14.117 – História – O Que a Cerveja Tem a ver com o Conhecimento Humano?


cerveja antiga
Em 2016, pesquisadores britânicos descobriram uma placa com símbolos cuneiformes — uma das primeiras técnicas de escrita desenvolvidas pela humanidade — em uma região do Iraque onde viveu a civilização Assíria há mais de 5 mil anos. O objeto arqueológico revelava uma particularidade curiosa: na placa estavam registradas as palavras equivalentes a “cerveja” e a “holerite”, o que levou os cientistas à conclusão de que a bebida alcoólica era o pagamento dos trabalhadores da época.

Nada como um happy hour animado após um dia duro de labuta. Mais do que uma ode às alegrias (e às tragédias) vividas pela humanidade, entender a relação das primeiras civilizações com a cerveja é também uma maneira de estudar como o conhecimento humano foi capaz de desenvolver tecnologias que solidificaram as relações econômicas, sociais e culturais ao longo da História.
Obtido por meio da fermentação de açúcares, o álcool etílico acompanha a humanidade há pelo menos 10 mil anos: pesquisadores descobriram vestígios da bebida em jarros encontrados no Irã. A data coincide com o advento da agricultura, quando a humanidade passou a dominar a terra e conseguir produzir em larga escala as matérias-primas que dariam origem a alimentos como o pão e à cerveja.

No Egito Antigo, consumir o “pão líquido” era uma questão de pura necessidade. De acordo com o especialista Michael Klutstein, da Universidade de Jerusalém, todos bebiam cerveja, até mesmo as crianças. “A água era contaminada e imprópria para consumo. Cada pessoa ingeria entre 3 e 6 litros de cerveja por dia na época”.
Klutstein faz parte da equipe israelense que recriou a “cerveja dos Faraós”, de 5 mil anos de idade. O feito foi possível porque os pesquisadores descobriram uma levedura da época utilizada no processo de fermentação da bebida, o que lhes permitiu atingir um resultado parecido com a gelada feita no passado. “Degustadores profissionais descreveram o gosto como ‘frutado’ e ‘caseoso’”, conta.
Para quem não está acostumado com a linguagem gourmet, caseoso significa uma aparência ou um gosto similar ao de um queijo (e você pensando que as cervejas artesanais diferentonas eram exclusividade do século 21). Klutstein também explica que a produção de cervejas era vital para a sociedade egípcia daquele período, mais importante até que a fabricação de pães.

Tal particularidade, entretanto, não era exclusiva dos povos que viviam naquela região do planeta. Um time de arqueólogos dos Estados Unidos publicou, no início de 2019, um estudo que revela a importância do consumo da bebida local, conhecida como chicha, para o fortalecimento de traços culturais e a estabilidade política do império Tiauanaco-Huari. Esse povo viveu nas montanhas de Cerro Baúl, ao sul do Peru, estabelecendo seu poder na região entre 500 d.C e 1000 d.C. De acordo com as análises realizadas, as mulheres da elite local eram responsáveis pela preparação da bebida — que provavelmente só era consumida por pessoas da mesma classe social e em comemorações.
Segredo medieval
Enquanto ditava costumes e castigava os fiéis que fugiam da retidão moral apregoada durante a Idade Média, a Igreja Católica produzia litros e mais litros de cerveja em suas abadias na Europa. Detentores do conhecimento, os monges eram responsáveis por criar receitas para a produção de cervejas de boa qualidade (a bebida era considerada mais segura do que a água infectada dos castelos e vilarejos).

A tradição se manteve com o passar dos séculos (veja abaixo). Em maio de 2019, monges de uma abadia na Bélgica encontraram um caderno recheado de receitas para fermentação alcoólica. Segundo Michael Parker-McCrory, porta-voz da abadia, os registros foram escondidos por padres em 1798, quando o templo foi incendiado.
Encontrar o livro motivou os membros da cervejaria belga Grimbergen a lançar uma edição especial da bebida dos monges, que será vendida em uma rede de mercados na Europa. “A nova microcervejaria apresentará a fabricação de cervejas de volta ao seu ponto de partida medieval”, relatou McCrory. A ideia, diz, é “combinar a tradição com técnicas modernas”. Isso porque, sem a utilização de ingredientes contemporâneos, o sabor da cerveja seria literalmente parecido com o de um “pão líquido”. Afinal de contas, nem sempre aquilo que é retrô é necessariamente gostoso.

Cervejarias antigas que ainda estão na ativa

WEIHENSTEPHAN
Fundada em 1040 em um mosteiro alemão na região da Baviera. É considerada a cervejaria mais antiga do mundo ainda em operação.

WELTENBURG
Instalados em um convento alemão desde o século 7, os monges iniciaram a produção da cerveja em 1050.

AUGUSTINER-BRÄU
É a cervejaria mais antiga da cidade de Munique: foi fundada em 1328 na terra do Oktoberfest.

GROLSCH
Cervejaria criada em 1615 na cidade holandesa de Groenlo, passou pelo controle de diferentes famílias e hoje faz parte do grupo japonês Asahi.

SMITHWICK’S
Fundada na Irlanda em 1710, utiliza uma receita típica da região para produzir uma cerveja mais “encorpada” em relação ao gosto brasileiro.

13.321 – Cerveja é melhor que paracetamol para combater a dor (?)


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Para a dor de cabeça, paracetamol. Para a de cotovelo, cerveja. O hábito, tão comum entre nós, encontra respaldo tanto na medicina tradicional quanto na crença popular.
Mas alguns cientistas discordam.
Pesquisadores da Universidade de Greenwich, em Londres, publicaram um estudo afirmando que a cerveja é boa tanto para a dor de cabeça quanto para a de cotovelo.
Publicado no Journal of Pain, a pesquisa diz que o álcool contido em duas canecas de cerveja é mais eficaz que uma dose de paracetamol. É que, em quantidades razoáveis (não vale exagerar), a bebida pode aumentar a resistência à dor e se tornar mais eficaz que alguns medicamentos conhecidos.
Mas não se anime tanto. A pesquisa não muda em nada a recomendação da comunidade médica de reduzir ao máximo o consumo de qualquer bebida alcoólica.
E não custa lembrar: jamais beba antes de dirigir, nem que seja pra se livrar daquela dorzinha inocente.

12.949 – Desculpa de Bêbado 2 – Tomar cerveja todos os dias ajuda a prevenir doenças do coração


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Um novo estudo da Universidade do Estado da Pensilvânia chegou à recomendação médica dos sonhos: beber cerveja todos os dias. Os cientistas comprovaram que o consumo moderado da bebida pode reduzir as chances de ter um infarto ou outras doenças do coração.
A pesquisa, apresentada em um encontro da Associação Americana do Coração, examinou 80 mil chineses adultos e saudáveis durante um período de seis anos e percebeu que o álcool reduziu o declínio natural dos níveis de HDL – conhecido como colesterol bom, que age como um “detergente natural” ao limpar as moléculas de gordura do sangue.
Ao longo da pesquisa, os participantes responderam questionários sobre seus hábitos alcoólicos e fizeram exames de sangue periodicamente para medir os níveis de colesterol. Aqueles que bebiam doses moderadas de álcool – duas por dia entre os homens e uma entre as mulheres – não viram seus percentuais de HDL despencar tão rapidamente (0.17mmol/por ano). Entre os voluntários mais boêmios ou abstêmios, essa manutenção das taxas de colesterol não foi percebida. As doses de cerveja foram medidas em “pints” (copo de 473 ml) – o volume de cerveja ingerido por um voluntário que bebe moderadamente não chega nem ao conteúdo de duas latas de cerveja.
Apesar dos cientistas terem feito a pesquisa com outras bebidas, os efeitos do consumo de cerveja foram mais perceptíveis. Os resultados do estudo são importantes, porque quanto maiores as concentrações de HDL, menores são as chances de desenvolver placas de colesterol “ruim” nas paredes das artérias e, consequentemente, obstruir o fluxo sanguíneo. Uma boa descoberta, visto que os problemas cardíacos estão entre as doenças que mais matam no Brasil e no mundo.
Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que para determinar a relação colesterol bom–cerveja, são necessários outros testes em populações com hábitos diferentes da chinesa. Eles também alertam para os perigos que o excesso de álcool provoca no organismo, como aumento de peso, disfunções no fígado e o desenvolvimento de problemas no sistema nervoso. Ou seja, não é pedindo mais uma saideira que você vai evitar um possível infarto – mas talvez molhar o bico ajude.

12.648 – Inteligência artificial agora produz cerveja


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Depois de filmes e obras de arte, a inteligência artificial agora é capaz de produzir cerveja. A IntelligentX, empresa por traz da produção, já conta com quatro tipos de cerveja e usa a inteligência artificial para modificar o sabor de acordo com o gosto dos clientes.
O algoritmo funciona como um bot do Messenger do Facebook. A pessoa escolhe entre os quatros tipos de cerveja que quer (Amber, Black, Golden e Pale) e na embalagem está o código para encontra o bot. Depois disso, ela indica qual cerveja bebeu e responde algumas perguntas feitas pelo AI.
As respostas são analisadas e o feedback é enviado para os produtores para detectarem tendência. A inteligência artificial consegue sugerir mudanças como a quantidade de ingredientes e tempo de fermentação para fabricar as cervejas que mudam ao longo do tempo.
Nos últimos 12 meses, as quatro cervejas já mudaram onze vezes com base no feedback inicial. Atualmente, elas estão sendo distribuídas em eventos de tecnologia de Londres.

12.601 – Desculpa de bêbado – Cientistas descobrem que cerveja pode prevenir o Alzheimer


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Estudos concluem que a cerveja ajuda a prevenir o Alzheimer, embora ainda não se saiba como isso acontece exatamente ou qual seria a dose necessária.
Se os apreciadores da bebida estavam esperando uma boa desculpa para tomar cerveja nos fins de semana, a ciência respondeu às suas preces: segundo um estudo realizado por pesquisadores suecos e finlandeses, existe uma relação entre a concentração de beta-amiloides no cérebro (moléculas associadas ao Alzheimer) e o consumo da “gelada”.
Para chegar a essa conclusão, foram estudados 125 homens mortos entre 25 e 70 anos, sua predisposição genética para o desenvolvimento do Alzheimer e seus costumes na ingestão de álcool.
O estudo revelou que a concentração de moléculas aumentava com a idade, porém em menor medida quando se tratava de homens que tinham como costume beber cerveja. Esse mesmo fenômeno não foi verificado em homens que tinham como costume ingerir outro tipo de bebida alcoólica.
Vale também esclarecer que não foi possível determinar a ingestão recomendável de cerveja para que o efeito seja garantido, já que também não foi possível revelar como o processo se dá exatamente.

12.522 – História – Chineses produziam cerveja há 5 mil anos


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Cientistas descobriram, na província de Shaanxi, na China, equipamentos utilizados para fabricar cerveja há 5.000 anos, durante o período Neolítico. De acordo com a pesquisa, publicada, este é o local de fabricação de cervejas mais antigo já encontrado na China. A pesquisa, além de trazer informações sobre os gostos da cultura que povoou a região entre 3.400 e 2.900 a. C., fornece pistas sobre as práticas de agricultura.
De acordo com a pesquisa, publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, essa é a evidência mais antiga da produção de cerveja na China. Arqueólogos possuem evidências da fabricação de bebidas originadas da fermentação de arroz há 9.000 anos, sendo essa a mais antiga pista sobre o consumo de bebida alcoólica da humanidade; no entanto, esse tipo pioneiro da bebida era diferente do que foi visto agora: desta vez, eles identificaram que a cerveja era feita de cevada, um tipo de bebida que surgiu no Oriente Médio há 5.400 anos e, pensava-se ter, chegado à China muito mais tarde.
De acordo com a pesquisa, liderada pela especialista Jiajing Wang, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, ao examinar os resíduos amarelados deixados nos potes, eles identificaram que a cerveja produzida pelos chineses anciãos era composta por uma mistura de plantas que incluía milho, cevada e uma planta conhecida no Brasil como Lágrima de Nossa Senhora (Coix lacryma-jobi). Ao estudar os resíduos, os pesquisadores encontraram diversas assinaturas químicas que indicavam que o líquido armazenado ali era cerveja.
Além de indicarem os complementos da bebida por meio de uma análise química, os pesquisadores ainda estudaram a forma de grãos encontrados nos potes para identificar os processos utilizados pelos ancestrais chineses na obtenção do líquido. “Muitos grãos estavam danificados. Vimos que os padrões dos danos correspondem precisamente a alterações morfológicas desenvolvidas durante a maltagem e a brassagem, tais como observamos em nossos experimentos de produção de cerveja”. Os resultados encontrados, portanto, sugerem que a cerveja era produzida de uma maneira bastante parecida à das cervejarias modernas, passando por três processos realizados atualmente: a maltagem, a brassagem e a fermentação.

8303 – Equipe brasileira vai estudar possíveis benefícios da cerveja


Terceiro país com maior consumo de cerveja no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, o Brasil vai iniciar uma pesquisa para avaliar os possíveis benefícios do consumo moderado da bebida para o coração. Estudos internacionais já demonstram, por exemplo, que ingerir cerveja em quantidades moderadas — o que significa beber de uma a duas latas por dia, no máximo — tem um efeito protetor nos vasos sanguíneos, evitando a aterosclerose (entupimento dos vasos) e um possível infarto.
A pesquisa será feita por meio de uma parceria da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) com o Hospital do Coração (HCor), que vai conduzir os estudos com dois grupos de voluntários: um de abstêmios e outro de pessoas que bebem cerveja regularmente. Outros detalhes do estudo serão definidos neste sábado durante o 34º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). No evento, haverá um simpósio que vai apresentar os resultados de pesquisas feitas em animais na Universidade de Barcelona, na Espanha, pela médica Lina Badimón.
Segundo o médico Nabil Ghorayeb, da SBC, a pesquisa no Brasil deve seguir os passos da experiência com o estudo do vinho, que já é feito no HCor. “Pelos resultados da Espanha, deu para perceber que existe um paralelo muito semelhante ao observado no vinho. Lá, o consumo moderado de cerveja reduziu os índices de aterosclerose em animais”.

Pabst Blue Ribbon 1844 – Custa 44 dólares
Produzida pela cervejaria norte-americana Pabst especialmente para o mercado chinês, a Blue Ribbon 1844 é feita de malte caramelizado trazido da Alemanha, o que garante um paladar doce à bebida. A cerveja tem um volume alcoólico de 4,74% e custa 44 dólares na China.

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O efeito do álcool — Segundo o cardiologista Luiz Antônio Machado César, diretor do Núcleo Café e Coração do Instituto do Coração (Incor), uma das hipóteses para explicar o efeito protetor da cerveja nas artérias é o próprio álcool, além das vitaminas B3 e B6, proteínas e sais minerais presentes na bebida. “Há estudos que demonstram que o álcool em quantidades adequadas tem um efeito benéfico para os vasos sanguíneos, evitando a aterosclerose. O problema são as alterações deletérias do álcool nos outros órgãos, caso ele seja consumido em excesso”, diz César. “Na pesquisa com animais, quando as quantidades de cerveja ultrapassavam a quantidade tecnicamente efetiva, o quadro era de piora.”
Os médicos reforçam a importância de uma pesquisa com uma das bebidas mais consumidas no país. “Aqui, a cerveja é muito mais diversão do que complemento alimentar. A pesquisa vai avaliar o consumo como alimento”.

Não é para você

Apesar de a bebida alcoólica, com moderação, proporcionar benefícios para a saúde, ela não é indicada para todos. Existem pessoas que não devem ingerir quantidade alguma de álcool, já que os prejuízos são muito maiores do que as vantagens. Sinal vermelho para quem tem os seguintes problemas:

Doença hepática alcoólica: é a inflamação no fígado causada pelo uso crônico do álcool. Principal metabolizador do álcool no organismo, o fígado é lesionado com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Cirrose hepática: o álcool destrói as células do fígado e é o responsável por causar cirrose, quadro de destruição avançada do órgão. Pessoas com esse problema já têm o fígado prejudicado e a ingestão só induziria a piora dele.

Triglicérides aumentado: o triglicérides é uma gordura tão prejudicial quanto o colesterol, já que forma placas que entopem as artérias, podendo causar infarto e derrame cerebral. O álcool aumenta essa taxa. Portanto, quem já tiver a condição deve manter-se longe das bebidas alcoólicas.

Pancreatite: a doença é um processo inflamatório do pâncreas, que é o órgão responsável por produzir insulina e também enzimas necessárias para a digestão. O consumo exagerado de álcool é uma das causas dessa doença, e sua ingestão pode provocar muita dor, danificar o processo de digestão e os níveis de insulina, principal problema do diabetes.

Úlcera: é uma ferida no estômago. Portanto, qualquer irritante gástrico, como o álcool, irá piorar o problema e aumentar a dor.

Insuficiência cardíaca: por ser tóxico, o álcool piora a atividade do músculo cardíaco. Quem já sofre desse problema deve evitar bebidas alcoólicas para que a atividade de circulação do sangue não piore.

Arritmia cardíaca: de modo geral, ele afeta o ritmo dos batimentos cardíacos. A bebida alcoólica induz e piora a arritmia.

Redobre a atenção
Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco.Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um.

Problemas psiquiátricos: o álcool muda o comportamento das pessoas e pode alterar o efeito da medicação. É arriscada, portanto, a ingestão de bebida alcoólica por aqueles que já têm esse tipo de problema.

Gastrite: é uma fase anterior à úlcera e quem sofre desse problema deve tomar cuidado com a quantidade de bebida alcoólica ingerida. Como pode ser curada e controlada, é permitido o consumo álcool moderado, mas sempre com autorização de um médico.

Diabetes: Todos os diabéticos devem ficar atentos ao consumo de álcool. A quantidade permitida dessa ingestão depende do grau do problema, dos remédios e do organismo da pessoa. Recomenda-se, se for beber, optar por fazê-lo antes ou durante as refeições para evitar a hipoglicemia.

7864 – Cerveja – Adeus, barriga!


O biotécnico alemão Ulrich Stachow acredita que a biotecnologia vai criar uma cerveja que não engorda. Basta fazer algumas modificações transgênicas nos ingredientes usados para produzir a bebida, como o trigo, o milho e a cevada, e desenvolver grãos que ajudem o organismo a não absorver calorias. Por ora, a cerveja mágica que não dá barriga está apenas em testes.
Se vingar, ela certamente vai conquistar bom espaço num mercado que aposta em produtos diferenciados, por assim dizer.
A cervejaria Neuzelle, por exemplo, desenvolveu uma cerveja que promete retardar o envelhecimento. Como? Acrescentando à fórmula as mesmas algas marinhas usadas nos cremes anti-rugas.
Em vez de passar na pele, você toma dois ou três copos por dia e mantém a aparência viçosa da pele, prolongando a sensação de juventude. Segundo Erich Dederichs, diretor da Associação de Cervejarias Alemãs, os poderes terapêuticos dessa bebida fermentada deveriam ser mais divulgados. “Ela faz bem para o coração e ajuda a prevenir a osteoporose.”

7456 – Qual a diferença entre bebida fermentada e destilada?


As bebidas destiladas têm teor alcoólico mais alto. Todas as bebidas passam pela fermentação, produzida principalmente por leveduras. Mas algumas, depois disso, passam ainda por um processo de destilação, ou seja, os álcoois e ácidos orgânicos – responsáveis pelo odor e pelo sabor – presentes na bebida são transformados em vapor e depois, novamente em líquido. Assim, vão para outro recipiente, mas sem a água existente na bebida: como ela tem um ponto de ebulição mais alto, não evapora totalmente e o líquido resultante fica muito mais concentrado. É o caso, por exemplo, do uísque, da caninha e da vodca. “As bebidas fermentadas, como a cerveja e o vinho, têm, no máximo, 18% de álcool, enquanto as destiladas podem atingir até 70%”, explica um bioquímico da Universidade de São Paulo.

5897 – Cerveja feita de mandioca


Cerveja de Mandioca

A cervejaria SABMiller está investindo em uma cerveja feita à base de cassava, uma raiz muito popular em Moçambique e que no Brasil tem outros nomes, como mandioca, aipim e macaxeira. Feita largamente de maneira artesanal no país africano, a cerveja de cassava (semelhante a uma antiga bebida dos índios brasileiros, o cauim) agora terá o impulso da multinacional para conquistar novos mercados. E, segundo a SABMiller, mantendo a fabricação baseada em produtos e mão de obra locais.

A mandioca é considerada a parte mais importante da cultura alimentar na África, mas a empresa nega que a cerveja provocará uma escassez do alimento. A cerveja, chamada Impala, está sendo produzida em Moçambique e necessitará de 40 mil toneladas de mandioca crua por ano.
O projeto da SAB Miller – chamado “Cultivando um futuro melhor” – utiliza pequenos produtores para cultivar a mandioca.

Mark Bowman, o diretor administrativo da SAB Miller, disse que ofereceria um enorme potencial de agricultura para os agricultores. Segundo a empresa, Criará 1.500 empregos para os agricultores e suas famílias.
Ainda segundo a SAB Miller, graças ao uso da mandioca local e uma redução de impostos pelo governo de Moçambique, a Impala é 30% mais barata do que as principais lagers.

5862 – Mega Receita – Faça cerveja em casa


Moinho para cereais

Utensílios necessários
* Um fogão de 4 bocas
* Duas panelas de 32 litros com torneira
* Um moinho para cereais
* Termômetro
* Balança
* Uma forma de pizza furada para o fundo falso
* Dois baldes de PVC com torneira e tampa
* Uma válvula airlock
* Mangueira para encher as garrafas
* Máquina para colocar tampas em garrafa
PROCESSO QUENTE – Picote o malte
O malte, o lúpulo e o fermento, assim como a receita, podem ser encontrados na internet (cervejaartesanal.com.br). Pese os diferentes tipos de maltes e jogue no moedor de cereais. Triture-os até quebrar a casca. Mas, cuidado, não transforme os grãos em farinha – isso prejudicará o processo de filtragem.
Esquente 20 litros de água a uma temperatura entre 60 e 70 ºC. Deixe o termômetro sempre dentro da panela. Jogue o malte e misture por 20 minutos até chegar exata-mente aos 70 ºC. Se ultrapassar os 74 ºC, as enzimas deixam de agir. Desligue o fogo e deixe a mistura, chamada de mosto, repousar por uma hora.
Acenda o fogo e mexa até atingir 78 ºC (não deixe passar ou a cerveja ficará adstringente). Abra a torneira e jogue o mosto em uma panela com fundo falso. De novo, abra a torneira e retire 2 ou 3 litros do mosto com a ajuda de uma escumadeira (isso serve para tirar os farelos). Transfira líquido de volta para a panela sem fundo falso.
Acrescente mais água a 70 ºC. para repor as perdas do bagaço e da evaporação, até voltar aos 20 litros iniciais. Acenda o fogo e, 5 minutos após a fervura, acrescente o lúpulo de amargor. Deixe o fogo ligado por uma hora, com a panela destampada. Nos 5 minutos finais, acrescente também o lúpulo de aroma.
PROCESSO FRIO – Decante a valer
A partir daqui, todo material deverá ser sanitizado com álcool hospitalar. A presença de bactérias afeta o sabor da cerveja. Mergulhe a panela em uma bacia com água e gelo, mexa por alguns minutos no sentido anti-horário e deixe por uma hora, com a tampa fechada. A parte sólida descerá para o fundo da panela.
Transfira o líquido para o balde de PVC. Jogue o fermento – e veja na do fermento qual é a temperatura ideal (para Ale, é entre 16 e 24 ºC. Lager, entre 10 e 15 ºC). Isso é essencial para não matar as leveduras, que transformam açúcar em álcool. Feche o balde com a válvula airlock e deixe repousar de 7 a 10 dias.
A levedura vai decantar para o fundo do balde. Para se livrar dela, transfira a cerveja para outro balde de PVC com a ajuda da torneira e de uma mangueira. Feche-o com airlock para não entrar ar. Mantenha o balde fechado em temperatura ambiente por mais 2 semanas. Pode ser em qualquer canto da casa que não pegue sol.
Transfira a cerveja para outro balde para tirar os resíduos. Ferva 100 g de açúcar com 110 ml de água. Separe entre 5 e 8 g (não mais, ou a garrafa pode explodir) e jogue em uma garrafa de 1 litro. Encha de cerveja até a metade do pescoço. A levedura vai reagir com o açúcar e produzir gás carbônico. Deixe descansar por 10 dias. Depois é só gelar e beber!
Mas se você achar mais fácil, é só comprar na adega.

5636 – Qual a diferença entre a cerveja e o chopp?


Na cerveja há um aquecimento a 60°C por alguns minutos e um resfriamento súbito. Tal processo é conhecido comp Pasteurização e desativa as enzimas responsáveis pela fermentação do cereal. Com isso, aumenta a validade do produto, que pode ser consumido em até 6 meses. Com o chopp não há pausterização e as enzimas continuam agindo. Por isso, só dura 10 dias antes de se alterar. A ação das enzimas, também faz com que o chopp seja assimilado com mais facilidade pelo organismo, pois ajuda a digerir o açúcar da bebida.

3524 – A História da Cerveja


A rara Munchen só para apreciadores

Cerveja, a bebida revolucionária

Vários cientistas acreditam que a civilização poderia simplesmente não existir se o homem não tivesse inventado o pão… e a cerveja. Foi a descoberta da fermentação dos cereais – processo básico da fabricação desses dois alimentos – que incentivou o homem a abandonar a vida nômade de caçador e coletor e se reunir em comunidades agrícolas. Pela primeira vez, era possível comer e beber com prazer, já que o processo de fermentação era capaz de mascarar alguns sabores desagradáveis. Há 12 mil anos, isso foi um avanço e tanto.
As evidências arqueológicas mais antigas da bebida são de 6 mil anos antes de Cristo e foram encontradas na Mesopotâmia (região onde hoje é o Iraque). Mas é possível que a primeira loirinha tenha sido fabricada bem antes disso, por algum povo antigo da Ásia. Rica em carboidratos e proteínas, ela foi um complemento alimentar importante e uma ótima substituta para a água, cuja pureza não era lá essas coisas naquela época. Grossas e corpulentas, as cervejas pioneiras não se pareciam em nada com o chope que você bebe hoje. Já as razões pelas quais uma mesa de bar parece irresistível numa sexta-feira depois do expediente não mudaram tanto assim.
Vários cientistas acreditam que a civilização poderia simplesmente não existir se o homem não tivesse inventado o pão… e a cerveja. Foi a descoberta da fermentação dos cereais – processo básico da fabricação desses dois alimentos – que incentivou o homem a abandonar a vida nômade de caçador e coletor e se reunir em comunidades agrícolas. Pela primeira vez, era possível comer e beber com prazer, já que o processo de fermentação era capaz de mascarar alguns sabores desagradáveis. Há 12 mil anos, isso foi um avanço e tanto.
As evidências arqueológicas mais antigas da bebida são de 6 mil anos antes de Cristo e foram encontradas na Mesopotâmia (região onde hoje é o Iraque). Mas é possível que a primeira loirinha tenha sido fabricada bem antes disso, por algum povo antigo da Ásia. Rica em carboidratos e proteínas, ela foi um complemento alimentar importante e uma ótima substituta para a água, cuja pureza não era lá essas coisas naquela época. Grossas e corpulentas, as cervejas pioneiras não se pareciam em nada com o chope que você bebe hoje. Já as razões pelas quais uma mesa de bar parece irresistível numa sexta-feira depois do expediente não mudaram tanto assim.
No continente europeu, onde hoje vivem os maiores consumidores mundiais de cerveja, a bebida progrediu e mudou a história da humanidade. No mundo medieval ela era tão preciosa que valia até como pagamento do dízimo na Igreja e dos impostos.
Como a produção era simples – bastavam um suprimento de água e cereais, um esmagador de grãos, uma vasilha, fogo com combustível para aquecer a água e recipientes para armazenar – a cerveja era normalmente produzida em casa. E sem condições de conservá-la por muito tempo, a produção servia apenas para consumo imediato.
Na primeira metade da Idade Média, entre os anos 500 e 1000 da era cristã, a produção foi centralizada em monastérios e conventos, que costumavam oferecer pousada e refeições para os viajantes. Santa decisão. Com tempo para aprimorar a produção, os religiosos revelaram-se excelentes e abnegados mestres cervejeiros. Nessa época nasceu a cervejaria mais antiga do mundo ainda em atividade, montada em 1040 no mosteiro Weihenstephan, na cidade alemã de Freisig.
Não se sabe ao certo quem teve a idéia, mas os diários de Alexander Nowell, sacerdote-chefe da Catedral de São Paulo, em Londres, de 1560 a 1602, já mencionam a existência da cerveja em garrafas de vidro. Antes disso, os recipientes eram barris de carvalho ou vasilhames de couro. Nowell descobriu, em 1602, que a bebida durava mais se as garrafas estivessem lacradas com rolhas de cortiça. O novo formato permitia que a cerveja fosse levada para casa, mas foi apenas em 1882 que os fabricantes notaram que a loirinha azedava nas garrafas claras e adotaram o vidro escuro, que impede a passagem da luz e garante a integridade do produto por mais tempo.
Mas e as cervejas modernas vendidas em garrafas transparentes? O jornalista austríaco Conrad Seidl, autor de O Catecismo da Cerveja, conta que hoje se adiciona óxido de magnésio ao lúpulo para proteger a cerveja dos raios ultravioleta. A substância não altera o gosto e o vidro claro permite que o potencial bebedor admire o tantas vezes irresistível amarelo da bebida. “As garrafas transparentes são mais um golpe de marketing, não influenciando em nada o gosto da bebida.
Quando a revolução industrial tomou o mundo no século 19, diversos países já tinham as suas próprias cervejas típicas. A Alemanha era o lar das claras Dortmunder (amarga e picante) e Weissbier (leve e ácida) e das escuras München (leve e picante), Bock (forte e encorpada) e Malzbier (doce). Os checos inventaram a Pilsen (leve e encorpada). Na Inglaterra, os súditos bebiam a clara Ale (frutada) e as escuras Stout (doce e amarga) e Porter (doce e forte). Mas o pontapé inicial para a fabricação em grande escala veio dos Estados Unidos, que há 300 anos desenvolviam sua indústria nacional. A refrigeração (1860), a pasteurização (1876), a tampinha de metal (1892) e o aperfeiçoamento da filtragem popularizaram a cerveja engarrafada, que agora podia ser produzida e vendida em grandes quantidades.
Para abalar de vez os hábitos dos consumidores, a fábrica americana Kreger, de Newark, lançou a primeira cerveja em lata de estanho que, no lugar do lacre – inventado em 1965 – tinha uma tampinha de metal igual à das garrafas de vidro. A latinha de alumínio foi adotada pela também americana Coors em 1959 e demorou mais 30 anos para aparecer no Brasil. A novidade mais recente, cervejas em garrafas plásticas, aportou nos supermercados daqui nos anos 90, mas ainda não caiu no gosto dos bebedores.
O Brasil entra tarde na história da bebida mais popular do mundo. Apesar de os colonizadores holandeses terem trazido a bebida em 1634, via Companhia das Índias Ocidentais, nenhuma cervejaria foi instalada em solo nacional. “Com a saída dos holandeses em 1654, a cerveja deixou o país por um século e meio e só reapareceu no fim do século 18”, escreveu Sergio de Paula Santos em Os Primórdios da Cerveja no Brasil. Dá para acreditar que nós fomos capazes de viver sem a bebida por 150 anos?
Antes da chegada da família real, em 1808, os portos brasileiros estavam fechados aos navios estrangeiros. Mas isso não significa que os portugueses estavam privados da bebida. A pouca cerveja que aparecia por aqui era contrabandeada. Com as importações liberadas, houve períodos de predominância dos barris ingleses e das garrafas alemãs. Embora não seja possível precisar uma data, registros mostram que imigrantes alemães do Rio Grande do Sul fabricavam a própria cerveja por volta de 1820.
O fato é que nossos avós e bisavós gostaram da bebida e passaram o costume para as gerações seguintes. Hoje, cada brasileiro consome cerca de 50 litros de cerveja “estupidamente gelada” por ano.
A birra em temperatura próxima a zero grau, motivo de orgulho em tantos botequins, é provavelmente a única contribuição genuinamente tupini-quim para a história da cerveja – e nem é reconhecida como um avanço. Se você sentar em um “biergarten” de Munique ou num pub de Londres, vai receber um copo com temperatura entre 10 ºC ou 15 ºC, faixa em que a maioria das cervejas revela o seu sabor. Para o calor tropical, essa é uma temperatura impensável, o que acabou originando o mito de que europeus são fãs de cerveja morna.
O nome da loira
No Brasil, a palavra chope vem da expressão “ein Schoppenbier”, que era como os alemães pediam um quartilho (copo de 0,6655 litro) tirado do barril. A cerveja segue o mesmo processo de produção, mas a versão em garrafas e latas é pasteurizada para durar mais
Ressaca faraônica
Beber até cair era mais que um prazer pessoal para os antigos egípcios. Todos os anos, era realizado o festival para a deusa Tefnuf, regado a muita comida, música e cerveja. Pinturas de um túmulo de 4 mil anos encontrado em Beni-Hasan mostram dois homens completamente bêbados sendo carregados de um banquete e mulheres vomitando depois de uma ressaca brava. Entre os egípcios, sair de uma festa caminhando com as próprias pernas era visto como maus modos, sinal de que o convidado não se divertira o suficiente
Barriga de chope não!
Os celtas foram os grandes fabricantes e consumidores de cerveja da Europa no primeiro milênio antes de Cristo. Mas o consumo de cerveja tinha limite. Avessos à obesidade, tentavam não ficar barrigudos demais. Por isso, criaram uma multa para quem excedesse o tamanho padrão de um cinto
Se beber, não dirija
O uso de veículos com tração animal e o consumo de álcool caminharam lado a lado a partir da metade do quarto milênio antes de Cristo. Para o arqueólogo inglês Andrew Sherrat, assim começou a história de uma das piores dobradinhas da elite ocidental: carros e bebidas. Nessa época, o arado – usado no cultivo de cereais e, logo, na produção de cerveja – e as carroças puxadas por cavalos chegaram à Europa. E, não muito diferente de hoje, apenas alguns privilegiados tinham acesso às duas tecnologias
Porre sagrado
No século 7 da era cristã, a farra alcoólica transcendeu às tavernas e tornou-se um constrangimento na Igreja inglesa. Bispos e monges ganharam a má reputação de bêbados ou glutões. Os porres eram tão comuns que alguns chegavam a vomitar a hóstia durante a Eucaristia. As autoridades religiosas criaram então leis de conduta, punindo os clérigos que passassem da conta. Um monge levava 60 dias de penitência. Já um bispo podia ser punido com 80 dias de suspensão e até mesmo com a expulsão
Barrica cheia
No século 16, a Inglaterra criou uma das punições mais inusitadas para acabar com os bebuns. O bêbado era colocado em um barril com buracos para cabeça, braços e pernas e exposto em praça pública. Em geral, o sujeito estava tão embriagado que dependia da boa vontade alheia para se soltar
Em 1944, os britânicos decidiram construir um navio-cervejaria, capaz de fabricar 250 barris por semana e saciar a sede dos soldados que combatiam na Segunda Guerra Mundial. Os navios Menestheus e Agamemnon foram enviados ao Canadá para as adaptações. Para azar dos militares, o primeiro deles só ficou pronto após o fim da guerra
Cervejas em guerra
A cervejaria de Zittau, na Alemanha, tinha uma caldeira capaz de produzir 7 hectolitros de cerveja – uma quantidade impressionante para a época – e exportava para cidades vizinhas. Os habitantes de Görlitz ficaram furiosos com a importação da cerveja rival. Em 1491, a turma de Görlitz atacou e destruiu uma carroça com cerveja de Zittau. Para acalmar os ânimos, o o governo local instituiu um imposto para a bebida concorrente.
As cervejas mais antigas do mundo
Existe muita controvérsia sobre a data de criação das primeiras cervejarias medievais, sobretudo se levarmos em conta aquelas instaladas em mosteiros. Os registros não são confiáveis e o ano de fundação dos mosteiros se confunde com o início da produção da bebida. A única coisa certa é que as pioneiras estão na Alemanha. Entre um gole e outro, os sócios da confraria alemã Biersekte cravaram a seguinte lista das cervejarias mais antigas ainda em atividade.
1. Bayerische Staatsbrauerei Weihenstephan (1040)
2. Klosterbrauerei Weltenburger (1050)
3. Herzoglich Bayerisches Brauhaus Tegernsee (1050)
4. Klosterbrauerei Scheyern (1119)
5. Schlossbrauerei Herrngiersdorf (1131)