13.564 – Mega Byte – Pessoas que têm poucos amigos no Facebook costumam ter um interessante traço de personalidade


amigos-facebook
De acordo com um estudo da University Ruhr em Bochum, na Alemanha, pessoas materialistas tendem a ter mais amigos no Facebook do que pessoas não materialistas, “colecionando-os” como se fossem objetos físicos.
Os materialistas também passam muito mais tempo na rede social do que pessoas não materialistas, e são mais propensos a comparar suas vidas com a vida dos outros nela.
Ou seja, se você não tem muitos amigos nas mídias sociais, isso pode significar que você está um pouco menos preocupado com as posses materiais na sua vida cotidiana.

O método
531 usuários do Facebook, divididos em dois grupos, participaram do estudo. O primeiro grupo de 242 pessoas foi um estudo piloto; o segundo teve como objetivo replicar os resultados do primeiro.
Ambos os grupos receberam um questionário em Escala de Likert (uma escala de resposta psicométrica mais usada em pesquisas de opinião) para avaliar como usam o Facebook, o quanto se comparam aos outros, seu nível de materialismo, se veem seus amigos do Facebook como objetos e quanto status ou outros benefícios eles pensam que podem ganhar com seus amigos do Facebook.
As opções incluíam declarações com as quais os participantes tinham que concordar ou discordar, como “Admiro as pessoas que possuem casas, carros e roupas caras”, “Comparo frequentemente minha condição social” e “Ter muitos amigos do Facebook contribui com mais sucesso na minha vida pessoal e profissional”. Eles também foram convidados a fornecer o número de amigos que tinham no Facebook.
Tanto no grupo piloto quanto no grupo de replicação, a equipe encontrou uma correlação entre um grande número de amigos do Facebook, objetivação desses amigos, tempo gasto no Facebook, propensão a comparar-se com os outros e materialismo.
Os pesquisadores, liderados por Phillip Ozimek, criaram uma teoria para explicar por que isso ocorre, chamada de “Teoria da Autorregulação Social Online”.
“As pessoas materialistas usam o Facebook com mais frequência porque tendem a objetivar seus amigos do Facebook – eles adquirem amigos para aumentar suas posses”, disse Ozimek. “O Facebook fornece a plataforma perfeita para comparações sociais, com milhões de perfis e informações sobre pessoas. E é grátis – os materialistas adoram ferramentas que não custam dinheiro”.
Uma pesquisa de 2014 descobriu que as pessoas materialistas eram mais propensas a “Curtir” páginas de marca, e que interagir com as páginas de marcas no Facebook era parcialmente sobre exibição.
Amigos não são iguais às marcas, mas a imagem pública ainda pode ter algo a ver com o fenômeno. Conforme observado em um artigo de 1994, o materialismo está fortemente associado a itens que podem ser exibidos publicamente.

Contraponto
Você não deve se preocupar com os resultados desta pesquisa caso tenha muitos amigos no Facebook. Como todo estudo que envolve psicologia, há um certo grau de incerteza e não podemos afirmar que materialismo e amigos em redes sociais andam juntos, sempre.
Além disso, os pesquisadores tiveram o cuidado de enfatizar que não há nada inerentemente errado ou ruim sobre a maneira como as pessoas materialistas usam redes sociais. Pelo contrário: é assim que algumas pessoas alcançam seus objetivos e se divertem.
Só que também observaram que questionar se o consumo do Facebook – se ele realmente nos faz mais felizes ou se continua a ser uma mera ilusão – é uma questão que deve continuar a ser abordada em pesquisas futuras.
Alguns estudos, de fato, já descobriram desvantagens do uso de redes sociais, como nos fazer mais infelizes (justamente pela comparação com outras pessoas), destruir relacionamentos, nos custar empregos e serem viciantes.

A pesquisa foi publicada na revista Heliyon.

13.118 – Paradoxos – Empatia não é crucial para formar uma boa pessoa


Pelo menos é o que afirma uma matéria de The Guardian.

A empatia é, entre outras coisas, algo que acreditamos melhorar nossos relacionamentos pessoais, motivar a caridade e incentivar comportamentos sociais.
No entanto, em seu livro, Bloom argumenta que ela é na verdade um guia moral muito pobre, e compila uma série de evidências que comprovam que a empatia pode ser parcial, paroquial, inconsistente, pode nos leva à inação, na melhor das hipóteses, bem como ao racismo e à violência, na pior das hipóteses.

Faça esse experimento em casa
Você pode entender melhor o consenso de Bloom a partir de um experimento de escolha de posições. Trata-se de um exemplo adaptado de um estudo clássico feito em 1995 por Batson e colegas. Primeiramente, leia a história e tente imaginar como a criança se sente e como o que acontece afeta sua vida. Tente sentir o impacto total do que a criança e sua família passaram.
Sheri Summers é uma menina brilhante de 10 anos de idade que está sofrendo de uma condição potencialmente fatal que já a paralisou. A menos que ela receba tratamento, é bem provável que ela morra. Se ela receber o tratamento a condição poderá ser revertida. Mas, o tratamento que poderia ajudá-la só está disponível através de cuidados de saúde privados e sua família não pode pagar. Eles então se uniram a uma organização de caridade infantil que ajuda as famílias a pagarem tratamentos caros para doenças que ameaçam a vida de crianças, mas ela está quase no final da lista de espera. Dito isso, você tem a opção de passá-la para o topo da lista de espera, mas isso significa que as outras crianças na frente da lista, com maiores necessidade ou menores expectativa de vida, terão de esperar mais tempo.
Agora, você a passaria para o topo da fila? E se você tivesse lido uma entrevista com ela, em que fica claro seu sofrimento e suas esperanças sobre o tratamento? Mudaria sua resposta? Agora leia o cenário novamente, mas desta vez tente tomar uma decisão baseada em uma perspectiva o mais objetiva possível. Tente não se envolver com a criança, ou como ela se sente. Apenas permaneça objetivo. Há uma maior ou menor probabilidade de você colocar Sheri para o topo da lista?
De acordo com Bloom, este é o problema com a empatia. Trata-se de um holofote que brilha em indivíduos específicos. Ela pode até funcionar com relacionamentos próximos, mas é extremamente fraca quando lidamos com questões maiores que podem afetar centenas de milhares de pessoa, em casos que não temos uma vítima conhecida, ou outras que, por algum motivo, não despertam nossa empatia.

Tendenciosa e inconsistente
O autor ainda argumenta que o sentimento é inconsistente e tendencioso. Como você deve ter aprendido com o exemplo, apenas uma mudança sútil de contexto pode nos fazer rever nossas prioridades. Em voluntários entrevistas em estudos, imagens cerebrais mostraram significativamente uma menor empatia se a pessoa a ser observada apresenta raça, classe social, time de futebol ou partido político diferentes do indivíduo entrevistado.

Empatia e crueldade
Bloom também sugere que a empatia pode vir acompanha de excessiva crueldade. Em um experimento, participantes foram informados que um aluno pobre estava competindo para ganhar um prêmio em dinheiro. Posteriormente, participantes administraram uma dose maior de molho de pimenta do lanche do concorrente, embora ele não tivesse feito nada de errado. Logo, a relação entre empatia e agressão foi manipulada em inúmeras ocasiões, como os políticos que pedem empatia com histórias de vitimização, a fim de obter apoio público.

Seria a empatia o fundamento da moralidade?
De acordo com o autor, dois novos estudos sugerem que há uma confusão em torno do significado da palavra e sua suposta utilidade para criar uma sociedade melhor. Basicamente, ele considera que a empatia não e um motivador confiável para o comportamento moral, embora reconheça que ela pode ser uma coisa boa, uma vez que promove um maior prazer na arte, ficção, esportes e pode ser um aspecto valioso para as relações íntimas além de motivar comportamentos generosos.
O que ele refuta é a noção difundida de quem uma maior empatia é tudo o que necessário para que sejamos pessoas boas e morais. Para isso, ele argumenta que uma compaixão racional, com cálculos utilitários de custo-benefício e aderência de princípios morais são guias mais justos e confiáveis para o comportamento moral.

12.926 – Psiquiatria – SÍNDROME DA ALTERAÇÃO DO HUMOR


psiquiatria

Rápida Introdução

Afetos e humores referem-se a diferentes aspectos da emoção. O afeto é comunicado através da expressão facial, inflexão vocal, gestos e postura. O afeto visa indicar se uma pessoa está satisfeita, aflita, desgostosa ou em perigo.
Portanto, alegria, tristeza, raiva e medo são afetos básicos que servem a uma função comunicativa em humanos, bem como em outros mamíferos.
Os afetos tendem a ser expressões de curta duração, refletindo contingências emocionais momentâneas. Os humores transmitem emoções mais prolongadas, sua natureza mais constante significa que eles são vividos por um tempo suficiente para serem sentidos internamente.
As emoções normais de tristeza e alegria devem ser diferenciadas das síndromes patológicas depressiva e maníaca. A tristeza, ou depressão normal, é uma resposta universal a derrotas, decepções ou adversidades. A alegria está predominantemente ligada a conquistas, ao sucesso.
Três grandes grupos de sintomas estão alterados nas síndromes depressiva e maníaca: afeto, cognição e percepção, atividade e comportamento. Destes é o afeto (humor) talvez o menos variável nos estados depressivos. Cognição e percepção mudam profundamente, bem como a atividade e o comportamento.

Afeto: Os estados mórbidos do humor são caracterizados pelos seguintes aspectos: (1) quando a intensidade é exagerada e está fora das proporções esperadas; (2) não respondem ao apaziguamento; (3) são mantidos por maior tempo do que o esperado; (4) tem efeito sobre o estado mental global, sendo o julgamento seriamente influenciado pelo humor; (5) são inadequados para a circunstância, assim: apatia, anedonia, insensibilidade para eventos agradáveis, hipersensibilidade para eventos desagradáveis, alegria excessiva.

Cognição e Percepção: Virtualmente toda a atividade mental está de forma marcadamente diminuída na depressão e aumentada na mania. Por definição, quando pacientes com depressão e mania apresentam obscurecimento da consciência, delírios e alucinações, fala-se que esses apresentam depressão com psicose ou mania com psicose. No entanto, pensamentos suicidas, ruminações mórbidas e pensamentos hipocondríacos são comuns nos estados depressivos. No estado maníaco, são características a onipotência no pensamento e a grandiosidade.

Atividade e comportamento: O pensamento e a expressão verbal, a atividade e o comportamento estão quase sempre lentificados na depressão. Fadiga, falta de atividade (adinamia), prejuízo na vontade de querer (avolia), e profundas alterações nos padrões de sono e alimentação podem estar presentes na síndrome depressiva. Na síndrome maníaca, há aceleração de todas as funções, o pensamento e a expressão verbal, a atividade e o comportamento estão acelerados.

12.763 – Psiquiatria – Alguns sinais para identificar um psicopata


Doença, transtorno ou falta de caráter? A psicopatia ainda vai dar trabalho aos especialistas. Por hora, o que temos são alguns sinais que servem de alerta.
Apesar de inspirar a literatura e o cinema há muito tempo, a psicopatia ainda é um mistério para a medicina. Os especialistas explicam que se trata de um transtorno antissocial da personalidade que difere em cada caso. Contudo, existem características psicológicas que podem indicar que uma pessoa é psicopata.

Nesta lista, descrevemos algumas das mais importantes.

Mentiras: são capazes de inventar e desconstruir uma história conforme a vontade própria. A única coisa importante é envolver suas vítimas até colocá-las exatamente onde querem.

Autoestima muito alta: sempre projetam confiança em si mesmas, mesmo quando as circunstâncias não justificam. Acreditam-se superiores a qualquer outro ser humano, por isso não se sentem ameaçadas pelas situações.

Encanto: são pessoas profundamente cativantes. Possuem uma habilidade marcante para fazer crer que estão em sintonia com seu interlocutor. Muitas vezes, são líderes.

Seguem somente suas próprias regras: apesar de entenderem perfeitamente seus usos sociais e legais, depreciam qualquer regra que não seja a sua própria. Costumam ser regidas por um código criado por elas mesmas, conforme sua vontade.

Manipulação: traçam planos sofisticados e são capazes de manipular as pessoas ao seu redor para cumprir seus objetivos. Especialistas em estratégias não hesitam em usar seus colegas para sua própria conveniência.

Falta de empatia: a característica dominante nas personalidades psicopáticas é a incapacidade de ter empatia com os demais. Essas pessoas não sentem culpa na hora de causar dor ou sofrimento, porque não consideram reais os sentimentos alheios.

12.733 – Acredite se Quiser – Estudo aponta que jovens de hoje preferem internet a sexo


Será mesmo? Essa é uma das conclusões de um estudo sobre o comportamento sexual dos jovens que nasceram entre 1980 e 2000.
Os Millenials ou “geração Y”, grupo de pessoas que nasceu entre 1980 e 2000, tem revelado um comportamento em relação ao sexo bem diferente das gerações anteriores. Segundo pesquisa publicada na revista Archives of Sexual Behavior, na média, os jovens preferem “gastar” seu tempo navegando na internet ou trabalhando a fazer sexo.
Mesmo na era das redes sociais, os Millenials têm o dobro de probabilidade de se abster de fazer sexo na casa dos 20 anos se comparados com a Geração X.
Menos parceiros e mais tarde
A pesquisa aponta ainda que os jovens de hoje têm menos parceiros sexuais que os Baby Boomers (nascidos entre 1940 e 1960) e a Geração X (nascidos entre 1960 e 1980). Além disso, a vida sexual tem iniciado mais tarde.
Stephanie Coontz, diretora de pesquisas do Council of Contemporary Families, acredita que o fato de as mulheres estarem começando a dizer “não” também pode ter influenciado no resultado desses estudos. O sexo consensual parece estar ganhando mais terreno, felizmente.
Alerta
Especialistas no assunto acreditam que o retardamento do início da vida sexual pode ser reflexo das dificuldades que os jovens de hoje em dia estão tendo em formar ligações românticas – e isso pode ser um problema. Além disso, a pressão social para obter sucesso, a vida social mais focada em smartphones e a espera do “príncipe encantado” podem ser motivos que explicam essa tendência.

12.694 -Comportamento – Ricos passam menos tempo na internet


ricos-offline_0
Quase metade da população mundial – ou 3,5 bilhões de pessoas – têm acesso à internet. Mas nem todas se relacionam com ela da mesma forma. Um estudo do The National Bureau of Economic Research, nos EUA, mostrou que, quanto maior for a conta bancária da pessoa, menos tempo ela passa online. Isso não tem a ver com produtividade – tem a ver com opções de lazer.
A lógica é a seguinte: quanto mais dinheiro alguem tem, mais maneiras de se divertir ficam a sua disposição, como sair para passear, comer fora ou viajar. Aos menos abastados resta menos opções, e eles passam mais tempo fuçando a vida alheia online – afinal, a internet tem um preço fixo. O estudo analisou lares que ganhavam entre US$ 25 e 35 mil dólares ao ano (cerca de R$ 100 mil reais) e os comparou com salários de US$$ 100 mil (R$ 330 mil anuais). Os primeiros passavam 92 minutos a mais online por semana.
A pesquisa também conseguiu definir quais são os hábitos favoritos dos mais ricos na internet. Ele gostam de ler notícias, fazer transações bancárias, assistir vídeos educativos e jogar games. Mas nas duas categorias (os mais ricos e os mais pobres), o tempo gasto com redes sociais não para de aumentar.

12.526 – A psicologia explica como funciona a obsessão por celebridades


anna
Rodrigo Augusto de Pádua extrapolou todos os limites do fanatismo ao invadir o hotel onde a apresentadora Ana Hickmann estava hospedada em Belo Horizonte, Minas Gerais, e disparar tiros contra a família dela.
Dois dias depois, um homem de 25 anos se disfarçou e conseguiu entrar no condomínio onde mora a cantora Anitta, no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria da artista, “um rapaz de fora do Rio de Janeiro conseguiu entrar no condomínio da cantora, se passando por funcionário e foi até a porta da casa dela. Aos gritos, começou a se declarar e depois xingar Anitta, dizer palavras desconexas, chamando a atenção da cantora, seus familiares e vizinhos”.
No caso da cantora, todos os envolvidos foram parar na delegacia. Já a ocorrência envolvendo Hickmann acabou com Pádua morto e a cunhada da apresentadora baleada.
As histórias de Ana Hickmann e Anitta não são exceções. Há registros de celebridades ao redor do mundo inteiro que já foram perseguidas ou até mesmo assassinadas por supostos fãs. Existe uma grande diferença entre admiração e obsessão, e ao longo dos últimos anos psicólogos e psiquiatras têm dedicado cada vez mais atenção ao estudo desse tópico.
Os comportamentos descritos acima fazem parte de uma síndrome chamada Síndrome de Adoração a Celebridades, também conhecida como “Doença do Ídolo Louco” (uma brincadeira com a Doença da Vaca Louca). Este último termo foi cunhado no estudo “A Clinical Interpretation of Attitudes and Behaviors Associated with Celebrity Worship” (Uma interpretação clínica das atitudes e comportamentos associados com o culto às celebridades, em tradução livre), publicado no início dos anos 2000 no periódico Journal of Nervous and Mental Disease.
Na pesquisa, os cientistas afirmam que existem três dimensões no relacionamento que as pessoas têm com as celebridades que admiram: a de entretenimento, em que os indivíduos se divertem e acompanham o trabalho dos artistas; a intensa e pessoal, na qual os indivíduos têm sentimentos compulsivos relacionados a alguém; e a quase patológica, em que demonstram comportamentos e fantasias incontroláveis relacionados a uma celebridade.
É na dimensão quase patológica em que há maior margem para a criminalidade, hipótese confirmada pelo estudo “Celebrity worship, addiction and criminality” (Adoração à celebridades, obsessão e criminalidade, em tradução literal), realizado na Universidade de Leicester, na Inglaterra. De acordo com psiquiatras, essa era a condição em que se encontrava Rodrigo Augusto de Pádua. Segundo os profissionais, ele teria erotomania, uma condição em que o indivíduo acredita que a pessoa pela qual é obcecada corresponde a seus sentimentos.
Vale ressaltar ainda que o gênero é um fator importante em ambos os casos tratados no texto. Muitas mulheres sofrem violência por não corresponderem aos sentimentos de um homem — seja ele parceiro, ex-namorado ou perseguidor. De acordo com o IPEA, uma mulher morre no Brasil a cada uma hora e meia por causas relacionadas à violência. São cerca de 5,6 mil mortes ao ano, em geral, causadas por homens, segundo o relatório.

12.525 – Psicologia – Homens ricos acham suas mulheres mais feias


Homens_ricos_acham_mulheres_mais_feias_0
Quem ganha dinheiro fica mais exigente e quer dar um upgrade em tudo – até na mulher. É o que mostra um novo estudo realizado em Hong Kong com estudantes universitários em relacionamentos sérios. E os pesquisadores tinham senso de humor.
Primeiro, convenceram os rapazes de que eles ganhavam muito mais que seus colegas. Depois, prometeram que se encontrariam com uma linda modelo. Era tudo pegadinha, mas os homens que passaram a se considerar ricos eram os mais insatisfeitos com as namoradas e estavam mais dispostos a flertar com outras mulheres atraentes.
O estudo foi dividido em dois testes. Os 182 participantes eram todos heterossexuais em relacionamentos sérios de 2 meses a 7 anos de duração. Os cientistas começaram o experimento manipulando um grupo a acreditar que era mais rico que os demais universitários, enquanto o outro tinha a sensação de ser relativamente pobre.
A farsa funcionava assim: os dois grupos respondiam a um questionário sobre sua situação financeira (cargo, salário, poupança). Mas as 7 opções de resposta eram diferentes para cada grupo. Os participantes ganhavam uma média de 1500 yuans. No questionário que fazia os jovens se sentirem ricos, as perguntas como ?quanto você ganha? tinham valores baixos nas opções de resposta: 1) De 0 a 250 yuans, ?, 7) Mais de 500 yuans. Assim, na maioria das vezes esses voluntários selecionavam a resposta mais alta.
No formulário que fazia com que eles se sentissem pobres, as faixas eram bem mais altas: 1) De 0 a 2.000 yuans, 7) Mais de 12.000 yuans. E a manipulação funcionou direitinho. Os cientistas confirmaram que a grande maioria dos participantes acreditava que as 7 opções que ele viu representavam o mínimo e o máximo que um universitário ganhava no seu setor – e quem marcou as opções mais altas saía satisfeito.
Depois que estavam convencidos da sua riqueza ou pobreza, os jovens tinham que avaliar o quão atraentes eram seus respectivos namorados ou namoradas. No caso dos homens, a riqueza (imaginária) sobe à cabeça: eles consideravam que suas namoradas estavam bem mais longe do seu ideal de beleza do que os homens ?pobres?. Já entre as mulheres, não houve nenhum efeito significativo – mulheres, sejam elas ricas ou pobres, conseguem avaliar racionalmente a aparência do parceiro.
O dinheiro também fez com que os jovens ricos se sentissem mais confiantes para abordar pessoas bonitas. No segundo teste, os pesquisadores recrutaram mais 121 universitários que namoravam sério. Aí, pediram que eles avaliassem fotos de pessoas lindas. Quando terminavam, eles anunciavam que queriam analisar a reação deles em um encontro face a face com um dos modelos fotográficos. De novo, não era verdade.
Os participantes foram enviados um de cada vez para uma sala com 6 cadeiras. Em um dos assentos, estavam pendurados um casaco, uma bolsa e um chapéu. Os pesquisadores avisavam que o convidado já estava voltando e pediam que o voluntário sentasse. Eles perceberam que homens e mulheres mais “ricos” tendiam a sentar mais perto de onde pensavam que o convidado bonito ia sentar. Já os que se consideravam mais pobres mantiveram uma distância maior. Na comparação entre os gêneros, os homens se aproximaram mais que as mulheres.
Os cientistas acreditam que esse cenário é uma boa indicação de quem está disposto a pular a cerca ou, pelo menos, a flertar com alguém atraente apesar de estar em um relacionamento.
O estudo reconhece que, por ser feito só com estudantes chineses, pode existir um fator cultural nos resultados. Mas eles estão bem certos de que uma tendência parecida aconteceria em qualquer parte do mundo, em maior ou menor grau. Isso porque associam a descoberta às nossas raízes evolutivas: os machos que se sentem ?por cima? com relação ao restante do bando têm um leque maior de opções de parceiras e podem ser exigentes sem o risco de ficar sem descendentes. Já as fêmeas comprometidas preferem manter sua estabilidade, o que aumenta as chances de ter um apoio paternal para os seus filhotes por mais tempo.

12.421 – Sociedade – Solidão demais faz mal à saúde


É importante tirar um tempo só para você. Mas ficar sozinho, all by yourself, o tempo todo pode ter impactos terríveis – como aumentar as chances de ataques cardíaco ou derrames, diminuir a expectativa de vida e piorar a sua imunidade. Sério mesmo.
O estudo mais recente que liga a solidão a problemas de saúde foi realizado em conjunto pelas universidades de York, Liverpool e Newcastle, na Inglaterra. Por meses, eles acompanharam o dia a dia de 181 mil pessoas, e descobriram que as que eram mais solitárias tinham mais problemas cardíacos e de circulação. A conclusão foi que quem vive sem amigos e longe da família tem 30% mais chances de ter um ataque cardíaco ou um derrame.
De acordo com a pesquisa, isso acontece porque as pessoas mais solitárias tendem a cultivar hábitos nocivos, como fumar, beber e não praticar esportes. Mas outros estudos já explicaram essa relação de uma forma mais orgânica: ter amigos diminui o nível de cortisol (hormônio ligado ao estresse) no organismo, o que minimiza os riscos de sofrer de problemas do coração.
Além disso, a solidão pode afetar a produção de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do corpo, que compromete a imunidade. O sono também piora, porque quando isolados, ficamos alerta o tempo todo e acabamos acordando por qualquer coisa – e dormir menos, como já sabemos, é péssimo para a saúde.
A Fundação Britânica do Coração, porém, não concorda com os números dos pesquisadores de York, Liverpool e Newcastle. Para a Fundação, não há como ter certeza se outros fatores influenciaram os resultados. Mas os impactos da solidão na saúde não são só teoria: eles já foram provados antes. Em 2012, uma pesquisa concluiu que morar sozinho corta, em média, 4 anos da vida das pessoas. E tem mais: entre jovens solitários, o risco de morte é 9% maior do que o de idosos que têm amigos. Outra prova de que morar sozinho faz mal vem da Universidade de Chicago, que afirma que isso mata mais do que a obesidade – e tem o mesmo efeito que fumar 15 cigarros por dia ou ser alcóolatra. Não tem como fugir: a solidão realmente faz mal à saúde.

12.335 – Riqueza não traz felicidade – Apontou um estudo


Ricos Choram Mais

Quando se tornou pai, Charles Darwin começou a se interessar pelas emoções humanas. Ele passou a tomar notas do desenvolvimento emocional de seus filhos, questionando a importância do clima e das circunstâncias nas alterações de temperamento das crianças.
O choro era o fator pelo qual Darwin mais se interessava. Segundo a revista 1843, a curiosidade do cientista aumentou após um incidente no qual um de seus filhos, então com dois meses de vida, se machucou. O bebê gritou, mas não chorou. A partir de então ele começou a estudar a possibilidade de o choro ser cultural, ou seja, de precisar ser aprendido e praticado.
Essas pesquisas resultaram no livro The Expression of the Emotions in Man and Animals (A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais), publicado em 1872. No volume Darwin sugere que as emoções são facilitadas pelo ato de expressá-las. Partindo desse pressuposto, as pessoas não chorariam por estarem tristes, suas lágrimas as informariam o fato de estarem tristes.
Estudos mais recentes questionam o ponto de vista darwiano no assunto, mas ele foi essencial para que mais pesquisas fossem realizadas à respeito do choro. Um estudo de 2011, por exemplo, reforça a ideia inicial de que o choro é um aspecto cultural. Em “Culture and Crying: Prevalences and Gender Differences”, os cientistas sugerem que “indivíduos que vivem em países mais prósperas, democráticas, extrovertidas e individualistas tendem a chorar mais”.
Ao longo da pesquisa foi observado que os moradores de países em que a vida é mais confortável são os que tendem a chorar mais. Dessa forma, o choro seria um indicador de privilégio.
Já em países com maiores índices de pobreza ou que vivem guerras, o choro surpreendentemente não é tão comum. A cientista Dorte Jessen, que fez parte desse estudo, passou um tempo em um campo de refugiados em Dadaab, na Quênia. Dorte viu uma mãe com duas crianças que não comiam há bastante tempo rasgando os pacotes e dando para os filhos assim que os recebeu. Nenhum dos três disse ou expressou nada durante esse período.
Como explica o Science of Us, situações como essa levaram os cientistas a acreditarem que alguém que vive em situações terríveis como as citadas anteriormente sabe que chorar não vai mudar nada – e há muito o que fazer para gastar tempo teorizando as emoções. É um lembrete para reavaliarmos nossos privilégios na próxima vez que uma coisa mundana der errado e bater aquela vontade de chorar.

12.205 – Sociedade – Atenção e carinho para os idosos


Os números são taxativos e bem conhecidos: a proporção de pessoas idosas, em muitos países, está crescendo rapidamente e a parcela dos que tomam antidepressivos, especialmente depois dos 60 anos, também está subindo, ano a ano. A novidade é que os remédios já não estão ajudando a melhorar a situação. Uma pesquisa realizada pela médica americana Cheryl Dellasega, da Universidade do Estado da Pensilvânia, concluiu que os antidepressivos diminuem a capacidade de argumentação, dificultam os cálculos mais simples e atrapalham a memória de homens e mulheres acima dos 80 anos. A avaliação durou três anos e foi feita com 351 cidadãos suecos. Esse resultado só reforça a necessidade de se dar mais atenção aos familiares que envelhecem. De acordo com psicóloga Silvia Martinelli Deroualle, da Universidade de São Paulo, já é um grande avanço ouvi-los sempre que possível, levá-los com regularidade a pequenas reuniões e demonstrar carinho por eles o tempo todo. “Eles precisam se sentir amados e requisitados”, diz Silvia. Também produz um efeito excelente incentivá-los a aprender e a executar qualquer atividade que force o uso da memória.

10.846 – Por que corruptos do mundo todo abrem contas em bancos suíços?


corrupcao
Porque os banqueiros suíços têm o direito, garantido por lei, de não revelar quem são seus clientes. Os bancos são a grande fonte de riqueza do país – os outros clichês suíços (chocolates, queijos e relógios) têm participação bem menor na economia. As 369 instituições financeiras mantêm cerca de US$ 2,4 trilhões em seus cofres – 27% de todo o dinheiro depositado fora de seu país de origem. Seu grande atrativo é um recurso chamado sigilo fiscal, que garante anonimato ao cliente e atrai milionários de basicamente todos os países.
Na primeira metade do século passado, muitos europeus, descontentes com a inflação de seus países, levaram seus montantes para os bancos suíços. O recurso do anonimato, no entanto, atraiu todo tipo de investidor – principalmente quem queria esconder dinheiro. Foi durante a 2ª Guerra que ocorreu o ápice da lavagem de dinheiro por bancos suíços: entre 1940 e 1945, eles haviam transformado em francos suíços 75% do ouro saqueado por Hitler dos países ocupados. Ou seja: o ouro roubado foi vendido para o exterior. Então as libras, dólares e marcos alemães pagos pelo metal precioso passou a servir como uma espécie de lastro para a moeda suíça. Nisso, o dinheiro estava lavado: o ouro nazista tinha se metamorfoseado num franco suíço mais forte, com maior valor diante do dólar, da libra, do marco alemão (que era o “dólar da europa” antes do euro). Para evitar abusos, o Parlamento suíço aprovou em 1988 a lei de combate à lavagem de dinheiro, que obriga todos os bancos a alertar as autoridades caso haja suspeita de que o dinheiro depositado em alguma de suas contas tenha origem ilegal. Mesmo assim, o país continua sendo visto como um porto seguro para montanhas de dinheiro vindas de fontes duvidosas, já que a Suíça ainda mantém um grau elevado de sigilo, e é um país bem mais estável que outros destinos com bancos “discretos”, como as Bahamas e as Ilhas Cayman, no Caribe.

11.810 – Mega Byte – Tentativas de selfie mataram mais que tubarões em 2015


selfie tubarao
Quem diria que uma atividade aparentemente inofensiva pudesse se tornar motivo de preocupação crescente pelo mundo. Órgãos oficiais, museus e organizações de todo tipo têm feito alertas sobre o perigo que pode vir acompanhado da selfie, que em alguns lugares foi até banida para preservar a saúde das pessoas.
O Mashable montou um gráfico que deixa um pouco mais claro por que selfies se tornaram um problema: apenas em 2015, mais turistas morreram tentando tirar um autorretrato do que por ataques de tubarões.
Na semana passada, por exemplo, um japonês de 66 anos chamado Hideto Ueda morreu após cair da escadaria do Taj Mahal, na Índia. Ele e um companheiro de viagem – que acabou fraturando a perna – tentavam uma selfie quando rolaram escada abaixo, segundo a BBC.
Doze das “mortes por selfie” ocorridas em 2015 foram causadas por quedas. A segunda maior causa está ligada a ferimentos provocados por trens, justamente porque as pessoas estão tentando conseguir fotos cada vez mais diferentes. Só que esse “diferente” já envolveu selfies com ursos, em corrida de touro e até mesmo no Tour da França, maior competição ciclística do mundo.
A questão levou o Ministério do Interior da Rússia a lançar uma campanha alertando a população de que alguns tipos de selfie “podem custar a sua vida”.

11.733 – Comportamento – Fique de olho em pessoas muito educadas


Você pode até nos chamar de paranoicos, mas pesquisas recentes, publicadas naSociety for Science and the Public, mostram que pessoas excessivamente educadas e lisonjeiras tinham uma tendência maior a trair colegas.
Para chegar a essas conclusões, cientistas pediram que voluntários jogassem ‘Diplomacia’, um jogo de estratégia no qual participantes atuam como países antes da Primeira Guerra Mundial. O jogo não é baseado em dados, mas jogadores precisam fazer alianças e formar estratégias para prosseguir. Uma boa estratégia é fingir que está do lado de alguém e depois dar um golpe pelas costas da pessoa, no melhor estilo Game of Thrones.
Os pesquisadores escolheram o jogo para entender como os traidores se comportam – e identificar sinais de possíveis traições. O maior sinal, de acordo com suas observações, foi que os ~falsianes são extremamente lisonjeiros. Eles tinham uma tendência maior a trair os parceiros do que pessoas que falavam de forma mais rude.
A conclusão? Fique de olho em quem te elogia demais – e em quem usa muitos emojis sorridentes.

11.724 – Sociedade – Após 10 anos fotografando pessoas desabrigadas, fotógrafa descobre seu próprio pai desaparecido entre elas


fotografa
Quando seus pais se separaram, Kim começou a viver com amigos e parentes e perdeu o contato com o pai, que se tornou “ausente”. Em 2003, Kim começou um projeto fotográfico a longo prazo, no qual resolveu registrar desabrigados que vivem nas ruas.
Em 2012, ela fez uma descoberta chocante. Kim, enquanto analisava suas fotos, encontrou seu pai entre os desabrigados fotografados, em Honolulu, no Havaí. “Eu estava procurando por meu pai por semanas e finalmente encontrei-o sentado atrás de uma lixeira, escondido debaixo de um arbusto de sombra”, disse. A partir daí, ela resolveu ajudá-lo.
“Havia noites em que eu não o encontrava”, disse Kim à NBC News. “Outros dias, quando eu menos esperava, ele estava em pé na esquina de uma rua. Ele sofria de esquizofrenia grave e não tratada e nem sempre foi responsivo. Houve muitos casos em que parecia que ele estava discutindo com alguém, mas ninguém estava lá”, acrescentou.
A fotógrafa continuou levando comida para seu pai e pediu-lhe para procurar tratamento, mas ele recusava os conselhos até ter um ataque cardíaco, em outubro de 2014. Então ele finalmente foi convencido a procurar ajuda.
Hoje, o pai de Kim continua seu tratamento, está à procura de emprego em tempo parcial e ainda tem planos para visitar sua família, na Coreia do Sul. “Eu dei a minha câmera velha para o meu pai, na esperança de reacender o seu interesse pela fotografia e dar-lhe um incentivo”, contou Kim. “A própria vida é um presente. Sou muito grata por vê-lo vivo e melhorando a cada dia”, finalizou.

fotografa2

11.723 – A neurociência dos egoístas


egoismo
A maioria de nós segue algumas regras: se alguém nos ajuda, por exemplo, nós retribuímos o favor. Só que existe uma minoria que não liga muito para essas regras. Informalmente, nós os chamamos de egoístas, mas a psicologia os chama de maquiavélicos.
A palavra ‘maquiavélico’ vem de Nicolau Maquiavel, historiador, filósofo e poeta italiano que viveu no renascentismo. Ficou famoso por escrever ‘O Príncipe’, livro que reúne algumas opiniões contraditórias sobre política, poder e sucesso – inspirando o uso do seu nome como adjetivo.
Na psicologia, o maquiavelismo faz parte da ‘tríade negra da personalidade’, juntamente com a psicopatia e o narcisismo. Pessoas com alto ‘score’ em maquiavelismo têm uma tendência maior a concordar com frases como: ‘é inteligente elogiar pessoas poderosas’ e ‘a melhor forma de lidar com pessoas é dizer a ela o que elas querem ouvir’. Mas nada disso seria genuíno – a gentileza esconderia propósitos egoístas.
Recentemente, pesquisadores da Universidade de Pécs, na Hungria, analisaram o cérebro de pessoas com uma alta pontuação de maquiavelismo enquanto elas faziam uma atividade que dependida de confiança. O resultado? O cérebro delas entrava em um ciclo de atividade acelerada (e basicamente dava ‘pane’) quando elas encontravam um parceiro no jogo que se comportava de forma justa.
Explicamos: a atividade incluía quatro estágios. Neles, pessoas com alta pontuação em maquiavelismo e pessoas com scores normais jogavam com parceiros diferentes. No primeiro estágio, os participantes ganhavam cerca de 5 dólares e deveriam decidir quanto investir no seu parceiro. Qualquer quantia era triplicada ao ser passara para seu parceiro. Então o parceiro decidia quanto devolver para a primeira pessoa. Só que o parceiro era um programa de computador (sem que os participantes soubessem), programado para devolver uma quantia justa ou uma quantia completamente injusta (um terço do valor investido).
Depois os papéis eram invertidos e a pessoa deveria decidir quanto devolver par ao computador – permitindo que ela fosse justa caso o computador tivesse sido justo ou que o castigasse por ter sido injusto anteriormente.
Como você pode imaginar, os maquiavélicos acabaram com mais dinheiro no fim do jogo – isso porque, mesmo que o computador tivesse sido honesto com eles, eles não davam a quantidade justa em troca. Ou seja, a norma social de reciprocidade era quebrada.
O curioso foi que, quando eram tratados de forma justa, o cérebro dos maquiavélicos teve uma atividade maior do que a de não-maquiavélicos. Já no caso dos não-maquiavélicos, a atividade maior acontecia quando o parceiro era injusto. Quando eram tratadas de forma justa, pessoas não-maquiavélicas permaneciam com a atividade neural normal, porque já esperavam ser tratadas dessa forma.
Quando os pesquisadores analisaram as áreas cerebrais mais ativas nos maquiavélicos, perceberam que eram regiões envolvidas com a inibição e com a criatividade. Os cientistas interpretaram isso como evidências que essas pessoas estavam inibindo o instinto humano de reciprocidade.
Resumindo: quando você é injusto com alguém egoísta, o cérebro dessa pessoa permanece funcionando da mesma forma, já egoísmo é o que ele espera dos outros. Mas quando gentileza e cooperação é mostrada a eles, o cérebro deles acelera, enquanto ele pensa em como tirar vantagem da situação.

11.711 – Dopping na Mente – Jovens saudáveis usam remédios psiquiátricos para ir melhor em provas


As novas drogas da vez entre universitários e jovens profissionais passam longe de shows e baladas. As chamadas “smart drugs” são consumidas em universidades, cursinhos e escritórios.
Para estudar por várias horas sem perder o foco, pessoas sem problemas psiquiátricos ou neurológicos estão tomando pílulas para transtorno de deficit de atenção, narcolepsia e até mal de Alzheimer.
O médico Lucas (nome fictício), 28, diz que começou a tomar ritalina, remédio para transtorno de deficit de atenção, por causa das longas horas de trabalho e as obrigações de estudo para a residência em ortopedia. Ele diz que só assim conseguia se manter concentrado e acordado.
“Deixa você mais focado. Para mim, fez efeito, mas eu comecei a sofrer com muita ansiedade e, no fim, comecei a ter crises de pânico”, relata.
Gabriela, 22, diz que conseguiu anfetaminas com uma colega em um cursinho para o concurso de admissão à carreira diplomática. Ela diz que, tirando a perda de apetite, ela não sentiu muita diferença.
“Consigo ficar mais acordada, mas não sei se rendo mais. Tenho tomado só quando preciso dar conta de muita matéria. Não acho que estou dependente”, avalia.
DOPING
Par alguns especialistas, as “drogas da inteligência” estão para o mundo acadêmico como os esteroides anabolizantes estão para o esportivo: embora possa haver algum ganho de resultado, há risco de vários efeitos colaterais.
Existe também um dilema ético: quem usa essas substâncias antes de uma prova, como um concurso público, teria vantagem sobre seus concorrentes. “Para mim, isso é doping”, diz o psiquiatra Mario Louzã, coordenador do Programa de Deficit de Atenção e Hiperatividade no Adulto do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas.
Gilda Paolliello, professora de psiquiatria do Ipemed, pensa igual: “É concorrência desleal”. Ela diz que, em seu consultório, já consegue perceber uma grande quantidade de pré-universitários, “concurseiros” e executivos que têm abusado das substâncias.
Ao contrário de outros países, o Brasil ainda não tem dados sobre o uso “cosmético” desses remédios. O que se sabe é que a venda de psicoestimulantes aumentou 25% nos últimos cinco anos.
Juntas, as drogas dessa classe –Ritalina e Ritalina La (Novartis), Venvanse (Shire), Concerta (Janssen Cilag) e Stavigile (Libbs)– venderam 2,16 milhões de caixas entre julho de 2014 e julho de 2015.
Acredita-se que a moda tenha começado entre estudantes americanos e profissionais de Wall Street. Uma pesquisa divulgada em 2014 indica que quase um em cada cinco estudantes da “Ivy League” –grupo de universidades de elite que inclui Harvard– usaram algum tipo de “smart drug” durante o período letivo.
Em um artigo no “Journal of Medical Ethics”, Vince Cakic, da Universidade de Sidney, afirma que, no futuro, pode ser até que estudantes tenham de se submeter a exames de urina.

EFICÁCIA E RISCOS
A eficácia das “smart drugs” é polêmica. Os estudos, até agora, não têm resultados conclusivos: alguns indicam certos ganhos, outros mostram que não há vantagens para pessoas saudáveis.
Um dos exemplos é o modafinil, comercializado no Brasil como Stavigile. Seu uso registrado na Anvisa é para tratamento de narcolepsia, mas ela é muito popular entre os estudantes. Enquanto um trabalho de 2012 indicou que a modafinil conseguiu melhorar a performance cognitiva de médicos que estavam sem dormir, um trabalho de 2014 mostrou um resultado contrário; estudantes ficaram mais lentos para tomar decisões.
Especialistas alertam principalmente para a falta de estudos que indiquem possíveis danos do uso em longo prazo dessas drogas por quem não tem indicação médica.
Na internet, é fácil ter acesso a blogs e fóruns em que estudantes discutem o tema e ensinam estratégias de uso.
Embora sejam de uso controlado, os estudantes têm acesso relativamente fácil às pílulas no mercado paralelo, sobretudo em redes sociais.
“Os blogs vendem um pouco a ilusão de que você vai ficar muito inteligente e aprender tudo. Mesmo para uma pessoa sadia o aumento de concentração não é assim tão grande. Se a sua concentração já está em 100%, não vai para 200%”, explica Louzã.
Profissionais alertam também para efeitos negativos após o uso prolongado.
“Esses psicoestimulantes podem levar tanto à dependência física quanto à psíquica. Ou seja, a pessoa só consegue se sentir segura se usar” diz Gilda Paolliello.”É bem comum ter insônia e ansiedade. Além disso, o uso prolongado pode levar a problemas cardíacos, arritmia.”

11.647 – Cilada – Paixões fulminantes têm mais chances de dar errado


Um estudo recente dá algumas dicas úteis
O encontro
Pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin, e da Northwestern University reuniram 167 pares de namorados e casados e perguntaram a eles há quanto tempo se conheciam e desde quando tinham uma relação amorosa. A diferença entre os períodos foi medida pelo tempo durante o qual os casais eram amigos ou conhecidos antes de começar a namorar.
Depois disso, os casais foram entrevistados em vídeo para que uma equipe de “codificadores” pudesse “cientificamente” classificar o nível de atratividade de cada parceiro, em uma escala de -3 (nada atraente) a 3 (muito atraente). Para se certificar que a atratividade de um membro do casal não influenciasse as percepções dos codificadores sobre o outro parceiro, os pesquisadores colocaram uma segunda equipe para avaliar cada pessoa enquanto metade da tela ficava coberta, assim apenas um parceiro era visto de cada vez.
Ambos os métodos de avaliação de atratividade produziram resultados semelhantes, e os codificadores acabaram dando notas parecidas para cada pessoa – por isso, as classificações subjetivas foram consideradas como avaliações confiáveis pelos pesquisadores. Provavelmente, essas pessoas eram “convencionalmente atraentes”, já que receberam mais ou menos a mesma reação de um grande grupo de pessoas.

As descobertas
Os casais foram divididos de forma mais ou menos equilibrada entre aqueles que eram amigos antes de começar o namoro (40%) e aqueles que não eram (41%). Os outros 20% dos entrevistados ou não responderam a pergunta ou deram respostas diferentes de seus parceiros sobre se eram ou não amigos antes de começar a namorar (conselho gratuito: comunicação é essencial em relacionamentos).
A principal constatação, no entanto, foi esta: os casais que eram amigos antes de começar a namorar tinham uma maior lacuna no nível de atratividade – ou seja, um parceiro era claramente o que tinha boa aparência, de acordo com os codificadores – do que aqueles que iniciaram o relacionamento logo após terem se conhecido. Os parceiros que começaram a namorar em um prazo mais curto, por outro lado, tinham uma aparência comparativamente atraente.

A conclusão
Sim, vivemos em um mundo superficial que valoriza as aparências, mas há uma maneira de melhorar as regras do jogo: permita que as pessoas o conheçam e se dê um tempo para conhecê-las. Como explicam os pesquisadores, “períodos mais longos de convivência tendem a mostrar impressões românticas que se apoiam bem mais em um desejo único, idiossincrático”, do que apenas na aparência. Pode não parecer, mas as pessoas são mais do que suas partes físicas – e isso realmente importa no mundo das relações amorosas.
Além disso, ter uma amizade antes de iniciar um relacionamento, com todas as expectativas e desejos sexuais que acompanham o namoro, talvez não seja uma má ideia, sendo o paquerador “atraente” ou não.

11.530 – Mui Amigo – China consome 10 milhões de cães por ano


Liderados por ativistas chineses e internacionais, os defensores dos animais apelaram às autoridades locais e ao público chinês pelo fim do consumo de carne de cachorro e de outras práticas que acompanham o mercado chinês de carne de cachorro, que em geral não é regulamentado.
Calcula-se que mais de 10.000 cachorros sejam servidos a cada ano na celebração do solstício de verão na cidade.
A carne de cachorro não é amplamente consumida na China, mas é parte há muito estabelecida da dieta do país, especialmente no extremo sul e norte.
Até 10 milhões de cachorros e 4 milhões de gatos são comidos a cada ano na China, de acordo com os grupos de defesa dos direitos dos animais.
Ao longo das últimas semanas, milhões de mensagens condenando essa tradição culinária tomaram a mídia social chinesa.
Carne de cachorro é um alimento consumido principalmente na Ásia Oriental (e.g. República Popular da China, Coreia e Vietnã) e alguns países da África (e.g. Nigéria). Seu consumo resulta da tradição cultural, escassez ou racionamento de outras fontes de carne ou da crença nos benefícios medicinais atribuídos a várias partes do cachorro.
Nos países em que é consumida, a carne canina é considerada uma iguaria preparada para ocasiões especiais e festivas.
Na Nigéria, por exemplo, os animais consumidos provém da caça de cães selvagens ou do sacrifício de animais velhos ou doentes. Já nas Filipinas, onde o alimento é aceito como parte do direito cultural e religioso, os cães são criados na área rural especificamente para o consumo humano.
Os críticos ao consumo desta carne defendem que os cachorros são inerentemente emocionais e amigáveis à humanidade, ou que os métodos de abate são excessivamente cruéis.
Por outro lado, este juízo também é visto como imperialismo cultural e intolerância.
A China é um país repleto de tradições consideradas um tanto estranhas para o mundo ocidental.
Entre elas está a realização de um festival dedicado ao consumo de carne de cachorro, que aconteceu no sul e no nordeste do país no último domingo (23 de junho) e que foi alvo de inúmeros protestos dos amantes dos animais.
Imagens divulgadas pela agência de notícias Associated Press mostram os cães em gaiolas, prontos para serem vendidos e, em seguida, abatidos para que a carne se torne iguaria gastronômica.
De acordo com a organização não-governamental Humane Society International, anualmente ao menos 10 milhões de cães são caçados e mortos para consumo humano.
Na semana passada, voluntários vestidos com roupas representando animais promoveram evento em favor dos cães. Eles alegam que a festa promove a crueldade animal, além de causar preocupações referentes à segurança alimentar.
A carne de cachorro não é amplamente consumida na China, mas pode ser encontrada em restaurantes de todo o país, onde às vezes é considerada uma especialidade.

11.478 – Empresário indiano desiste de sua fortuna de R$ 311 milhões para se tornar um monge


indiano

O “rei dos plásticos” de Delhi, na Índia, abriu mão de um império de 100 milhões de dólares (cerca de R$ 311 milhões de reais), durante uma cerimônia, tornando-se o discípulo número 108 do guru jainista, Shri Gunratna Surishwarji Maharaj.
A decisão de Doshi foi influenciada por palestras jainistas que sustentavam sua espiritualidade desde 1982. Mas a sua família – sua esposa e três filhos – foram sempre relutantes em deixá-lo seguir o caminho para se tornar um monge. Eles finalmente cederam à sua vontade, no ano passado, permitindo que Doshi realizasse seu sonho de longa data. Sua iniciação na vida monástica ocorreu em uma cerimônia extravagante, em Ahmedabad, Gujarat.
O local foi especialmente decorado para o evento, com 20.000 varas de bambu que formavam o palco, além de 3.000 trabalhadores e 200 guardas de segurança. Cerca de 150 mil pessoas participaram do evento; 7.000 vieram de fora da cidade, e 500 quartos do hotel foram agendados para acomodá-los. Doshi entrou no palco vestido com roupas luxuosas, mas trocou seu traje por roupas de algodão simples, durante a cerimônia.
iniciação de Doshi foi seguida por uma procissão de sete quilômetros, contando com 1.000 monges, 12 carros, nove elefantes, nove carros de camelo, e músicos. Várias personalidades importantes participaram do evento, incluindo o industrial indiano Gautam Adnani. Cerca de 16 milhões de dólares (cerca de R$ 50 milhões de reais) foram gastos com a ocasião. Dinheiro, moedas de ouro e as chaves do carro foram jogados na multidão durante a procissão.
Doshi, que é originalmente de Rajasthan, se recusou a juntar-se à empresa têxtil de seu pai na década de 1970. Ele pegou dinheiro emprestado de seu pai para começar seu próprio negócio de comércio de plástico, em Delhi. Depois de quatro décadas de crescimento, sucesso e um estilo de vida luxuoso, Doshi trocou tudo por uma vida de austeridade.
Agora ele precisa usar roupas simples, andar descalço, e jamais poderá cortar o cabelo. “A vida de um monge jainista é semelhante ao de uma concha que não pode ser pintada por qualquer outra cor”, disse Surishwarji Maharaj. Mas Doshi permanece irredutível com suas escolhas.
“É sempre difícil quando o chefe da família opta pelo diksha. Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que teve quando anunciou sua decisão só pode ser descrita ao presenciar o fato”, descreveu seu filho, Rohit, que tem um MBA no Reino Unido. Ele acrescentou que seu pai não encontrou valor na educação formal. Em vez disso, ele acredita que “o único e verdadeiro caminho é o caminho do moksha (salvação)”.