13.379 – Quem foi Carl Von Linné?


lineu
Carl von Linné ou Carolus Linnaeus, é muitas vezes chamado o pai da taxonomia.
Ele foi um cientista sueco que lançou as bases para o esquema moderno da taxonomia.
Seu sistema para nomear e classificação de organismos ainda está em uso ainda hoje (com algumas alterações).
Suas idéias sobre a classificação influenciaram gerações de biólogos durante e após a sua própria vida, mesmo aqueles que se opõem às raízes filosóficas e teológicas de sua obra.

Carl Von Linné – Vida

Nascimento: 23 de maio, 1707.

Morte: 10 de Janeiro de 1778

Carlos Lineu (ou Carl Von Linné, ou Carolus Linnaeus) nasceu em 23 de maio, 1707, no Stenbrohult, na província de Småland, no sul da Suécia e oi o fundador do sistema moderno de classificação científica dos organismos.
Seu pai era Nils Ingemarsson Linnaeus, um ministro da igreja e botânico amador; e sua mãe era Christina Brodersonia.
Quando criança, Lineu foi criado para ser da Igreja, como seu pai e seu avô materno foram, mas ele tinha muito pouco entusiasmo pela profissão.
Seu interesse em Botânica, no entanto, impressionou um médico de sua cidade, e foi mandado para estudar na Universidade de Lund, e transferido para a Universidade de Uppsala depois de um ano.
Durante este tempo, Lineu se convenceu que os estames e pistilos das flores seriam as bases para a classificação das plantas e ele escreveu um curto estudo sobre o assunto que lhe rendeu a posição de professor adjunto. Em 1732, a Academia de Ciências de Uppsala financiou a sua expedição para explorar a Lapônia, então praticamente desconhecida. O resultado disso foi o livro Flora Lapônica, publicado em 1737.
Depois disso, Lineu se mudou para o continente. Enquanto estava na Holanda ele conheceu Jan Frederick Gronovius e lhe mostrou o rascunho de seu trabalho em Taxonomia, o Sistema Natural. Nele, as desajeitadas descrições usadas anteriormente – physalis amno ramosissime ramis angulosis glabris foliis dentoserratis – haviam sido substituídas pelos concisos e hoje familiares nomes “Gênero-espécie” – Physalis angulata – e níveis superiores eram construídos de uma maneira simples e ordenada. Embora esse sistema, nomenclatura binomial, tenha sido criado pelos irmãos Bauhin, Lineu é afamado por tê-lo popularizado.
Lineu nomeou os taxa em formas que lhe pareciam pessoalmente do senso-comum, por exemplo, seres humanos são Homo sapiens (veja “sapiência”), mas ele também descreveu uma segunda espécie humana, Homo troglodytes (“homem das cavernas”, nome dado por ele ao chimpanzé, hoje em dia mais comumente colocado em outro gênero, como Pan troglodytes). O grupo Mammalia é nomeado por suas glândulas mamárias porque uma das definições de mamíferos é que eles amamentam seus filhotes (dentre todas as diferenças entre os mamíferos e outros animais, Lineu deve ter escolhido esta por suas idéias sobre a importância da maternidade. Ele também fez campanha contra a prática de mães de leite, declarando que mesmo aristocratas deveriam ter orgulho de amamentar os próprios filhos.).
Em 1739, Lineu se casou com Sara Morea, filha de um médico. Ele conseguiu a cadeira de Medicina em Uppsala dois anos depois, logo a trocando pela cadeira de Botânica. Ele continuou a trabalhar em suas classificações, extendendo-as para o reino dos animais e dos minerais. A última parte pode parecer estranha, mas a teoria da Evolução ainda não existia – e na verdade, o luterano Lineu ficaria horrorizado com ela – e portanto Lineu estava apenas tentando categorizar o mundo natural de uma forma conveniente. Ele foi sagrado cavaleiro em 1755, recebendo o nome de Carl Von Linné.
O jardim botânico original de Lineu ainda pode ser visto em Uppsala. Ele também originou a prática de se usar os glifos de ? – (lança e escudo) Marte e ? – (espelho de mão) Vênus como símbolos de macho e fêmea.
Lineu também foi instrumental no desenvolvimento da escala Celsius (então chamada centígrada) de temperatura, invertendo a escala que Anders Celsius havia proposto, a qual tinha o 0° como ponto de congelamento da água e o 100° como o ponto de ebulição.
Sua figura pode ser encontrada nas atuais notas suecas de 100 krona.

Lineu foi um dos fundadores da Real Academia Sueca de Ciências, e faleceu em 10 de janeiro de 1778.
Carl Linné, conhecido por seu nome latinizado, Linnaeus, é considerado o pai da Taxonomia. Seu sistema de classificação, nomeando e ranqueando os organismos ainda encontra uso atualmente (amplamente modificado, é lógico).
Transferiu seu curso para a Universidade de Uppsala e gastava grande parte de seu tempo colecionando e estudando plantas, que eram sua paixão verdadeira. (Nota: no currículo de medicina daquela época, botânica era uma matéria importante, pois os médicos ministravam drogas obtidas de plantas medicinais…).
Linnaeus gostava tanto desta parte que, mesmo passando privações financeiras, organizou expedições botânicas e etnográficas na Lapônia e na região central da Suécia.
Em 1735 mudou-se para a Holanda para terminar o curso de medicina e continuar seus estudos. Neste mesmo ano publicou seu primeiro livro “Systema Naturae”. Apesar de continuar seus estudos de Taxonomia e Botânica, Carl ainda exercia a profissão de médico, tornando-se até médico da família Real Sueca.
Seus últimos anos de vida foram marcados pelo pessimismo e pela depressão. Morreu do coração em 1778…
O sistema criado por Linnaeus utilizava basicamente o sistema reprodutor das plantas como classificador, já os sistemas atuais seguem o modelo de John Ray (que utiliza várias evidências morfológicas de todo o organismo em todas as fases do desenvolvimento). A herança deixada por Linnaeus é a classificação hierárquica e o sistema de nomenclatura binomial (ex.: Homo sapiens)
Este sistema hierárquico agrupa os seres vivos em grupos cada vez mais abrangentes.

Por exemplo: O REINO animal contém a CLASSE dos vertebrados que contém a ORDEM dos primatas que contém o GENERO Homo e a ESPÉCIE Homo sapiens => esta é a localização do Homem.

Lineu foi evolucionista?
É verdade que ele abandonou suas primeiras idéias sobre a espécies, e é verdade que a hibridização produz novas espécies de plantas e, em alguns casos de animais. Porém para Lineu o processo de geração de novas espécies não era aberto nem ilimitado.
Qualquer nova espécie podiam ter se originado da primae speciei, a espécie original do Jardim do Éden, todavia formava parte do plano de criação de Deus, porque elas haviam estado sempre potencialmente presentes. Lineu notou a luta pela sobrevivência – uma vez disse que a Natureza era uma “tábua de açougueiro” e uma “guerra de todos contra todos”. O conceito de evolução aberta, não necessariamente governada por um Plano Divino e sem uma meta predeterminada, nunca ocorreu a Lineu; essa idéia o surpreendeu.
Principais Trabalhos de Lineu:

Sistema da Natureza, Leiden 1735; 10ª edição, Estocolmo 1758-9.
Biblioteca Botânica, Amsterdã 1736.
Fundamentos Botânicos, Amsterdã 1736.
Musa de Clifford, Leiden 1736.
Crítica Botânica, Leiden 1737.
Flora Lapônica, Amsterdã 1737.
Gêneros Vegetais, Leiden 1737; 5ª edição, Estocolmo.
Jardim Deleite do Clifford, Amsterdã 1737.
Horto do Clifford, Amsterdã 1738.
Ordens Vegetais (Classes Plantarum) Leiden 1738.
Flora sueca 1745 · Hortus uppsaliensis 1748
Filosofia Botânica 1751
Species plantarum 1753

Lineu deixou ao todo cerca de 180 trabalhos. Sua coleção botânica e biblioteca foi comprada (1783) a um seu filho, pelo médico inglês James Edward Smith, que fundou em Londres, em Burlington House, a Linnean Society (1788).

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13.351 – Mega Memória – Eles foram fundamentais para a Ciência


Rasis (854-925)
O árabe que habitava a antiga Pérsia (atual Irã) é conhecido como o Pai da Pediatria por ter escrito o primeiro livro sobre doenças infantis. Rasis, contudo, foi muito além. Ele ajudou a demonstrar que as enfermidades tinham origens orgânicas, e não eram obra do destino ou de poderes sobrenaturais.
O médico também foi quem descobriu a diferença entre a varíola e o sarampo e entendeu que a febre é uma resposta do corpo para alguns tipos de infecção. Além disso, Rasis foi um dos pioneiros no uso de gesso em ataduras e no debate da ética médica.

Al-Battani (858-929)
Astrônomo e matemático, o árabe Al-Battani foi responsável por desenvolver ideias que substituíram as de Ptolomeu (90-168), que imperavam até então. Foi responsável por desenvolver tabelas que previam a posição do Sol, da Lua e dos planetas de forma muito precisa. As “Tabelas Sabianas”, como eram chamadas, influenciaram muito o mundo latino e seu trabalho foi reconhecido por Copérnico, 600 anos após sua morte.
Outra curiosidade é que Al-Battani calculou com precisão incrível a duração do ano terrestre: 365 dias, 5 horas, 46 minutos e 24 segundos, que hoje é estimada em 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos. Também descobriu que as distâncias entre os astros do Sistema Solar variam de acordo com a época, o que o possibilitou prever fenômenos como os eclipses.

Pierre de Fermat (1601-1665)
Foi um dos responsáveis por trazer a “teoria dos números” como algo interessante para o Ocidente. Fermat só trabalhava com números inteiros, se recusando a aceitar frações. Desenvolveu um sistema de coordenadas e por isso é um dos pais da geometria analítca, além de ter ajudado Blaise Pascal a entender um pouco melhor as probabilidades.
O matemático, no entanto, não foi tão valorizado enquanto viveu. Muitas de suas ideias ajudaram a formar a teoria moderna dos números, dentre elas o chamado Pequeno Teorema de Fermat e o Último Teorema de Fermat, que só foi comprovado em 1995.

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Alessandro Volta (1745-1827)
O cientista italiano foi um dos responsáveis por preparar o terreno para o advento da pilha. Volta acreditava fez testes bem sucedidos com zinco, cobre e um líquido condutor de eletricidade.
Sua experiência então foi usada por outros especialistas para a produção de eletricidade. Tempos depois provaram que o que resultava na corrente elétrica era uma reação química que ocorria na pilha.

Rudolf Virchow (1821-1902)
Alemão nascido na Pomerânia, Virchow defendeu que as doenças iniciam-se nas células: “Pensem microscopicamente”, dizia. Seus estudos foram base para o advento da patologia moderna e é conhecido como Pai da Saúde Pública, por entender que muitas doenças têm na pobreza a sua causa.
Virshow foi pioneiro no estudo da oncologia e o primeiro a descrever corretamente um caso de leucemia (câncer no sangue). Também descobriu outros tipos de doenças malignas, como câncer de estômago — um dos sintomas da doença é conhecido como “gânglio de Virchow”.

Henri Poincaré (1854-1912)
O matemático participou de uma competição feita em 1887 pelo Rei Oscar 2º da Suécia que buscava explicar o funcionamento do Sistema Solar, uma variação do problema da física conhecido como problema dos três corpos.
Ele concluiu que a evolução do sistema é confusa, já que uma pequena mudança nos movimentos iniciais de um astro pode impactar diretamente seu futuro.
Sua explicação foi o suficiente para que Poincaré ganhasse o prêmio e acabou gerando o que seria a origem dos estudos da Teoria do Caos que, por sua vez, só foi desenvolvida 1960.

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Florence Bascom (1862-1945)
Bascom foi a primeira geóloga dos Estados Unidos e, por isso, abriu caminho para inúmeras mulheres na área. A cientista tinha o apoio dos pais e, ao se deparar com um professor que não apoiava o ensino misto na Universidade de Wisconsin, persistiu até conseguir vaga na Universidade John Hopkins, em Baltimore.
Tornou-se autoridade em rochas formadas por cristalizações na região de Piedmont, na Pensilvânia, e em locais de Delaware e Nova Jérsei. Descreveu muitas estruturas geológicas da região e é até hoje referência nos estudos da área.

Rachel Carson (1907-1964)
A ecologista e bióloga Rachel Carson foi a primeira pessoa a considerar que um pesticida direcionado a uma espécie de erva, inseto ou animal daninho pode prejudicar todo o meio ambiente ao seu redor.
Ela explicou que esses venenos poderiam penetrar o habitat e impactar a vida de outras espécies que vivem no mesmo local, o que pode ter efeito terrível a longo prazo. Carson chamou esses produtos de “biocidas” e identificou mais de 200 substâncias potencialmente prejudiciais para outras espécies.
Foi a primeira a pensar no meio ambiente como algo holístico, e entendeu que pesticidas poderiam afetar até mesmo a alimentação humana. A ecologista ainda serviu de inspiração para a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e incutiu ideias como a de “ecossistema” na opinião pública.

Ahmed H. Zewail (1946-2016)
O egípcio naturalizado americano percebeu na década de 1970 que lasers de pulsos ultracurtos poderiam “fotografar” reações químicas. Isso foi revolucionário, já que essas atividades são extremamente rápidas — os átomos levam menos de cem femtossegundos para se organizarem, o que é muito veloz, levando em consideração que um femtosegundo é o equivalente a aproximadamente 10^-15 segundo.
Zewail usou a tecnologia para aplicar os raios de luz em determinada substância e observar seu comportamento. Sua descoberta permite que as estruturas sejam analisadas, o que revolucionou a físico-química, já que agora é possível “ver” o que ocorre com o material estudado.

12.306 – Astronáutica – Da Terra a Marte em meia hora


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Uma técnica de lançamento de espaçonaves estudada pela NASA poderia reduzir o tempo de viagem para Marte para apenas 30 minutos.
Vale ressaltar que isso ainda está no plano das ideias, pois uma viagem para Marte, hoje em dia, leva de seis a oito meses para ser realizada.
A técnica que poderia reduzir dramaticamente essa jornada espacial é chamada propulsão de energia direcionada. Ela consiste no disparo de um laser de alta potência – entre 50 e 100 gigawatts – em uma espaçonave e, com isso, numa aceleração a uma fração significativa da velocidade da luz, de, aproximadamente, 30%. Desta maneira, o percurso poderia ser realizado em 30 minutos ou em até três dias, no cenário mais pessimista, de acordo com pesquisadores.
A ideia da NASA é aplicar a técnica na exploração de exoplanetas que poderiam abrigar vida num raio de 25 anos-luz da Terra.
A técnica é pesquisada por Philip Lubin, do Grupo de Cosmologia Experimental da Universidade de Santa Bárbara. Ele garante que existe tecnologia para colocar essa revolucionária viagem galáctica em prática:
“Poderíamos impulsionar um veículo robótico de 100 kg [com 1 m de altura] para Marte em poucos dias”.
Apesar da animação toda em torno da técnica, a NASA ainda não tem projetos oficiais em andamento para utilizar esse tipo de propulsão na exploração espacial, apesar da existência de algumas propostas.

12.149 – Stephen Hawking dá conselho para quem tem depressão


Stephen Hawking pode ter solucionado o paradoxo sobre os buracos negros.
O paradoxo veio novamente à tona durante uma palestra de Hawking no Royal Institute, em Londres, na Inglaterra. O físico, no entanto, acrescentou uma nova abordagem, relacionando os buracos negros com a depressão.
Hawking, que completou 74 anos no dia seguinte à palestra, descobriu que tinha esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos. A condição fez com que os músculos de seu corpo fossem paralisados sem afetar as funções cerebrais.
Lucy, uma das filhas do físico, estava presente no Royal Institute e, segundo o Iflscience, afirmou que, para seu pai, a saúde mental é muito importante. “Ele tem um desejo invejável de continuar sua jornada e de concentrar suas energias e foco mental para continuar vivendo. Não só pelo propósito de sobrevivência, mas para transcendê-la pela produção de seus trabalhos extraordinários – escrevendo livros, dando palestras e inspirando outras pessoas com várias condições de saúde”, disse.

12.000+”Tratemos então de ensinar a generosidade e o altruísmo, porque nascemos egoístas”, Dawkins


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Dawkins não é e nem pretende ser filósofo. Mas, em 1976, quando era um biólogo ainda pouco conhecido, publicou O Gene Egoísta, e ajudou a redefinir a percepção sobre quem somos – uma tarefa que sempre coube aos filósofos. No livro, defende que não somos muito mais do que robôs comandados pelos genes para sobreviver a qualquer custo. E o que faz um gene prosperar em um ambiente altamente competitivo é seu egoísmo implacável. Apesar da visão desencantada, a obra se tornou um dos maiores best-sellers da ciência, e Dawkins, uma notoriedade. Mesmo sem querer, se colocou ao lado dos pensadores que ajudaram o homem a compreender melhor seu papel no planeta. Sua sacada foi perceber que o processo de evolução das espécies ocorre no nível genético (o gene é sua unidade fundamental ou multiplicador) e que a visão darwinista também pode ser útil para compreender o progresso cultural. Dawkins cunhou o termo meme, que seria um equivalente comportamental do gene, para levar a visão evolucionista para fora da biologia. O conceito deu origem à memética, que inspirou filosófos como Daniel Dennett. O cientista também é ateu declarado, autor de Deus, um Delírio.

11.306 – Mega Memória – Marie Curie, Nobel de Química e Física, é a primeira mulher enterrada no Panteão de Paris (20-04-1995)


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Marie Curie foi uma física e química polonesa, que posteriormente adquiriu a nacionalidade francesa. Foi pioneira no campo da radioatividade, primeira pessoa em conseguir dois prêmios Nobel (e a única até hoje em duas ciências distintas) e primeira mulher a ser professora na Universidade de Paris. Curie morreu perto de Salanches, França, em 1934, de leucemia, devido certamente à massiva exposição à radiação durante seu trabalho. Sua filha mais velha, Irène Joliot-Curie, também recebeu o Prêmio Nobel de Química, em 1935, por sua descoberta da radioatividade artificial. Em 20 de abril de 1995 os restos de Marie Curie foram trasladados ao Panteão de Paris, convertendo-se assim na primeira mulher a ser sepultada ali.

11.190 – Mega Cientistas – Alexander Graham Bell


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Filho de Eliza Grace Symonds e Alexander Melville Bell, nasceu em 3 de março de 1847, em Edimburgo (Escócia). Sua mãe era surda desde a adolescência, e seu pai era especialista em problemas auditivos e instrutor de deficientes auditivos. A família era tradicionalmente conhecida por treinar portadores de deficiência auditiva e trabalhar com a correção da fala. Alexander era o filho do meio dos três filhos do casal.
Quando Alexander Graham Bell tinha aproximadamente 14 anos, ele e seus irmãos construíram uma réplica do aparelho fonador, que continha palato, dentes, lábios e cordas vocais.
Mais tarde, entrou na universidade de Edimburgo. Posteriormente estudou na universidade de Londres e de Würzburg (Alemanha). Trabalhava como assistente de seu pai em Londres, quando seus irmãos faleceram, vítimas de tuberculose. Temendo a doença, seu pai resolveu sair da Inglaterra com a família em 1870. O destino escolhido foi à cidade de Ontário, no Canadá. Alexander Graham Bell tinha então 23 anos.
Um ano depois, em 1871, Alexander Graham Bell mudou-se para os Estados Unidos da América. Em 1872, na cidade de Boston, estado de Massachusetts Graham Bell abriu uma escola para alunos com dificuldades auditivas. Utilizava o método de pronuncia desenvolvido por seu pai em suas aulas aos surdos, chamado de “fala visível”, no qual são utilizados os lábios, a língua e a garganta na articulação do som.
Em 1873, Graham Bell passou a lecionar Fisiologia Vocal na universidade de Boston. Foi então que deu início a suas pesquisas sobre como utilizar a eletricidade na transmissão de sons, idéias que vinha desenvolvendo desde os 18 anos. No ano seguinte, enquanto trabalhava em um telégrafo múltiplo, desenvolveu as idéias básicas do que seria o telefone.
No dia 14 de fevereiro de 1876, entregou o pedido de patente de seu invento, o telefone, ao escritório responsável pelas patentes. Nesse mesmo ano apresentou sua invenção em uma exposição na Filadélfia, de onde a mesma foi lançada ao mundo. Em 11 de julho de 1877, Graham Bell casou-se com Mabel, ex-aluna em sua escola para surdos (havia ficado surda aos 5 anos). Em 1879, após fechar a recém lançada American Bell Telephone Company, fundou um laboratório no Canadá, onde continuaram suas experiências.
Alexander Graham Bell, além de inventar (e patentear) o telefone, teve em seu nome mais 17 patentes, e outras 12 em conjunto com alguns colaboradores. Em 1898, foi nomeado presidente da National Geographic Society. Morreu aos 75 anos, no dia 2 de agosto de 1922, na cidade de Beinn Bhreagh, no Canadá.

9061 – Psiquiatria – Gênios com transtornos mentais


Van Gogh, o homem que pintava o 7
Van Gogh, o homem que pintava o 7

Vincent van Gogh, famoso por quadros como ‘A Noite Estrelada’ e ‘A Cadeira de Van Gogh’, sofria de transtornos mentais. Além disso, de tanto beber absinto, ele adquiriu uma lesão no cérebro que causava ataques epilépticos. Certa vez, devido a uma crise, decepou sua própria orelha esquerda. Alguns autores afirmam que ele poderia ter transtorno bipolar, pois tinha variações constantes de humor. Suicidou-se aos 37 anos de idade.

John Nash, o matemático que inspirou o filme ‘Uma Mente Brilhante’ e ganhador do Nobel de Economia, tem esquizofrenia paranoide. Ele já passou por vários hospitais psiquiátricos, sempre contra sua vontade, nos quais recebeu tratamentos com drogas antipsicóticas e injeções de insulina (que provocam períodos de coma). Gradualmente, Nash se recupera e eventualmente dá aulas de matemática na Universidade de Princeton.

O aviador, produtor de filmes e empresário Howard Hughes tinha uma estranha fobia de germes. Por causa do transtorno, ele tornou-se recluso e adquiriu o vício em codeína. Era compulsivo por higienização e obrigava seus empregados a seguirem suas ordens à risca. Para servir comida, por exemplo, eles precisavam usar luvas de papel toalha. Em certa fase, Hughes tirava toda a roupa e ficava deitado por horas em quartos escuros (que chamava de ‘zonas higiênicas’); e calçava caixas de lenços nos pés.

De acordo com alguns autores, o escritor Edgar Allan Poe, famoso por suas histórias de terror, sofria de transtorno bipolar. Ele bebia muito e certa vez escreveu uma carta descrevendo seus pensamentos suicidas.

O Rei Charles VI também era conhecido como Charles, o Louco. Ele reinou na França de 1380 a 1422. Doze anos após tomar o trono, os transtornos mentais começaram a aparecer. Certa vez, ele ficou tão mal que não conseguia se lembrar do próprio nome! Em outros episódios, ele se esqueceu que tinha mulher e filhos. Em 1405, Charles se recusou a tomar banho por cinco meses e ficou todo o período sem trocar as roupas. O rei também acreditava que era feito de vidro, por isso não permitia que ninguém encostasse em sua pele, por medo de quebrá-la.

Ernest Hemingway, ganhador de um Nobel de Literatura e um prêmio Pulitzer, tinha depressão e alcoolismo. Sua saúde mental tornou-se debilitada por causa do uso intenso de medicamentos, pelas bebedeiras, e devido a uma terapia baseada em choques elétricos, que causou perda de memória. , Assim como seu pai, seu irmão e sua irmã, Hemingway se suicidou.

Tennessee Williams, dramaturgo, autor de ‘Um Bonde Chamado Desejo’ e vencedor do Prêmio Pulitzer, sofria de depressão, alcoolismo e dependência química. Seu quadro se agravou ainda mais quando, sua irmã esquizofrênica passou por uma lobotomia; e seu namorado de longa data morreu de câncer de pulmão.

O famoso compositor Ludwig Van Beethoven tinha transtorno bipolar, de acordo com autores. Quando jovem, sofreu muito com o pai – que o agredia fisicamente e o pressionava a estudar música. As surras constantes contribuíram para que ele perdesse a audição. Beethoven tinha períodos de grande excitação e energia , seguidos de momentos de extrema depressão. Para se ver livre das crises, usava drogas e álcool.

Abraham Lincoln é conhecido por seus grandes feitos como presidente dos Estados Unidos. Mas apesar do sucesso, ele era descrito como um indivíduo de tendências melancólicas. Tinha crises profundas de depressão e ficava debilitado com frequência. Alguns autores afirmam que Lincoln tentou cometer suicídio.

Isaac Newton foi um dos maiores gênios de todos os tempos. Ele inventou o cálculo, desenvolveu a Lei da Gravidade e construiu o primeiro telescópio refletor. Mas, apesar do brilhantismo, era conhecido por seus transtornos mentais. Newton era uma pessoa de difícil convivência e apresentava mudanças drásticas de humor. Alguns autores sugerem que ele tinha transtorno bipolar e esquizofrenia.

Sir Isaac Newton
Sir Isaac Newton

8904 – Franklin, o Autodidata


Almanaque de Fraklin
Almanaque de Fraklin

O americano Benjamin Franklin, conhecido mundialmente por ter inventado o para-raios, desenvolveu inúmeras atividades ligadas à Ciência, à Filosofia, à Literatura e a Política. Nascido em 1706, logo cedo teve que abandonar a escola para trabalhar numa tipografia. Aos 30 anos começou a participar da vida política da colônia e aos 70, ele aderiu entusiasticamente à Revolução Americana, ajudando ainda a redigir a declaração da Independência. Em 1776, foi enviado à Europa e conseguiu apoio do governo francês à Guerra da Independência dos EUA, após esta, permaneceu na França como representante diplomático da nova república e desenvolveu em Paris grande atividade cultural. Realizou inúmeras experiências com eletricidade, chegando a invenção do pára-raios. Criou ainda óculos bifocais e o fogão Franklin. Regressou aos EUA em 1785 e falecia em 1790 na Filadélfia.

8879 – Mega Cientistas – Carl von Linné


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Carolus Linnaeus, em português Carlos Lineu, e em sueco após nobilitação Carl von Linné (Råshult, Kronoberg, 23 de maio de 1707 — Uppsala, 10 de janeiro de 1778) foi um botânico, zoólogo e médico sueco, criador da nomenclatura binomial e da classificação científica, sendo assim considerado o “pai da taxonomia moderna”. Foi um dos fundadores da Academia Real das Ciências da Suécia. Lineu participou também no desenvolvimento da escala Celsius (então chamada centígrada) de temperatura, invertendo a escala que Anders Celsius havia proposto, passando o valor de 0° para o ponto de fusão da água e 100° para o ponto de ebulição.
Lineu era o botânico mais reconhecido da sua época, sendo também conhecido pelos seus dotes literários. O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau enviou-lhe a mensagem: “Diga-lhe que não conheço maior homem no mundo.”1 ; o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe escreveu: “Além de Shakespeare e Spinoza, não conheço ninguém entre os que já não se encontram entre nós que me tenha influenciado mais”.
O autor sueco August Strindberg escreveu: “Lineu era na realidade um poeta que por acaso se tornou um naturalista”.
Lineu era o mais velho de cinco irmãos (três mulheres e um rapaz, Samuel) e o seu pai, Nils, era o vigário de Stenbrohult, em Kronoberg. Quando criança, Lineu foi criado para ser da Igreja, como seu pai e seu avô materno haviam sido, mas ele tinha muito pouco entusiasmo pela profissão. Nils passou, no entanto, o seu interesse em plantas para o seu filho.
Em ?, em Växjö e passou para o ensino secundário em ?. Os seus resultados escolares eram insuficientes para prosseguir estudos clérigos; no entanto, seu interesse em Botânica impressionou um médico de sua cidade, Johan Rothman, e Lineu foi então mandado para estudar Medicina na Universidade de Lund em 1727.3 Em Lund, instalou-se na casa do médico Kilian Stobaeus, de quem adquiriu conhecimentos em Medicina e ciências naturais.
Transferiu-se para a Universidade de Uppsala um ano depois.5 6 A sua estada em Uppsala tornou-se viável graças ao apoio financeiro do clérigo Olof Celsius (tio do cientista Anders Celsius), que o apresentou a Olof Rudbeck filho, professor de medicina na universidade; este acolheu Lineu na sua casa.
Lineu tomou conhecimento também com o professor de medicina Lars Roberg.
Lineu passou os sete anos seguintes em Uppsala, interrompendo a estada apenas para as suas viagens à Lapónia (1732) e Dalarna (1734).
Em 1732, a Academia de Ciências de Uppsala cedeu todos os seus fundos para financiar a sua expedição para explorar a Lapônia, então praticamente desconhecida. O resultado dessa viagem foi o livro Flora lapponica, publicado em 1737. Durante sua viagem à Lapônia, Lineu conheceu e descreveu em seus diários um jogo tradicional da família tafl, o Tablut, sendo por esse motivo o Tablut o exemplo melhor documentado de toda essa família de jogos. Lineu iniciou a viagem, que durou cinco meses e em que percorreu mais de dois mil quilómetros, indo até Luleå e atravessando o sistema montanhoso interior até chegar à costa atlântica norueguesa, voltando depois pela mesma via e descendo pela costa do golfo da Bótnia na Finlândia; regressou então a Uppsala viajando através do arquipélago de Åland.
Lineu nomeou os taxa em formas que lhe pareciam pessoalmente do senso-comum, por exemplo, seres humanos são Homo sapiens (de “sapiência”), mas ele também descreveu uma segunda espécie humana, Homo troglodytes (“homem das cavernas”, nome dado por ele ao chimpanzé, hoje em dia mais comumente colocado em outro gênero, Pan). A classe Mammalia foi nomeada por suas glândulas mamárias porque uma das definições de mamíferos é que eles amamentam seus filhotes.
Lineu permaneceu nos Países Baixos durante um ano, tendo ido então a Londres em 1736. Visitou a Universidade de Oxford e conheceu diversas personalidades da comunidade científica, como o médico Hans Sloane e os botânicos Philip Miller e Johann Jacob Dillenius. Após alguns meses, Lineu voltou a Amsterdão, onde continuou a impressão do seu livro Genera Plantarum, o ponto de partida para o seu sistema de taxonomia.
Voltou à Suécia em 1738, onde praticou medicina (especializando-se no tratamento da sífilis) e leccionou em Estocolmo até ser nomeado professor em Uppsala em 1741. No jardim botânico da Universidade de Uppsala, Lineu organizou as plantas de acordo com o seu sistema de classificação, com a ajuda do arquitecto Carl Hårleman. O jardim botânico original de Lineu ainda pode ser visto em Uppsala. Ele também originou a prática de se usar os glifos de ♂ – (lança e escudo) Marte e ♀ – (espelho de mão) Vênus como símbolos de macho e fêmea.
Em 1739, Lineu se casou com Sara Lisa Moraea, filha de um médico, com quem havia noivado cinco anos. Do casamento nasceram sete filhos: Carolus, Elisabeth, Sara Magdalena, Lovisa, Sara Christina, Johannes e Sophie. Destes, só cinco chegaram à idade adulta, quatro raparigas e Carolus, o único a quem foi permitido estudar e formar-se em botânica. Nesse mesmo ano, Lineu co-fundou a Academia Real das Ciências da Suécia (Kungliga vetenskapsakademien). Ele conseguiu a cadeira de Medicina em Uppsala dois anos depois, logo a trocando pela cadeira de Botânica. Ele continuou a trabalhar em suas classificações, estendendo-as para o reino dos animais e dos minerais. A teoria da evolução ainda não existia, e Lineu estava apenas tentando categorizar o mundo natural de uma forma conveniente. Durante este período, Lineu tomou conta dos jardins botânicos da Universidade e foi por diversas vezes vice-chanceler desta, além de presidente da Academia Real que havia ajudado a fundar.
Em 1745, Lineu decidiu inverter a escala de Celsius, desenhando o termómetro da forma como é conhecido na actualidade: 0° correspondendo ao ponto de fusão do gelo e 100° ao ponto de ebulição da água (Anders Celsius havia inventado a escala, mas de forma invertida, com o ponto de ebulição mais baixo que o de fusão).
O rei Adolfo Frederico concedeu um título nobiliárquico a Lineu em 1757, tendo Lineu tomado o nome von Linné em 1761, e assinando frequentemente Carl Linné.

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Últimos anos
Lineu continuou os seus estudos botânicos depois da obtenção do seu título nobre, tendo mantido correspondência com diversas personalidades de todo o mundo. Por exemplo, Catarina II da Rússia enviou-lhe sementes do seu país.
Os últimos anos de vida de Lineu foram afectados por problemas de saúde: sofria de gota e dores de dentes.8 Sofreu um primeiro acidente vascular cerebral em 1774 e um segundo um ano mais tarde, que inutilizou o lado direito do seu corpo. Faleceu em 10 de Janeiro de 1778, durante uma cerimónia religiosa na catedral de Uppsala, onde foi sepultado.
Após a sua morte, as colecções de Sinvaldo foram vendidas pela sua esposa a um inglês, Sir James Edward Smith, em 1784, sendo actualmente mantidas pela Linnean Society, em Londres.
Lineu é conhecido na Suécia pelo nome Carl von Linné e em inglês por Carl Linnaeus. O seu nome totalmente latinizado, Carolus Linnaeus, foi-lhe atribuído após nobilitação em 1757, devido ao seu estatuto académico,3 é traduzido para português como Carlos Lineu. Sem esse estatuto, Lineu ter-se-ia chamado Carl Nilsson (“filho de Nils”). Na literatura científica, é utilizada a abreviatura “L.” para identificar Lineu como o autor da descrição de determinado taxon.
Numa competição, Lineu identificou-se como “Carl Nelin”, um criptónimo de “Carl Nilsson/Linné”.3 Ao longo dos tempos, Lineu recebeu diversas alcunhas, como “Princeps botanicorum” (“o príncipe dos botânicos”), “o segundo Adão” ou “o Plínio do Norte”.
Existem cerca de duzentos descendentes de Lineu, mas nenhum com o nome “von Linné” por descenderem apenas de duas filhas (Carl von Linné filho não teve descendentes).
Escreveu as suas principais obras científicas em latim, mas os seus diários de viagem e cartas em sueco são considerados os seus melhores trabalhos do ponto de vista literário.9 Entre estes encontram-se os relatórios das viagens a Öland e Gotland (Öländska och Gothländska resor, 1745), a Västergötland (Wästgöta Resa, 1747) e à Escânia (Skånska resa, 1751).
Lineu enviou estudantes seus a diversos locais no mundo, incluindo as Índias Orientais, China, Japão e Ártico; os jovens enviaram descrições de espécies animais e vegetais, além de amostras de espécimens, de volta. Alguns desses enviados não voltaram, tendo falecido de doenças ou em assaltos em zonas problemáticas, e sofrido problemas mentais e físicos que impossibilitaram o seu regresso à Suécia.

8446 – Um Gênio Perseguido


No ano passado comemorou-se o centenário de nascimento do inglês Alan Turing, homenageado por uma concorrida exposição no Museu da Ciência de Londres. O que parece a princípio uma celebração doméstica tem, na verdade, contornos mais grandiosos: o pouco conhecido Turing está por trás de todos os computadores em ação no mundo. Ao formalizar os conceitos de algoritmo e computação, em um aparelho concebido teoricamente, esse matemático deu um empurrão fundamental no desenvolvimento da ciência da computação.
Turing nasceu em Londres em 23 de junho de 1912. Aos 24 anos já se destacava pela concepção de uma “máquina universal” – conhecida depois como máquina de Turing – cujo funcionamento lógico já pressupunha memória, estados e transições. Ela é a base de todo computador digital em uso. O conceito tornou possível o processamento de símbolos que fazem a ponte entre a abstração de sistemas cognitivos e a realidade dos números, um tema de especial interesse para os pesquisadores da inteligência artificial.
As habilidades de Turing o levaram a trabalhar, durante a Segunda Guerra Mundial, na equipe do centro de decifração de códigos do governo britânico (conhecida como Ultra), em Bletchley Park. Ali, o matemático criou uma série de técnicas e máquinas para quebrar os códigos da Marinha nazista.
Uma delas, um aparelho eletromecânico conhecido como Bombe, decifrou milhares de mensagens encriptadas pela máquina Enigma, usada pelos alemães. A atuação de Turing e sua equipe mereceu um elogio público do primeiro-ministro Winston Churchill feito na presença do rei George VI: “Foi graças à Ultra que ganhamos a guerra.”
Apesar de ser herói nacional, o cientista acabou sendo vítima do preconceito homofóbico.

Escândalo e vergonha
Depois do fim do conflito, em 1945, o matemático foi trabalhar no Laboratório Nacional de Física e no Laboratário de Computação da Universidade de Manchester, desenvolvendo aparelhos e programas de computação. Também deu uma contribuição importante para o campo da biologia matemática, escrevendo uma monografia sobre as bases químicas da morfogênese e antecipando em alguns anos a existência de reações químicas oscilantes fora da situação de equilíbrio.

Enquanto isso, sua vida pessoal entrava em ebulição. Homossexual discreto, Turing iniciou uma turbulenta relação com um técnico da Universidade de Manchester, Arnold Murray. O pesquisador se aproveitou da intimidade com o cientista para ajudar um cúmplice a Patrocínio: arrombar a casa do namorado. Após denunciar o assalto à polícia, o matemático viu o foco da investigação transitar da invasão da sua residência para a exploração da sua própria conduta sexual.
Em 1952, o homossexualismo era classificado como atentado violento ao pudor no Reino Unido. Uma condenação poderia colocar Turing na prisão. O cientista optou, então, pela castração química, tomando uma série de injeções de hormônio. As consequências desse tratamento lhe foram devastadoras, tanto física quanto mentalmente.
Turing teve de deixar a Universidade de Manchester e também foi impedido de trabalhar para o governo britânico. No dia 7 de junho de 1954, foi encontrado morto em sua casa, em Winslow, envenenado por uma dose de cianeto. O motivo do envenenamento, acidental ou provocado, é tema de discussão até hoje, mas a versão oficial foi de suicídio.
O homossexualismo só deixou de ser crime pelas leis britânicas em 1967. A partir daí o legado de Turing começou a ser resgatado. Em 2009, o primeiro-ministro Gordon Brown fez um pedido de desculpas póstumo, público, ao pioneiro, citando sua “contribuição excepcional” para o fim da guerra. “A dívida de gratidão que lhe é devida torna ainda mais horrível o tratamento desumano que lhe foi dado”, disse Brown. “Pedimos desculpas. Você merecia algo muito melhor.”

7212 – Einstein era mau aluno e não ia bem em matemática?


Albert Einstein, pai da Teoria da Relatividade, falecido em  abril de 1955
Albert Einstein, pai da Teoria da Relatividade, falecido em abril de 1955

Que era mau aluno – ou pelo menos que tirava notas ruins – é verdade. Que tomou pau em matemática é mentira. “O mito de que Einstein era um aluno medíocre definitivamente não é verdadeiro”, diz um físico do Museu de História Natural dos Estados Unidos. O fato é que o homem que revolucionou a física simplesmente não se interessava pela escola de seu tempo. Autodidata desde pequeno, Einstein sempre estava à frente do currículo escolar em matemática e física. Por isso, desprezava as aulas. Outra coisa que o desagradava era a pedagogia militarista e autoritária do Ginásio Luitpold, em Munique, na Alemanha, onde ele cursou o equivalente ao nosso ensino fundamental. “Você não vai dar em nada na vida”, chegou a ouvir de um professor na 7ª série. O famoso “pau” que Einstein levou aconteceu quando ele pleiteou uma vaga na Escola Politécnica de Zurique. Ele tinha 16 anos, dois a menos que a idade média para ingressar na instituição. Apesar de os exames de matemática e física terem impressionado a banca examinadora, suas provas de humanas foram uma negação. Resultado: ele foi reprovado no vestibular. Aceito dois anos depois, Einstein passou raspando nos exames finais. Isso foi em 1900. Cinco anos depois, entre março e maio de 1905, ele bolou três teorias que revolucionaram a física, como a da relatividade especial. O rótulo de “vagal” dava lugar ao de gênio.

7108 – Novos Estudos Sobre o Cérebro de Einstein


O físico Albert Einstein é considerado um dos maiores gênios de todos os tempos. Um estudo de 12 novas fotografias do cérebro de Einstein concluiu que sua massa cinzenta é realmente diferente em vários aspectos.
O fascínio vem de longa data: enquanto realizava a autópsia do físico, morto em 1955, o patologista Thomas Harvey removeu seu cérebro e o conservou em formol, tirando uma série de fotos antes de cortá-lo em 240 blocos. Ele então seccionou os blocos em cerca de 2000 lâminas para estudo microscópico e nos anos seguintes distribuiu as fotos e as lâminas do cérebro a alguns importantes pesquisadores pelo mundo.
A autópsia revelou que o cérebro de Einstein era menor que a média e análises subsequentes não mostraram nada de anormal. Caso encerrado, aparentemente.
Décadas mais tarde, pesquisadores procuraram Harvey atrás de algumas amostras do cérebro do físico e perceberam características incomuns quando as analisaram.
Os estudos realizados mostraram que partes de seu cérebro continham uma quantidade anormal de um tipo de células chamadas gliais para cada neurônio. E que uma área de seu cérebro, o lobo parietal, relacionado a funções espaciais e visuais, continha um padrão diferente de sulcos e rugas.
Agora, a antropóloga Dean Falk da Universidade do Estado da Flórida e colegas, analisaram 12 fotografias do cérebro de Einstein e compararam seus padrões estruturais com os de outros 85 cérebros de outros estudos.
A descoberta mais importante refere-se aos padrões extremamente complexos de certas partes do córtex cerebral de Einstein, principalmente nos córtex pré-frontal e visual.
O córtex pré-frontal é especialmente importante para o pensamento abstrato e para a realização dos famosos experimentos mentais do físico, como aquele em que se imaginou apostando uma corrida com um raio de luz.
Falk também percebeu características incomuns no córtex somatossensorial, que recebe informações sensoriais do corpo. Os pesquisadores sugerem que tais áreas podem estar relacionadas às habilidades de Einstein com o violino.
Para Sandra Witelson, neurocientista que já estudou o cérebro do físico, “isso deve servir como um incentivo para outras investigações do cérebro de Einstein e das consequências de suas variações anatômicas”.

7015 – As Mulheres contra Einstein


Em 1933, quando Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha, Albert Einstein, judeu de nascimento e pacifista por convicção, achou que não poderia viver mais no seu país e aceitou um convite para lecionar na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Não contava, porém, que também houvesse americanos partidários de Hitler e da guerra capazes de identificá-lo como comunista e ateu, e por isso teve de enfrentar algumas manifestações de repulsa. A mais pitoresca foi a de uma liga de mulheres americanas que lhe enviou um longo e irado memorial. Bem humorado, o cientista respondeu: “Jamais encontrei, da parte do belo sexo, reação tão enérgica contra uma tentativa de aproximação. Se agora isto acontece, jamais, em uma só vez, tantas mulheres me repeliram. Não têm razão estas cidadãs vigilantes? Deve-se acolher um homem que devora os capitalistas calejados com o mesmo apetite, a mesma volúpia com que, outrora, o Minotauro cretense devorava as delicadas virgens gregas e que, além do mais, se revela tão grosseiro que recusa todas as guerras, com exceção do inevitável conflito com a própria esposa? Escutai, portanto, vós, mulheres prudentes e patriotas: lembrai-vos também que o Capitólio da poderosa Roma foi outrora salvo pelo cacarejar de suas gansas fiéis”.

6990 – Antropologia – Louis Leakey


Tal arqueólogo e antropólogo foi o 1° homem a dizer que a África era o berço da humanidade.
Paleontólogo, etnólogo e antropólogo físico britânico-queniano, Louis Seymour Bazett Leakey nasceu em 1903, no Quénia (em Kabete). Cresceu entre os Kikuyu, tribo junto da qual estavam destacados os seus pais, que trabalhavam como missionários. Depois de concluir os estudos em Inglaterra, voltou a África oriental para uma série de expedições arqueológicas, entre 1926 e 1935, destinadas a estudar a sequência das culturas pré-históricas do Quénia. Em 1937, inicia um trabalho de campo entre os Kikuyu, cujos costumes Leakey considerava ser importante estudar e registar. O início da Segunda Guerra Mundial coincidiu com a conclusão da monografia sobre a tribo (editada sob o título “Mau-Mau and the Kikuyu”, 1952), pela qual foi reconhecido como membro e ancião de segundo nível. Depois, Leakey ficaria a cumprir serviço militar em Nairobi, onde se tornaria responsável pelo Coryndon Museum, que viria a reorganizar e transformar em centro de pesquisa para a África oriental e central.
As mais importantes descobertas arqueológicas e antropológicas de Louis Leakey tiveram lugar na Tanzânia, na garganta do Olduvai, a partir de 1951, onde trabalhou incessantemente, acompanhado de sua mulher, Mary Douglas Leakey e dos seus filhos. De entre as mais reputadas descobertas de Leakey, destacam-se os fósseis de um Australopitecus robustus (1,7 ou 1,6 milhões de anos), em 1959, e de um Homo habilis (entre 2 e 1,6 milhões de anos), em 1964, sendo este último considerado como um dos mais antigos ancestrais diretos conhecidos do Homem. Tais achados permitiram, entre outras ilações, confirmar África como berço da humanidade, comprovando a teoria darwiniana e apoiando as descobertas de Raymond Dart.Mundialmente reconhecido enquanto cientista, estendendo a sua atividade a varias áreas (a vida animal, a etnologia, o estudo da caligrafia), Leakey foi um professor exemplar, um autor prolífico e um homem profundamente apaixonado por África. Foram muitos os prémios e condecorações que recebeu ao longo da sua vida e carreira, incluindo vários doutoramentos Honoris Causa, em Inglaterra, nos EUA e em África. Faleceu em 1972.
Principais obras de Leakey:
1931, The Stone Age Cultures of Quenia Colony
1934, Adam’s Ancestors
1936, Kenya: Contrasts and Problems
1936, Stone Age Africa: an Outline of Pre-History in Africa 1937, White African 1937, Escavations at the Njoro River Cave (com Mary Douglas Leakey)
1952, Mau-Mau and the Kikuyu
1954, Defeating Mau-Mau
1959, First Lessons in Kikuyu
1961, The Progress and Evolution of Man in Africa
1969, Animals of East Africa
1969, Fossil Vertebrates of Africa
1970, Adam, or Ape (Savage, R.J.G. e Coryndon, S.C.)
1974, By the Evidence: Memoirs
1977-1978,The Southern Kikuyu Before 1903 (3 vols.)

6896 – Mega Cientistas – SIR WILLIAM RAMSAY


(Glasgow, 2 de outubro de 1852 — High Wycombe, Buckinghamshire, 23 de julho de 1916) foi um químico escocês.
As pesquisas do químico William Ramsay levaram à descoberta de quatro novos gases nobres: neônio, argônio, criptônio e xenônio. A importância desses feitos lhe rendeu o Prêmio Nobel de 1904.
William Ramsay nasceu em Glasgow, Escócia, Reino Unido, em 2 de outubro de 1852. Estudou nas universidades de Heildelberg, onde foi aluno do químico Robert Bunsen, e de Tübingen, na Alemanha, e lecionou nas universidades de Bristol e Londres, no Reino Unido, entre 1880 e 1913. No início de sua carreira de pesquisador, estudou a ação fisiológica dos alcalóides (complexos compostos químicos derivados dos vegetais) e estabeleceu sua relação com a piridina, composto orgânico que contém nitrogênio e de estrutura química semelhante à do benzeno.
Em 1892, o físico britânico John William Rayleigh desafiou os cientistas a explicarem a diferença entre o peso atômico do nitrogênio presente em compostos químicos e o do nitrogênio mais pesado, encontrado na atmosfera. Ramsay levantou a hipótese de que o nitrogênio do ar continha invariavelmente um gás pesado até então não descoberto. Em colaboração com Rayleigh, criou um método para remover totalmente o nitrogênio e o oxigênio do ar. Em 1894, a dupla confirmou a suposição ao descobrir um elemento gasoso quimicamente inerte, mais tarde denominado argônio, que corresponde a um por cento da composição do ar.
Em 1898, em parceria com o químico britânico William Travers, Ramsay conseguiu isolar o neônio, o criptônio e o xenônio. Também demonstrou que o mais leve dos gases nobres, o hélio, era produzido de forma contínua a partir da decomposição radioativa do rádio, descoberta de fundamental importância para o avanço da física atômica. Sagrado cavaleiro em 1902, Ramsay publicou várias obras sobre química e morreu na localidade de High Wycombe, Buckinghamshire, Reino Unido, em 23 de julho de 1916.

6895 – Mega Cientistas – JOHN DALTON


Criador da primeira teoria atômica moderna, o físico, químico e pesquisador John Dalton foi uma das figuras mais expressivas do mundo científico na passagem do século XVIII para o século XIX.
John Dalton nasceu em Eaglesfield, Cumberland, Inglaterra, em 6 de setembro de 1766. Aos 12 anos já substituía seu professor, John Fletcher, na Quaker”s School de Eaglesfield. Estudou durante 12 anos em Kendal e, após concluir sua formação acadêmica, tornou-se professor do New College de Manchester, universidade inglesa de prestígio comparável ao de Oxford e Cambridge.
A descoberta do fenômeno da cegueira congênita para as cores, conhecida como daltonismo, data de 1794. As observações de Dalton sobre o fenômeno foram publicadas no livro Extraordinary Facts Relating to the Vision of Colours (1794; Fatos extraordinários relativos à visão das cores). Em 1800 assumiu a secretaria da Sociedade Literária e Filosófica de Manchester, que presidiu em caráter honorífico de 1817 até o fim da vida.
No trabalho Absorption of Gases by Water and Other Liquids (1803; Absorção de gases pela água e outros líquidos), fixou os princípios de sua teoria atômica, que pode condensar-se nos seguintes princípios: (1) os átomos são partículas reais, descontínuas e indivisíveis da matéria, e permanecem inalterados nas reações químicas; (2) os átomos de um mesmo elemento são iguais e de peso invariável; (3) os átomos de elementos diferentes são diferentes entre si; (4) na formação dos compostos, os átomos entram em proporções numéricas fixas 1:1, 1:2, 1:3, 2:3, 2:5 etc. e (5) o peso do composto é igual à soma dos pesos dos átomos dos elementos que o constituem.
Dalton dedicou-se também à meteorologia. Um de seus trabalhos mais minuciosos foi a elaboração de um diário meteorológico, no qual fez mais de 200.000 anotações. Seu interesse por fenômenos atmosféricos, como a aurora boreal, demonstrava que a faculdade intelectual privilegiada por Dalton para a pesquisa científica era a indução, tipo de inferência que, a partir de um grande número de dados, procura encontrar suas correlações e as leis lógicas que as regem. Os dados interpretados por Dalton não atingiram grau elevado de precisão, mas sua metodologia trouxe grandes inovações para o estudo das ciências.
Autor do New System of Chemical Philosophy (1808-1810; Novo sistema de filosofia química), incluiu nesse trabalho teses importantes, como a lei das pressões parciais, ou lei de Dalton, segundo a qual a pressão total de uma mistura de gases equivale à soma das pressões parciais dos gases que a constituem. Dalton morreu em Manchester, a 27 de julho de 1844.

6602 – Mega Cientistas – ROBERT BOYLE


Coube a Robert Boyle imprimir à física e à química modernas uma orientação metodológica baseada na precisão das medidas e na racionalidade das deduções experimentais.
Boyle, 14º filho do conde de Cork, nasceu em 25 de janeiro de 1627 em Lismore, Irlanda. Educado na rígida disciplina de Eton, dedicou-se à difusão da fé cristã e ao estudo das línguas orientais, além de se aprofundar na pesquisa científica. Na juventude, viajou vinte anos pela Europa e travou conhecimento com as principais correntes do pensamento da época.
De volta à Inglaterra, escreveu diversos ensaios filosóficos e começou seus estudos de física e química. Com a colaboração de Robert Hooke, construiu uma bomba pneumática, que permitiu demonstrar a impossibilidade de se obter o vácuo absoluto. Analisando o ar, descobriu que ele serve de meio para a propagação do som e que é compressível por ser constituído de partículas minúsculas que se movem no vácuo. Verificou também que seu volume é inversamente proporcional à pressão a que é submetido (anos depois o abade francês Edme Mariotte deu maior precisão a essa lei, observando que só era válida sob temperatura constante). Outra de suas descobertas importantes foi a de que a água se expande ao congelar-se.
Sua obra The Sceptical Chymist (1661; O químico cético) é um dos primeiros textos científicos em que a química se diferencia da alquimia e da medicina. Nela Boyle atacou a teoria aristotélica dos quatro elementos (terra, ar, fogo e água) e também os três princípios (sal, enxofre e mercúrio) propostos por Paracelso, desenvolvendo o conceito de partículas primárias que, por combinação, produzem corpúsculos. Todos os fenômenos naturais, por conseguinte, se explicavam não pelos elementos e qualidades aristotélicas, mas sim pelo movimento e organização de partículas primárias.
Os múltiplos interesses intelectuais de Boyle levaram-no a montar uma gráfica em que imprimiu diversas traduções da Bíblia. Durante alguns anos dirigiu a Companhia das Índias Orientais. Sem abandonar a pesquisa, Boyle dedicou os últimos anos de vida a difundir a religião. Morreu em 30 de dezembro de 1691 em Londres e foi enterrado na abadia de Westminster.

6548 – ☻Mega Cientistas – ALFRED RUSSEL WALLACE



O naturalista Alfred Russel Wallace tornou-se célebre pela formulação de uma teoria da origem das espécies pela seleção natural, em estudos realizados independentemente de Charles Darwin.
Alfred Russel Wallace nasceu em 8 de janeiro de 1823, em Usk, Monmouthshire, Inglaterra. De seu interesse inicial pela botânica passou ao estudo dos insetos por influência do naturalista britânico Henry Walter Bates, que conheceu por volta de 1844. Ambos empreenderam uma expedição pela Amazônia em 1848, onde permaneceram por dois anos. Com exceção do material que Wallace enviou para a Inglaterra, a valiosa coleção acumulada na expedição foi consumida pelo fogo na viagem de volta. O naturalista conservou também anotações que lhe permitiram escrever Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro (1853; Narrativa de viagens pela Amazônia e pelo rio Negro). De 1854 a 1862, Wallace viajou pelo arquipélago malaio. Fixou-se depois em seu país e se dedicou a pesquisas científicas.
Em 1858, apresentou o trabalho On the Tendency of Varieties to Depart Indefinitely from the Original Type (Sobre a tendência das variedades de se afastar indefinidamente do tipo original) ao mesmo tempo em que Darwin apresentava sua teoria da evolução das espécies. Wallace divergiu de Darwin, que defendia a tese da seleção sexual, por preferir a da sobrevivência do mais forte e aceitar, coerente com sua tendência para o espiritualismo, a intervenção de forças superiores na evolução das espécies.
A obra The Malay Archipelago (1869; O arquipélago malaio) foi resultado da pesquisa feita no arquipélago malaio, onde Wallace investigou a distribuição geográfica dos animais. Sua Geographical Distribution of Animals (1876; Distribuição geográfica dos animais) deu-lhe papel relevante na história da zoogeografia e divulgou estudos precursores sobre a influência da divisão de terras emersas e dos mares sobre a genealogia das espécies.
Wallace interessou-se ainda por questões tão diferentes quanto a da nacionalização da terra, do sufrágio feminino, que defendia, e da vacinação, que combatia. Deixou obra extensa que inclui um livro sobre espiritualismo, Miracles and Modern Spiritualism (1875; Os milagres e o espiritualismo moderno) e a autobiografia, My Life (1905; Minha vida). Alfred Russel Wallace morreu em Broadstone, Dorset, Inglaterra, em 7 de novembro de 1913.

6345 – Eles morreram em nome da Ciência


Marie Curie – morreu por se expor demais à radiação
Em 1898, Marie e seu marido, Pierre, descobriram o elemento químico rádio e a partir daí a cientista decidiu passar o resto da vida pesquisando mais sobre a radiação e estudando a radioterapia.
O problema é que ela se expôs demais à radiação e isto fez com que ela desenvolvesse uma leucemia gravíssima. Marie morreu em 1934, mas entrou para a história: foi a primeira e única pessoa a receber dois prêmios Nobel de Ciência em dois campos diferentes, Química e Física

Carl Scheele – morreu por causa do costume de provar as suas descobertas

Scheele foi um químico farmacêutico brilhante – descobriu elementos como molibdênio, tungstênio, magnésio, cloro e até oxigênio (ainda que Joseph Pristley tenha divulgado a descoberta primeiro), além de ter desenvolvido um processo parecido com a pasteurização. O problema de Scheele é que todo gênio tem um péssimo hábito e o dele era o de provar suas descobertas. Sim, colocar na boca e experimentar.
O cara chegou a experimentar até cianeto de hidrogênio, substância que, se misturada com água, vira ácido cianídrico. E saliva tem o quê? Pois é. Enfim, ele sobreviveu a essa loucura, mas a sorte não dura para sempre: ele morreu com sintomas de forte intoxicação por mercúrio.

Elizabeth Ascheim – morta por raio-X

Elizabeth Fleischman Ascheim casou com um médico, o Dr. Woolf, e ambos eram fascinados pela recente descoberta de Wilhelm Conrad Röntgen: a máquina de raio-X. Ela decidiu comprar uma (a primeira de São Francisco), largou o emprego de bibliotecária e começou a estudar esta ciência com afinco.
O problema é que eles sempre testavam a máquina neles mesmos e na época ninguém tinha muita noção das consequências da falta de proteção contra os raios. Resultado: ela morreu em 1905 de câncer, que se desenvolveu rapidamente e com muita força.

Alexander Bogdanov – acabou se matando com transfusão de sangue

O russo Bogdanov era físico, filósofo, economista, escritor de ficção científica e revolucionário político, mas em 1924 ele resolveu fixar seus estudos em apenas um experimento: a transfusão de sangue feita em busca da eterna juventude (ele curtia ficção científica, né pessoal).
Após 11 transfusões ele declarou que sua calvície havia diminuído e que sua visão havia melhorado. O problema foi que a ciência da transfusão ainda era recente e ninguém pensava em testar o sangue antes de enfiá-lo veia adentro. Em 1928, Bogdanov fez uma transfusão com sangue infectado com malária e tuberculose e não resistiu, morrendo logo depois, com apenas 55 anos.

Louis Slotin – morreu por fissão nuclear acidental

O canadense Louis Slotin trabalhou no famoso Projeto Manhattan, aquele que criou as primeiras armas nucleares dos Estados Unidos. Acontece que durante os experimentos ele acidentalmente deixou cair uma esfera de berílio envolta em plutônio em uma outra igual, causando uma reação imediata. Cientistas que estavam por perto viram um brilho azul diferente e sentiram uma onda de calor. Slotin saiu correndo da sala passando mal e foi levado ao hospital às pressas. O episódio inspirou a criação do personagem Dr. Manhattan, da HQ Watchmen. A diferença é que, na história, o cientista adquiriu habilidades especiais e ficou permanentemente azul. Na vida real, o pesquisador morreu.
O cientista foi exposto a uma quantidade de radiação absurda – calcula-se que era como se ele estivesse a menos de 1,5km de distância da explosão da bomba atômica. Foi a partir daí que o laboratório de Los Alamos passou a ter medidas de seguranças bem sérias e a manipulação de tais substâncias passou a ser feita apenas por máquinas, garantindo uma distância respeitável dos cientistas.