11.033 – Genética – Finalmente o fim da Calvície?


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Uma boa notícia para os carecas: pesquisadores estão usando células-tronco pluripotentes humanas para gerar novos cabelos. O estudo, realizado no Instituto de Pesquisa Médica Sanford-Burnham, nos EUA, representa o primeiro passo para o desenvolvimento de um tratamento à base de células para as pessoas com a perda de cabelo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, metade da população masculina do planeta tem algum grau de calvície até os 50 anos, e esse percentual tende a subir com o avanço da idade.
“Nós desenvolvemos um método que utiliza células-tronco pluripotentes humanas para criar novas células capazes de iniciar o crescimento do cabelo humano. O método é uma melhoria significativa em relação aos métodos atuais que dependem do transplante de folículos pilosos existentes de uma parte da cabeça para outra”, explica Alexey Terskikh, professora do Programa de Desenvolvimento, Envelhecimento e Regeneração em Sanford-Burnham. “O método de células estaminais fornece uma fonte ilimitada de células a partir do paciente para o transplante”.
A equipe de pesquisa desenvolveu um protocolo que induziu células-tronco pluripotentes humanas a se tornarem células da papila dérmica, uma população única de células que regulam a formação de folículos de cabelo e seu ciclo de crescimento. As células da papila dérmica humana por si só não são adequadas para o transplante de cabelo, porque não podem ser obtidas em quantidades necessárias, e rapidamente perdem a sua capacidade de induzir a formação de cabelo.
“Em adultos, as células da papila dérmica não são facilmente ampliadas fora do corpo e rapidamente perdem suas propriedades”, diz Terskikh. “Nós desenvolvemos um protocolo para fazer com que células-tronco pluripotentes humanas se tornassem células da papila dérmica e confirmamos sua capacidade de induzir o crescimento do cabelo, quando transplantadas em ratos”.
O próximo passo é transplantar essas células derivadas de células-tronco pluripotentes humanas em seres humanos. “No momento, estamos buscando parcerias para implementar esta etapa final”, projeta a pesquisadora.

10.928 – Gen(ética) Geneticista da USP defende venda de substâncias geradas a partir de células-tronco


Da Super para o ☻Mega
Da Super para o ☻Mega

Tais produtos poderiam ser usados no tratamento de doenças como mal de Parkinson.
A Constituição proíbe a comercialização de substâncias humanas, como o sangue. No entanto, a pesquisadora questiona se bilhões de novas células produzidas a partir de um punhado de células-tronco embrionárias podem ser consideradas substância humana, já que teriam sido completamente sintetizadas em laboratório.
Segundo Pereira, uma nova interpretação dos produtos finais das células-tronco embrionárias, que são capazes de se transformar em qualquer tecido, poderia levar a iniciativa privada a investir em terapias celulares.
O assunto foi tema de discussão em reunião recentemente promovida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
Trecho da Entrevista:
Nossa sociedade não tolera a venda de órgãos ou qualquer substância humana, e isso é bom porque protege indivíduos vulneráveis que possam, por desespero, ficar tentados a vender um rim para dar de comer aos filhos.
Só que hoje as células humanas podem salvar vidas. E agora, essas células podem ser comercializadas ou não? Há dúvidas sobre a interpretação desse artigo na Constituição, e não está claro se há ou não uma vedação constitucional para registro e comercialização dos produtos de terapia celular no Brasil.
Se não regularmos isso direito, daqui a pouco haverá gente vendendo medula óssea, sangue de cordão umbilical, placenta, gordura, embriões e outras substâncias humanas -de onde podemos extrair células-tronco- e não queremos isso.
Essa é também uma questão crítica para o desenvolvimento das terapias com células-tronco no país. Se for compreendido que essas células são substâncias humanas cuja comercialização é vedada, a iniciativa privada não investirá no desenvolvimento das terapias celulares.
Por mais bacanas que as pesquisas nas universidades sejam, sem a iniciativa privada não sabemos como transformar os conhecimentos que geramos em produtos para a sociedade.

10.837 – Odontologia – Cientistas de Harvard criam novo método para regenerar dentes


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Dentadura vai ser coisa do passado:
Através de um novo método, eles conseguiram estimular o crescimento de dentes na arcada de quem os perdeu. E para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram um raio laser de baixa potência, que estimula a ativação de células-tronco dentárias. Estas, aos poucos, começam a formar a dentina, o tecido duro similar ao osso que fica sob o esmalte e que forma a maior parte da massa dentária.
Após expor as células-tronco ao laser por cinco minutos, o processo de cura começou dentro da boca, segundo o artigo que a universidade norte-americana publicou na revista Science Translational Medicine. Depois de doze semanas, a dentina tinha se formado por completo. A técnica revolucionária foi testada com sucesso em ratos de laboratório graças ao trabalho de uma equipe de cientistas mantida por especialistas da área de pesquisa odontológica do governo dos EUA. Eles esperam poder realizar o teste em humanos em breve.
O desafio atual consiste em conseguir regenerar outras partes do dente, como o esmalte, para, finalmente, substituir os tratamentos dentários atuais, caros e dolorosos. Indo mais longe ainda, os cientistas estão certos de que os resultados obtidos servirão de base para procedimentos como a cicatrização de feridas e a regeneração óssea, entre muitos outros.

10.773 – Japoneses fazem primeiro implante de células reprogramadas


Uma equipe de pesquisadores japoneses fez a primeira cirurgia com células-tronco reprogramadas para tratar um transtorno ocular que pode causar cegueira.
A operação usou as células iPS (células-tronco pluripotentes induzidas, na sigla em inglês). Essas células são obtidas a partir de células adultas que são “induzidas”, por manipulação genética, a retornar a um estágio embrionário. A partir daí, os cientistas as estimulam a se diferenciar para formar o tecido desejado, no caso, a retina –por isso são chamadas de pluripotentes.
A paciente é uma mulher de 70 anos, segundo a equipe liderada por Masayo Takahashi, diretora do Instituto Riken.
Ela tem um tipo de degeneração macular ligada à idade, principal causa de cegueira entre pessoas com mais de 55 anos em países industrializados.
Em 2012, o japonês Shinya Yamanaka e o britânico John Gurdon receberam o Nobel de medicina por criar o método que permite reprogramar células adultas em células-tronco.
O uso de células iPS não apresenta problemas éticos importantes, diferentemente do que ocorre com as células-tronco obtidas de embriões humanos, daí a vantagem do método.

10.698 – Oftalmologia – Células-tronco embrionárias para tratar perda de visão


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Pacientes com doenças graves nos olhos que receberam um transplante de células-tronco embrionárias para recuperar parte da visão toleraram bem o tratamento e não apresentaram efeitos adversos graves. É o que mostra um estudo publicado nesta recentemente na revista médica The Lancet. A pesquisa também sugere que a técnica é eficaz, uma vez que a maioria dos participantes relataram melhoras na visão.
Esses resultados fazem parte da segunda etapa da pesquisa. A primeira foi realizada para averiguar se o tratamento pode provocar efeitos adversos graves, como tumores. A nova fase foi conduzida com o objetivo de verificar se a técnica é segura a longo prazo e se o sistema imunológico do paciente rejeitaria o transplante, algo que preocupava os pesquisadores. As conclusões indicaram, pela primeira vez, que o tratamento não surte efeitos adversos mais sérios no paciente nos três anos seguintes ao transplante.
“As células-tronco embrionárias têm o potencial de se transformar em qualquer tipo de célula do corpo, mas o transplante delas era complicado pelo risco de problemas como rejeição do sistema imunológico”
A pesquisa foi feita com 18 adultos americanos que tinham dois tipos de degeneração macular – a degeneração relacionada à idade e a distrofia macular Stargardt, principais causas de perda de visão entre idosos e adolescentes, respectivamente. Não há tratamentos eficazes para essas doenças atualmente. Os pacientes receberam, no olho mais afetado pela doença, injeções contendo entre 50 000 e 150 000 células de pigmento do epitélio retinal (RPE) derivadas de células-tronco embrionárias para substituir as células danificadas.
Embora essa etapa da pesquisa não tenha sido feita para avaliar a eficácia da técnica, os pesquisadores observaram que a visão de 10 entre os 18 pacientes melhorou após o transplante. “Essas pessoas relataram melhora significativa na visão geral e periférica, assim como na capacidade de enxergar objetos de perto e de longe”, diz Robert Lanza.
Para que a eficácia do tratamento seja comprovada, os cientistas precisam realizar uma pesquisa de maior escala. A equipe planeja envolver mais de 100 pessoas com cada uma dessas duas doenças no próximo estudo.

10.680 – Células Tronco – Produtoras de insulina para tratar diabetes


células tronco

Uma nova técnica criada por cientistas da Universidade Harvard obteve células humanas produtoras de insulina em quantidade suficiente para serem, um dia, usadas em transplantes para tratar diabetes tipo 1.
Liderados por Doug Melton, cujos filhos têm a doença, os pesquisadores partiram de células-tronco embrionárias ou células-tronco de pluripotência induzida (que não requerem o uso de embriões) para obter células do pâncreas maduras e sensíveis à glicose, de modo a produzir a insulina necessária para o organismo.
Trabalhos anteriores já tinham conseguido fazer as chamadas células beta em laboratório, mas não com essa sensibilidade nem nos números necessários para uso em transplante, afirma a equipe em artigo na revista “Cell”.
As células, no entanto, só foram testadas em roedores. Segundo Melton, experimentos em primatas não humanos estão em andamento. Ele espera realizar transplantes das células em humanos em poucos anos.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, na qual o próprio organismo destrói as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir a insulina, que regula os níveis de glicose em circulação.
Os transplantes de células do pâncreas de doadores mortos já são usados em pequena escala, mas requerem o uso de remédios contra o ataque do sistema imune.
No caso das células obtidas pela equipe de Harvard, isso também seria necessário, mas a ideia é inserir cerca de 150 milhões delas no corpo dos doentes envoltas em uma cápsula, protegidas do ataque do sistema imune.

10.183 – Descoberta revelações sobre a logevidade humana em sangue de senhora de 115 anos


Um estudo celular realizado com o sangue da holandesa Hendrikje van Andel-Schipper, falecida em 2005, aos 115 anos de idade, revelou ser uma das ferramentas para a compreensão da longevidade.
Na verdade, Andel-Schipper não era apenas a pessoa mais idosa do mundo, porém a mais velha a doar seu corpo e órgãos para estudos científicos, o que permitiu que cientistas holandeses e norte-americanos pesquisassem diversos aspectos de sua história celular, especialmente, a das células sanguíneas.
Em 2011, seu genoma, que durante sua vida havia passado por mais de 400 mutações, foi cuidadosamente analisado e revelou um segredo aos cientistas. “Para nossa surpresa, descobrimos que no momento da morte, o sangue periférico vinha das duas únicas células tronco sanguíneas ativas”, comentou um membro da equipe”. “A medula óssea possui em torno de 11 mil células-tronco hepatopáticas, das quais 1.300 estão ativamente renovando nossas células sanguíneas. No caso de Hendrikje van Andel-Schipper, a maioria das células era derivada apenas de duas destas células estaminais.”
Isto indica que, à medida que envelhecemos, a reserva das células-tronco diminui até que todas as nossas células sejam clones de apenas umas poucas. Os pesquisadores destacaram que, grande parte das alterações ocorridas no sangue da holandesa ocorreram de forma inofensiva, permitindo que, no momento de sua morte, todas as funções vitais e mentais estivessem intactas.

10.141 – Cientistas obtêm células-tronco produtoras de insulina com clonagem


Na esteira dos laboratórios do Oregon e da Califórnia, que anunciaram ter criado embriões humanos clonando células de pessoas vivas, um laboratório de Nova York anunciou nesta segunda-feira, 28, ter feito isso e muito mais.
Além de clonar as células de uma mulher com diabetes e produzir embriões e células-tronco que são suas cópias genéticas perfeitas, os cientistas fizeram as células-tronco se transformarem em células capazes de secretar insulina.
Isso despertou esperanças de se realizar um sonho de longa data das pesquisas com células-tronco, a saber, criar células de reposição específicas para pacientes com diabetes, Mal de Parkinson, defeitos cardíacos e outras moléstias devastadoras.
Mas também deixou implícito que o que a Igreja Católica e defensores do direito à vida vêm alertando há tempos pode ser iminente: a criação científica de embriões humanos a pedido.
A trinca de sucessos “aumenta a probabilidade de que embriões humanos sejam produzidos para gerar terapia para um indivíduo específico”, disse o professor associado de bioética Insoo Hyun, da Universidade Escola de Medicina Case Western Reserve, em Cleveland, nos Estados Unidos. E “a criação de mais embriões humanos para experimentos científicos é certa”.
O progresso acelerado na pesquisa com células-tronco embrionárias começou em maio passado. Os cientistas, liderados por Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, relataram ter criado embriões humanos saudáveis nos primeiros estágios da vida – esferas ocas de cerca de 150 células – pela fusão de óvulos com células de um feto, em um experimento, e de uma criança em outro.
No início deste mês, cientistas do Instituto de Células Tronco CHA, em Seul, na Coreia do Sul, anunciaram ter obtido o mesmo feito com células de pele de dois homens adultos.
Em cada caso, os cientistas usaram uma versão da técnica que criou a ovelha Dolly em 1996, o primeiro clone de um mamífero adulto. Chamada de transferência somática de núcleo celular (Scnt, na sigla em inglês), a receita exige que se remova o DNA nuclear de um óvulo, fundindo-o com uma célula de uma pessoa viva e estimulando cada óvulo a começar a se dividir e multiplicar. O embrião resultante inclui células-tronco que podem se tornar qualquer tipo de célula humana.
Embora isso soe bastante simples, enormes obstáculos técnicos impediram os cientistas de obter Scnt humano durante mais de uma década de tentativas.
Agora que têm uma receita confiável, incluindo os nutrientes certos para manter os ovos e a cronometragem certa para começar sua divisão, eles têm “uma maneira reproduzível e confiável para criar células de reposição específicas para pacientes via clonagem”, disse o doutor Robert Lanza, cientista-chefe da Tecnologia Avançada de Células e co-autor da monografia do Instituto CHA.

9731 – Genética – Técnica simples para criar células-tronco


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Cientistas do Japão e dos EUA descobriram uma receita que parece ridiculamente simples para fazer com que células adultas voltem a um estado semelhante ao embrionário: basta aumentar um pouco a acidez do meio onde elas estão sendo cultivadas.
Poucas horas de exposição a um meio levemente ácido (pH de 5,5, enquanto o normal da água é 6) foi suficiente para “reprogramar” células dos mais diferentes tecidos de camundongos, do sangue ao fígado, relata a equipe liderada pela japonesa Haruko Obokata e pelo americano Charles Vacanti na revista científica “Nature”.
Essa conquista é um sonho antigo dos pesquisadores que estudam a chamada diferenciação celular, ou seja, o processo que faz com que uma única célula, a do óvulo fecundado, dê origem a uma miríade de tipos celulares especializados, com forma e função próprias.
Seria necessário apenas fazer uma biópsia de pele do paciente, por exemplo, e as células da epiderme seriam transformadas, em laboratório, nos tecidos “de reposição” necessários – sem riscos de rejeição, já que, do ponto de vista genético, elas seriam idênticas ao resto do corpo do paciente.
A reprogramação de células adultas já é rotineira hoje, mas os métodos atuais exigem a inserção, no DNA dessas células, de alguns genes a mais, sabidamente ligados à versatilidade (ou “pluripotência”, como dizem os biólogos) das células embrionárias.

Isso é visto como um empecilho para o uso das células reprogramadas em pessoas, já que há o temor de que o DNA extra possa afetar a estabilidade dessas células.
Para contornar esse problema, Obokata, que trabalha no Centro Riken de Biologia do Desenvolvimento, partiu do princípio de que esse tipo de reprogramação celular parece acontecer em células de plantas e de salamandras expostas a fatores estressantes, como a acidez.
Como forma de testar a ideia, ela usou células do sangue de camundongos transgênicos, cujo DNA foi modificado com a presença da receita para a produção da GFP, substância que dá um brilho verde fluorescente aos bichos.
A receita da produção da GFP foi “colada” a um gene que só fica ativo em células embrionárias ou reprogramadas. Ou seja, a proteína só “acenderia” se esse gene também fosse “ligado”, indicando que a reprogramação tinha dado certo.
Foi o que aconteceu quando as células foram expostas à acidez. Vários testes mostraram que elas eram capazes de assumir a função dos mais diversos tecidos do organismo. De início, os cientistas tiveram problemas para multiplicá-las em laboratório, mas o uso de um “caldo” especial destinado à nutrição de células embrionárias pareceu resolver essa questão.
“Se isso funcionar em seres humanos, será a descoberta capaz de virar o jogo e disponibilizar terapias celulares que usam as células do próprio paciente como ponto de partida”, declarou Chris Mason, chefe de medicina regenerativa do University College de Londres (Reino Unido).
Essa é a próxima grande pergunta: células humanas também reagirão dessa forma? Os cientistas também querem entender outro mistério: por que outras situações estressantes que as células enfrentam, dentro e fora do laboratório, aparentemente não são suficientes para desencadear o mesmo efeito.

9644 – Bê a bá da Genética


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Clonagem é um mecanismo comum de propagação da espécie em plantas ou bactérias. De acordo com Webber (1903), o clone é definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original e entre si.
Em humanos, clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um único óvulo fertilizado. A grande revolução que a Dolly provocou abriu caminho para a possibilidade de clonagem humana. Pela primeira vez, ficou patente que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir uma cópia geneticamente idêntica a partir de uma célula somática diferenciada. Para entendermos por que essa experiência foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia.
Todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo com um espermatozoide. Essa primeira célula já tem, em seu núcleo, o DNA com toda a informação genética necessária para gerar um novo ser. Nas células, o DNA fica extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exceção das nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozoide que têm 23 cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos. Em cada uma delas, existem 22 pares que são iguais nos dois sexos, os chamados autossomos, e um par de cromossomos sexuais : XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. As células com 46 cromossomos são chamadas células somáticas.

Voltemos agora a nossa primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozoide. Logo após a fecundação, ela começa a dividir-se: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de desenvolver-se num ser humano completo. Por isso, são chamadas de totipotentes. Na fase de 8 a 16 células, as células do embrião se diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas, que vão originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células internas que vai originar o embrião propriamente dito. Setenta e duas horas depois da fecundação, esse embrião agora com cerca de 100 células passa a ser chamado de blastocisto. É nessa fase que ocorre sua implantação na cavidade uterina. As células internas do blastocisto que vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano são chamadas de células-tronco embrionárias pluripotentes.

Num dado momento, porém, as células somáticas, que até então eram todas iguais, começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos, etc… Os genes que controlam essa diferenciação e o processo pelo qual isso ocorre ainda é um mistério.

O que sabemos é que, uma vez diferenciadas, as células somáticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As descendentes de uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado, células musculares vão originar células musculares e assim por diante. Apesar do número de genes e do DNA serem iguais em todas as células do nosso corpo, nas células somáticas diferenciadas, os genes se expressam de maneira diferente em cada tecido, isto é, a expressão gênica é específica para cada tecido. Com exceção dos genes responsáveis pela manutenção do metabolismo celular (“housekeeping genes”) que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para sua manutenção. Os outros se mantêm “silenciados” ou inativos.

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O PROCESSO DE CLONAGEM REPRODUTIVA

A grande notícia que a Dolly trouxe consigo foi justamente a descoberta de que uma célula somática de mamífero, já diferenciada, poderia ser reprogramada ao estágio inicial e voltar a ser totipotente. Isso foi conseguido transferindo o núcleo de uma célula somática da glândula mamária da ovelha que originou Dolly para um óvulo enucleado que, surpreendentemente, começou a comportar-se como um óvulo recém fecundado por um espermatozoide. Isso provavelmente ocorreu porque o óvulo, quando fecundado, tem mecanismos — para nós ainda desconhecidos – para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus genes novamente ativos, o que ocorre no processo normal de fertilização.

Para obtenção de um clone, o óvulo enucleado para o qual foi transferido o núcleo da célula somática foi inserido no útero de outra ovelha. No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o núcleo de uma célula somática, que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma criança ou de um adulto, inserir esse núcleo em um óvulo e implantá-lo num útero (que funcionaria como barriga de aluguel). Se esse óvulo conseguir desenvolver-se, teremos um novo ser com as mesmas características físicas da criança ou do adulto de quem foi retirada a célula somática. Seria como um gêmeo idêntico nascido posteriormente.

Já sabemos que não é um processo fácil. Dolly só nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram. Além disso, dentre as 277 células “da mãe de Dolly“ que foram inseridas num óvulo sem núcleo, 90% não alcançaram nem o estágio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros mamíferos, tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado, também tem mostrado eficiência muito baixa e proporção muito grande de abortos e embriões malformados. Penta, a primeira bezerra brasileira clonada a partir de uma célula somática adulta, em 2002, morreu com um pouco mais de um mês. Ainda em 2002, foi anunciada a clonagem do “copycat” o primeiro gato de estimação clonado a partir de uma célula somática adulta. Para isso, foram utilizados 188 óvulos que geraram 87 embriões e apenas um animal vivo. Na realidade, experiências recentes, com diferentes modelos animais têm mostrado que a reprogramação dos genes para o estágio embrionário, processo que originou Dolly, é extremamente difícil.

O grupo liderado por Ian Wilmut, cientista escocês que se tornou famoso por essa experiência, afirma que praticamente todos os animais clonados nos últimos anos a partir de células não embrionárias estão com problemas (Rhind , 2003). Entre os diferentes defeitos observados nos pouquíssimos animais que nasceram vivos após inúmeras tentativas, observam-se placentas anormais, gigantismo em ovelhas e gado, defeitos cardíacos em porcos, problemas pulmonares em vacas, ovelhas e porcos, problemas imunológicos, falha na produção de leucócitos, defeitos musculares em carneiros. De acordo com Hochedlinger e Jaenisch (2003), os avanços recentes em clonagem reprodutiva permitem quatro conclusões importantes: 1) a maioria dos clones morre no início da gestação; 2) os animais clonados têm defeitos e anormalidades semelhantes independentemente da célula doadora ou da espécie; 3) essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprogramação do genoma; 4) a eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação da célula doadora. De fato, a clonagem reprodutiva a partir de células embrionárias tem mostrado uma eficiência de 10 a 20 vezes maior provavelmente porque os genes que são fundamentais no início da embriogênese estão ainda ativos no genoma da célula doadora. (Hochedlinger e Jaenisch, 2003)

É interessante que, dentre todos os mamíferos que já foram clonados, a eficiência é um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro lado, um fato intrigante é que ainda não se tem notícia de macaco ou cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista inglesa Ann McLaren afirme que as falhas na reprogramação do núcleo somático possam constituir uma barreira intransponível para a clonagem humana.
Mesmo assim, pessoas como o médico italiano Antinori ou a seita dos raelianos defendem a clonagem humana, procedimento que tem sido proibido em todos os países. Na realidade, em documento assinado em 2003, as academias de ciências de 63 países, inclusive do Brasil, pedem o banimento da clonagem reprodutiva humana. O fato é que a simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discussões éticas em todos os segmentos da sociedade. Por que clonar? Quem deveria ser clonado ? Quem iria decidir? Quem será o pai ou a mãe do clone? O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?, são questões sempre em pauta.

Na verdade, o maior problema ético atual é o enorme risco biológico associado à clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa que discutir os prós e os contras da liberação de uma medicação nova, cujos efeitos são devastadores e ainda totalmente incontroláveis.

Apesar de todos os argumentos contra a clonagem humana reprodutiva, experiências com animais clonados têm-nos ensinado muito acerca do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferência de núcleo para fins terapêuticos, a chamada clonagem terapêutica, poderá ser extremamente útil para obtenção de células-tronco.

A TÉCNICA DE CLONAGEM TERAPÊUTICA PARA OBTENÇÃO DE CÉLULAS-TRONCO

Se pegarmos o óvulo cujo núcleo foi substituído pelo núcleo de uma célula somática e, em vez de inseri-lo em um útero, deixarmos que ele se divida no laboratório, teremos a possibilidade de usar essas células que, na fase de blastocisto, são pluripotentes, para fabricar diferentes tecidos. Isso abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido de onde foram retiradas. É importante que as pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados apenas tecidos, em laboratório, sem implantação do óvulo no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois retirar-lhe os órgãos, como alguns acreditam. Também não há por que chamar esse óvulo, após a transferência de núcleo, de embrião porque ele nunca terá esse destino.

Pesquisa publicada na revista Science, por um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col, 2004) confirmou a possibilidade de obter células-tronco pluripotentes a partir da técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos (TN). O trabalho foi feito graças a participação de 16 mulheres voluntárias que doaram ao todo 242 óvulos e células cumulus (células que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à clonagem terapêutica. As células cumulus, que já são diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais haviam sido retirados os núcleos. De todos eles, 25% conseguiram dividir-se e chegar ao estágio de blastocisto, portanto capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes.

A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para substituir o tecido cardíaco comprometido por um infarto. Entretanto, essa técnica tem limitações. No caso dos afetados por doenças genéticas, o doador não poderia ser a própria pessoa, pois a mutação patogênica causadora da doença está presente em todas as células. Usar linhagens de células-tronco embrionárias de outra pessoa pode provocar o problema da compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de um indivíduo afetado por distrofia muscular progressiva que necessita substituir tecido muscular.

Ele não poderia utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas teria de recorrer a um doador compatível, eventualmente, um parente próximo. Além disso, não sabemos se as células obtidas de uma pessoa idosa com doença de Alzheimer, por exemplo, uma vez clonadas, teriam a mesma idade do doador ou seriam células jovens. Outra questão em aberto seria a reprogramação dos genes que poderiam inviabilizar o processo, dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído.

Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por esse motivo, a curto prazo, a grande esperança para terapia celular vem da utilização de células-tronco de outras fontes.

TERAPIA CELULAR COM OUTRAS FONTES DE CÉLULAS-TRONCO

a) Indivíduos adultos

Existem células-tronco em vários tecidos (medula óssea, sangue, fígado) de crianças e adultos. Entretanto, a quantidade é pequena e não sabemos ainda em que tecidos são capazes de diferenciar-se. Pesquisas recentes mostraram que células-tronco retiradas da medula de indivíduos com problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo do seu coração, o que abre perspectivas fantásticas para o tratamento de problemas cardíacos. A maior limitação dessa técnica – autotransplante -, porém, é não servir para portadores de doenças genéticas.
É importante lembrar que as doenças genéticas afetam entre 3% e 4% das crianças que nascem, ou seja, mais de cinco milhões de brasileiros, se considerarmos uma população de 170 milhões de habitantes. É verdade que nem todas as doenças genéticas poderiam ser tratadas com células-tronco, mas, se pensarmos somente nas doenças neuromusculares degenerativas que afetam uma em cada mil pessoas, estaremos falando em quase 200.000 pacientes.

b) Cordão umbilical e placenta

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta são ricos em células-tronco. Entretanto, também não sabemos ainda qual é o potencial de diferenciação dessas células em diferentes tecidos. Se as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical derem os resultados esperados, isto é, se as células-tronco forem realmente capazes de regenerar tecidos ou órgãos, essa será certamente uma notícia fantástica, porque não envolve questões éticas. Ainda assim, porém, teremos de resolver o problema de compatibilidade entre as células-tronco do cordão doador e o receptor. Para tanto, será necessário criar, com a maior urgência, bancos de cordão públicos à semelhança dos bancos de sangue, porque se sabe que quanto maior o número de amostras de cordão em um banco, maior a chance de achar um doador compatível.

Experiências recentes já demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material para substituir a medula em casos de leucemia. Por isso, a criação dos bancos de cordão é prioridade que se justificaria somente pelo fato de servirem de base para o tratamento de doenças sanguíneas, mesmo antes de serem confirmados os resultados de outras pesquisas.

c) Células embrionárias

Se as células-tronco de cordão tiverem a potencialidade desejada, a alternativa será o uso de células-tronco embrionárias obtidas de embriões não utilizados e que são descartados em clínicas de fertilização. Opositores ao uso de células embrionárias para fins terapêuticos argumentam que isso poderia gerar um comércio de óvulos ou que “embriões humanos” seriam destruídos e não é ético destruir uma vida para salvar outra.

ASPECTOS ÉTICOS
Apesar desses argumentos, o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido por todos aqueles, e são muitos, que poderão beneficiar-se com a aplicação dessa técnica e pela maioria dos cientistas.
As 63 academias de ciência do mundo, que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva, defendem as pesquisas com células embrionárias para fins terapêuticos. Em relação aos que acham que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva, devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois procedimentos: a implantação e a não implantação em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero!

Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula da cutícula poderia ser colocado em um óvulo enucleado, inserido em um útero e gerar uma nova vida!
Por outro lado, a cultura de tecidos é prática comum em laboratório, apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos (quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder produzir apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de antiético nisso?
Quanto ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa do que já ocorre com o transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim? Cada um de nós pode fazer a si próprio esta pergunta: “Eu doaria um óvulo para ajudar alguém? Para salvar uma vida?”.
No que se refere à destruição de “embriões humanos”, novamente devemos lembrar que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir de embriões que são normalmente descartados e que nunca serão inseridos em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e inseridos num útero nas melhores condições possíveis não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.
Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo implantado em um útero, teria potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doença letal, na realidade não estamos criando vida? Isso não é comparável ao que se faz hoje nos transplantes, quando se retira os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa indefinidamente)?
É extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com células-tronco embrionárias antes de assumir uma posição contrária. Por outro lado, também não podemos acreditar que as células-tronco sejam capazes de curar todas as doenças humanas. As pesquisas que estão se iniciando agora serão fundamentais para responder inúmeras questões sobre o potencial das células-tronco adultas em comparação com o das embrionárias, sobre as doenças que poderão ser tratadas e quais serão os benefícios e riscos da terapia celular.

9462 – Medicina – Criado rim ‘em miniatura’ com células-tronco


Uma equipe de cientistas australianos conseguiu criar, a partir de células-tronco humanas, um rim. Em tamanho muito menor do que o de um adulto e com alguns aspectos simplificados, o rim poderá ser usado para testes de medicamentos novos e para o tratamento de doenças renais. A pesquisa que descreve a produção do órgão foi publicada neste domingo, no periódico Nature Cell Biology.
Segundo os pesquisadores, o rim se assemelha ao órgão que um embrião com cinco semanas de desenvolvimento teria. Para criá-lo, os especialistas submergiram as células-tronco em concentrações de moléculas denominadas fatores de crescimento, para guiá-las em um processo que imitava o desenvolvimento normal do órgão. “Tivemos que guiar as células através de todos os passos que estas normalmente adotariam durante seu desenvolvimento”, disse Melissa Little, pesquisadora da Universidade de Queensland, na Austrália, e principal autora do estudo, ao canal australiano ABC.
Inicialmente os cientistas buscavam produzir apenas um tipo de célula do rim, mas ao longo da pesquisa perceberam que conseguiam fazer as células-tronco se transformarem nos dois tipos principais de células necessárias para formar um rim. Assim, conseguiram que as células colocadas em um molde se organizassem por si mesmas para criar as complexas estruturas existentes no rim humano. “Conseguimos produzir um conjunto mais complexo de células e isto representa um grande avanço em termos do que foi feito até agora”, explicou Melissa.
A curto prazo, esta conquista pode ser útil em testes de novos remédios para doenças que afetam o rim e, mais adiante, pode ajudar também a melhorar tratamentos médicos específicos, mas os pesquisadores afirmam que ainda serão necessárias algumas décadas para que esta técnica possa ser utilizada para criar órgãos para transplante.

8981 – Medicina – Fio cirúrgico com células-tronco acelera a cicatrização de feridas


cicatrização

Para reparar feridas no intestino de cobaias, pesquisadores da Unicamp estão contando com a ajuda de “costureiras” microscópicas: as células-tronco mesenquimais.
Por meio de uma técnica complexa, patenteada pela universidade, eles descobriram como “colar” as células num fio de sutura cirúrgica.
As feridas costuradas com o fio especial cicatrizaram em 15 dias, quando o normal seria levar em torno de dez semanas. Por enquanto, a abordagem foi testada em ratos.
As células-tronco mesenquimais estão em diversas regiões do corpo, como cordão umbilical e camadas de gordura –nesse último caso, é fácil obtê-las durante uma lipoaspiração, por exemplo.
Ainda há dúvidas sobre a versatilidade desse tipo de célula. Sabe-se que elas dão origem a tecidos como osso e cartilagem e há indícios de que poderiam se transformar em músculos ou neurônios.
Testes iniciais mostraram resultados animadores para uma série de doenças, mas é possível que elas funcionem só como “suporte de vida” de órgãos lesados, produzindo substâncias que facilitem a cicatrização, por exemplo.
No caso das feridas intestinais estudadas, as fístulas (canal que une duas regiões que deveriam estar separadas), outros cientistas já tinham tentado amenizar a lesão aplicando células-tronco, sem grandes resultados.
Parece que o pulo do gato é o uso do fio especial para costurar a ferida. Volpe e sua orientadora acharam a receita correta para “colar” células vivas no fio, com a ajuda de uma substância chamada fibrina, e manter a proliferação delas antes da costura.
Outra vantagem da abordagem é que as células-tronco usadas em humanos seriam obtidas a partir do organismo do próprio doente, evitando a rejeição.
Não há datas para testes em pessoas, mas um alvo óbvio são as que têm doença de Crohn, problema com severos sintomas gastrointestinais e recuperação difícil.

8924 – Pela primeira vez, células-tronco embrionárias são criadas em um organismo vivo


Uma equipe de pesquisadores de Madri, na Espanha, foi a primeira a conseguir fazer células adultas em um ser vivo “voltarem no tempo” e recuperarem as características que tinham durante a fase embrionária. Com isso, eles criaram células-tronco embrionárias com uma capacidade de diferenciação ainda maior do que aquelas obtidas até hoje, por meio da cultura de células em laboratório. Em um exemplo prático, isso quer dizer que se as células-tronco originadas em laboratório até hoje podem dar origem a qualquer tecido do corpo, enquanto essas novas podem dar origem também à placenta. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature nesta quarta-feira.
As células-tronco embrionárias são de grande importância para a pesquisa em medicina regenerativa. Elas são capazes de se transformar em diversos tipos de células que compõem um organismo, e por isso são estudadas como uma possível cura para doenças como Alzheimer, Parkinson e diabetes — nas quais ocorrem danos ou perda de um determinado tipo de célula.
Essas células, no entanto, existem no organismo apenas durante um curto período, no início do desenvolvimento embrionário. Depois, elas se diferenciam — dando origem a um órgão, por exemplo — e perdem sua capacidade de gerar outros tipos de célula.
A equipe se baseou na descoberta de Shinya Yamanaka, pesquisador japonês que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 por seu trabalho com células-tronco. Em 2006, ele possibilitou um grande avanço nessa área, ao conseguir criar células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), um tipo de célula-tronco artificial. Criada a partir de uma célula adulta comum do organismo, ela imita as células embrionárias na capacidade de originar diversos tipos de célula. Esse processo foi possível ao “acionar” apenas quatro genes presentes no animal, mas que normalmente não se expressam em indivíduos adultos.
Os pesquisadores de Madri fizeram algo parecido, mas dessa vez as células foram criadas diretamente no interior do organismo de camundongos, e não na bancada do laboratório — um avanço importante para a medicina regenerativa. Eles utilizaram técnicas de manipulação genética para ativar os quatro genes de Yamanaka em camundongos, e observaram que as células adultas de diversos tecidos e órgãos foram capazes de “voltar atrás” em seu desenvolvimento e se tornar células-tronco embrionárias.
“Essa mudança de direção no desenvolvimento nunca foi observada na Natureza. Demonstramos que podemos obter células-tronco embrionárias também em organismos adultos, não só em laboratório”, afirma Maria Abad, principal autora do estudo e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer, na Espanha.
As células obtidas dessa forma têm uma capacidade de diferenciação ainda maior do que as células pluripotentes desenvolvidas por Yamanaka. Denominadas totipotentes, elas correspondem às células presentes em um embrião humano com 72 horas de desenvolvimento, quando ele é composto por apenas dezesseis células — já as iPSCs correspondem à células de um embrião com 120 horas. Elas também puderam ser retiradas dos animais e cultivadas em laboratório.
Apesar de se tratar de uma grande descoberta, os autores enfatizam que a possibilidade de aplicação terapêutica dessa técnica ainda está distante da realidade. “O próximo passo é estudar se essas novas células-tronco são capazes de gerar, de forma eficiente, diferentes tecidos, como o do pâncreas, rim ou fígado”.

8799 – Células- Tronco – Testes no Brasil


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O Brasil deve iniciar em breve seus primeiros testes com células-tronco embrionárias, segundo revelou um importante jornal de S.Paulo. O projeto, uma parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, vai avaliar a segurança da terapia com células-tronco em pacientes com degeneração macular relacionada à idade, a principal causa de cegueira em idosos.
A doença ocorre quando “restos celulares”, subprodutos das células, deixam de ser eliminados corretamente e vão se acumulando sobre a mácula, região localizada no centro da retina, que contém células fotorreceptoras e é responsável pela percepção dos detalhes. Os pesquisadores descobriram que as células-tronco embrionárias, que são capazes de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo, podem assumir com facilidade o papel das células do epitélio pigmentar, que é a região colada à retina responsável por eliminar esses “restos” de células.
A técnica poderá ser testada no país graças ao oftalmologista brasileiro Rodrigo Brant, da Unifesp, integrante do estudo feito na Califórnia que desenvolveu a terapia, além de um acordo entre o estado americano e o CNPq, órgão brasileiro de financiamento de pesquisas. Não serão utilizados, porém, células obtidas a partir de embriões descartados no Brasil.
A Unifest deverá recrutar 15 pacientes e submetê-los, no próximo ano, a um procedimento cirúrgico para a colocação dessas células no olho, com objetivo de avaliar a segurança do tratamento. Alguns testes com essas células já foram realizados nos Estados Unidos e, segundo Brant, estudos com animais feitos no Brasil apresentaram resultados animadores.
Detalhes do projeto serão anunciados em uma reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), que tem início nesta quarta-feira, na cidade de Caxambu, Minas Gerais.

8763 – Coração feito com células-tronco é capaz de bater sem ajuda de aparelhos


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Pela primeira vez, um coração feito em laboratório a partir de células humanas foi capaz de se contrair e apresentar batimento. Cientistas relataram o avanço em um estudo publicado, no periódico científico Nature Communications.
Um coração feito com células-tronco pluripotentes induzidas, obtidas a partir de células humanas da pele, e uma estrutura tridimensional resultante de um coração de camundongo que teve todas as células removidas apresentou batimento espontâneo em laboratório.
A equipe de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, Estados Unidos, criou o coração usando células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que são obtidas a partir de células humanas da pele e podem se transformar em qualquer tipo de célula, e uma estrutura tridimensional resultante de um coração de camundongo que teve todas as células removidas em laboratório.
As células-tronco pluripotentes foram tratadas em laboratório para se diferenciarem em células cardíacas progenitoras multipotentes (MCP), capazes de originar diferentes tipos de células que formam o coração. “Ninguém tinha tentado utilizar essas células para regeneração cardíaca antes. Nós descobrimos que a matriz extracelular do coração – material a partir do qual é feita a estrutura do coração – emite sinais que guiam as células MCP para que elas se tornem as células especializadas que são necessárias para o funcionamento correto do coração”, explica Lei Yang, professor de biologia do desenvolvimento na Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, e um dos autores do estudo.
Inseridas na estrutura tridimensional, composta de proteínas e carboidratos aos quais as células aderem, as células cresceram e originaram um músculo cardíaco. Após 20 dias sendo irrigado com sangue, o órgão reconstruído começou a se contrair novamente, a uma taxa de 40 a 50 batimentos por minuto.
Ainda é preciso, porém, encontrar formas para fazer o coração se contrair forte o suficiente para bombear sangue de forma eficaz e reconstruir o sistema de condução elétrica do coração — para um adulto, o ritmo cardíaco normal varia entre 60 e 100 batimentos por minuto. “Ainda estamos longe de fazer um coração humano completo. No entanto, nós oferecemos uma nova fonte de células — células MCPs derivadas de iPS — para a futura engenharia de tecido cardíaco”, afirma o pesquisador.

Benefícios práticos imediatos:
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 17 milhões de pessoas morram de problemas cardiovasculares todos os anos, a maioria vítima de doenças do coração. Yang acrescenta ainda que mais de metade dos pacientes com doenças cardíacas não respondem adequadamente às terapias existentes, e a quantidade de órgãos disponíveis para transplante não é suficiente.
“Um dos nossos objetivos futuros é estudar a possibilidade de criar um implante de músculo cardíaco humano. Nós poderíamos usá-lo para substituir uma região danificada por um ataque cardíaco. Isso pode ser mais fácil de conseguir, porque não vão ser necessárias tantas células quanto um coração completo precisaria”.

8605 – Nova técnica para criar células-tronco


Cientistas do Centro de Medicina Regenerativa, em Barcelona, desenvolveram uma nova técnica para criar células-tronco. Os pesquisadores descobriram novos genes que podem ser alterados em células adultas comuns de modo a torná-las capazes de se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo humano. Isso pode, no futuro, ajudar no desenvolvimento da medicina regenerativa: a substituição de tecidos danificados por células criadas em laboratório.
Os pesquisadores descobriram um novo modo de produzir células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), que envolve a alteração de genes responsáveis pela diferenciação celular.
As pesquisas mais importantes nesse campo são feitas usando as células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), que podem ser criadas a partir de alterações no DNA de células comuns do próprio paciente, eliminando o risco de rejeição imunológica. A fórmula clássica usada para produzir essas iPSCs segue uma receita rigorosa, com poucas variações para aplicação médica. Os pesquisadores anunciaram nesta quinta-feira, na revista Cell Stem Cell, a criação de iPSCs por um novo método, aumentando a possibilidade de uso clínico da técnica.
Existem dois tipos de células-tronco: as células-tronco embrionárias, que são as células presentes nos embriões humanos, que ainda não se diferenciaram em nenhum tipo de tecido, e as iPSCs, células maduras que foram reprogramadas geneticamente para voltar a um estado semelhante ao embrionário. Desde que o pesquisador japonês Shinya Yamanaka descobriu, em 2006, a técnica para produzir iPSCs — o que lhe rendeu o Prêmio Nobel do ano passado —, a maioria dos cientistas usa esse tipo de célula em suas pesquisas.
A receita de Yamanaka leva em conta a alteração de quatro genes para reprogramar as células maduras. A nova pesquisa descreve uma nova abordagem, na qual a pluripotência pode ser induzida por meio de alterações em outros sete genes.
Os novos genes alterados pelos pesquisadores são aqueles responsáveis por produzir proteínas responsáveis por iniciar o processo que leva uma célula-tronco a se diferenciar para formar os vários tecidos do corpo humano. “Nós mostramos que a pluripotência pode ser um estado funcional da célula”, diz Juan Carlos Izpisua Belmonte, pesquisador do Instituto Salk, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
Segundo os pesquisadores, o mais importante é que pela primeira vez um estudo com seres humanos conseguiu deixar de usar um gene dos genes utilizados na receita original de Shinya Yamanaka: o Oct4. Os outros três genes já haviam sido substituídos em pesquisa anteriores, mas o Oct 4 só havia sido substituído em ratos — o que tornava aparentemente indispensável para a reprogramação de células humanas.
Os cientistas destacam que seu trabalho deve ajudar a superar o que eles apontam como um dos maiores obstáculos para a adoção de tratamentos com células-tronco: como os quatro genes selecionados por Yamanaka poderiam estar relacionados ao câncer, a terapia poderia levar ao surgimento de tumores. Outros pesquisadores afirmam, no entanto, que esse problema já foi superado nas pesquisas mais recentes com iPSCs. De qualquer forma, o novo método pode ajudar os pesquisadores a compreenderem melhor como funciona uma célula-tronco e acelerar sua adoção em tratamentos médicos.

Glossário
CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, as células-tronco podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Dada essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos.

CÉLULA-TRONCO EMBRIONÁRIA
Formada no blastocisto, aglomerado de células que forma o feto. Por ter o ‘objetivo’ de ajudar na criação e desenvolvimento de um novo organismo, pode se diferenciar em praticamente todos os tecidos do corpo

CÉLULA-TRONCO PLURIPOTENTE INDUZIDA
Célula adulta especializada que foi reprogramada geneticamente para o estágio de célula-tronco embrionária. Assim, ela pode se transformar em praticamente todos os tecido do corpo.

8601 – Japão autoriza primeiros testes clínicos com células-tronco pluripotentes induzidas


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O Ministério da Saúde do Japão anunciou nesta sexta-feira a autorização para os primeiros testes clínicos utilizando células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). É a primeira vez em todo o mundo que esse tipo de estudo é liberado em seres humanos.
As iPSCs são criadas a partir de células adultas comuns, e reprogramadas geneticamente para atingir um estado semelhante ao das células-tronco embrionárias. A partir de apenas quatro alterações em seu DNA, elas se tornam capazes de se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo humano.
Os testes liberados pelo governo japonês têm como objetivo tratar pacientes com degeneração macular, uma doença que normalmente atinge pessoas com mais de 55 anos, deteriorando sua retina e podendo levar à cegueira. Os pesquisadores japoneses propõem usar iPSCs para cultivar novas células da retina desses pacientes — livres dos danos causados pela doença — e implantá-las de volta em seus olhos.
No ano passado, o pesquisador japonês Shinya Yamanaka e o britânico John Gurdon receberam o Prêmio Nobel de Medicina por terem concebido o método que permite reprogramar células adultas para transformá-las em iPSCs, um procedimento que foi considerado chave para dar início à medicina regenerativa. A técnica, no entanto, ficou restrita aos laboratórios. Até agora, as únicas pesquisas realizadas em seres humanos haviam utilizado células-tronco embrionárias, que são menos versáteis e enfrentam forte oposição de grupos religiosos.
Com o anúncio do governo japonês, os pesquisadores podem ter dado um passo decisivo para a aplicação clínica das iPSCs. “As células-tronco pluripotentes induzidas surgiram em 2006. É incrível que tão pouco tempo depois, elas já estejam prontas para serem testadas em humanos. Isso mostra o quão rápido essa área está se desenvolvendo”, diz Lygia da Veiga Pereira, geneticista e diretora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da USP.

Glossário:
CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, as células-tronco podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Dada essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

CÉLULA-TRONCO EMBRIONÁRIA
Formada no blastocisto, aglomerado de células que forma o feto. Por ter o ‘objetivo’ de ajudar na criação e desenvolvimento de um novo organismo, pode se diferenciar em praticamente todos os tecidos do corpo

CÉLULA-TRONCO PLURIPOTENTE INDUZIDA
Célula adulta especializada que foi reprogramada geneticamente para o estágio de uma célula-tronco embrionária. Pode se transformar em qualquer tecido do corpo. Uma célula somática (não envolvida diretamente na reprodução), como a da pele, pode “voltar” a um estágio similar ao de célula-tronco embrionária pela adição de alguns genes.

8532 – Japoneses criam fígado de laboratório para uso em transplante


Cientistas japoneses conseguiram recriar pela primeira vez em laboratório um fígado funcional usando células reprogramadas. O órgão humano em fase precoce de desenvolvimento foi então implantado em camundongos com falência hepática, que apresentaram melhora.
A técnica, descrita em estudo na edição desta semana da revista “Nature”, foi desenvolvida por Takanori Takebe, da Universidade da Cidade de Yokohama. O fígado foi construído a partir de células de pluripotência induzida (conhecidas como iPS), reprogramadas para se tornarem tão versáteis quanto células-tronco embrionárias.
Elas foram então tratadas para se tornarem hepatócitos, as células operacionais do fígado. E, após serem misturadas a dois tipos de células embrionárias de vasos sanguíneos, começaram a se transformar espontaneamente em pequenos “brotos” de fígado.
Se o plano dos cientistas der certo, o material pode um dia ser usado no lugar de fígados humanos transplantados para doentes graves.
O que Takebe obteve em laboratório foram pequenos brotos hepáticos, estruturas que são essencialmente fígados em fase embrionária. Implantados na cavidade abdominal de camundongos doentes, eles colonizaram lacunas no órgão danificado e restauraram a função hepática dos animais.
No experimento, cada camundongo recebeu 12 brotos hepáticos de 4,5 mm cada. Adaptar a técnica para uso em humanos, porém, será mais difícil, pois a ideia é produzir brotos microscópicos que possam ser injetados no sangue. Dessa forma, eles migrariam espontaneamente para o fígado, num procedimento menos invasivo.
“O que consideramos para aplicação clínica é criar dezenas de milhares de brotos hepáticos in vitro, mas isso não está a nosso alcance ainda”, disse Takebe ontem em entrevista por teleconferência. “Precisamos criar um sistema de ponta para cultivar em grande escala os brotos hepáticos derivados de células iPS. Isso deve levar uns cinco ou seis anos.”
Mesmo que tudo corra bem, diz o cientista, o primeiro teste clínico da técnica em humanos deve ocorrer só daqui a cerca de dez anos.
Além de conseguirem tratar camundongos com falência hepática, os cientistas conseguiram comprovar que os brotos de laboratório, produzidos a partir de células humanas, estavam mesmo se comportando como fígados humanos, e não de roedores.
Isso foi feito numa etapa anterior, na qual os implantes era colocados no cérebro dos animais. O procedimento um tanto quanto bizarro foi necessário para que os cientistas tivessem fácil acesso aos brotos hepáticos para verificar se ele estavam produzindo as proteínas certas, como a albumina.

fígado

COQUETEL DE CÉLULAS
O segredo dos japoneses para recriar fígados em laboratório foi usar o “coquetel de células” correto para que o broto hepático se organizasse espontaneamente.
Outros cientistas, que vinham tentando criar órgãos apenas com hepatócitos derivados de células-tronco, não vinham tendo sucesso. No caso do fígado, os dois ingredientes que faltavam eram o tecido de veias de cordão umbilical e as células-tronco mesenquimais (outro tipo de material embrionário).
Segundo Takebe, a mesma técnica deve dar certo para criar também pâncreas, rins e pulmões em laboratório. “Já estamos tentando aplicar essa técnica de auto-organização à formação do pâncreas, e estamos tendo bons resultados”, diz o cientista.

8519 – Nos EUA, transplante de células-tronco pode ter curado dois pacientes com HIV


Este micro vilão mutante pode estar com os dias contados
Este micro vilão mutante pode estar com os dias contados

Transplante foi feito em dois homens infectados pelo vírus da aids para tratar um linfoma. Hoje, eles não apresentam níveis detectáveis de HIV no sangue, embora estejam há alguns meses sem tomar remédios que controlam a infecção.
Um transplante de células-tronco parece ter eliminado o vírus HIV em dois homens infectados e que há tempos faziam uso de medicamentos para controlar a doença. O transplante, junto à quimioterapia, foi realizado em Boston, Estados Unidos, após ambos os pacientes serem diagnosticados com linfoma, um tipo de câncer de sangue. Depois do procedimento, os médicos não conseguiram encontrar nenhuma evidência de que o HIV ainda estivesse presente no corpo desses homens. O caso dos pacientes foi anunciado nesta quarta-feira durante uma conferência da Sociedade Internacional de Aids, na Malásia.
Um dos transplantes foi realizado há cinco anos e o outro, há três anos. Segundo Timothy Henrich, médico da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard e do Hospital Brigham and Women’s, Estados Unidos, que participou do caso, o primeiro paciente está livre dos antirretrovirais há 15 semanas e o segundo, há sete semanas.
Ele acredita que ainda é cedo, porém, para dizer com certeza que o vírus foi definitivamente eliminado do organismo dos pacientes. A confirmação da cura só poderá ser obtida após os pacientes serem acompanhados por ao menos um ano, já que o vírus pode estar “escondido” no corpo.
Os médicos haviam relatado o caso desses homens pela primeira vez em julho do ano passado. Na época, o tratamento com células-tronco já havia sido feito, os pacientes já não apresentavam níveis detectáveis de HIV na corrente sanguínea, mas eles ainda tomavam antirretrovirais para controlar a infecção.

Cautela
Apesar dos resultados positivos, os especialistas não veem a terapia com células-tronco como uma forma viável de tratar absolutamente todos os pacientes infectados pelo vírus da aids, já que tal tratamento é muito caro e complexo. “Porém, esses casos podem nos levar a novas abordagens para tratar e até a erradicar o HIV”, disse, em comunicado, Kevin Robert Frost, diretor da Fundação para Pesquisa em Aids (amFar).

O paciente de Berlim
No fim de 2010, o americano Timothy Ray Brown, até então infectado pelo vírus HIV, deixou de apresentar o vírus no sangue depois de se submeter a um transplante de medula, realizado para tratar uma leucemia. O médico Gero Huetter selecionou um doador que, além de compatível com Brown, apresentava uma mutação do CCR5, que é a proteína que permite a entrada HIV nas células de defesa do nosso organismo. Sem ela, não há como o vírus infectar uma pessoa. Três anos após o procedimento, Brown deixou de apresentar o vírus no sangue, sem mesmo utilizar o coquetel antirretroviral. A notícia chamou a atenção de todos, mas os médicos ainda não consideram realizar transplante de medula em pacientes soropositivos uma vez que vez que o procedimento é muito arriscado.

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Os novos casos apresentados, porém, possuem diferenças em relação à história de Brown — uma delas é o fato de os dois homens não terem recebido células-tronco com a mutação da proteína CCR5.
Se esses dois homens de Boston se mantiverem saudáveis, eles serão o terceiro e o quarto paciente no mundo a serem curados do HIV. O primeiro foi Brown e o segundo, uma criança de Mississippi que foi submetida à terapia antirretroviral logo após seu nascimento. “O doutor Henrich está traçando um novo caminho para a pesquisa em erradicação do HIV. Independentemente do resultado, nós aprendemos mais sobre o que é preciso para curar o HIV”.

8385 – Mega Notícias – Clonagem


O coreano Woo Suk Hwang e seus colegas, que já haviam clonado um embrião humano em 2004, apresentaram mais 11 clones. A ideia, porém, não é produzir cópias de humanos, mas utilizar os embriões como fonte de células-tronco, capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo, de neurônios a músculos. É por isso que eles foram desenvolvidos com material genético de pessoas com lesões na medula espinhal, diabetes tipo 1 e CGH (uma doença grave do sistema imunológico). Por terem o DNA idêntico ao dos doentes, essas células-tronco poderiam, em tese, regenerar os tecidos dos pacientes. Hwang provou que isso é possível, mas resta um longo caminho até que a idéia vire realidade. De quebra, a equipe de Seul anunciou a clonagem do primeiro cão, um galgo afegão apelidado de Snuppy.