9505 – Nasa decreta “morte” do Ison, o cometa mais observado de todos os tempos


cometa ison grafico

Desde 28 de novembro, quando o cometa Ison atingiu seu ponto mais próximo do Sol, cientistas ao redor do mundo debatem o que pode ter acontecido com ele. Com o passar dos dias, as chances de que o Ison tivesse sobrevivido foram diminuindo, e teve início uma busca por algum fragmento. Nesta terça-feira, a Nasa anunciou a “morte” do cometa, colocando fim à procura e às expectativas de que ele se tornasse um dos corpos celestes mais brilhantes já vistos.
No dia da aproximação máxima do Ison com o Sol, a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou que o cometa havia se desintegrado, para mais tarde retornar à incerteza. Quando a hipótese do desaparecimento parecia a única provável, um brilho foi visto por trás do Sol, próximo do local onde o Ison era esperado. Restava saber se o efeito era causado apenas por destroços, ou se parte do núcleo havia sobrevivido. A luminosidade, porém, se apagou pouco tempo depois, deixando claro que a trajetória de uns dos cometas mais esperados dos últimos tempos havia chegado ao fim.
A Nasa anunciou em comunicado a “morte oficial” do Ison. Cientistas da agência espacial americana apresentaram um estudo sobre os últimos dias do cometa na reunião de outono da União Americana de Geofísica, em São Francisco, nos Estados Unidos. De acordo com os pesquisadores, o corpo celeste perdeu muita massa antes do periélio (ponto de maior proximidade com o Sol) e provavelmente se desintegrou durante a aproximação.
O cometa foi visto pela primeira vez em setembro de 2012, pelos astrônomos russos Vitali Nevski e Artyom Novichonok. Quando o Ison teve sua órbita mapeada, os cientistas notaram que ele deveria se aproximar muito do Sol, tornando-o um bom objeto de estudo. A partir daí, teve início uma campanha mundial de observação do cometa, que atingiu níveis sem precedentes. Somente a Nasa teve doze pontos de observação no espaço voltados para o Ison.
À época de sua descoberta, ainda a uma grande distância do Sol, o Ison já tinha um brilho relativamente forte. Isso levou especialistas a acreditar que ele ficaria muito brilhante quando se aproximasse do Sol, e especular que ele poderia ser o cometa mais brilhante já registrado, visível até à luz do dia.
Com o passar do tempo, o Ison não apresentou a evolução esperada. Em julho deste ano já havia previsões de que ele não seria tão brilhante, uma vez que sua luminosidade permanecia estável desde janeiro. Em novembro, ao se aproximar do periélio, o Ison começou a brilhar dez vezes mais, chegando ao limite da visibilidade a olho nu. Os cientistas estimam que o núcleo do cometa fosse pequeno, com cerca de 500 a 800 metros, o que ajuda a explicar porque ele não sobreviveu ao encontro com o Sol, quando o calor intenso e a força gravitacional do astro levaram Ison a se fragmentar.
De acordo com a Nasa, apesar da trajetória do Ison ter chegado ao fim de forma inesperada, a quantidade de dados coletados durante sua passagem vão permitir diversos estudos posteriores.

8825 – Ison, o cometa do século chega à Marte


Em sua inabalável e acelerada jornada na direção do interior do Sistema Solar, o cometa passará a apenas 0,07 unidade astronômica (1 UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km) da superfície de Marte, no dia 1º de outubro. Traduzindo em medidas do dia a dia, são “meros” 10,5 milhões de quilômetros.
Embora ainda seja um afastamento considerável (boa notícia para os marcianos, que não precisam temer uma colisão), é apenas um sexto da máxima aproximação que o Ison fará com a Terra, em dezembro, o que significa que pode dar samba para as modestas câmeras do jipe Oportunity. E com certeza dará para a poderosa HiRISE, câmera de alta resolução do satélite Mars Reconnaissance Orbiter, que está neste momento girando ao redor do planeta vermelho.

A equipe do MRO vai tentar fotografar entre 29 de setembro e 2 de outubro. Uma tentativa inicial foi feita no último dia 20, mas a Nasa ainda não divulgou imagens desse primeiro esforço. O desafio aí é que os sistemas foram projetados para tirar fotos em alta velocidade, e a observação celeste exige o contrário, longo tempo de exposição. Mas os cientistas estão otimistas.
Já o pessoal responsável pelo jipe Curiosity também está se preparando, mas admite que não será fácil. “O rover se move por aí e precisa apontar uma câmera com um campo de visão de 5 graus”.

Enquanto isso, na Terra:

cometa ison

O astrônomo amador Bruce Gary, do Arizona (EUA), foi o primeiro a conseguir uma imagem do Ison depois que ele saiu detrás do Sol, onde estava escondido de todas as câmeras na Terra. E as notícias, obtidas no último dia 12, não são boas.
Aparentemente, o brilho dele está menor do que o esperado, o que dá reforço à hipótese de que o cometa não vá ser tão espetacular quanto antes se imaginava. O resultado vai de encontro ao que o especialista em cometas colombiano Ignacio Ferrin já vinha dizendo desde antes de o astro se esconder atrás do Sol: para ele, o Ison é pobre em material volátil (vulgo água) e vai brilhar bem menos do que se imaginava a princípio.
Ele cravou a hipótese antes mesmo de o cometa chegar às regiões mais quentes do sistema (em que a água começa a evaporar) e foi criticado por isso, mas pode acabar rindo por último.
Contudo, os cientistas ainda alertam: astros desse tipo são imprevisíveis e não se pode dizer qual será seu comportamento conforme eles mergulham na direção das proximidades do Sol.