13.897 – Biologia Marinha – O Tubarão Baleia


tubarao baleia
(Rhincodon typus) é uma espécie de tubarão que se alimenta por filtração e o único membro existente da família Rhincodontidae e do gênero Rhincodon, que pertence à subclasse Elasmobranchii. É o maior peixe vivo e, de longe, o maior vertebrado não minguante existente. O maior indivíduo registrado tinha um comprimento de 12,65 m e um peso de cerca de 21,5 toneladas.
O tubarão baleia é encontrado em águas abertas oceânicas tropicais e raramente é visto em águas cujo a temperatura seja inferior a 21 graus Celsius. Estimativas sugerem uma vida útil de cerca de 70 anos, porém a longevidade exata do tubarão baleia é difícil de calcular. O tubarão baleia possuí uma boca bastante grande, e se alimenta através de filtração, somente outras duas espécies de tubarões exibem este comportamento: o tubarão boca grande e o tubarão elefante. Eles se alimentam quase que exclusivamente de plâncton e geralmente não são uma ameaça para os seres humanos.
A espécie foi oficialmente descrita em abril de 1828, após um indivíduo de 4,6 m ser capturado em uma praia na África do Sul. Andrew Smith, um médico militar associado a tropas britânicas estabelecidas na Cidade do Cabo, o descreveu no ano seguinte. O nome ”tubarão baleia” refere-se ao tamanho do peixe, sendo quase tão grande quanto algumas espécies de baleias, e também pelo fato de se alimentar através de filtração como as baleias da ordem Mysticeti.
A boca de um tubarão baleia mede aproximadamente cerca 1,5 m de largura, e possuí entre 300 a 350 fileiras de dentes minúsculos e 10 almofadas de filtração que eles utilizam para se alimentar. Tubarões baleias têm cinco grandes pares de brânquias. A cabeça é larga e plana, com dois olhos pequenos na frente. Eles geralmente são de cor cinza com o ventre branco. Sua pele é marcada com manchas e listras amarelas ou brancas, e cujo o padrão é único para cada indivíduo. O tubarão baleia têm 3 protuberâncias proeminentes ao longo da lateral de seus corpos. Sua pele pode ter até 10 cm de espessura. A espécie possuí um par de barbatanas peitorais e dorsais. As caudas dos animais jovens têm uma barbatana superior maior que a inferior, diferente dos adultos.
O tubarão baleia é o maior animal não cetáceo do mundo. O tamanho médio dos animais adultos é estimado em 9,7 m e 9 t de peso. Foram relatados vários espécimes com mais de 18 m de comprimento. O maior indivíduo já registrado foi capturado em 11 de novembro de 1947, perto da ilha de Baba no litoral do Paquistão, e tinha 12,65 m de comprimento, 21,5 toneladas de peso e uma circunferência de 7 m. São conhecidos relatos e histórias de espécimes maiores de 18 m e 45,5 t, mais nenhum registro científico comprovou a sua existência. Em 1868, o cientista irlandês Edward Perceval Wright observou um grupo da éspecie perto das Seicheles, mais alegou ter observado animais com comprimento superiores a 21 metros.
Em 1925 uma publicação feita pelo ictiólogo americano Hugh M. Smith descreveu um enorme animal capturado em uma armadilha para peixe feita de bambu na Tailândia em 1919. O tubarão era muito pesado para ser trazido a terra, mas Smith estimou que ele tinha um comprimento de pelo menos 17 m e 37 t de peso. Essas medidas mais tarde foram exageradas para 43 t e 17,98 m. Em 1994 um tubarão capturado no sul de Taiwan, supostamente pesava 35,8 toneladas. Houve também relatos de tubarões baleia de até 23 metros e 100 toneladas. Em 1934, um navio chamado Maurguani caçou um tubarão baleia no Pacífico Sul que tinha supostamente 12,20 m de comprimento e 4,6 m de circunferência. Porém não existem registros confiáveis que provem a existência de tubarões baleia gigantes e por isso essa reivindicações de tamanho são desconsideras pela maioria dos cientistas e biólogos.
O tubarão baleia habita quase todos os mares tropicais e temperados do mundo. O peixe é principalmente pelágico, vivendo em mar aberto, entretanto, não nas profundezas do oceano, embora sejam conhecidos por mergulharem em profundidades de até 1.800 m. As agregações de alimentação sazonal ocorrem em varias regiões costeiras, como partes do sul e leste da África do SulIlha de Santa Helena no Oceano Atlântico sul
O tubarão baleia é uma espécie migratória. Um tubarão-baleia, em 2018, fez a mais longa viagem de migração já registrada viajando mais de 19.000 km. através do Oceano Pacífico, ela foi rastreada fazendo a migração do Panamá para uma área próxima às Filipinas no Indo-Pacífico.
O comportamento reprodutivo dos tubarões baleia não foi observado. A captura de uma fêmea em 1996 que estava gravida de 300 filhotes confirmou que os tubarões baleia são ovovíparos. Os ovos permanecem no corpo da fêmea que dá a luz à filhotes vivos com 40 e 60 cm de comprimento. A evidências que indicam que os filhotes não nascem todos de uma vez, com a fêmea retendo o esperma de uma acasalamento e produzindo um fluxo constante de filhotes durante um período prolongado. Eles atingem a maturidade sexual por volta dos 30 anos e sua vida útil é estimada em pelo menos 70 anos e possivelmente até 100 anos.
O tubarão baleia é um filtrador e uma das três únicas espécies conhecidas de tubarão que exibem este comportamento (juntamente com o tubarão elefante e o tubarão boca grande). Eles se alimentam de plâncton, incluindo copépodes, krill, ovos de peixes, larvas de caranguejos, bem como pequenas lulas e peixes. Também se alimenta de nuvens de ovos durante a desova em massa de peixes e corais. As muitas fileiras de dentes não desempenham nenhum papel na alimentação. A alimentação acontece através da filtração, em que o animal abre a boca e nada para frente, empurrando água e comida para a boca, a água então é expulsa da boca através das brânquias retendo o alimento. Em ambos os casos as almofadas filtradoras, que são estruturas semelhantes a grandes peneiras pretas, servem para separar a água da comida. A separação de alimentos feitos pelo tubarão baleia é por filtração de fluxo cruzado, na qual a água viaja quase que paralelamente à superfície da almofada filtradora, não perpendicularmente através dela, antes de passar para o exterior, enquanto, as partículas de alimentos mais densas continuam na parte de trás da garganta. Este é um método de filtração extremamente eficiente que minimiza a incrustação da superfície da almofada filtradora. Os tubarões baleia foram observados ”tossindo”, presumivelmente para limpar a acumulação de partículas nas almofadas de filtração. Os tubarões baleia migram, tanto para se alimentar quanto para se reproduzir.
Apesar de seu tamanho, o tubarão baleia não representa perigo significativo para os seres humanos. Eles são animais dóceis e às vezes permitem que os nadadores os toquem ou que nadem ao seu lado, embora essa pratica seja desencorajada por cientistas de tubarões e conservacionistas, que acreditam que isso estressa o animal. Os tubarões baleia jovens são gentis e podem até mesmo brincar com os mergulhadores.
Atualmente não existe uma estimativa populacional mundial de tubarões baleia. A espécie é considerada Em perigo pela UICN, devido aos impactos da pesca, lesões provocadas por embarcações e capturas em redes pesca, isto somado com a reprodução lenta da espécie devido ao fato de que demoram para amadurecer, torna os tubarões extremamente vulnerável a pressões. Em 1998, as Filipinas proibiram toda a pesca, venda, importação e exportação de partes de tubarões baleia, seguida pela Índia em maio de 2001 e posteriormente Taiwan em maio de 2007.
Em 2010, o derramamento de óleo no Golfo do México resultou em 4.900.000 de barris (780.000 m cúbicos) de petróleo derramados que fluiu para uma área ao sul do Delta do Rio Mississippi, onde um terço de todos os avistamentos de tubarões baleia na parte norte ocorreram em anos recentes. Observações confirmaram que os tubarões não conseguiram evitar as manchas de óleo que estavam situadas na superfície do mar, onde a espécie se alimenta durante várias horas por vez.Felizmente,nenhum tubarão baleia foi encontrado morto na região após o incidente.

13.808 – Megalodonte, o tubarão que engoliria um elefante


mega proporção
Carcharocles (ou Carcharodon) megalodon (também denominado megalodonte ou tubarão branco-gigante) foi uma espécie de tubarão gigante que viveu entre 23 e 2,6 milhões de anos atrás no período Mioceno no Oceano Pacífico.
Extinta
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Chondrichthyes
Subclasse: Elasmobranchii
Ordem: Lamniformes
Família: Lamnidae
Género: Carcharodon ou Carcharocles
Espécie: C. megalodon
Nome binomial
Carcharodon megalodon/Carcharocles megalodon
Os dentes são em muitos aspectos similares aos do tubarão-branco atual (Carcharodon carcharias), mas com um tamanho que pode superar os 17 centímetros de comprimento, pelo que se pode considerar a existência de um estreito parentesco entre as espécies. No entanto, alguns investigadores opinam que as similitudes entre os dentes de ambos os animais são produto de um processo de evolução convergente. Por causa de seus grandes dentes que o nomearam Megalodonte que significa “dente enorme”.
O tamanho desta criatura era entre 10 e 18 metros, com uma massa que podia chegar as 50 toneladas. Em algumas primeiras reconstituições ultrapassadas, possuíam comprimentos que podiam chegar aos 30 metros, mas sabe-se hoje que o megalodonte provavelmente não ultrapassava os 20 metros.

Em 1995, foi feita uma proposta para mover a espécie para um novo género, Carcharocles. Esta questão ainda não está de todo resolvida. Muitos paleontólogos defendem a inclusão no género Carcharocles, que inclui outras três espécies, enquanto outros mantêm a conexão com o tubarão-branco e incluem ambos os animais no género Carcharodon. Os defensores de Carcharocles opinam que o ancestral mais provável do megalodonte foi a espécie Otodus obliquus, do Eoceno, enquanto o tubarão-branco descenderia da espécie Isurus hastalis.
Acredita-se que os megalodontes adultos se alimentavam de baleias e que se extinguiram quando os mares polares se tornaram demasiado frios para a sua sobrevivência, permitindo que as baleias pudessem prosperar durante o verão.
De acordo com relatos da época do Renascimento, acreditava-se que gigantescos dentes fósseis triangulares, muitas vezes encontrados incrustados em formações rochosas, pertenciam a dragões e cobras. Esta interpretação foi corrigida em 1667 pelo naturalista dinamarquês Nicolaus Steno, que os reconheceu como dentes de tubarão. Ele produziu uma famosa representação de uma cabeça de tubarão com os tais dentes. Steno descreveu suas descobertas no livro The Head of a Shark Dissected, que também continha uma ilustração de um dente de C. megalodon.

O naturalista suíço Louis Agassiz foi quem deu ao tubarão seu primeiro nome científico, Carcharodon megalodon, em 1835, em seu trabalho de pesquisa Recherches sur les poissons fossiles (“Pesquisa sobre peixes fósseis”, em tradução livre), concluído em 1843. Os dentes do megalodonte são morfologicamente semelhantes aos dentes do tubarão branco. Com base nesta observação, Agassiz categorizou a espécie dentro do gênero Carcharodon. Embora o nome científico seja C. megalodon, é muitas vezes informalmente apelidado de “tubarão-branco-gigante” ou “tubarão-monstro”.
ubarões muitas vezes empregam estratégias de caça complexas para pegar presas de grande porte. Alguns paleontólogos sugerem que as estratégias de caça do grande tubarão-branco podem oferecer pistas de como o grande megalodonte poderia ter caçado presas extraordinariamente grandes, como baleias. No entanto, a evidência fóssil sugere que C. megalodon era mais eficaz nas estratégias para capturar grandes presas em comparação com as estratégias empregadas pelo grande tubarão-branco. Os paleontólogos têm realizado um levantamento de fósseis para determinar os padrões de ataque do C. megalodon com as presas.

Durante o Plioceno, cetáceos muito grandes e avançados desapareceram. O megalodonte aparentemente era mais refinado com suas estratégias de caça para lidar com estas grandes baleias. Numerosos ossos fossilizados de nadadeiras (ou seja, segmentos das barbatanas peitorais), e vértebras caudais de grandes baleias do Plioceno foram encontradas com marcas de mordida que foram causados ​​por ataques de megalodonte. Esta evidência paleontológica sugere que o megalodonte tentava imobilizar uma grande baleia rasgando ou mordendo suas estruturas de propulsão antes de matar e se alimentar dela.
Os megalodontes jovens não eram grandes o bastante para atacar baleias. Os dentes dos jovens eram geralmente encontrados em águas rasas, sugerindo que estes grandes tubarões viviam perto das costas. E com isso eles provavelmente deveriam ter caçado peixes de grande porte e pequenos mamíferos, como o Odobenocetops.
C. megalodon é representado no registro fóssil principalmente pelos seus dentes e centra vertebral. Como acontece com todos os outros tubarões, seu esqueleto era formado por cartilagem em vez de ossos propriamente ditos.

Os fósseis mais comuns de megalodontes são seus dentes. Seus dentes têm: forma triangular, estrutura robusta, são de grande porte, serrilha boa e são em forma de V. Os dentes deste tubarão podem medir mais de 180mm de altura (ou comprimento, quando inclinado na diagonal) e são maiores do que os de qualquer outra espécie de tubarão conhecida.

Os fósseis de C. megalodon foram escavados em muitos lugares do mundo, incluindo Brasil, Europa, América do Norte, América do Sul, Porto Rico, Cuba, Jamaica, Austrália, Nova Zelândia, Japão, África, Malta, Granadinas, Índia e Madagascar. Seus dentes também foram escavados em lugares enormes,por exemplo, o Rio São Francisco em Sergipe.
Fósseis do megalodonte foram encontrados em diversos continentes.

mandibulas do mega

Megalodon_skeleton

13.616 – Peixe considerado o mais raro do mundo teve sua população Aumentada nos oceanos


peixe raro
O Thymichthys politus, ou simplesmente peixe-mão-vermelha, pensado como sendo o mais raro do mundo – mais isso até recentemente, quando os cientistas conheciam apenas 20-40 membros de sua população. No entanto, após uma descoberta casual feita pela Reef Life Survey, verificou-se que seus cardumes dobraram, segundo informações da Science Alert.
Antes da recente descoberta, a única população conhecida da espécie vivia na costa sudoeste da bacia de Frederick Henry, na Tasmânia. Já o novo clã vive em uma área diferente, que não foi divulgada para que proteção e gerenciamento dos peixes. Tudo o que se sabe é que eles foram encontrados vivendo em uma área de cerca de 50 metros de profundidade.
No entanto, para os pesquisadores, encontrar um novo grupo é emocionante, dada a raridade da espécie e possibilidade de aumentar ainda mais sua população, que era estimada em algo entre 20 e 40 peixes.
Mas, a raridade do peixe-mão-vermelha não é a única coisa impressionante sobre a espécie. Como o próprio nome indica, o peixe tem curiosos apêndices que se parecem com mãos, que usam para se movimentar ao redor no fundo do oceano.
Agora, o título de peixe mais raro do mundo poderá ser dado a um primo de espécie do T. politus, o peixe-mão-de-Ziebell, que não é avistado há mais de uma década, embora os pesquisadores temam que tenha sido extinto.

13.549 – Por Que os Corais se alimentam de plástico?


recifes de coral
Corais, parece mineral, mas é animal

Pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, derrubaram uma antiga concepção de que corais marinhos se alimentariam de plástico acidentalmente. A princípio, eles acreditavam que os pedaços indesejados e nocivos eram ingeridos por engano. De acordo com essa concepção, corais comeriam fragmentos de plástico por confundi-los com seu alimento habitual: plâncton.
Só esqueceram de enxergar o óbvio: como corais não têm olhos, seria impossível cometerem esse tipo de escorregada na dieta. Ao notarem isso descobriram que o que importa mesmo para essa equivocada escolha alimentar dos corais é o sabor.
De acordo o doutorando Austin S. Allen, um dos autores da pesquisa, “os corais do experimento comeram todos os tipos de plástico oferecido, mas preferiram três vezes mais os plásticos lisos, sem ‘cobertura’, em relação a pedacinhos que tinham um biofilme de bactérias. Isso sugere que o plástico contém algo que o deixa mais saboroso quando ingerido puro.”
A suspeita é de que algum dos componentes químicos usados na fabricação de plásticos – ou uma combinação deles – é responsável por aguçar o paladar dos corais. Diante dessa constatação, Allen e seu parceiro de pesquisa Alexander C. Seymour esperam identificar esses agentes que estimulam o apetite dos corais. “Se somos capazes de fabricar, por acaso, um plástico que é saboroso para esses animais, pode ser que também sejamos capazes de fabricar plástico que intencionalmente não seja apetitoso”, explica Seymour.

13.416 – Uma Questão de Sobrevivência – Golfinhos espancam polvos antes de comê-los


polvo espancado
Foi o que descobriram cientistas da Universidade Murdoch, na Austrália, que passaram seis anos observando golfinhos no litoral do país.
O sistema nervoso dos polvos não é centralizado – ou seja, os tentáculos continuam funcionando mesmo se o cérebro deles for esmagado – e podem estrangular os golfinhos (os cientistas encontraram um golfinho morto por um tentáculo de 1,3 m, que ele tentou comer).

12.825 – Gigantes predadores do mar correm risco de sumir por ação humana


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A bagunça ecológica causada pelo homem ao exterminar animais marinhos pode acabar sendo a pior de toda a história da Terra, revela um novo estudo.
Pesquisadores dos EUA compararam o atual processo de extinção em massa nos oceanos com os grandes episódios de sumiço de espécies do passado. Eles concluíram que a hecatombe de agora pode destruir tanta biodiversidade quanto a do fim da Era dos Dinossauros –com a diferença de que hoje os principais afetados são os animais maiores, cuja ausência traz repercussões catastróficas para os ecossistemas.
Gêneros são grupos de seres vivos um pouco mais abrangentes do que espécies –o ser humano moderno (Homo sapiens), por exemplo, pertence ao gênero Homo, assim como seus primos extintos, os neandertais (H. neanderthalensis) e os H. erectus.
Alguns gêneros incluem apenas uma espécie, outros incluem várias. Como nem sempre é fácil saber a qual espécie um fóssil pertencia (seria como distinguir leões e tigres com base apenas nos ossos), usar os gêneros como base permite uma comparação melhor entre extinções do passado e do presente.
Depois disso, dois cenários foram testados. Num deles, o mais otimista, só os gêneros que já integravam previamente outra lista de espécies ameaçadas foram apontados como “em risco”, enquanto os demais (a maioria) estariam seguros. No outro, mais pessimista, todos os que estão sob risco hoje vão sumir.
Mesmo no cenário mais otimista, 20% dos vertebrados marinhos desapareceriam, embora os moluscos (mariscos, caramujos e polvos, por exemplo) quase não seriam afetados. Na hipótese mais pessimista, porém, que provavelmente também é a mais realista, cerca de 40% de todos os gêneros somem.

ADEUS, TUBARÃO-BRANCO
Tão importante quanto a magnitude da catástrofe, porém, é quem ela está afetando preferencialmente. Por ora, as principais vítimas são os animais de grande porte –tubarões, atuns e peixes-espadas, que estão entre os grandes alvos da pesca predatória.
Dá para expressar isso com precisão matemática, dizem os pesquisadores. A chance de um animal marinho de hoje estar correndo risco de extinção aumenta 13 vezes a cada aumento de dez vezes no seu tamanho (ou seja, peixes que medem 1 metro têm 13 vezes mais probabilidade de estarem ameaçados do que peixes de 10 cm).
Esse padrão é inédito, aliás –nenhuma das extinções do passado foi tão seletiva. Trata-se de uma péssima notícia porque animais de grande porte são engenheiros dos ecossistemas. Sua presença evita que os bichos menores se multipliquem em demasia, gerando um equilíbrio entre uma diversidade maior de espécies pequenas.
Por exemplo, a população de uma arraia normalmente caçada por tubarões de grande porte do Atlântico Norte explodiu para 40 milhões de indivíduos após o sumiço de 90% dos peixões. As arraias comeram tantos mariscos que a pesca desses moluscos na baía de Chesapeake (EUA) entrou em colapso. Se nada for feito, efeitos-dominós do tipo vão se tornar comuns.

12.753 – Biologia Marinha – Um tubarão que vive 400 anos


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Se a puberdade já é ruim para os humanos, imagine o que é esperar mais de um século por ela. O tubarão da Groenlândia (Somniosus microcephalus) leva 156 anos para atingir a maturidade sexual. Mas isso não é nem metade do tempo de vida da espécie, que pode ultrapassar os 400 anos. Um novo estudo publicado na revista Science foi o primeiro a conseguir estabelecer a expectativa de vida do bicho – e ele hoje é considerado o vertebrado com a vida mais longa do planeta.
Esse tubarão leva a vida “devagar e sempre”: ao contrário de seus colegas de espécie mais ágeis, ele nada a 1,5 km/h – não dá nem para pensar em fazer um filme de terror nessa velocidade. Por causa da lerdeza, o Somniosus microcephalus não pode ter frescura para se alimentar: come de tudo, de baleia e polvo até um mamífero terrestre que caia na água.
Os cientistas já tinham encontrado algumas pistas de que o tubarão da Groenlândia chegava a idades muito avançadas. Eles crescem (de novo) extremamente devagar – cerca de 1 cm por ano. Quando nascem, têm apenas 42 cm. Mas os próprios pesquisadores viam tubarões adultos de 5 metros. A conta não fecha, a menos que eles vivam um ciclo de quatro séculos. Como ter certeza?
Primeiro, os cientistas tentaram analisar os ?anéis de crescimento? – como aqueles que ajudam a datar árvores e que alguns animais também possuem, nos ossos – mas não encontraram nenhum. A solução improvável foi olhar para o passado nuclear da Groenlândia.
O oceano ao redor da Groenlândia foi palco de uma série de testes de bombas nucleares nos anos 60. O fluxo de neutrons térmicos produzido pelas bombas atômicas reagiam com átomos de nitogênio, formando um tipo artificial de carbono-14 em quantidades muito maiores que as normais, tanto na atmosfera quanto no mar. O carbono extra foi se alojar em partes do corpo em desenvolvimento na época – como a retina dessa espécie de tubarões.
Os cientistas analisaram a concentração ocular de carbono-14 de uma série de carcaças do tubarão. Só encontraram uma quantidade anormal em três deles, o que indica que eles nasceram nos anos 60. Usando a técnica de datação por decaimento do carbono-14, eles conseguiram precisar que um deles nasceu em 1963.
Conforme a suspeita dos cientistas, esses eram também os tubarões menores, com menos de 2 metros. Os demais bichos não tinham concentrações anormais de carbono 14 porque já estavam completamente formados durante os testes nucleares, o que indica que são ainda mais velhos.
Juntando os dados que tinham sobre idade, tamanho e carbono, os cientistas estimaram que o tubarão mais velho da amostra tinha 400 anos – e a expectativa de vida média deles ficaria perto dos 392 anos, com uma margem de erro de 150 anos para mais ou para menos.
Com isso, o Somniosus microcephalus disparou no primeiro lugar de vertebrado mais velho do planeta. A antiga campeã, a vizinha baleia da Groenlândia (Balaena mysticetus), chega a meros? 211 anos de vida, ficando para trás por mais de um século.

12.738 – Biologia – Peixes não Existem (?)


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Existe um grupo de cientistas, apelidados de cladistas, que garantem que peixes não existem. Eles acreditam que a mera ideia de um grupo chamado “peixes” vai contra aquilo que sabemos sobre a evolução das espécies.
Para visualizar a história evolutiva do nosso planeta, os cientistas distribuem as espécies em árvores filogenéticas – Árvores da Vida -, que mostram como os seres se desenvolveram a partir de antepassados comuns. Um grupo de espécies que deriva de um mesmo antepassado forma um clado.
Essas bolinhas aqui em cima indicam antepassados comuns. Assim, mamíferos e répteis formam um clado pequeno a partir da bolinha à direita. Mas os clados podem ser ainda maiores, começando em qualquer uma dessas bolinhas. O problema é que os quatro primeiros grupos dessa imagem são todos chamados de “peixes”. Cada um deles pode ser considerado um clado separadamente. Mas se você tentar juntar todos em um grupo evolutivo só? Tem que apelar para o “mínimo múltiplo comum”, o antepassado mais antigo de todos eles.
Só que, nesse caso, o clado acaba incluindo também mamíferos, anfíbios e formas de vida radicalmente diferentes entre si. É como tentar encontrar semelhanças físicas entre primos com 5 graus de distância.
A conclusão dos cladistas é que então, segundo a classificação evolutiva, ou os peixes não existem, ou todos nós somos peixes.
Essa afirmação soa absurda, mas na realidade reflete uma disputa entre duas formas de classificar os seres vivos: o sistema taxonômico de Lineu (aquele que divide os seres em espécies, gêneros, famílias, ordens, classes e reinos) e o filogenético. Antes do desenvolvimento da Teoria da Evolução, a forma de estudar e classificar as espécies era muito mais visual: os cientistas examinavam ser a ser, então colocavam os mais parecidos (interna e externamente) nos mesmos “rankings” de classificação – que em geral, são os que aprendemos na escola.
Já a evolução acabou colocando em cheque a relação taxonômica entre seres que se parecem, mas estão em posições bastante diferentes na árvore filogenética da evolução. O peixe pulmonado, por exemplo, é pouco discernível de um bacalhau, mas tem um antepassado evolutivo comum mais recente com a vaca do que com o salmão. Assim, na taxonomia evolutiva, os dois peixes acabam separados. É o que os cladistas chamam de debate de “instinto versus ciência”.
Pode parecer um mero detalhe, mas classificações filogenéticas rigorosas ajudam os cientistas a entender – e a explicar – fatos bizarros, como a relação importante entre dinossauros e galinhas. Da próxima vez que for ao aquário, além de procurar o Nemo, vale se perguntar se aqueles peixinhos nadando lado a lado são “irmãos” darwinianos ou primos separados por milhares de anos de pressão evolutiva.

12.465 – Biologia – Austrália vai infectar carpas invasoras com herpes


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Carpas podem parecer inofensivas em aquários aqui no Brasil, mas na Austrália elas são um problema sério: lançam lama na superfície dos rios onde vivem, competem com outros peixes por comida, desequilibram o meio ambiente e geram um prejuízo de 500 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 1,3 bilhão) por ano para o país. Desde 1970, o governo tem lutado para encontrar uma solução para o problema, mas só agora encontrou uma arma ecologicamente viável: matar a praga com o vírus da herpes.
A ideia é contaminar a maior bacia hidrográfica do país, a Murray-Darling, que tem 3400 km de extensão – de acordo com projeções do ministério da Ciência, a doença deve matar 95% dos peixes invasores em até 30 anos. Mas pode ficar tranquilo: esse tipo de herpes – chamado cyprinid herpesvirus-3 -, só ataca as carpas, e não faz mal nem aos seres humanos nem a outros animais. Pelo menos é o que diz a Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, uma espécie de Anvisa australiana, que nos últimos dez anos tem realizado testes em galinhas, ratos, sapos, tartarugas e outros peixes para verificar se há algum perigo, e deu o sinal verde para o ataque.
A herpes que o governo pretende usar como arma contra a superpopulação foi especialmente desenvolvida para as carpas. Ela ataca os rins, as guelras e as escamas dos peixes e faz com que elas parem rapidamente de respirar. Parece cruel, mas a morte é rápida e indolor: depois de infectadas, as carpas passam uma semana sem sintomas, carregando e espalhando o vírus entre os outros peixes da espécie, e morrem de repente, nas últimas 24 horas.
Toda essa estratégia, porém, não vai ser nada barata. O custo estimado é de 15 milhões de dólares australianos (R$ 40 milhões), que serão direcionados principalmente para a remoção e o descarte dos peixes mortos. Este, aliás, é o maior problema de usar uma doença como arma – em poucas semanas, milhares de carcaças de carpas se amontoarão nas margens da bacia hidrográfica, e o governo ainda não decidiu o que fazer. Algumas ideias são enterrar os peixes mortos, usá-los para fabricar ração para cachorro ou transformá-los em adubo, mas todas essas soluções ainda precisam ser votadas pelo parlamento. Por isso, o projeto só deve ser implantado em 2018.

12.233 – Vai pra praia? Cuidado com eles – Ouriço e água-viva são principais causas de acidentes nas praias do Brasil


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Um estudo da Universidade Estadual Paulista apontou que os ouriços-do-mar estão envolvidos em mais de 50% dos acidentes ocorridos no litoral. Em segundo lugar, vêm as caravelas e águas vivas, com 25%. A primeira regra básica para se livrar desses acidentes é não tocar em nenhum animal trazido às praias pelas ondas, como diz o professor da Unesp, Vidal Haddad Junior.
Para se proteger dos ouriços, vale redobrar o cuidado ao caminhar sobre pedras – pois elas podem ter buracos onde os ouriços costumam ficar. Quando o ouriço atinge o pé de uma pessoa, os espinhos penetram profundamente, e é melhor que sejam retirados por um médico. Algumas espécies podem ser venenosas, o que torna o problema ainda pior. Caso sofra um acidente do tipo, é recomendado não colocar o pé no chão, para que os espinhos não entrem ainda mais fundo. Água quente pode ajudar a aliviar a dor da ferida.
É importante ter cuidado com as caravelas-portuguesas e com as águas-vivas também: não nade quando elas estiverem por perto, e nem se souber de acidentes na região, já que existe uma grande possibilidade de outros bichos estarem por perto. Além disso, não brinque com os animais que ficam encalhados na praia, pois eles também podem queimar a pele.

Se você sofrer alguma queimadura, o indicado é fazer compressas com água do mar gelada. Não tente lavar o local com água doce, pois isso não alivia a dor. O vinagre é um aliado, ajudando a inativar o veneno.
E não, usar xixi não ajuda – na verdade, pode atrapalhar.
E atenção especial com as crianças, que são mais sensíveis do que os adultos e podem sofrer consequências mais severas.

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12.108 – Descoberto tubarão “ninja”: ele é todo preto e brilha no escuro


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Na costa do Pacífico da América Central, a cerca de 1.000 metros de profundidade, vive uma espécie de tubarão estilosa e iluminada, recentemente descoberta: o Ninja Lanternshark. Ele faz jus ao nome: além de ser preto, produz um brilho fraco, que se mistura com a luz que penetra no oceano. Isso facilita a captura de pequenos peixes e também ajuda o Ninja a se esconder dos grandes predadores.
O nome Ninja Lanternshark veio de uma fonte inesperada. Os primos da pesquisadora Vicky Vásquez, com 8 e 14 anos, sugeriram o apelido “Tubarão Super Ninja”. Ela achou que seria mais fácil convencer a comunidade científica a utilizar “Ninja Lanternshark” e assim ficou. Mas esse é só o nome usual. O original é Etmopterus benchleyi, em homenagem a Peter Benchley, autor do romance “Tubarão”, que deu origem ao blockbuster do cinema.
“Cerca de 20% das espécies de tubarões conhecidas foram descobertas nos últimos 10 anos. Nosso trabalho é procurar por esses tubarões perdidos”, diz Dave Ebert, que trabalhou no estudo com Vásquez.

11.563 – Biologia Marinha – Uma bailarina fatal


vespadomar
Olhando distraído você não vê nada boiando na água. Mas, ao prestar atenção, nota um ser diáfano que move dezenas de braços, suave e lentamente. E, ao ajustar o foco, repara, num susto, que os tentáculos têm até 5 metros de comprimento. Seria um espetáculo lindo de se ver, caso a divina dançarina à sua frente não fosse uma serial killer. Trata-se da vespa-do-mar, a medusa australiana conhecida pelos biólogos como Chironex fleckeri. Ela carrega no corpo mais veneno letal do que qualquer bicho do planeta: possui toxina suficiente para matar sessenta homens adultos.
Esses monstros, com 95% do corpo composto de água, são um flagelo das praias da costa norte da Austrália. Nos últimos cem anos mataram 65 banhistas, bem mais do que as 34 mortes causadas pelos tubarões que nadam no litoral daquele país.
A parte superior do corpo de uma vespa-do-mar adulta, o sino, tem só 30 centímetros de diâmetro.
Os longos tentáculos podem chegar a 5 metros de comprimento. Com eles, o animal ataca e captura suas presas, como este peixe, morto em segundos
A boca fica escondida entre os tentáculos
Ninguém escapa do abraço mortal. Em seus sessenta braços, a medusa carrega veneno suficiente para matar sessenta homens.
Arsenal pesado para dieta leve
Uma coisa deve ser dita em favor da medusa australiana. Ela não ataca o homem deliberadamente. Seu cardápio são os pequenos peixes. Mas, apesar da dieta frugal, seu veneno é poderoso. “A razão disso é que a vespa praticamente não sai do lugar”, explica Denise Navas. “Ao contrário das lulas e dos polvos, ela só submerge ou sobe. Fica ao sabor da correnteza, à espera da vítima.” Como caçadora que não nada, seu trunfo é paralisar a presa instantaneamente.
Um encontro fortuito com a bailarina deixa marcas eternas – enormes e dolorosas cicatrizes. O toque do tentáculo arde como uma picada de vespa, só que muito, muito mais fortemente. “Quando alguém encosta nela, milhares de agulhas microscópicas furam a pele e lançam o veneno na corrente sanguínea”, diz o biólogo José Carlos de Freitas, da Universidade de São Paulo. “É como um disparo à queima-roupa.” Para evitar tais acidentes, as autoridades protegem as praias mais usadas com redes, que mantêm as medusas afastadas. E os salva-vidas carregam antídoto contra o veneno da dançarina fatal.

11.453 – Concentração de carbono na atmosfera pode mudar a vida marinha


extinçao
Assim como as florestas, os oceanos são fundamentais para o equilíbrio climático do planeta: absorvem 25% das emissões totais de gás carbônico (CO2), o principal gás responsável pelo efeito estufa.
No entanto, a concentração de carbono na atmosfera bateu recorde este ano e excedeu o limite de 400 partes por milhão (ppm), o que indica que os mares podem não estar dando conta do recado.
Se o aumento da temperatura global ficar acima de dois graus, o que já é considerado difícil de ser revertido, a vida marinha terá de se reorganizar de uma forma nunca vista nos últimos três milhões de anos, mostra um estudo publicado nesta semana na revista científica “Nature Climate Change”.
Com águas mais quentes, espécies capturadas para consumo humano podem desaparecer porque os ambientes se tornarão inóspitos.
Até os mares das regiões polares, que se tornariam mais agradáveis para a vida marinha, devem virar palco de disputas entre as espécies endêmicas e as invasoras.
“Haverá espécies que vão desaparecer, mas outras conseguirão assumir um lugar nos ecossistemas. Mas os pescadores estão acostumados a capturar apenas determinadas espécies, e eles terão de se adaptar a essa nova realidade”, afirmou o coordenador do estudo, Gregory Beaugrand, oceanógrafo do Centro Nacional Francês de Pesquisas Científicas.
Os prejuízos para a indústria da pesca, que acrescentou US$ 274 bilhões ao PIB mundial em 2012, ainda não podem ser estimados.
Mas é fato que ela afetará de crustáceos a cetáceos. O aquecimento das águas tem como consequência o impacto no crescimento do fitoplâncton, a base da cadeia alimentar marinha, o que resulta em menos alimento disponível para os peixes.
Além do aquecimento das águas, a elevada concentração de gases de efeito estufa nos oceanos torna as águas mais ácidas, outro fator de risco à vida marinha. A Unesco diz que a acidez aumentará 150% até 2100.
“A acidificação dos oceanos é um fenômeno pouco conhecido, mas é uma ameaça silenciosa do aquecimento global. Ela vai afetar a sobrevivência dos recifes de corais”, afirma a bióloga Leandra Gonçalves, consultora da SOS Mata Atlântica.
No Brasil, a situação das espécies marinhas não é das mais animadoras: quase 100 espécies de peixes marinhos de importância comercial estão sob risco de extinção.
Diretora da Oceana, ONG internacional voltada à conservação de oceanos, Monica Brick Peres diz que o Brasil não produz estatísticas confiáveis sobre a pesca, o que faz com que espécies ameaçadas continuem sendo pescadas acidentalmente e até vendidas ilegalmente como se fossem peixes permitidos.

11.438 – Tartarugas-robôs viram iscas para tubarões no Recife


tutu barao
Pesquisadores pernambucanos tiveram uma ideia pouco ortodoxa para evitar os tradicionais ataques de tubarões nas praias do Recife. Eles propõem utilizar tartarugas eletrônicas como uma isca para os predadores.
O equipamento pernambucano foi chamado de AST, de Armadilha Seletiva para Tubarões. Construído em inox, fibra de vidro e poliuretano, ele pesa 40 quilos, mede 1,60 por 1,10 metro e é movido a energia solar.
O responsável pelo projeto é o engenheiro florestal Fernando Encarnação, mestre em energia nuclear pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em física pela USP.
Ancoradas ao longo da costa e flutuantes, as falsas tartarugas movem as patas e emitem sons que imitam o animal marinho, presa natural dos tubarões.
Dentro de cada pata da tartaruga, há dois anzóis. Quando o tubarão morde uma delas, ele fica preso à tartaruga, que está ancorada no fundo do mar. Em seguida, sinais serão emitidos para uma equipe em terra, que irá rebocar o animal.
Enquanto o “resgate” não chega, a tartaruga levanta uma bandeira que avisa aos banhistas recifenses da presença do tubarão.
Pesquisadores implantarão um chip no tubarão em seguida e o devolverão ao mar, sem lhe causar danos.
O objetivo, segundo Encarnação, é não só evitar ataques aos banhistas mas também colher informações para conhecer melhor os hábitos desses animais.
Não há estudos que expliquem, por exemplo, por que os ataques de tubarões se concentram em Pernambuco. Nem mesmo as espécies que mais atacam ou a época do ano de maior risco para os banhistas é conhecida.
Desde 1992, já foram registrados 60 ataques, com 24 mortes nas praias pernambucanas, segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões. A área de maior risco se estende por 33 km e vai de Olinda, ao norte do Recife, até Ipojuca, no litoral sul.
Para que as tartarugas eletrônicas garantam a segurança dos banhistas, Encarnação afirma que elas devem ficar a uma distância ideal de 50 metros uma da outra. Isso deixa o projeto mais difícil de implementar: para cobrir os sete quilômetros da área mais crítica, seriam necessárias 160 unidades.
Por enquanto, o equipamento vem sendo testado só em algumas praias, para que se verifique qual sua efetividade na prevenção de ataques. Cada um deles custa R$ 18 mil – R$ 2,88 milhões para cobrir toda a área de ataques.
Há também gastos com manutenção –para consertar eventuais estragos nas tartarugas, por exemplo–, barcos rebocadores e equipe de monitoramento, que ainda não foram estimados.
Em junho, o pesquisador irá apresentar sua criação em uma audiência pública na Câmara Municipal do Recife.
Ele diz já ter investido R$ 1,2 milhão do seu bolso para desenvolver a tecnologia.
Já houve outras tentativas de impedir ataques de tubarão, como a implantação de barreiras no mar com iscas, mas segundo o Cemit elas só minimizam o problema.
Os tubarões, além de tartarugas e humanos, atacam também peixe, focas, lulas e até tubarões menores.

11.426 – Biologia Marinha – Filhotes de tubarões devoram uns aos outros no útero


tubarao bco
Embriões de tubarão devoram uns aos outros dentro do útero. Há vídeos registrando o fenômeno, mas nunca se soube o motivo. Agora cientistas entenderam a origem do fenômeno: são filhos de diferentes pais disputando o ‘direito de nascer’.
A pesquisa, publicada no periódico Biology Letters, analisou filhotes de tubarão-touro ou tubarão-cinza (Carcharias taurus) durante vários períodos da gestação. Os cientistas perceberam, através de análises de DNA, que, quanto mais avançada a gravidez, maior eram as chances de que os filhotes remanescentes fossem de um único pai.
Isso sugere que o canibalismo no útero seja um mecanismo através dos quais os machos garantem a paternidade dos bebês. De acordo com um dos autores da pesquisa, o biólogo Demian Chapman, da Stony Brook University of New York, a luta pela paternidade continua após a fecundação em algumas espécies.
Os tubarões-touro chegam a 2,5 metros e dão à luz a filhotes de 1 metro. Desde 1980 autópsias revelaram embriões dentro do estômago de filhotes e é sabido que o canibalismo no útero acontece desde os 5 meses de gestação.
Como dá pra imaginar pelo tamanho, a mãe dá a luz apenas a, no máximo, dois filhotes por gestação, mas pode ficar grávida de mais filhotes e de pais diferentes. Até 12 fetos podem começar a ‘jornada’. Dentro do útero os tubarões lutam pela sobrevivência até que só sobre o maior e, possivelmente, outro: e parece que os meio-irmãos são os primeiros alvos. O que tem mais chances de sobrevivência, claro, é o mais velho, além de um irmão que tenha o mesmo pai.

11.179 – A Águia Marinha Gigante


águia gigante

Haliaeetus pelagicus, mais conhecida como águia-marinha-de-steller é uma ave falconiforme (accipitriforme segundo a União Ornitológica Internacional) da família Accipitridae. Apresenta duas subespécies Haliaeetus pelagicus pelagicus e Haliaeetus pelagicus niger.
Mede entre 87 e 105 cm de comprimento, com envergadura de até 2,4 metros, e chega a pesar mais de 9 kg quando adulto. Alimenta-se principalmente de peixes, especialmente salmão e truta. Eventualmente come outras aves, mamíferos e carniça.
Constrói seu ninho no alto de árvores ou sobre rochas. Após o cortejo, que ocorre normalmente entre fevereiro e março, a fêmea coloca ovos branco-esverdeados, dos quais apenas um filhote sobrevive. O período de incubação dura entre 40 e 45 dias, com o filhote aprendendo a voar após 10 semanas de vida. Atingem a maturidade sexual com 4 ou 5 anos de idade.
Encontrado na península da Coreia, Japão, norte da China e regiões costeiras do leste da Rússia. Sua população é estimada em 5000 indivíduos. As principais ameaças para esta espécie são a alteração de seu habitat, poluição e sobrepesca.

11.151 – Espécime raro de tubarão nunca visto antes é capturado na Austrália


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Pescadores que trabalhavam nas águas do sudeste australiano capturaram um espécime raro do tubarão-babado, conhecido como o “fóssil-vivo”, pois remonta a 80 milhões de anos. A cabeça e a cauda dessa espécie são semelhantes às de um tubarão comum; no entanto, ele possui 300 dentes, divididos em 25 fileiras, e seu corpo é mais parecido com o de uma enguia gigante.
O espécime capturado, de dois metros de comprimento, foi encontrado nas proximidades do lago Entrance, no estado australiano de Victoria. Simon Boag, da SETFIA (Associação da Indústria de Pesca com Rede do Sudeste), afirmou que é a primeira vez que esse animal é visto. “De fato, parece ter 80 milhões de anos. Tem um aspecto pré-histórico, parece de outro tempo”, acrescentou.
Cientistas da CSIRO (Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial) confirmaram que se trata de um tubarão-babado, espécie conhecida dentro do meio acadêmico, mas raramente vista por pescadores. Apesar de o animal ser encontrado em profundidades superiores a 1200 metros, o espécime em questão foi capturado a 700 metros abaixo da superfície aquática.

11.120 – ☻Mega Bloco – Biologia, a Ciência da Vida


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Uma ciência que, em rápida expansão atinge proporções que começa a se subdividir em em numerosas ciências derivadas.
Da Zoologia e da Botânica sistemática, todos podemos colher uma visão geral das diferentes espécies de seres vivos e das múltiolas relaçlões entre eles. Da Anatomia e da Fisiologia, uma compreensão clara do nosso próprio corpo. Do estudo da Embriologia e da Reprodução temos a percepção do lugar que ocupamos na escala da vida. a Genética, cada vez mais explorada, emergiu de discussões e controvérsias, mas que apresenta princípios exatos na hereditariedade.
A Ecologia ocupa-se das diversas espécies vivas como partes interdependentes numa única cadeia. A Medicina que era o estudo das doenças, vem se tornando o estudo da Saúde. a Psicologia aborda os mais fascinantes problemas e tem o trabalho de explicar como se desenvolveu a mente, desde as suas nebulosas origens até o aspecto que reveste a espécie humana.

Você vai mergulhar em mais um ☻Mega Bloco.

Agricultura biodinâmica
Anatomia
Astrobiologia
Bioquímica
Bioinformática
Biologia
Biologia da conservação
Biomaterial
Biomecânica
Biofísica
Biopolímeros
Biotecnologia
Botânica
Biologia celular
Biologia do desenvolvimento
Biologia evolutiva
Biologia estrutural
Biologia molecular
Biologia marinha
Biologia sistémica
Bromatologia
Ciências do ambiente
Ciências da saúde
Controlo biológico
Dinâmica populacional
Ecologia
Etologia
Farmacogenética
Farmacologia
Fisiologia
Genética
Genómica
Imunogenética
Imunologia
Imunoterapia
Imagiologia médica
Microbiologia
Neurociência
Neurociência cognitiva
Neurociência computacional
Neuroetologia
Nutrição
Oncologia
Optometria
Parasitologia
Patologia
Proteómica
Zoologia

Vida_Ciencia_Biologia_Vol2_8ed

11.112 – Pesquisa desvenda mistérios do gigante peixe-lua


peixe-lua-banho-de-sol

As profundezas do oceano ainda guardam muitos segredos para curiosos e pesquisadores. Um destes misteriosos desconhecidos é o enorme peixe-lua (também conhecido como Mola Mola ou Sunfish). Seu tamanho impressiona: é o maior peixe ósseo do mundo, variando de um a quatro metros de largura, e pesando até uma tonelada.
Estes peixes gastam quase metade do seu dia deitados e imóveis na superfície do oceano, aparentemente com a intenção de pegar alguns raios de sol. Mas até agora os pesquisadores não entendiam os motivos deste comportamento do peixe-lua.
Uma nova pesquisa indica que eles caçam os chamados hidrozoários marinhos, que são animais predadores, que possuem parentesco com as águas-vivas. O peixe-lua se alimenta dos siphonophores, um tipo de hidrozoário encontrado em profundidades entre 50 e 200m. Depois de sua caçada, eles nadam até a superfície para aquecer o seu corpo no sol.
Esta é a primeira evidência de que o peixe-lua se alimenta dessas criaturas em águas profundas. Anteriormente, acreditava-se que esse peixe comia apenas águas-vivas. Uma equipe liderada por Itsumi Nakamura, da Universidade de Tóquio, Japão, analisou vários peixes na costa do país, aos quais foram instalados termômetros para medir as mudanças na sua temperatura corporal. Câmeras com luzes também foram acopladas aos animais para saber exatamente o que eles caçam.
A pesquisa, publicada na revista Animal Ecology, aponta que o peixe-lua vai e volta, entre a superfície e águas profundas, durante o dia. Seus ciclos de mergulho profundo e aquecimento na superfície ajudam a maximizar o seu tempo de absorção de energia após as caçadas. Cada vez que eles tomam um “banho de sol” a temperatura do seu corpo é regulada.

10.925 – Estudo revela 180 organismos marinhos biofluorescentes, incluindo tubarões e raias


biofluorescencia

Tal estudo usou iluminação e câmeras de filtros especiais, o que possibilitou a identificação de mais de 180 espécies de peixes marinhos que exibem biofluorescência.
Para quem não sabe, a biofluorescência é diferente de bioluminescência (luz originada através de reações químicas do organismo) e fluorescência (luz refletida pelos organismos, visível à olho nu). A bioluminescência é um mecanismo no qual elétrons contidos em determinadas proteínas absorvem a luz em um comprimento de onda e a reemitem em um comprimento de onda menos energético. Utilizando filtros especiais, os humanos podem ver tal fluorescência em tons de vermelho, verde ou laranja, e foi isso o que os pesquisadores fizeram.
Já que não podemos ver a biofluorescência, já parou para pensar em quantas espécies de animais com cores e padrões interessantíssimos podem apresentar essa característica? Será que anfíbios ou répteis podem apresentá-la também?