12.346 – Arqueologia – Forte, alto e morto há 1400 anos


Como se não fosse surpresa suficiente achar o esqueleto de um cavalo enterrado há 1 milênio e meio, com suas rédeas e ornamentos, tudo bem conservado, a equipe de arqueólogos liderada pela inglesa Joanna Caruth ainda topou com o dono do animal, que havia sido sepultado junto à montaria. Sobre os ossos dos braços e do peito, ele tinha peças de metal – provavelmente restos de sua lança, seu escudo e sua espada. A conclusão dos especialistas é que se tratava de um típico guerreiro anglo-saxão do século VI. O achado ocorreu na cidade de Lakenheat, sudeste da Inglaterra, numa área que já foi um cemitério. A reconstituição do cavaleiro e sua cavalgadura revelou um cidadão de 30 anos de idade, robusto, com 1,78 metro de altura – alto para a época. O cavalo é que mereceu risos dos pesquisadores: muito bem enfeitado, com acessórios de bronze e prata, era nanico, pouco maior que um pônei.

9208 – Curiosidades – Cavalo dorme em pé?


Sim, mas eles só conseguem fazer isso porque possuem ligamentos especiais – chamados suspensores do boleto -, capazes de fixar as articulações das pernas, impedindo-as de se dobrarem enquanto estão dormindo. “Esse sistema de travamento permite ao animal ficar solidamente em pé, com um gasto mínimo de energia”, diz um veterinário da Federação Equestre Internacional (FEI). Isso, porém, não impede o cavalo de dormir deitado. Segundo os especialistas, dormir em pé é uma forma de defesa do animal, que, assim, estaria pronto para escapar diante de qualquer ameaça. Por isso, ele só se deita para dormir quando sente que está num lugar seguro. O curioso é que o cavalo só dorme em pé durante as duas primeiras fases do sono, mais superficiais.
Para sonhar, ele precisa entrar no sono profundo, também chamado REM (de Rapid Eyes Moviment, ou movimento rápido dos olhos). Nessa etapa, todos os músculos, inclusive os das pernas, devem estar relaxados. O animal, então, se deita sobre um dos lados do corpo, com a cabeça encostada no chão.
O suspensor do boleto é um ligamento especial que funciona como uma trava. Graças a ele, o cavalo consegue dormir em pé.

8364 – Biologia – Cavalo: Ar condicionado para os neurônios


Depois de horas de galope, o sangue de um cavalo esquenta um bocado. Teoricamente, tanto calor poderia danificar as células do cérebro do bicho. Mas uma nova pesquisa revelou que o equino evita o superaquecimento dos neurônios com um curioso sistema de refrigeração, feito de bolsas de ar (veja infográfico). Para chegar a essa conclusão, cientistas dinamarqueses e canadenses implantaram pequenos termômetros nas artérias carótidas dos animais antes e depois da passagem delas pelas bolsas. Perceberam que, ao atravessar os sacos de ar, o sangue esfria até 2 graus Celsius e pode alcançar o cérebro sem causar dano. Esse ar-condicionado não é privilégio dos cavalos. Outros animais, como pequenos morcegos, usam o mesmo mecanismo para abaixar a temperatura do sangue.

Vejamos como funciona o sistema de refrigeração dos cavalos.
Depois de mais de 1 hora de exercício, o sangue na cabeça do animal pode atingir até 46 graus Celsius.
Ele é resfriado por bolsas de ar capazes de reter até 0,5 litro de ar fresco.
Depois da passagem, o sangue da artéria segue para o cérebro até 2 graus Celsius mais frio.

7428 – Ainda existem cavalos selvagens?


A única espécie ainda existente dos antigos cavalos selvagens, que por milhares de anos habitaram a Terra, é o cavalo de Przewalski (Equus przewalski). Ele habitava as isoladas montanhas da Mongólia, na Ásia, e só foi descoberto por volta de 1870 pelo explorador russo Nikolai Przewalski. Ao contrário das outras raças, que passaram a ser domadas há mais de 5 mil anos, esse animal nunca sofreu domesticação. Comparado ao cavalo comum, o de Przewalski é mais baixo – mede entre 1,22 e 1,47 metro de altura contra 1,50 a 1,60 metro das outras espécies. Em meados do século XX, esse animal raríssimo quase foi dizimado por caçadores interessados em sua carne, mas grupos preservacionistas europeus conseguiram evitar o pior. Um acordo entre entidades ambientalistas, com o World Wildlife Fund (WWF) à frente, e o Parque Nacional de Cévennes, no sul da França, criou o projeto Takh – palavra da língua mongol que significa exatamente “cavalo selvagem”.
Graças ao projeto, centenas de cavalos de Przewalski foram levados para o parque francês, onde são mantidos numa área de 300 hectares, sem o menor contato com humanos e nas condições mais naturais possíveis. A intenção dos ambientalistas é um dia poder reintroduzi-los em seu hábitat natural.

5208 – Biologia – Primeira mãe de todos os cavalos viveu há 140 mil anos


A “Eva égua”, a primeira mãe de todos os cavalos de hoje, viveu há cerca de 140 mil anos. Mas não se trata de um relato bíblico agora descoberto, mas sim de pesquisa com material genético que indicou que essa é a data provável da raiz do que os pesquisadores chamaram de mitogenoma ancestral de égua –a “Eva equina”.
O motivo é simples. O material genético, hereditário, dos seres vivos é uma mistura de parte de pai, parte de mãe. Esse material genético na forma de DNA fica no núcleo das células do corpo.
Mas, além do DNA nuclear, existe um que é transmitido na maior parte das espécies apenas pela mãe. Ele fica em um pequeno órgão celular chamado mitocôndria, uma “fabriqueta” de energia.
O genoma mitocondrial, por não apresentar a “recombinação” de genes de pais e mães, permite ter uma visão mais precisa do relacionamento evolutivo dos seres vivos e mesmo daquele dentro de uma mesma espécie.
Uma equipe internacional de 22 pesquisadores liderada por Antonio Torroni, da Universidade de Pavia, e Alessandro Achilli, da Universidade de Perugia, Itália, incluindo pesquisadores de Portugal, EUA, Síria, Irã e Alemanha, publicou os resultados na edição de hoje da “PNAS”, a revista científica da Academia de Ciências dos Estados Unidos.
A edição do texto costuma ser feita por um membro da academia e, desta vez, isso foi feito pelo brasileiro Francisco Mauro Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Não se trata de mera curiosidade científica. Como lembraram os autores na “PNAS”, “a agricultura e a domesticação animal foram passos fundamentais no desenvolvimento humano, contribuindo para o surgimento de povoações maiores, sociedades mais estratificadas e grandes civilizações”.
Qual o papel do cavalo nessa história? “O cavalo serviu como um meio de prover comida, facilitar o transporte, e (desde a Era do Bronze) aperfeiçoar as capacidades de fazer guerra”.
Os rebanhos atuais de bois e ovelhas derivam de alguns poucos animais domesticados em poucos lugares entre 10 mil e 8.000 anos atrás. Já a domesticação do cavalo, feita entre 7.000 e 6.000 anos atrás, deve ter ocorrido em vários pontos da Eurásia Central. Segundo os pesquisadores, os dados, no futuro, podem ser usados, por exemplo, para ajudar a determinar a pureza das raças.