12.614 – Mega Mito – De onde vem a (falsa) ideia de que o Buda era gordo?


buda-china-estatua-lenar_musin-shutterstock
Teria sido o Buda uma figura realmente rechonchuda, careca e sorridente como as imagens que vemos por aí?
Quem realmente conhece a história do príncipe Sidarta, popularmente dito e escrito simplesmente como Buda, tem em mente uma representação muito diferente (e mais magra). O príncipe da atual região do Nepal, após descobrir uma dor oculta durante décadas, decide se libertar das amarras ilusórias da vida por meio da meditação.
Então, de onde vem essa imagem popular de um buda gordinho? De acordo com os especialistas, ela vem de uma pequena confusão causada por uma homofonia – palavras que possuem sons semelhantes, mas grafias diferentes. Bu-Dai, ou Budai, era uma das formas pelas quais era conhecido o famoso monge budista Hotei, descrito como amigável e bonachão, e, ele sim, era careca e roliço.
O sorridente Budai nasceu em Zhenjiang, no leste da China, no século X, e praticava o budismo zen, doutrina originária do extremo oriente que sintetiza noções do budismo com outras mais antigas do taoísmo. Sua imagem foi escolhida para representar Maitreya, personagem mítico do budismo Zen, que vem para se tornar o novo Buda por meio da meditação tradicional.
Na verdade, é Budai, e não o príncipe Sidarta Gautama, que costumamos ver careca e gordo, às vezes rodeado por crianças, outras vezes carregando poucos pertences e sempre sorrindo.

12.518 – Religião – As 8 maiores religiões do mundo


nao-ter-religiao
8. Espiritismo (aprox. 13 milhões de adeptos)
Espiritismo não é exatamente uma religião, mas também entra na lista. A sobrevivência do espírito após a morte e a reencarnação são as bases dessa doutrina, que surgiu na França e se expandiu pelo mundo a partir da publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (1857). É no Brasil que se encontra a maior comunidade espírita do mundo: 1,3% da população do país é espírita.

7. Judaísmo (aprox. 15 milhões de adeptos)
Atualmente, a maior parte dos judeus do mundo vive em Israel e nos Estados Unidos, para onde migraram fugindo da perseguição nazista. Mesmo assim, os judeus representam somente 1,7% da população norte-americana. Enquanto isso, na Argentina, nossos hermanos judeus são 2% da população.

6. Sikhismo (aprox. 20 milhões de adeptos)
Embora pouco difundido, o Sikhismo é a sexta maior religião do mundo. A doutrina monoteísta foi fundada no século 16 por Guru Nanak e se baseia em seus ensinamentos. O sikhismo nasceu na província de Punjab, na Índia, e grande parte de seus seguidores ainda vivem na região. Eles representam 1,9% da população da Índia e 0,3% de Fiji.

5. Budismo (aprox. 376 milhões de adeptos)
A doutrina baseada nos ensinamentos de Siddharta Gautama, o Buda (600 a.C.), busca a realização plena da natureza humana. A existência é um ciclo contínuo de morte e renascimento, no qual vidas presentes e passadas estão interligadas. Como era de se esperar, essa religião oriental é a principal doutrina em vários países do sudeste asiático, como Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia. No Japão, é a segunda maior religião do país: 71,4% da população é praticante (muitos japoneses praticam mais de uma religião e, portanto, são contados mais de uma vez).

4. Religião tradicional chinesa (aprox. 400 milhões de adeptos)
“Religião tradicional chinesa” é um termo usado para descrever uma complexa interação entre as diferentes religiões e tradições filosóficas praticadas na China. Os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas, como o Confucionismo, o Taoísmo, o Budismo e outras religiões menores. Com mais de 400 milhões de praticantes, eles representam cerca de 6% da população mundial.

3. Hinduísmo (aprox. 900 milhões de adeptos)
Baseado nos textos Vedas, o hinduísmo abrange seitas e variações monoteístas e politeístas, sem um corpo único de doutrinas ou escrituras. Os hindus representam mais de 80% da população na Índia e no Nepal. Mesmo com tamanha variedade, são apenas a terceira maior religião do mundo. Porém, ostentam um título mais original: o maior monumento religioso do planeta. Trata-se do templo Angkor Wat – depois convertido em mosteiro budista –, que tem cerca de 40 quilômetros quadrados e foi construído no Camboja no século XII.

2. Islamismo (aprox. 1,6 bilhões de adeptos)
A medalha de prata na lista das religiões é dos muçulmanos. Segundo projeções, daqui vinte anos, eles serão mais de um quarto da população mundial. Se esse cenário se concretizar, o número de muçulmanos nos Estados Unidos vai mais do que dobrar e um quarto da população israelense será praticante do islamismo. Além disso, França e Bélgica se tornarão mais de 10% islâmicas.

1. Cristianismo (aprox. 2,2 bilhões de adeptos)
Mesmo com o crescimento de outras religiões, o cristianismo continua sendo a doutrina com mais adeptos no mundo todo. Porém, seus seguidores têm mudado de perfil. Há um século, dois terços dos cristãos viviam na Europa. Hoje, os europeus representam apenas um quarto dos cristãos. Mas, o interessante mesmo é apontar onde o cristianismo mais cresceu no último século: na África Subsaariana. De 1910 para cá, a população cristã da região saltou de 9 para 516 milhões de adeptos.

12.418 – Religião – Manuscritos Budistas


manuscritos
Há 2 mil anos, monges budistas da região onde hoje fica o Afeganistão, selaram vários pergaminhos com ensinamentos de Buda e os enterraram.
Muito tempo depois, em 1994, a Biblioteca Britânica adquiriu tais manuscritos de um negociante e chamou um especialista para avalia-los. Concluiu-se que eram os mais antigos e preciosos pergaminhos budistas conhecidos. Mas o governo afegão pediu oficialmente a devolução dos documentos. São alguns dos muitos tesouros que durante a guerra civil que abalou o país na década de 1990, foram roubados de sítios arqueológicos e vendidos na Europa. Voltando, irão para o Museu de Kabul.

11.222 – Religião – O Budismo tem algum Livro Sagrado?


religioes_budismo-roda-da-vida
É o Tripitaka. Em páli – uma língua da Índia antiga, onde o budismo nasceu -, Tripitaka significa “três cestas”, numa referência às três partes do livro: o “Vinaya”, com as regras de conduta, o “Sutta”, que reúne os discursos de Buda, e o “Abhidhamma”, que é mais filosófico. A história desse livro sagrado e do budismo remonta à trajetória do indiano Sidarta Gautama (560-480 a.C.), que abandonou uma vida de luxo para buscar a sabedoria. Depois de meditar um bocado, ele concluiu que o sofrimento era causado pelos desejos que atormentavam a mente dos homens, como a corrupção, o ódio e a ilusão. Para Sidarta, se o homem aniquilasse esses desejos, atingiria o nirvana, um estado de paz longe de todo o sofrimento. Por causa dessa descoberta, ele tornou-se Buda, que em sânscrito significa “o iluminado”. Por mais de 40 anos, ele percorreu a Índia ao lado de discípulos disseminando suas doutrinas. “Ao longo de sua vida, os 84 mil ensinamentos de Buda foram transformados em sutras, espécie de regras para a vida cotidiana. São elas que compõem o Tripitaka”, diz o lama (sacerdote budista) Padma Norbu, do templo Odsal Ling, em São Paulo.

Obras religiosas fundamentais

LIVRO – Bíblia

SAGRADO PARA – Cristianismo

ESCRITA ENTRE – 1300 a.C. e 100 d.C.

QUEM ESCREVEU – Diversos profetas, entre eles os apóstolos de Jesus

Em grego, Bíblia significa “coleção de livros”. Os cristãos acreditam que Deus escreveu a Bíblia usando homens como instrumento. Ela se divide em 46 livros do Antigo Testamento, escritos antes do nascimento de Jesus, e 27 do Novo Testamento, escrito entre os séculos 1 e 2

LIVRO – Alcorão

SAGRADO PARA – Islamismo

ESCRITO NO – Século 7

QUEM ESCREVEU – Maomé ditou os textos a seus escribas

O conteúdo do Alcorão reúne as revelações divinas feitas pelo anjo Gabriel a Maomé ao longo de 20 anos. Mas o livro sagrado dos islâmicos só foi organizado após a morte do profeta, em 632. Seus 114 capítulos compilam os ensinamentos básicos do islamismo: fé, oração, caridade, jejum e peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida

LIVRO – Tripitaka

SAGRADO PARA – Budismo

ESCRITO ENTRE – 500 a.C. e o início da era cristã

QUEM ESCREVEU – Discípulos de Buda

As “três cestas” (Tripitaka, em páli) que o livro contém são o “Vinaya Pitaka”, com regras para orientar a conduta diária dos seguidores, “Sutta Pitaka”, uma coletânea de discursos atribuídos a Buda e seus discípulos, e o “Abhidhamma Pitaka”, uma investigação filosófica sobre a natureza da mente e da matéria humana
LIVRO – Tenakh

SAGRADO PARA – Judaísmo

ESCRITO EM – 1300 a.C. (aproximadamente)

QUEM ESCREVEU – Moisés e profetas israelitas
O Tenakh reúne 24 livros em três grupos: Neviim (“Os Profetas”), Ketuvim (“Os Escritos”) e Torá (“A Lei”), que traz os cinco primeiros livros do Velho Testamento: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A Torá é atribuída ao profeta Moisés, que teria escrito a obra a partir de uma revelação de Deus

LIVRO – O Livro dos Vedas

SAGRADO PARA – Hinduísmo

ESCRITO ENTRE – 1500 a.C. e 1200 a.C.

QUEM ESCREVEU – A autoria é desconhecida
Em sânscrito, Vedas significa “conhecimento”. Para os hinduístas, o livro é fruto de uma revelação divina. Por muitos séculos, ele foi preservado pelos ensinamentos passados de pai para filho. Os textos reúnem hinos, encantações e receitas mágicas que constituem a base da tradição religiosa hinduísta.

10.245 – Filosofia Budista – O sofrimento tem origem no desejo?


religioes_budismo-roda-da-vida

Observando a natureza, Buda percebia constantes transformações. As plantas brotavam, cresciam e ficavam diferentes a cada minuto. O tempo esquentava e esfriava. No plano das sensações humanas, isso se repetia.
Os prazeres são fugazes, o problema é que as pessoas não enxergam isso, teimam em se apegarem as boas sensações e que ao mesmo tempo são passageiras. Como não conseguem mantê-las, sentem-se frustradas e infelizes. O ciclo se repete constantemente com novas alegrias e perdas. Outro fator que trazia sofrimento segundo Buda era a falta de conhecimento que os indivíduos têm de si mesmos. Os homens tentam agarrar-se ao impermanente que os cerca e fazem o mesmo com o seu mundo pessoal, se prendendo ao ego.
Os ensinamentos de Buda influenciaram a filosofia ocidental. Estudiosos acreditam que algumas de suas ideias inspiraram conceitos do filosófo Davis Hume (1711-1776). Para ele, a existência de um “eu” é enganosa. A nossa personalidade viria de um conjunto de sensações em permanente mudança e toda pessoa se tornaria diferente a cada instante. Tal conceito também aparece na obra do alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), que ficou conhecido como o “filósofo do pessimismo”.

10.197 – Budismo – A Vida é Feita de Sofrimento (?)


Revista de Estudios Budistas n.3

Algumas ideias de Buda foram enraizadas em crenças difundidas na Índia no século 6 aC. Para o Bramantismo, religião que deu origem ao Hinduísmo, a alma de cada ser humano carregava o conjunto de ações da vida anterior, boas ou más. Isso determina como seria o seu presente e definiria o destino. Quanto pior alguém se comportasse, maior seria seu sofrimento na reencarnação seguinte. Se, por outro lado, procurasse praticar o bem, teria recompensas. Tal conceito recebeu o nome de carma e explicava por que as pessoas viviam em condições diferentes. Os seres humanos, estariam assim, sujeitos a uma repetição de dores da existência. Quem se afastasse do mal, poderia melhorar seu carma, mas a salvação seria só para quem atingisse o supremo grau de conhecimento da natureza de si mesmo. Mas, Gautama não ficou satisfeito com esse modelo. Ele enxergava uma sensação de impotência diante do hoje, causada por tais conceitos. Como ser feliz se ações de uma encarnação anterior nos condenavam a uma série de dificuldades, tragédias e até morte? Buda sabia que existiam momentos bons, mas o que o intrigava era o motivo pelo qual eles não duravam.

4920 – Budismo – Buda em Sampa?


Existe um pequeno tesouro no bairro de V. Mariana em São Paulo. Uma construção que poderia estar localizada em alguma montanha no Tibete. Um local cheio de mistérios. Na entrada, um portão de ferro junto a calçada e no interior, um prédio exótico. A entrada é voltada para os fundos segundo a tradição. Há imagens de Buda e outros mestres trazidas da China e objetos decorativos, como sinos e incensários. No peito de Buda, uma suástica, que era usada muito antes de ser símbolo nazista, que representa manifestações da energia cósmica. Nas cerimônias, os mantras e orações são traduzidos para o Português. A melhor conduta é deixar os sapatos num armário próximo da entrada.
A acanhada entrada do templo budista chinês Tzong Kwan, inaugurado há oito anos na Vila Mariana, disfarça a grandiosidade da construção de três andares. No último, está o salão com um altar decorado por imagens de Buda e de outros mestres em madeira. É ali que acontecem as cerimônias, aos domingos às 9h, com direito a cantos e duração de 2h30.
O templo fica na Rua Rio Grande, 498
F: 5084-0363

3723 – De ☻lho no Mapa – Onde fica o Butão?


Butão no globo

Butão (em butanês, transl. Druk Yul, “Terra do Dragão”) é um pequeno e fechado reino nos Himalaias, encravado entre a China, a norte e oeste, e a Índia, a leste e sul. A sua capital é Thimphu.
A tradição situa o início da sua história no século VII, quando o rei tibetano Songtsen Gampo construiu os primeiros templos budistas nos vales de Paro e de Bumthang. No século VIII, é introduzido o budismo tântrico pelo Guru Rimpoché, “O Mestre Precioso”, considerado o segundo Buda na hierarquia tibetana e butanesa.
Os séculos IX e X são de grande turbulência política no Tibete e muitos aristocratas vieram instalar-se nos vales do Butão onde estabeleceram o seu poder feudal.
Capital Thimphu
Cidade mais populosa Thimphu
Língua oficial Butanês (Dzonga)
Governo Monarquia constitucional Democrática
– Rei Jigme Khesar Namgyal Wangchuck
– Primeiro-ministro Jigme Thinley
Independência da Índia
– Data 8 de agosto de 1949
Área
– Total 38.394 km² (136.º)
População
– Estimativa de 2005 699.847[2] hab. (164.º)
– Densidade 18,2 hab./km²
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
– Total US$ 3,257 bilhões USD (2009 est.) (171.º)
– Per capita US$ 4.700 USD (2009 est.) (147.º)
Indicadores sociais
– IDH (2007) 0,619[3] (132.º) – médio
– Esper. de vida 65,6 anos (133.º)
– Mort. infantil 45,0/mil nasc. (131.º)
– Alfabetização 47,0% (165.º)
Moeda Ngultrum; Rupia indiana (BTN; INR)
Fuso horário (UTC+6)
Cód. ISO .bt
Cód. telef. +975
O Butão é uma nação muito montanhosa, de interior, situada na Ásia. Os picos do norte atingem mais de 7.000 m de altitude, e o ponto mais elevado é o Gangkhar Puensum, com 7.570 m, que nunca foi escalado. A parte sul do país tem menor altitude e contém vários vales férteis densamente florestados, que escoam para o rio Bramaputra, na Índia.
A maioria da população vive nas terras altas centrais. A maior cidade do país, a capital Thimphu (população de 50.000 habitantes), situa-se na parte ocidental destas terras altas. O clima varia de tropical no sul a um clima de invernos frescos e verões quentes nos vales centrais, com invernos severos e verões frescos nos Himalaias.
A cultura do Butão já foi definida como sendo, simultaneamente, patriarcal e matriarcal e o membro que detém a maior estima é considerado o chefe da família. O Butão também já foi descrito como tendo um regime feudal caracterizado pela ausência de uma forte estratificação social.
Nos tempos pré-modernos existiram três grandes classes:
A comunidade monástica, a liderança da qual veio da nobreza;
Os empregados civis leigos, que dirigiam o aparato governamental e
Os agricultores, a maior classe, que vivia em aldeias autossuficientes.
O Butão é uma monarquia constitucional. O chefe religioso do Reino, o Je Khenpo, goza de uma importância quase idêntica à do rei.
Depois de um histórico discurso do rei Jigme Singye Wangchuck, no dia nacional, em dezembro de 2006, abdicando a favor do seu filho e anunciando a realização de eleições democráticas, os butaneses foram às urnas em 24 de março de 2008, terminando assim mais de um século de monarquia absoluta.
O Butão e a Tailândia são os últimos reinos budistas do mundo.
O Butão tem sua economia essencialmente baseada na agricultura, extração florestal e na venda de energia hidroelétrica para a Índia. A agricultura, essencialmente de subsistência, e a criação animal, são os meios de vida para 90% da população. É uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo.
Em 2004, o Butão foi o primeiro país do mundo a banir o consumo e a venda de cigarros.
A renda per capita é de cerca de 1.400 dólares.
Sorria, você está no Butão
Existe, sim, um lugar onde a idéia da busca pela “alegria do povo” é uma prioridade maior do que o crescimento econômico. Uma prioridade oficial, diga-se. Esse lugar é um país quase anônimo, pouco maior que o estado do Rio de Janeiro, aninhado nas montanhas do Himalaia. Bem- vindo ao reino do Butão.
Foi lá que, em 1972, um reizinho de 17 anos que acabava de assumir o trono cravou: “Ei, o Produto Interno Bruto não é mais importante que a ‘felicidade interna bruta’”. Era Sua Majestade Jigme Singye Wangchuck, que, apesar de adolescente, não estava para brincadeira e pôs seus assessores para bolar uma política inédita no mundo, uma economia de cabeça pra baixo.
Ou muito pelo contrário: “O Butão devolve ao chão os pés da lógica ponta-cabeça do desenvolvimento”, diz o economista alemão Johannes Hirata, da Universidade de Gallen, na Suíça, estudioso do papel da felicidade em políticas públicas. De trocadilho hippie, “felicidade interna bruta” virou um parâmetro de verdade, com direito a sigla (FIB) e tudo. “A filosofia da FIB é a convicção de que o objetivo da vida não pode ser limitado a produção e consumo seguidos de mais produção e mais consumo, de que as necessidades humanas são mais do que materiais”, diz Thakur S. Powdyel, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Educacional da Universidade Real do Butão.
Para suprir essas “necessidades não materiais”, o conceito da FIB prega 4 diretrizes: desenvolvimento econômico sustentável, preservação da cultura, conservação do meio ambiente e “boa governança”. Não é nada diferente das coisas que você ouve nos horários políticos da vida, certo? Sim, mas no Butão o buraco é mais embaixo. Para o bem e para o mal.
O Butão é favorecido por rios que nascem nas montanhas. A geração de energia hidrelétrica se tornou um poderoso engenho de crescimento econômico, e sem desalojar pessoas nem danificar o ambiente”, diz Powdyel.
Ambiente que faz do Butão um dos países mais bonitos do mundo. Com rios de água cristalina, florestas coloridas e fauna com direito a tigres, elefantes, rinocerontes e pandas, o país é chamado de “último éden” ou “Shangri-lá da vida real”, numa referência ao paraíso inventado pelo romancista inglês James Hilton em seu livro Horizonte Perdido (1933). Um paraíso que, como o Butão, fica no Himalaia.
Com tantas credenciais, o país poderia virar um dos maiores pólos turísticos do mundo. Mas não. O turismo é limitado para não prejudicar a cultura nem o meio ambiente. “Existe uma espécie de consumação mínima, que inclui hospedagem, alimentação, guia e transporte. Sai uns 300 dólares por dia”, diz Paulo Lima, editor da revista Trip, que foi um dos poucos turistas que já ganharam autorização para visitar o país. Em 2005, foram 13 mil. Para comparar: Porto Seguro, na Bahia, recebeu cerca de 1 milhão.
Outra medida que feriu os cofres públicos em nome da FIB veio em 2004. Foi quando o Butão ganhou os jornais do mundo inteiro ao se tornar o primeiro país a banir o cigarro. Banir mesmo: a venda de tabaco virou crime. Tudo para “proteger as gerações presentes e futuras de seu efeito devastador”. Está certo que daí nasceu um mercado negro, mas o governo acredita que, restringindo a oferta, ajuda as pessoas a parar de fumar. E, com isso, o país abriu mão de uma fonte de receita garantida. “Os cigarros fazem parte do setor de demanda inelástica, aquele em que a procura não cai com o aumento do preço. Se você tributa o tabaco, o preço aumenta, mas as pessoas não deixam de fumar”, diz o economista Siegfried Bender, da USP. Ou seha, vender cigarro é um ótimo negócio. Mas, reza a FIB, o “bem-estar” vem antes do dinheiro.
Quase inacessível, país da felicidade se esconde no Himalaia
Nome oficiaL: Druk-yul.
Forma de governo: Monarquia “boa-praça”, prestes a ganhar sua primeira Constituição.
Religiões: Budismo (oficial) e hinduísmo nepalês.
Idiomas: Dzongkha (oficial), mais dialetos tibetanos e nepaleses.
População: 2,2 milhões.
PIB: 2,9 bilhões de dólares (o do Brasil, de 1,5 trilhão de dólares, é 500 vezes maior).
Desafio: Descontar séculos de atraso sem perder o charme do isolamento.
Fundado por monges tibetanos há 4 séculos, o Butão é o país mais isolado do mundo. A escravidão sobreviveu oficialmente por ali até meados do século 20. Até a década de 1960 não havia estradas. Viagens que hoje duram 6 horas se extendiam por 6 dias, em lombo de mula. O rádio só chegou depois que os Beatles já tinham se dissolvido. E a televisão… Bom, se a primeira impressão é a que fica, pobre do nosso futebol: a primeira transmissão televisiva no país foi a final da Copa de 1998. O governo instalou um telão numa praça da capital, Thimphu, e milhares de butaneses puderam testemunhar a derrota de 3 a 0 do Brasil para a França. No ano seguinte, a transmissão chegou às casas, com 4 horas diárias de programação do Bhutan Broadcasting Service (BBS). Só depois vieram as CNNs e MTVs da vida. Agora o governo quer estimular a rede nacional para reduzir o impacto de programas estrangeiros na cultura.

Mosteiro em Butão