13.249 – Em Marte Cedo ou Tarde – Astronomia: O plano da Nasa para ir a Marte


missão Mar te
Durante o evento Humans to Mars 2017, realizado em Washington, a Nasa apresentou dados concretos sobre seu plano para levar astronautas a Marte na década de 2030.

FASE ZERO
O plano foi dividido em quatro fases e, no momento, estamos, adivinhe, na fase zero. Essa “pré-etapa” envolve testar tecnologias a bordo da Estação Espacial Internacional, que orbita a meros 400 km da superfície da Terra.

FASE UM
A primeira etapa para valer começa a partir de 2021 e se estende por quatro voos do megafoguete SLS, que deve realizar seu primeiro voo-teste em 2019. Cada uma dessas missões levará uma cápsula Orion com quatro astronautas às imediações da Lua, além de um módulo para a construção de uma estação que terá a função de servir como “porto espacial”. A Nasa está chamando essa nova estação de Deep Space Gateway e espera que ela esteja pronta ao redor de 2026.
FASE DOIS
O Gateway poderá apoiar exploração lunar — controlando robôs remotamente e mesmo sendo usado como ponto de partida para missões tripuladas ao solo –, mas sua principal função será servir como porto para o Deep Space Transport, o veículo interplanetário que deve transportar humanos até Marte. A segunda fase envolve uma missão tripulada de um ano com esse veículo nas imediações da Lua — um voo de teste dos sistemas –, em 2028.

FASE TRÊS
Confirmado o sucesso da nave interplanetária em manter uma tripulação viva e bem por um período de tempo longo, chega a hora do primeiro voo até Marte. Ele deve acontecer ao redor de 2033 e, entre ida e volta, consumir cerca de mil dias — quase três anos.

FASE QUATRO
Finalmente, chega o ponto em que pousaremos em Marte. Ainda não há arquitetura fechada para essa etapa final, exceto pelo fato de que ela envolverá, além da nave interplanetária, um módulo de pouso e ascensão marciano. Mas, para tudo isso acontecer, a Nasa espera conseguir parceiros internacionais que contribuam elementos tanto para o Gateway como para as missões marcianas.

 

Anúncios

13.143 – Terra já teve atmosfera como a de Titã


Antes do oxigênio, havia o metano. Essa é, em essência, a mensagem de um novo trabalho realizado por cientistas americanos e britânicos.
O estudo, que envolveu análises de amostras de rocha da bacia da Gricualândia Ocidental, na África do Sul, e modelos teóricos da atmosfera terrestre antiga, sugere que a Terra já teve, há bilhões de anos e ao menos por curtos períodos de tempo, uma atmosfera similar à de Titã, a maior das luas de Saturno, com uma densa névoa de hidrocarbonetos.
A hipótese, se confirmada, ajudará a explicar de que maneira a atmosfera terrestre deu um salto expressivo e rápido na quantidade de oxigênio há 2,4 bilhões de anos, no chamado Grande Evento de Oxigenação.
O trabalho, que tem como primeiro autor Gareth Izon, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, se concentrou em investigar o padrão de distribuição de átomos de enxofre e de carbono orgânico ao longo de camadas sucessivas de rocha que remontam a até cerca de 2,8 bilhões de anos atrás.
Com base nessa análise, combinada a modelos atmosféricos, ficou claro que pelo menos um evento em que a atmosfera foi tomada por névoa de hidrocarbonetos aconteceu antes que o ar ganhasse quantidades apreciáveis de oxigênio.
A exemplo do que acontece em Titã, a névoa surge pela separação dos átomos nas moléculas de metano — o mais simples dos hidrocarbonetos — quando expostas à radiação ultravioleta solar. Experimentos em laboratório mostram como esse processo se dá. Mas existe uma diferença entre isso acontecer num recipiente fechado e na atmosfera.
No ar, sobretudo nas camadas mais altas, a destruição das moléculas também leva a grandes fugas de hidrogênio, o átomo mais leve que existe, para o espaço. O metano, CH4, é quebrado e o H escapa facilmente da gravidade do planeta, deixando apenas o carbono para trás.
Em Titã, esse processo é muito mais suave por conta da distância ao Sol, que resulta em nível de radiação menor e em energia contida nas moléculas e nos átomos, idem. Mas na Terra, sugerem os cientistas, essa perda de hidrogênio seria bastante relevante — e serviria como gatilho para o aumento posterior de oxigênio na atmosfera.
“Altos níveis de metano significavam que mais hidrogênio, o principal gás impedindo o aumento do oxigênio, podia escapar para o espaço, abrindo caminho para a oxigenação global”, disse Aubrey Zerkle, pesquisador da Universidade de St. Andrews e co-autor do estudo.
BIOLOGIA MOLDA O PLANETA
O curioso é que tanto o metano atmosférico quanto o posterior oxigênio atmosférico são produtos da vida na Terra. O primeiro é produzido pelos metanógenos — vida microbiana capaz de gerar o gás como subproduto de seu metabolismo — e o segundo pelas cianobactérias — vida microbiana capaz de fazer fotossíntese e converter CO2 em O2. (Em Titã, é importante ressaltar, o metano é muito provavelmente produto de reações não biológicas.)
OLHO NOS EXOPLANETAS
A importância de compreender a atmosfera da Terra no passado torna-se maior conforme passamos a investigar a composição do ar de exoplanetas lá fora, como os do recém-anunciado sistema Trappist-1. É comum mencionarmos a ambição de detectar uma atmosfera rica em oxigênio, como a nossa atual, indicativa da presença de vida.
Contudo, é igualmente possível que encontremos atmosferas em outras circunstâncias, e não necessariamente indicativas de um planeta morto. Pelo contrário, elas podem meramente representar etapas diferentes da vida, como as que o nosso próprio planeta já vivenciou. Saber como as coisas aconteceram por aqui é fundamental se quisermos interpretar corretamente as histórias que as atmosferas exoplanetárias tentarão nos contar nos próximos anos.

13.141 – Cientistas da Nasa sugerem criar escudo magnético para tornar Marte mais amigável à vida


Com a cabeça na segunda metade do século 21, um grupo de cientistas da Nasa acaba de apresentar uma ideia audaciosa: criar um escudo magnético para proteger — e então adensar — a atmosfera de Marte. Em princípio, isso poderia tornar o planeta vermelho mais quente e, quiçá, habitável — como um dia ele já foi e no futuro distante tende a voltar a ser.
Marte, no passado remoto, já teve um campo magnético. E então, entre 4,2 bilhões e 3,7 bilhões de anos atrás, ele foi desligado, provavelmente por conta do rápido resfriamento interno do planeta, que tem pouco mais da metade do diâmetro da Terra. Com isso, o vento solar passou a agir desimpedido sobre sua atmosfera, paulatinamente destruindo-a. Hoje, ela tem apenas um centésimo da densidade da nossa, o que resulta em um efeito estufa muito modesto. De acordo com os cientistas, essa provavelmente foi a principal razão para Marte ter se convertido de um mundo hospitaleiro, rico em oceanos, rios e lagos, num deserto seco e frio.
Acredita-se que, no momento, a atmosfera de Marte esteja em equilíbrio com o vento solar. Ela continua sendo erodida (a sonda Maven, da Nasa, já mediu a taxa de perda atmosférica atual em pelo menos um quilo por segundo), mas acredita-se que outros mecanismos, como a sublimação do gelo de dióxido de carbono das calotas polares, estejam reabastecendo a atmosfera e mantendo-a no mesmo patamar de densidade.
Agora, o que aconteceria se pudéssemos de algum modo restituir certa proteção magnética a Marte, rebatendo as partículas carregadas — prótons e elétrons de alta energia — para longe da atmosfera, do mesmo modo que a magnetosfera terrestre faz, protegendo nosso próprio invólucro de ar?
A ideia seria colocar um satélite num lugar especial do espaço em que a gravidade do Sol e de Marte se contrabalançam perfeitamente, um ponto que os cientistas chamam afetuosamente de L1 (ou ponto lagrangiano 1, em homenagem a Joseph Lagrange, o matemático que calculou esses chamados pontos de libração pela primeira vez).
Lá, uma espaçonave poderia permanecer o tempo todo no caminho entre o Sol e Marte, a cerca de 1,1 milhão de km do planeta. E, com o equipamento apropriado (basicamente um ímã supercondutor caprichado), ela poderia gerar um campo magnético cuja cauda se estendesse até o planeta vermelho, efetivamente conferindo proteção contra as partículas do vento solar.

13.060 – Iglus podem permitir a presença humana em Marte


iglu_em_marte
Uma espécie de iglu, similar àqueles que encontramos no polo norte, pode ser a solução para a vida em Marte daqui a alguns anos.
O iglu marciano segue o mesmo princípio dos terrenos: criar uma barreira para proteger os moradores contra os agentes externos – no caso de Marte, a radiação letal emitida pelo sol e por outros astros.
O projeto, criado pela Nasa em parceria com laboratórios de pesquisa e design, é bastante simples: desenvolver uma oca inflável que pode ser preenchida com água. O líquido irá congelar rapidamente diante das temperaturas marcianas, que podem chegar a -140oC, e criar um ambiente que permita, por exemplo, viagens exploratórias ao planeta vermelho. Além de tudo, o material é leve e fácil de transportar.
A água é bastante eficaz no bloqueio e controle da radiação. Basta uma camada de cinco centímetros de gelo para manter os raios gama e ultravioleta a níveis seguros.
Será que teremos um condomínio de iglus marcianos nos próximos anos?

12.610 – Colonização de Planetas – As opções mais habitáveis do Sistema Solar


nasa-viagem-marte
Sim, se fôssemos sair da Terra, qual seria o melhor lugar para se viver no nosso Sistema Solar? Nenhuma das opções é tão habitável quanto o nosso planeta, mas elas têm a vantagem de ainda não terem sido estragadas pela humanidade. Então é uma questão de pesar risco e benefícios.
Marte
Tem sido a opção número 1 por ser um planeta razoavelmente parecido com a Terra em relação a gravidade, e o fato de ser perto permite uma viagem de até 9 meses. Conta com água sólida nos polos e líquida abaixo do solo, e Sol o bastante para aproveitar energia solar. Não há muita atmosfera, mas ela existe, bloqueando um pouco da radiação solar.
A parte ruim: A vida deve ser restrita a ambientes fechados, porque a atmosfera marciana é extremamente rarefeita, fazendo com que a água evapore em temperaturas muito baixas (menos do que a temperatura do corpo humano). Isso significa que a água no corpo de uma pessoa exposta iria evaporar em pouco tempo, causando uma morte horrível. A radiação ainda é forte demais para uma vida saudável.

Lua
É a opção mais próxima. É possível chegar lá com poucos dias de viagem, tornando a Lua a alternativa mais fácil para aquela fuga rápida do planeta Terra. Também existe a crença de que existe água congelada nos polos, minérios, e Hélio-3, que seria uma boa fonte de energia radioativa.
A parte ruim: sem atmosfera, a Lua é bombardeada por radiação solar. A poeira lunar também se provou um problema sério nas viagens das espaçonaves Apollo. Além disso, há o fato de que, se você realmente quer sumir da Terra, a Lua pode ser perto demais.

Vênus
Em vez de ir para o quarto planeta do Sistema Solar, que tal ir para o segundo? Vênus tem atmosfera, ao contrário de Marte e da Lua. No entanto, a pressão do ar em Vênus em sua superfície é esmagadora (equivalente a quase 1 km de profundidade nos oceanos terrestres), e o calor é insuportável (460° Celsius). No entanto, a NASA já estuda alternativas viáveis que incluem criar cidades voadoras em Vênus, a 50 quilômetros da superfície; nesta altitude, as temperaturas variam entre 0°C e 50°C e a pressão atmosférica é próxima da terrestre.
A parte ruim: se a ideia de viver para sempre em um balão não agrada, o fato de as chuvas serem formadas por ácido sulfúrico, que é fortíssimo e altamente corrosivo, também não é muito atraente. Além disso, o fornecimento de água e metais seria complexa, devido à espessa atmosfera do planeta, dificultando o lançamento e pouso das naves.

Titan
Esta lua de Saturno tem uma vantagem muito clara: energia aos montes. Ela possui oceanos inteiro de metano puro, que é um gás altamente inflamável, mas lá está em estado líquido. A pressão atmosférica é próxima à da Terra (1,4 vezes a pressão), tornando desnecessário o uso de uma roupa pressurizada (mas ainda seria necessário usar uma máscara para respirar). Há nitrogênio e amônia na atmosfera que poderiam ser usadas para fertilizar hortas em estufas e pode haver água sob a superfície. A atmosfera também é espessa o bastante para filtrar a radiação solar.
A parte ruim: Bom, a lua está perto de Saturno, que é muito longe do Sol. O resultado disso é que a temperatura média em Titan é de -180° Celsius. Além disso, a distância em relação à Terra significa que a viagem até lá demoraria vários anos com os sistemas de propulsão atuais.

Callisto
Júpiter tem várias luas, e Europa é a mais famosa, sempre lembrada quando falamos em chances de vida extraterrestre. No entanto, Callisto é interessante por vários motivos. O fato de estar mais distante de Júpiter significa que recebe menos radiação do gigante gasoso. Além disso, já foi observado gelo na superfície da lua, e tudo indica que haja um oceano salgado a uma profundidade entre 50 e 200 quilômetros. A própria NASA já começou a estudar a possibilidade de enviar humanos a Callisto pela sua estabilidade geológica e a possibilidade de transformar o gelo da superfície em propulsor de foguetes.
A parte ruim: também é longe para chuchu da Terra, dependendo de uma viagem de vários anos. A atmosfera também é fina, gerando problemas como na Lua da Terra e Marte. A radiação que recebe de Júpiter é menor do que outras luas jupterianas, mas ainda é maior do que Titan, por exemplo. Além disso, Callisto recebe apenas 4% da luz solar que a Terra recebe, dificultando bastante a captação de energia.

12.568 – Planos para a Missão Marte


missao marte
O primeiro passo para a colonização de Marte será dado em 2018. A SpaceX, empresa fundada pelo bilionário Elon Musk com o objetivo número 1 de estabelecer colônias marcianas, vai, a partir desta data, começar a enviar as naves para o planeta vermelho. Inicialmente, no entanto, elas não serão tripuladas.
Em entrevista ao Washington Post, Musk deu mais alguns detalhes sobre qual é o plano para estabelecer a humanidade em um novo planeta. Ele crê que haverá voluntários o suficiente quando chegar a hora de colocar pessoas de verdade em uma missão arriscada com grandes chances de ser uma viagem sem volta.
A ideia é apostar no mesmo espírito de exploração que os colonizadores que cruzaram o Atlântico na metade do milênio passado. “Assim como foi com o estabelecimento das colônias inglesas, as pessoas adoram isso. Elas querem ser as pioneiras”, conta ele. O que ele não diz é que, em muitas destas viagens colonizadoras, houve outros interesses além do “avanço da humanidade” e “pioneirismo”; a maioria foi em busca de riqueza além-mar, estabelecendo rotas de comércio, ou fugia de outras ameaças, como guerras.
De qualquer forma, esse momento de confiar no espírito aventureiro da humanidade vai demorar para chegar ainda, o que está planejado para acontecer apenas em 2025. Até lá, as missões não serão tripuladas.
As primeiras fases do plano envolvem enviar sondas e equipamentos para realizar experimentos em Marte. Estes primeiros voos têm como objetivo mais do que conhecer o terreno, e as informações coletadas serão usadas para garantir um voo seguro dos humanos quando chegar a hora. Elon Musk fala em estabelecer “rotas de carga para Marte”.
“Essencialmente, o que estamos falando é em estabelecer uma rota de carga para Marte. Você pode contar com isso. Vai acontecer a cada 26 meses, como um trem que deixa a estação. E, se os cientistas ao redor do mundo sabem que podem contar com isso, e que não vai ser caro comparado com qualquer coisa feita no passado, então eles irão planejar de acordo, e criar grandes experimentos”, afirmou Musk. A frequência de 26 meses não é acaso, e coincide com a época em que a órbita da Terra e Marte estão mais próximas.
Para chegar lá, a SpaceX vai usar suas espaçonaves Dragon, que usa um foguete chamado Falcon Heavy, que contém 27 motores de primeiro estágio. Ao ser lançado pela primeira vez, ainda neste ano, ele será o foguete operacional mais poderoso do mundo, com força equivalente a 18 aviões Boeing 747.
O histórico de missões a Marte não é muito bom, por enquanto. São 43 voos robóticos, com 18 pousos bem-sucedidos, e a nave Dragon é pelo menos 10 vezes maior do que qualquer outro objeto humano em Marte, o que também dificulta o pouso.
A expectative é que até 2020 já tenham sido enviados para Marte duas espaçonaves Dragon, repletas de materiais e experimentos. Em 2022, a empresa vai lançar o Mars Colonial Transporter, um equipamento para fornecer o essencial para colonizar o planeta. Em seguida, em 2024, o primeiro voo humano, com previsão de chegada em 2025.
A linha do tempo é bastante ambiciosa. E polêmica. Musk já foi criticado por muitos que acreditam que não há tempo suficiente para fazer os experimentos necessários para garantir a segurança de uma viagem tripulada em 2024. No entanto, se o foguete Falcon Heavy tiver sucesso em seu primeiro lançamento neste ano, as esperanças de cumprir o objetivo aumenta; senão, é bem provável que haja um atraso nesta linha do tempo.

12.160 -Espaço – Te vejo em Marte


marte-02
Morar em Marte é um ideal da humanidade há décadas, apesar de o lugar ser um inferno. Imagine: o frio à noite chega a menos 75 graus Celsius. O ar, composto de gás carbônico, é tão rarefeito que, se alguém andasse por lá em manga de camisa, sem traje espacial, sofreria uma descompressão tão brutal que estouraria. Apesar disso, é muito provável que venhamos mesmo a morar lá, e mais cedo do que imaginávamos.
Há duas razões para essa confiança. A primeira é que as viagens espaciais não devem ficar muito mais tempo somente por conta de órgãos governamentais, como a Nasa. Diversas empresas também querem participar do jogo, financiando a exploração dos planetas e satélites do sistema solar. De imediato, o prêmio que elas esperam é a possibilidade de explorar o turismo extraterrestre, levando cidadãos a hotéis flutuantes que serão construídos em torno da Terra, ou mesmo na Lua e em Marte. Estima-se que a indústria espacial já mobilize perto de 150 bilhões de dólares. Esse número está crescendo muito rapidamente e deverá duplicar nos próximos cinco anos. A construção de naves para um vôo tripulado a Marte é o alvo prioritário da grana nova que vem por aí.
A idéia é levar para o planeta vizinho fábricas de gases que uma vez emitidos se acumulem na atmosfera, aquecendo-a. Entre esses produtos estão o CFC, usado nas geladeiras, e o metano, gerado pelas plantações de arroz. Há ainda o gás carbônico, mas ele não precisa ser fabricado porque constitui 95% do ar marciano.
McKay estima que em apenas 100 anos esse trio gasoso daria a Marte o conforto de uns 15 graus Celsius, em média. O calor, em seguida, derreteria a água que existe nos pólos e no subsolo, em forma de gelo. A descoberta de que também há água líquida, não muito profunda, só aumenta as chances de encher o planeta de lagos e pequenos oceanos. Como diversas plantas se sentem em casa nesse ambiente, Marte trocaria parte de sua típica cor de ferrugem por vários tons de verde.
Só não é possível dar ao vizinho dois traços do cenário terrestre. Um é a gravidade: os futuros visitantes do planeta terão que se acostumar com um peso 40% menor do que o que têm aqui. Isso pode até ser divertido, pois, com essa leveza, dar saltos de 2 metros de altura já não será privilégio de atletas olímpicos. Eles, aliás, deverão saltar o equivalente à altura de suas casas. O outro aspecto, o da falta de oxigênio, é mais chato. Mesmo daqui a um século todo mundo terá que levar máscara e tambor de oxigênio se quiser dar um passeio nas ruas. As casas terão que ser estanques, sem vazamentos, e com boas reservas do gás vital. “Teremos de esperar 1 000 anos até que as plantas absorvam gás carbônico e exalem oxigênio na quantidade suficiente”, afirma McKay. Estudioso do assunto há dez anos e confiante na terraformação, McKay diz que ela depende apenas de um primeiro passo.
Vizinho frio
O dia marciano dura 24 horas e 40 minutos. Mas o ano é quase o dobro do nosso: tem 687 dias terrestres, de 24 horas cada um. A gravidade é 40% da terrestre. Portanto, quem pesa 60 quilos aqui, lá pesará 24. A temperatura média é de menos 63 graus Celsius. Este ano descobriu-se que há água líquida no planeta, além da congelada.

12.129 – Experimento da Nasa quer testar o plantio da batata em Marte


batata marte
Quando a Nasa disser que pretende levar astronautas a Marte na década de 2030, mande-a plantar batatas. Ou, pelo menos, é o que o Centro Internacional da Batata, no Peru, já está fazendo.
A organização se emparceirou com a agência espacial americana para realizar um experimento que criará uma plantação de batatas num ambiente simulado que se assemelhe ao planeta vermelho, ainda que aqui na Terra.
O solo será retirado do deserto Pampas de La Joya, no Peru, que os pesquisadores acreditam ser uma aproximação razoável do que existiria em Marte.
O material será colocado numa estufa fechada contendo uma versão da atmosfera marciana, composta por 95% de dióxido de carbono.
“Estou empolgado de colocar batatas em Marte e ainda mais que possamos usar um terreno marciano simulado saído de tão perto da área onde as batatas se originaram”, afirmou Julio Valdivia-Silva, pesquisador do Instituto SETI (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), ligado à Nasa, que lidera a equipe científica do projeto.
Nativas de uma região na divisa do sul do Peru com o noroeste da Bolívia, as batatas são um dos alimentos mais nutritivos e calóricos que se pode plantar.
Por isso, podem ser uma importante fonte de energia para tripulações que tenham de passar longos períodos longe da Terra –como será o caso dos astronautas que no futuro explorarão Marte.
Aliás, uma plantação de batatas marciana foi exatamente a forma que o fictício astronauta Mark Whatney, interpretado pelo ator Matt Damon, encontrou para sobreviver no planeta vermelho, no filme “Perdido em Marte”.
Será que poderia funcionar também na vida real?

DESAFIOS
“Quando trabalhamos com simulação ambiental, é bem difícil mimetizar todas as condições ao mesmo tempo”, comenta Fabio Rodrigues, astrobiólogo do Instituto de Química da USP que não participa do estudo. “Por isso, é muito difícil prever o comportamento exato do objeto de estudo no ambiente real.”
Por exemplo, o trabalho do Centro Internacional da Batata com a Nasa não pretende simular os efeitos da radiação cósmica sobre as plantações –e em Marte, por conta da falta de um campo magnético global e da atmosfera rarefeita, isso pode ser um problema para plantações.

10.740 – Pesquisa Garante: Projeto Mars One Fracassará


mars-one-

Se seguido o modelo atual.
O Projeto Mars One, concebido e promovido pelo holandês Bas Lansdorp, que planeja estabelecer uma colônia televisionada em Marte, em 2023, começando com um contingente de quatro voluntários que não poderão retornar à Terra de nenhuma forma, foi considerado, desde o início, um projeto ousado e difícil de imaginar. Agora, um grupo de pesquisadores se deu ao trabalho de calcular a sério suas possibilidades de concretização, chegando a conclusões um pouco desanimadoras.
Segundo o estudo, os voluntários morreriam de fome um pouco antes de chegar ao planeta vermelho. Primeiro, porque a proposta de cultivar na nave as plantas e os alimentos para a tripulação é inviável, já que o sistema de produção e armazenamento de alimentos não seria suficiente para gerar a quantidade de calorias que os astronautas necessitariam ingerir todos os dias. E segundo, porque o nível de oxigênio produzido pelas plantas dentro dos habitáculos acabaria sendo fatal. Além disso, o trabalho destaca um problema na hora de substituir partes danificadas do sistema, já que, se não houver uma missão de abastecimento nos dois anos seguintes, 62% da carga inicial deverá ser composta de peças de reposição.
Lansdorp reconhece que um dos principais desafios é o das reposições e evitou mencionar o fato de que, do jeito que as coisas estão planejadas até o momento, seus colonizadores inevitavelmente morreriam de inanição.

10.605 – Colonização – Plantas cultivadas em solos quase idênticos aos de Marte e da Lua


plantas-marte-lua-simulador-solo-noticias-history-channel

Habitar outros planetas sempre esteve nos sonhos da humanidade. Contudo, transformar isso em realidade não é tão simples assim. Para estabelecer bases permanentes na Lua ou em Marte, primeiramente, precisamos ser capazes de plantar nossa própria comida. Para descobrir se isso é realmente possível, uma equipe de cientistas da Holanda cultivou 14 espécies de plantas em solos que simulam a terra de Marte e da Lua.
Ao final da pesquisa, a conclusão é que o solo que simulava as condições de Marte se mostrou melhor para o cultivo de plantas até mesmo do que algumas amostras de terra do nosso planeta, o que é uma boa notícia para os astronautas. Contudo, há algumas ressalvas neste experimento.
O solo marciano vem de um vulcão do Havaí e tem uma composição química semelhante ao pó que a sonda Viking 1 analisou em Marte. O solo simulado da Lua é originário de depósitos de cinzas vulcânicas perto de Flagstaff, no Arizona. Os solos reais da Lua e de Marte parecem conter os ingredientes essenciais que as plantas necessitam, com exceção de nitrogênio reativo e uma fonte abundante de água. Apesar de esses solos serem semelhantes aos que seriam encontrados em Marte ou na Lua, eles contêm vestígios de nitratos e compostos de amônia – compostos a base de nitrogênio que as plantas adoram. Assim, o solo simulador não é um modelo perfeito.
Para o experimento, os cientistas plantaram, em potes, 14 espécies – incluindo cenoura, tomate, trigo, algumas ervas daninhas e quatro espécies que transformam o nitrogênio atmosférico em alimentos vegetais. Os cientistas também plantaram sementes em um solo terrestre de um rio, pobre em nutrientes. Ao todo, foram plantados 840 potes.
Os resultados foram promissores. A maioria das plantas cresceu em todos os três tipos de solos. Na verdade, muitas floresceram melhor no solo simulador de Marte do que na terra pobre do rio. As plantas tiveram um desempenho pior no solo lunar. As plantas fixadoras de nitrogênio, por exemplo, nem germinaram. Isso sugere aos pesquisadores que os agricultores lunares terão que usar bactérias fixadoras de nitrogênio ou até mesmo fezes humanas como adubo para fornecer algum tipo de nitrogênio ao solo.
“Nossos resultados mostram que, em princípio, é possível cultivar plantas e outras espécies de plantas, em simuladores de solo marciano e lunar,” escrevem os pesquisadores. “No entanto, muitas questões permanecem …”, tais como a quantidade de água retida pelos solos e como a gravidade, luz e outras condições em outros mundos podem afetar o desenvolvimento das plantas.

10.440 – Nasa planeja produzir oxigênio em Marte


Marte Deserto (por enquanto)
Marte Deserto (por enquanto)

A Nasa pretende enviar a Marte uma sonda capaz de produzir oxigênio. A agência espacial americana anunciou nesta quinta-feira sete instrumentos que devem ser colocados em um robô que será enviado ao planeta vermelho em 2020.
Com custo estimado em 1,9 bilhões de dólares, a sonda será capaz de transformar o dióxido de carbono presente na atmosfera do planeta em oxigênio, para servir tanto à respiração humana como à produção de combustível de foguetes.
De acordo com a Nasa, a missão de 2020 vai ajudar a descobrir meios de exploração dos recursos naturais disponíveis na superfície do planeta. Os sete instrumentos da nova sonda foram escolhidos dentre 58 propostas recebidas do mundo todo pela Nasa. A previsão é de que o robô pouse no planeta vermelho em fevereiro de 2021.

10.017 – Genética – Organismos sintéticos podem ajudar na colonização de Marte


gene pitx2

Organismos sintéticos produzidos para usar o gás carbônico (CO2) como matéria-prima poderão ajudar na colonização de Marte. É o que acredita o biólogo Craig Venter, biólogo-empresário que chefiou o programa privado de sequenciamento do genoma humano concluído em 2003 e líder da pesquisa que criou a primeira célula controlada por genoma sintético.
De acordo com Venter, em palestra dada no evento TEDxNASA@Sillicon Valley, formas de vida artificiais que lidam com o gás carbônico já estão em produção. A equipe do biólogo está tentando desenvolver células que conseguem usar o gás carbônico para produzir alimento, combustível, plástico e outros produtos. Além do grande impacto na Terra, Venter acredita que os organismos poderão fazer de Marte um lugar menos inóspito, transformando a fina atmosfera do planeta, formada basicamente por CO2.
A prioridade de Venter, contudo, é usar a ‘vida sintética’ para ajudar resolver grandes problemas na Terra, como alimento e produção de combustível. A Synthetic Genomics, empresa do biólogo, está desenvolvendo algas sintéticas que produzem biocombustível de forma mais barata e eficiente.

9985 – Mais quatro mundos habitáveis


planetas

Um grupo internacional de pesquisadores, fuçando dados de arquivo de busca por planetas fora do Sistema Solar ao redor das menores e mais comuns estrelas do Universo, encontrou oito novos candidatos, dos quais possivelmente quatro são mundos habitáveis.
Todos entram na categoria das “superterras” — planetas maiores que o nosso, mas mais modestos que Netuno, o menor dos gigantes gasosos em nosso Sistema Solar. O mais próximo está a apenas 17 anos-luz de distância, uma ninharia em termos cósmicos. (Um ano-luz é a distância que a luz atravessa em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros.)
Ele orbita a estrela Gliese 682 e tem uma massa mínima 4,4 vezes a terrestre — o que faria dele um planeta com 1,5 vez o diâmetro do nosso planeta, se tivesse a mesma composição. Ele completa uma volta em torno de seu sol a cada 17 dias terrestres.
O sistema mais interessante dentre os recém-descobertos, contudo, pertence à estrela Gliese 180, a 38 anos-luz de distância. Lá, dois planetas diferentes se encontram na chamada “zona habitável” — a região do sistema planetário em que um planeta do tipo terrestre seria capaz de preservar água em estado líquido na superfície. Trata-se da condição mais essencial para a vida como a conhecemos. O mais interno deles dá uma volta em torno de seu sol a cada 17 dias, e o mais afastado completa um ano em 24 dias.
Finalmente, o quarto mundo habitável descoberto pela equipe liderada por Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, gira em torno de Gliese 422 e completa uma translação em 26 dias.

9981 – Viagem para Marte – Realidade ou só mais um golpe de publicidade?


marte viagem

Os inscritos pagaram uma taxa que variava de país para país -no Brasil, o valor foi de cerca de R$ 30 (US$ 13).
A fundação privada Mars One quer estabelecer o primeiro acampamento de humanos em Marte em 2025.
A ideia é de dois holandeses -um engenheiro e um físico que passou pela ESA (Agência Espacial Europeia).
Para conseguir o dinheiro de que precisam -cerca de US$ 6 bilhões-, a dupla está fazendo um financiamento coletivo on-line. Eles já conseguiram cerca de US$ 500 mil. Também planejam um “reality show” no planeta.
Os candidatos tiveram de enviar vídeos para uma espécie de rede social, dizendo por que queriam protagonizar a empreitada.
“Disse que acredito que a humanidade pode evoluir para algo melhor”, diz Hamad. O vídeo dela pode ser visto no no site do projeto.
Mas há obstáculos a serem vencidos
Entre eles estão os altos níveis de radiação que os astronautas receberão na viagem de 210 dias até o planeta. Também há perda de massa óssea e atrofia muscular.
O principal desafio, no entanto, é psicológico. Os colonos nunca mais terão contato direto com quem ficou.
Além disso, experiências de confinamento podem resultar em abalos graves. O diagnóstico é da ESA, que simulou uma missão de 520 dias em 2010 e 2011 com seis tripulantes. Eles tiveram depressão, letargia e insônia.

Tem tudo pra dar errado:
O Mars One não é o único projeto de excursões espaciais privadas em Marte. Fundada pelo multimilionário Dennis Tito, a Inspiration Mars pretende levar um casal de meia idade para orbitar o planeta em 2018. Tito foi o primeiro a pagar por um assento para ir à Estação Espacial Internacional, em 2001.
Projetos como esses costumam despertar ceticismo na comunidade científica. No caso do Mars One, o orçamento de cerca de US$ 6 bilhões é considerado baixo. O prazo de dez anos também é apontado como irrealista.
“Teríamos de ter uma maturidade tecnológica maior para cumpri-lo. Mandar satélites é uma coisa; enviar pessoas é outra”, diz Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica da USP São Carlos.
Nem a Nasa tem planos tão ambiciosos de missões tripuladas ao planeta. O objetivo da agência é levar astronautas a Marte em 2030, numa viagem que não ultrapassará a órbita do corpo celeste.
Mas é claro, há quem pense o contrário.

9672 – Marte – Uma nova Terra?


Marte tem a metade do tamanho da Terra
Marte tem a metade do tamanho da Terra

A Terra vai fica inabitável?
Com a emissão crescente de gases causadores do efeito estufa em nossa atmosfera, estamos inadvertidamente “venusformando” a Terra. (Vênus é um planeta cujo efeito estufa é tão intenso que a temperatura, seja dia, seja noite, fica na casa dos 450 graus Celsius.)
Dentre os mundos do sistema solar, o único que é suficientemente parecido com o nosso para sofrer um processo de terraformação é Marte. Suas principais diferenças com relação à Terra são a atmosfera muito tênue e, por causa disso, uma temperatura muito gélida para que a água seja mantida em estado líquido na superfície.
A solução seria do mesmo modo que estamos “venusformando” a Terra, ou seja, teríamos de “poluir” a atmosfera marciana para que o efeito estufa aumentasse.
O pontapé inicial poderia ser dado pela introdução artificial de um poderoso gás-estufa, o perfluorocarbono. Ele poderia ser fabricado em Marte usando apenas produtos já presentes localmente.

A partir daí, se as contas dos cientistas estiverem certas sobre a quantidade de gás carbônico, em um século teríamos um planeta com uma atmosfera com o dobro da densidade da terrestre, e uma temperatura local oscilando entre 0 e 30 graus Celsius.
Esse aumento de temperatura teria outro efeito bastante desejável: derreter a água hoje escondida no subsolo marciano sob a forma de gelo. O resultado seria a criação de vários mares – e potencialmente oceanos, dependendo da quantidade de água disponível – na superfície do planeta vermelho.

Seleção artificial

As primeiras bactérias que transplantaríamos para o planeta vizinho seriam geneticamente escolhidas para metabolizar todo aquele gás carbônico e produzir em troca oxigênio – a boa e velha fotossíntese. Depois delas, viriam as plantas.
Caso a eficiência da nova biosfera seja tão grande quanto a que veio “de fábrica” com a Terra, em cerca de 100 mil anos Marte terá oxigênio suficiente para sustentar seres humanos e outros animais de grande porte em sua superfície. Pode parecer tempo demais, mas estamos falando de um grande processo de engenharia planetária: um dos legados mais positivos da humanidade poderá ser o de espalhar a vida pelo sistema solar!

9500 – Astronomia – O homem que nos levará a Marte


as-sacadas-de-musk-size-575

Um sucessor de Steve Jobs?

Grandes avanços científicos e tecnológicos quase sempre nascem de ideias simples, emolduradas por raciocínios complexos. A ideia simples que pode consagrar o sul-africano Elon Musk como um dos maiores visionários da história: precisamos colonizar outros planetas para preservar a civilização a longo prazo. Musk acredita ter encontrado a solução há um ano, quando acordou às 2 da madrugada com uma fixação. “Eu me toquei que foguetes movidos a metano e oxigênio podem atingir um impulso maior que 380”, contou ele. Esse é seu raciocínio complexo. No jargão científico, significa que esse impulso, equivalente a 3,8 quilômetros por segundo, é suficiente para tirar um foguete da Terra e levá-lo a Marte. E, como Marte é cheio de dióxido de carbono (CO2) e permafrost – solo congelado com abundância de água (H2O) -, é possível converter esses elementos em metano (CH4) e oxigênio líquido (O2), que garantiriam o combustível para a viagem de volta. Ah, e convém lembrar que sempre é útil associar as tais ideias simples e elaborações sofisticadas a dinheiro, muito dinheiro. Musk tem de sobra.
Ele se tornou bilionário em 2002, com a venda do PayPal, popular sistema de pagamentos pela internet que deu credibilidade a negociações on-line, ao eBay, por 1,5 bilhão de dólares. Resolveu usar a fortuna para fundar, no mesmo ano, a SpaceX, a maior empresa de exploração do cosmo, dona de contratos bilionários com a Nasa, a agência espacial americana. A SpaceX foi, em 2012, a primeira companhia privada a atracar uma sonda na Estação Espacial Internacional. No começo, era apenas uma piada, dado o alto risco de o negócio fracassar. A charada engraçadinha: “Você ouviu a notícia do cara que fez uma pequena fortuna na indústria espacial? Só que ele começou com uma fortuna maior”. Musk respondia, com humor: “Estava tentando imaginar a forma mais rápida de transformar uma grande fortuna numa pequena”. A SpaceX era um sonho de criança. Na infância, além de brincar de desenvolver códigos de programação, o sul-africano criava modelos de foguetes. E já imaginava como seria ir para a Lua. Aos 17 anos, mudou-se para o Canadá, terra natal de sua mãe. Depois foi para os Estados Unidos, estudar física e administração na Pensilvânia. Formado, começou um doutorado na renomada Universidade Stanford, no Vale do Silício. Largou o curso no segundo dia para se dedicar ao empreendedorismo, já com a cabeça definitivamente nas estrelas. O próximo passo, ele reafirma com a rotina dos obcecados, será Marte.
Mesmo que produzir CO2 fosse bom para a natureza, teríamos de operar de forma sustentável, visto que ficaremos sem hidrocarbonetos (base dos combustíveis fósseis) em dado momento”, reflete. Essa elaboração é o alicerce da Tesla, montadora de carros elétricos, e da SolarCity, desenvolvedora de painéis solares para residências americanas. Um terceiro caminho é o Hyperloop, projeto de um sistema de transportes rápido, de baixo custo e movido a energia sustentável (veja o quadro abaixo). Com a Tesla, a ideia de Musk é fornecer transporte sustentável a todos. O problema: o primeiro automóvel a sair da linha de montagem custava mais de 100 000 dólares. Musk explica: “Começamos com poucas unidades do esportivo Roadster. Daí, criamos o Model S, que custa 50 000 dólares. A terceira geração, que deve ser lançada em três anos, será de 30 000”. Hoje a Tesla está na segunda fase do plano e o Model S já é o carro elétrico mais popular dos Estados Unidos.
A ousadia quase o levou à falência. Durante a crise econômica que atingiu os Estados Unidos em 2008, a SpaceX e a Tesla estiveram perto de fechar. O que o manteve de pé? Musk preferia falir a abandonar as grandes causas de uma vida inteira, a exploração espacial e o zelo com energia limpa. A turbulência passou. A aposentadoria dos ônibus espaciais da Nasa, em 2011, lhe garantiu um contrato de 1,6 bilhão de dólares para dar início à privatização da exploração do cosmo, e a Tesla vale atualmente 18 bilhões de dólares. Musk, cuja figura é frequentemente colada à imagem de um personagem de ficção, Tony Stark, o Homem de Ferro, que alterna a vida de bilionário com a de herói, acumula uma fortuna de 6,7 bilhões de dólares. Assim como Stark, o sul-africano é conhecido por ser arrogante e impaciente com quem considera de intelecto inferior (quase todos que o circundam). Tê-lo por perto é irritante – mas não tê-lo pode ser pior. É muito provável que a humanidade tenha um futuro cada vez melhor se as inovações de Musk vingarem, e delas brotarem outras.

9437 – Missão Marte – Os brasileiros que sonham em colonizar Marte


Durante a era das grandes navegações, milhares de colonos europeus deixaram suas terras natais para conhecer, explorar e povoar um novo mundo. Era o começo do século XVI, e aqueles homens estavam dispostos a abrir mão de sua casa, família e segurança, para dar início a uma nova civilização na América, onde não sabiam que tipos de dificuldades iriam enfrentar — e de onde provavelmente nunca iriam voltar. Em busca de uma nova vida do outro lado do planeta, acabaram entrando para a História.

No século XXI, o espírito desbravador das grandes navegações ganha nova forma. O foco não é mais cruzar o Atlântico, mas o espaço sideral. Em vez de uma missão comandada por nobres e com uma tripulação de marinheiros experientes, a colonização de Marte pode ficar a cargo de uma empresa privada, comandada por executivos com senso de marketing e tripulada por participantes de um reality show. Esse é o plano da Mars One, empresa fundada pelo engenheiro holandês Bas Landsdorp, que pretende enviar 24 pessoas até o planeta a partir de 2023, numa viagem só de ida. Apesar de todo o descrédito com que o projeto foi recebido pela comunidade científica, mais de 200.000 voluntários se inscreveram para participar da missão — desses, 10.289 são brasileiros —, movidos basicamente pelo mesmo desejo que moveu os colonizadores antigos: o de entrar para a História.

A Mars One garante que toda a tecnologia necessária para a missão já existe. Em busca de artimanhas para aumentar sua credibilidade, ela tem entre seus apoiadores cientistas do calibre de Gerard’t Hooft, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 1999. Ainda assim, o ceticismo é imenso. Pesquisadores da Nasa — que já afirmou que não vai enviar astronautas para Marte até 2030 —, por exemplo, duvidam que esse tipo de viagem tenha sucesso.

As principais dúvidas estão relacionadas não só à existência de tecnologias capazes de transportar e manter os humanos em segurança no planeta, mas também à fonte de financiamento do projeto. Segundo, a empresa, os 6 bilhões de dólares necessários para bancar a missão virão de doações, cotas de patrocínio e da transmissão do reality show.

As dúvidas, é claro, também afligem os voluntários brasileiros. “Existe o medo geral de que o projeto não passe de uma maneira tosca de ganhar dinheiro, e no fim nunca vá para frente”, diz Edmark Ciminelli, médico de 32 anos que se inscreveu para a viagem. Mesmo assim, o receio não foi suficiente para fazê-lo desistir do plano. Na verdade, ele conta que não pensa em voltar atrás. “Eu quero ser uma desbravador do espaço, como os personagens da série Star Trek. Meus amigos e familiares me chamaram de louco — e em alguns casos querem até me proibir de ir. Mas não têm como me impedir, sei que como médico posso ajudar muito na missão.”
O fato de tudo poder não passar de uma esperta jogada de marketing não foi suficiente para demover nenhum dos 200.000 voluntários, fascinados com a possibilidade de colonizar outro planeta.

9436 – Missão Marte – Mars One anuncia plano para colonizar Marte a partir de 2018


ciencia-projeto-mars-one-20130424-02-size-598

A fundação privada Mars One anunciou nesta terça-feira a assinatura de acordos com as empresas Lockheed Martin e Surrey Satellite Technology para enviar robôs a Marte em 2018. Os robôs devem dar início à preparação do local para a chegada de humanos ao planeta em 2025, em uma viagem sem volta com o objetivo de colonizar Marte. Em comunicado, o diretor executivo da fundação, Bas Landsdorp, disse que a organização está entusiasmada com a assinatura dos acordos. “Será a primeira nave especial privada que irá para Marte, e sua chegada e operação bem-sucedidas serão conquistas históricas”.
Segundo o acordo, a Lockheed Martin produzirá a sonda marciana não tripulada por 250 000 dólares. A empresa foi responsável por desenhar, construir e operar o robô Phoenix Mars, que a Nasa enviou ao planeta vermelho em 2007 para buscar vestígios de água sob o ártico marciano. “Trata-se de um projeto ambicioso, e já trabalhávamos no estudo do conceito da missão desde o teste do Phoenix”, explicou em comunicado o engenheiro-chefe especial da empresa, Ed Sedivy. Já a Surrey Satellite irá desenvolver, por 60 000 euros, o satélite que ficará em órbita sobre a sonda e enviará dados e imagens para a Terra.
Para o lançamento das naves de exploração, as agências espaciais esperam o momento conhecido como perigeu, em que determinado astro (no caso, Marte) está o mais próximo possível da Terra — nesse momento, a distância entre os dois planetas é de 55 milhões de quilômetros. Dependendo dessa distância, da velocidade do lançamento e da quantidade de combustível usada para a travessia, uma viagem da Terra para Marte pode levar de 150 a 300 dias.
Quando foi anunciado, no início deste ano, o Mars One tinha como objetivo iniciar a colonização do planeta vermelho no ano 2027, quando a primeira equipe formada por quatro pessoas chegaria a Marte. Nesta terça-feira, porém, Bas Landsdorp afirmou que o primeiro grupo deve pousar já em 2025. A ideia é que a cada dois anos uma nova equipe seja enviada, e que todos participem de um “reality show” que deverá mostrar a vida fora da Terra.
O Mars One tem Gerard’t Hooft, holandês ganhador do Prêmio Nobel, como um de seus apoiadores. Apesar do ceticismo com que o projeto foi recebido — até agora, as agências espaciais ao redor do mundo só conseguiram enviar sondas robóticas a Marte —, mais de 200 000 pessoas já se inscreveram para tentar pisar em solo marciano. Para tanto, elas precisarão passar por um processo de seleção dividido em quatro etapas.

9403 – Nasa planeja cultivar vegetais na Lua em 2015


A Nasa vai dar o primeiro passo para que, no futuro, o homem permaneça por períodos mais longos no espaço. Em 2015, a agência espacial americana vai enviar para a Lua uma pequena estufa, onde serão cultivadas sementes de nabo, agrião e manjericão.
“Se plantas sobreviverem, nós provavelmente também sobreviveremos”, disse a Nasa, em comunicado. A Câmara Lunar de Crescimento de Plantas (Lunar Plant Growth Chamber, em inglês) será levada ao satélite de “carona” com a nave espacial que vencer o concurso Lunar X-Prize, do Google, em 2015.
Após o pouso, as sementes serão regadas com água e crescerão sobre um filtro de papel com nutrientes dissolvidos, dentro da câmara, durante cinco a dez dias. Serão cultivadas cem sementes de agrião, dez de manjericão e dez de nabo.
“Recém-germinadas, as plantas são tão sensíveis quanto o homem, ou mais, às condições ambientais”, continuou o comunicado. “O material genético dos vegetais, tal qual o humano, pode ser danificado pela radiação.”
Nenhuma semente será cultivada diretamente no solo lunar, que carece de nutrientes necessários ao crescimento das plantas. Lá não existe, por exemplo, o material orgânico decomposto que enriquece o solo terrestre. Além disso, os níveis de radiação na Lua são muito mais intensos do que o da Terra, já que o satélite não possui uma atmosfera que detenha os raios mais danosos do Sol.
Na superfície da Lua as temperaturas variam, em um mesmo dia, de -173 graus Celsius a 100 graus Celsius, e o ciclo de luz e sombra que regula a fotossínteses está sujeito ao fato que o dia lunar tem duração de 28 dias terrestres.
Os brotos serão fotografados em intervalos regulares com resolução suficiente para comparar o crescimento dos vegetais lunares com plantas cultivadas na Terra, em condições parecidas.

9040 – Atmosfera Marciana


marte-atmosfera

Especialistas em ciências planetárias acreditam que podem tornar a atmosfera marciana respirável, espalhando pelo planeta, toneladas de algas verde-azuis.
O problema é conseguir apoio político e recursos econômicos para esse tipo de projeto. Se a exploração espacial de hoje parece cara, os projetos de terraformação chegam a um patamar bem mais alto e precisariam de um esforço conjunto mundial sem precedentes. Por isso, seu horizonte mais provável é de várias décadas ou até de séculos no futuro.
Menor que a Terra, mas não muito, frio pra burro, mas não muito mais que os piores lugares da Antártida, Marte precisaria de 3 coisas: engrossar sua atmosfera, modificar a composição dela e ficar mais quente. Dotar o planeta com ar menos rarefeito ajudaria a evitar a perda de água para o espaço e protegeria o astro de formas nocivas de radiação solar.
Para começar o processo, existem dois grandes caminhos. O primeiro seria “rebocar” água e metano de outros locais do sistema solar (como o cinturão de Kuiper, cheio de pequenos astros feitos de gelo, e as luas de Saturno, que possuem metano a rodo) e bombardear Marte com essas substâncias. Tanto a água quanto o metano, quando vaporizados, são potentes gases-estufa, ou seja, ajudam a reter o calor gerado pela luz do Sol nas proximidades da superfície, igualzinho ao dióxido de carbono emitido pelos escapamentos dos carros, que tanto preocupa a humanidade hoje. Uma estratégia menos braçal, e talvez mais esperta, envolve minerar o solo marciano e usar seus componentes para produzir perfluorocarbonos (PFCs), substâncias que também são gases-estufa poderosíssimos. Essa é a proposta de Chris McKay, cientista do Centro de Pesquisas Ames, da Nasa. McKay estima que a fase inicial de terraformação marciana dure uns 100 anos. Conforme os PFCs começarem a esquentar a atmosfera de Marte, quantidades consideráveis de gás carbônico presas nas calotas polares, na forma de gelo seco, vão voltar para o ar e potencializar o processo. Tudo isso levaria a outro efeito muito desejado: a presença de água na forma líquida.