros de comprimento e dois de altura.
O Light Recicla, no Rio de Janeiro, também vem crescendo. Ele existe desde agosto de 2011 e até setembro deste ano já contabilizou 5.309 clientes cadastrados, 2 mil toneladas de material reciclável, além de arrecadar 6.865 litros de óleo vegetal.
Um ponto importante do Light Recicla: o consumidor pode tanto usufruir do desconto na sua conta como doar o bônus para projetos sociais.
Outro plano de sucesso é o do Ceará, que foi colocado em prática em fevereiro de 2007 pela Coelce com o nome Ecoelce. Até o meio do ano a companhia já havia concedido R$ 749 mil em créditos nas contas de energia, o que representa pagamentos feitos com aproximadamente 6 mil toneladas de resíduos recicláveis.
O sucesso foi tanto que, além de servir de inspiração para outras concessionárias da região Nordeste, como Pernambuco, em 2008 o Ecoelce foi um dos 10 vencedores do World Business and Development Awards, entregue pela ONU às empresas que mais contribuíram para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Já em 2011 surgiu o Ecocemar, projeto desenvolvido pela Companhia Energética do Maranhão. Desde o começo da iniciativa já foram coletados mais de 3 mil toneladas de resíduos e 14.733 clientes foram beneficiados.
A Bahia e o Rio Grande do Norte também fazem parte desta ação de reciclagem. Mas neles ela é implementada de forma diferente, com postos móveis.
Os dois estados optaram por fazer o serviço através de caminhões que visitam algumas cidades onde são recolhidos os matérias recicláveis. Assim, o consumidor deve apresentar no caminhão do programa a conta de eneria do mês, um documento de identificação pessoal e o material reciclável a ser doado.

6648 – Golpe de Mestre no seu Bolso – Aneel quer luz pré-paga em todo o país


A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) quer instituir no início do próximo ano a venda pré-paga de energia elétrica em todo o país.
O sistema funcionará de maneira semelhante ao do celular pré-pago, que já conquistou 80% dos usuários.
A agência faz no momento consulta pública para finalizar a regulamentação do sistema. Pela norma, a mudança deve ser gratuita para o cliente. A concessionária instalará um novo medidor, que mostrará a evolução dos gastos e o crédito remanescente.
Não deverá haver limite para a quantidade de recargas. Cada aquisição pode começar com 1 kWh -que custa hoje cerca de R$ 0,50 e é o equivalente a uma lâmpada fluorescente compacta (com iluminação semelhante à da incandescente de 60 W) ligada cerca de duas horas por dia, durante um mês.
Quando o saldo estiver prestes a terminar, o equipamento dispara um alarme visual e sonoro. A recarga poderá ser feita pela internet, por telefone e em pontos de venda cadastrados.
A participação das concessionárias é opcional, e as que aderirem terão até três anos para implantar o sistema.
Para a Aneel, as vantagens são reduzir a inadimplência, economizar mão de obra na medição e gastar menos com o envio de faturas.
A agência não divulgou, porém, o número de distribuidoras que já manifestaram interesse no sistema.
Para os usuários, as vantagens são mais controle dos gastos e o fim da obrigação de pagar a tarifa básica.
Uma crítica já levantada por órgãos de defesa do consumidor é que os consumidores de baixa renda correriam mais risco de ter o fornecimento interrompido. A Aneel argumenta que a suspensão ocorre nos dois regimes.
O sistema de cobrança pré-pago já funciona em países como Reino Unido, Argentina, África do Sul e Colômbia.
No Brasil, há projetos pilotos em São Paulo, no Rio e em regiões do Amazonas. A regulamentação deve ampliar o sistema para todo o país.
A Aneel diz que, nesses locais, o consumidor passou a usar melhor a energia. “Quando os créditos estão acabando, elas passam a tomar banho mais morno e mais rápido e a assistir menos TV. Ter a exata noção do gasto só é possível no sistema pré-pago”, disse o superintendente de Regulação da Comercialização da Eletricidade da Aneel, Marcos Bragatto.
A AES Eletropaulo, que atua em 24 cidades paulistas, incluindo a capital, testa desde 1995 o sistema, com 3.600 dos 6,4 milhões de clientes.
O equipamento digital instalado em sua cozinha avisa quando o nível está alto ou baixo, o que, segundo ela, ajuda o consumidor. A recarga é feita pelo telefone.
De acordo com a AES Eletropaulo, o valor do kWh é o mesmo nos dois sistemas.

6483 – Mapa interativo indica prédios de Nova York que podem compartilhar energia


Pesquisadores do Departamento de Engenharia da Universidade de Columbia*, nos Estados Unidos, fizeram um levantamento detalhado sobre o consumo de energia das construções de Nova York. A equipe criou um mapa interativo que mostra como e quanto cada prédio consome de eletricidade – com aquecimento e resfriamento do espaço, aquecimento da água e o que chamam de “uso básico”.
Os prédios em vermelho – a maioria em Manhattan – são os que mais consomem energia, seguidos dos que aparecem pintados de laranja e amarelo no mapa. Mas mais do que chamar atenção para os locais de maior consumo, a cor vermelha indica as construções que poderiam compartilhar energia por meio de um sistema que aproveita a energia térmica liberada na produção de eletricidade para abastecer a vizinhança. Não é bem mais inteligente do que desperdiçar o calor?
O objetivo do mapa é ajudar urbanistas, engenheiros e políticos a planejar soluções eficientes – de menor impacto ambiental – para a cidade. Assim, eles podem calcular, por exemplo, onde a instalação do sistema combinado de calor e eletricidade ou de placas solares tem maior impacto.