13.544 – Folhas caídas no outono viram material de alta tecnologia para eletrônica e energia


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Da biomassa à eletrônica

As estradas do norte da China estão cercadas por árvores kiri, ou paulônia imperial, que são decíduas, ou seja, perdem as folhas no outono. Essas folhas geralmente são aproveitadas pela população, que as queima na estação mais fria.
Hongfang Ma, da Universidade Qilu de Tecnologia, estava pesquisando essas folhas em busca de novas formas de converter a biomassa em materiais de carbono porosos que pudessem ser usados para o armazenamento de energia – em eletrodos de baterias, por exemplo.
Nessa busca, ele desenvolveu um método para converter a massa de resíduos orgânicos em um material de carbono poroso que pode ser usado para produzir equipamentos eletrônicos de alta tecnologia – e justamente para armazenar energia.

Supercapacitor de carbono
Ma usou um processo de várias etapas, mas bastante simples, para converter as folhas caídas das árvores em uma forma de carbono que pode ser incorporada nos eletrodos como materiais ativos.
As folhas secas foram primeiro moídas e a massa resultante foi aquecida a 220º C por 12 horas. Isso produziu um pó composto de pequenas microesferas de carbono. Essas microesferas foram então tratadas com uma solução de hidróxido de potássio e aquecidas por aumentos graduais da temperatura em uma série de saltos, de 450 a 800º C.
O tratamento químico corrói a superfície das microesferas de carbono, tornando-as extremamente porosas. O produto final, um pó de carbono preto, tem uma área superficial muito alta graças a esses poros minúsculos. E essa superfície proporciona ao produto propriedades elétricas extraordinárias.
As curvas de corrente-tensão do material mostraram que a substância poderia ser usada para construir um capacitor excelente. Testes posteriores mostram que, na verdade, o material produz supercapacitores, com capacitâncias específicas de 367 Farads por grama – isto é mais de três vezes mais do que a capacitância dos supercapacitores de grafeno.

Materiais supercapacitivos
Os capacitores são componentes elétricos presentes em toda a eletrônica, armazenando energia entre dois condutores separados um do outro por um isolante. Já os supercapacitores geralmente podem armazenar de 10 a 100 vezes mais energia do que um capacitor comum e podem carregar e descarregar muito mais rapidamente do que uma bateria recarregável típica.
Por isso, materiais supercapacitivos são altamente promissores para uma grande variedade de aplicações de armazenamento de energia, dos computadores aos veículos híbridos e elétricos.
O professor Ma e seus colegas pretendem a seguir melhorar ainda mais as propriedades eletroquímicas do material poroso de carbono, otimizando o processo de preparação e permitindo a dopagem do material, ou seja, a modificação de suas propriedades para aplicações específicas mediante a adição de pequenas quantidades de outros elementos, como se faz com os demais materiais utilizados na eletrônica.

12.921- Genética – Empresa de biotecnologia quer vender moscas transgênicas no Brasil


A gigante da área de biotecnologia Intrexon, que controla a Oxitec –famosa por causa dos mosquitos aedes transgênicos–, quer trazer mais um inseto geneticamente modificado para o país.
Trata-se de uma versão da mosca-do-mediterrâneo, popularmente conhecida como mosca-da-fruta, não à toa considerada a pior praga para o cultivo de frutas, com prejuízo anual mundial na casa dos US$ 2 bilhões.
A mosquinha transgênica possui um mecanismo de limitação do crescimento semelhante ao do aedes transgênico: seus filhotes não chegam à fase adulta.
A tática é liberar somente os machos nas áreas de cultivo de frutas como manga, uva, acerola, goiaba e laranja (para citar só algumas das 200 espécies afetadas) para que eles encontrem e copulem com as fêmeas selvagens. Como desse encontro não haverá filhotes, o tamanho da população diminui.
A Intrexon está celebrando a inauguração da biofábrica da Oxitec em Piracicaba, com capacidade para produzir 60 milhões de Aedes aegypti semanalmente. Para a produção das moscas-das-frutas modificadas, utiliza-se da mesma tecnologia.
Como a nova fábrica foi montada em apenas cinco meses, o mesmo tipo de planta pode ser facilmente replicado em outras partes do país, como o Vale do São Francisco, na região de Juazeiro, onde os produtores de manga sofrem com a peste.
Por lá já existe a Moscamed, Organização Social que produz insetos estéreis por raios X capazes de limitar o crescimento populacional, tal qual os transgênicos. Essa tecnologia usada ali é mais antiga e já está consolidada.
O problema na região é que não há verba governamental para que insetos possam ser produzidos e liberados, afirma o presidente da Moscamed, Jair Virgínio.
A mosquinha foi terrível na década de 1980, quando arrasou produção de frutas na Califórnia, nos EUA. Na época, houve grande resistência ao uso de inseticidas, pulverizados por helicópteros e aviões. No fim das contas, houve pulverização e posterior controle com o uso de insetos irradiados.
A área atualmente é considerada livre da praga. Mesmo assim, ainda hoje são utilizados insetos irradiados para prevenir o retorno das moscas.
No Brasil, o Vale do São Francisco não é considerado uma região livre da mosca. Lá, as mangas devem passar por um processo “hidrotérmico” para matar eventuais larvas –por afogamento e calor.

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12.760 – Genética – Brasileiro tem medo de transgênico


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Ao ouvir a palavra “transgênicos”, algumas pessoas sentem calafrios, e mesmo quem gosta de ciência e biotecnologia tem um pé atrás com os organismos geneticamente modificados.
O cenário foi mostrado por uma pesquisa do Ibope Conecta, que coletou pela internet as respostas de 2.011 pessoas, de todas as regiões do país, das classes A, B e C e que não trabalham com biotecnologia e áreas correlatas. A pesquisa foi encomendada pelo Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).
A maioria (cerca de 80%) gosta de ciência e soube responder o que são transgênicos, mas 33% acham que consumi-los pode fazer mal. Isso apesar da pesquisa publicada em maio pela Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA que concluiu, após analisar mais de mil estudos, que os organismos geneticamente modificados, existentes desde a década de 1970, não só não trazem riscos à saúde como, se usados corretamente, propiciam benefícios para agricultores e ambiente.
Os pesquisadores não encontraram qualquer evidência de que esses organismos tiveram impacto sobre as prevalências de câncer, obesidade, diabetes, autismo, doença celíaca ou alergias. Não é claro, no entanto, se a tecnologia realmente aumenta a produtividade da agricultura.
A pesquisa mostra que as pessoas nem sabem quais são as plantas transgênicos cultivadas no país –soja, algodão e milho, principalmente. Só 11% acertaram a combinação. O motivo de tão poucas espécies é a rentabilidade de cada uma delas, explica a professora Maria Lúcia Vieira, professora titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP.
A inserção ou substituição de um gene em uma espécie pode fazer com que ela, por exemplo, seja mais resistente a intempéries, herbicidas ou pragas –ou fazer com que ela própria produza um larvicida, caso do milho Bt (abreviação do organismo doador Bacillus thuringiensis, que produz naturalmente uma proteína larvicida). Talvez a raiz do problema dessa relutância popular esteja na primeira variante transgênica de soja, hipotetiza Maria Lúcia.

12.560 – Biotecnologia – Estados Unidos autorizam a ressurreição dos mortos


De volta a um assunto já abordado em um outro capítulo, uma empresa de biotecnologia obteve as licenças éticas que permitem o desenvolvimento de um experimento que regenera o cérebro das pessoas clinicamente mortas.
Trata-se da companhia norte-americana Bioquark, que obteve permissões do governo dos EUA e da Índia para realizar um projeto chamado de Reanima. Na primeira etapa, 20 pacientes clinicamente mortos do hospital Anupam, da cidade de Rudrapur, na Índia, sofrerão uma intervenção na tentativa de trazê-los de volta à vida.
Os pacientes a serem selecionados são pessoas que sofreram traumas graves e tiveram morte cerebral. Embora permaneçam vivos graças à tecnologia, são declarados clinicamente mortos.
O projeto prevê um tratamento por meio de injeções de células-tronco e peptídeos, aos quais serão acrescentados estímulos neuronais com lasers e outros métodos para tentar reviver certas partes do sistema nervoso central. Várias dessas técnicas já demonstraram sucesso para o tratamento do estado de coma.
Os especialistas esperam saber, daqui a três meses, se o poder regenerativo das células-mãe permitirá trazer de volta à vida certas partes do cérebro, especialmente aquelas responsáveis pelas funções básicas, como a respiração e o batimento cardíaco.
A ideia ainda não é dar vida nova a pessoas que faleceram, mas às que hoje vivem somente com o auxílio de aparelhos médicos e não podem viver de maneira independente.
De acordo com Ira Pastor, CEO da Bioquark, este é o primeiro experimento científico do gênero e seus resultados podem representar mais um passo em direção à – talvez possível – reversão da morte dos humanos.
A iniciativa se apoia em estudos científicos recentes que mostraram existir fluxo sanguíneo e atividade elétrica após a morte de uma célula cerebral, porém em quantidade insuficiente.
A equipem médica da Bioquark espera ver evidências de regeneração na medula espinhal superior e no ritmo cardíaco dos pacientes após as seis semanas de seus primeiros testes com 20 pessoas.
Numa visão futurística, o tratamento pode trazer humanos de volta à vida depois de sofrerem fortes traumas na cabeça.
Alguns peixes e anfíbios podem regenerar partes de seus cérebros após ferimentos graves e a ideia da Bioquark é trazer isso para a humanidade, após um período de pesquisa ainda sem estimativa de conclusão.
“Salvar partes individuais pode ser de grande ajuda, mas é um longo caminho até que seja viável ressuscitar um cérebro totalmente, de maneira funcional, em um estado sem danos”, declarou Pastor.

12.476 – Acredite se Puder – Empresa de biotecnologia vai tentar trazer 20 mortos de volta à vida


O Maior Desafio da Humanidade

Sim, você leu certo: uma empresa de biotecnologia da Philadelphia pretende reviver 20 pessoas. E eles conseguiram aprovação ética de um corpo de diretores dos órgãos de saúde dos Estados Unidos e da Índia para tocar a ideia adiante.
Num período de seis semanas a companhia, chamada Bioquark, usará um projeto chamado ReAnima para tentar trazer essas pessoas de volta à vida.
Os pacientes estão clinicamente mortos e dependem de aparelhos para se manter minimamente ativos. A Bioquark pretende usar células tronco, estimulação de nervos e outras técnicas para tentar reverter o quadro.
“Para empreender uma iniciativa de tamanha complexidade estamos combinando ferramentas de medicina regenerativa biológica com outros dispositivos médicos tipicamente usados para estimular o sistema nervoso central em pacientes com outras desordens severas de consciência”, explica o doutor Ira Pastor, CEO da empresa.
De acordo com o The Next Web, a Bioquark está se baseando em estudos recentes que sugerem que ainda há alguma atividade cerebral e fluxo sanguíneo após a morte cerebral, mas isso não é suficiente para que o corpo continue operando normalmente. Há outras criaturas que conseguem reverter o quadro com regeneração, reparo ou remodelando completamente partes do cérebro.
Pastor acredita que os primeiros resultados devem ser vistos nos primeiros dois ou três meses. “Isso representa a primeira tentativa do tipo e outro passo em direção a um eventual [processo de] reversão da morte.”

12.468 – Genética e Biotecnologia – Aedes ‘do bem’ pode combater dengue e zika


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O mosquito Aedes aegypti tem sido visto como o grande vilão da temporada. Se ele já era temido por transmitir a dengue, recentemente passou a ser o culpado pela disseminação de outros dois vírus no Brasil: chikungunya, transmitido pela primeira vez no país em setembro de 2014, e zika, identificado no país em abril.
Mas mosquitos Aedes modificados podem desempenhar um papel positivo na saúde pública, ajudando a combater em larga escala essas doenças no futuro. Atualmente, eles já são usados em bairros localizados em vários pontos do Brasil, mas sempre dentro de projetos de pesquisa. Conheça os Aedes aegypti “do bem”:
AEDES AEGYPTI GENETICAMENTE MODIFICADOS
Mosquitos geneticamente modificados, ou transgênicos, produzidos pela empresa britânica Oxitec já foram liberados no Brasil em dois bairros da cidade de Juazeiro – Ituberaba e Mandacaru – e em um bairro da cidade de Jacobina, ambas na Bahia. Nessas áreas, o projeto foi liderado pela Universidade de São Paulo e pela organização Moscamed, com apoio da Oxitec. Em março, o mosquito também passou a ser liberado em Piracicaba.
“Em todas as regiões, temos alcançado uma supressão do mosquito selvagem acima de 90%”, afirma Glen Slade, diretor de desenvolvimento de negócios da Oxitec.
Como funciona?
A tecnologia funciona da seguinte maneira: no laboratório, ovos dos Aedes aegypti recebem uma microinjeção de DNA com dois genes, um para produzir uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.
Só os machos são liberados na natureza. Eles procriam com as fêmeas selvagens –responsáveis pela incubação e transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.
Os machos liberados na natureza só conseguem sobreviver até a vida adulta e procriar porque recebem, dentro do laboratório, um antibiótico chamado tetraciclina. Como essa substância não existe na natureza, seus descendentes morrerão.
Pronto para uso em larga escala?
“Estamos preparados e ansiosos para ir em frente cada vez mais rápido. O que estamos fazendo hoje pode ser feito em qualquer escala e de forma cada vez mais eficiente”, diz Slade. “Num país do tamanho do Brasil, não vamos eliminar, mas talvez em cidades isoladas poderá haver uma redução tão grande que será quase uma eliminação.”
Até o momento, os mosquitos transgênicos não têm registro na Anvisa, apenas aprovações para uso em projetos de pesquisa. Para Slade, porém, isso não impede que a estratégia seja usada de forma cada vez mais ampla. “A Anvisa está analisando nossa situação. Trata-se do primeiro mosquito geneticamente modificado, o que levanta perguntas novas, é uma situação nova. Não vejo um grande obstáculo em nossa situação atual em termos de darmos os próximos passos. Próximos projetos com caráter de pesquisa podem ser cada vez maiores”
Em nota, a Anvisa afirma que está analisando o material apresentado pela empresa em caráter prioritário, inclusive com consultas a outras agências reguladoras internacionais que estão tratando de questões semelhantes.
MOSQUITO COM BACTÉRIA WOLBACHIA
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também estão trabalhando no uso de “mosquitos do bem” para combater a transmissão de doenças pelo Aedes aegypti. A estratégia não envolve modificação genética, mas o uso da bactéria Wolbachia, que impede os mosquitos de transmitir o vírus da dengue. Assim como o projeto da Oxitec, o da Fiocruz – chamado “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” – também tem caráter de estudo científico.
Se inicialmente o projeto era focado na eliminação da dengue, estudos feitos em laboratório comprovaram que a bactéria Wolbachia é capaz de reduzir a transmissão do vírus da febre amarela, do chikungunya e também atua sobre o vírus zika.
O objetivo é substituir toda a população de mosquitos da região para reduzir os casos de infecção pelos vírus. A bactéria Wolbachia não traz nenhum risco às pessoas, segundo os pesquisadores. Moreira explica que as pessoas já estão expostas a ela no dia a dia: 70% dos pernilongos, por exemplo, têm essa bactéria no organismo.

 

12.436 – Biotecnologia – Empresa afirma ter conseguido reverter o envelhecimento


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O laboratório de biotecnologia BioViva anunciou que sua equipe usou terapia genética para prolongar as pontas dos cromossomos (chamados telômeros) para alterar o processo de envelhecimento das células.
Mais do que isso, a empresa afirma que a técnica foi utilizada em uma pessoa, a CEO da BioViva, Elizabeth Parrish. A empresa alega que o tratamento com Parrish começou há um ano, e que foi motivado por perda de massa muscular. Para driblar as leis norte-americanas sobre esse tipo de experimento em humanos, a CEO foi para a Colômbia, o que contribui para o clima cético encontrado na comunidade científica como resultado do anúncio.
Parrish tem 45 anos e a empresa garante que conseguiu alongar os telômeros de suas células no que representa 20 anos de rejuvenescimento. Ela foi escolhida porque exames mostraram que seus telômeros eram anormalmente curtos, o que a deixava mais vulnerável a ter doenças associadas à idade mais cedo do que o comum.
“Melhora na biotecnologia é a melhor solução [para doenças da velhice], e se esses resultados forem minimamente corretos, nós fizemos história”, afirmou ela no site da empresa.
Ainda sem estudo publicado, sem verificação independente e com uma amostra de apenas uma pessoa – sendo que essa pessoa é a CEO da empresa – é impossível confirmar essas informações.
Parecendo roteiro de filme de super-herói que ganha seus poderes como cobaia de um experimento maluco, essa história ainda aguarda um melhor posicionamento da BioViva. Resta saber se o laboratório vai publicar dados que possam ser analisados e criticados por outros cientistas.

Como o envelhecimento seria impedido?
A técnica que teria sido utilizada pela empresa na verdade já existe, mas até hoje só é usada em laboratório com células humanas em experimentos com medicamentos. A grande novidade anunciada por eles é que a técnica teria sido aplicada em uma pessoa.
Os telômeros ficam nas pontas de cada cromossomo, que contém a informação genética do organismo. Eles protegem o DNA do gasto natural que acontece conforme o tempo passa. São como aquelas pontas de plástico que ficam no cadarço dos tênis para que ele não desfie tão rapidamente.
Conforme células se dividem e passam a informação adiante, um pouco da ponta se perde no processo. Isso significa que conforme você fica mais velho, os telômeros ficam mais curtos até que a célula pare de se dividir e morra.

Células que se dividem 40 vezes mais antes de morrer
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) introduziu um tipo de RNA modificado, que foi projetado para estender os telômeros. Eles tiveram sucesso ao fazer com que o RNA não permitisse que essa região se encurtasse com o tempo, o que trouxe como resultado células que se dividem 40 vezes mais do que as células comuns. Seu efeito protetor, porém, passa em alguns dias. Assim, é possível prolongar a duração das células humanas nos experimentos com medicamentos.

11.567 – Super sentido humano para enxergar a terceira propriedade da luz


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A capacidade nos permite ver uma misteriosa terceira propriedade da luz, conhecida como “polarização”, revelando a oscilação dos raios. Animais, como abelhas e formigas, usam os padrões de polarização no céu para orientá-las. Com treinamento, os seres humanos também podem ver os padrões.
“Imagine que uma corda de pular represente uma onda de luz que viaja através do espaço. Se você mover a corda de lado a lado, a onda que você faz é horizontalmente polarizada. Se você direcionar a corda para cima e para baixo você cria uma onda polarizada verticalmente. Geralmente, a luz é uma mistura de polarizações, mas às vezes – por exemplo, em partes do céu, na tela do computador e em reflexos da água ou vidro – uma grande porcentagem das ondas estão oscilando na mesma orientação e a luz é fortemente polarizada”, explicou Shelby Temple, um associado de pesquisa na Universidade de Bristol, na Inglaterra.
Animais, como abelhas e formigas, usam esses padrões de polarização no céu para se orientarem durante seus caminhos. Mas poucos, mesmo na comunidade científica, estão cientes de que os seres humanos também podem perceber a polarização da luz a olho nu.
Fazemos isso usando ‘escovas de Haidinger’, um efeito visual sutil. No último estudo, os pesquisadores criaram filtros especiais para variar a porcentagem de luz polarizada de 0 a 100 por cento. O teste foi projetado para descobrir o nível de polarização mínima, em porcentagem, na qual as escovas de Haidinger poderiam ser detectadas. Entre 24 pessoas, o limiar de sensibilidade média de polarização foi de 56%. Algumas pessoas ainda podiam ver escovas de Haidinger quando a luz polarizada foi inferior a 25%.
Usando telas de LCD capazes de atualizar o efeito constantemente, os pesquisadores também conseguiram fazer as primeiras medições da dinâmica das escovas de Haidinger. Isto confirmou a previsão de que algumas pessoas veem um efeito de pulsação transversal quando o ângulo de polarização é girado. “Este resultado mostra que sua córnea pode afetar dramaticamente a forma de percepção da luz polarizada”, disse o McGregor.
Como as propriedades óticas da córnea variam entre os indivíduos, isso pode explicar, em parte, porque as pessoas frequentemente relatam sua experiência de escovas de Haidinger em diferentes formas.
“Você pode ver escovas de Haidinger se você olhar para uma parte branca de uma tela de LCD, em um computador, tablet ou telefone. Incline a cabeça de lado e escovas amarelas fracas devem tornar-se visíveis. Com a prática, você pode vê-las na parte azul do céu em 90 graus a partir do sol”, explicou Temple.
A capacidade de ver escovas de Haidinger está associada com uma área pigmentada que cobre e protege a parte central da retina. O risco de adquirir Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) foi previamente correlacionado com baixa densidade de pigmento nesta área.
Os investigadores estão agora adaptando sua abordagem com o objetivo de desenvolver um dispositivo de rastreamento para detectar indivíduos com alto risco de DMRI, atualmente a principal causa de cegueira no mundo moderno.

10.755 – Câncer – Medicamento sem patente


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Nos anos 1970, pesquisadores soviéticos descobriram uma bactéria na tundra siberiana que lhes chamou a atenção: ela produz um composto que, na época, eles acreditavam ser eficaz no tratamento contra o câncer. No entanto, testes de laboratório revelaram que a substância causava insuficiência cardíaca, o que levou ao abandono dos estudos. Recentemente, Barbara Geratana, pesquisadora da Universidade de Maryland, descobriu que ao remover uma molécula de oxigênio do composto, não apenas os efeitos colaterais são neutralizados, como também a droga, chamada de 9DS, se torna ainda mais poderosa contra as células cancerígenas, impedidas de se multiplicarem. Bem neste momento crítico ela se desligou da instituição e teve que largar a pesquisa – mas o bioquímico Isaac Yonemoto está disposto a fazer o que for preciso para levar o projeto adiante.
Para arrecadar a verba necessária aos primeiros testes do 9DS em ratos, foi criado o Projeto Marilyn, uma campanha de financiamento coletivo que quer descobrir se os medicamentos, assim como os softwares, também podem seguir a filosofia open source. A iniciativa é a primeira a ser promovida pela plataforma indysci.org, uma espécie de Kickstarter idealizado por Yonemoto para concretizar projetos científicos socialmente benéficos de forma mais independente do modelo industrial-comercial. “Nós acreditamos que os produtos farmacêuticos podem ser desenvolvidos sem patentes, o que resultaria em uma assistência médica melhor e mais barata para todos”.
Àqueles que duvidam do potencial de um sistema livre de patentes para tratamentos médicos, os pesquisadores citam o caso da eficaz vacina contra a poliomielite, que foi descoberta por Albert Sabin e Jonas Salk. Em 1952, ao ser questionado sobre quem detinha os direitos da vacina, Salk respondeu categoricamente: “eu diria que o povo, não existe patente. Você poderia patentear o sol?”. Seguindo por esta mesma linha de pensamento, Yonemoto utilizará boa parte dos US$ 58 mil arrecadados para testar nos próximos seis meses se o 9DS é realmente tão eficaz quanto sua equipe acredita para tratar melanoma, câncer de rim e um tipo de câncer de mama.
Além de ser sensivelmente mais barato, o medicamento open source poderá contar com o apoio da comunidade científica durante todo o seu desenvolvimento, o que não acontece dentro das companhias farmacêuticas. “Se forem bem sucedidas, você ouve falar do que fizeram, mas o que você não escuta é sobre as falhas”, diz Yonemoto. “Mesmo quando há sucesso, frequentemente não se escuta sobre os detalhes – existe muito conhecimento perdido. Ao abraçar estratégias e filosofias mais open source, é possível evitar que as pessoas cometam o mesmo erro mais de uma vez”.

10.436 – Fábrica de mosquitos transgênicos para combate à dengue abre em Campinas


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A empresa britânica Oxitec inaugurou nesta terça-feira (29) em Campinas sua primeira fábrica de mosquitos transgênicos Aedes aegypti, nova tecnologia de combate à dengue.
Com capacidade inicial para produzir 2 milhões de mosquitos machos estéreis por semana, a empresa já está em negociação com alguns municípios paulistas para implementar sua estratégia de erradicação do inseto transmissor da doença.
Entre as prefeituras que enviaram representantes à inauguração da fábrica ontem, a de Piracicaba era aquela que estava em conversação mais adiantada para levar o serviço biotecnológico à cidade. Os municípios de Campinas, Nova Odessa e Americana também sondaram a Oxitec, mas não há nenhum acordo em negociação ainda.
Apenas a fêmea de Aedes aegypti pica pessoas e transmite a doença. O inseto transgênico macho criado pela Oxitec impede a proliferação delas ao fecundá-las com esperma que gera filhotes inviáveis. Ao perder a oportunidade de copular com os machos saudáveis, as fêmeas deixam de se reproduzir, e a população do mosquito começa a diminuir.
Por enquanto, a fábrica de Campinas –localizada no Techno Park, um loteamento empresarial que recebe isenções fiscais– está produzindo mosquitos só a título de demonstração de sua capacidade. Apesar de parecer grande, a taxa de produção atual é suficiente para um plano combate apenas em uma zona habitada por 10 mil a 15 mil pessoas.
A linhagem do mosquito usada pela Oxitec foi criada 12 anos atrás em pesquisas na Universidade de Oxford. Os animais usados hoje são descendentes de mosquitos que foram geneticamente modificados em laboratórios. De lá até aqui, foram R$ 80 milhões investidos em pesquisa e desenvolvimento
A fábrica de Campinas não requer infraestrutura sofisticada de engenharia genética, porém, apenas gaiolas e recipientes para manter a colônia de mosquitos. Os insetos se alimentam de ração de peixe. As fêmeas recebem também um suprimento de sangue de carneiro, necessário à sua ovulação.
As fêmeas de mosquito não podem ser liberadas na natureza. Para separar os mosquitos por sexo, os cientistas precisam coletar as pupas (casulos) na hora certa e usar peneiras especiais que isolam as fêmeas. Quando o mosquito chega ao tamanho maduro, os machos são colocados separadamente em potes para transporte até o local de soltura.
Os primeiros testes de campo da empresa já foram realizados na Malásia, nas Ilhas Cayman, no Panamá e no Brasil. Distritos nas cidades de Juazeiro (BA) e Jacobina (BA) registraram quedas de até 93% nas populações de mosquito, em testes feitos antes de a Oxitec se instalar no Brasil. Os primeiros testes foram planejadas pela organização Moscamed, criada para implementar a tecnologia no país.
Segundo os técnicos da empresa, os insetos transgênicos superam em eficácia a fumigação de inseticida, hoje uma das principais ações para combater a disseminação do mosquito.

10.069 – Biotecnologia – Comissão libera uso de mosquito transgênico antidengue


A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, órgão responsável por verificar a segurança de novas biotecnologias no Brasil) aprovou nesta quinta-feira a liberação comercial de um mosquito transgênico criado para combater a dengue.
Isso quer dizer que há evidências suficientes para afirmar que o organismo não ameaça o ambiente ou as populações humanas.
A aprovação é mais um passo para que o produto, desenvolvido pela empresa britânica Oxitec, possa ser usado em larga escala em território nacional. Contudo, o mosquito transgênico ainda não pode ser comercializado.
O que já se pode fazer são iniciativas de teste do desempenho do organismo geneticamente modificado, sem depender de aprovação individual da CTNBio para cada projeto.
A grande sacada do mosquito é a inclusão de um gene que não mata seu possuidor, mas, ao ser transmitido aos descendentes, mata-os antes de chegarem à fase adulta.
Como só as fêmeas do Aedes aegypti picam (e assim contraem e transmitem o vírus causador da dengue), os pesquisadores só liberam os machos transgênicos no ambiente.
Ao encontrar fêmeas selvagens, esses machos modificados as fecundam, e os ovos ganham o gene “mortal”. Assim ocorre a redução da população de mosquitos.
Essa é a teoria. Como funciona na prática?
Testes anteriores iniciados em 2011 na cidade de Juazeiro, na Bahia, mostraram redução acima de 80% na população de mosquitos selvagens. Num dos dois bairros em que ocorreram os testes, Itaberaba, a queda foi de 81%. Em Mandacaru, 93%.
Outro experimento realizado nas Ilhas Caiman conseguiu taxa de 82%, e os resultados mais recentes, divulgados ontem pela Oxitec, apontam uma taxa de redução de 79% no bairro de Pedra Branca, em Jacobina (BA).
Todas as iniciativas de uso do mosquito da Oxitec realizadas no Brasil foram feitas em parceria com a organização social Moscamed.
Para comercializar seus mosquitos, a Oxitec ainda precisa de um registro comercial do produto. Como não existe um protocolo definido para algo como um mosquito transgênico, a empresa conversa com o governo brasileiro a fim de encontrar o caminho para a obtenção do registro.
“Esperamos notícias para as próximas semanas”, diz Glen Slade, diretor global de desenvolvimento de negócios da companhia britânica, que já se instalou no Brasil e montou uma fábrica de mosquitos em Campinas (SP).
A infra-estrutura instalada é capaz de fabricar 2 milhões de mosquitos por semana. Pode parecer bastante, mas os executivos da empresa estimam que qualquer projeto maior que os atuais exigirá a construção de outras unidades.
Eles estimam que uma iniciativa que envolva uma cidade de 50 mil habitantes deve consumir, em seu primeiro ano, entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Depois, nos anos seguintes, que envolveriam só manutenção, o custo cairia para menos de R$ 1 milhão.
Até agora, com taxa de redução na faixa de 80%, essa é a estratégia mais eficaz já vista para combater o mosquito.
Em geral, o que de melhor se pode fazer sem a biotecnologia é reduzir os locais em que o Aedes aegypti pode depositar seus ovos –como locais que abrigam água parada.

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8064 – Microbiologia – Bactérias que comem lixo


Bactérias que se alimentam de enxofre podem ser a solução para a contaminação causada pelas pilhas alcalinas usadas, afirmam cientistas da Universidade Nacional de San Martín.
Os pesquisadores desenvolveram um reator experimental depois de isolar a bactéria Acidithiobacilus thiooxidans, que habita as austrais termas de Copahue, na província de Neuquén, já utilizada com êxito na metalurgia do cobre e do ouro. Os cientistas colocaram as bactérias no reator com pilhas usadas. Após um período, os microorganismos transformaram o enxofre em ácido sulfúrico, que dissolveu completamente as bactérias.
Os restos metálicos podem ser recuperados através de técnicas de eletrólise. O reator funciona bem e poderia ser utilizado em grande escala por seu baixo custo e escasso impacto ambiental, disse o biotecnologista Gustavo Curutuchet, da Universidade de San Martín.
Os cientistas já desenvolvem, há anos, bactérias que degradam lixo tóxico, orgânico e hospitalar – mas nenhuma delas, até agora, podia trabalhar em ambientes altamente radioativos. As bactérias sempre sucumbiam diante a radiação. Michael Daly, um biólogo molecular da University of the Health Sciences, em Maryland, produziu uma superbactéria – Deinococcus radiodurans – que pode desentoxicar mercúrio em níveis de radiação suficientemente altos para matar qualquer outra bactéria.
Bactérias que “comem lixo” combatem mau cheiro de bueiros
A Prefeitura de Curitiba está usando bactérias na limpeza de galerias e caixas de captação de águas pluviais nas principais ruas do Centro. As bactérias carregam enzimas que eliminam o material orgânico em decomposição.
A intenção é limpar a rede de captação de águas pluviais da região central e encontrar os pontos de despejos de esgoto clandestino e de emissão de material orgânico, causadores do mau cheiro.
A limpeza dos bueiros começou pelos locais onde há grande número de reclamações e depois se estenderá para outros pontos da região central. “Por causa da decomposição de material orgânico, jogado irregularmente na rede de captação de chuvas, o mau cheiro obriga comerciantes e taxistas a cobrirem os bueiros”.
Apesar de ser uma região de urbanização antiga, ainda há pontos de esgotos irregulares no centro de Curitiba. “É preciso descobrir quem polui a rede da Prefeitura e transferir as ligações clandestinas para a rede de esgoto da Sanepar”, diz o secretário municipal de Obras Públicas, Mário Tookuni. A Sanepar trabalhará em parceria com o Município.
Para fazer a limpeza, foi contratada a empresa Águas Puras – Tecnologia para o Meio Ambiente. Há 10 anos no mercado, a empresa usará uma bactéria especial, que carrega enzimas capazes de “comer” o material orgânico em decomposição. Ao serem lançadas na rede de captação de águas pluviais, as enzimas agem por 36 horas, morrendo após este período.
“O produto é aplicado há 40 anos nos Estados Unidos e é ambientalmente seguro. Estas enzimas têm a aprovação dos órgãos ambientais municipal, estadual e federal”, afirma o diretor da empresa, José Marcelo Silva de Carvalho. As equipes vão fazer o trabalho à noite, durante todo o mês de agosto, para não prejudicar o trânsito e o tráfego de pedestres.

6794 – Medicina – Nova Arma contra o Colesterol


Uma injeção é a nova opção em estudo para reduzir a concentração do LDL, conhecido como o colesterol ruim por sua capacidade de entupir as artérias do coração, aumentando o risco de infarto. Os promissores resultados dos primeiros testes em humanos foram apresentados recentemente durante o encontro da Associação Americana de Cardiologia, um dos mais importantes do mundo na área. Os participantes da pesquisa que receberam a maior dose do remédio tiveram uma redução média 64% maior nas taxas do LDL em comparação com os voluntáriosque receberam placebo.
Criada pela empresa de biotecnologia Amgen, a medicação é inovadora em dois sentidos. É a primeira a ser ministrada via injeção. Também é o primeiro anticorpo monoclonal contra o colesterol. Esse tipo de medicamento, já usado por exemplo no tratamento de alguns tipos de tumores, é uma das estratégias de tratamento mais modernas da medicina. Eles são criados para atuar sobre pontos específicos característicos de cada doença. É como se fossem flechas direcionadas para alvos precisos, o que aumenta sua chance de eficácia.

No caso do colesterol, o foco é a proteína chamada PCSK9. Ela está envolvida no metabolismo das gorduras do sangue e prejudica a capacidade do fígado de eliminar o LDL. Para impedir sua atuação, os pesquisadores criaram o anticorpo monoclonal AMG 145. “Nos testes, verificamos que a molécula de fato reduz a ação da proteína”, disse a uma entrevista, o cardiologista Scott Wasserman, do Departamento de Desenvolvimento Clínico da Amgen. Além da queda na concentração de LDL, houve também redução do colesterol total (soma de todos os gêneros de colesterol) e não foi registrado impacto sobre os níveis do HDL, o bom colesterol (ele ajuda o organismo a limpar os vasos sanguíneos dos depósitos de gordura).
Em princípio, a medicação seria indicada para os pacientes com dificuldade de responder ao tratamento convencional, baseado em dieta, exercício físico e remédios orais quando necessário. Animada com os resultados, a companhia lançou a segunda fase dos estudos em humanos para determinar doses ideais e a frequência das aplicações.

6427 – UFRJ inaugura maior complexo para pesquisas em biotecnologia do Brasil


O complexo desenvolverá projetos nas áreas médica, farmacêutica e de sustentabilidade socioambiental, com grupos de pesquisa de caráter multidisciplinar e quatro grandes unidades de estudo:

Bicombustíveis
Área que estudará microalgas como alternativa viável, renovável e menos poluente para o setor de combustível.

Biofármacos e Dispositivos Biomédicos
Tem a proposta de criar novas matérias primas que subsidiem a fabricação medicamentos no Brasil, sem a necessidade de importação ou quebra de patentes de medicamentos produzidos no exterior – o que traz benefícios como a diminuição no valor final de remédios.

Biocatalisadores e Bioprodutos
Desenvolvimento de projetos que visam substituir produtos químicos e petroquímicos por produtos orgânicos, com a utilização de enzimas para a fabricação de produtos nas mais diversas áreas (farmacêutica, cosméticos, têxtil, alimentos, detergentes, biocombustíveis, etc).

UFRJ inaugura maior complexo para pesquisas em biotecnologia do Brasil

O complexo desenvolverá projetos nas áreas médica, farmacêutica e de sustentabilidade socioambiental, com grupos de pesquisa de caráter multidisciplinar e quatro grandes unidades de estudo:

Bicombustíveis
Área que estudará microalgas como alternativa viável, renovável e menos poluente para o setor de combustível.

Biofármacos e Dispositivos Biomédicos
Tem a proposta de criar novas matérias primas que subsidiem a fabricação medicamentos no Brasil, sem a necessidade de importação ou quebra de patentes de medicamentos produzidos no exterior – o que traz benefícios como a diminuição no valor final de remédios.

Biocatalisadores e Bioprodutos
Desenvolvimento de projetos que visam substituir produtos químicos e petroquímicos por produtos orgânicos, com a utilização de enzimas para a fabricação de produtos nas mais diversas áreas (farmacêutica, cosméticos, têxtil, alimentos, detergentes, biocombustíveis, etc).

UFRJ inaugura maior complexo para pesquisas em biotecnologia do Brasil

O complexo desenvolverá projetos nas áreas médica, farmacêutica e de sustentabilidade socioambiental, com grupos de pesquisa de caráter multidisciplinar e quatro grandes unidades de estudo:

Bicombustíveis
Área que estudará microalgas como alternativa viável, renovável e menos poluente para o setor de combustível.

Biofármacos e Dispositivos Biomédicos
Tem a proposta de criar novas matérias primas que subsidiem a fabricação medicamentos no Brasil, sem a necessidade de importação ou quebra de patentes de medicamentos produzidos no exterior – o que traz benefícios como a diminuição no valor final de remédios.

Biocatalisadores e Bioprodutos
Desenvolvimento de projetos que visam substituir produtos químicos e petroquímicos por produtos orgânicos, com a utilização de enzimas para a fabricação de produtos nas mais diversas áreas (farmacêutica, cosméticos, têxtil, alimentos, detergentes, biocombustíveis, etc).

Ecologia Microbiana e Biotecnologia do Petróleo
Problemas como a disposição e reuso de resíduos e dejetos, transporte de contaminantes pelo subsolo, recuperação de áreas degradadas e biocorrosão de dutos, serão avaliados, estudados e monitorados nesta área de pesquisa.
Para Renato Rozental, pesquisador da UFRJ e um dos idealizadores do complexo, “cumprir o papel social de promoção do conhecimento está além dos espaços acadêmicos e novas estruturas são necessárias para garantir diferentes áreas de conhecimento em benefício da sociedade”.

4382 – O que é a Biotecnologia?


Trata-se da tecnologia baseada na biologia, especialmente quando usada na agricultura, ciência dos alimentos e medicina. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU possui uma das muitas definições de biotecnologia.
A definição ampla de biotecnologia é o uso de organismos vivos ou parte deles, para a produção de bens e serviços. Nesta definição se enquadram um conjunto de atividades que o homem vem desenvolvendo há milhares de anos, como a produção de alimentos fermentados (pão, vinho, iogurte, cerveja, e outros). Por outro lado a biotecnologia moderna se considera aquela que faz uso da informação genética, incorporando técnicas de DNA recombinante.
A biotecnologia combina disciplinas tais como genética, biologia molecular, bioquímica, embriologia e biologia celular, com a engenharia química, tecnologia da informação, robótica, bioética e o biodireito, entre outras.
Antes dos anos 1970, o termo biotecnologia era utilizado principalmente na indústria de processamento de alimentos e na agroindústria. A partir daquela época, começou a ser usado por instituições científicas do Ocidente em referência a técnicas de laboratório desenvolvidas em pesquisa biológica, tais como processos de DNA recombinante ou cultura de tecidos. Realmente, o termo deveria ser empregado num sentido muito mais amplo para descrever uma completa gama de métodos, tanto antigos quanto modernos, usados para manipular organismos visando atender às exigências humanas. Assim, o termo pode também ser definido como, “a aplicação de conhecimento nativo e/ou científico para o gerenciamento de (partes de) microorganismos, ou de células e tecidos de organismos superiores, de forma que estes forneçam bens e serviços para uso dos seres humanos.
Há muita discussão – e dinheiro – investidos em biotecnologia, com a esperança de que surjam drogas milagrosas. Embora tenham sido produzidas uma pequena quantidade de drogas eficazes, no geral, a revolução biotecnológica ainda não aconteceu na indústria farmacêutica. Todavia, progressos recentes com drogas baseadas em anticorpos monoclonais, tais como o Avastin da Genentech, sugerem que a biotecnologia pode finalmente ter encontrado um papel a desempenhar nas vendas farmacêuticas.

2787 – Biologia: Micróbios amigos


Nem todas as bactérias causam doenças, algumas comem lixo. Petróleo, plásticos, resíduos industriais, inseticidas — a lista cresce a cada dia. É natural, já que as bactérias foram os primeiros seres do planeta. Compõem-se de uma única célula e rapidamente aprendem a extrair energia e nutrientes a partir das mais variadas substâncias.
As comedoras de petróleo estão entre as mais eficientes lixeiras. Pertencentes ao gênero Pseudomonas, elas podem limpar a borra dos tanques nos superpetroleiros, uma imundície que antes se bombeava ao mar. Ou então eliminar vazamentos acidentais desses navios. Recentemente, as bactérias devoraram uma gigantesca mancha de pe tróleo, deixada nas costas do Alasca pelo navio Exxon-Valdez, em 1989. O óleo se degradaria naturalmente, mas os micróbios fizeram o serviço num tempo quatro vezes menor, duas semanas.
Mas as bactérias que estão causando maior sensação pertencem aos gêneros Citrobacter e Desulphovibrio. Elas não comem, mas absorvem metais altamente tóxicos dos rios e lagoas. Agem como esponjas, acumulando metais em sua membrana. Melhor ainda: como todo metal é pelo menos um pouco magnético, os microorganismos podem ser “pescados” das águas por meio de um eletroímã. O eletroímã é arrastado pela água quando se nota que os microorganismos estão repletos de metais venenosos.
Nessa situação, eles parecem cobertos de penugem, ao microscópio. Experiências recentes, na Holanda, mostram que esse método elimina mais de 90% das substâncias perigosas num tanque de água.

2724-☻Mega Polêmica-BIOTECNOLOGIA: Ciência e Con(ciência)


Aspectos científicos, éticos e econômicos

· 1944: Oswald T. Avery isola o DNA
· 1953: James Watson e Francis Crick descrevem a “dupla-hélice”
· 1973: Stanley Cohen e Herbert Boyer criam a técnica do DNA recombinante
Organismos Geneticamente Modificados (Transgênicos)

Organismos nos quais foram inseridos genes de outras espécies

Exemplos
Soja Roundup Ready (Monsanto): contém genes virais e bacteriano;
milho Bt (Novartis): genes da bactéria Bacillus thuringiensis;
Ratos com genes para GH humano
Tabaco sem o gene para a produção de nicotina
Argumentos favoráveis
· Combate à fome
· Prevenção e cura de doenças
· Redução nos custos de produção agrícola

Argumentos contrários
· Quantidade e duração dos testes de biossegurança não são ainda satisfatórios
· Problemas de saúde para o homem
· Contaminação de espécies selvagens com os genes inseridos nas plantas cultivadas
· Antibióticos marcadores poderiam eliminar variedades menos perigosas de bactérias

Experimentos positivos
· Mosquitos transmissores da malária imunes ao plasmódio (Margareth Capurro – Unifesp)
· Gatos anti-alérgicos (Transgenic Pets – EUA)
· Levedura “inteligente“
· Arroz dourado

A CLONAGEM
· Produção de células ou indivíduos idênticos a uma matriz

· 1996: nasce Dolly, primeiro animal clonado a partir de uma célula adulta
· Técnica: transferência nuclear
· 277 tentativas prévias
Projeto Missyplicity
CopyCat, primeiro animal doméstico clonado
Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Texas A&M
De 87 embriões produzidos apenas ela nasceu
2000: clonagem de primata usando células embrionárias
2000: anúncio da existência de Xena
17/03/2001: Vitória, primeiro clone animal brasileiro, feito a partir de células embrionárias (EMBRAPA – Brasília)
27/04/2002: Marcolino, clone de um feto (USP – São Paulo)
Células de um feto masculino foram usadas por engano no lugar das amostras retiradas da orelha de uma vaca
11/07/2002: Penta, o primeiro clone brasileiro produzido a partir de células adultas (UNESP – Jaboticabal)
19 embriões produzidos
Apenas um se desenvolveu
Morre em 12/08/2002
05/02/2004: nasce Vitoriosa, clone de Vitória
Morre ao final de junho de 2004

Clonagem de espécies extintas

· Lobo da Tasmania (tilacino)
· Número de tentativas frustradas em experiências de clonagem é bastante alto
· Clones nascidos, na maioria das vezes, apresentam deficiências fisiológicas, sobrevivendo por pouco tempo
· Possível explicação: instabilidade genética das células-tronco em meio de cultura, decorrente do mal funcionamento dos genes marcados (imprinted)
· Alguns animais nascem com peso 60% superior ao normal ou com a cabeça grande demais
CLONAGEM HUMANA
Os argumentos pró
· Ajuda a casais inférteis
· Possibilidade de uma família recuperar um ente querido que faleceu
· Razões religiosas, como no caso dos Raëlians
AS CÉLULAS-TRONCO
· Células pluripotentes
· Características:
· Auto-replicação
· “Imortalidade”
· Estabilidade genética

· Propósito: formação de tecidos adultos em laboratório para tratamento de doenças e lesões

· Fontes: células embrionárias ou células especializadas reprogramadas

· 1998: isolamento das primeiras células-tronco humanas (James A. Thomson – Universidade de Wisconsin – EUA)

BIOECONOMIA – TRANSGÊNICOS

No final do século XVIII, o pastor protestante Thomas Malthus lançou sua famosa teoria sobre o crescimento demográfico e a produção de alimentos, constatando que a população cresceria em uma progressão geométrica (P G ) e a produção de alimentos em uma progressão aritmética (P A ), desta forma o futuro revelava-se sombrio, a fome seria inevitável (Por sinal o pastor protestante pregava a abstinência sexual como uma forma de controle populacional, pregação esta solenemente ignorada pelos seres humanos …) !
Outras teorias foram desenvolvidas no século seguinte, como a Antimalthusiana e a Neomalthusiana. A Antimalthusiana defendia uma melhor distribuição de renda como uma forma de diminuir a população, partindo do pressuposto que as camadas de baixa renda tem mais filhos, uma melhor distribuição de renda poderia ajudar. Com uma renda mais adequada as classes de baixa renda teriam acesso a educação e a conscientização do controle populacional, além de mais recursos para consumir em outras atividades, desprezando o sexo nas horas vagas.
A teoria Neomalthusiana procura enfatizar a necessidade de esterilizar as mulheres mais pobres, o incentivo ao uso dos preservativos e da cirurgia de vasectomia nos homens como formas eficientes de controle populacional, também partindo do pressuposto que as camadas de baixa renda na população são aquelas que demonstram um crescimento demográfico mais acentuado.
Conforme podemos observar as teorias acima eram alarmistas, entretanto o tempo comprovou os erros de Malthus (será? Imagine quantas guerras e epidemias ocorreram no século XX ? Será que Malthus acertaria ?), segundo seus cálculos hoje teríamos cerca de 30 bilhões de seres humanos, entretanto o mesmo acabou prevendo a persistente fome que ainda permeia a humanidade, os alimentos transgênicos poderiam eliminar este problema ?
A ONU prevê o fim da fome em 100 anos, a meta para eliminá-la teve inicio em 1997 e em 13 anos o problema seria reduzido pela metade (o que corresponde saciar a fome de 400 milhões de pessoas).
Apesar do otimismo da ONU (que continua extremamente eficiente na elaboração de relatórios técnicos sobre os problemas do mundo), temos que entender a fome como um problema conjugado com política (guerras, como aquelas desenvolvidas na África, onde as tribos ou facções governantes escondem alimentos de outras tribos ou facções), economia (má distribuição de renda em várias localidades, o que também é uma questão política) e meio ambiente (catástrofes naturais, regiões com condições inóspitas, etc.).
Atualmente o mundo tem 840 milhões de famintos e desnutridos, sendo 11 milhões em países ricos e 30 milhões em países em desenvolvimento, o custo para eliminar a fome seria de 24 bilhões de dólares/ano, por um prazo de 100 anos (atualmente apenas 10% dos famintos são atendidos e a ajuda cai todos os anos).
Os problemas realmente são terríveis, não parece existir uma predisposição para acabar com a fome no mundo, veja o caso da Coréia do Norte, os país possui uma legião de famintos, no entanto o governo comunista (pasmem, comunista, um governo que um dia deveria atender os operários e camponeses !) desenvolve mísseis balísticos e provoca seus vizinhos mais poderosos (Japão e Coréia do Sul) com testes em direção ao mar, o custo dos mísseis é elevado, mas em nome da soberania da Coréia do Norte o povo passa fome, mais vale um míssil voando, do que saciar a fome de milhares de seres humanos (percebeu, esta não é a lógica apenas do capitalismo !) !
Entre 1997 e 2000 20 milhões de pessoas morreram de fome em países como o Afeganistão e o Camboja, considerados de terceiro mundo.
Na Índia o governo autorizou o consumo de batata transgênica, com 30% a mais de proteína (transgênico com gene do Amaranto), o que vem contribuindo decisivamente para melhorar as condições de saúde do Hindu, visto tratar-se de um dos povos mais pobres do mundo (apesar de iniciativas como essa o governo indiano vem proibindo o consumo do arroz dourado, a moratória deve durar cinco anos).
Outras informações sobre o consumo de transgênicos nos países de terceiro mundo contra a fome vem da Zâmbia, o governo deste país proibiu o consumo de milho transgênico enviado pelos EUA, apesar de não existir nenhuma prova contra o produto, o Estado proibiu o consumo da população, engrossando o coro das organizações não governamentais contrárias ao consumo.
Apesar de algumas situações como esta o consumo de transgênicos já atinge 2,5 bilhões de pessoas e gera atualmente negócios da ordem de 30 bilhões de dólares/ano, podendo chegar a 250 bilhões de dólares/ano em 2010 (vejam que negócio atraente, compreendem agora o fascínio das grandes empresas por este ramo ?).
Atualmente 99% dos 40 milhões de hectares de lavouras transgênicas encontram-se em três países: EUA, Canadá e Argentina (surpreendente esta última, não ? A Argentina parece caminhar a passos largos para integrar-se na nova economia, oriunda dos produtos geneticamente modificados). No Brasil os transgênicos estavam proibidos, eram permitidos apenas para pesquisas e testes, entretanto como já era produzido e comercializado sem fiscalização por parte do Estado o governo acabou autorizando, a situação agora regularizada deve render bons lucros para os produtores e bela arrecadação para o Estado, os testes parecem comprovar a segurança dos produtos.
A União Européia que representa um berço civilizatório é radicalmente contra os transgênicos e suspendeu a venda de novos produtos, além disso obriga que os rótulos indiquem a origem transgênica das mercadorias.
Os EUA, o maior mercado consumidor do mundo (em virtude do poder de compra do dólar), apresenta 60% dos alimentos transgênicos, ou seja, mais da metade dos produtos consumidos pelos americanos já tem origem transgênica. Nosso vizinho, a Argentina, já consome transgênicos com relativa abundância, 90% da soja e 20% do milho consumidos são transgênicos, parece difícil impedir que os brasileiros sigam o mesmo caminho.
Os agricultores calculam uma economia de 30 dólares por hectares cultivados com soja transgênica. Evidentemente que o lucro estimula esta produção, tornando-a inevitável. O futuro pertence aos transgênicos.

BIOÉTICA

O Homem está no limiar de uma nova era, a primeira experiência envolvendo a clonagem humana é assunto dos noticiários de vários órgãos de notícias, entretanto é imperativo discutir se estamos prontos para aceitar esta nova realidade, se ela é realmente necessária, as conseqüências desta nova situação sobre o ser humano e sobre as relações humanas. Nem tudo o que é cientificamente possível é eticamente aceitável. É tempo de clonar ?
ÉTICA

Diz respeito a consensos possíveis e temporários entre diferentes agrupamentos sociais, que embora possuam hábitos, costumes e moral diferentes, e mesmo divergindo na compreensão de mundo e nas perspectivas de futuro, às vezes conseguem estabelecer normas de convivência social relativamente harmoniosas em algumas questões.

Acima temos um conceito de ética, percebam que ela encontra-se num patamar mais elevado da moral, a ponto de reunir e conciliar vários tipos de morais, como a masculina, a feminina, a infantil, a política, desta forma, apesar de reunir as mesmas origens na Civilização Grega Clássica, podemos defini-las isoladamente, atualmente

CONCEPCÕES DE ÉTICA

ÉTICA BASEADA NA AUTORIDADE (ESTADO, IGREJA, ETC)
ÉTICA BASEADA NA TRADIÇÃO
ÉTICA BASEADA NA “ORDEM NATURAL DAS COISAS”

O quadro acima oferece-nos algumas concepções de ética através dos tempos; analisem a BIOÉTICA a partir das mesmas, nenhuma parece capaz de impedir o avanço da BIOTECNOLOGIA. A ética baseada na autoridade estatal encontra-se declinante, o Estado Nacional apresenta-se em vias de ser substituído por organizações políticas supranacionais como a ONU e a OTAN e blocos econômicos como o NAFTA e a COMUNIDADE EUROPÉIA. Atualmente, apesar de vários governos em todo o mundo anunciarem que proibiram a clonagem humana, o cientista italiano Severino Antinori anuncia que clonará seres humanos em águas internacionais, ou ainda em algum local secreto pelo mundo. A ética baseada na Igreja também parece incapaz de deter alguns cientistas, a Igreja Católica comparou o próprio Altinori aos médicos nazistas que realizaram experiência científicas em seres humanos durante a Segunda Guerra Mundial, entretanto Altinori defendeu-se lembrando de Galileu Galilei, que foi torturado pela Inquisição (Tribunal criado pela Igreja Católica), no início da Idade Moderna, por defender a teoria Heliocêntrica criada por Nicolau Copérnico. Motivos religiosos podem, na verdade, estimular a clonagem, como é o caso dos raelianos, membros de uma seita religiosa, que acredita que o ser humano atingiu a maturidade divina, pois ela (a clonagem) possibilitará a eternidade.
A ética baseada na tradição e na ordem natural das coisas também sofre um desgaste, pois argumentos como “não devemos alterar a natureza” ou “nunca fizemos isso” estão completamente desvalorizados, principalmente depois da Revolução Industrial, quando o Homem alterou o meio ambiente e rompeu com antigas tradições.
O passado da ciência revelou-se extremamente inescrupuloso nas relações envolvendo ética e experiências científicas, vejamos alguns casos abaixo.

LICÕES DE HISTÓRIA

Médico inglês Edward Jenner (1749 – 1823): aplicou o pus da varíola bovina em criança; através desta experiência conseguiu – se a vacina antivaríola;
Louis Pasteur (1822 – 1895): realizou testes em humanos com o vírus da raiva durante cinco anos, deste procedimento surgiu a vacina anti – rábica;
Carlos Juan Finlay (Cuba, 1833 – 1915): descobridor da agente da febre amarela, durante 19 anos testou 120 pessoas com “picadas” de mosquitos contaminados;
John Hunter (1767): auto-inoculou-se com pus de gonorréia e sífilis, morrendo a seguir.
NAZISMO – Lei da Proteção do Sangue e da Honra alemães, 1935 (ideal da raça pura), desenvolvimento das Lesborns (creches e maternidades para os filhos e mulheres das SS), experiências com humanos nos campos de concentração;

Como podemos observar as experiências acima não primaram pela ética e respeito ao ser humano, no entanto conseguiram alguns resultados, será este o caminho a trilhar com a clonagem humana ?
Em 1978, nasceu Lousie Brown, o primeiro bebê de proveta, naquela ocasião a chance de sucesso da experiência era de cinco por cento, hoje a mesma técnica encontra cinqüenta por cento de êxito. Devemos continuar com a clonagem ?
Observando as experiências acima, você percebeu a presença da ciência Nazista ?
A Alemanha Nazista desenvolveu pesquisas envolvendo biotecnologia (1934 – 45), com o firme propósito de avançar na área de EUGENIA:

EUGENIA: Doutrina cujo objeto de estudo são as questões referentes aos “melhoramentos” físico e mental do Homo Sapiens; incentiva a reprodução dos “aptos”, limitando, e até excluindo, a reprodução dos que portam “defeitos”.

Lendo o conceito de Eugenia acima você consegue perceber os “melhoramentos” desejáveis na Alemanha Nazista, quais seriam os “aptos”, e os “defeituosos” ?
As Lesborns Nazistas eram creches e maternidades mantidas pelo Estado; as prostitutas, reconhecidamente alemãs, eram recrutadas pelo governo para reproduzir com os soldados da SS (tropas de elite Nazista) os futuros alemães, puros, ousados, empreendedores, ativos, inteligentes, corajosos, além de fisicamente superiores a qualquer outra raça, o tipo “nórdico” dominaria o mundo, este era o “apto”, enquanto outras raças, como os judeus, ciganos, negros e eslavos seriam os “defeituosos”, que precisavam ser substituídos e ou escravizados. Será que a raça humana está pronta para superar esta situação, ou a clonagem abrirá novamente este pesadelo ?
Os horrores Nazistas foram impressionantes, cobaias humanas eram utilizadas nos campos de concentração e nas grandes empresas alemãs (principalmente a Bayer), os prisioneiros-cobaias eram testados em seu limite a dor, ao congelamento e a outros martírios. Quando o mundo descobriu estas experiências, surgiu uma comoção estarrecedora, o ser humano atingiu níveis bestiais de selvageria, desta forma, durante o Julgamento de Nuremberg (onde estipulou-se as punições aos líderes Nazistas), definiu-se o Código de Nuremberg, que tentava estipular regras e alguma ética para as pesquisas envolvendo seres humanos nas próximas décadas.

CÓDIGO DE NUREMBERG

Define como ética a pesquisa em humanos, desde que tenha como pilares a utilidade, a inocuidade e a autodecisão da pessoa que participa da experiência. Baseia – se na afirmativa de que nenhuma experimentação poderá visar objetivos políticos, eugênicos ou bélicos. Define também que os interesses da pessoa devem prevalecer sobre os interesses da ciência e da sociedade.

Sem dúvida trata-se de um belo parâmetro ainda hoje, entretanto o Código de Nuremberg deixa inúmeras lacunas, vejam a pesquisa que tem objetivos “meramente científicos” será que elas existem …, no mundo do capital nenhuma pesquisa é neutra e imparcial, empresas e pacientes aceitam qualquer coisa por dinheiro!

MANIPULAÇÕES GENÉTICAS

PROJETO GENOMA (SEQUENCIAMENTE DOS GENS): Entre tantas conseqüências, devemos atentar quanto a possibilidade de desenvolver-se uma carteira de identidade genética. Esta carteira identificaria as doenças que o indivíduo estaria predisposto a desenvolver, a idade de tal ocorrência; as empresas poderiam solicitá-la na contratação de um funcionário, analisando os prós e contras de uma contratação, se valeria pena instruí-lo e treiná-lo; na verdade certos indivíduos com predisposição a algumas doenças seriam marginalizados, nunca conseguiriam empregos, no mundo do capital estariam excluídos do mesmo, ou seja, um novo tipo de segregação.
HORMÔNIO DE CRESCIMENTO: Sem dúvida poderemos desenvolver super-seres; gigantes poderão jogar basquete, outros super-atletas poderão trazer títulos e prêmios para suas equipes, além de fama e sucesso para si próprio. Analisando os últimos Jogos Olímpicos constatamos, com facilidade, a crescente mercantilização do esporte, atletas faleceram recentemente sob suspeita de ingerirem substâncias tóxicas que aumentavam seu rendimento nas práticas esportivas, desta forma é fácil concluir como este engenho poderá ser aplicado pelas grandes empresas que controlam os esportes profissionais.

XENOTRANSPLANTES: Estamos preparados para receber um órgão humano desenvolvido em um animal ? Estamos conscientes que podemos desenvolver certos vírus presentes em alguns animais ? O quê sabemos sobre os efeitos psicológicos de tais experimentos ?
CLONAGEM: O eterno sonho da raça humana encontrou uma fresta de esperança: a eternidade. Importantes estudos analisam a possibilidade de clonar um humano e transmitir-lhe, com uso de técnicas mais sofisticadas que as atuais (por exemplo, utilizando nanomáquinas, microcircuitos capazes de atravessar a corrente sangüínea e o cérebro), nossa consciência e conhecimento. Outras questões éticas devem ser relacionadas neste tópico. Seria ético desenvolvermos um clone apenas para remediar-nos de uma doença, ignorando questões como o estado vegetativo de tal ser, se o mesmo possui alma, se sonha, se possui um espírito (como diz o espiritismo Kardecista) ? Estamos preparados, psicologicamente, para vivermos eternamente ?
CÉLULAS TRONCO: Um dos casos mais polêmicos está relacionado ao uso das células tronco. Estas células, usadas em vários tipos de tratamento (pois, manipulados, podem desenvolver qualquer tipo de órgão) devem pertencer a uma instituição pública ou privada ? Sem dúvida estamos diante de uma nova forma de escravidão, seres humanos, ou instituições (públicas e privadas) tornam-se proprietários de algumas células que desenvolvem órgãos humanos, ou ainda uma vida, tal situação está prevista na lei ? Além da questão ética desenvolvida acima devemos analisar este fato com mais aprofundamento, senão vejamos: onde começa a vida, a célula tronco é uma vida ? Sua destruição configura um aborto, ou ainda um assassinato ?

ALGUNS CASOS

Caso Davis X Davis (Mary Sue e Lewis Davis), em 1989 – Mary Sue e Lewis Davis eram casados, queriam filhos, entretanto Mary não conseguia engravidar. O casal procurou uma clínica de inseminação artificial e esta desenvolveu alguns embriões a partir de células do casal. Após vários abortos espontâneas o casal separou-se, dando origem a uma disputa judicial pelos embriões que a clínica mantinha congelados.
Caso da viúva de Toulouse, em 1990 – Uma senhora, conhecida apenas como viúva de Toulouse (por questões legais), entrou numa disputa judicial com uma clínica na França para recuperar os embriões desenvolvidos a partir de suas células, entretanto a clínica recusava-se a entregar os embriões alegando que com a morte do cônjuge a mesma estava desobrigada a cumprir o contrato.

Analisando os casos acima percebemos o quanto às questões acima já estão presentes em nosso cotidiano, torna-se imperativo estabelecer um novo código de ética que deverá permear o novo contexto biotecnológico.

OBJETIVOS DA BIOÉTICA

É a busca de benefícios e da garantia da integridade do ser humano, tendo como fio condutor o princípio básico da defesa da dignidade humana. Considera – se ético o que, além de bom, é o melhor para o ser humano em dado momento.

CONTEXTO DA DISCUSSÃO: CIÊNCIA E INTERVENÇÃO NA NATUREZA HUMANA

Algumas questões podem servir de base para iniciar uma discussão sobre a ética na pesquisa científica e mais especificamente na biotecnologia:

A CIÊNCIA TEM O DIREITO DE FAZER TUDO O QUE É POSSÍVEL: Acredita-se que se temos a capacidade de fazer algo, assumimos que temos o direito de fazê-lo, impedir seria uma clara violação dos direitos do pesquisador, além de contrariar a natureza humana, pois o aumento de nossos conhecimentos é uma das maiores características da raça humana.

A CIÊNCIA NÃO TEM O DIREITO DE INTERVIR NO PROCESSO DA VIDA, POIS ESTE É SAGRADO ! Esta idéia nasce do contexto religioso, Deus seria o único a ter posse da vida, entretanto tal posição pode ser perigosa, pois no passado fora utilizada para justificar alguns atos infames da Inquisição, gerando enormes perseguições a cientistas com idéias diferentes daquelas da Igreja. Esta idéia coloca o ser humano passivo diante da natureza, pois ao menor sinal de sua violação estaríamos usurpando os “direitos de Deus”.

A CIÊNCIA NÃO TEM O DIREITO DE MUDAR AS QUALIDADES HUMANAS MAIS CARACTERÍSTICAS. Essa abordagem insiste que há um limite para a intervenção da ciência, e que este limite é a natureza da pessoa humana como ela é atualmente entendida e valorizada. Na verdade, tal predisposição, deve levar em consideração a qualificação da raça humana, ou seja, a ciência deveria preocupar-se em melhorar a vida humana como a conhecemos.

A CIÊNCIA TEM O DIREITO DE INCENTIVAR O CRESCIMENTO DE CARACTERÍSTICAS HUMANAS DE VALOR E ELIMINAR AQUELAS QUE SÃO PREJUDICIAIS. Esta discussão também geraria polêmica. Como poderíamos interpretar o que tem valor e o que é prejudicial, teríamos uma discussão ética e moral que deveria considerar aspectos culturais, sociais e religiosos, talvez partindo do princípio da eliminação da dor e do sofrimento causados pelas doenças.

2685-Biotecnologia – Fungo nas fábricas


Reino á parte na natureza, são usados para controle de qualidade nas indústrias. De inconvenientes, bolores e mofos se tornaram mais um instrumento dos cientistas nas pesquisas com medicamentos, desinfetantes, inseticidas e mais recentemente anticorrosivos. Existem no mundo cerca de 300 bancos de fungos. O mais complexo é o da American Type Culture Collection ( ATCC) , nos EUA. Ali estão disponíveis mais de 50 mil microorganismos diferentes. Empresas como a Jonhson&Jonhson e Glaxo empregam fungos nos testes de laboratório para controlar a qualidade de seus produtos. O processo implica contaminar propositadamente amostras do que se quer testar, com fungos principalmente o Aspergillus Niger encontrado em abundância na natureza. São feitas análises para constatar se a população de fungos aumentou ou diminuiu. Se diminuir o conservante é eficiente. O fungo Trichodermareesei foi descoberto durante a 2ª guerra mundial, para degradar a celulose, a matéria prima do papel, até a obtenção de glicose, que depois de fermentada se transforma em álcool. Na década de 1940, o fungo foi estudado em caráter de urgência por laboratórios americanos, pois desintegrava em poucos dias o tecido das barracas do exército, armadas em campo de batalha. O esforços se concentravam em conhecer como ele produz a enzima que degrada a celulose para inseri-la na levedura que transforma a glicose em álcool. Bolores como a Penicilina Citrino, secretam substâncias potencialmente tóxicas, como a citrinina, que atacam células do fígado. O EMBRAPA elaborou um catálogo com mais de 300 fungos isolados para pesquisa na área de controle biológico de lavouras, ou inseticidas biológicos. Fungo não é vegetal nem animal, apesar de ter características de ambos.

2376-O que é Biotecnologia?


Ela está por trás dos transgênicos, da clonagem e das células-tronco, assuntos vistos com preconceito e desinformação por boa parte da população. Influenciado por isso, podemos concluir que se trata de uma ciência perigosa e muito distante de sua realidade. O que ele não sabe é que todos os dias, um simples padeiro está lidando com a biotecnologia. Ela continua presente em sua vida durante a cervejinha com os amigos e em outros momentos. “A biotecnologia, que, em um sentido mais amplo, pode ser definida como o uso de qualquer organismo vivo domesticado para produzir novos itens, existe há milhares de anos. O pão e a cerveja, fermentados pela ação de microorganismos, podem ser considerados produtos biotecnológicos”, diz Paulo Lee Ho, diretor do Centro de Biotecnologia do Instituto Butantan. Essa definição deixou mais claro o potencial dessa ciência para Dorival. O agricultor, que vive no interior do Tocantins, mal consegue pronunciar a palavra biotecnologia, mas sabe que seu filho só está vivo hoje por causa dela. Robson sofre de um problema genético raro, debilitante e letal chamado doença de Gaucher, que causa a deficiência de uma enzima responsável pela digestão de gorduras de células como as hemácias. O resultado é um acúmulo de gordura em órgãos como baço, fígado, rins e pele. Como se trata de uma doença rara – são cerca de 4.800 pacientes no mundo e 520 no Brasil -, apenas em 1995 foi desenvolvida a primeira droga para tratá-la (a doença foi descrita em 1882 pela primeira vez), um medicamento biológico.