9383 – Ciência – Atividade Humana


Não existem verdades absolutas em ciências, é o que caracteriza o Pensamento Quântico em relação ao Clássico. Assim, surge a ciência como uma possibilidade probabilística, fruto do fazer humano.
Desde as primeiras décadas do século XX a Mecânica Quântica vêm derrubando a newtoniana e cartesiana exatidão existente nas ciências, quando compreende-se que o observador faz toda diferença no efeito observado, incluindo a mecânica existente nos sistemas vivos e sociais. Como se expressou Werner Heisenberg (1971), um dos fundadores da teoria quântica, o mundo aparece assim como um tecido de eventos, no qual conexões de diferentes tipos se alternam, se sobrepõem ou se combinam e, por meio disso, determinam a textura do todo.
No formalismo da teoria quântica, essas relações são expressas em termos de probabilidades, nunca em exatidão, e essas probabilidades são determinadas pela dinâmica do sistema todo. Nas palavras de Heisenberg (1971), o que observamos não é a natureza em si, mas a natureza exposta ao nosso método particular de questionamento. Esse princípio filosófico aplicado à ciência traz a importância da interpretação pessoal na busca pelas verdades científicas. Assim, Descartes (séc. XVII) escreveu em seu célebre Discurso sobre o Método que quando as ciências tomam emprestadas da filosofia seus princípios, pondera-se que nada de sólido podia ser construído sobre tais fundamentos movediços.
Trezentos anos depois, Heisenberg (1971) escreveu em seu Física e Filosofia que próprio edifício que Descartes construíra estava se movendo: a reação violenta diante do recente desenvolvimento da ciência moderna só pode ser entendida quando se compreende que aqui os fundamentos desta ciência começaram a se mover, e que esse movimento causou a sensação de que o solo seria retirado de debaixo da ciência. Einstein (1953), em sua autobiografia, descreveu seus sentimentos em termos muito semelhantes aos de Heisenberg quando mencionou que como se o solo fosse puxado de debaixo dos pés, sem nenhum fundamento firme à vista em lugar algum sobre o qual se pudesse edificar.
A relevância da investigação das concepções de Heisenberg sobre ciência justifica-se pelo caráter inovador, elucidativo e contextualizado das suas abordagens científicas e filosóficas. Heisenberg (in Blum,1984) foi um autor profícuo na produção de escritos fundamentais para a compreensão do conhecimento cientificamente elaborado e historicamente construído. Para ele (1996), a ciência é um produto eminentemente humano e por isso mesmo pode ser submetida às investigações e análises interpretativas, em consonância com a existência de um projeto prévio decorrentes das observações da própria natureza.

9036 – Ciência – O que é Epistemologia de Toulmin?


É o estudo sobre a produção do conhecimento. Quando se menciona, no entanto, a epistemologia das ciências, se está abordando os pensadores que se preocuparam em investigar como se constrói um conhecimento de natureza científica. Dentre eles, Stephen Toulmin merece destaque.
Toulmin nasceu em 1922 em Londres, é graduado em matemática e física, e obteve doutorado em filosofia em Cambridge. Tem realizado trabalhos acadêmicos em conceituadas universidades dos Estados Unidos, entre outras. Desde sua formação tem atuado como professor.

Buscar-se-á propor um breve resumo sobre os principais conceitos em Toulmin, não em sentido de resumo de toda sua obra ou resenha, mas em caráter pessoal de quem escreve, através dos itens abaixo:
Sua epistemologia basicamente investiga a forma pela qual se expressa a compreensão humana e como progride o conhecimento científico.
Assim como investiga a produção do conhecimento científico ao longo do tempo em visão histórico e social.
Afirma que as disciplinas nascem e morrem dentro de uma perspectiva Darwiniana, de adaptação ao que é imposto.
Influência extrínseca no desenvolvimento da ciência, o que é abordado em sua epistemologia pela primeira vez.
Conceito de disciplina, a ciência como representação social (racional), herança conceitual, ecológica.
Aborda que a autoridade dos conceitos depende sempre de fatores sociais, históricos e culturais.
O conceito é dinâmico e sempre pode evoluir, conforme às espécies vivas na visão de Charles Darwin.
Os conceitos, seu principal ponto de investigação, estão na base da compreensão humana. Não se pode obter conhecimentos a não ser por meio de conceitos.
O conhecimento científico implica em um tripé de linguagem, representação e aplicação.
De acordo com sua visão, “ou se publica, ou se morre”. Essa é a postura científica predominante de hoje. Fórum institucional dominado pelos periódicos. U pesquisador consolida-se apenas publicando e demonstrando aquilo que faz.
As teorias mais aptas sobrevivem, ainda na perspectiva Darwiniana.
A racionalidade não é apenas seguir uma lógica. A racionalidade sempre supera a logicidade.
Uma mudança conceitual deve sempre ser anti-huhniana (mudança de paradigma) de modo que a mudança conceitual é evolutiva, e nunca aleatória.
A ciência é compreendida como uma empresa racional, que inevitavelmente integra aspectos intelectuais e institucionais.
Apresenta aspectos introdutórios da existência de um papel integrador e complementar do conhecimento na evolução da ciência. Este, no entanto, como já afirmara outros epistemólogos, é sempre passível de evolução.