9124 – Guerrilha no Brasil – Comando de Libertação Nacional


Foi uma organização guerrilheira que atuou no Brasil durante a Ditadura Militar.
No início da década de 1960, a tensão da polaridade capitalismo/socialismo provocada pela Guerra Fria se estabeleceu no Brasil trazendo graves consequências para o cotidiano do país. Após a renúncia do presidente eleito Jânio Quadros, seu vice, João Goulart, assumiu o comando para completar o mandato em vigência. O novo presidente, contudo, defendia amplas reformas de base no Brasil, com destaque para a reforma agrária. No contexto da política internacional, Jango, como era popularmente chamado, pretendia desenvolver uma política neutra, relacionando-se simultaneamente com líderes de países capitalistas e com líderes de países socialistas. Os conservadores do país logo se uniram contra o presidente, suas propostas de reforma e sua maneira de se relacionar politicamente. Jango foi acusado de alinhamento com o socialismo e o movimento de oposição cresceu até que os militares, através de um golpe, tomaram o poder, em 1964. Iniciava assim um período de repressão, o governo militar.
O autoritarismo do novo governo foi sentido logo nos primeiros momentos. Indivíduos ligados a ideologias de esquerda foram perseguidos, aprisionados e, muitas vezes, mortos. Mas isso não impediu a formação de grupos que defendiam o fim do regime militar ou mesmo que pretendiam instalar um governo socialista no Brasil. Um desses grupos de resistência foi o Comando de Libertação Nacional, também conhecido simplesmente pela sigla COLINA. Tratava-se, na verdade, de uma organização guerrilheira de extrema-esquerda com o claro objetivo de instalar um governo socialista no país.

O Comando de Libertação Nacional foi fundado em 1967, no estado de Minas Gerais, numa época em que a repressão se tornava cada vez mais intensa. Sua origem foi o resultado da fusão da Organização Revolucionária Marxista Operária (Polop), que deu origem também a várias outras organizações de esquerda, com militares que estavam contra o sistema. O COLINA seguia os ideais da Organização Latino-Americana da Solidariedade (OLAS), que era uma entidade internacional com o objetivo de estender algumas ideias do revolucionário Che Guevara, e adotava como prática táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos. Suas ações começaram em 1968 e o grupo ficou conhecido por tentar fazer justiça à morte de Che Guevara, cujo assassino teria sido o militar boliviano Gary Prado. No início do mês de julho daquele ano, alguns revolucionários membros do COLINA assassinaram um indivíduo no Rio de Janeiro que acreditavam ser o executor de Che Guevara. João Lucas Alves, Severino Viana Colon, José Roberto Monteiro e Amílcar Baiardi, no entanto, se equivocaram e assassinaram Edward von Westernhagen, major do Exército alemão. Embora o grupo não tenha assumido a autoria do atentado, João Lucas foi preso no mês de novembro e torturado até a morte. Pouco tempo depois, Severino Viana Colon foi o segundo a morrer.

O Comando de Libertação Nacional continuou em atividade e esteve envolvido, em 1969, em outro evento de repercussão. Em janeiro daquele ano, alguns de seus militantes se envolveram em um tiroteio com a polícia civil de Minas Gerais, resultando na morte de dois policiais. A busca pelos integrantes do grupo aumentou e seus líderes foram aprisionados. De acordo com novos documentos revelados pela Comissão da Verdade, um dos dirigentes do COLINA, Murilo Pezzuti, serviu como cobaia nas aulas de tortura da Vila Militar, no Rio de Janeiro.
Muito embora as lideranças do COLINA tenham sido aprisionadas em 1969, o grupo não deixou de existir. Na verdade, os remanescentes se uniram a ex-membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e fundaram a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), uma das organizações de extrema-esquerda do regime militar de maior repercussão e que teve como membro o ex-marido da presidente Dilma Rousseff, por exemplo.

9103 – Guerrilha – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia


FARC-EP

Também conhecidas pelo acrônimo FARC ou FARC-EP, é uma organização de inspiração comunista, auto-proclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista, que opera mediante táticas de guerrilha. Lutam pela implantação do socialismo na Colômbia. Apesar de não ser membro do Foro de São Paulo, que congrega partidos de esquerda da América Latina, as FARC já estiveram presentes em suas reuniões.
As FARC são consideradas uma organização terrorista pelo governo da Colômbia, pelo governo dos Estados Unidos, Canadá e pela União Europeia.Os governos de Equador, Bolívia, Brasil, Argentina e Chile não lhes aplicam esta classificação. O presidente Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação em Janeiro de 2008 e apelou à Colômbia como outros governos a um reconhecimento diplomático das guerrilhas enquanto “força beligerante”, argumentando que elas estariam assim obrigadas a renunciar ao sequestro e actos de terror a fim de respeitar a Convenção de Genebra. Cuba e Venezuela adoptam o termo “insurgentes” para as FARC.
A origem das FARC remontam as disputas entre liberais e conservadores na Colômbia, retratadas pela obra de Gabriel García Márquez “Cem Anos de Solidão”. Em 1948, os liberais, com apoio dos comunistas, iniciam uma guerra civil contra o governo conservador. Após 16 anos de luta guerrilheira e a conquista de algumas reivindicações políticas, os liberais passaram a temer que a experiência cubana de 1959 se repetisse na Colômbia. Rompem com a esquerda e passam para o lado conservador.
Em 27 de maio de 1964, o governo de conservadores aliados aos liberais utilizam o exército no embate contra os camponeses rebelados, acontece o massacre de Marquetália. 48 camponeses sobreviventes fogem para as selvas e montanhas e fundam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Ao longo da história do grupo guerrilho, o Partido Comunista Colombiano teve relações mais próximas ou mais distantes com as FARC. Enquanto originaram-se como um puro movimento de guerrilha, a organização já na década de 1980 envolveu-se no tráfico ilícito de entorpecentes, o que provocou a separação formal do Partido Comunista e a formação de uma estrutura política chamada Partido Comunista Colombiano Clandestino.
As FARC-EP continuam a se definir como um movimento de guerrilha. Segundo estimativas do governo colombiano, as FARC possuem entre 6000 a 8000 membros, uma queda de mais da metade dos 16 000 em 200115 (aproximadamente 20 a 30% deles são recrutas com menos de 18 anos de idade). Outras estimativas disponíveis avaliam em mais de 18 000 guerrilheiros, números que as próprias FARC reclamaram em 2007 numa entrevista com Raul Reyes.
As FARC-EP estão presentes em 15-20% do território colombiano, principalmente nas selvas do sudeste e nas planícies localizadas na base da Cordilheira dos Andes. Segundo informações do Departamento de Estado dos Estados Unidos, as FARC controlam a maior parte do refino e distribuição de cocaína dentro da Colômbia, sendo responsável por boa parte do suprimento mundial de cocaína e pelo tráfico dessa droga para os Estados Unidos.

Em 1964, temendo a radicalização da guerrilha camponesa, influenciada pela Revolução Cubana, os liberais, aliados aos Conservadores, enviam tropas ao povoado de Marquetália.
Inicialmente as FARC era composta por famílias camponeses e passa a receber crescentemente a influência do Partido Comunista Colombiano.
A depender do presidente, o governo colombiano apostou na negociação ou no confronto com as FARC-EP e outros grupos armados, obtendo relativo sucesso. Grupos como o EPL, o ERP, o Movimento Armado Quintín Lame e o M-19 depuseram armas e aceitaram os acordos de paz.
Em 1985, as FARC junto com outros grupos de esquerda integraram a União Patriótica, uma frente eleitoral orientada para a conquista de uma serie de reformas mínimas para a abertura democrática (reforma agrária, reforma urbana, democratização das forças armadas, fim da doutrina de Seguridade Nacional, respeito aos direitos humanos). Uma operação de extermínio por parte de grupos narcotraficantes e paramilitares, assim como organismos de segurança do Estado colombiano contra a UP se desenvolveu. Segundo o PCC a operação assassinou mais de 3000 militantes (entre eles os candidatos presidenciais Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo Ossa; o ex-secretario da Juventude Comunista Colombiana José Antequera; e dirigentes como Teófilo Forero e Manuel Cepeda Vargas).
No final de 1990, tropas do exército comandadas por César Garcia ignoraram as negociações de paz e atacaram a Casa Verde, sede do secretariado nacional das FARC-EP como parte da Operação Centauro II. O governo alegou falta de interesse por parte das FARC nas negociações, uma vez que facções do grupo continuavam a manter ações violentas. Em 10 de agosto de 1990, o líder e ideólogo Jacobo Arenas falece.
Em 3 de junho de 1991, reiniciam-se as negociações de paz em território neutro em Caracas e Tlaxcala, no México.
Porém a violência não cessou, com ataques de ambos os lados, até que em 1993, as negociações cessaram por falta de acordo e a coordenação das FARC se dissolveu e os grupos guerrilheiros passaram a agir de forma independente. As FARC se dividiram em 70 frentes espalhadas pelo país, com efetivo entre 7000 e 10000 membros.
Em 2007, o governo Colombiano foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pelo assassinato de 12 investigadores de direitos humanos, mortos por paramilitares de direita na localidade de La Rochela (norte) em 1989. Segundo Michael Camilleri, que trabalhou nesse processo para o Centro de Justiça e Direito Internacional “a sentença mostra que o Estado não só carecia da vontade de confrontar os paramilitares, mas que alguns oficiais se mancomunaram com eles contra os investigadores do próprio governo”.
As FARC-EP, o maior grupo paramilitar na América do Sul, eram dirigidas por um secretariado liderado desde março de 2008 por Alfonso Cano (morto em 2011), e seis outros membros, incluindo o comandante militar Jorge Briceño, também conhecido por “Mono Jojoy”. A “face internacional” da organização era representada por um outro membro do secretariado, “Raúl Reyes”, morto durante o ataque do exército colombiano contra um campo das FARC no Equador em março de 2008. Depois da morte de Cano, Timoleón Jiménez o substituiu na liderença das FARC em 5 de novembro de 2011.
As FARC estão organizadas segundo as linhas militares e incluem diversas frentes urbanas ou células de milícia. A organização adicionou o “-EP” (Ejército del Pueblo) ao seu nome oficial durante a sua sétima conferência em 1982 como expressão da expectativa de evolução de uma guerra de guerrilha a uma acão militar convencional, esboçada nessa ocasião.