13.467 – Astronomia – Cometa de 26 km de diâmetro em rota de colisão


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IMPACTO PODERÁ GERAR A MAIOR EXTINÇÃO EM MASSA QUE O PLANETA JÁ VIVENCIOU!

Novos cálculos realizados sobre a órbita do cometa Swift-Tuttle revelaram que há uma possibilidade de que o corpo celeste colida contra a Terra. Foi o que afirmou o cientista Ethan Siegel, responsável pela descoberta da chuva de meteoros das Perseidas. Ele acredita que o trajeto do asteroide poderá ser acelerado pela gravidade de Júpiter, o que fará com que ele se choque contra o nosso planeta.
O Swift-Tuttle possui um diâmetro de 26 quilômetros. Siegel explica que, com somente um pequeno golpe gravitacional de Júpiter, o corpo celeste poderá viajar até o Sol e ser expulso do Sistema Solar ou se lançar diretamente contra a Terra. Se isso acontecer, há uma possibilidade real para a colisão dentro de 2.400 anos e será a maior extinção em massa que o nosso mundo verá em centenas de milhões de anos.
Embora a comunidade científica afirme que o asteroide não representa uma ameaça iminente para a humanidade, diversos astrônomos reconhecem que esse objeto é, de fato, o mais perigoso para o planeta Terra – dentre os que existem no Sistema Solar atualmente.

History Chanel

 

13.272 – Astrobiologia – Cometa explorado pela sonda Rosetta contém ingredientes da vida


cometas vida
No dia 27 de maio de 2016 foi confirmado pelo espectômetro de massa da sonda Rosetta, a presença de substâncias relacionadas à origem da vida na cauda do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko: o aminoácido glicina, o elemento fósforo, além de metilamina, etilamina, sulfeto de hidrogênio e cianeto de hidrogênio.
Tratam-se de ingredientes considerados cruciais para a origem da vida na Terra que foram encontrados pela espaçonave da Agência Espacial Europeia que tem explorado o cometa por quase dois anos – entre 2014 e 2015, por meio de módulo Philae, dotado de instrumentos científicos.
Eles incluem o aminoácido glicina, que é comumente encontrado em proteínas, e fósforo, um componente-chave do DNA e membranas celulares.
Os cientistas há muito debatem a possibilidade de que a água e as moléculas orgânicas foram trazidas pelos asteróides e cometas quando a Terra era jovem e depois esfriou após sua formação, fornecendo alguns dos principais blocos de construção para o surgimento da vida.
Enquanto alguns cometas e asteroides já são conhecidos por ter água em sua composição, assim como os oceanos da Terra, a sonda Rosetta encontrou uma diferença significativa no seu cometa – alimentando o debate sobre seu papel na origem da água da Terra.
Contudo, os novos resultados revelam que os cometas têm o potencial de ingredientes importantes para o surgimento da vida como a conhecemos.

12.844 – Sonda Rosetta colide em cometa e finaliza sua missão histórica


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Após doze anos coletando valiosos dados sobre o Sistema Solar, a sonda Rosetta terminou sua missão. O aparelho da Agência Espacial Europeia (ESA) colidiu com o cometa 67P/Churyumov-Gersasimenko no início da manhã desta sexta-feira (30) no horário de Brasília.
A agência perdeu contato com a sonda no fim da tarde de quinta-feira (29), quando ela entrou no curso de colisão com o cometa em uma altitude de 19 quilômetros. Rosetta foi eficiente até o fim: durante a aproximação, ela coletou informações sobre o gás, a poeira e o plasma que envolvem a superfície do 67P, além de captar imagens dele — os dados foram enviados para a Terra antes da perda de contato.
“A Rosetta fez história mais uma vez”, disse Johann-Dietrich Wörner, diretor da Agência Espacial Europeia. “Hoje celebramos o sucesso de uma missão que mudou o jogo, uma que ultrapassou todos nossos sonhos e expectativas e que continuará o legado da ESA no estudo de cometas.”

Histórico
Desde que saiu da Terra, em 2004, a Rosetta deu várias voltas ao redor do nosso planeta, passou por Marte e encontrou dois asteroides. Em novembro de 2014, o robô Philae se desprendeu da sonda para pousar no cometa 67P Churyumov-Gerasimenko, se tornando a primeira criação humana a tocar a superfície de um cometa.
A decisão de terminar a missão colidindo no cometa surgiu a partir do fato de que a sonda e o cometa estavam indo para além da órbita de Júpiter. A distância do Sol dificultaria a recarga de Rosetta, que ficaria com pouca energia para funcionar. Vida longa e próspera.

12.540 – Bioastronomia – Cientistas detectam em cometa matérias-primas para a vida


cometas vida
Cientistas conseguiram detectar em um cometa a presença de dois ingredientes fundamentais para a vida: a glicina – um aminoácido – e o fósforo, segundo um novo estudo.
O achado foi realizado no 67P/Churyumov-Gerasimenko. O cometa foi descoberto no fim dos anos 1960 por cientistas ucranianos e, em 2014, um módulo que se desprendeu da sonda Rosetta pousou em sua superfície, num feito inédito.
Ainda que tenha sido detectada a presença de mais de 140 moléculas orgânicas diferentes no espaço, é a primeira vez estes que são encontrados estes elementos, essenciais para o desenvolvimento do DNA e das membranas celulares.
Traços de glicina, necessários para formar proteínas, já haviam sido encontrados nos restos da cauda do cometa Wild 2, que a Nasa conseguiu obter em 2004.
Mas, naquele momento, os cientistas não puderam descartar por completo a possibilidade de as amostras terem sido contaminadas de alguma maneira durante a análise feita na Terra.
O achado agora permite confirmar a existência de glicina e fósforo nos cometas.
Já a origem do fósforo detectado na fina atmosfera do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko não foi determinada com exatidão, acrescentou a investigação.

11.922- Astronomia – Cometa Lovejoy libera álcool etílico e açúcar


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Cometa de longo período C/2014 Q2, ou Lovejoy, como é conhecido, libera álcool etílico e açúcar, afirmam cientistas em estudo divulgado na última sexta-feira (23) na publicação científicaScience Advances.
“Nós descobrimos que o cometa estava soltando uma quantidade de álcool relativa a de 500 garrafas de vinho por segundo durante sua atividade de pico”, disse Nicolas Biver, condutor da pesquisa e cientista do Observatório de Paris, na França. Entre as substâncias liberadas pelo cometa, foi encontrado um açúcar simples chamado gliceraldeído e outras 19 moléculas orgânicas.
Essas informações fazem com que os cientistas cheguem mais perto de confirmar a teoria de que os cometas fizeram parte dos ingredientes necessários para a origem de vida na Terra.
O Lovejoy foi descoberto em agosto de 2014 e fez sua passagem mais próxima do Sol no dia 30 de janeiro de 2015. O calor intenso causado por esse encontro fez com que o cometa liberasse várias nuvens de gás nos arredores, enquanto soltava cerca de 18 toneladas de moléculas de água por segundo.
Nicolas Biver e sua equipe conseguiram descobriram a composição desse gás usando observações feitas pelo rádiotelescópio do Observatório Pico Veleta, na Espanha. Os cientistas perceberam que a forma como a luz solar interagia com as moléculas na atmosfera do cometa fez com que elas brilhem em frequências específicas. A partir dessas informações foi possível identificar as moléculas.
Os cometas são ótimas fontes para descobrir quais foram os materiais que serviram de base durante o surgimento da Terra. Estima-se que quando as nuvens de gás são produzidas por estrelas que explodem, ou supernovas, elas se misturam com ventos de gigantes vermelhas, comprimindo a si mesmas em uma nuvem concentrada de material estelar que desmorona abaixo de sua própria gravidade para formar novas estrelas e planetas.
Esses gases formadores coletam grãos de poeiras, nos quais dióxido de carbono, vapor de água, e outros gases se acumulam e congelam, antes que a radiação os converta em diferentes tipo de moléculas orgânicas. Os grãos se tornam então parte do interior de cometas e asteroides.
Existem diversas hipóteses de que vários cometas carregados com moléculas orgânicas impactaram a Terra logo após ela ter nascido, se espalhando pela superfície. As últimas observações do cometa Lovejoy dão um novo peso a essa ideia. “O resultado definitivamente reforça a ideia de que cometas carregam consigo uma química bem complexa”, disse Stefanie Millam, do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, nos Estados Unidos.
O próximo passo para os cientistas será descobrir se o álcool, o açúcar e as outras moléculas orgânicas encontradas no cometa Lovejoy surgiram pela nuvem primordial formada pelo Sistema Solar, ou se elas foram colhidas de outras fontes.

11.560 – Cometa 67P poderia abrigar vida?


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As características distintas do cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko, tais como a sua crosta orgânica negra, são melhores explicadas pela presença de organismos vivos debaixo de uma superfície gelada, dizem eles. Os peritos sugerem que o cometa é mais propício para a vida do que as regiões polares da Terra.
Rosetta, a nave espacial europeia que orbita e explora o cometa, também detectou fragmentos estranhos de materiais orgânicos que parecem partículas virais. Infelizmente, Rosetta e Philae não estão equipados para procurar evidências diretas de vida, após uma proposta para incluir a habilidade na missão ser vetada por um tribunal.
O astrobiólogo Chandra Wickramasinghe, que estava envolvido no planejamento da missão há 15 anos, disse: “Eu queria incluir um experimento de detecção de vida muito barato. Na época, pensava-se que era uma proposta bizarra”. Ele e seu colega, Max Wallis, da Universidade de Cardiff, acreditavam que 67P e outros cometas semelhantes poderiam fornecer ambientes ideais para micróbios similares aos “extremófilos”, que habitam as regiões mais inóspitas da Terra. Os cometas podem ter ajudado a semear a vida na Terra, e, possivelmente, de outros planetas, como Marte no início da vida do sistema solar, eles argumentam.
Os astrônomos vão apresentar as descobertas do cometa 67P na Assembleia Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, em Llandudno, País de Gales.
O cometa, descrito como parecendo um “pato de borracha”, encontra-se a 284.4 milhões de quilômetros da Terra e viaja a mais de 117,482 km/h.
Wickramasinghe e Wallis realizaram simulações de computador que sugerem que os micróbios poderiam habitar regiões lacrimejantes do cometa. Organismos que contêm sais anticongelantes poderiam estar ativos em temperaturas tão baixas quanto -40 °C, revelou a pesquisa.
O cometa tem uma crosta negra cobrindo gelo de hidrocarboneto e crateras de fundo chato contendo “lagos” de águas congeladas com detritos orgânicos. “O material escuro está sendo constantemente reabastecido ao ferver por conta do calor do sol. Alguma coisa deve estar fazendo isso em um ritmo bastante prolífico”, revelou Wickramasinghe.
Os mecanismos biológicos foram a explicação provável para as grandes quantidades de gases orgânicos que tinham sido observados em torno de cometas, juntamente com a água que ele continha.
Uma descoberta tentadora foi a de que ‘grupos de partículas’ orgânicos nos gases que cercam o cometa são semelhantes a partículas virais coletadas da atmosfera superior da Terra. “Elas podem ser partículas virais”, disse o professor Wickramasinghe.
Como o cometa atinge o seu ponto mais próximo do Sol a uma distância de 195 milhões de km, é provável que seus microrganismos tornem-se mais ativos, disseram os cientistas.
“A atual estimativa para o número de planetas extra-solares na galáxia é de 140 bilhões ou mais. Os planetas que podem abrigar vida são realmente muito abundantes na galáxia, e o próximo sistema vizinho está apenas a uma distância mínima. Eu acho que é inevitável que a vida seja um fenômeno cósmico. Quinhentos anos atrás era uma luta para que as pessoas aceitassem que a Terra não era o centro do universo”, disse.
Missões futuras no 67P e outros cometas devem incluir instrumentos de busca de vida, disse ele. Mas as agências espaciais parecem relutantes em se envolver em uma busca séria por vida, por conter “um paradigma estabelecido há muito tempo”.
“Rosetta já mostrou que o cometa não pode ser visto como um corpo inativo ultracongelado, suportando processos geológicos, podendo ser mais hospitaleiro para a micro-vida do que nossas regiões árticas e antárticas”, finalizou Wallis.

11.487 – Sonda Philae, que aterrissou em cometa, envia sinais após 7 meses


sonda no cometa
Depois de sete meses, o módulo Philae despertou de sua hibernação sobre um cometa e se comunicou com o planeta Terra com mais de um minuto, disse a Agência Espacial Europeia neste domingo (14 de junho).
Trata-se do primeiro artefato espacial a pousar num cometa, quando tocou na superfície gelada do 67P/Churyumov-Gerasimenko em novembro. O pouso foi considerado o fato científico do ano em 2014 pela revista “Science”.
Logo depois de seu pouso histórico, transmitido inclusive por uma conta própria no Twitter, a Philae fez experimentos e enviou dados para a Terra por cerca de 60 horas antes de suas baterias solares descarregarem e ela ser forçada a hibernar até voltar a ter alguma exposição ao sol.
O Centro Aeroespacial Alemão, que opera o Philae, disse que a sonda retomou as comunicações às 22h28 locais de sábado (17n28 no Brasil). Ela enviou cerca de 300 pacotes de dados até a Terra por meio de sua nave-mãe Rosetta, que orbita o cometa.
“O módulo ficou tão escondido que nem mesmo imagens feitas a poucos quilômetros de distância pela sonda orbitadora Rosetta (que segue operando normalmente ao redor do Churyumov-Gerasimenko) conseguiram identificar com precisão sua posição. Outro problema decorrente disso é que ele recebia luz solar em apenas um dos paineis e mesmo assim por pouco tempo, o que o impedia de recarregar suas baterias e continuar seu trabalho. Por isso ele entrou em hibernação”.

11.203 – Rosetta: pode haver gelo no ‘pescoço’ do cometa


sonda rosseta2

Novas fotos do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko feitas pela sonda Rosetta mostram a presença de gelo em seu “pescoço”. Lembrando um pato de borracha, o cometa parece formado por dois corpos interligados por uma região menor, conhecida como região Hapi, informalmente chamada de “pescoço”. A revelação foi divulgada pelo Instituto Max Planck, organização alemã que participa da missão.
Três imagens capturadas pela câmera Osiris, a bordo da sonda, permitiram a descoberta. Cada uma correspondia às cores vermelho, verde e azul. Juntando as três, os pesquisadores obtiveram uma imagem colorida do cometa e com isso perceberam que a região Hapi reflete menos luz vermelha do que as demais, ficando mais azulada. Essa coloração indica a presença de gelo no local, seja na superfície ou logo abaixo de uma camada de poeira.
Além disso, nos últimos meses, com a aproximação com o Sol, essa parte do cometa tem se mostrado mais ativa, expelindo jatos de gás e poeira. A diferença de coloração, porém, é pequena, de modo que a quantidade de gelo presente também deve ser limitada. As imagens do Osiris foram feitas no dia 21 de agosto de 2014, quando Rosetta se encontrava a aproximadamente 70 quilômetros do cometa.
A nave Rosetta é equipada com instrumentos adicionais para identificar de forma direta a presença de gelo na superfície. O espectrômetro Virtis, por exemplo, pode determinar claramente as marcas espectrais de moléculas de água. “Temos muita curiosidade de ver se os indícios se confirmam a partir dessas medições”, afirma o chefe da equipe Osiris, Holger Sierks.
“Em agosto, quando o 67P alcançar a máxima aproximação do Sol, ele se aquecerá muito, mas a região Hapi será a exceção: vai permanecer na escuridão e experimentar uma espécie de noite polar”, afirma Sonia Fornasier, do Observatório de Paris e também integrante da equipe Osiris. O “pescoço” do cometa só receberá de novo luz solar a partir de março de 2016.

11.146 – Mega Memória – Descoberto Cometa Olinda no céu de Pernambuco


No dia 26 de fevereiro de 1860 o astrônomo francês Emmanuel Liais descobriu o Cometa Olinda, quando estava a serviço do Observatório Imperial de Paris, trabalhando no observatório do Alto da Sé, na cidade de Olinda (PE). Foi o primeiro cometa descoberto na América do Sul. O Cometa Olinda tem órbita parabólica, o que impede uma nova observação no mesmo local. O astrônomo publicou um artigo sobre a sua descoberta na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O cometa foi visualizado na região celeste representado pela constelação de Dourados.

10.984 – Cometa Lovejoy é visível no Brasil até o fim de janeiro


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Com um brilho esverdeado, o cometa Lovejoy (C/2014 Q2) está visível na Terra desde o fim de dezembro. No Brasil, porém, ele se tornou aparente somente desde o dia 9, e permanecerá exibindo seu núcleo, que mede entre 3 e 5 quilômetros, até o próximo dia 31. Apesar do tamanho relativamente pequeno da cabeça, ou coma, atinge cerca de 600 quilômetros, ao expelir gases, vapor e poeira conforme se aproxima do Sol. O cometa se move a uma velocidade de cerca de 132 mil km/h e está a 74 mil quilômetros de distância da Terra.
É possível observá-lo com a ajuda de um binóculo em lugares em que o céu esteja limpo e o mais longe possível da poluição luminosa, como as luzes de cidade grande (foi mal, São Paulo). Hoje, o cometa passa próximo da constelação de Touro, subindo à direita da constelação de Orion, identificável através de seu cinturão, formado pelas popularmente conhecidas Três Marias, como mostra a imagem abaixo do site Universe Today. É possível ainda acompanhar a trajetória do cometa no site Live Comet Data.

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10.870 – Missão Rosetta: asteroides, não cometas, teriam trazido água para a Terra


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A teoria não se comprovou. Um estudo publicado na revista Science mostra que a água presente no 67P é muito diferente da que existe no nosso planeta.
As medições que levaram a essa conclusão foram feitas pelo instrumento Rosina, a bordo da sonda Rosetta, composto por dois espectrômetros de massa e um sensor de pressão, durante os meses de agosto e setembro. Diante do resultado negativo, os pesquisadores, liderados por Kathrin Altwegg, da Universidade de Berna, na Suíça, apontam a possibilidade de a água ter vindo dos asteroides.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram a composição da água do 67P. Na Terra, a água é mais comumente formada por átomos de oxigênio com oito prótons e oito nêutrons em seu núcleo (o oxigênio 16) e de hidrogênio com um próton e nenhum nêutron. Mas essa não é a única fórmula encontrada por aqui. A água também pode ser composta por isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem em massa) mais pesados, oxigênio 18 (oito prótons e dez nêutrons) e deutério, também conhecido como hidrogênio pesado, com um próton e um nêutron em seu núcleo.
Os instrumentos mediram a quantidade de deutério em comparação com hidrogênio na água do cometa, e o resultado encontrado foi cerca de três vezes o valor da Terra. “Agora sabemos que a água do 67P não é igual à da Terra”, afirma Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. “Mas a água não é igual em todos os cometas. Esses corpos celestes podem ter se formado em várias partes do Sistema Solar”.
Duas “famílias” de cometas já tiveram a composição da água analisada: as da Nuvem de Oort, mais distantes do Sol, e as da família de Júpiter, mais próximas do astro. Só o 67P e o Halley, porém, foram medidos in loco, com a ajuda de sondas espaciais. Nos demais casos, as medições foram feitas por telescópios.
O Hartley 2 e 45/P, cometas da família de Júpiter, têm água relativamente parecida com a da Terra. Já a água do 67P revelou-se mais parecida com a dos cometas da Nuvem de Oort.
“Por hora, a probabilidade mais forte é a água ter vindo dos meteoritos”, afirma Picazzio. Os condritos, meteoritos rochosos, têm a água mais semelhante à da Terra já observada no Sistema Solar. Acredita-se que eles sejam fragmentos de asteroides, os corpos celestes apontados pelos autores do estudo como nova possibilidade de origem da água do planeta azul.
Há uma semana, a agência espacial japonesa, Jaxa, lançou a sonda Hayabusa 2, que percorrerá 300 milhões de quilômetros para chegar, em 2018, ao asteroide 1999 JU3, com objetivo de recolher amostras dele. Paralelamente, a Nasa planeja para o ano que vem o lançamento da OSIRIS-REX, com destino ao asteroide Bennu, para recolher amostras em 2019.

Em 1993, a Missão Internacional Rosetta foi aprovada pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), com o objetivo de programar a expedição a um cometa, considerado um vestígio dos primórdios do Sistema Solar que continua vagando pelo espaço. Ela custou 1 bilhão de euros.

10.778 – Sonda europeia tenta “epopeia”: pouso inédito e histórico em cometa


pouso Rosetta

É um jogo de sorte, não se anime demais. As chances de sucesso equivalem a jogar uma moeda para cima e observar como ela cai. Se der cara, o módulo de pouso Philae se desprenderá da sonda Rosetta e produzirá imagens estonteantes da superfície do objeto conhecido como 67P/Churyumov-Gerasimenko.
Em compensação, se der coroa, teremos de nos contentar com meras observações orbitais feitas pela própria Rosetta. “Está muito silencioso por aqui esses dias, você sente que o evento está chegando”, conta Holger Sierks, cientista responsável pela câmera Osiris, da sonda orbitadora.
Ela estará de olho no Philae durante a descida e tentará fotografá-lo na superfície, caso ele chegue lá e fique.
Não há nada a fazer para garantir o sucesso ou mesmo interferir o que vai acontecer. Os comandos que levam ao pouso são pré-programados, e a distância entre a Terra e o cometa impedem qualquer intervenção manual de última hora –leva 28 minutos para um sinal de rádio partir daqui e chegar lá.
Um detalhe aumenta o drama: o módulo Philae não tem propulsor. Ou seja, ao se desprender da Rosetta, ele simplesmente “cai” suavemente na direção do cometa.
Como a gravidade do cometa é suave –trata-se de um objeto composto por gelo e rocha com modestos quatro quilômetros de diâmetro, numa forma bem irregular–, um erro de cálculo pode ser fatal. O Philae pode errar a mira e se perder no espaço.
O módulo leva cerca de 7 horas para atravessar os 22,5 km que o separam do chão. Ao chegar, dois arpões precisam ancorá-lo ao cometa, e três garras de atracação devem firmá-lo no chão. Com a gravidade fraca, ele poderia quicar e voltar para o espaço.
Como se vê, muito pode dar errado. Daí a chance de 50%. Mas a recompensa científica pode ser grandiosa.
Os cometas representam objetos remanescentes da formação do próprio Sistema Solar. Por isso, os cientistas acreditam que estudá-los pode nos ajudar a compreender a origem da Terra e sua natureza benigna para a vida.
Aliás, a própria origem da vida pode ter uma conexão com os cometas. Os cientistas sabem que eles são ricos em compostos orgânicos.
É bem possível que os cometas tenham trazido essas moléculas para cá, ao colidir com a Terra infante, e com isso tenham viabilizado o surgimento das primeiras formas de vida.
Tudo isso poderá ser posto à prova com o pouso do Philae. Ele tem instrumentos para analisar o solo, além de estudar o aumento de atividade do cometa conforme ele se aproxima do Sol.
O local de pouso foi batizado de Agilkia, em mais uma referência ao Egito Antigo. A pedra de Roseta, que dá nome à missão, foi o que permitiu a decifração dos hieróglifos. Espera-se que a Rosetta espacial faça serviço similar pelo entendimento da formação do Sistema Solar.

modulo de pouso

10.722 – Astronomia – Chuva de meteoros do cometa Halley poderá ser vista a olho nu na noite de hoje


meteoro

O cometa Halley passa pelos céus terrestres em média a cada 75 anos, mas o nosso contato com ele é bem mais frequente do que isso: anualmente, nos meses de maio e outubro, a Terra atravessa regiões do espaço repletas de detritos que se desprenderam do núcleo do astro. Quando cruzamos com estes rastros do Halley, os fragmentos se incineram na nossa atmosfera e o resultado são belas chuvas de meteoro, como a que terá seu pico de atividade nas noites desta segunda-feira (20/10) e terça-feira (21/10).
As Orionídeas poderão ser vistas a olho nu de todo o país, se as condições climáticas de sua cidade colaborarem e se o local não apresentar muita poluição luminosa. O horário ideal para a observação começa na noite de hoje, às 23h, e se estende até pouco antes do amanhecer desta terça-feira. Segundo a NASA, a madrugada oferecerá as melhores oportunidades de visualização dos meteoros, que podem aparecer a uma taxa de 20 a 30 por hora. O fenômeno deve continuar nas próximas noites, só que com uma intensidade cada vez menor.
Para apreciar este tipo de evento, não é necessário nenhum tipo de equipamento astronômico, como binóculos ou telescópios: por cruzarem o céu muito rapidamente, as estrelas cadentes devem ser vistas a olho nu. Uma boa notícia é que a lua não atrapalhará as Orionídeas deste ano, já que se encontra em quarto minguante, quase atingindo a fase nova, quando não reflete luz e, portanto, não compromete a visibilidade do céu noturno.
Quem quiser observar o fenômeno deve olhar para a direção leste e encontrar a constelação de Órion, onde estará localizado o radiante da chuva – ponto do qual os meteoros parecem se originar. Uma boa referência são as populares Três Marias, que na verdade são o cinturão de Órion, estrelas que ficam próximas ao radiante.

10.588 – Astronomia – Cometas que poderão ser vistos em 2014


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É consenso entre os astrônomos que 2014 não se trata de um ano ideal para a visualização de cometas – daqui até dezembro, nenhum deles será visível a olho nu. O último que passou pelas redondezas da Terra com maior estilo foi o finado ISON, no fim do ano passado. No entanto, se você tiver um bom binóculo astronômico e também um aplicativo que permita a fácil localização de objetos no céu noturno, conseguirá driblar esta dificuldade e contemplar um desses astros. Abaixo nós também incluímos mapas para setembro que vão facilitar ainda mais a sua busca.
C/2014 E2 Jacques – até outubro Este cometa é especial para a astronomia brasileira: foi o primeiro a ser batizado em homenagem a um astrônomo daqui. Quem o identificou no início deste ano foi Cristóvão Jacques, do observatório mineiro SONEAR. Segundo Jacques, o cometa “dele” é atualmente o mais promissor para o hemisfério norte, e voltará a estar mais visível por aqui a partir da segunda quinzena de setembro. Uma boa oportunidade de observação é o dia 14 deste mês, quando o astro estará logo ao lado da estrela Albireo (constelação Cygnus, ou Cisne). O limite é o dia 1º de outubro, quando sua localização será próxima à Águia.

C/2013 V5 Oukaimeden – até outubro De acordo com Cristóvão Jacques, o Oukaimeden é a melhor aposta para quem quiser ver um cometa ainda este ano. Atualmente ele está mais alto no céu, próximo ao Unicórnio, mas o período em que estará mais brilhante e próximo à Terra será por volta do dia 16 de setembro. Já bem perto da linha do horizonte, o corpo celeste poderá ser encontrado ao lado da estrela Alfa da constelação de Antlia, ou Máquina Pneumática.

cometa-oukaimeden

C/2012 K1 Pan-STARRS – até dezembro O Pan-STARRS voltou a ser visível no hemisfério sul agora no início de setembro, e daqui até o fim do ano suas chances de visualização só devem melhorar, conforme vai subindo no céu noturno. O dia em que passará mais perto da Terra será 31 de outubro, quando vai estar na região da constelação do Pintor.

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C/2013 A1 Siding Spring – até dezembro Este cometa deve atingir seu máximo brilho por volta da metade de setembro, na constelação do Pavão. Mas a situação mais interessante com o Siding Spring vai ocorrer em 19 de outubro: ele vai passar literalmente “raspando” em Marte, a cerca de 127 mil quilômetros. Para se ter uma ideia de como isso é perto, no ano passado os astrônomos chegaram a prever que o astro iria colidir com o planeta e causar muitos estragos. Já sabemos que isso não irá ocorrer, mas de qualquer forma os marcianos terão um show e tanto neste dia. Será que a Curiosity vai nos presentear com alguma foto espetacular do cometa?

10.539 – Marte pode ser atingido por cometa em 2014


marte cometa

 

Há quase 20 anos, o cometa Shoemaker-Levy 9 atingiu Júpiter. O acontecimento teve grande repercussão, principalmente por possibilitar a primeira observação direta desse tipo de colisão, suas causas e consequências. O impacto não foi tão grande, pois se tratava de um planeta imenso com uma camada atmosférica mais do que forte.

O alerta lançado agora, de acordo com o site da Discovery, é o de que um novo cometa pode colidir com Marte no próximo ano. A diferença entre uma colisão em Júpiter e outra em Marte é a atmosfera que, em um dos planeta mais próximos à Terra, não é tão espessa assim, fator que pode potencializar os danos causados pelo impacto.

O lado mais interessante desse possível acontecimento é que temos sondas em Marte, capazes de captar os mais diversos tipos de imagem. Essa possibilidade está deixando astrônomos, cientistas e curiosos ansiosos com a possível colisão. Seria uma fonte muito rica de informações.

O cometa que talvez atinja o Planeta Vermelho já tem até nome: C/2013 A1, e foi descoberto por um observatório australiano, em janeiro deste ano. Ele mede 1,9 km de largura e viaja cerca de 56 km por segundo. A energia causada pelo impacto seria equivalente a 35 milhões de megatoneladas de TNT. Para se ter ideia, a bomba de Hiroshima explodiu com 15 quilotoneladas de TNT, muito menos do que a prevista pela colisão.

Há a chance de o cometa apenas passar por Marte, sem que haja atrito. Nesse caso, seria possível ver um imenso e muito bonito show de luzes, como prêmio de consolação. Em números, a chance de impacto com Marte é de 1 em 2.000, considerada não negligenciável pelos cientistas.

 

Fonte: Discovery

 

 

 

 

 

 

10.158 – Cometas – O Cometa Siding Spring


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O cometa esperado para 2014 não vai passar perto da Terra, mas de Marte. Trata-se do Siding Spring, que foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught.
A princípio, pensava-se que ele poderia colidir com o planeta vermelho, mas a Nasa já considera essa hipótese praticamente descartada: em abril no ano passado, a chance de colisão foi estimada em uma para 120 000. A aproximação máxima do cometa a Marte está prevista para 19 de outubro, quando ele estará a 110.000 quilômetros do planeta. “Essa distância equivale a pouco mais de um terço da existente entre a Terra e a Lua. Nunca houve um cometa passando tão perto assim da Terra”, explica Gustavo Rojas.
A passagem do Siding Spring pode envolver Marte em uma nuvem de poeira e pequenas rochas liberadas pelo cometa, o que pode provocar um efeito visual bonito, mas também causar danos aos equipamentos que orbitam o planeta vermelho, como a sonda Mars Orbiter, lançada em novembro do ano passado pela Organização de Pesquisas Espaciais da Índia e os robôs exploradores Opportunity e Curiosity.

10.061 – Júpiter, o faxineiro do Sistema Solar


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Como vimos com detalhes em outros capítulos, nos anos 90, um evento astronômico sem precedentes animou a comunidade científica: a gravidade de Júpiter havia quebrado o cometa P/Shoemaker-Levy 9 em diversos pedaços. Foi a primeira vez em que os pesquisadores da Terra puderam apreciar a colisão de corpos que vieram de fora do Sistema Solar.
Mas há um dado interessante nessa história e que nem sempre é divulgado: o cometa foi capturado pelo campo gravitacional de Júpiter cerca de 20 a 30 anos antes da colisão. Com essa informação em mente, é possível ter uma ideia de quão massivo e importante para a estabilidade do Sistema Solar esse gigante gasoso pode ser.
Graças à sua massa, Júpiter acaba funcionando como uma espécie de “faxineiro” do Sistema Solar, sugando para ele diversos asteroides e corpos celestes que poderiam se chocar contra a Terra ou outros planetas, reduzindo em muito o número de impactos. É provável que isso tenha acontecido em setembro de 2012, quando um astrônomo amador flagrou Júpiter recebendo um impacto que poderia ter sido direcionado para a Terra.
Apesar de ser bem comum essa ideia de que Júpiter ajuda a proteger a nossa integridade, ela nunca foi estudada ou contestada de verdade. Segundo um artigo publicado pela Astrobiology Magazine, houve apenas um estudo acadêmico, no passado, sobre o assunto.
Em 2013, uma nova pesquisa veio contestar essa ideia de que Júpiter é o nosso protetor. A razão? Simulações computacionais indicam que a presença de Júpiter não diminui, tanto assim, as chances de que corpos celestes atinjam a Terra.
A pesquisa revelou que, caso um planeta de massa menor do que a Júpiter ocupasse o seu lugar, a Terra receberia muito mais impactos. Mas se o gigante gasoso não existisse em nosso Sistema Solar, a taxa de impactos fosse praticamente a mesma que temos hoje.
Porém, há quem diga que esse estudo, realizado por Jonathan Horner, no Reino Unido, possui falhas, já que leva em consideração apenas os objetos que vêm do cinturão de Kuilper, ignorando, por exemplo, os cometas provenientes da Nuvem de Oort.
O fim de Mercúrio?
A influência de Júpiter no Sistema Solar não para por aí. Segundo o Universe Today, há indícios de que o planeta possa causar a morte de Mercúrio. A teoria é apoiada por Jacques Laskar, do Observatório de Paris, e outros astrônomos ao redor do mundo, e levanta pelo menos quatro hipóteses para o fim do primeiro planeta do nosso Sistema Solar.
De acordo com a matéria, a influência da gravidade de Júpiter sobre a órbita de Mercúrio pode fazer com que:
Mercúrio se choque contra o Sol;
Mercúrio seja arremessado para fora do Sistema Solar;
Mercúrio se choque contra Vênus; ou
Mercúrio se choque contra a Terra.
Felizmente, apesar de possível, essa não é uma situação com a qual precisamos nos preocupar, já que ela não ameaça nossa existência. Se alguma das possibilidades acima realmente ocorrer, será daqui a 5 ou 7 bilhões de anos. Até lá, não sabemos nem mesmo se a espécie humana continuará a existir.

9304 – ☻ Mega Lista – Os grandes cometas dos últimos 50 anos


Os astrônomos utilizam uma escala de magnitudes para indicar o brilho dos objetos celestes. Nessa escala, quanto menor o número, maior o brilho, sendo que valores negativos indicam corpos muito brilhantes. As imagens foram capturadas com exposições longas, o que realçou o brilho e a extensão da cauda dos cometas.

Ikeya-Seki (1965)
Foi o cometa mais brilhante do século 20, e, provavelmente, o mais brilhante em milênios. Em seu brilho máximo, atingiu magnitude -10, podendo ser visto até durante o dia. Após a passagem pelo Sol, se fragmentou em três pedaços.

West (1976)
Descoberto em uma placa fotográfica pelo astrônomo dinamarquês Richard West em agosto de 1975, o cometa atingiu o periélio (ponto mais próximo do Sol) em fevereiro do ano seguinte. Sua magnitude máxima foi -3.

Hyakutake (1996)
Descoberto em no final de janeiro de 1996 pelo astrônomo amador japonês Yuji Hyakutake, o cometa passou próximo à Terra em março daquele ano. Por ter passado a menos de 15 milhões de quilômetros da Terra, apareceu enorme no céu e atingiu magnitude 0.

Hale-Bopp (1997)
Foi talvez o cometa mais observado e estudado do século, descoberto independentemente por dois astrônomos amadores americanos, Alan Hale e Thomas Bopp. Após a passagem periélica, ele ficou tão brilhante (magnitude -2) que pôde ser visto até das grandes cidades do Hemisfério Norte. No total, pôde ser observado a olho nu durante 18 meses.

McNaught (2007)
Descoberto no observatório de Siding Spring, na Australia, foi o cometa mais brilhante desde o Ikeya-Seki. Permaneceu invisível a olho nu até a passagem periélica (ponto mais próximo do Sol), quando começou a aumentar de brilho. Atingiu magnitude máxima de -5,5.

Lovejoy (2011)
Este cometa surpreendeu os astrônomos no final do ano passado. Assim como o Ikeya-Seki, o Lovejoy passou tão perto do Sol que chegou a atravessar a sua coroa, a camada solar mais externa e rarefeita. Esse rasante causou uma grande atividade no núcleo do cometa, aumentando consideravelmente seu brilho. A magnitude máxima atingida foi -4, o que o tornou o cometa mais brilhante desde o McNaught.

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9093 – Astronomia – Pesquisadores encontram fragmento de cometa que atingiu a Terra há 28 milhões de anos


cometa

Há 28 milhões de anos, um cometa adentrou a atmosfera terrestre, acima da região que viria a ser conhecida como Egito. Ao entrar em contato com o ar, o cometa explodiu, espalhando uma enorme onda de fogo que destruiu todas as formas de vida em seu caminho. O calor produzido foi tão alto que transformou o solo do deserto em vidro. Nesta quinta-feira, pesquisadores da Universidade de Witts, na África do Sul, anunciaram em uma palestra que identificaram um pedaço do cometa responsável por toda essa destruição.
O pequeno pedaço de rocha preta é a primeira prova material encontrada por cientistas de um cometa que atingiu a Terra. Formados em regiões distantes do Sistema Solar, a partir de gelo e poeira, eles normalmente se desintegram quando entram em contato com a atmosfera. “Os cometas são bolas de neve sujas de poeira que sempre passam pelos nossos céus, mas nunca havíamos encontrado o material de que eles são feitos na superfície terrestre”, afirma David Block, pesquisador da Universidade de Wits e um dos responsáveis pela descoberta.
Em seu estudo, os pesquisadores realizaram uma análise das propriedades químicas e físicas de uma pequena e brilhante rocha negra que havia sido encontrada por geólogos no sudoeste do Egito. Dura e angular, a pedra foi nomeada pelos cientistas de Hipátia, em homenagem à mais antiga filósofa, astrônoma e matemática de que se tem notícia: Hipátia de Alexandria.
A análise dos pesquisadores mostrou que ela era composta principalmente por carbono, com diamantes microscópicos espalhados ao longo de sua massa. “Os diamantes são produzidos a partir do carbono. Normalmente eles se formam no fundo da terra, onde a pressão é muito alta, mas também podem ser gerados a partir de um impacto muito forte”.
As análises dos isótopos encontrados na rocha mostraram que o material deveria ter origem extraterrestre, possivelmente fazendo parte do núcleo de um cometa. A pesquisa descrevendo a análise será publicada em novembro na revista Earth and Planetary Science Letters.
Um dos fatores que levou os cientistas a relacionar o pedaço de rocha extraterrestre com o cometa que atingiu o Egito há 28 milhões de anos foi o local onde a pedra estava, no meio de uma área de 6.000 quilômetros quadrados no deserto do Saara. Nesse lugar são encontrados, desde os tempos antigos, pequenos fragmentos de vidro amarelado.
Segundo os pesquisadores, esses fragmentos foram produzidos justamente pelo impacto do cometa, quando o calor de até 2.000 graus Célsius transformou a areia que cobria o solo em vidro. Um desses pedaços — polido — foi parar em um pingente utilizado por Tutankhamon há mais de 3.000 anos.
Os cientistas afirmam que é extremamente raro encontrar material de cometas na superfície da Terra. Os únicos fragmentos descobertos até agora eram microscópicos, achados em meio à poeira flutuando na alta atmosfera ou no gelo antártico. A Hipátia só não teve o mesmo destino porque seu impacto com a Terra teria resultado na formação de um material mais resistente às intempéries.
A descoberta de material presente em cometas é de alto interesse científico, pois esses astros foram formados em regiões distantes, no início do Sistema Solar. “Os cometas contêm os segredos para desvendarmos a própria formação do Sistema Solar e esta descoberta fornece uma oportunidade sem precedentes de estudos”, disse Block. “A NASA e a Agência Espacial Europeia gastam bilhões de dólares coletando algumas microgramas de material de cometa no espaço e trazendo-o de volta à Terra. Agora, nós temos uma possibilidade nova de estudar esse material, sem gastar tanto dinheiro para coletá-lo”.

8825 – Ison, o cometa do século chega à Marte


Em sua inabalável e acelerada jornada na direção do interior do Sistema Solar, o cometa passará a apenas 0,07 unidade astronômica (1 UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km) da superfície de Marte, no dia 1º de outubro. Traduzindo em medidas do dia a dia, são “meros” 10,5 milhões de quilômetros.
Embora ainda seja um afastamento considerável (boa notícia para os marcianos, que não precisam temer uma colisão), é apenas um sexto da máxima aproximação que o Ison fará com a Terra, em dezembro, o que significa que pode dar samba para as modestas câmeras do jipe Oportunity. E com certeza dará para a poderosa HiRISE, câmera de alta resolução do satélite Mars Reconnaissance Orbiter, que está neste momento girando ao redor do planeta vermelho.

A equipe do MRO vai tentar fotografar entre 29 de setembro e 2 de outubro. Uma tentativa inicial foi feita no último dia 20, mas a Nasa ainda não divulgou imagens desse primeiro esforço. O desafio aí é que os sistemas foram projetados para tirar fotos em alta velocidade, e a observação celeste exige o contrário, longo tempo de exposição. Mas os cientistas estão otimistas.
Já o pessoal responsável pelo jipe Curiosity também está se preparando, mas admite que não será fácil. “O rover se move por aí e precisa apontar uma câmera com um campo de visão de 5 graus”.

Enquanto isso, na Terra:

cometa ison

O astrônomo amador Bruce Gary, do Arizona (EUA), foi o primeiro a conseguir uma imagem do Ison depois que ele saiu detrás do Sol, onde estava escondido de todas as câmeras na Terra. E as notícias, obtidas no último dia 12, não são boas.
Aparentemente, o brilho dele está menor do que o esperado, o que dá reforço à hipótese de que o cometa não vá ser tão espetacular quanto antes se imaginava. O resultado vai de encontro ao que o especialista em cometas colombiano Ignacio Ferrin já vinha dizendo desde antes de o astro se esconder atrás do Sol: para ele, o Ison é pobre em material volátil (vulgo água) e vai brilhar bem menos do que se imaginava a princípio.
Ele cravou a hipótese antes mesmo de o cometa chegar às regiões mais quentes do sistema (em que a água começa a evaporar) e foi criticado por isso, mas pode acabar rindo por último.
Contudo, os cientistas ainda alertam: astros desse tipo são imprevisíveis e não se pode dizer qual será seu comportamento conforme eles mergulham na direção das proximidades do Sol.