8121 – Botânica – O que é “Vassoura-de Bruxa?


Vassoura-de-bruxa
O termo vassoura-de-bruxa é aplicado a um tipo de doença ou sintoma de doença de plantas em que ocorre um desenvolvimento anormal do tecido meristemático ou superbrotamento. Embora a vassoura-de-bruxa ocorra em muitas espécies de plantas de famílias diferentes e possa ser causado por diversos tipos de patógenos (vírus, fitoplasmas ou fungos), a mais conhecida dentre elas é a que afeta o cacaueiro. A Vassoura-de-bruxa do cacaueiro é uma doença dos cacaueiros causada por um fungo basidiomiceto Moniliophtora perniciosa Stahel Aime & Phillips-Mora. É uma das doenças de maior impacto econômico nos países produtores de cacau da América do Sul e das ilhas do Caribe. M. perniciosa ataca as regiões meristemáticas do cacaueiro, principalmente frutos, brotos e almofadas florais, ocasionando queda acentuada na produção, provocando o desenvolvimento anormal, seguido de morte, das partes infectadas.
Atualmente, a doença constitui o maior problema fitopatológico do estado da Bahia e, talvez, do Brasil. A doença é originária da bacia amazônica e só foi detectada no sul da Bahia (Microrregião de Ilhéus-Itabuna) em 1989. De 1991 para 2000 o Brasil teve sua produção anual reduzida de 320,5 mil toneladas para 191,1 mil toneladas, caindo a sua participação no mercado internacional de 14,8% para 4%. Esse quadro, associado aos baixos preços do produto praticados no momento da introdução da doença, tem fragilizado consideravelmente a situação sócio-econômica e o equilíbrio ecológico das regiões produtoras do cacau no país, onde cerca de 2,5 milhões de pessoas dependem dessa atividade [1]. Este problema atinge o Brasil como um todo ao afetar toda a cadeia produtiva de cacau. Devido à drástica redução na produção de cacau, o Brasil hoje deve importar este produto para assim suprir sua demanda interna, incrementando os custos de produção de chocolate e aumentando os riscos de ingresso de outras doenças.

Devido à grande importância econômica da vassoura-de-bruxa, numerosos esforços têm sido envidados na tentativa de estabelecer um plano de controle efetivo e economicamente viável para esta doença. Destas estratégias de controle, a considerada como mais promissora é o plantio de mudas resistentes à doença, prática que vem sendo largamente adotada no sul da Bahia. Porém, no Equador demonstrou-se que variedades resistentes podem tornar-se suscetíveis ao longo de várias gerações e um estudo recente demonstrou que a variabilidade genética de M. perniciosa na Bahia é muito baixa quando comparada àquela encontrada na região amazônica, mostrando apenas a existência de dois genótipos do patógeno na Bahia; estes resultados indicam que estes clones resistentes podem ser muito sensíveis a novas introduções do fungo provenientes da Amazônia. Além disso, o cacau apresenta problema de incompatibilidade sexual. Com a clonagem, tem sido uma observação recorrente no sul da Bahia a existência de plantas com forte floração, mas que não frutificam. Em conjunção com esse fato, muitos dos clones distribuídos não apresentam as qualidades agronômicas ideais para o plantio, tendo sido a sua seleção feita baseada apenas na resistência à doença.
Com esse objetivo foi lançado um Programa do de sequenciação do Genoma da Vassoura-de-Bruxa. Este programa visa coordenar um conjunto de pesquisas de diferentes áreas, como biologia celular, morfologia, bioquímica, fisiologia vegetal e genética molecular, tendo os diversos pesquisadores envolvidos o apoio de um banco de dados de seqüências genômicas e de cDNA do fungo.
Detalhes do ciclo da doença Vassoura de Bruxa
M. perniciosa é um fungo hemibiotrófico (ataca células vivas, porém pode se desenvolver e reproduzir após a morte dos tecidos atacados), com dois tipos de micélio: o biotrófico (parasítico) e o necrotrófico (saprotrófico). O ciclo de vida do fungo começa quando os basidiósporos germinam sobre a cutícula e a base dos tricomas da planta. A penetração pode ser pelo estômato, tecidos lesados ou pela penetração direta sem que haja a formação de apressórios. Estes tubos germinativos penetram unicamente em tecidos meristemáticos formando um micélio uninuclear e haplóide que invade os espaços intercelulares do tecido com hifas relativamente grossas (5-20 um), irregulares, monocarióticas e com ausência de grampos de conexão.
A infecção pelo fungo provoca superbrotações resultantes da perda de dominância apical, as quais formam ramos anormais conhecidos como vassouras verdes, assim como anomalias nos frutos e almofadas florais.Foi demonstrado em estudos citológicos que a dicariotização ocorre em hifas monocarióticas derivadas de um único basidiósporo uninucleado, evidenciando a natureza homotálica (autofértil) de M. perniciosa. O crescimento de M. perniciosa dicariotizado dá origem a um micélio de fase secundária (saprotrófico), no qual as hifas são mais finas e apresentam grampos de conexão. Nesta fase, M. perniciosa causa necrose, apodrecimento e morte dos tecidos afetados da planta, formando assim as vassouras secas. Unicamente nesta fase da vida do fungo, e após um período de seca aparecem os basidiomas, os quais produzem numerosos esporos que disseminam cada vez mais a doença. As condições climáticas do Estado da Bahia, com períodos intermitentes de seca e umidade, favorecem a produção de esporos durante o ano todo.

8115 – Nutrição – O Cacau


cacau

O cacaueiro (Theobroma cacao) é a árvore que dá origem ao fruto chamado cacau. É da família Malvaceae e sua origem é América Central e Brasil. Pode atingir até 6 metros de altura e possui duas fases de produção: temporão (março a agosto) e safra (setembro a fevereiro). O cacau é a principal matéria-prima do chocolate.
É do cacau que se faz o chocolate através da moagem das suas amêndoas secas em processo industrial ou caseiro. Outros subprodutos do cacau incluem sua polpa, suco, geleia, destilados finos e sorvete.
O termo “Cacau”, já foi sinônimo de prosperidade “Capital” e Investimento, no Brasil de aproximadamente 1808, quando a Família Imperial Portuguesa, com o reinado de Maria I veio para o Brasil e começou sua exploração científica – industrial da época, para exportação e financiar o chamado “Baluarte Brasileiro, contra Napoleão Bonaparte, até aproximadamente 1930. Nessa data, quando apareceu uma praga chamada de “Vassoura de Bruxa”, que descapitalizou à chamada “indústria do Cacau” Brasileira. Muitas pesquisas se fizeram para debelar a tal de “Vassoura”, até que a denominada atualmente de “Embrapa”(uma empresa que teve seus primórdios naquela data por iniciativa de Getúlio Vargas), na cidade do Rio de Janeiro apresentou seus resultados positivos, que desenvolvem à Indústria do Chocolate do Brasil com diversas plantações de Cacau modificados através de Enxertias e Fábricas de Chocolates por todo o Brasil. Mas tudo isso tem um preço, segundo os antigos, a chamada “Nobreza Brasileira”, antigos proprietários de plantações de antes de 1930, informam que tem saudades daquele tempo, em Ilhéus, um dos principais produtores de antes de 1930. Pois dizem esses “representantes da Nobreza Brasileira” que o Chocolate, a planta, antes da ação da atual Embrapa, tinha um sabor aPimentado. Alguns restaurantes da Bahia e do Brasil, como no Rio Grande do Sul, costumam acrescentar Pimenta aos produtos de Chocolates. É uma tradição antiga e dizem que as primeiras mudas do México tinham esse sabor, apimentado.
O cacau era considerado pela civilização maia por ser uma fruta apimentada, que deveria ser comida com “parcimônia e elegância”, devido à Pimenta, de seu sabor; e era dada para isso, diretamente pelos deuses aos homens, geralmente era consumida antes de Cristóvão Colombo, apenas pelos Sacerdotes da e para a Entidade Sol. E, de tão importante, virou até moeda de troca o “Cacau” ou “Solaris(outro nome da mesma Moeda). Nessa época, no Brasil, primeiramente e depois com a exportação, a partir de 1808, para toda a América Latina, pois Maria I de Portugal, Brasil e Além-Mar aceirava essa “Quase – moeda”, o “Cacau” e/ou “Solaris(Casa do Sol), como Crédito. Não se fazia do cacau o que conhecemos hoje como Chocolate. Era feita uma bebida de sabor amargo – apimentado, com as sementes torradas e moídas misturadas com água, semelhante ao preparo do cafezinho, da forma de Colombo(Cristóvão Colombo), que muitas vezes acrescentava o Café à bebida apimentada sagrada dos Mexicanos. Atualmente, segundo estudiosos é que se acrescenta a pimenta, para voltar ao sabor de antigamente.
Atualmente, enquanto o chocolate movimenta globalmente uma economia de 60 bilhões de dólares/ano, os produtores de cacau ficam apenas com 3,3% da renda gerada.
No Brasil, ele foi cultivado primeiramente na Amazônia, onde já existia em estado natural, próximo ao clima do México, devido ao Rio Amazonas. Depois, pelo Rio Amazonas, passou para o Pará e pelo Mar, chegou finalmente à Bahia, onde melhor se adaptou ao solo e ao ambiente Marinho, e causou o chamado “Boom” da época de 1930.
O Estado da Bahia produz atualmente cerca de 95% do cacau do Brasil (país cuja produção corresponde a mais ou menos 5% da mundial, sendo a Costa do Marfim o maior produtor do planeta, com aproximadamente 40% do total).
O Estado da Bahia é o maior produtor do Brasil, porém sua capacidade produtiva foi reduzida em até 60% com o advento da vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo fitopatogênico Crinipellis perniciosa, atualmente Moniliophthora perniciosa. O Brasil, então, passou do patamar de país exportador de cacau para importador, não sendo completamente autossuficiente do produto.
Apesar da enfermidade, o cacau ainda se constitui numa grande alternativa econômica para o Sul da Bahia e possui na CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) a sua base de pesquisa, educação e extensão rural. Com o apoio do órgão, cultivares clonais mais resistentes ao fungo têm sido introduzidas, porém formas mais severas de controle do patógeno ainda precisam ser descobertas. Esas formas podem vir futuramente com os resultados do Projeto Genoma Vassoura de Bruxa, que visa a estudar o genoma do fungo e elaborar estratégias mais eficientes no seu controle biológico. É uma iniciativa da CEPLAC que conta com o apoio da EMBRAPA e de laboratórios de universidades da Bahia (UFBA, UESC e UEFS) e de São Paulo (UNICAMP).
Por ser plantado à sombra da floresta, o cacau foi responsável pela preservação de grandes corredores de mata atlântica no sul do Estado da Bahia no Brasil. Este sistema é conhecido como “cacau cabruca”, do termo “brocar” (ralear). Recentemente, foi criado o Instituto Cabruca que, junto com outras instituições ambientalistas, vem desenvolvendo projetos de pesquisas e extensão sobre o tema, estudando formas de manter essa vegetação nativa associada ao cacau.
A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau do mundo, chegando a contribuir com 41% do mercado global.
Em suas plantações ocorre uso de mão de obra escrava e infantil, mais modernamente, uma vez que antigamente (1808 – 1930), na época da riqueza e do “Cacau”, era toda assalariada e Consumidora do Produto que plantavam, seus Propagandadistas, segundo Dona Maria I de Brasil, Portugal e Além – Mar. As grandes companhias produtoras de chocolate chegaram a assinar em 2001 um termo onde se comprometiam a extinguir o uso deste tipo de mão de obra nos cacauzeiros até 2008. No entanto o prazo não foi cumprido, e segundo denúncias em 2010 ainda eram utilizados em larga escala.
Autoridades locais e organizações internacionais tem dedicado atenção ao tema desde então.